Vida nova, novo começo
-Passei, passei, passei, passei!
Descendo as escadas como um furacão turbinado por açúcar, e literalmente era isso que Ruby Rose Xiao-Long era, a jovem de cabelos levemente escuros e vermelhos parou no sofá da sala com os seus dois pés em cima e gritou mais uma vez em plenos pulmões.
-Pai, eu PASSEI!
O homem em questão, que até aquele momento parecia estar desaparecido, surge com uma frigideira em mãos, cheia de ovos e bacon super calóricos, enquanto carregava na mão esquerda um prato de tortas e biscoitos "brawnie" recém assados.
-Eu sei.—Respondia ele com tranquilidade a medida que terminava de colocar o dejejum na mesa da sala de jantar—. Ozpin me ligou ontem, ele disse que nem mesmo precisou mexer os pauzinhos pois sua nota no teste e seu projeto de pesquisa sobre densidade de materiais bélicos atraíram a atenção dos principais financiadores da universidade. Parabéns querida, você merece.
-Awww que isso, eu sou um gênio, eu sei, mas não me bajula muito não.—Respondeu Ruby toda sem graça enquanto tomava seu lugar na mesa.
-Ainda assim não entendo o seu fascínio por armas, tem certeza que é exatamente com isso que você quer trabalhar pro resto da vida? Engenharia bélica?
-Armas são legais! Elas fazem 'tatatatata, 'popopopow' e elas protegem pessoas boas de pessoas más! Se não quisesse que eu me interessasse por elas devia ter me criado na cidade, não no campo no meio do estado do Texas com gente que ou tá bebendo e trabalhando, ou tá atirando e trabalhando!—Exclamou Ruby enquanto degustava seu ovo e bacon e devorava os seus brawnies e tortas caseiras.
-E a Summer dizia que a vida no campo seria mais tranquila...
-Awhmericaaaa Fucky YeeAh!—Cantarolava Ruby enquanto deixava farelos de biscoito caírem no prato.
-Modos mocinha!—Dizia Tai após limpar um pouco da bagunça que sua filha cuspia no seu rosto—. Mas então, já falei com seu tio. Você vai morar com ele e...
-Não!—Exclamou Ruby extremamente brava, indo na maré oposta do seu comportamento alegre de mais cedo—. Você prometeu que iria me deixar morar com a Yang na república!
-Ruby, olha, as coisas ficaram complicadas. Recentemente sua irmã se envolveu com gente errada, arranjou briga em um bar e foi presa, céus, é um milagre a carreira de lutadora dela não ter ido por água baixo! A sorte que o professor Port é um homem muito bom, mas eu sei que até mesmo a paciência dele tem limites e sua irmã parece que quer testa-lo!
-Exatamente! Desde que a mamãe faleceu você nos trancafiou nessa fazenda como se nós fossemos prisioneiras! Não é surpresa ela querer arranjar confusão de vez em quando!
-Isso é um exagero, e você sabe...—Disse Tai com um olhar cansado.
-Verdade, desculpa, mas o ponto é...a nossa vida era escola, trabalhar na fazenda, fazer o dever de casa e dormir! Eu e a Yang não tivemos nada além disso por muito tempo, e não conseguimos fazer amizade direito na escola por causa disso! Mesmo a Yang sendo a Yang, tudo que ela conseguia era amigas invejosas e idiotas que só queriam pegar nos peitos dela, e eu, bom, era eu...
Suspirando pesadamente, refletindo de forma breve sobre o que havia falado, ela continuou:
-A Yang é extrovertida e tudo mais, mas ela não tem a menor noção de como lidar com as pessoas. A única coisa que nós sabíamos era que nós tínhamos uma à outra, e agora, nem isso ela tem. Pai...—Limpando as lágrimas que haviam se formado no seu rosto, e se aproximando de maneira carinhosa, Ruby falou—...eu sei que se eu morar com ela vou ter que aturar uma encrenqueira e irmã super protetora, mas também sei que vou ajudar uma amiga. Por favor, me deixa morar com a Yang, vai~
Não resistindo ao charme de sua princesinha, mas também reconhecendo que ela tinha certa razão, Tai respondeu:
-Tudo bem, eu deixo. Não é como se seu tio morasse longe de qualquer forma, ele só fica a trinta minutos da república de qualquer forma. Ele ainda vai ficar de olho em vocês e ser responsável.
-Ou ele vai nos levar pra tomar uns tragos escondidos do senhor!—Brincou Ruby.
-Se isso acontecer eu faço o Zwei morder a bunda dele...não é mesmo meu rapaz?
Rauf! Latia Zwei, que por sua vez, até aquele momento, estava debaixo da mesa catando o resto das tiras de Bacon que a Ruby tinha derrubado.
BEEEEEMNG!
O barulho da sirene da delegacia estourou os ouvidos da Yang, que nesse momento, acordava com uma ressaca que a fazia querer morrer. Não demorou muito e ela ouviu barulho de trancas sendo abertas, e um oficial com olho roxo apareceu.
-Vamos cachinhos dourados, tá na hora de desocupar a cela.
Apesar da dor de cabeça, Yang se levantou com um olhar feroz e respondeu com zombaria:
-Mas oficial, a cama está tão quentinha! Se eu te bater de novo, eu ganho mais uma diária?
Com um olhar sério o oficial respondeu:
-Se fizer isso de novo sua próxima estádia vai ser na prisão, não em uma delegacia de bairro. Mas vamos lá, eu sei que lá as camas são mais confortáveis. Só dá um soco aqui na minha cara pra gente confirmar.
Não tendo mais uma resposta engraçada, tudo que a Yang podia fazer era retrucar.
-O cara passa a mão na minha bunda e você inventa de me prender?! Eu não teria te batido se tu tivesse feito o seu trabalho direito.
-Sinto muito mocinha, mas não havia testemunha, e o cara era o dono da boate que você pagou a mais pra poder entrar e beber bebida alcoólica usando uma identidade falsa. Eu posso ir atrás dele e multa-lo por oferecer bebida pra menor, porém também posso adicionar esses outros delitos na sua ficha e fazer você passar o resto do ano no xilindró. O que me diz?
-Tá, tá, tá! Você venceu, só me dá a chave da minha moto que eu vou embora.—Disse Yang por fim de forma exasperada.
-Sobre isso, você vai ter que resgata-la do reboque e pagar uma multa bem salgada.
-Mas que...
-É a lei, eu só obedeço. Mas boa notícia? Seu tio tá na porta pra te levar até lá. E não se preocupa, ele já ajeitou toda a papelada.
Assentindo, Yang por fim saiu da cela, pegou o seu celular que estava no balcão de pertences pessoais e saiu da delegacia. Com uma caminhonete que parecia ter sido montada com peças de automóveis enferrujados, Qrow Brawen, com seu jeito sexy e bêbado de ser buzinava à medida que exclamava em alto e bom som.
-Então explodidinha, como foi acordar de ressaca após a sua primeira briga de bar?—Disse ele com sua voz ríspida de bêbado, porém calorosa.
-Foi uma merda, não enche Qrow!
-Ei, ei, ei! Calma, mansinha, amigo!—Brincou ele—. Eu sei que você só reagiu da forma errada, como você sempre faz. Mas eu não te culpo, eu também ficaria puto se uma mina quisesse pegar no meu saco sem minha autorização.
-Mas você sempre deixa suas ficantes chegarem em você desse jeito!
-Vantagem de ser homem bonito querida, vacilou, dormiu, mandioca no bombril! Agora entra ai, o Tai ligou. Amanhã sua irmã chega e ela precisa achar aquela espelunca que você chama de quarto arrumado!
-Mentira..—Disse Yang incrédula de felicidade a medida que entrava na caminhonete.
-Sim, ela passou.—Disse Qrow com seu sorriso aberto—. Parabéns, você vai poder voltar a brincar de boneca com sua irmã. Agora vamos buscar sua moto logo, o Dallas vai jogar e eu não quero perder o jogo com os brothers do bar!
-De novo!
Exclamando em alto e bom som, uma menina de cabelos loiros platinados movia sua rapieira na direção do seu atacante, que por sua vez, usando a sua agilidade superior rebatia a lâmina para baixo e estocava a sua ponta curva no peito da garota.
-Arghh, de novo!
Apesar da insistência, seu atacante guardou a espada e retirou o seu elmo de proteção a medida que dizia.
-Para que você cometa esses erros amadores de novo? Acho que não.—A atacante em questão também era uma mulher de cabelos alvos e possuía um olhar azul que era muito mais maduro do que sua versão mais nova—. O que está acontecendo, Weiss? Você é melhor do que isso.
-Winter, eu...estou com medo.
-Do que?—Perguntou ela arqueando uma sobrancelha.
-Da resposta que o papai vai dar. Ele disse que se eu fizesse tudo que ele pediu ele me deixaria ir pra faculdade lá no Texas, mas do jeito que as coisas estão com a mamãe, talvez ele mude de ideia...
-Weiss...
-Sim?
-Você ganhou vários campeonatos de esgrima na cidade do vovô na Alemanha, cantou em vários concertos em Paris e fez um estupendo trabalho como modelo na empresa. Não entendo porque ele diria não ao único presente de aniversário que você pediu. Ele pode não ter sido um ótimo pai, mas para o bem ou para o mal, ele sempre cumpre com sua palavra.
-Não sei, ele vive reclamando que se eu for pra lá sozinha eu vou acabar virando uma dessas lésbicas comunistas que não depila as axilas.
Esboçando uma leve risada, Winter respondeu:
-Não, eu não acho que você vai acabar se tornando esse estereótipo de pessoa. E mesmo que vire, não importa, é a sua vida. Você teve a melhor educação que o dinheiro pode pagar e passou por muita dor de cabeça pra fazer valer esse investimento, é justo você querer ter um pouco de liberdade para usa-la pro seu próprio bem. E além do mais, é no Texas, Austin é a cidade natal dele. Mesmo que você vá viver sua vida de forma independente, ele ainda vai saber onde você está e poderá ficar de olho.
-Ele é dono de metade das ações imobiliárias da cidade, seria uma surpresa ele não querer vigiar cada passo meu.—Respondeu Weiss enquanto sentava em um dos bancos de descanso e bebia um pouco de água.
-Mas apesar disso, ele não vai interferir em sua vida.—Sentando do seu lado, Winter continuou—. A sua vida é só sua irmã, nada mais, nada menos. Aproveite o privilégio de não ter que precisar se alistar no exército para conquista-la.
Finalmente abraçando sua irmã de forma calorosa, Weiss falou:
-Promete ligar toda semana?
-Prometo, mesmo que o trabalho na embaixada seja excruciante, vou encontrar tempo pra você. E além do mais, de Washington pra Austin é só algumas horas de vôo. Prometo que pelo menos uma visita no mês eu faço.
-Obrigada, Winter.
-Senhoritas...
Um homem de meia idade, com o cabelo raspado no topo da cabeça e com um bigode muito bem desenhado se apresentou com um olhar sério.
-Klein, o que houve?
-Seu pai saiu às pressas para atender uma reunião de emergência, mas ele pediu pra deixar recado sobre a sua situação.
-E o que ele disse?—Perguntou Weiss com o coração batendo a mil.
-Bom...
Tchaca! Tchaca! Tchaca!
O barulho das locomotivas rodando podia ser ouvido de longe, e a luz do seu farol indicava sinais de sua aproximação. Um grupo de pessoas trajadas de roupas escuras ansiava pela chegada do trem. Entre essas pessoas ansiosas estava Blake com seu olhar castanho claro, quase amarelo, e com suas mãos suadas.
-Adam, tem certeza que isso é certo?
O ruivo em questão com um tapa olho cobrindo o lado esquerdo do seu rosto, respondeu:
-Sim meu amor. Esses porcos dos Scheene's desapropriaram centenas de pessoas de suas casas e ainda mandaram a polícia bater naqueles que não podiam sair, só pra construir aquela porcaria de gasoduto. Só estamos dando o troco neles.
-Mas, e as pessoas do trem? Elas vão ficar bem?—Perguntou ela preocupada.
-Os únicos passageiros estão no vagão do maquinista. Não se preocupe, ninguém vai morrer e a policia não vai vir atrás da gente por causa de homicídio, pensamos em tudo. O plano vai dar certo.
-Adam, eu...
-Ei...—Tocando levemente em seu rosto, o mesmo acariciou suas bochechas com o seu polegar e disse—. Vai ficar tudo bem. Lembra do nosso sonho?
-Daquele que a gente vive em uma casa na beira da praia?—Perguntou ela com uma voz suave a medida que se derretia com o toque de sua mão.
-Sim, esse mesmo. Blake, depois desse trabalho, só terei que resolver mais algumas pendências para resolver e então poderemos nos casar.
-Meu pai não vai aprovar o nosso casamento.—Falou Blake, dessa vez um tanto séria.
-Ele vai depois que vê os nossos filhos.
Rindo, ela por fim falou.
-Só você mesmo pra pensar em algo bom no meio de uma situação dessa.
-Eu sempre penso em nós, sempre...
FOOOOOOOM
-O trem está próximo. Todos se preparem!—Gritou Adam para as outras figuras, que por sua vez, corriam para de trás das pedras. E logo quando todos se posicionaram, ele gritou de novo—. Agora!
Com o apertar de um botão, as bombas que estavam nos trilhos foram acionadas, e o trem que passaria por eles descarrilhou e tombou próximo da estrada que cortava para as rodovias.
-Rápido pessoal, daqui a pouco a policia dá as caras! Vão, Vão, Vão!
E com isso, Blake pôs sua máscara de Hello Kitty e se juntou aos assaltantes do trem com uma .9mm em mãos.
Com suas malas em mãos, Ruby descia da caminhonete do seu pai e já partia para o salão da rodoviária à medida que fazia uma verificava suas coisas, esperando ver se não havia esquecido algo.
-Carteira, ok. Passagem, ok. Fone de ouvido, ok. Biscoito pra comer no meio da viagem...tirando as roupas que estão na mala, está tudo certo!
-E esse rifle Winchester na bagagem? Pensei que eles proibissem armas na república.—Comentou Tai a medida que entregava a maleta com a arma para a sua filha.
-Eles proíbem, e oficialmente, a arma é um modelo não funcional de um rifle muito velho que só serve de decoração. Extra oficialmente? Rsrsrsrsrs, arma da mamãe está pronta pra ser usada!
-Tá, só não atire em alguém, tudo bem?—Disse Tai cansado de mais para argumenta.
-Nem nos garotos que forem me paquerar? Pensei que o senhor ia ser mais pai coruja.—Disse ela inocentemente.
-Nem...aliás, quer saber? Nesses você pode, só não mata eles. Deixe que a conta do hospital faça o trabalho.
Sorridente, ela abraçou Tai e disse:
-Vou sentir saudade. Sei que é um novo passo, mas...vou sentir saudade.
Retribuindo o abraço Tai respondeu:
-Eu estou a um telefone de distância. Se tiver com um problema que seu tio e sua irmã não deem conta, pode falar comigo.
-Tá..—Se virando para a mensagem de bordo do terminal, e depois para o seu pai, ela disse—. O ônibus chegou, tenho que ir. Tchau pai!
-Tchau Ruby!
-Ele deixou, ele deixou, eu não acredito!—Exclamava Weiss alegremente enquanto jogava suas roupas e utensílios em cima da cama, dando um trabalho em demasia pro Kleim, que mesmo estando naquela situação, não conseguia deixar de sorrir feliz.
Depois de ter tomado o seu banho e de ter se preparado para viajar, Weiss, com Klein em seu encalço, desceu as escadas do salão de sua mansão e se aprontou para pegar a limusine que estava na porta. Logo depois de ter colocado todos os pertences no bagageiro com a ajuda do mordomo, ela se aconchegou na parte do fundo do veiculo toda distraída, não notando a presença de uma segunda figura que estava ali.
-Então quer dizer que a Rapunzel conseguiu fugir da sua torre? Meus parabéns irmã, você finalmente conseguiu realizar seu sonho.—Falava um rapaz com cabelo loiro platinado perfeitamente alinhado e com um sorriso travesso.
-O que você está fazendo aqui, Whitley?—Respondia Weiss com um olhar bem desinteressado.
-Além de se despedir da minha irmã que passou os últimos anos vivendo o seu drama de princesa prisioneira e me ignorando completamente? Bom, estou apenas aproveitando a carona para o aeroporto. Houve um incidente naquela cidade de caipiras que você vai estudar que custou alguns milhões no bolso do pai, e por causa disso, ele quer que eu vá para Londres falar com alguns amigos do parlamento. Ele acha que se eu manter uma relação próxima com os meus antigos colegas de turma talvez possa conseguir um acordo com os pais deles, que são donos das agências bancárias.
-Hunf, que patético.—Bufou Weiss.
-São só negócios irmã, se tivesse passado mais tempo com o pai talvez ainda tivesse o posto de herdeira da empresa.—Disse Whitley com um deboche em sua vez com uma intenção nítida de irrita a sua irmã, e para o seu divertimento, ele conseguiu.
-Eu ainda SOU a herdeira da empresa!—Exclamou a jovem com um olhar nitidamente furioso.
-Depois que começar a se envolver com aqueles caipiras burros do oeste americano, vamos ver se ainda terá inteligência e sagacidade para gerir uma multinacional com um logo de peso igual a Schenee Company. Dizem que burrice é contagiosa, sabe? E o pai odeia idiotas e incompetentes.—Dizia o próprio enquanto esboçava um sorriso no rosto—. Já consigo até ver as manchetes...a princesinha de Bruxelas vai para os Estados Unidos em busca novas oportunidades para honrar o seu legado e acaba se apaixonando pelo primeiro caipira sem camisa que aparece. Uau.
-Hahahaha! De todos os cenários escandalosos que você poderia escolher, você escolhe logo o do amor proibido? Tsc, tsc...Para alguém que gosta de exibir a sua eloquência, você até que tem uma imaginação muito pobre Whitley.
Bufando de raiva Whitley se aprontou para responde-la, mas foi interrompido com o bater da janela de sua irmã mais velha, Winter, que logo após ter pedido ao chofer para abaixar a janela do carro, disse:
-Vou ficar com a mamãe por um tempo antes de voltar pro trabalho. Quer que eu diga alguma coisa para ela?
-Eu...
Weiss não sabia o que dizer, ela simplesmente baixou o olhar e ponderou sobre o que poderia falar. Sua mãe passava tanto tempo se embebedando em sua suíte que era estranho lembrar que ela ainda estava viva.
-...diz pra ela que eu a amo, eu acho.
Notando o pesar em seu semblante, Winter não falou mais nada e assentiu com a cabeça.
-Certo...Até mais Weiss.—Disse a mais velha dos irmãos Scheene's com uma breve saudação à medida que voltava para o interior da mansão, de onde da sua porta, estava Klein dando um tchau agitado e caloroso.
-Bom, vamos seguir com as nossas vidas, sim?—Disse Whitley agora menos exasperado—. Para o aeroporto chofer.
-Chefe, tá tudo carregado!—Exclamava um dos homens enquanto passava uma das maletas pro Adam, que por sua vez, a abria para ver o seu conteúdo. Blake, que também estava próxima, olhou para dentro da maleta e falou...
-Adam, isso é?
-Sim...o mais puro e bruto ouro. Parece que o contato da Sienna estava certo. A instalação do Gasoduto na nossa pequena comunidade era só um disfarce para que os Scheene's pudessem minerar esse ouro sem precisar pagar a criação de uma estrutura para tira-lo da terra. Não bastava as isenções fiscais que eles sempre conseguem com o estado, eles ainda tinham que evitar o custo da burocracia. Malditos porcos gananciosos...
Se virando para o homem que havia lhe passado a maleta, ele lhe entregou de volta a mesma e se virou para os demais e disse:
-É isso pessoal, circulando! Vamos, vamos, vamos!
E com essa ordem, todos se moveram para os seus carros e motos e pegaram a estrada para sair dali. Tudo havia corrido muito bem, bem até demais. Mesmo quando os federais passaram correndo pelo outro lado da pista indo em direção ao local do acidente, o pessoal não se importou em esconder de suas vistas. Bandidos não seriam burros de roubar e andar por aí como se nada tivesse acontecido. Blake pensou com um leve sorriso no rosto.
E assim eles continuaram seguindo viagem por mais algumas horas até chegar no ponto de encontro que havia sido estabelecido pelos seus contratantes. Era um grande galpão abandonado no meio do deserto, e lá, homens armados com fuzis e escopetas de calibre pesado faziam sua guarda. No meio desse galpão duas figuras se destacavam, uma era um homenzarrão de pele morena com um terno verde oliva, e outra era uma figura magricela que tinha um sorriso psicótico em seu semblante.
-Frankstein e Escorpião, codinomes peculiares o de vocês.—Dizia Adam enquanto descia da van com seus homens, tão bem armados quanto os guardas dos sujeitos.
-Tão peculiar quanto Taurus, não acha?—Respondia o "Escorpião" com uma voz um tanto esganiçada.
-Onde estão as maletas?—Perguntou Frankstein com um olhar sisudo.
-Estão aqui.—Dizia Adam enquanto sinalizava para os seus comparsas, que por sua vez, abriam o fundo da van para mostrar os carregamentos que haviam roubado.
-Ótimo, Escorpião, o dinheiro.—Dizia Frankstein enquanto sinalizava para os seus homens pegarem as malas que continham o ouro.
Houve um momento de tensão, mas logo quando escorpião entregou duas malas pesadas de dinheiro pro Adam, todos ficaram mais aliviados e os negócios seguiram como planejado.
-Querida..—Dizia Adam para Blake—..conta o dinheiro, sim?
Abrindo as malas, Blake ficou abismada com a quantidade de dinheiro que tinha as suas vistas. Vendo que os bolões de dinheiro marcavam 10.000 dólares, e eles estavam enfileirados em um esquema de "5x4" e possuíam três níveis de camadas...
-Adam, com as duas malas, temos em torno de...1 milhão e duzentos mil dólares. Isso é muito dinheiro!—Exclamou Blake esbaforida, e muito contente. Com esse dinheiro eles poderiam realmente seguir com a vida deles, criar um pequeno negócio e viver a vida que tanto sonhavam, mas o olhar irritado do seu companheiro parecia dizer que ele estava prestes a por tudo em risco.
-Adam?...
Com um movimentar rápido de suas mãos, Adam puxou sua espingarda e a apontou para o Frankstein.
-O que pensa que está fazendo rapaz?—Indagou o homenzarrão com uma expressão nada contente, enquanto o comparsa sorria de maneira psicótica.
-O que tem nem nessa maleta não é nem mesmo um décimo do que vocês vão ganhar com os "dejetos" do gasoduto.—Vociferou Adam enquanto seus homens e os de Frankstein, agora, empunhavam as suas armas uns contra os outros—. Cadê o resto do dinheiro?
Vendo que as coisas estavam prestes a escalar de forma muito rápida, Blake pegou as maletas e se aproximou de Adam e disse:
-Adam, deixa pra lá! O que temos aqui é mais do que suficiente, não vale a pena morrer por isso.
-Ouça sua namoradinha rapaz.—Disse Escorpião com uma submetralhadora em mão—. Você não vai querer morrer atoa.
Apesar de estar com os dentes cerrados de raiva, Adam abaixou sua espingarda e ouviu o conselho de Blake, afinal de contas, ela estava certa. Não importava quantos milhões aquele pessoal fosse lucrar com o ouro apreendido, eles já tinham conseguido o dinheiro suficiente para fazer o que era melhor para as suas vidas. Erro Crasso.
No exato momento em que Adam virou as costas, Escorpião apertou o gatilho da sua MP5 e ambos, tanto Blake quanto Adam, foram varados pela rajada da submetralhadora. O choque foi grande demais e Blake só havia se dado conta do que havia acontecido quando já estava no chão. Em um impulso de reflexo, ela havia erguido uma das maletas que recebeu boa parte dos tiros, deixando apenas uma bala acertar o seu ombro, já o seu companheiro...
O homem que sempre havia lhe prometido dar uma vida nova agora jazia caído em uma poça de sangue com um olhar vazio em seu semblante. Vendo aquilo, Blake pensou em gritar, mas por mais que se esforçasse o ar não saia dos seus pulmões, foi quando em meio ao desespero ela percebeu o que havia acontecido. Os homens de Escorpião e Frankstein só estavam esperando o ouro ser despejado para poder descarregar o pente de suas armas.
Havia uma sensação de desespero preenchendo o seu peito, junto com raiva, ódio e outras sensações que ela não conseguia descrever. Se agarrando ao primeiro sentimento, ela apanhou a outra maleta que ainda estava intacta e correu o mais longe que podia dali sem nem olhar para trás.
Projéteis cortavam o seu cabelo à medida que ela corria em direção a paisagem desértica do Texas. Suas pernas doíam de fadiga e seu ombro baleado não parava de sangrar. Após alguns minutos as balas pararam de serem disparadas e tudo que cercava a coitada da Blake era apenas o frio da calada da noite, e foi nesse momento que as lágrimas, que até então estavam presas dentro de si, escorreram pelo seu rosto como se fosse rios acompanhadas de um grito rouco e triste.
Blake não soube por quanto tempo ficou assim, mas por conta do estresse e da perda de sangue, a última coisa que ela viu antes de ficar inconsciente foi um par de faróis vir em sua direção com muita velocidade e o ronco de um motor feroz rugir em seus ouvidos.
VRUM, VRUM!
Saindo com sua moto do reboque da prefeitura, Yang parou no lado da caminhonete do seu tio e disse:
-Eu vou dar uma volta por ai, tentar esfriar a cabeça...
-Tranquilo, vou tá no bar com o pessoal. Se precisa de algo, é só dar o toque.—Dizia Qrow a medida que ligava a sua caminhonete e já partia para longe dali.
Ainda com o motor da Bumblebee roncando, Yang ponderou qual seria o próximo passo, foi quando ela pegou o telefone e ligou para uma amiga que sempre a ajudava nesse tipo de situação.
-Hey Coco, tá ocupada?—Perguntou Yang com uma voz um tanto cabisbaixa.
-Sim, mas pra você querida, eu sempre tenho tempo.—Respondeu ela do outro lado da linha—. Eu soube do que aconteceu, você tá bem?
-Comparado com o outro cara eu até que tou bem.
-O Júnior né? Pervertido desgraçado, devia saber que um maluco de quarenta anos que anda com menininhas era uma "red flag" certa.—Retrucou Coco do outro lado da linha—. Nunca mais peço dicas de festa pra aquela raposa do Roman.
-Belos amigos você tem hein?—Disse Yang de forma sarcástica.
-São os que a gente consegue quando a gente vai atrás de certas...substâncias.
-Você é uma zé droguinha do caralho, sabia?
-Disse a gorila viciada em tequila.
Ambas riram diante das farpas trocadas e depois continuaram a conversar.
-Vou ter que falar com o treinador, ver se estamos de boa.—Disse Yang após ponderar um pouco sobre a conversa—. Valeu por atender o telefone, eu só precisava ouvir a voz de alguém que me entendesse...
-Que isso gata, a gente tá aqui pra isso. Dá próxima vez eu vou com você, não vou mais te mandar pra um lugar confiando no palpite de outro, promessa de dedinho.
-Hunf, você tá é querendo me dar uns pegas isso sim, sua sapata.—Brincou Yang após limpar uma lágrima que teimosamente escapara do seu olho.
-Vai dizer que nunca pensou na gente se tesourando, hum?
-Tchau, Coco!
-Tchau, querida!
Desligando o telefone e o pondo no bolso, Yang girou o acelerador de sua motocicleta e pilotou pelas ruas da cidade indo até o local aonde ficava a Port´s Stars. A cada viela que ela passava o sentimento de vergonha crescia em seu peito, mas como ela é uma pessoa que costuma dizer Que se foda pra esse tipo de situação e encara tudo de peito aberto, esbaforida, ela passou pelo portão do lugar de peito aberto e simplesmente foi até o seu treinador sem pensar duas vezes.
O homem em questão estava dando aula para uma turma de iniciantes, mesmo com a barriga quase se sobressaindo para fora da camisa, ele ainda acertava um cruzado no saco de areia tão forte que até mesmo as correntes que sustentavam o equipamento sacudiam. Mesmo muitos fazendo piadas pelas suas costas, falando de como suas histórias eram chatas e que seu jeito machão dos anos 60 era ultrapassado, ninguém ousava dizer um "ai" na sua cara. Ele podia ser velho, mas era um velho que se aposentou com mais de 30 lutas invicto e com um cinturão de peso pesado que nunca lhe foi tomado. Nem mesmo o seu pai, quando seguiu carreira profissional, havia chegado perto do nível do senhor Port.
-E é assim que se dá um cruzado, gira o ombro e o quadril, que BOOM a potência vem. Agora se me dão licença preciso conversar com alguém. Repitam esse soco trinta vezes, e depois quero trinta flexões e trinta abdominais.—Tirando suas luvas e as pondo perto do balcão de equipamentos, o boxeador aposentado saiu da área do tatame e foi até Yang com um olhar nada feliz—. Temos que conversar mocinha.
-Senhor Port, eu...
-Na minha sala.
E sem dizer mais uma palavra, Yang o seguiu. Chegando lá ela viu, mais uma vez, uma mesa de escritório muito bem arrumada com a foto de um pugilista em preto e branco pendurada na parede mais ao fundo. A idade pode ter chegado, mais o bigode era algo que sempre esteve com o senhor Port desde que ele era jovem. E que nunca descubram isso, mas Yang achava o senhor Port, quando jovem, um cara muito bonito.
-Eu recebi o relatório dos seus professores. As notas do seu curso não andam nada bem, e além do mais, ainda tem esse seu histórico recente de se envolver com brigas de bar.—Comentava ele enquanto folheava alguns papéis—. O que eu faço com você, minha cara?
-Senhor Port, eu prometo, isso não vai acontecer de novo! Eu treino dobrado, até mesmo ajudo a limpar a academia, mas por favor, não tira o meu patrocínio!
Com um olhar caloroso em sua face, ele respondeu:
-Yang...o patrocínio da minha academia ainda permanece, mas o seu outro, o que paga as mensalidades de sua faculdade de fisioterapia...—Comentava ele enquanto colocava na frente da Yang uma caixa de cereal que continha a figura de uma mulher, tão jovem quanto a ela, sorrindo de forma amigável—. Tá vendo essa garota aqui? O nome dela é Pyrrha Nikos, campeã internacional de luta greco-romana e campeã invicta de sua categoria de peso médio de Kickboxe. Ela é a nova cara da logo da Pumpkin Pete.
-Tá de sacanagem comigo!—Resmungou Yang enquanto apanhava a caixa da mesa do senhor Port—. Eu tenho um contrato porra, eles não podem simplesmente me excluir desse jeito!
-Com esse seu linguajar, duvido que se importem.—Retrucou Port enquanto apanhava o saco do cereal das mãos da Yang—. Yang, essa garota, a Nikos, ela é boa. E não falo da boca pra fora, alguns da jogada de marketing tão dizendo que ela é até mesmo uma espécie de prodígio...e seu jogo de chão? Nunca lutei uma arte marcial de chão, mas uns amigos meus dizem que ela é tão boa que até o próprio Dana White bateu os olhos nela e está querendo leva-la pro UFC.
-Hunf, aposto que ela não dura dois rounds comigo!—Retrucou Yang.
-Não acho que você consiga vencê-la em dois rounds, mas acredito que tem uma chance...
-C-como?—Indagou ela quase que gaguejando.
-Apesar dos seus históricos ruins na faculdade, e na polícia, se tem uma coisa que você fez direito foi o seu treino aqui na academia. Se fosse pra apostar em uma luta completa, valendo tudo, eu nunca apostaria em você, mas os patrocinadores insistiram que a Nikos pegasse uma luta de boxe contigo só pra se consolidar como a "garota invencível" que eles querem vender. Sabe o que isso significa, Yang?
-Que a vantagem é minha. Ela não vai poder contar com chutes e agarrões, ela...
-Ela vai ter que te enfrentar na mão crua. A área a qual você passou mais tempo treinando!
Yang não queria acreditar no que estava ouvindo, por um breve momento ela pensou que teria que abandonar a faculdade, voltar pra casa, ou pior...se envolver com coisa errada pra pagar as contas, mas agora, com essa luta arranjada? Ela tinha uma chance, e esse sinal de esperança refletia nos seus olhos que pareciam quase brilhar em lilás.
-Você tem dois meses Yang, a vantagem é sua, mas isso não quer dizer que a Nikos vai ficar de braços cruzados e esperar você aumentar essa distância, e como disse antes, ela um prodígio. Se você bobear, ela vai te derrubar.—Se erguendo do seu assento, Port ergueu sua mão pra Yang e continuou—. Eu sei você não teve uma vida fácil, a irresponsabilidade da Raven, a morte da Summer, e a necessidade de cuidar de sua irmã quando seu pai não estava bem, mas, sua vida está aqui, no que você faz agora. Não desperdice essa oportunidade, está bem?
Com um olhar determinado, Yang apertou a mão do senhor Port e disse:
-Eu não vou te decepcionar, senhor!
-Assim espero.—Disse ele—. Mesmo horário de sempre no final da tarde. Não se atrase.
Mesmo com as pálpebras ainda pesadas, Blake conseguiu abrir o seus olhos e despertar. Dizer que seu corpo estava todo dolorido era amenizar o sofrimento, o seu ombro machucado estava todo enfaixado e bem cuidado e suas antigas roupas, que estavam manchadas de sangue, estavam postas do seu lado em um pequeno cesto. Analisando o ambiente que a cercava, Blake notou que estava dentro de um trailer, que nesse exato momento estava estacionado em algum canto de Deus sabe onde.
Olhando pra todos os lados ela notou que sua maleta cheia de dinheiro não estava a vista, mas a sua arma sim. Pegando-a, Blake, trajada apenas com uma blusa larga do time de Dallas e de roupas intimas, saiu para fora do trailer e começou a vistoriar o local, seja quem for que tenha ajudado com certeza iria querer algo em troca, e ela não estava disposta a se fazer de boazinha.
-Bom dia, senhorita Belladona.
Um homem de cabelos grisalhos, mas de traços extremamente joviais, se pronunciava. Ele vestia o que parecia ser um roupão verde por cima de uma blusa preta e ele carregava duas xícaras de café em suas mãos.
-Café?—Ofereceu ele, mas ao invés da cordialidade, Blake apontou sua arma para ele com olhos extremamente afiados e disse:
-Como é que você sabe o meu nome e onde está o meu dinheiro!?
Com um olhar extremamente calmo, o sujeito respondeu:
-Seu dinheiro está ali...—Apontava ele com o olhar para uma pequena mesa de plástico que havia sido posta—...junto com a resposta da sua primeira pergunta.
Ainda com a arma apontada para o homem, ela foi até a maleta e viu que o dinheiro estava ainda estava ali junto com algo mais, uma fotografia para ser exato. Nela estava ele junto com uma turma de soldados igualmente fardados, tinha um homem de cabelo escuro com mechas brancas na lateral da sua cabeça, um outro que parecia bêbado demais pra estar ali, um homem loiro e de barbicha que parecia estar acompanhado por duas mulheres, também de farda, que pousavam ao seu lado como modelos, ambas de cabelo preto, uma porém com cabelo curto e a outra com sua volumosa trança espetada que descia pela lateral, e a sua esquerda, tinha outro homem de cabelo loiro que estava acompanhado de uma figura extremamente alta e barbada que ela reconheceu como o seu...
-Pai, mais, como?
-É incrível como o mundo é pequeno, não é mesmo senhorita Belladona? Seu pai é um dos muitos amigos que eu tive o prazer de conhecer e servir ao seu lado. Mas antes de continuarmos essa conversa, se importaria de me acompanhar no dejejum? Creio que com a quantidade de sangue que você perdeu, precise repor as forças.
Como se seu corpo reagisse as palavras do sujeito, Blake largou o seu revólver na bancada e deixou seu corpo desabar no pequeno divã que havia sido armado ali. Seu coração palpitava tanto que parecia que ele ia sair pela sua garganta.
-Não se preocupe, essa ansiedade que você tá sentido vai passar. É só colocar um pouco de glicose no seu sistema que você vai ficar bem.—Comentou ele enquanto oferecia a xícara de café para ela, que prontamente, aceitou—. Me chamo Ozpin Ozymandias. Mas se quiser pode me chamar de Oz.
-Obrigada por me salvar, Oz.
-Não há de que.—Respondeu ele com um leve sorriso.
Por um certo período não houve conversa, eles comeram um dejejum com ovos e bacon, e claro, com um pouco de feijão cozido, afinal, Blake precisava de ferro em seu sangue, e ficaram vendo de longe a paisagem desértica dos cânions que formavam ao longo das estradas.
-Então...—Disse Ozpin por fim—. Como você foi parar naquela estrada?
-É uma longa história, eu...perdi alguém muito importante.
-Entendo...Perdoe minha insensibilidade, é que eu não entendo como é que a filha de alguém tão integro como Ghira viria a se envolver com gente criminosa?
-A resposta não é óbvia? Eu sou uma criminosa.
-Você também é uma boa pessoa, Blake.
-Não, eu não sou uma boa pessoa! Você pode ter conhecido o meu pai, mas você não ME conhece!—Exclamou ela com uma voz rancorosa—. Se você soubesse o que eu já fiz nessa vida, o quanto eu roubei, o quanto eu tive que ma...
Engolindo em seco, ela continuou.
-Mesmo tendo servido durante anos no exército, meu pai não recebeu a remuneração que havia sido prometida, e quando a crise de 2008 aconteceu, fomos forçados a vender tudo que nós tínhamos para conseguir sobreviver!—Exclamou ela com lágrimas nos olhos—. Passamos alguns anos vivendo na estrada como nômades, e quando finalmente nós nos estabelecemos em um lugar junto com outras pessoas que estavam na mesma situação de merda, nos despejaram como se fossemos cães. Mandaram a policia para cima de nós e nos agrediram sem se importa se conseguiríamos pagar a porcaria da conta do hospital! Eu não queria voltar pra estrada, eu não queria continuar vagando por esse país preconceituoso de merda ficando sujeita a boa vontade dos outros, então fiz o que era necessário, seja moral ou não, para sobreviver, não...viver! Então abandonei meus pais, segui com minha vida, e...
-E aqui está você, paranoica sobre o que fazer com sua vida.—Disse Ozpin de forma interruptiva, o que surpreendeu Blake, então continuou:
-Blake, depois do atentado do 11 de setembro, eu e muitas pessoas, independente do status social, fomos movidos por um patriotismo ilusório para invadir o território de outros países na intenção de caçar os terroristas que haviam ousado manchar o nosso orgulho americano. Nós saqueamos, e matamos, pessoas inocentes só para garantir que alguns barões do petróleo pudessem lucrar as nossas custas.—Terminando de beber o seu café, ele continuou—. Por muito tempo pessoas...não, pessoas não, EU me perguntei se era uma boa pessoa. E francamente, até hoje não sei a resposta. Não sei o que me espera no final dessa vida, não sei se eu serei absolvido pelos pecados que me arrependi ou se mesmo assim Deus irá dar o seu veredito me punirá, mas de uma coisa eu sei...
-Até o dia desse juízo final, eu decido como eu vou viver. Como me comportar, como amar, esse presente, eu sei que tenho. E eu gostaria que você também o tivesse.—Apanhando uma apostila de documentos, ele continuou—. Me responde uma coisa, você já foi presa?
-Não, eu, nunca fui. Adam garantia que eu nunca fosse pros registros.
-Possui algum documento, identidade?—Continuou Ozpin.
-Todos falsos, usava somente pra cruzar as fronteiras do estado.
-Isso é bom.—Comentava ele enquanto entregava uma espécie de caderno com questões para ser respondida para Blake—. Ensino Médio concluído?
-Sim, eu fiz o supletivo quando ainda morava com os meus pais...
-Ótimo.—Afirmou ele enquanto se erguia do seu assento—. Senhorita Belladona, o que está em suas mãos é uma copia do teste aplicado para ingressantes da faculdade mais nova já criada na cidade de Austin desde a sua fundação, a universidade de Beacon. Consiga uma nota alta para garantir uma bolsa em qualquer curso que desejar que eu lhe prometo que nunca mais irá precisar viver esse tipo de vida.
Blake estava estupefata, ela havia assumido claramente que tinha um passado criminoso para um estranho, não tão desconhecido, mas que ainda sim...
-E-eu...não sei nem o que dizer. Por que você está me ajudando? Por que você está fazendo tudo isso?
Rindo de forma breve, ele respondeu:
-Não prestou atenção na nossa conversa senhorita Belladona? Todos nós devemos ter uma chance de recomeçar, deixe que Deus se encarregue de julgar os nossos erros. Boa sorte com o teste.
Ainda era tarde de noite quando Ruby acordou no banco do ônibus, mais precisamente, por volta das 03:46 da manhã segundo o seu celular. Por não está acostumada a viajar, ter que passar boa parte do seu dia enfurnada dentro do ônibus era algo enfadonho demais para ela. Direcionando o seu olhar para a mala que estava em cima, ela viu os resquícios da mesma se abrir com o chacoalhar do ônibus e revelar o cano do rifle. Claro, arma não estava armada e não representava perigo, mas era melhor evitar escândalo caso algum passageiro visse.
Pegando a mala e a pondo no seu colo, ela pôs o cano de volta no encaixe da espuma que estava rasgado por conta do desgaste do tempo e tratou de fechar a mala, ou pelo menos tentou. Na parte superior do compartimento estava uma foto dela com o Tai, a Yang, e sua mãe, Summer. A visão daquela foto a havia impedido de fechar a maleta, e não era a primeira vez que acontecia. Ver aquela foto sempre a deixava nostálgica. Aquele era o primeiro dia que eles haviam ido caçar como família e eles haviam abatido um cervo, mais pelo talento da Summer, que por ser uma ex-atiradora de elite, conseguia acertar qualquer coisa não importa de onde ela estivesse.
-Mamãe...—Antes que percebesse, uma lágrima estava escorrendo pelo seu rosto. Assim como as outras vezes, ver essa foto não só lhe abria um sorriso, mas também lhe trazia um choro que não podia conter, pois meses depois do dia que essa foto foi batida, Summer foi chamada para prestar serviços mais uma vez. O que era estranho, afinal ela já havia se aposentado, mas havia uma operação muito grande ocorrendo no Paquistão e o governo precisava dos melhores, e Summer, era a melhor atiradora que eles tinham, tanto na reserva quanto na ativa, e além do mais, a família Rose Xiao-long precisava de dinheiro. O dinheiro do gado não era o suficiente para pagar as contas e a fazenda estava devendo muito de dinheiro em conserto de equipamento.
Vai ser apenas uns dois meses, eu volto em um piscar de olhos! Dizia Summer antes de partir para uma viagem a qual nunca mais iria voltar. Ruby não esqueceu do dia que o seu Tio Qrow havia trago as más novas. Seu pai, sempre carinhoso e de bom humor, havia se tornando o exemplo vivo da depressão. E seu tio, bom, a bebida que antes ele só tomava em festas e distrações havia se tornado o seu novo companheiro inseparável. E a Yang, que mal havia feito quinze, teve que se tornar a adulta da casa. Foi um período muito triste na casa dos Rose Xiao Long, o que por sua vez, foi justamente o período em que Ruby passou a se dedicar as armas.
Em um certo dia, quando ela e Yang estavam ajudando o seu pai a arrumar as coisas da sua falecida mãe, Ruby foi até o galpão aonde Summer guardava as suas armas e viu como elas estavam bagunçadas e cheias de poeira. Sua mãe nunca permitiria suas armas ficarem daquele jeito. Foi quando que, pegando todos os equipamentos de limpeza, Ruby começou a tomar conta delas. Ela começou a passar óleo nos mecanismos, a cuidar dos cartuchos, e como se sua mãe tivesse sussurrando em seu ouvido, ela começou a montar as armas, até mesmo as mais pesadas que Summer não ousava trazer para a sala de jantar, e no final do dia, Ruby as usou.
Foram muitos dólares de munição gastos em um tronco velho, mas valeu a pena, porque foi nesse momento que Ruby descobriu a sua paixão. Cada tiro bem dado era um sorriso da Summer que aparecia na memória, e isso a deixava feliz. Mesmo que ela não fosse para o exército, mexer com as armas a conectava com sua mãe e com a dedicação e amor que ela tinha com sua família.
Fechando por fim a maleta, e a pondo de volta no lugar, Ruby tentou dormir mais um pouco. Sem sucesso. Fica reflexiva demais sobre coisas do passado a havia feito perder o sono, por mais que seu corpo estivesse gritando de cansaço. A medida que o sol ia surgindo no horizonte, a cidade de Austin e suas construções também apareciam. A visão dessa paisagem que aparecia era o frescor de uma nova vida, de algo novo que estava prestes a vivencia, e como se estivesse reagindo em resposta a esse sentimento, seu Tio Qrow ligava.
-Ei guria, já tá por aqui?—Perguntava ele pelo telefone.
-Tio Qrow! Sim, já estou na cidade. Não vai demorar pra eu chegar na rodoviária, o senhor já tá lá?
-Arghh...o que eu te disse sobre esse papo de merda de senhor? Eu só tenho trinta e nove aninhos, sabia?! Mas de qualquer forma, sim, eu já estou no estacionamento. Tá com muita bagagem?
-Não, não tou. Me diz uma coisa, a Yang tá com o senhor?—Perguntou Ruby em um tom brincalhão.
-Ruby eu não disse que...argh, esquece, e não, ela não tá. Ela teve que resolver uns assuntos pessoais logo quando saiu da prisão e depois se enfiou no dormitório. Pelo que ela me contou, a Glynda boazuda insistiu que ela deixasse o quarto dela um brinco para te receber. Políticas da republica, sabe?
-Hehehe, estou ansiosa pra conhecer a Glynda, a Yang fala que quando se trata de cuidado e ordem, ela faz o papai parecer um anjo!
-Sim, parece até que tem Toc. É a parte chata da personalidade dela, mas é uma boa pessoa, velha amiga do pessoal também. De qualquer forma, você logo vai conhece-la. Até daqui a pouco guria.
-Até daqui a pouco velhote!
-Hey...
Desde que pousou em Austin, tudo tem sido maravilhoso pra Weiss. O ambiente, as pessoas, mas se tem uma coisa que ela detestou foi o calor insuportável da cidade. Mesmo tendo se precavido em vestir roupas mais leves do que estava acostumada, ela não conseguia deixar de estar irritada. Céus, ela teve que passa protetor, PROTETOR pra não sofrer queimaduras no meio da cidade e teve que beber muita água para não desidratar. Sua pele pálida, a qual a fazia ser alvo de elogios constantes, estava completamente vermelha e irritada, e como se isso não bastasse, a atenção que os outros lhe davam com sorrisos de canto de canto de boca só pioravam o seu humor.
-Aqui estamos, república do vale.—Disse o taxista enquanto colocava as suas quatro bagagens no chão—. Então, vinte dólares a corrida.
Assentindo, Weiss pegou a bolsa e para a sua surpresa, notou que estava sem nenhum dinheiro em mãos. Com um sorriso amarelo, e emburrada de vergonha ela perguntou:
-Aceita cartão?
-Hahahahaha!—O taxista riu—. A princesinha consegue bancar o couro importado, mas não tem trocado pro taxista? Que feio em senhorita Scheene!
-Olha aqui seu porco imundo, eu...
-Está atrasada e está fazendo um estardalhaço na frente da minha propriedade.—Dizia uma voz autoritária, e quando Weiss se virou para ver quem era, se deparou com uma mulher de meia idade trajada em roupas simples, porém, com um porte de elegância e nobre visível em sua forma de agir—. Perdoe o insulto da minha inquilina, ela não fez por mal. Ela só viveu tempo de mais em seu mundinho particular que acabou se esquecendo de viver o mundo real. Aqui está o dinheiro.
-Não se preocupe senhora!—Disse o taxista enquanto pegava o dinheiro oferecido e o colocava na carteira—. Ela não é a primeira turista de nariz empinado que eu tenho que lidar e nem será a última. Agora, se me permite a ocasião, gostaria de ficar com o troco, sabe, reparação por danos morais, entende?
-Não tem problema, pode ficar com o dinheiro. Obrigada por trazê-la aqui.
Assentindo, o taxista se despediu das mulheres e seguiu com sua vida.
-Me perdoe por isso, senhora...
-Glynda Goodwitch.
-Senhora Goodwitch, me perdoe por isso. Prometo que esse tipo de constrangimento não irá acontecer de novo.—Disse Weiss educadamente.
-Assim espero.—Respondeu ela de forma firme, porém sem ser exagerada—. De qualquer forma, eu sou a sua senhoria. Sou a responsável por cuidar e supervisionar o alojamento a qual os estudantes da universidade de Beacon frequentam. A minha instalação, mesmo que filiada a faculdade, não está atrelada as normas do seu corpo burocrático, ou seja, eu defino as regras por aqui. Mesmo que vocês sejam jovens adultos, isso não significa que vocês têm direito de transformarem esse lugar em palco de alguma comédia romântica de quinta, ou no pior dos casos, uma cena embaraçosa e sem vergonha de filme adulto. Mantenham suas vidas privadas, privadas, e também mantenham a ordem do lugar. Compreendeu?
Aturdida pela quantidade de informações que recebeu, tudo que a Weiss respondeu foi:
-Sim, senhora.
-Ótimo, me acompanhe.
-Mas...
-Mas o que, senhorita Scheene?
-E minhas malas?—Disse ela incrédula.
-São suas. Carregue-as.
-Mas...
-Vamos, senhorita Scheene!
-URGH, estou começando a odiar essa vida!—Reclamando e dando um jeito de carregar as suas coisas, mais precisamente, colocando duas de suas malas de baixo do braço e as outras duas carregando na mão, ela subiu as escadas da republica toda desengonçada a medida que sua senhoria Glynda dava instruções sobre horários e funcionamentos do regimento interno.
Após caminharem por mais algum tempo, ambas pararam no meio do corredor aonde uma pilha de coisas havia se formado. Fazendo uma cara de poucos amigos, Glynda parou na porta do quarto e gritou:
-Yang Rose Xiao Long, pode me explicar que bagunça é essa aqui no meu corredor!?
-Senhorita Goodwitch, eu estava armando os beliches que nem a senhora mandou, mas pra isso, eu tive que desocupar o quarto!—Reclamou uma moça loira e de olhos tão azuis que chegava beirar ao lilás—. Eu juro que eu vou dar um jeito, só me dá um tempo.
-Você teria esse tempo se você tivesse feito isso ontem, quando eu mandei!—Retrucou a senhoria—. Agora que sua colega de quarto chegou, te pergunto, onde ela vai se instalar?
-O Glyndinha, minha bruxa boa do coração, por favor eu sai da delegacia ontem, precisava esfriar a cabeça! Eu já tomei bronca do treinador Port, não me dê outra bronca não, por favor!?—Implorava Yang de um jeito extremamente infantil.
-Espera um minuto, eu vou compartilhar quarto com uma delinquente!?—Exclamou Weiss largando suas bagagens esbaforida.
-Ei, sou uma lutadora profissional guria, bota um pouco de respeito no meu nome!—Retrucou Yang agora um pouco mais séria—. E duvido que você ficaria de boa se alguém passasse a mão na sua bunda, se bem que...
Olhando brevemente para Weiss e sorrindo de forma maldosa, ela continuou:
-...você até que ficaria de boa, sabe, deve ser difícil andar por aí com essa vara enfiada nessa sua bunda empinada.
Com a boca tremendo de raiva, Weiss balbuciou alguma coisa inaudível antes de explodir com um:
-COMO OUSA!?
-Senhoritas, se comportem!—Exclamou Goodwitch com firmeza—. Vocês vão passar por um bom tempo de suas vidas aqui juntas, então tratem de se darem bem.
-Eu não vou dividir meu espaço com uma vaca desmiolada!—Exclamou Weiss—. Eu exijo outro quarto!
-Você não exige nada, senhorita Scheene, e além do mais, não existe outro cômodo que eu possa lhe oferecer. Todas as vagas já foram ocupadas, ou você compartilha o quarto com a Yang e suas outras duas colegas, ou você trata de achar outro lugar para dormir!
Weiss ouviu o sermão e ficou de boca calada. Uma das condições dessa nova vida que ela mesmo impôs pra si mesma, foi o acesso limitado aos recursos de sua família. Céus, que ÓDIO ela tem de si mesma agora. Nesse exato momento ela queria voltar no tempo e esgoelar a Weiss para que a mesma não abrisse a boca e bancasse a empoderada pra cima do seu pai.
-Hunf..
-"Hunf"? É só isso que a patricinha tem a dizer?—Provocou Yang.
-Yang, por favor tenha...
-YANG!
Uma voz infantil e muito aguda estourou pelo corredor. E antes que Weiss pudesse sequer reagir ela havia sido empurrada de lado por uma figura quase que da mesma altura que ela, porém, nitidamente, mais nova, tanto na sua expressão física quanto na sua maneira de se comportar. Weiss tentou reclamar mas a interação entre ela e a Yang foi tão pessoal, que ela simplesmente foi ignorada
-Rubaby!—Exclamou Yang enquanto dava um abraço de urso na garota—. Meu Deus, você cresceu! Nem parece mais aquela guria banguela toda suja de terra. Tomou o que nesse último ano?
-Awww, para, eu só bebi muito leite, hehehehe!—Brincou ela até que prontamente deu um soco no ombro da sua irmã, que apesar de ter passado a mão no local da batida, não expressou nenhum semblante de dor—. E que história é essa de delegacia? O pai quase me proibiu de morar com você por causa disso!
-Olha Rubaby, é complicado, mas eu prometo, não vai acontecer de novo!—Dizia ela enquanto esfregava a parte de trás da sua cabeça toda encabulada.
-E não vai mesmo, porque eu não vou deixar!—Dizia Ruby enquanto colocava suas duas mãos na cintura tentando fazer uma pose mandona.
-Hohoho! Parece que alguém aqui tá querendo tomar o posto de irmã mais velha, será que eu devo colocar essa pessoa no lugar!?
-Errr, Yang, não, aqui não, Yang!
-Cosquinhas, ticticitcitc!—Dizia a loira enquanto abraçava Ruby e fazia, bom, cócegas com seus dedos.
-Senhorita Goodwitch, socorro! Ela é um demônio!—Exclamava Ruby enquanto tentava se libertar do abraço de urso da sua irmã.
-Meninas, se comportem, por favor.—Dizia a própria enquanto massageava suas têmporas.
Essa pequena cena continuou por um breve período até que uma quinta figura apareceu, ela vestia roupas simples, numa moda gótica, mas simples, e se aproximou do grupo. Diferente das outras duas garotas, Weiss percebeu um semblante que ela já havia visto em muitas pessoas que ela julgava como "perigosas". Sendo a herdeira de uma das multinacionais mais ricas do mundo, é claro que ela sempre andou com muita segurança, e para sua infelicidade, foi até mesmo alvo de gente que queria fazer coisas ruins para si e sua família. E por já ter ficado cara a cara com esse tipo de gente, ela conseguia facilmente reconhecer um criminoso no meio da multidão, e essa garota, apesar da fachada de serena, tinha exatamente o tipo de expressão que criminosos as escondidas teriam. O olhar cansado e cheio de falta de empatia para com o seu nome.
-Olá.—Disse a quinta pessoa em um tom quase que monótono.
-Olha, então você chegou. Tudo certo com o Ozpin?—Perguntou Glynda Goodwitch, e a pessoa respondeu:
-Sim, ele disse que entrou em contato com algumas pessoas e conseguiu agilizar as documentações. Vou ingressar na nova turma de artes esse semestre.
-Ótimo.—Disse Glynda—. E sobre a questão do dinheiro?
-Eu dei o que eu tinha pro Ozpin. Ele disse pra confiar nele, e bom, eu confio.
Sorrindo, Glynda se virou para as meninas e disse:
-Yang, Ruby, Weiss, essa daqui é a Blake Belladona, a sua outra colega de quarto.
-Yo!—Disse Yang de forma positiva.
-Olá!—Respondeu Ruby alegre.
-Prazer.—Disse Weiss, que em contraste com as outras duas, falou em um tom sério.
Blake assentiu para as três, manteve o seu olhar firme para Weiss, quase que como estivesse querendo machuca-la com o olhar, porém antes que as coisas ficassem embaraçosas, ela se virou para as irmãs e perguntou:
-Então, esse é o nosso quarto?
Coçando a cabeça e notando que a Blake estava se referindo a bagunça, Yang respondeu um pouco evergonhada:
-Meio que é...
-Com camas desfeitas?—Perguntou mais uma vez Blake.
-Érr.—Respondeu Yang, agora envergonhada de vez.
-Não tem problema, já dormi em lugares piores.
-De alguma forma, eu não duvido.—Disse Weiss um tanto fria.
-HEY!—Interviu Ruby de forma energética no meio das três—. Isso é perfeito, podemos montar as camas juntas! Vamos!
E antes que qualquer uma das três pudessem reclamar, Ruby já estava dentro do quarto colocando peças e fazendo elas se encaixarem. As garotas podiam não ver, mas Glynda Goodwitch via a forma como elas se interagiam, e até mesmo se ajudavam, e sorriu de forma amigável.
-Bom...—Comentava ela enquanto anotava as iniciais no quadro de anotações que ficava ao lado dos quartos—. RWBY é o nome então.
Ruby Rose Xiao Long.
Weiss Scheene.
Blake Belladona.
Yang Rose Xiao Long.
