Yang vai me matar

-Arff..—Suspirava Jaune de forma cansada. Maldito seja o dia em que ele passou mal e vomitou no sapato da Yang.

-É a Yang de novo né?—Perguntou um rapaz asiático que estava ao seu lado, ele bebia um copão de milkshake enquanto carregava várias sacola de compras—. Você devia se opor a ela, sabe?

-Assim como você se opõe a Nora, Ren?—Retrucava o loiro com um sorriso no rosto.

O rapaz ponderando sobre o que havia acabado de ouvir fez uma cara feia e retrucou:

-Isso foi golpe baixo.

-Não deixa de ser verdade.—Disse Jaune enquanto dava de ombros.

-É, tem razão.

Ambos riram brevemente e logo um dos funcionários da pizarria "El Sabore" veio e deu as pizzas que Yang havia pedido para o Jaune. O rapaz loiro agradeceu e tratou de deixar o pagamento, logo depois, colocou as pizzas no mochilão de entregas e se virou pro Ren e disse:

-Bom, agora só falta comprar o sorvete. Mas e você, só veio aqui pra dar um oi ou vai me acompanhar até o dormitório?

-Só um oi mesmo. Ainda tenho que passar na academia do Port pra buscar a Nora, eu havia prometido leva-la naquela churrascaria nova que abriu.—Disse Ren com um olhar visível de tristeza em seu semblante, que geralmente era sempre calmo e sereno—. Temo pelas minhas finanças.

-Sinto sua dor.—Respondeu Jaune enquanto de forma exagerada imitava uma expressão de pena—. De qualquer forma, até mais tarde.

-Até.

Depois que se despediram, Jaune pegou sua bicicleta e tratou de seguir caminho para o dormitório de Vale. Felizmente, havia uma loja de conveniências bem perto do dormitório, então a volta para casa não teria curvas. Porém, para o seu azar, o céu começava a respingar gotas de chuvas, se ele não apertasse o passo, ele tomaria um belo de um banho.

Parando na tal loja, Jaune estacionou sua bicicleta na grade que estava do lado de fora e entrou no estabelecimento. Lá dentro, ele se deparou com uma figura meiga que o recebeu com um sorriso no rosto.

-Olá, Jaune!—Disse a garota de cabelos castanhos e de olhos de mesma cor. Seu uniforme verde oliva, apesar de ser uma cor antagônica as orelhas de coelho enormes que estava no topo da cabeça, complementavam-se muito.

-As orelhas são mesmo necessárias, Vel?—Perguntou Jaune enquanto pegava alguns potes de sorvetes dentro do freezer que estava ali perto e ia pro caixa.

-Não, mas se combina com o uniforme, por que não usar?—Respondeu Velvet de forma inocente.

-A sua namorada tá te corrompendo com o senso de moda maluco dela.—Dizia o loiro enquanto já pegava a carteira—. Quanto é que custou?

-Vinte dólares tudo, e não, a Coco não é a minha namorada, meu Deus! Por que todo mundo fala isso!?—Respondeu ela esbaforida enquanto recebia o dinheiro do Jaune e já dava o troco.

-Por que ela dá uns tapas na sua bunda em público e você nem mesmo reclama?

-Ela bate na bunda do Fox e do Yatsuhashi também, isso quer dizer que ela também transa com eles? Hein?!

-Olha, mundo moderno, ninguém reclamaria...—Dizia Jaune com uma meia risada—. E além do mais, vocês são uma trupe estranha, não sei como a senhora Goodwitch deixou vocês ficarem no mesmo quarto...

-Da mesma forma que você, o Ren e a Nora dormem juntos e ninguém fala nada!—Retrucou Velvet novamente.

-Nós somos irmãos, não de sangue, mas crescemos na mesma casa! Temos uma desculpa bem plausível! E vocês!?

-Nós estamos juntos desde o maternal! Somos praticamente família!

-Família não se encara da forma que você encara o Yatsuhashi quando ele chega todo suado da academia.—Brincou Jaune.

-Eu, err, eu não olho o Yatsuhashi desse jeito!—Exclamava ela toda vermelha.

-Eu acredito em você Vel, eu acredito. De qualquer forma, estou indo. Até mais!

Mesmo encabulada, a garota se despediu de Jaune com um breve aceno:

-Até!—Dizia ela.

À medida que saia da loja, Jaune viu que o céu já não estava na melhor das condições, e a chuva já caia forte. E como ele não contava com a chuva pra hoje, sua capa havia ficado no dormitório. Suspirando, ele voltou pra dentro da loja na intenção de comprar um guarda-chuva novo, porém, Velvet disse que ele não deveria se preocupar e emprestou o seu. Era um todo marrom e cheios de desenhos de coelhinho, se não fosse pelos acessórios pendendo no cabo, dava pra dizer que aquele era um guarda-chuva comum, e não um feminino. Mas do que importava, ia fazer o Jaune chegar seco em casa e isso já era suficiente.

Não demorou muito, e o próprio já estava na rua do dormitório. Mais algumas quadras e ele estaria em casa, porém, enquanto seguia pela rua a visão de uma figura lhe chamou sua atenção. A figura em questão era uma moça ruiva, não, não ruiva, ruiva era o que a Nora era. Diferente da sua irmã ela tinha cabelos completamente carmesim e um olhar esmeralda bastante afiado e pensativo, e suas roupas de academia estavam totalmente encharcadas e ela estava tremendo de frio.

Jaune não suportou ver aquela cena, suspirando, ele já pensava na "bronca" que levaria da Yang por ter atrasado a entrega, mas, o que era um pouco de zoação comparado com a ação de fazer o que é certo? Se aproximando da moça, ele posicionou sua bicicleta no lado esquerdo enquanto oferecia a cobertura do seu guarda chuva com o direito.

-Ei, quer uma carona?—Disse ele com um tom de voz bastante caloroso.

A expressão da moça, que antes estava totalmente séria, suavizou o suficiente para que expressasse um semblante de dúvida, mas ainda sim, seu olhar se mantinha desconfiado frente ao loiro.

-Não, obrigada, eu estou bem.—Respondia ela em um tom formal, mas como Jaune notava, era um tom plástico que não tinha nenhuma emoção verdadeira por de trás do que dizia.

-Olha, eu sei que é realmente esquisito um estranho chegar e oferecer ajuda, mas eu estou vendo que você tá precisando de uma força. Meu nome Jaune Arc, curto, fofo, fácil de dizer e as garotas adoram. Eu moro no dormitório da Universidade de Beacon, que fica logo ali na frente, então não se preocupa, eu não vou te roubar e nem nada assim. —Dizia ele com honestidade—. Mas então, você mora aqui perto?

A garota olhou para o Jaune com um olhar incrédulo, como se não tivesse acreditado no que havia acabado de ouvir, e logo quando ela processou tudo que lhe foi dito, ela não conseguiu conter a risada.

-Hahahahahahahahahahahaha!

Desconcertado pela reação inesperada, Jaune ficou lá parado por um tempo esperando a moça de cabelos vermelhos recuperar o folego, e quando a mesma recuperou, ela respondeu:

-Me desculpa, é que, não esperava por essa cantada tão...rídicula?—Disse ela com um tom de dúvida em sua voz.

-Não é uma cantada, é a verdade! Minha mãe sempre me disse que o meu nome era fácil de dizer, e todas as amigas dela diziam que gostavam!—Retrucou Jaune desconcertado.

-Hahahahahahahahahahahahaha!

-Ótimo, aqui vai ela com a risada de novo, ha, ha, ha.

-Me desculpe, é que, sério, eu não esperava esse tipo de atitude. De verdade, me desculpe.—Recobrando a compostura ela se virou para Jaune e se apresentou—. Pyrrah Nikos, prazer.

Com um movimentar rápido, Pyrrah se deslocou para perto de Jaune e o agarrou pelo braço, mais precisamente, pelo braço a qual o loiro usava de apoio pro guarda chuva. Engolindo em seco, o rapaz fez o possível para não olhar pra baixo e encarar o busto molhado da moça de cabelos ruivos. Por mais que seus hormônios dissessem que ele deveria olhar, ele buscou o cavaleiro branco que estava em seu interior com mais força e disse:

-Bom, eu acho que com isso você aceita minha carona, certo?

-Sim. Mas isso não vai te atrapalhar? Você disse que o seu dormitório estava logo ali, e eu moro muito longe.—Respondeu ela em um tom formal, apesar da proximidade que estava com o rapaz.

Jaune olhou para Pyrrah, depois olhou para a estrada do dormitório, e depois voltou o seu olhar para garota e suspirou:

-Eu ofereci ajuda, e um Arc nunca volta atrás com sua palavra. Aonde você mora?

-Bom, do outro lado da cidade.—Respondeu Pyrrah de forma simples, mas com um tom levemente cômico.

-Como eu disse...—Dizia o Jaune suando frio—...um Arc não volta atrás com sua palavra.

Com um leve sorriso no rosto, Pyrrah encarou o rapaz por mais um breve momento e disse:

-Olha, você não precisa me acompanhar até minha casa. Apenas me deixe em uma estação de metrô que de lá vou seguir o meu caminho.

-Certo, então vamos?

-Sim.—Assentiu ela enquanto segurava firme no braço de Jaune. E se tinha uma coisa que o Jaune percebeu, é que além do busto avantajado, a Pyrrah tinha um aperto muito forte. Se não fosse pelos dedos longos e finos, Jaune poderia jurar que era um homem que estava apertando seu braço. Mas enfim, pensamentos a parte, os dois seguiram pelas ruas em silêncio, não era como se eles estivessem com vergonha de estarem ali, mas simplesmente as perguntas não vinham.

"De onde você é? Faz faculdade de que? Está fazendo o que aqui do outro lado da cidade?" As perguntas mais básicas que o Jaune poderia ter feito ele não fez, por que ele não fez? Porque só agora ele percebeu que estava dividindo um guarda-chuva com uma garota bonita. Seu cérebro praticamente estava no automático, e seu rosto estava todo vermelho de embaraço.

-Está tudo bem?—Perguntou Pyrrah, notando o nervosismo dele.

-Está, eu só, argh...é besteira.

-Bom, ainda falta algumas quadras pra estação. Então, se quiser conversar, eu estou disposta.—Disse Pyrrah de forma calorosa.

Suspirando, Jaune falou:

-Tá, é que eu fiz de novo, digo, essa história do nome fácil de falar e das garotas gostarem, só foi tão no automático que eu nem notei que estava de me fazendo de idiota de novo. Me desculpa.—Comentou o loiro com um tom de voz bem baixo—. É que, bom, minha mãe sempre me animou sabe? Desde que meu pai se acidentou na guerra, eu meio que me tornei o príncipe de casa, então ela me cercou de mimos. Cresci iludido e super protegido, sabe? Acreditando que cada palavra que minha mãe dizia era verdade, e bom, desde que eu resolvi seguir minha vida por conta própria, vi que nem sempre o conselho da mamãe funcionava. Me fiz de idiota no dormitório, fiz serenatas para todas as garotas que achei que haviam me dado uma chance, e bom, me desculpa, estou te entediando né? Que tipo de garota gostaria de ouvir os problemas de um crianção como eu...

-Não estou entediada Jaune.—Disse Pyrrah de forma educada—. Apenas surpresa, você estava agindo todo confiante antes, e agora ficou todo pra baixo. Quer dizer, eu entendo o seu problema, porque passo por um similar.

A moça de cabelos Carmesim vendo que tinha a atenção do loiro pra si, prosseguiu:

-Meus pais eram atletas olímpicos. Meu pai era um wrestler, e minha mãe uma ginasta, então desde pequena fui criada com uma expectativa grande sobre a minha carreira esportiva. Me interessei pelo esporte do meu pai, na verdade, me apaixonei por ele e me tornei muito boa. Mas por ser a garota de ouro que ele tanto cuidou, amou e treinou, eu acabei me afastando de muita gente da minha idade. Eu acabei desperdiçando a oportunidade de ter amigos, porque eles atrapalhavam o meu treino. Desperdicei a oportunidade de ter namorados, porque eles também atrapalhavam o meu treino. Eu, em busca de ser uma atleta muito boa, acabei me afastando daqueles com que me importava, ou que poderia a vir se importar.

Jaune não soube o que responder, por um breve momento ambos ficaram em silêncio até que o loiro finalmente disse:

-Uau, de repente eu ser idiota acabou se tornando uma coisa pequena...

-Me desculpa, não foi minha intenção diminuir seus problemas.—Disse Pyrrah com um tom de culpa em sua voz.

-Relaxa Pyrrah, eu entendi. E, fico feliz que tenha confiado isso a mim. Não deve ter sido fácil guardar esse sentimento.

-Digo o mesmo, sei que deve ser difícil alguém te levar a sério por conta de todos os maneirismos que sua mãe lhe passou. Fico feliz em ouvi-lo.

Ambos sorriram e caminharam mais um pouco, não demorou muito e Jaune e Pyrrah já haviam chegado na estação. A chuva ainda caia pesada no lado de fora dela, e Pyrrah, bom, ainda estava com frio, mesmo no metro aonde as coisas deviam ser mais abafadas. Percebendo isso, Jaune colocou sua bicicleta de lado com o mochilão e tirou a sua jaqueta e ofereceu para Pyrrah.

-Aqui, não é muito, mas vai impedir que você tenha uma hipotermia antes de chegar em casa.

-Jaune, eu não posso aceitar o seu casaco.—Respondeu ela.

-Eu não estou dando o meu casaco, estou emprestando.—Respondeu ele com um sorriso no rosto—. Aparece no dormitório quando tiver tempo, eu e meus irmãos podemos sair com você pra ir em algum lugar, curti um pouco, sabe? Só não estranhe o comportamento da Nora, ela pode ser sem noção, mas não faz por maldade.

Com um sorriso bem grande, Pyrrah respondeu:

-Eu adoraria.—Aceitando o casaco ela olhou a logomarca dele e respondeu—. Você gosta do cereal dessa marca, a Pumpkin pete?

-Não, não gosto, mas o casaco é confortável, ganhei em uma promoção que teve em um supermercado. Ainda uso ele por causa das lembranças, entende? Eu e minhas irmãs na fogueira, acampando...foram ótimos momentos.

-Entendo, bom, de qualquer forma obrigada! Tratarei de lava-lo quando for te visitar e...

-O que foi?—Perguntou Jaune.

-A bateria do meu celular acabou, e eu ainda não decorei meu novo número, então não sei como posso acertar a nossa saída com seus irmãos.—Disse ela um tanto triste.

-Não se preocupa. Semana que vem as aulas já começam, então não vamos ter tanto tempo livre assim, porém...apareça no próximo sábado por volta das 18:00, que é quando vamos fazer a nossa primeira grande festa de comemoração. Vai ser legal!

-Entendo.—Respondeu Pyrrah a medida que oferecia sua mão—. Obrigada por compartilha o guarda-chuva, Jaune.

-Igualmente.—Dizia ele enquanto apertava—. Até o próximo sábado Pyrrah!

-Até!

Jaune se despediu da moça de cabelos carmesim com um aceno caloroso à medida que ela seguia pelos saguões do metro. Apesar da estranheza de como tudo se desenrolou, o loiro ficou feliz por tê-la conhecido. Pyrrah aparentava ser uma ótima pessoa. Enquanto ele ponderava sobre o que havia acontecido, seu celular vibrava, e quando o mesmo pegou o aparelho para ver a razão de tanto barulho, ele notou uma série de spams com emojis furiosos da Yang.

-Ops...


-Eu espero que você tenha uma boa razão para explicar o atraso, senão além de ficar sem gorjeta, você vai receber um soco na boca do estômago.—Comentava Yang muito irritada enquanto estalava as falanges dos dedos.

-Err, bom, teve uma garota que...

Antes que Jaune pudesse reagir, Yang fez o que havia prometido e deu um soco que fez o loiro se apoiar na parede mais próxima gemendo de dor.

-Mas, eu, argh...você nem deixou eu terminar de falar!—Exclamou Jaune.

-Nem precisou, você atrasou minha pizza e o sorvete porque quis bancar o salvador pra cima de uma menina na chuva, acertei?

Jaune pensou em retrucar, mas por mais que ele tentasse dizer que "não era bem assim", a cada detalhe da história que ele fosse explicar, mais detalhes iam bater com a conclusão da Yang, então tudo que ele disse foi:

-Bem, acertou...

Yang, apesar do soco e da pose de brava, suspirou e pegou o dinheiro que havia prometido a dar pro Jaune e o entregou:

-Olha, eu sei você é um rapaz grandinho, mas não é fazendo papel de gado que você chamar a atenção de alguma garota.

Pegando o dinheiro, ele ouviu um pouco do que a Yang falou e analisou o fundo do quarto. Como ambos estavam na região que seria a entrada pro quarto, ele teve dificuldade para ver as outras pessoas que estavam lá, mas ainda assim, ele conseguiu ver a figura de uma outra moça de cabelos pretos muito longos que estava empilhando uma série de livros em uma estante, já outra garota que também estava ali, era uma que parecia ser mais nova, não apenas pelo tamanho, mas pelo jeito alegre e infantil de se portar. Ela olhava pra tela do projetor que estava na parede com um olhar ansioso, como se não aguentasse esperar para continuar assistindo...

-Ei, esse é novo Mad Max? Que legal!—Disse Jaune.

Ouvindo a fala do loiro, Ruby saltou da cama e foi até a porta dizendo:

-Você também gosta de Mad Max!?—Perguntou ela com um brilho nos olhos.

-Sim, meu pai assistia os filmes antigos e eu assistia junto com ele. O Mel Gibson fez o filme brilhar, isso é certeza.—Respondeu Jaune de forma entusiasmada.

-Que outros filmes você assistiu!?—Perguntou Ruby

-Tente uma referência, vamos ver se eu descubro.—Disse o loiro com os braços cruzados de forma confiante.

-Bom, é aqui que a diversão começa.—Disse Ruby sorrindente.

-Já começando com Star Wars? Não abuse da sorte padawan, eu estou em terreno firme!

-É uma surpresa, com certeza, mas uma bem-vinda! Porém não subestime o meu poder!—Retrucou Ruby enquanto dava língua para ele.

-Sabemos como essa história acaba, depois disso, não vá dizer que não gosta de areia!

-Ela é áspera, incomoda, me irrita, entra em tudo qualquer lugar! Brugghh!—Dizia Ruby enquanto fingia se tremer toda.

-É sério que vocês tão dando uma de geeks na minha frente!?—Exclamou Yang enquanto via sua irmã interagir com Jaune de uma forma que ela não esperava que acontecesse.

-Negócios Jedi, volte pra suas bebidas!—Exclamava Ruby de forma mandona, ou pelo menos o mais mandona que sua voz permitia.

-Mas eu não estou bebendo nada! Urgh, dá as pizzas e o sorvete logo!—Disse Yang enquanto virava Jaune de costas e abria o seu mochilão de entregas, pegando as pizzas e o sorvete que estavam dentro sem pedir permissão do rapaz.

-Ela não pode faze isso, atira nela ou algo assim!—Dramatizava Jaune enquanto não oferecia resistência nenhuma a atitude da Yang.

-Não, chega dessas coisas de nerd! Já te dei o dinheiro, agora xô, vai embora!—Dizia Yang enquanto aos poucos expulsava Jaune do quarto.

-Eu só vou no banheiro por um momento e o meu quarto do nada vira uma baderna, isso aqui por acaso virou a casa da mãe joana!?

Se virando para ver a dona da quarta voz, Jaune ficou boquiaberto. Mesmo com um simples pijama azul e estando com os cuidados de sua maquiagem bem pedentes, Weiss com seu olhar azul claro e com sua pele pálida, mesmo que irritada, ainda sim transparecia uma beleza que parecia não existir no mundo real, e isso, fisgou a atenção de jovem entregador.

-Uau, você por acaso...é um anjo?

Com uma cara de poucos amigos após ouvir essa cantada, Weiss se virou para Yang e falou:

-Yang, você gosta de se gabar que é uma lutadora, então por favor, põe esses músculos de gorila para funcionar e tira esse tapado da minha frente?

-Ei, espera...Yang, você nem me apresentou pra suas colegas de quarto, elas são novas aqui, não são!?

-Urgh, são, mas eu não tou com paciência pra ver você passar vergonha de novo. Sério guri do vômito, xispa, você tá estragando a noite das meninas.

Vendo que as quatro olhavam ansiosamente para ele esperando que o mesmo lesse o clima ambiente, Jaune suspirou e disse:

-Tá, tudo bem. Se divirtam garotas. E você é...

-Ruby.—Disse a mais nova, a que estava trocando referências com ele—. Gostaria que você assistisse o filme com a gente, mas elas não querem companhia.

-A gente conversa outra hora então, eu literalmente moro no quarto do lado, qualquer coisa, é só bater na porta. Até depois eu acho...

-Até!—Disse Ruby com um leve acenar.

E com essa despedida Yang fechou a porta, as quatro se entreolharam e ficaram silenciosas sobre o que dizer, foi quando Weiss com um sorriso de deboche por fim disse:

-Eu amo a democracia, eu amo a república.