Nota: Fique muito feliz com os comentários que conseguiu e conseguiu escrever mais um capítulo para vocês! Espero que gostem!
Boa leitura!
Capítulo 2 – A Primeira Missão de Lucy
No dia seguinte, Lucy acordou já se sentindo muito melhor. Foi a primeira vez que dormiu bem desde a morte de sua mãe e desde que fugiu de casa. Dormir em cima de folhas e galhos, usando a mochila como travesseiro não é melhor do que uma boa e aconchegante cama. Apesar de que na primeira noite na floresta, Lucy dormiu no colo de Aquarius, algo que o Espírito pensou que iria detestar bastante no começo, mas ela acabou gostando muito daquele contato e aproximação que teve com a menina. Seu coração bateu rápido, exatamente como acontecia quando estava ao lado de sua antiga mestra, Layla. Aquarius jamais admitiria, mas seus sentimentos para com Lucy eram quase maternos.
Voltando ao presente, a cabeça e as costas Lucy já não doíam mais, até pediu para Levy que lhe tirasse as bandagens. Mesmo constando a melhoria na loira, Levy achou melhor conversar com Makarov a respeito e foi chamá-lo no momento que Lucy pediu pra retirar seus curativos. Em poucos minutos, ele já se encontrava na enfermaria analisando os ferimentos de Lucy e concluiu que ela já estava boa o bastante para receber alta e sair do quarto.
Animada e aliviada por estar fora da cama, Lucy decidiu primeiramente tomar um bom banho antes de ir conhecer os outros membros da guilda. Seria bom causar uma boa primeira impressão e no estado que o seu corpo estava necessitando, um banho era indispensável.
Levy havia lhe mostrado onde ficavam os chuveiros da guilda, lhe explicando qual era o registro de água quente e qual era o da água fria. Ela também lhe mostrou onde ficavam os shampoos, sabonetes, esponjas e toalhas.
— Se você precisar de alguma coisa, pode me chamar Lucy. Estarei aqui por perto. — Falou Levy com um sorriso simpático nos pequenos lábios rosados.
— Tudo bem, muito obrigada… Levy, certo? — Agradeceu com o pequeno questionamento antes de entrar no banheiro.
— Sim, esse é o meu nome. — Respondeu a azulada com simpatia antes de sair a fim de deixar a loira mais à vontade.
Assim que Levy sumiu no fim do corredor, Lucy entrou no banheiro. As paredes eram de uma madeira branca bem cuidada, o chão era do mesmo material. Logo ao lado direito da porta havia dois conjuntos de pias duplas com torneiras prateadas. Mais cinco passos a frente, havia seis cabines na cor azul que Lucy rapidamente concluiu que eram onde estavam as privadas. Elas ficavam ao lado esquerdo. Do lado direito, havia sete muros azuis claros de dois metros de altura afastados igualmente um do outro, separados em áreas, formando seis cubículos. Cada uma tinha um chuveiro alto na cor prateada com um suporte embutido na parede contendo os produtos ditos anteriormente por Levy.
Sem perder tempo, Lucy tirou da sua mochila uma muda de roupa (um vestido na cor rosa salmão, um lenço verde claro e um cinto marrom para colocar a bolsinha de couro que continham suas Chaves Celestiais) e as deixou separadas em um canto. Tirou a própria roupa, as coloca dentro de uma sacola plástico que havia trazido e as deixa separada em um outro canto.
Assim que Lucy entra embaixo do chuveiro, uma onda de relaxamento percorreu todo o seu corpo a medida em que a água morna molhava sua pele pálida. Ela não se recordava quando foi a última vez em que sentiu tal sensação gratificante e prazerosa, e tratou de aproveitar aquilo por pelo menos cinco minutos antes de realmente começar a se lavar.
"Como eu senti falta disso... Estava mesmo precisando de um banho.", pensou ela com um sorriso satisfeito nos lábios rosados. Afinal, ela não teve um banho decente desde que havia fugido de casa.
Lucy teria aproveitado muito mais, mas ela tinha que se apresentar aos seus colegas de guilda, então assim que terminou, rapidamente foi se arrumar. Não ficaria toda pomposa e chamativa (como era obrigada por seu pai), mas ficaria o mais apresentável o suficiente para se sentir incluída em sua nova família.
...
No hall do salão da guilda, todos aguardavam ansiosamente a aparição do novo membro da corporação. Eles sabiam que era uma garota com mais ou menos a idade do Natsu e Lisanna. Estes últimos eram os mais animados de todos, já que eles tiveram a oportunidade de passar um tempo com a Lucy antes de qualquer outro integrante.
— Cadê ela? Por que ela tá demorando tanto? — Perguntava Natsu olhando na direção da enfermaria a cada cinco segundos, se sentindo impaciente com os braços cruzados e um grande bico.
— Poxa Natsu, tenha calma, a Lucy já vem. Ela só está se arrumando. — Pediu a pequena albina com um sorriso, colocando uma mão sobre o ombro do amigo. — Tenho certeza de que daqui a pouco ela chega.
— Eu sei disso, mas... — Ele se conteve por alguns segundos antes de gritar bem alto. — EU NÃO AGUENTO MAIS ESPERAR!
De repente, Natsu sente um forte soco em sua cabeça e se vira na direção do autor do golpe, encontrando o jovem mago Gray Fullbuster, devidamente trajado com uma calça azul marinho quase preta, uma camisa azul, um casaco branco com uma gola grossa e felpuda de cor laranja escuro e sapatos marrom escuro. O moreno o olhou com deboche, exibindo um bico também, o que fez o rosado o encarar com ódio, já começando a estralar os dedos.
— Você quer alguma coisa, Fullbuster? — Perguntou Natsu expelindo sua raiva.
— Sim. — Gray responde com simplicidade, mas logo acrescenta. — Gostaria que calasse a sua boca, não aguento mais escutar seus resmungos.
Apertando as mãos com força, Natsu o empurra, o fazendo cair sentado no chão. Este o encara zangado, já se levantando e deixando seu casaco no chão, se posicionando com os punhos pra cima, pronto pra lutar.
— É isso o que você quer, cérebro queimado? — Provocou o moreno zombeteiro. — Eu tô pronto pra congelar essa sua cara feia de idiota!
Natsu também se prepara pra lutar já com os punhos erguidos,
— Cai dentro gelinho! Vou queimar toda essa sua cara de princesa!
Lisanna, que até o momento observava, tentou impedir que os amigos começassem uma briga, mas não teve êxito algum. Ambos já trocavam chutes, socos e mais ofensas um contra o outro.
— Meninos, parem com isso! A Lucy daqui a pouco vem e não é legal receber um novo amigo com brigas! — Ela tentou novamente, ficando entre os dois pra evitarem que se socassem, mas seus pedidos foram em vão. De alguma forma, Lisanna não foi atingida por nenhum dos golpes deles. — Por favor! Natsu! Gray! Parem!
Os dois meninos se recusam a ouvir os apelos da pequena albina, o que a fez entrar em desespero e correr em busca de alguma ajuda. Natsu e Gray ainda lutavam um contra o outro, cada um já tinham pequenas feridas nos lábios e em seus narizes, respirando fundo pra recuperar o fôlego antes de partirem pra cima um do outro mais uma vez.
— Dessa vez... — Começou Natsu tomando um impulso e avançando pra frente na direção do moreno.
— Eu vou... — Continuou Gray fazendo o mesmo movimento que o rosado.
— TE DERROTAR DE UMA VEZ POR TODAS! — Gritaram ao mesmo tempo, erguendo seus punhos, prontos pra atingirem o rosto um ao outro.
Contudo, antes que eles acertarem qualquer golpe que fosse, ambos são nocauteados ao mesmo tempo por dois punhos blindados, os fazendo cair de cara no chão de madeira. Era possível ver uma pequena trilha de sangue escorrendo da boca de cada um.
— Mas o que é que os dois idiotas estão fazendo? — Perguntou Erza um tanto furiosa, reequipando suas luvas de volta ao seu espaço mágico, olhando para os meninos de forma severa, fazendo com que o rosado e o moreno se abraçassem de medo. — Será que não conseguem segurar seus instintos de luta por algumas horas? Pelo menos até o fim da Festa de Boas Vindas para a Lucy?
— Sentimos muito! Muito mesmo! — Gemeram os dois de forma chorosa, fazendo várias reverências. — Não vamos fazer mais! Vamos ser grandes amigos!
Erza sorriu com aquela afirmação dos dois e os puxou para um abraço apertado, praticamente batendo as cabeças deles no peitoral da sua armadura (É claro que a parte da cabeça foi sem querer por parte dela).
— É muito bom ouvir isso, Natsu e Gray. Espero mesmo ver uma boa amizade entre vocês dois!
E com isso, a jovem cavaleira se afasta, deixando os dois meninos se encarando por alguns segundos. Ambos tinha uma expressão de indignação em seus rostos.
"Eu? Amigo dele?", pensaram ao mesmo, logo fazendo uma careta e se afastando, cada um indo para um lado.
— Hum! Até parece que algum dia vou ser amigo dele. — Murmurou Natsu, caminhando até a mesa onde Lisanna estava e se senta ao lado dela.
Enquanto isso com o Gray...
— Fala sério! Eu? Amigo do cabeça de fogo? É completamente impossível! — Resmungou o moreno caminhando até a mesa em que Cana, a garota que no dia anterior perdeu seu barril de cerveja, estava sentada.
...
Após terminar seu banho e estar vestida apropriadamente, Lucy saiu do banheiro e caminhou pelo corredor o mesmo caminho que Levy havia feito ao deixá-la, logo virando no final dele e encontrando a azulada sentada em uma cadeira lendo um livro com muita concentração. A loira não sabia o que fazer, não queria atrapalhar a leitura da menina.
" Mas e agora? Parece que não tem outro caminho, a não ser esse? Se eu for tentar passar sem chamá-la, vou atrapalhar a leitura dela, e se eu a chamar, também vou atrapalhá-la. O que eu faço?", se indagava tão pensativa que nem percebia a garota de cabelos azuis claro deixando seu livro ao lado e indo até ela.
Lucy só notou a presença de Levy quando esta colocou uma mão sobre seu ombro.
— Lucy? Tudo bem? — Perguntou com um semblante de preocupação.
— Ah, está sim! É que eu não queria atrapalhar a sua leitura e... Desculpa se acabei fazendo isso... — Era evidente o quanto ela estava nervosa e sorrindo meio sem jeito.
— Ora, que isso Lucy! Você não atrapalhou, fica tranquila com isso. — Respondeu Levy com um sorriso, querendo que ela se sentisse confortável. — Mas e então? Está pronta pra conhecer todo o pessoal da guilda?
— Sim! Estou sim! — A loira respondeu com confiança, quase dando pulinhos de animação. Ela estava mais do que ansiosa por aquele momento.
— Ótimo! Vamos lá!
Segurando a mão de Lucy, Levy a levou pelo resto do caminho, mais ou menos uns cinco e oito metros, e ficaram de frente a uma porta de madeira com um a maçaneta dourada. Era possível ouvir o barulho de agitação, risadas, conversas aleatórias e música alta vindas do outro lado. Lucy ficou pensando se aquilo tudo era por causa dela ou se era normal os membros da guilda fazerem festas o tempo todo.
"Ontem eles já estavam festejando… Talvez isso seja normal pra eles.", pensou ela vendo Levy abrindo a porta e lhe dando passagem. Ela passou pela porta, logo encontrando ao lado esquerdo a porta para a biblioteca e ao lado direito o hall da guilda, onde todos os membros estavam conversando animadamente uns com os outros.
Levy colocou uma das mãos sobre o ombro de Lucy e a guiou até o balcão do bar da guilda, onde o Mestre Makarov se encontrava sentado com as pernas cruzadas, com uma espécie de cajado de madeira sobre o colo. Ele estava com os olhos fechados, como se estivesse meditando ou ouvindo tudo ao seu redor.
— Mestre? — Chamou Levy delicadamente. Makarov abre os olhos para olhá-la. — Eu trouxe a Lucy.
O senhor então vira seu rosto para a menina de cabelos loiros e lhe abre um sorriso cativante, se levantando e ficando em pé em cima do balcão. Seu traje era o mesmo que no dia anterior, exceto de que estava sem a capa amarelo claro e acompanhado de um cajado. Tomando um grande fôlego, Makarov diz:
— PIRRALHOS! — Gritou pra chamar a atenção de todos ali presentes, o que funcionou de forma eficaz, pois no mesmo segundo a guilda inteira ficou em um silêncio total. Podemos dizer que era bem possível ouvir as batidas dos corações de cada membro que estava ali. — Muito bem. Hoje é um dia muito especial. A nossa guilda está recebendo uma nova integrante e também a primeira maga celestial na história da Fairy Tail.
Aquele fato com certeza pegou a todos de surpresa, principalmente Lucy que ficou paralisada com a afirmação do Mestre.
"Isso é verdade? Eu sou a primeira maga celestial da Fairy Tail?", se questionava sem conseguir acreditar. Aquilo não tinha como ser verdade, já que a Fairy Tail existe há mais de 100 anos e não é possível que em nenhum momento da história não tenha entrado um único mago celestial. "O Mestre deve estar exagerando, com certeza."
— É verdade Lucy! — Comentou Levy, como se tivesse lido a mente da jovem. — Na biblioteca tem os registros de todos os magos que passaram pela Fairy Tail e nenhum deles usava Magia Celestial.
Lucy ainda estava descrente com o novo fato dito por Mestre e confirmado por Levy.
" Mas se isso está nos registros, então...", pensou ela colocando a mão sobre a bolsinha marrom que continha suas Chaves Celestiais. Era uma maneira que ela procurava fazer quando se sentia nervosa com alguma coisa.
— Ah, que incrível! — Falou Natsu bem animado indo até a loira, juntamente com Lisanna. — Hey Lucy! Mostra pra nós como é a sua magia!
— É Lucy! Por favor! — Pediu Lisanna também, tão animada quanto o menino de cabelos rosados.
De repente, todos começaram a incentivá-la, pedindo pra que ela mostrasse como era a sua magia. Lucy ficou um pouco assustada com aquilo, já que não estava esperando tal coisa e muito menos logo no primeiro dia em que era membro da corporação.
Percebendo um certo desconforto vindo da jovem, Makarov respira bem fundo antes de falar novamente.
— QUIETOS! — Ou gritar, pra dizer a verdade. — Parem de forçá-la a algo que ela talvez não queira! Se a Lucy quiser, ela mostrará a magia dela pra vocês! Tenham paciência!
Percebendo o quanto seus colegas ficaram bem chateados com as duras palavras do Mestre, principalmente de Natsu e Lisanna, Lucy pega uma de suas Chaves da sua bolsinha e decide fazer uma pequena demonstração de como é a invocação de um espírito celestial.
"Melhor escolher uma Chave Prateada. Apenas pra mostrar como é, não precisa ser uma Dourada pra isso.", pensou a menina já com uma das Chaves em mãos.
— Mestre? — Chamou ela. — Eu posso mostrar um pouco de como é, sem problemas.
As palavras da menina fizeram os ânimos de todos voltarem rapidamente, enquanto se aproximava mais dela, querendo verem bem de perto como era a magia celestial.
— Será que é poderosa? — Perguntou um membro.
— Será que ela pode matar? — Perguntou outro.
— É perigoso ficar muito próximo? — Perguntou mais um.
Eram tantas perguntas sendo feitas ao mesmo tempo a Lucy que a pobre menina não sabia qual responder primeiro.
"Talvez não tenha sido uma boa ideia...", pensava ela um pouco nervosa com a sugestão que tinha feito.
Percebendo um pouco o desespero da nova integrante perante todo o resto da guilda, Erza se aproxima da loira, tirando a espada da sua bainha e aponta o objeto para todos.
— Hey! Tenham calma todos vocês! Não perceberam que estão assustando a Lucy?
Apesar de ser uma jovem cavaleira de 14 anos, Erza tinha a incrível habilidade de conseguir colocar um certo medo em quase todos e a confirmação desse fato veio quando quase todos os membros da guilda recuaram vários passos para trás. Os únicos que não recuaram foram Natsu, Lisanna, Gray, Mira e Levy.
Sentindo-se um pouco mais tranquila e confortável, Lucy pegou uma das suas Chaves e a ergueu para cima.
— Portão da Cruz do Sul! Abra-te! Crux! — Ao declamar o feitiço de invocação, um círculo azul claro apareceu, logo envolvendo a ponta da chave prateada e surge uma criatura de pele alaranjada, com a cabeça em formato de cruz na cor cinza claro, com detalhes dourados que lembram um pouco florais, bigodes brancos em formatos de cruz logo abaixo de seu nariz, trajado com uma calça verde cujo comprimento chegava até seus tornozelos e sapatos na cor marrom escuro. Sobre seus ombros havia uma espécie de xale na cor vinho, ao redor da sua cintura, um lenço verde água bem claro preso a uma espécie de broche e lenços azuis amarrados em seus pulsos e cotovelos.
Todos os membros, incluindo o próprio Makarov, ficaram fascinados com a invocação da menina e com o Espírito que ela trouxe pra eles conhecerem.
— Incrível! — Comentou um membro.
— Eu achei tão legal essa magia! — Disse outro.
— Hey, será que consigo aprender também? — Falou mais um.
Muitos conversavam entre si a respeito da magia de Lucy, principalmente se era possível usar os Espíritos em combate ou no lugar de algum mago. Apesar de tudo não passar de murmúrios, a jovem maga celestial não gostou nenhum pouco de ouvir a ideia de usar essa magia pra combate.
"Os Espíritos Celestiais têm sentimentos, eles não podem serem usados dessa forma que estão pensando.", pensou ela um pouco chateada com aquilo. "Pelo menos alguns gostaram e ficaram felizes, principalmente... Meus amigos?", se questionava se já podia chamar os seis colegas de amigos.
Natsu, Lisanna, Levy, Mira, Gray e Erza foram os que mais ficaram boquiabertos, pois nenhum deles nunca haviam presenciado tal espécie de magia sendo realizada daquela maneira.
— Que lindo Lucy! — Exclamou Lisanna com os olhos levemente marejados, olhando o Espírito Crux mais de perto.
— Que da hora! Pode fazer de novo, Lucy? — Perguntou Natsu todo empolgado, mas logo levando um tapa em sua nuca do garoto de cabelos pretos. — Hey Gray! Seu arrombado do gelo!
— Você é idiota, Natsu? Ela já trouxe um Espírito pra nós vermos! Pra que você quer ver outro? Quer gastar toda a magia dela à toa?!
— Não, mas eu quero ver outro Espírito Celestial!
— Um já não tá bom não, lagartixa sem cérebro?!
— Foi pra Lucy que eu pedi e não pra você! — Natsu respondeu zangado, preparando sua magia.
— Pode vim então! Vamos ver se agora você sabe usar sua magia! — Gray devolve a provocação também preparando sua magia.
Mas antes que um dos dois fizesse qualquer movimento, eles são derrubados por duas grandes mãos que os acerta com força, os fazendo desmaiarem.
A guilda inteira ficou paralisada ao verem Makarov derrubando os dois garotos brigões. Lucy foi a que mais ficou impressionada e assustada com aquilo.
"Meu Deus...", pensou ela, enquanto fechava o portão mágico de Crux, o enviando de volta do Reino Celestial.
— Peço desculpas por isso, minha filha. — Pediu o mestre ligeiramente envergonhado, já que a última coisa que ele queria era assustar sua mais nova maga.
Lucy abriu um sorriso compreensivo, ela sabia que o cargo de Makarov exigia que ele mantesse a guilda e seus membros sob controle.
— Está tudo bem, Mestre.
O senhor ficou aliviado e não hesitou ao passar a mão sobre os cabelos loiros da menina.
— Vá se divertir, jovem Lucy. Essa festa é pra você.
Agradeceu com um aceno e logo se deixou ser puxada por Lisanna e Levy. As duas foram apresentá-la aos outros membros. Muitos fizeram perguntas a respeito de sua magia, onde aprendeu e com quem aprendeu. Já outros, perguntaram se ela tinha família, o que aconteceu com ela e por que ela quis entrar pra guilda. A maioria ela respondeu que sua mãe havia lhe ensinado a Magia Celestial e que a mesma havia lhe contado sobre a Fairy Tail. Em nenhum momento, ela comentou a respeito do seu pai e nem de sua verdadeira origem, achou melhor manter isso pra si mesma.
"Não quero reviver meu passado, pois é o meu presente que importa agora. Minha família agora é a Fairy Tail", pensou ela sorrindo para seus novos amigos.
— Lucy! — Chamou a pequena albina a puxando pela mão. — Vem! Vem ficar com a gente!
Com um sorriso nos lábios, Lucy se deixou ser puxada por Lisanna até onde estavam seus novos amigos e passou o restante daquele dia com eles, se divertindo e os conhecendo melhor.
...
A festa de boas vindas pra Lucy durou um dia inteiro e ela não se lembrava quando foi a última vez em que ela se divertiu tanto na vida em uma festa, já que na Mansão dos Heartfilia, Lucy era obrigada a comparecer e a permanecer no local até que todos os convidados fossem embora. Quando Layla estava viva, ela não deixava a filha ficar por tanto tempo nesses tipos de eventos e fazia questão de levar a menina para o quarto depois de uma hora, duas no máximo. Mas após seu falecimento, essa prática acabou indo com ela também, pois Jude se aproveitou disso para forçá-la a participar dessas festas até a pobre menina não aguentar mais. Era uma tortura.
Na Fairy Tail, as festas eram completamente diferentes. Primeiramente, Lucy não precisava estar vestida de forma extravagante pra poder agradar o Mestre e seus amigos, eles aceitavam ela do jeito que ela era. Em segundo lugar, ela descobriu o quanto uma festa com pessoas divertidas e alegres podia ser tão agradável, sem precisar fingir que estava gostando. Ela realmente estava amando cada segundo que passava ao lado de cada um.
Não existe mais dúvida alguma.
Fairy Tail realmente era o seu lar e seus membros eram a sua família.
….
Após uma semana, Lucy se sentia muito mais à vontade na guilda e estava mais do que feliz pelos amigos que havia feito. Durante esses dias, ela pode conhecer melhor cada membro, desde aqueles que tinham a sua idade até os mais velhos. Ela conheceu o outro irmão da Lisanna, Elfman. Ele era um garoto de pele acastanhada, cabelos brancos e olhos castanho bem escuros. Ele costuma estar trajado com um conjunto de calças e casaco azul escuro, com uma camisa branca, gravata borboleta na cor vermelho escuro quase vinho.
Diferente de Mirajane e Lisanna, Elfman era um garoto bem tímido e ficou um pouco acanhado quando conheceu Lucy, mas com o tempo que passou conversando com ela junto com sua irmãzinha, ele percebeu o quanto a menina de cabelos loiros era atenciosa, simpática e gentil. Os dois se tornaram bons amigos.
Além de Elfman, Lucy também conheceu e conversou bastante com Cana, que logo nos primeiros dias e com poucas trocas de palavras, tentou incentivá-la a beber cerveja com ela. Na primeira tentativa, Lucy recusou educadamente, mas a partir da segunda, ela ficou com um pouco de medo da maga cartomante. Porém, foi "salva" por Erza, que achou extremamente impróprio da parte de Cana ficar forçando Lucy em algo que ela não queria.
— Para Erza! — Falou Cana claramente bêbada. — Você é o que dela? Mãe? Irmã? Namorada? — A última palavra dita fez o rosto da ruiva corar e ela apenas decidiu ignorar aquilo.
— Ela é minha amiga e você está completamente fora de si. Vá até o banheiro, tome um banho bem gelado e só volte pro hall quando estiver sóbria. — Pediu Erza de forma autoritária com os braços cruzados sobre o peito.
— E se eu não for? — Só depois que as palavras foram proferidas que a morena se arrependeu instantaneamente de tê-las dito, pois a última coisa que viu foi um punho bem dado em sua bochecha, que a faz cair desmaiada no chão.
Lucy só observava tudo e ficou bem assustada com a atitude meio violenta por parte da jovem cavaleira, já tomando uma nota mental.
"Nunca contrariar Erza Scarlet."
— Hey, você está bem Lucy? — Perguntou Erza a tirando de seus pensamentos. — Você está um pouco pálida. Quer um copo de água ou alguma outra coisa?
A menina ainda estava processando o ocorrido a poucos minutos atrás, mas respirou fundo antes de responder.
— S-sim, está tudo bem. — Lucy não conseguiu disfarçar seu nervosismo em sua voz. — E-eu só vou ali com a Levy-chan. Até depois, Erza-san.
Erza observa a menina se afastando, indo conversar com as duas amigas e solta um suspiro triste, enquanto caminhava em direção ao quadro de missões e pegava uma qualquer para realizar.
"Não queria assustá-la… Queria apenas ser uma amiga mais próxima."
….
A conversa entre Levy e Lisanna estava ótima, até que elas lhe perguntaram se Lucy já havia realizado alguma missão pra guilda. Por não saber ao certo como fazer, ela confessou que ainda não tinha feito nenhuma.
— Espera, espera. Você ainda não fez nenhuma missão? — Perguntou uma Levy descrente com a declaração de Lucy, que olhava pra azulada e pra Lisanna um pouco envergonhada. — Por que não fez? É só ir no quadro de missões, escolher uma missão e realizar a tarefa pra receber a recompensa.
— Mas eu não preciso pedir autorização do Mestre e nem algo do tipo? — Perguntou Lucy ainda em dúvida.
— Não, mas você precisa avisar o Mestre que vai em uma missão e mostrar qual missão escolheu pra ele poder marcar em suas anotações pra que ele possa ter um controle, sabe? — Explicou Levy.
— Oh, agora eu entendi. — Respondeu com um aceno, indo até o quadro de missões.
Lucy viu vários pedidos de missões, desde com auxílio doméstico até enfrentar bandidos e magos de guildas negras. Eram muitas opções diferentes e ela não sabia qual deveria escolher.
— Lucy? — Chamou Lisanna ganhando a atenção da loira. — Posso te dar uma dica?
— Sim, por favor. Vai ser de grande ajuda. — Respondeu com um sorriso de agradecimento.
— Como é sua primeira missão, escolha uma fácil apenas pra você ver como é. E se quiser, pode chamar por alguém da guilda pra te ajudar também.
A sugestão da pequena albina era muito boa e, com certeza, Lucy vai segui-las, até mesmo já olhava para as pessoas que ela queria a acompanhasse.
Lisanna e Levy estranharam um pouco aquele olhar confiante da amiga, mas não demorou muito pra elas entenderem quais eram as suas intenções.
— Lisanna-san? Levy-chan? Vocês podem me acompanhar na minha primeira missão?
Elas se encararam por alguns segundos antes de responderem com um enorme sorriso.
— Sim!
Lucy ficou inteiramente feliz que elas tivessem aceitado ajudá-la. Não que ela não tivesse outras opções de escolha de membros para acompanhá-la, mas de todos ali, ela se aproximou muito mais da azulada e da pequena albina. Claro, ela também havia feito amizade com outros membros, como Natsu, Mira, Gray, Erza, Elfman e Cana. Porém, com elas o vínculo parecia maior, sentia que podia confiar seus segredos (alguns deles, pelo menos) a elas.
Sentindo-se bem motivada, Lucy se vira para o quadro de missões, analisando cada uma com atenção até que ela escolheu uma simples, mas que tinha uma boa recompensa. Ela mostra ao Mestre a missão e aproveitar pra avisar que Levy e Lisanna estarão lhe acompanhando.
Makarov lhes deseja boa sorte e que tenham um bom retorno.
….
A primeira missão que Lucy escolheu para realizar ao lado de Levy e Lisanna consiste em eliminar Ervas Daninhas Mágicas, que estavam destruindo uma plantação de flores usadas em remédios mágicos medicinais que alguns magos usam como tratamento para alguns feitiços de envenenamento, ferimentos de batalha e doenças mágicas.
A família que fez o pedido mora em uma pequena casinha localizada um pouco longe de Magnólia, era mais próximo da floresta. As três jovens magas logo encontram o local.
A primeira coisa que elas notaram foi a casa. Não era muito grande, mas também não era muito pequena. Por fora, suas paredes tinham um tom de marrom claro com algumas plantas e flores brancas pequenas incrustadas, o telhado era num formato triangular com a coloração avermelhada. Tinha um pequeno cercado de madeira ao redor da casinha, que se estendia até a parte de trás onde ainda não era visível para as meninas. Havia uma pequena portinhola que dava acesso a um caminho para dentro do pequeno quintal da frente até a entrada da porta da casa. Um casal e uma menininha estavam bem em frente a porta, eles trajavam roupas simples de camponeses, a moça e a menina usavam vestidos xadrez, mas a da mais velha era num tom laranja claro, enquanto o da menina era rosa. Já o rapaz estava usando uma calça azul marinho de moletom e uma camisa xadrez a cor verde.
Assim que as meninas se aproximaram da cerca, Levy deu uma leve cutucada na Lucy, incentivando ela a conversar com a família.
Ela pigarreou antes de falar.
— Oi! Com licença, foram vocês que pediram ajuda sobre Ervas Daninhas Mágicas? — Tentou esconder um pouco a sua timidez quase sem sucesso. Lisanna colocou a mão em seu ombro e sorriu, apenas movendo os lábios o suficiente pra Lucy poder entender o que ela estava dizendo.
— Você foi bem.
O casal olharam um para o outro, antes do rapaz caminhar até elas e abrir o pequeno portãozinho pra entrarem.
— São magas da Fairy Tail? — Perguntou ele logo fechando o portãozinho.
— Sim, nós somos. — Respondeu Lucy mostrando sua marca da mão pra comprovar. Levy e Lisanna fizeram o mesmo.
"Ela está indo bem, não está tão nervosa como antes.", pensou a azulada observando a amiga loira conversando com o dono do lugar. Ela olhou pra Lisanna, que acenou com um sorriso, provavelmente pensando o mesmo que ela.
— Então, o senhor e sua família não têm nenhuma ideia do que pode ter acontecido pra essas plantas aparecerem? — Perguntou Lucy olhando para os três, enquanto eles as guiavam até a parte de trás da casa, onde se encontrava uma enorme plantação de flores e ervas medicinais de várias espécies. E bem enroladas em seus caules (agora marrom e secos) estavam plantas com uma coloração arroxeada. Eram as Ervas Daninhas Mágicas, absorvendo toda a energia e vida daquelas plantas.
— Na verdade, elas costumam aparecer mais na primavera e conseguimos combatê-las sozinhos, mas estamos no outono e a quantidade que está aparecendo não é normal e estamos preocupados com nossas plantações. Muitos magos compram nossas flores medicinais. — Comentou o rapaz com uma expressão triste, enquanto mostrava uma das flores contaminada.
Levy dá um passo à frente, tocando o ombro de Lucy pra chamar a sua atenção.
— Você conheceu a Porlyusica-san, certo? — A loira assentiu. Ela se lembrava bem da senhora maga médica da guilda, que tratou de um ferimento do Gray após seu retorno de uma missão. Lucy teve um pouco de medo dela, ainda mais com ela proferindo sem parar o quanto detestava os seres humanos, mas achou estranho ela odiar humanos, sendo que ela mesma era humana. Para ela, aquilo não fazia sentido algum. — Ela compra as plantas medicinais deles para nos curar quando nos ferimos ou ficamos doentes. O trabalho não é apenas para o bem deles, mas também para o nosso bem e o bem de outros magos.
Antes que Lucy ou Lisanna dissesse algo, os três membros da pequena família se ajoelharam aos pés das três meninas e literalmente imploravam por ajuda.
— Por favor! Essas plantas são o nosso sustento! Sem a venda delas, todos nós passaremos fome! Nos ajude! Faz quase dois meses que estamos nessa situação e nenhuma outra guilda veio nos ajudar! Fairy Tail, nos ajude! — Pedia o rapaz com a voz embargada e as mãos trêmulas. Sua esposa e sua filha também estavam chorando e pedindo ajuda delas.
As três meninas ficam chocadas com aquelas reações. Elas tinham consciência de que a situação daquela família não estava boa, mas não imaginavam que estava tão crítica ao ponto deles estarem quase passando fome.
"Isso é triste demais… Eles precisam da nossa ajuda!", pensou a loira cerrando as mãos e dando um passo à frente.
— Nós vamos ajudá-los! Vamos exterminar essas ervas daninhas e salvar suas plantações! — Ela diz com uma incrível determinação, que surpreendeu Levy e Lisanna, e até mesmo a si própria.
Sorrindo com a coragem da amiga, a jovem maga das escritas sólidas e a jovem maga de take over animal soul também dão um passo à frente para fortalecer as palavras de Lucy.
— Pelo orgulho da Fairy Tail, nós vamos fazer isso!
….
Realmente, proferir palavras bonitas e encorajadoras é muito mais fácil de fazer do que cumpri-las na prática. E, aqui entre nós, a prática não era nem um pouco simples.
O que as meninas viram superficialmente não se comparava ao estado mais grave que estavam as flores mais ao sul da plantação. Praticamente aquelas pobres flores nem vida tinham mais, tudo foi sugado por aquelas ervas e o que restou foram apenas flores negras e secas.
— Isso é triste demais… — Comentou Lisanna se agachando para tirar uma flor morta e mostrar para as amigas. — Como vamos deter isso? Não são ervas daninhas normais.
Lucy parou para pensar um pouco. Ela já havia lido alguns livros de botânica e estava tentando se lembrar de uma maneira não muito complicada, mas eficaz contra as ervas.
— Levy-chan, podemos arrancar todas elas direto da raiz, certo?
— Sim, podemos fazer isso com as que são mais novas. Mas o problema está nas que já estão bem crescidas... Elas já espalharam as sementes para as novas.
— Podemos jogar algo que pode matá-las? — Perguntou Lisanna.
— Sim, podemos jogar algumas coisas, mas é bom não ser algo que prejudique o meio ambiente das plantações. — Respondeu Levy pensativa.
— E se jogarmos água fervente? Eu li em um livro que ajuda a acabar com as ervas, mas é um jeito meio... Cruel de fazer isso. — Comentou Lucy fazendo um leve bico e o desfaz ao ter uma nova ideia. — Já sei! Vamos jogar água com vinagre branco! Duas de nós jogamos a água com vinagre nas sementes e nas que ainda são novinhas, enquanto a outra tira as maiores manualmente!
— Ah, essa é uma ótima ideia Lucy! — Falou Levy com um sorriso.
— Posso tirar as maiores manualmente! Minha magia pode ajudar! — Acrescentou Lisanna.
— Vou chamar um Espírito meu pra nos ajudar e sei exatamente qual chamar! — Diz Lucy pegando uma de suas Chaves.
Levy arregalou os olhos ao ver qual chave ela tinha pego.
— Não acredito! Vai trazer um Espírito do Zodíaco? Incrível! — Dizia toda empolgada, quase saltitante.
Lisanna apenas sorriu juntamente com Lucy, que já estava pronta pra trazer seu Espírito.
— Portão do Caranguejo Gigante! Abra-te! Câncer! — Como já esperado, um círculo mágico azul claro apareceu, envolvendo a ponta da chave dourada e uma nova criatura foi invocada. Ele tinha cabelos castanho escuro, pequenas trancinhas vermelhas que formavam duas tranças em sua cabeça que se assemelhava muito a pinças de um caranguejo. Sua pele era bronzeada, estava vestindo uma camisa azul clara listrada, calças pretas com um cinto onde do seu lado esquerdo estava uma pequena pochete com tesouras de vários tipos dentro e do seu lado direito uma espécie de anéis dourados ligados como uma corrente e botas pretas. Em seu pescoço havia um colar dourado e em seu rosto um óculos de sol com as lentes verdes. Em cada mão, Câncer segurava uma tesoura com cabo vermelho.
Câncer olhou para sua Mestra e depois para as duas meninas. Levy tinha estrelas amarelas em seus olhos. Ela sempre leu a respeito sobre as 12 Chaves Douradas do Zodíaco, sobre o quanto elas eram raras e ao descobrir que Lucy tinha duas delas, ficou animadíssima para ver um de perto.
— Em que posso ajudá-la hoje, Ebi?
— Ebi? — As duas amigas a olharam um tanto confusas, perguntando ao mesmo tempo o motivo dele tê-la chamado daquela forma.
— Ah, é só o jeito que ele me chama. Não é nada demais e eu gosto. — Respondeu a loira com um sorriso, se voltando para seu Espírito. — Câncer temos um trabalho hoje. Precisamos nos livrar de Ervas Daninhas Mágicas dessas plantações. Pode ajudar a Lisanna a tirar as maiores? Só que não pode cortar as flores e as outras plantas, apenas essas ervas.
— Farei isso com muito prazer, Ebi. — Ele respondeu com um aceno e logo acompanha Lisanna pra poder começar sua parte.
— Então, vamos começar?
...
Enquanto isso, em outra cidade, a jovem maga cavaleira estava terminando um trabalho que havia pego algumas horas atrás. Sua missão era capturar uma quadrilha de bandidos que fazia ameaças e pilhagem com os moradores.
Erza escolheu aquela missão por dois motivos.
1.º - Ela odiava ver pessoas tratando outras pessoas de forma abusiva, como aquela quadrilha estava fazendo. Isso a lembrou muito o seu passado e o que passou Naquele Lugar.
2º - Ela queria distrair a sua mente um pouco da guilda, principalmente de Lucy. Ela gostou muito da jovem maga, mas não conseguia se aproximar dela o suficiente para ser uma amiga mais próxima, como Levy e Lisanna eram.
Soltou um suspiro, enquanto caminhava pela estrada em direção a Magnólia. Mesmo sendo o caminho mais longo, Erza escolheu passar pela floresta. Ela queria esvaziar a cabeça de algumas preocupações e de lembranças perturbadoras do seu passado.
"Eu queria poder apagar isso da minha mente… Principalmente… Ele…", pensou ela com um semblante triste. "Talvez comer um pedaço de bolo de morango me anime um pouco".
E com esse pensamento mais alegre, Erza continuou seu caminho sem nenhuma pressa para chegar em casa.
….
Passado algumas horas, as três meninas e o Espírito ainda retiravam as ervas. Os três membros da família também foram ajudá-las, era injusto elas fazerem aquilo tudo sozinhas e eles apenas observarem.
Durante o processo, elas descobriram que ao retirarem algumas, novas nasciam em seu lugar e a solução que Lucy e Levy havia feito também não funcionava totalmente e isso dificultou um pouco seu trabalho.
— Já devíamos ter imaginado… Elas não são ervas normais… — Comentou Levy com um suspiro encarando suas amigas. — Talvez devêssemos tentar com alguma poção mágica… Ou criar algum encantamento pra proteger toda a plantação.
Olhando para as próprias mãos, Lucy soltou um longo suspiro, deixando seus membros caírem ao lado do seu corpo.
— Se desse pra criar alguma espécie de barreira mágica…
Após as ditas palavras, no segundo seguinte Levy teve um estalo em sua mente, soltando um pequeno grito.
— NÃO ACREDITO QUE NÃO PENSEI NISSO ANTES!
Lisanna, Lucy, Câncer e a família se assustaram com o escândalo repentino da azulada.
— Levy, pra quê gritar assim? — Perguntou Lisanna um tanto zangada, massageando seus ouvidos. — Quer deixar todos nós surdos?
— Ah, me desculpa… — Pediu ela um tanto envergonhada por ter gritado de tal maneira.
Lucy abriu um sorriso, se aproximando de Levy e colocando uma mão em seu ombro, como se quisesse dizer que estava tudo bem e que ela não precisava se preocupar. Levy agradeceu o gesto da loira com um sorriso.
— Então, para você ter se animado assim do nada, quer dizer que teve uma nova ideia, certo? — Indagou a maga celestial confiante.
— Sim! Tive duas, na verdade! Mas elas vão funcionar! Eu sei que vão!
Levy explicou rapidamente quais eram as suas ideias e como executá-las. Não seria nada fácil, mas também não era nada complicado.
Primeiramente, ela explicou que ainda precisavam continuar tirando as ervas que tinham nas plantações manualmente. Ela pediu para que Câncer, o rapaz com a esposa e filha continuasse fazendo isso. Enquanto isso, Lucy e Lisanna fariam uma poção mágica com propriedades o suficientes para exterminar as Ervas Daninhas Mágicas, mas não seria nenhum um pouco prejudicial para as outras plantas. E por último, ela própria criaria uma barreira de runas mágicas de Jutsu Shiki para proteger a plantação inteira de futuras novas ervas.
Tudo estava seguindo conforme planejado.
Os três integrantes, juntamente com Câncer estavam tendo sucesso no seu lado do plano. O mesmo pode ser dito no lado de Levy, seu domínio por runas mágicas estava melhorando.
"Não sou tão habilidosa como o Freed, mas o que sei já ajuda bastante.", pensou ela escrevendo as runas ao redor das plantações.
Lisanna e Lucy falharam algumas vezes em sua poção, mas após várias tentativas, elas finalmente conseguiram criar a mistura perfeita do jeito que queriam.
— Conseguimos Lucy! — Comemorou a pequena albina com um sorriso.
— Sim! Demorou um pouco, mas finalmente deu certo! — Respondeu a loira retribuindo o sorriso, limpando um pouco do suor que escorria por sua testa.
Já fazia um tempinho, mas Lisanna andou observando a amiga ficando cada vez mais cansada a cada esforço que fazia, parecia que sentia um pouco de falta de ar e isso a preocupou.
"Será que…", pensou ela franzindo um pouco o cenho.
— Lucy? Você está se sentindo bem?
Lucy a olhou um pouco confusa, não estava esperando aquela pergunta repentina.
— Estou sim. Por que a pergunta, Lisanna? — Indagou ela mais por curiosidade.
— É que você está um pouco pálida, meio cansada e parece que está com dificuldade para respirar.
Era verdade que já fazia um tempo que Lucy estava tendo os sintomas ditos pela amiga, mas achou melhor não dizer nada para não atrapalhar a missão.
— Acho que é um pouco de cansaço, logo passa. — Respondeu de uma maneira que pudesse passar mais tranquilidade para Lisanna.
— Eu acho que é falta de magia. — Rebateu ela a olhando seriamente.
— Falta de magia? — Perguntou confusa com aquela afirmação.
— Sim. Seu poder mágico está mais baixo que o normal, posso sentir isso e aposto que Levy também.
Aquela nova informação deixou Lucy sem jeito e um pouco envergonhada.
— Puxa, eu não queria estragar a missão… — Falou sem conseguir evitar o pequeno bico nos lábios.
Lisanna deu uma risadinha, colocando uma mão sobre o ombro da loira.
— Está tudo bem, Lucy. E você não estragou a missão, ainda podemos ter sucesso nela. — Sua resposta fez a loira soltar um suspiro de alívio, voltando a preparar a poção. — Mas acho melhor você mandar seu Espírito de volta.
— Hã? — Lucy não conseguiu não ficar chateada com aquilo e nem esconder o que estava sentindo. — Por que? Ele está nos ajudando!
Lisanna sabia que poderia magoar sua nova amiga, mas sabia também que a saúde de um mago era importante.
— Lembra que te falei que o seu poder mágico está baixo? — A loira assentiu. — Você gasta magia pra trazer e manter um Espírito Celestial no nosso mundo, certo?
Foi naquele instante que Lucy entendeu o que Lisanna estava querendo dizer e, de fato, a jovem maga nunca havia deixado um Espírito Celestial permanecer tanto tempo no mundo humano.
Olhando na direção do Espírito, Lucy o chamou:
— Câncer? Pode vim aqui, por favor?
Câncer interrompe o seu trabalho e vai em direção a sua Mestra.
— Sim, Ebi?
Respirando fundo, ela pega a Chave dourada e aponta para ele.
— Você já pode voltar ao Reino Celestial. Muito obrigada pela ajuda.
— Sempre estarei a sua disposição, Ebi. Me chame quando precisar. — Câncer faz uma leve reverência e logo desaparece em uma leve poeira dourada.
Assim que o Espírito Celestial partiu, Lucy começou a se sentir melhor e seu cansaço foi passando aos poucos.
— Como se sente, Lucy? — Perguntou Lisanna com a mão em seu ombro, a olhando com um sorriso.
— Me sinto melhor. Obrigada, Lisanna!
— Por nada! Vem, vamos jogar a poção e terminar a missão!
— Claro!
As duas foram até Levy e lhe mostraram a poção já finalizada. Ela também havia terminado de escrever suas runas ao redor de toda a plantação, agora faltava jogar a poção nas plantas.
Como era a missão de Lucy, Lisanna e Levy concordaram de que era ela quem deveria fazer aquilo.
Um pouco nervosa, mas também confiante, Lucy começou a borrifar a poção que ela e Lisanna haviam feito em todas as Ervas Daninhas Mágicas (principalmente naquelas que estavam nascendo novamente). Demorou questão de segundos e todas elas começaram a murchar, secar e morrer. Quando todos ali perceberam, a plantação havia sido salva e estava curada da praga que havia alastrado para todo lado.
A humilde família ficaram imensamente agradecidos, dizendo o quanto não tinham palavras pra descreverem a felicidade e gratidão que sentiam.
Como descrito no pedido, eles lhe pagaram 30.000 jóias. Lucy dividiu a recompensa com as amigas.
Elas agradeceram pela recompensa e partiram pelo mesmo caminho que vieram pela floresta, em direção a Magnólia.
….
Eram quase 05:45 horas da tarde quando as três jovens magas seguiam seu caminho pela floresta. Elas estavam muito felizes pela missão bem sucedida que realizaram a pouco tempo.
— Então Lu-chan… — Começou Levy. — O que achou da sua primeira missão oficial?
Lucy olhou para ela e abriu um grande sorriso.
— Eu adorei! E já estou animada pra fazer mais uma!
Lisanna riu baixo com o comentário da loira.
— Você falou exatamente como o Natsu. Ele também fica muito animado pra fazer missões.
— Oh, então é por isso que eu vi bem saltitante nos últimos dois dias? — Indagou Lucy sorrindo com a lembrança do garoto de cabelos sorridente.
— Sim! Ele gosta muito de fazer missões. Todo mundo gosta.
— Nem todos Lisanna. — Comentou Levy. — Esqueceu do Nab?
Lucy buscou em sua mente aquele nome e logo o reconheceu.
— Nab não é aquele rapaz que fica sempre em frente ao quadro de missões?
— Sim, é ele mesmo. Ele nunca escolhe, mas sempre diz que está procurando a missão perfeita.
Lucy assente em compreensão, apesar de achar estranho a atitude do rapaz. Mas pelo pouco que estou a respeito dele, vários de seus colegas da guilda também achavam aquilo estranho.
"Deve ser o jeito dele.", pensou ela, enquanto continuava conversando com as amigas.
A conversa das três amigas estava bem animada, elas conversavam vários tipos de assuntos diferentes, a maior parte era sobre as magias de alguns membros da Fairy Tail, pois Lucy estava curiosa a respeito de algumas.
Elas estavam tão distraídas com as conversas que não perceberam que tinha uma criatura misteriosa à espreita, caçando elas.
As três magas só foram perceber o perigo quando a tal criatura pulou e pousou na frente delas. A criatura andava sobre quatro patas, era tão preto quanto a escuridão, seus olhos eram de um amarelo forte, tinha grandes garras e suas presas estavam à mostra, uma mistura de saliva e sangue pingava de sua boca, o que constata que ele havia acabado de se alimentar. Porém, ainda tinha fome.
— Mavis do céu! — Exclamou Lisanna com os olhos arregalados de terror com a criatura a frente dela e de suas amigas.
Lucy e Levy também tinham a mesma expressão em seus rostos, pernas travadas, corpos trêmulos, mãos transpirando, corações batendo forte em seus peitos. Elas estavam com medo.
— É-é-é… U-um… Lo-lobo… Gi-gigante… — Falou a azulada baixinho sem conseguir conter seu nervosismo, andando alguns passos para trás.
— E... e-ele… Está-tá... c-com… F-fom-me… — Diz a pequena albina igualmente nervosa, acompanhando os passos da amiga.
— E… N-nós… S-som-mos… A-a… Ref-feiç-ção…. — Acrescentou a loira tão nervosa quanto as amigas, também passos pra trás.
O lobo não estava nem um pouco interessado em esperar elas conversarem, no primeiro impulso, ele pulou em cima das meninas com as presas e as garras prontas para atacá-las. Rapidamente, as três meninas correram cada um para um lado, fazendo com que o lobo caísse na área vazia de onde elas estavam. Ele as encarou uma a uma, escolhendo qual perseguir primeiro.
— O que a gente faz? — Perguntou Lisanna com medo, sem coragem de desviar ou piscar seus olhos do monstro a sua frente.
— Temos que lutar contra ele! — Respondeu Levy soltando um pequeno grito com um rosnado dele. — Mas eu mal tenho magia! Usei ela fazendo as runas na plantação! Nem uma letra sólida vou conseguir escrever!
Vendo suas amigas desesperadas, Lucy não pensa duas vezes e pega uma de suas Chaves Celestiais dourada.
— Lu-chan não faça isso! — Gritou Levy desviando de uma patada do lobo, se escondendo atrás de uma árvore.
— Por que não? Não temos que lutar contra ele?! — Questionou ela tentando tirar a atenção do lobo da azulada.
— Você está com pouca magia! Se você tentar usar, pode desmaiar!
— Mas…
— Deixa que eu faço isso! — Gritou Lisanna chamando a atenção do lobo, que já caminhava na direção dela. A pequena se posicionou e um círculo mágico rosa surgiu, envolvendo todo o seu e logo ela havia se transformado em um pequeno lobo de pelagem branca e olhos azuis. — Take over! Animal Soul! Wolf Form!
Levy arregalou os olhos com a ideia que sua amiga estava tendo e logo gritou em protesto.
— NÃO LISANNA! NÃO FAÇA ISSO! — Era possível ver algumas lágrimas escorrendo pelas bochechas de Levy.
— Eu preciso! Ou nenhuma de nós sairemos vivas! — Ela dá uma patada no focinho do lobo, o irritando. — Pelo menos duas de nós precisam saírem vivas!
— Lisanna! Mira vai me matar se você não voltar! O que vou dizer pra ela?! E o Elfman?!
— Eles vão entender! Lucy! Levy! Corram! — Ela o ataca mais uma vez e o lobo revida com uma mordida na pata dela, mas Lisanna consegue desviar por muito pouco. — O que estão esperando? Vão logo!
— Não! Lisanna! — Gritou Lucy com o rosto tão molhado de lágrimas quanto Levy e a mesma mencionada, segurou sua mão. A loira a olhou descrente, mas sabia que aquilo era complicado pra ela. — Não podemos deixar ela pra trás…
— Ela vai nos encontrar, Lu-chan. Eu sei que vai. Só temos que acreditar nela. — Diz Levy a puxando para se esconderem, enquanto Lisanna o distraia.
Três passos.
Lucy precisou de três passo para se decidir, para escolher o que ela realmente queria fazer. Soltando a mão de Levy e ignorando o grito do seu nome, a loira pega uma pedra e joga contra o lobo gigante e o acerta em sua cabeça.
A criatura geme baixo e logo vira suas garras e presas na direção da menina, que logo começou a correr para o lado oposto, atraindo a atenção do lobo para si mesma.
— Lucy! O que você está fazendo? — Perguntou Lisanna com a voz ofegante, sem a sua transformação, com alguns pequenos arranhões em seus braços e descrente com o que a loira estava fazendo.
— Não vou deixar você e a Levy-chan se machucarem! Vocês me ajudaram muito na minha primeira semana da guilda e na minha primeira missão! Eu tenho que retribuir de algum jeito! — Gritava ela, enquanto se esquivava de uma mordida. — Se escondam e não se preocupem comigo!
Lucy nem quis esperar pelos protestos de suas amigas. Na verdade, nem dava tempo, pois agora o lobo, muito mais irritado e aparentemente mais faminto do que poucos minutos atrás, corria atrás dela com rapidez. A menina corria o mais rápido que conseguia, tirando rapidamente a Chave da Aquarius do seu chaveiro e passando a ponta dela em sua testa.
"Eu sei o quanto você vai se irritar comigo, mas é questão de vida ou morte!", pensava olhando rapidamente para a Chave dourada molhada com seu próprio suor.
Lucy parou por um segundo.
Um segundo apenas.
— Portão da Guardi… AAhhh! — Gritou e seu feitiço foi interrompido ao sentir uma dor em sua perna, a fazendo cair e bater o queixo no chão. Ela não precisava olhar para saber que o lobo havia lhe acertado suas garras e rasgado a carne da sua panturrilha direita. — Droga… — Ela gemeu e tossiu alto, sentindo um gosto amargo de sangue na boca. A queda fez com que ela mordesse o próprio lábio com força o bastante para machucar.
Lucy tentou se levantar, apoiando as mãos no solo terroso. Porém, ela parou ao sentir fortes suspiros, um rosnado baixo e gotas de saliva contra sua nuca. Seu corpo travou no mesmo instante.
— Meu Deus... Mavis do céu… — Gemeu ela baixinho, sem coragem de mover um único músculo. Sua visão começou a ficar embaçada e suas lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, algumas gotas caiam sobre o chão e outras nas costas de suas mãos. Ela encarou a marca rosa da Fênix em sua mão direita, a marca da guilda Fairy Tail por alguns segundos antes de sentir a forte pata do lobo contra suas costas, a forçando a ficar deitada contra o chão.
"Eu sou uma maga da Fairy Tail e vou morrer como uma maga da Fairy Tail", pensou ela triste e ao mesmo tempo feliz.
Mesmo se ela morresse, ela ainda estaria feliz por ter realizado um dos seus sonhos: Ter entrado para Fairy Tail.
"Mamãe… Acho que chegou a minha hora.", ela pensou já fechando os olhos com força e se preparando o impacto da mandíbula do lobo em seu pescoço.
De repente, ela sente que o lobo não estava mais sobre seu corpo.
"Eu morri?"
Será que Lucy morreu?
….
Dez minutos atrás
Erza estava passando pela floresta, carregando uma grande bolsa bege claro e alça marrom de couro que continha algumas de suas espadas, quando escutou gritos e rosnados altos.
Ela não hesitou em correr até a fonte e rapidamente chegou ao local, onde encontrou Levy ajudando Lisanna, enquanto gritavam para que Lucy não fizesse alguma coisa no qual a ruiva não tinha entendido o que era exatamente.
— Levy! Lisanna! — Chamou a cavaleira se aproximando das duas, vendo se elas estavam bem. A única coisa que constatou era que a pequena albina estava com arranhões nos braços. — O que aconteceu? Eu ouvi rosnados e…
— Um lobo gigante apareceu! — Falou Levy chorando. — A Lu-chan atraiu a atenção dele e ele foi atrás dela!
Erza arregalou os olhos com aquela afirmação. Apesar de saber da capacidade de Lucy, ela sabia que a loira ainda era inexperiente em campo e em combate.
— Levy, pra quê lados eles foram? — Mesmo chorando, a azulada apontou para o lado leste da floresta. — Vocês duas fiquem aqui. Tem curativos na minha bolsa. Usem o quanto precisarem.
Assim que falou, Erza imediatamente seguiu pelo caminho mostrado por Levy. Ela estava correndo, o mais rápido que seu corpo e seu fôlego permitia.
"Eu tenho que chegar a tempo... Não, eu preciso! Preciso chegar a tempo e salvar a Lucy!", pensava ela acelerando sua corrida. Não demorou muito para que a ruiva ouvisse rosnados baixos e um baque, e rapidamente seguiu o som.
Ao chegar a fonte, Erza logo viu Lucy caída do chão e o lobo preto a mantendo lá com uma pata em suas costas, pronto para cravar seus dentes em seu pescoço.
Aquilo a enfureceu profundamente.
Ela tirou sua espada da bainha e correu na direção do lobo, o acertando bem em sua costela. A força do golpe o desequilibra e o faz tirar a pata das costas de Lucy. Ele se vira na direção de Erza, com as garras e presas a mostra e avança em sua direção para mordê-la. A cavaleira se esquiva para a direita e acerta outro golpe com sua espada bem nas costas da criatura, que uiva de dor e raiva e mais uma vez se virava correndo em sua direção e dá um salto. Erza foca seu olhar nele por alguns segundos e aponta sua espada bem na direção do lobo.
A cena foi muito rápida, mas a ruiva sabia que tinha matado o lobo quando percebeu no segundo seguinte que ele estava empalado em sua espada e que tinha vestígios do seu sangue em suas mãos e nas mangas de sua blusa e pequenos respingos no peitoral de sua armadura, seu rosto e em suas calças. Erza respirava pesadamente, com os olhos arregalados e os membros trêmulos. Com muito esforço, ela tira a espada ensanguentada da carcaça do animal e a guarda em sua bainha.
"Em casa eu impo ela.", pensou suspirando e indo até onde Lucy ainda estava caída no chão, se ajoelhando ao seu lado. Só então que percebeu que a loira tinha uma ferida na perna e uma no lábio inferior. Ela colocou dois dedos em seu pescoço e suspirou em alívio ao encontrar batimentos cardíacos.
— Lucy? Lucy, está me ouvindo? — Erza a chamava baixinho, a balançando levemente pelos ombros. — Lucy?
Aos poucos, Lucy foi abrindo os olhos, esperando encontrar um lugar branco cheio de anjos e nuvens, mas em vez disso, ela encontrou o rosto levemente sujo de sangue de Erza, que exibia uma expressão preocupada.
— E-erza-san? — Falou a menina em um tom baixo, se esforçando pra levantar do chão. Erza a ajudou, ainda sem tirar seus olhos dela. Lucy olhou para os lados e seus olhos pararam no corpo falecido do lobo gigante. Ela o encarou por alguns segundos e depois encarou Erza, que já não tinha mais aquela preocupação em seus olhos. — Você matou o lobo?
— Sim. — Respondeu ela com simplicidade. — Você estava em perigo e eu vim salvá-la.
Lucy estava sem palavras, não sabia o que dizer. Erza havia acabado de salvar sua vida e apenas agradecer era pouco, ela queria retribuir de alguma maneira.
Nesse momento, novos barulhos eram ouvidos da floresta. Erza estava se preparando para tirar sua espada, mas quando percebeu quem eram, ficou mais tranquila.
— Lucy!
— Lu-chan!
Eram Lisanna e Levy.
As duas meninas correram até onde Lucy e Erza estavam, imensamente aliviadas ao verem a amiga viva. Mesmo com dor, Lucy se levanta do chão e corre até elas e as três se abraçam fortemente.
— Levy-chan! Lisanna! Vocês duas estão bem? — Ela perguntou com a voz embargada.
— Sim, nós estamos bem. — Respondeu Lisanna com um sorriso, mas o desfaz ao ver a ferida na perna de Lucy. — Mavis do céu! Lucy! A sua perna!
Lucy olhou para a perna machucada e depois para as amigas.
— Oh, está tudo bem. É sério. — Respondeu com um sorriso forçado, claramente tentando esconder a dor que sentia.
— Você está com dor e mal consegue andar. — Diz Erza, se levantando e caminhando até as três.
—Não, está tudo bem. Nem dói tanto assim e dá pra voltar pra guilda sem nenhum problema...
— Sua perna dói e você não vai aguentar andar até a guilda com ela assim. — Falou a ruiva de forma mais dura. — Senta ali naquela pedra, vou fazer um curativo. Levy. Lisanna. Peguem os curativos em minha bolsa, por favor?
As duas assentiram e rapidamente foram pegar o que lhe foi pedido.
— Erza-san, está tudo bem. Não precisa... Ei! — Lucy é interrompida ao sentir Erza lhe empurrando e a forçando a se sentar na pedra ali perto.
— Deixa de ser teimosa e me deixa cuidar da sua perna. — Falou em um tom mais sério, a encarando.
Percebendo que argumentar iria ser completamente em vão, Lucy concorda e a deixa cuidar de sua perna.
Lisanna e Levy pegam os curativos restantes e entregam todos para Erza, que imediatamente começa a cuidar dos ferimentos de Lucy. A loira não disfarçava o incômodo que sentia quando a ruiva limpava o sangue seco e a sujeira do solo de sua perna, ora ou outra puxando um pouco ela.
— Dá pra parar de se mexer? Preciso limpar isso!
— Eu sei, mas não pode ir um pouco mais devagar? Está doendo!
— Lucy se eu fizer isso devagar, vai doer mais. É isso o que você quer?
— Não, mas...
— Então fica parada e me deixe cuidar da sua perna!
Com um novo suspiro, Lucy concordou e decidiu apenas ficar em silêncio, observando a ruiva cuidar da sua perna. E um certo momento, ela olhou para as amigas, vendo que elas estavam também silêncio observando ela e Erza. Lucy notou alguns curativos nos braços de Lisanna, decorrente da luta que a pequena teve contra o lobo. Levy também tinha um curativo na mão direita.
"Ela deve ter se ferido quando desviou e se escondeu naquela hora.", pensou ela.
Ela sentiu uma nova pontada na perna e olhou para a Erza um pouco brava, mas sua expressão suavizou ao ver que a ruiva terminava de enfaixar sua perna.
— Terminei. — Comentou Erza se levantando e olhando para a maga celestial. — Você consegue andar?
Lucy se coloca em pé e tenta ficar ereta, mas não conseguia se manter em equilíbrio e quando caminhava, acabava mancando e sentindo dor. Só que ela não queria dar mais trabalho para suas amigas.
— Acho que dá pra voltar pra guilda assim. — Falou com um sorriso. — Vamos? — Lisanna e Levy já se levantavam, prontas para partir. Quando Lucy foi dar o primeiro passo, foi impedida por dois braços que a ergueram do chão, apoiando suas costas e sustentando suas pernas. — Erza-san! Eu posso andar! Me coloca no chão! — Reclamou em protesto.
— Você mal consegue pisar no chão direito, quem dirá caminhar até Magnólia. Não tem conversa, eu vou te carregar até a guilda.
— Mas...
— Lu-chan? — Interrompeu Levy sorrindo um pouco sem graça com a situação da amiga. — É melhor não contrariar a Erza-san...
Lisanna acenou em concordância com a azulada.
Lucy foi protestar mais uma vez, mas ao ver o olhar sério e rigoroso de Erza, ficou em silêncio e deixou que ela a carregasse até a guilda.
— Levy? Lisanna? Podem trazer minha bolsa, por favor?
...
Durante o percurso, as quatro não tiveram nenhum problema no resto do caminho até Magnólia e ao chegarem a guilda, perceberam que passava um pouco das 07:00 horas da noite.
Mira e Elfman estavam sentados em uma das mesas, esperando a irmãzinha chegar e assim que a viram, a primeira coisa que repararam foram nos curativos em seus braços. No mesmo instante, a albina mais velha foi até a menor e a abraçou bem apertado.
— Lisanna! O que aconteceu com você?! Por que está ferida assim?! — Mira disparava perguntas uma atrás da outra, sem dar uma oportunidade para a pequena explicar o que aconteceu. Ela olha para Levy que tinha um curativo na mão e pra Lucy que tinha um curativo na perna (ainda estava sendo carregada por Erza). — Mas... O que aconteceu com vocês três?
Nesse momento, Makarov descia as escadas ao sair de sua sala e se aproximava da entrada da guilda. Ele queria saber como havia sido a primeira missão de Lucy e ao ver a própria e as companheiras que a acompanharam com curativos, ficou com um semblante de preocupação.
— Meninas, o que aconteceu com vocês? A missão não era exterminar as Ervas Daninhas Mágicas?
Como foi aquela que escolheu a missão e as companheiras, Lucy se sentiu responsável de contar o que havia acontecido. Respirando fundo, ela começou.
— Mestre? Nós três conseguimos realizar a missão com sucesso. Mas quando estávamos voltando, fomos atacadas por um lobo gigante. Ele machucou a mão de Levy e Lisanna tentou distraí-lo, mas sua magia tinha acabado e eu fui ajudá-la e ele arranhou a minha perna. — Ela gesticulava um pouco com as mãos, apontando para Levy e Lisanna e depois para a própria perna. — Eu pensei que ia morrer, mas a Erza-san nos salvou.
— Na verdade, ela salvou apenas você, Lu-chan. — Comentou a maga da escrita sólida com um sorriso. — Foi você que nos salvou.
Todos ali perto arregalam os olhos e encaram a loira, que já sentia seu rosto ficando vermelho.
— Sim! É verdade Mestre! — Falou Lisanna. — Lucy levou o lobo pra longe de nós duas! Minha magia tinha acabado e Levy também estava sem magia. Então...
— Foi por isso que eu afastei o lobo delas. — Continuou Lucy olhando para o senhor. — Elas me ajudaram aqui na guilda e na minha missão! Era a minha vez de retribuir a gentileza e a amizade delas!
Após ouvir toda a história das três meninas, Makarov soltou um suspiro, se aproximando de Lucy e Erza e bagunça levemente os cabelos loiros da menina.
— Fico muito agradecido pelo que fez, jovem Lucy. Mas é preciso ser mais cuidadosa e cautelosa, mesmo que tenha sido apenas para salvar suas amigas.
— Oh... E-eu... Entendi, Mestre... Sinto muito...— Ela acena, abaixando a cabeça para olhar as próprias mãos. Ela foi imprudente e quase perdeu a vida por causa disso.
— No entanto... — Continuou Makarov com um sorriso acolhedor. — Nós, magos da Fairy Tail, somos imprudentes e sempre nos arriscamos para salvar nossos amigos, eles são as pessoas mais importantes para nós. Aqui, todos nós somos uma família e o que você fez, minha filha, foi pela família e você faz parte dela agora.
Lucy estava sem palavras e sem reação. Ela olhou para todos ali perto e todos estavam sorrindo e concordando com as palavras do Mestre. Aquele momento a fez se sentir mais ligada a todos e a guilda. Ali realmente era o seu lugar.
— Mas agora, você precisa descansar e cuidar da sua perna. — Diz o senhor. — Erza? Leve-a até a enfermaria, por favor. — A ruiva acenou e caminhou até a enfermaria com Lucy nos braços. — Mira, você e Elfman leve Lisanna pra casa e cuidem dela, está bem? — Ela acenou, chamando seu irmão para ir pra casa, enquanto deixava Lisanna sempre próxima dela. — Levy? Vamos até a casa da Porlyusica e pedir algumas poções de cura. Eu sei que ela vai ficar brava, mas nós precisamos, certo?
Levy acenou que sim com um sorriso, acompanhando o Mestre até a casa da velha médica da guilda.
...
Na enfermaria, Erza havia colocado Lucy sentada sobre uma das macas. Ela verifica as bandagens, constando que um pouco de sangue havia vazado.
— Vou dar uma olhada, okay? — Ao receber autorização da jovem, a ruiva começou a desfazer as bandagens.
Enquanto observava, Lucy criou coragem o bastante para perguntar.
— Erza-san? Por que você me salvou?
Erza para o que fazia para fitá-la de forma confusa.
— Que tipo de pergunta é essa? Não ouviu o nosso Mestre? — Perguntou indignada.
— Sim, eu ouvi o nosso Mestre perfeitamente.
— Então, por que está me perguntando algo assim? — Indagou sem conseguir esconder uma certa magoa.
— É que você... Quero dizer, nós... — Lucy estava se sentindo nervosa, se enrolando com as palavras. — Nós não conversamos muito e... E...
— Você é minha amiga, Lucy. Eu a considero uma boa amiga e gosto de você. — Erza diz com um sorriso pequeno nos lábios. — Mesmo que você tenha um pouco de medo de mim e que não goste de mim.
Lucy arregalou os olhos, não estava esperando por aquilo e muito menos vindo de Erza. Ela pensava que Lucy não gostava e que tinha medo dela?
Talvez a parte do medo tenha um pouco de verdade, mas Lucy nunca disse que não gostava dela. Na verdade, ela sentia uma certa admiração pela ruiva e muito mais agora depois que ela a salvou.
— Eu gosto de você, Erza-san. — Ela diz colocando a mão direita sobre a mão esquerda da amiga. — Mas, eu confesso que ainda sinto um pouco de medo de você. Um pouco. — Mostrou com o polegar e o indicador uma pequena distância um do outro.
Erza sorriu se sentindo mais aliviada pela loira não sentir tanto medo dela como o restante dos membros da guilda (Especialmente Natsu e Gray).
— Bem, você precisa descansar agora. — Dizia ela após terminar de trocar as bandagens por novas.
— Obrigada, Erza-san… — Ela responde um pouco tímida.
Erza achou aquele sorriso fofo e retribuiu da mesma forma.
— Não há de quê! Um cavaleiro nunca deixa uma princesa em apuros!
No momento que as palavras saíram, a ruiva se arrependeu do mesmo instante e se sentiu constrangida por ter dito algo desse tipo para a menina a sua frente.
Por outro lado, Lucy ficou muito surpresa com aquelas palavras, já que não esperava por aquilo. Mas sorriu ternamente, se inclinando um pouco pra frente, mais precisamente na direção da cavaleira.
Se as palavras que proferiu Erza a surpreendeu, o que ela fez então com a ruiva ficasse com o rosto tão vermelho quanto o próprio cabelo.
Lucy deu um pequeno beijinho na bochecha de Erza.
A própria a olhou sem entender e confusa com o ato da loira.
— P-por que você fez isso? — Indagou sem conseguir esconder seu nervosismo.
Lucy abriu um sorriso, enquanto se deitava sobre a maca, ainda olhando para a menina mais velha.
— Uma princesa sempre agradece seu cavaleiro com um beijo! — E com isso, ela puxou os lençóis pra se cobrir e se virou de costas pra Erza. — Acho que vou tentar dormir um pouco. Boa noite Erza-san. Obrigada por salvar a minha vida!
Erza a encarava atônita e um pouco em choque, mas se recompôs rapidamente, deixando a enfermaria para que Lucy pudesse descansar. Assim que saiu, ela colocou a mão no lado esquerdo da sua bochecha, onde havia sido o local do beijo. Era o primeiro ato de carinho e afeto que ela recebia após tanto tempo (Com exceção de Makarov e dos cuidados que teve com Porlyusica).
De fato, foi realmente um pequeno beijo inocente na bochecha, mas elas mal sabiam que aquele simples beijo iria despertar fortes sentimentos uma pela outra no futuro.
