Olá! Tudo bem com vocês? Como estão as quarentena de vocês?
Com esses dias de parada na casa, com a saída do estágio e fazendo aulas on-line, eu consegui dedicar mais a essa história e estou muito feliz por ter conseguido terminar o capítulo novo para vocês.
Aproveite para tentar desenvolver um pouco mais de personagens (espero que isso seja conseguido) e também para reproduzir um novo que estava bem animado.
Parte desse capítulo é baseado no episódio 20 do anime.
Espero que gostem.
Se tiver algum erro ortográfico, já peço desculpas.
Capítulo 3 – E de repente... Todos Ficaram Felizes.
Fazia um mês que Lucy era integrante da guilda e não tinha um único dia em que ela não se divertia com seus amigos. Levy, Lisanna e Natsu eram os seus melhores amigos e, quase sempre, ela estava com eles fazendo missões ou brincando na guilda.
Hoje, Lucy estava na floresta perto de um lago, não era muito longe da cidade. Ela estava acompanhada de Natsu e Lisanna. Ele estava levando as meninas para ver o seu ovo especial.
— Vocês vão ver Lisanna! Lucy! Ele é um ovo super incrível! — Diz Natsu todo empolgado e saltitante.
As duas meninas o seguiam logo atrás, sorridentes com a animação do garoto de cabelos rosas.
— Você mora na floresta, Natsu? — Perguntou Lucy, desviando de um galho pra poder passar. — Como você faz com a comida?
— Sim, eu moro. Minha casa é muito boa! É igualzinha à que eu tinha quando morava com o Igneel! — Respondeu sem tirar seu sorriso. — Ah, eu como na guilda, então eu não passo fome.
— E você sempre fala sobre ele. — Comentou Lisanna sorridente. — Ele era mesmo um dragão?
Lucy já tinha ouvido falar sobre o famoso dragão Igneel, foi uma das primeiras coisas que Natsu contou pra ela em seus primeiros dias na guilda. No começo, a loira pensou que fosse brincadeira, mas quando viu o olhar sério do garoto, percebeu que não tinha como aquilo ser alguma invenção do jovem.
— Claro que era! Ele era um dragão enorme e incrível! E ele era o meu pai! — Natsu responde com muito orgulho. — Ah, ele me ensinou a minha magia de fogo! Eu sou um Dragon Slayer!
As duas meninas se entreolharam confusas quando ele disse as últimas palavras.
— Um Dragon Slayer? — Perguntaram ao mesmo tempo.
Natsu parou e olhou para ela com a sobrancelha levemente erguida.
— Ué? Vocês duas não sabem o que é isso?
— Não! — Respondeu Lisanna com simplicidade.
— Eu li alguns livros de magia da biblioteca da guilda e da casa da Levy-chan, e me recordo de um pouco de um ou outro falando sobre Dragon Slayer. — Responde Lucy pensativa. — É uma magia antiga e especial, não é Natsu?
— Sim! É uma magia pra matar dragões! — Dito isso, Natsu dá um grande urro e um pouco de fogo acaba saindo de sua boca e queimando o galho de uma pequena árvore. Ele olha sorridente para as amigas. — Não é legal?
Lucy e Lisanna estavam um pouco chocadas com o que presenciaram, não pelo fato do garoto ter queimado o galho, mas que possivelmente houvesse a possibilidade de cada vez que o Natsu soltar um grito estridente, ele acabe expelindo uma rajada de fogo pela boca e acerte o rosto de alguém. Elas pensarem em algumas pessoas que ficariam muito zangadas com isso.
Erza... Mira... Gray... Até mesmo o Mestre estava na lista.
"Não podemos deixar ele gritar dentro da guilda.", pensaram elas ao mesmo tempo.
— Hey! Alô? Acordem vocês duas! — Falou Natsu em um tom alto, despertando a loira e a albina de seus pensamentos.
— Ah, desculpa Natsu. Acho que nós nos perdemos em nossos pensamentos.
Natsu não entendeu o que elas disseram e decidiu apenas ignorar e seguir o seu caminho até sua casa.
Mais alguns minutos depois, os três magos chegam a uma pequena clareira aberta, onde logo em frente tinha uma caverna. Natsu caminhou mais alguns passos parou bem na frente da caverna e se virava para as suas amigas.
— Lucy! Lisanna! Bem vindas a minha casa!
As duas meninas se olharam rapidamente antes de olharem para todos os lados, procurando por alguma coisa parecida com uma casa, mas elas não viram nada assim.
Percebendo a confusão nos rostos de suas amigas, Natsu se aproxima delas, as puxando pela mão até a entrada da caverna.
— Gente, aqui é minha casa. — Ele falou apontando para a caverna atrás dele.
Novamente, as duas ficaram sem entender nada, pensaram que fosse alguma brincadeira do rosado. Porém, quando viram o semblante sério e ao mesmo tempo sorridente, perceberam que ele não estava brincando.
— Natsu… — Começou Lisanna. — Você mora em uma caverna?
— Sim! — Respondeu sem tirar o sorriso dos lábios. — Não é demais? Aposto que ninguém da guilda tem uma casa assim! A minha casa é a melhor!
Apesar do pequeno choque, Lucy abriu um sorriso antes de falar:
— Você parece que tem muito orgulho dela.
— E eu tenho sim! Ele é igualzinha a caverna que eu morava com o Igneel, só que essa é um pouco menor. Mas não tem problema! Ele é boa o bastante pra mim e pro meu ovo! Venham ver ele!
E Natsu foi logo entrando em sua "casa" com Lucy e Lisanna logo atrás dele. O menino continuava tagarelando sobre a caverna e o ovo, percorrendo um pequeno caminho de mais ou menos cinco a seis metros, as paredes eram pura rocha, assim como algumas partes do chão, com exceção dos galhos e folhas secas espalhadas, formando uma espécie de caminho até o final, onde era um pouco mais escuro. Um pequeno círculo mágico alaranjado com tons em vermelho e amarelo surgiu na mão direita de Natsu e ele acendeu quatro tochas que tinha ali.
A primeira coisa que as duas meninas notaram foi o enorme ovo branco com manchas azuis, que lembrava muito chamas logo ao final, com tufos de feno ao seu redor, provavelmente para mantê-lo aquecido.
— Uau! — Elas exclamaram ao mesmo tempo. — Que ovo enorme!
— Viram que legal? Vocês gostaram do meu ovo?
— Eu gostei!
— Eu também gostei! — Respondeu Lucy com um sorriso, se ajoelhando perto do ovo pra vê-lo mais de perto. — Natsu, você sabe o que vai nascer dele?
Lisanna também estava pensando na mesma pergunta que a maga celestial e o encarava juntamente com ela.
— Ora, é claro que eu sei o que vai nascer! — Afirmou ele. — É um dragão!
De todas as possíveis respostas e de todos os muitos animais que nascem dos ovos, a última resposta que elas esperavam era um dragão.
"Bom, o ovo é um pouco grande, então faz sentido o Natsu pensar que é um dragão.", pensou Lucy fitando o ovo novamente e se levantando.
— Gente, e se formos até a biblioteca da guilda pra procurar algum livro sobre ovos? Aposto que a Levy-chan deve ter.
— Ah, é uma ótima ideia Lucy! — Concordou a albina ficando ao lado da amiga.
— Aaahh... Biblioteca? — Indagou ele sem conseguir esconder sua aversão ao lugar. — Mas não precisamos, eu sei que é um ovo de dragão.
A loira suspirou e fitou com atenção.
— Natsu, você não quer ter certeza? E se não for um ovo de dragão?
— Mas é um ovo de dragão!
— Então vamos pra biblioteca e me prove que você está certo! — Responde Lucy puxando o menino pela mão até a saída da caverna.
— M-mas...
— Vamos logo, Natsu. — Disse Lisanna o puxando pela outra mão.
"Aaahhhh! Qual é?", pensou o rosado se deixando ser vencido pelas duas amigas.
...
A biblioteca da guilda era bem maior do que se podiam imaginar, com pelo menos três andares sendo um deles ficava na parte debaixo da guilda e percorria a maior área. Suas paredes eram de madeira marrom bem escuro, com várias luminárias com lacrimas dentro que iluminavam o local. Bem ao centro, havia uma grande mesa marrom claro com dez cadeiras da mesma cor e luminárias de mesa. Tinham várias estantes todas elas preenchidas com livros de história, magia criaturas mágicas e muito mais.
Era o paraíso para qualquer um amasse ler livros, exatamente como eram Lucy e Levy. As duas amavam ler livros e já passaram quase que um dia todo dentro do lugar, apenas alimentando sua mente com novas palavras e novos conhecimentos.
— A biblioteca da guilda é incrível! — Comentou Lucy com estrelas amarelos nos olhos de tanta animação. — Eu quero ler muitos e muitos livros daqui!
Levy sorriu com a empolgação da amiga loira, pois ela também pensava da mesma forma.
— Lu-chan, você leu muitos livros quando morou comigo e levou alguns emprestados para sua casa. Você consegue dar conta?
— Ora, é claro que eu consigo! Com a recompensa que ganhei na última missão que fiz, eu comprei um óculos de leitura rápida! Agora posso ler mais livros em pouco tempo.
— Peraí. — Natsu chamou a atenção delas. — Lucy não ta mais morando com você, Levy?
As duas se olharam e depois olharam para o garoto de cabelos rosados em confusão. Até mesmo Lisanna o olhava da mesma forma.
Esclarecendo a confusão, nos primeiros dias de Lucy na guilda, ela estava morando com Levy na Fairy Hill, o dormitório para as meninas integrantes da guilda. A Sra. Hilda, coordenadora do lugar, ofereceu um dos quartos para Lucy alugar, mas a jovem achou o aluguel um pouco caro (O valor era de 100.000 joias) e educadamente recusou a oferta. Ela decidiu procurar algum lugar na cidade que pudesse alugar por um preço mais baixo e, depois de quase três semanas de busca, ela encontrou um pequeno apartamento perto do canal que ficava a poucos quarteirões da guilda e senhora que cuidava do local ofereceu a ela por 70.000 joias. Apesar do preço ainda ser meio alto, foi o local mais barato e mais perto da guilda que Lucy encontrou.
Voltando ao presente, as três meninas olham para Natsu, que ainda exibia um semblante confuso.
— Já faz uma semana que ela se mudou, Natsu. — Respondeu Levy, voltando a olhar os livros.
— E eu lembro que lhe falei sobre isso. — Comentou a loira com um bico, pegando um livro sobre ovos e indo até a grande mesa procurar a respeito do ovo misterioso do garoto.
— Hum... — Natsu ficou pensativo por alguns segundos e logo abriu um sorriso. — Oh, é verdade! Eu havia me esquecido!
"Natsu era um garoto inacreditável.", pensou as três meninas ao mesmo tempo.
Depois daquele esclarecimento, os quatro jovens voltaram a se concentrarem em sua tarefa. As meninas eram as que mais se esforçavam em sua pesquisa, lendo cada palavra de cada livro com atenção, observando cada detalhe de cada imagem com precisão. Elas não estavam dispostas a desistir da busca do misterioso ovo.
Mas em compensação o garoto... Não se esforçava tanto quanto as amigas.
— Eu ainda acho que é uma perda de tempo... — Comentou Natsu suspirando, virando a página de um livro sem interesse algum. — Eu já disse que é um ovo de dragão. Eu sei que é um ovo de dragão!
— Okay Natsu, mas e se não for? — Indagou Lucy suspirando e fechando mais um livro após outra busca sem resultados. — Meus olhos estão até doendo... — Falou esfregando eles com os punhos fechados.
— Os meus também... — Comentou Lisanna fazendo os mesmos movimentos que a amiga. — Mas temos que continuar procurando!
— Sim! — Todas concordam, com exceção do único garoto que fez uma expressão de desinteresse, já que o mesmo não queria estar ali na biblioteca.
Um tempo depois, a porta da biblioteca se abre e uma jovem ruiva entra carregando um livro embaixo do braço. Ela encontra seus quatro amigos ali e abre um sorriso pra eles.
— Oi pessoal. — Cumprimentou Erza com um aceno, caminhando até Levy. — O que estão fazendo enfurnados aqui dentro? O dia está bem bonito lá fora. Não querem dar uma volta ou treinar magia?
— Sim! Vamos rápido! — Como era esperado, Natsu foi o primeiro a se manifestar, mas foi impedido por uma escrita sólida formando a palavra "Wall". — Meu nariz! Levy! Que droga é isso aqui?
Levy exibia um semblante zangado, enquanto conferia o livro que Erza estava lhe entregando.
— Você não vai mesmo! Não depois de todo o esforço que nós estamos fazendo pra descobrir que tipo de animal vai nascer do seu ovo!
— Só que eu não pedi por isso e eu sei que vai nascer um dragão do meu ovo!
— Mas você não tem certeza! — Interferiu Lisanna.
— Tenho sim!
Lucy soltou um suspiro, se levantando e olhando pra eles pronta pra impedir deles brigarem. Contudo, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, o som alto de um objeto metálico batendo em uma superfície de madeira é escutado, ecoando por toda a biblioteca. Todos se assustam e ficam em silêncio no mesmo instante.
Natsu era o que mais havia se assustado, com o rosto pálido e as mãos trêmulas na boca. Levy e Lisanna também tinham os rostos pálidos e tremiam tanto quanto o garoto. Apenas Lucy não estava tão assustada quanto os amigos, mas estava trêmula como eles.
Foi Erza quem bateu na mesa de madeira e fez todos ficarem quietos.
— Muito bem... — Começou ela. — Se eu entendi direito pelo pouco que eu ouvi, você estão procurando livros sobre ovos e querem saber o animal que vai nascer do ovo que o Natsu encontrou, estou certa? — Os quatro assentiram. — Então eu vou ajudá-los! Quanto mais ajuda tiverem, mais rápido acharemos a espécie que vai nascer, correto?
— Sim! — As três meninas responderam ao mesmo tempo, enquanto o rosado apenas revirava os olhos.
"Mas eu já disse que é um ovo de dragão. Elas não conseguem entender?", pensou ele sem esconder o sentimento de raiva e se sentando no canto mais afastado da mesa. "Vou ficar aqui e não vou fazer nada!"
Só que estava mais do que claro que Natsu não iria ficar sem nada fazer, pois Erza se aproximou dele e colocou a sua frente uma pilha de livros, pegou um e o pôs sobre o colo do garoto.
— Leia. — Falou de forma firme.
— Não! — Retrucou ele cruzando os braços e virando o rosto para o outro lado. — Você não manda em mim.
Lucy, Lisanna e Levy ficaram boquiabertas com a ousadia de Natsu e sentiram um leve arrepio na espinha. Uma aura sombria emanava do corpo de Erza e uma expressão raivosa era exibida em suas feições, enquanto o jovem mago do fogo andava vários passos pra trás desesperadamente.
— Pe-pe-perai-i E-erz-za! Fo-foi se-sem querer, sabe?
A cavaleira não estava ouvindo mais e a última coisa que Natsu se recordava era da garota usando sua magia pra reequipar uma luva de metal no punho direito e esse mesmo punho acertando seu olho com força, o jogando contra uma estante com poucos livros. A estante não quebrou, mas Natsu ficou caído no chão, desmaiado e com o olho esquerdo começando a ficar arroxeado.
— Puxa... — Murmurou Lisanna indo até o seu amigo caído.
— Pois é... — Concordou Levy apenas observando a pequena albina se aproximar do rosado.
Lucy olhou pra Erza, que já se encontrava sentada lendo um dos livros que havia pego, se aproximando dela.
— Erza-san, você exagerou muito, sabia?
A ruiva ergueu seus olhos pra encarar a menina ao seu lado e desviou seu olhar ao garoto que já estava acordando, mas ainda um pouco tonto após o golpe, com Lisanna ao seu lado lhe auxiliando, e se volta novamente para Lucy.
— Acho que você está certa. Eu não precisava ter batido nele dessa forma.
— Então vai se desculpar com ele?
— Não. — Respondeu com simplicidade, voltando sua atenção ao livro, mas acrescentou com frieza. — O fato de eu ter exagerado não quer dizer que eu vou me desculpar com ele.
— Você quem sabe, Erza-san... — Falou um pouco chateada com a frieza da cavaleira antes de se afastar e ir até Lisanna e Natsu. "Nem vou tentar argumentar com ela, pois eu sei que vai ser em vão.", pensou Lucy com um suspiro, vendo como seu amigo estava.
As duas meninas acharam melhor levar o menino pra enfermaria e depois pra casa. Elas se despediram de Levy e Erza, e caminharam com calma pra fora da biblioteca, cada uma apoiando os braços de Natsu em seus ombros.
Assim que os três saíram, Levy caminhou até Erza e cutucou seu ombro pra chamar sua atenção.
— Sabe... — Começou ela. — Se você quer ser uma amiga mais próxima da Lucy, você deveria ser um pouco mais gentil com as palavras.
Erza fechou seu livro e fitou a azulada.
— E quem disse que eu quero ser uma amiga próxima dela? — Questionou com o rosto levemente corado. — Eu já tô muito bem sendo amiga dela como eu sou, okay?
Levy apenas riu, sabendo que aquilo não era totalmente verdade.
— Você e Lucy podem não ter percebido, mas desde o dia em que você a salvou daquele lobo, você fica encarando e querendo ficar perto dela o tempo todo, como se quisesse protegê-la de qualquer coisa ou qualquer pessoa.
— E-eu não sei do que você está falando, Levy! — Retrucou cruzando os braços e estufando o peito. — Eu sempre quero estar perto dos meus amigos! Lucy não é a minha única amiga!
— Mas é a única que puxa conversa com você de forma espontânea e você sempre fica com um enorme sorriso quando ela faz isso.
— Ela não é a única que faz isso, os outros também puxam conversa comigo! — Decidida a não querer conversar mais sobre aquilo, Erza se levanta, deixando o livro sobre a mesa e caminha em direção as portas duplas.
— Erza, espera! — Chamou a azulada, mas a cavaleira apenas a ignorou e continuou andando. — Antes de você, deixa eu lhe emprestar esse livro aqui. Acho que você vai gostar muito dele.
Ela interrompe seus passos e olha para a azulada, que já estava próxima e lhe entregava o livro. Erza pega o mesmo e lê a sinopse da capa para saber sobre do que se tratava e reparou nos avisos no rodapé, e rapidamente sentiu seu rosto ficar tão vermelho quanto seus cabelos.
— L-Levy! Q-que tipo de livro é esse? — Seu constrangimento era tão grande que as palavras saíram um pouco travadas.
— Ora, é um livro de romance. — Respondeu com um sorriso.
— E que tipo de romance tem esses avisos aqui? Sabe que tenho 14 anos, certo?
— E eu tenho 12 e estou lhe recomendando um livro pra adultos.
Erza olhou para o objeto de leitura em mãos e depois a menina de cabelos azuis.
— Só por pura curiosidade, você já leu esse livro?
— Claro que não! É um livro pra adultos!
— E por que está me recomendando um livro com esse tipo de conteúdo?
Levy pensou um pouco antes de responder.
— Ah, eu pensei que fosse gostar. Mas se não quiser... — Dizia já fazendo menção de tirar o livro das mãos de Erza.
— Não! Eu vou ler! — Respondeu um pouco alterada e sem esconder seu a vermelhidão do seu rosto. — E-eu fiquei curiosa com a história e...
— Tudo bem! — Interrompeu a maga da escrita sólida e acenando pra ela. — Faça uma boa leitura Erza!
— O-obrigada. Até mais. — E com isso, ela saiu da biblioteca.
Levy ficou sorrindo por alguns minutos, enquanto voltava para arrumar os livros que seus amigos haviam deixado espalhados sobre a grande mesa de madeira.
...
No dia seguinte Lucy e Lisanna foram visitar Natsu e ver como ele estava. Após ter recebido o golpe de Erza, as amigas o levaram até a enfermaria. Felizmente, apenas o olho foi o único ferimento adquirido e o garoto já se sentia muito melhor.
— Oii! — Cumprimentou ele ao ver as meninas.
— Bom dia Natsu! Como está seu olho? — Perguntou Lucy com um sorriso.
— Ah, ele já tá bom! — Respondeu ele abrindo um enorme sorriso exibindo suas presas. — Nem tá doendo e nem tão roxo como ontem! Tô me sentindo muito melhor!
— Que bom Natsu! — Falou Lisanna indo até o menino e o olhando mais de perto para ter certeza. — Verdade, está menos roxo. Logo você vai ficar bom.
— Eu já melhorei! Agora preciso cuidar do meu ovo!
Lucy se aproximava dos amigos com uma sacola branca em mãos.
— Nós viemos lhe ajudar, Natsu. — Comentou entregando a sacola para o garoto, que abriu e ficou sem palavras com o que tinha dentro. — Você gostou? Lisanna e eu pensamos que seria uma boa ideia, então compramos dois cobertores pra você colocar envolta do seu ovo pra ele ficar mais aquecido.
— Sim! E também queremos te ajudar a cuidar dele. — Acrescentou Lisanna. — Então quando você estiver ocupado com alguma missão, eu e a Lucy vamos cuidar do seu ovo.
A loira acenou concordando com as palavras da pequena albina.
Natsu não conseguia segurar a emoção que sentia, seus olhos começavam a lacrimejar, mas para que suas amigas não o vissem chorando, ele ficou de costas pra elas e rapidamente limpou seu rosto.
Mesmo com ele tentando esconder, as duas sabiam que ele estava emocionado e que queria esconder seus sentimentos delas.
Depois que se acalmou, o rosado voltou a olhar pra elas com um sorriso enorme em seus lábios.
— Valeu meninas! Eu tô muito agradecido! Eu vou lá colocar esses cobertores no meu ovo!
E com isso, os três seguiram para dentro da caverna.
…
Com o passar dos dias, Lucy e Lisanna revezavam com Natsu no cuidado do ovo, se certificando de sempre mantê-lo aquecido e dentro da caverna. Nos dias em que as duas não estavam juntas, em missão ou cuidado do ovo, elas ficavam na biblioteca pesquisando sobre o ovo e depois de lerem vários livros sobre o assunto, concluíram que não existia nenhum registro a respeito e que possivelmente poderia ser o ovo de alguma nova espécie.
Ou de algum dragão, como o próprio Natsu vivia dizendo.
Naquele momento, Lucy entrava na guilda após voltar de uma nova missão com Gray. Ambos estavam cansados, com fome e só queriam saber dormir.
— Lucy! Gray! Sejam bem vindos! Como foi a missão? — Perguntou Macao ao ver os dois jovens indo em direção ao balcão do bar.
— A missão foi bem sucedida, conseguimos pegar o bandido do museu e recebemos uma boa recompensa. — Respondeu o moreno satisfeito com o seu pagamento.
— Sim! Estou feliz, pois agora vou conseguir adiantar um mês do aluguel. — Acrescentou a loira com um enorme sorriso nos lábios.
— Wow! Então quer dizer que vocês receberam um bom dinheiro! Parabéns aos dois! — Os cumprimentou impressionado com feito dos dois.
— Obrigada Macao! — Agradeceu a loira com timidez.
— Valeu! — Gray agradeceu apenas com um aceno e seguiu seu caminho até o balcão. Lucy logo o seguiu.
Mira e Cana estavam sentadas nos bancos conversando quando os dois jovens se aproximaram.
— Oi meninas. — Cumprimentou Gray se sentando ao lado da morena.
— Gray cadê suas roupas? — Apontou Cana com um sorriso zombeteiro. O garoto olhou pra si mesmo, percebendo que estava apenas trajando sua cueca box azul marinho. Em desespero, se levantou pra ir procurar suas roupas, murmurando que aquilo só acontecia com ele.
Mira dava altas gargalhadas com a aflição do jovem Fullbuster, que acabara de vestir suas calças.
— Gray! Você é mesmo um pervertido e só tem 13 anos! Imagina daqui há 10 anos então? Vai ser um imoral sem limites e que toda a hora vai ser preso!
— Boa Mira! — Concordou Cana batendo sua caneca de cerveja com a caneca de suco de uva que a albina estava tomando antes de entornar tudo em um único gole. O impacto pode não ter sido muito forte, mas foi o suficiente pra derrubar um pouco do líquido de cada recipiente por cima do balcão de madeira.
Lucy, que havia se sentado ao lado da Strauss mais velha, apenas observava as amigas caçoando do garoto, deu um suspiro enquanto pedia ao barman da guilda uma taça de milk shake de morango. Ela não tentou impedi-las, pois já conhecia muito bem o humor sacana que as duas tinham e também a força corporal que Mirajane tinha acumulada, sem mencionar o fato de que a loira não queria entrar na lista das pessoas que a usuária da magia Take Over Satan Soul mais detestava da corporação.
— Hey Lucy! — Chamou Mira passando um braços sobre seus ombros. — Eu tenho duas perguntas muito importantes pra você. — Ela exibia um olhar sério para a loira, o que a fez sentir um arrepio em sua espinha. — A primeira é o que acha de ir em uma missão comigo?
Lucy toma um gole do seu milk shake antes de responder.
— Eu adoraria, Mira-san!
A albina abriu um enorme sorriso imensamente feliz e deu um forte abraço na jovem que quase a sufocou, mas ela não se atreveu a reclamar.
"Prefiro continuar com a minha vida.", pensou Lucy.
— Estou muito animada pra ir em uma missão com você, desde que a minha irmã me contou sobre sua primeira missão. — A demônia comentou batendo palmas. — Agora a minha segunda pergunta é... — Ela passou novamente seu braço por seus ombros. — Você gosta de algum garoto da guilda?
Aquela com certeza não era a pergunta que Lucy estava esperando e a única coisa que sentiu foi seu rosto ganhando um leve tom avermelhado.
— Ah, olha o rostinho dela Mira! Tá todo vermelhinho! Ela gosta de alguém!
— N-não! Não é nada disso! — Lucy tentou se explicar, acenando nervosamente, mas sem sucesso algum.
Antes que Mira tivesse a oportunidade de perguntar quem era a possível pessoa que a loira gostava, ela faz uma careta para a garota ruiva que se sentava ao lado da menina.
— O que você tá fazendo aqui, Scarlet?
Erza apenas a ignora, enquanto pedia um pedaço de bolo de morango para o barman e cumprimentava Lucy e Cana com um aceno, onde ambas retribuíram da mesma maneira.
Aquilo só enfureceu Mirajane, que esqueceu totalmente a garota de cabelos loiros ali ao seu lado e, sem querer, começou apertar seu braço ao redor de seus ombros
Lucy não escondeu a dor que sentia, mas também não tinha coragem de enfrentar Mira furiosa daquele jeito. Seria o mesmo que pedir pra morrer.
Percebendo o forte aperto na mais nova, Erza pegou a mão da albina e a retirou dos ombros de Lucy.
— Pra quem diz que gosta muito dos amigos, você tem um estranho hábito de machucá-los. — Proferiu cada palavra com fúria, já se levantando do banco.
— Pelo menos eu tenho amigos, mas e você que não tem nenhum? — A provocou com um sorriso zombeteiro.
Já prevendo o que iria acontecer, Cana pega a mão de Lucy e a puxa pra longe das duas. Os outros magos que estavam ali por perto também se afastavam.
— E quem disse que eu não tenho amigos, Strauss?
— Ora, até parece que alguém vai querer ser amiga de uma garota que nem ao mesmo sabe se vestir.
— Falou aquela só conhece trajes de uma prostituta.
Mira cerrou os punhos e apertou os dentes, encarando Erza com desprezo.
— Você realmente quer me provocar hoje, não é?
— Foi você quem começou, Mirajane. — Retrucou a cavaleira lançando o mesmo olhar para a demônia.
— E eu vou finalizar esfregando sua cara de água de cabelo de salsicha no chão! — Tomando um impulso, Mira avança em direção a Erza com o punho direito erguido.
— Quero ver você tentar, vassoura com cabelo de teia de aranha! — Erza também toma um impulso e avança na direção da albina com o punho direito erguido.
E mais uma vez, as duas estavam trocando chutes, socos e ofensas uma com a outra, sem se importarem com quem estavam em seus caminhos.
Um jovem mago de 18 anos com cabelos loiros bagunçados e pontiagudos, pele levemente bronzeada, vestindo uma camiseta amarela escuro por cima de uma blusa de manga comprida na cor preta, calças verdes escuro, sapatos pretos e um fone de ouvido ponte agudo na cor preto e cinza. Ele tinha uma distinta cicatriz em formato de raio sobre o olho direito. Esse jovem mago estava descansando em um canto da guilda, apoiado em um pilar de madeira, enquanto ouvia um pouco de Rock & Roll Clássico, e não se importava com o que acontecia a sua volta.
"Hoje eu só quero relaxar e não pensar em nada.", pensou Laxus soltando um longo suspiro com um pequeno sorriso nos lábios.
Contudo, seus pensamentos e sua calma são interrompidos com os passos frenéticos de Cana puxando Lucy pela mão. Ele as encarou por um segundo antes de remover seus fones de ouvido.
— Hey! Cana. Lucy. Qual é o problema? — As duas olham pra ele e apontam para o meio do hall da guilda. Laxus vira o rosto na direção apontada e solta um suspiro de deboche. — Fala sério, elas não tem mais o que fazer? — E com isso, ele recoloca seus fones e volta a ouvir sua música.
— Por que você para elas, Laxus? — Perguntou Cana afastando um dos lados do fone do loiro.
— Não é porque eu sou o neto do velhote que eu sou obrigado a resolver os problemas internos da guilda. Ainda mais quando ele não está presente.
— Hum! Pra quem diz que quer o próximo Mestre da Fairy Tail, você tá sendo meio negligente nesse quesito. — Provocou Cana cruzando os braços.
Laxus olha para a morena com desinteresse e depois olha para a Lucy, que apenas estava observava em silêncio.
— O dia que eu for Mestre da guilda, eu cuidarei dos problemas internos do meu jeito. Agora me deixa em paz, Cana. — Laxus recoloca seus fones e aumenta o volume da sua música no máximo.
— Ora, seu... Seu... — Cana preparava o punho esquerdo para dar um soco bem no meio do rosto do garoto mais velho, mas sente a mão de Lucy em seu ombro, a afastando dele.
"Pelo menos a novata é inteligente.", pensou Laxus.
Cana é levada até uma mesa, onde Elfman estava sentado com um livro sobre magia Take Over em mãos. A morena se sentou à frente do menino com Lucy logo ao lado.
— Oi Elfman! Tudo bem? — Cumprimentou ela com um sorriso.
— E ai Elfman? Qual é a boa? — Saldou Cana do seu jeito.
O garoto de cabelos brancos ergue seus olhos e abre um sorriso tímido pra elas.
— Oh, olá Lucy! Olá Cana! Tudo bem comigo e com vocês? — Perguntava fechando o livro pra atenção as amigas.
— Estamos ótimas! — Respondeu a loira, com a maga cartomante concordando e repara no livro. — O que está lendo?
— Ah, estou lendo um livro sobre magia Take Over. Quero aprender a controlar minha magia como as minhas irmãs. Eu não sou tão habilidoso como elas, mas eu leio e treino bastante. — Ele responde com timidamente e com o rosto levemente corado.
— É mais fácil você aprender a controlar com treino do que lendo. — Comentou Cana pegando o livro e o folheando rapidamente. — Me dá dor de cabeça só de passar as páginas, imagina ler então?
Soltando um pequeno resmungo, Lucy tira o livro das mãos da morena e o devolve para Elfman.
— Acho que cada um tem seu jeito de praticar magia. — Falou olhando para a amiga e depois se virando pro garoto. — Acho que você está indo bem, Elfman. Continue se esforçando do seu jeito!
— Ah, obrigado Lucy! — Agradeceu sorrindo largamente, voltando a abrir o livro na página que havia parado. — Ah, Lucy. Eu posso te perguntar uma coisa?
— Claro!
— Lisanna andou comentando bastante sobre o ovo do Natsu e queria saber... Se... Se... É um ovo de algum pássaro?
Era perceptível o quanto o jovem Strauss estava envergonhado, mexendo as pernas e as mãos nervosamente.
Com a intensão de deixá-lo mais calmo, Lucy estende uma mão e toca o ombro dele.
— Elfman, não precisa ficar nervoso. — Disse com simpatia. — E sobre sua pergunta, eu, a Lisanna e a Levy-chan pesquisamos em todos os livros da guilda e não encontramos nada sobre o ovo do Natsu. Acredito que possa ser alguma espécie nova, já ele diz que é de um dragão. Só que agora estamos esperando ele nascer pra ter certeza do que é.
— Mas e se não for um dragão? — Perguntou Cana um tanto curiosa.
— Natsu diz que vai ficar com ele mesmo assim, só que ele tem muita certeza de que é um dragão. Lisanna e eu meio que estamos preparando ele pra uma possível decepção se não for um. — Respondeu se levantando da mesa. — E falando nisso, eu vou lá ver eles. Até mais tarde!
E com essa despedida, a jovem maga celestial deixa a guilda e segue em direção a floresta. Antes de sair pelas portas duplas de madeira, Lucy dá uma rápida olhada na direção de Erza e Mira, e vê Macao e Wakaba tentando separá-las inutilmente.
"Eu queria que elas fossem boas amigas.", pensou ela ao sair.
Cana e Elfman permaneceram em seus lugares, enquanto a morena pega uma caneca de cerveja do barman que passava e toma um bom gole da bebida alcoólica.
— Ah, eu estava precisando! — Dizia sorridente e olha para o garoto de cabelos brancos ao lado, encontrando um semblante triste e cabisbaixo. — Elfman, o que foi? Por que está triste?
— Er .. Bom, é que eu... — ele pensou se deveria ou não dizer o que estava sentindo, mas o olhar de Cana o dizia pra ele continuar e não ter medo. — É que eu também queria ter um ovo como o do Natsu, sabe? Ele falou várias vezes sobre ele e fiquei com vontade ter um também. Talvez assim eu pare de ficar pensando no meu passarinho vermelho que sumiu.
— Hum... Entendi. — Respondeu ela bebendo mais um gole da sua cerveja. — Mas quem sabe ele não volta pra você, hein? Talvez quando você menos esperar, ele vai aparecer.
Pensou que tivesse deixado o amigo desanimado ao vê-lo abaixar o rosto, mas quando este ergueu os olhos com um sorriso, a morena se sentiu aliviada.
— Você está certa! Ele ainda pode voltar! Obrigado Cana!
— Ah, de nada! — E ela bebeu o restante da sua bebida, logo se levantando para ir pegar mais.
...
Enquanto isso na floresta próximo a caverna / casa de Natsu, o jovem Dragon Slayer estava passeando com seu ovo nos braços, acompanhado da Strauss mais nova. Eles estavam sorrindo largamente enquanto andavam.
— Será que hoje ele vai mexer de novo? — Perguntou Lisanna passando a mão sobre o ovo.
— Eu espero que sim! — Respondeu o garoto com animação. — Espera só a gente contar pra Lucy! Ela vai adorar saber disso!
— É verdade! É uma pena que ela não estava aqui quando ele mexeu pela primeira vez.
— Ela saiu em uma missão, não é?
— Sim, ela foi com o Gray.
A menção do nome do moreno fez o garoto de cabelos rosados exibir uma expressão de desgosto logo seguida de uma careta.
— Ah, fala sério! Com tanta gente pra ir em missão, por que logo com a princesa do gelo?
— Eles são amigos Natsu. Assim como nós três somos.
— Tá bom, mas não entendo por que ela teve que ser amigo dele também... — Resmungo chutando uma pedra que estava no caminho. — Eu sou um amigo muito melhor que o Fullbuster!
— Mas o Gray não é uma má pessoa... — Disse Lisanna tentando deixar seu amigo mais calmo.
— E daí? Eu não ligo! Não gosto dele, assim como também não gosto da chata da Erza! Que também é outra pessoa que a Lucy quis ser amiga!
Lisanna tenta se segurar, mas acaba rindo das caretas que Natsu fazia sempre que mencionava os colegas.
— Eu também sou amiga deles e eu não vejo nenhum problema dela ser amiga deles também.
— Eu sim! Gray e Erza são chatos! A Lucy é legal! Pessoas legais não devem ter amigos chatos!
— Isso não faz muito sentido, Natsu...
— É claro que faz!
Rindo novamente e balançando a cabeça, a pequena albina achou melhor não tentar mais argumentar com o amigo, ele era teimoso demais pra entender.
Eles continuaram andando e conversando outros assuntos, principalmente em relação ao ovo e com o que poderá nascer dele.
Naquele momento, os dois escutam barulhos vindos de um arbusto próximo. Eles param de caminhar e ficam alertas, olhando tudo à sua volta, à espera do que possivelmente era uma ameaça a eles aparecer. Natsu entregou seu ovo para Lisanna e caminhou dois passos a frente, ficando na frente da garota.
— Quem está ai? Apareça e me enfrente se você tem coragem! — Gritou Natsu esperando que seja lá o que for fosse embora.
Como já imaginavam, eles escutam os barulhos novamente juntamente com passos e grunhidos.
De repente, uma enorme criatura emergia dos arbustos, olhando para os dois jovens com um sorriso perverso nos lábios molhados com a própria saliva. Ele tinha cinco metros de altura, com grandes e musculosos braços e mãos, orelhas pontiagudas, um único chifre em formato de cone bem no topo de sua cabeça, suas pernas eram mais finas, semelhantes aos membros de um homem adulto com uma cauda longa conectada a parte inferior do seu torso. Seu corpo era coberto por pelos, com exceção das mãos, dos pés, do rosto, do chifre e do abdômen. A cor desses membros citados eram lilás, seus pelos da parte superior do seu corpo eram verde, exatamente como as folhas das árvores, e os de suas pernas e cauda eram de um verde bem escuro, como os musgos.
Ao reconhecerem o que era aquele monstro, ambos os jovens ficam paralisados.
— É UM GORIAN! E É ENORME! — Gritou Lisanna assustada e abraçando o ovo.
Apesar do medo que sentia, Natsu não recuou e continuou firme em seu lugar, apenas se preparando para um provável combate.
O Gorian olha pra eles, ainda sorrindo e babando, e aponta um dedo na direção de Lisanna. Mais precisamente, no ovo que a menina tinha em seus braços.
— Ovo! Eu quero esse ovo! Passe ele pra mim! Agora! — Exigiu enquanto exibia seus grandes dentes.
Aquilo enfureceu Natsu, que deu um passo à frente com os dentes trincados.
— Você quer o meu ovo? Pois vai ficar querendo, seu Vulcão da Floresta de merda! — Os Gorian também eram conhecido popularmente como Vulcão da Floresta, por isso que Natsu o chamou assim. Ele correu na direção do monstro com o punho direito erguido e o socou bem no meio de sua barriga.
O monstro deu uma gargalhada alta encarando o garoto de cabelos rosados.
— E você chama isso de soco, menininho? Tá mais pra uma massagem daquelas meninas lindas que são massagistas. — Provocou ele rindo novamente.
— Como é que é, seu maldito vul...? — A frase do rosado fica incompleta ao ser acertado por um único tapa do Gorian, o deixando quase desacordado no chão.
— Natsu! — Gritou Lisanna olhando para o amigo e depois para os lados. — Espera, eu vou te ajudar!
— NÃO! — Berrou o garoto se esforçando pra se levantar, ele tinha um pequeno corte sobre a sobrancelha esquerda e um no canto no boca. Assim que ficou em pé, se posicionou novamente e ergueu os punhos. — Proteja o ovo! Ele é o nosso ovo! Meu, seu e da Lucy!
— M-mas Natsu...
— Fica com ele! Proteja-o! Eu não vou deixar esse desgraçado passar por mim! — Gritou e correu na direção daquele gorian. — VOCÊ OUVIU BEM MALDITO?! EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ PEGAR O OVO! EU SOU O FILHO DE UM DRAGÃO E NÃO VOU PERDER PARA UM MACACO VERDE DA FLORESTA!
Antes que os punhos de Natsu chegassem perto do monstro, o mesmo lhe deu outro tapa e o fazendo bater com as costas em uma árvore e cair de cara no chão. Parecia que não iria se levantar dessa vez.
— Natsu! — Gritou a menina chorando ao ver que seu amigo não se mexia. — Natsu! Acorda e usa magia! Natsu! Natsu!
— Nem usei toda a minha força. — Comentou a criatura rindo de forma irônica, se virando na direção de Lisanna e do ovo. — Agora é hora do meu jantar!
Sem nem esperar, a pequena albina começou a correr na direção oposta, tendo cuidado para não tropeçar com o ovo em mãos.
O gorian continuou avançando, enquanto ria e estralava seus dedos, já imaginando o sabor daquele ovo que a menina carregava quando sentiu algo batendo em sua cabeça, notou que era uma pedra. Ele parou de andar, se virou e viu que quem havia jogado a pedra era o garoto de cabelos rosa e cachecol quadriculado.
— Ah, mas você não desiste não, moleque dos infernos? — Resmungou já sem nenhuma paciência e correndo com tudo na direção dele.
— Eu? Desistir? Nem em seus sonhos. Eu sou o filho do Igneel e um mago da Fairy Tail! — Falou se desviando rapidamente do soco do gorian com um pulo, mas ele foi atingido no ar por outro golpe que o fez voar pra longe, bem na direção de uma enorme rocha.
— E quem se importa? Você não pode me vencer de maneira alguma. — Se virando de costas pra continuar perseguindo Lisanna.
Como aquele gorian estava redondamente enganado, como suas ações e palavras estavam completamente equivocadas.
No instante em que ele se virou, Natsu rapidamente aproveitou aquela grande rocha pra ganhar um impulso em suas pernas e se lançar no ar com um pulo de volta para aquele monstro faminto.
— E você devia ser pensar bem antes de encarar alguém como eu! — Proferiu com o punho direito erguido, um círculo mágico alaranjado envolveu seu braço e sua mão ficou completamente envolvido em suas chamas. — Porque me derrotar era totalmente impossível para você! — Quando o gorian percebeu o que estava acontecendo, já era tarde demais pra ele. — Karyū no Tekken!
Aquela foi a primeira vez em que Natsu conseguiu realizar aquele feitiço e aquele golpe com perfeição, sem nenhuma falha, e o resultado se encontrava caído no chão, totalmente desacordado e com parte dos pelos do seu rosto chamuscados pelas chamas ainda presentes no punho do jovem Dragon Slayer.
Ele estava satisfeito com a vitória e por ter conseguido defender sua melhor amiga e seu ovo, Natsu usou seus sentidos apurados para encontrá-la e sorriu ao descobrir onde ela estava escondida.
...
— Meu Deus do céu... Mas o que foi que aconteceu aqui? — Murmurou Lucy já na floresta, enquanto passava com cuidado ao lado de um gorian de pelagem verde caído no chão com uma parte do rosto queimada.
"Isso foi o Natsu?", pensou ela deixando o monstro desmaiado para trás, seguindo em direção a caverna do rosado.
Assim que chegou ao local, viu o seu melhor amigo com machucados no rosto e nas mãos, alguns rasgos em suas roupas e sua melhor amiga Lisanna cuidando dos ferimentos dele.
— Hey! Isso dói! — Reclamou Natsu puxando seu braço com um bico.
— Se você não se mexesse tanto, não doeria tanto assim! — Contradiz Lisanna também fazendo um bico.
— E de que adianta não se mexer se vai doer mesmo assim? Não tem sentido!
— Tem se você ficar quieto!
— Mas é claro que não tem!
Nenhum deles havia percebido a chegada da loira, que apenas entrou na caverna, se sentou ao lado do ovo e riu baixinho da discussão dos amigos.
— Vocês dois parecem marido e mulher brigando!
Foi só quando Lucy se pronunciou que eles perceberam que ela estava ali, sentada perto do ovo e rindo da discussão deles.
— Hã? Como é que é? — Natsu ficou descrente com a declaração da amiga, ficando com o rosto levemente corado.
Já Lisanna estava com o rosto totalmente vermelho e não conseguiu disfarçar um pequeno sorriso que surgiu em seus lábios, um sorriso que a maga celestial notou no mesmo segundo.
"Lisanna gosta do Natsu.", pensou ela e pelo que ela podia perceber, Natsu parecia gostar dela também.
— Nós somos como uma família! — Falou Lucy com um sorriso. — Natsu é o pai, Lisanna é a mãe e o ovo é o bebê.
— Mas e você, Lucy? — Perguntou a albina.
— Eu serei a tia!
A afirmação da amiga fez com que Lisanna sentisse seu peito se aquecer e seu coração bater duas vezes mais rápido. Até aquele momento, ela sempre pensou que Lucy gostasse de Natsu, já que tanto ela quanto a loira passavam bastante tempo com o garoto. Porém, o jeito que a amiga falou a respeito deles, colocando Lisanna propositalmente como a mãe e o Natsu como pai, apenas fez com que ela criasse esperanças de um futuro ao lado do rosado.
Desde o início da amizade entre os três, Lucy podia notar o quanto Lisanna adorava ficar ao lado do Natsu, sempre se divertindo com as palhaçadas e com o jeito do menino, mesmo ele sendo bem agitado, impaciente e quase que o tempo todo um brigão. Para a Strauss mais nova nada daquilo importava, pois ela gostava de verdade do jovem Dragon Slayer.
— E por que eu tenho que ser o pai? — Questionou o garoto cruzando os braços sobre o peito.
— Porque o ovo é seu e você é o único garoto aqui presente. — Respondeu Lucy. — A não ser que você queira que chamemos o Gray pra ficar com a gente e cuidar do seu ovo. — Provocou sabendo bem como a menção ao moreno o irritava.
E não foi diferente, Natsu praticamente surtou e gritou alto, expelindo fogo para o teto da caverna.
— ATÉ PARECE QUE AQUELE NUDISTA VAI FICAR PERTO DO MEU OVO! EU QUE SOU O PAI!
As duas não conseguiram não rir da reação exagerada do amigo, que ficou implicando com elas e reclamando dos curativos que Lisanna passava em seus ferimentos.
Os três passaram o resto do dia juntos, brincando e se divertindo. Os dois contaram a loira sobre as vezes em que o ovo havia se mexido. Ela fez um grande bico, pois queria ter estado ali naquele dia, mas ficou muito feliz pela notícia. Natsu também contou a Lucy todos os detalhes de como derrotou o gorian da floresta e de como não deixou ele chegar perto de Lisanna e do ovo, além de ter ficado extremamente feliz por ter conseguido realizar um de seus feitiços com tamanha perfeição que deixaria Igneel extremamente orgulhoso dele.
Lucy também contou a eles como foi a missão com Gray. Basicamente, eles tinham que serem seguranças de um museu de quadros e pinturas antigas por algum tempo até descobrirem quem estava querendo roubar aquelas obras de arte. Demorou dois dias para o mago do gelo e a maga celestial encontrarem o verdadeiro culpado e o levarem as autoridades competentes.
— Que legal Lucy! Quer dizer, tirando a parte que você foi com o Gelinho, mas gostei demais dessa missão que você foi! Quanto você ganhou de recompensa?
— Natsu não se pode perguntar esse tipo de coisa pra alguém! Isso é ser indelicado! — Repreendeu Lisanna.
— Hein? Mas foi só uma pergunta!
Lucy deu uma risadinha com a pequena discussão de seus amigos.
"Eles realmente parecem marido e mulher."
— Está tudo bem, Lisanna. Eu não me importo de responder isso. — Falou tentando apartar a situação entre os dois. — O total era 200.000 jóias. Gray e eu dividimos igualmente entre nós dois.
— Ah, então você recebeu 100.000, não é? — Indagou Natsu mesmo sabendo a resposta.
— Sim! Consegui adiantar um mês do aluguel.
— Isso é muito bom, Lucy!
— É, mas acho que você poderia economizar seu dinheiro se morasse em uma caverna, como eu faço! — Sugeriu o garoto com um sorriso largo nos lábios.
Lucy pensou por um segundo.
— Er… Não, obrigada. Eu prefiro meu apartamento mesmo.
Os três riram e continuaram conversando vários assuntos aleatórios, a maioria era sobre as novas missões que estava no quadro da guilda. Eles já fazia planos e decidiam com quem queriam formar uma equipe.
Aquele tempo entre os três passou rapidamente e dentro desse período, o ovo do Natsu se mexeu mais algumas vezes, para a felicidades dos jovens magos. Eles estavam bastante animados pra verem o que iria nascer daquele ovo.
Percebendo que estava perto de anoitecer, Lucy decidiu ir pra sua casa descansar. Apesar de ter passado uma ótima tarde com seus melhores amigos, ela estava cansada e queria muito dormir. Se despediu deles e seguiu seu caminho de volta pra cidade e, consequentemente, sua casa.
Lisanna decidiu que iria passar a noite na caverna com Natsu para ajudá-lo a manter o ovo aquecido e garantir que ele também não tirasse as bandagens que a menina fez em seus ferimentos. Quando foi a hora pra eles dormirem, enrolaram os cobertores ao redor do ovo, se deitaram ao seu lado em sacos de dormir, o abraçaram com cuidado e adormeceram.
Algumas horas mais tarde, uma figura misteriosa entra na caverna, vê o ovo entre as duas crianças adormecidas, o pega e o leva pra algum lugar.
…
Na manhã seguinte, o primeiro som que se é ouvido por toda a floresta são os gritos de duas crianças assustadas e desesperadas. Podemos dizer que todos os animais e criaturas que moram ali perto despertaram bem mais cedo do que pretendiam após isso.
— Cadê? Cadê? Cadê? CADÊÊÊÊ? — Gritava Natsu em total aflição, jogando pedaços de feno, os dois sacos de dormir e cobertores pra todos os lados. — CADÊ MEU OVO?
Lisanna também fazia o mesmo, procurando pelo enorme ovo desesperadamente.
— Cadê ele Natsu?
— Eu não sei!
— Como ele sumiu?
— Eu não sei!
— Mas a gente tava abraçando ele!
— Eu sei disso!
— Então cadê o ovo?
— EU JÁ DISSE QUE NÃO SEI! — Natsu praticamente berrou, caindo de joelhos se segurando para não chorar, mas foi totalmente em vão, pois algumas lágrimas já escorriam por seu rosto.
Ter aquela visão do amigo partiu o coração de Lisanna, que foi até ele, se ajoelhou na sua frente e o puxou pra um forte abraço.
Mesmo em silêncio, o garoto desabou a chorar abraçado a menina, ainda sem conseguir acreditar no que aconteceu.
— Quase um ano cuidando dele... Mantendo ele aquecido... Tendo todo o cuidado pra não deixar ele cair ou deixá-lo ficar frio... Pra no final alguém roubar ele de mim... Não é justo! Isso não é justo! — Cada palavra saia aos soluços, enquanto apertava com força a blusa da amiga.
Lisanna não sabia o que dizer, mesmo estando tão nervosa quanto o garoto, sabia o quanto aquele ovo era importante para Natsu e o quanto ele estava sofrendo com o sumiço.
— Nós vamos achá-lo, Natsu. Eu sei que vamos. — Falou na tentativa de trazer alguma esperança pro menino.
Nesse instante, Lucy chegava na caverna pronta para ajudar Natsu a cuidar do ovo, mas parou ao ver seus amigos se abraçando com expressões tristes e achou aquilo bem estranho.
— Natsu? Lisanna? O que houve? — Ela se aproximou já perguntando e se ajoelhando perto dos amigos. Foi quando ela notou a bagunça e que o ovo do Natsu não estava ali. — Aconteceu alguma coisa? Onde está o ovo?
Sem deixar de abraçá-lo, Lisanna olha para Lucy com um semblante triste, ainda não conseguindo acreditar naquela realidade dolorosa.
— O ovo sumiu.
Lucy arregalou seus olhos.
— O quê? Mas como? Como sumiu?
— Não sabemos, nós... — Ela foi interrompida por Natsu que saiu do seu abraço e caminhou até onde o ovo costumava ficar. — Nós apenas acordamos de manhã e o ovo já tinha sumido. Não temos nenhuma ideia do que aconteceu e nem quem poderia ter pego ele.
— Mas isso é muito estranho... E não tem como ele ter sumido... — Dizia pensativa. — Nem mesmo um gorian poderia ter pego ele, a caverna é apertada demais pra ele. Tem que ter sido algum ser humano...
— Eu acho que sei quem foi... — Murmurou Natsu em pé com um olhar sério, enquanto tinha um dos cobertores próximo ao seu nariz. — Quero dizer, não sei exatamente quem é, mas eu sei que é de alguém da guilda.
As duas o encaravam com os olhos arregalados e em choque.
— Natsu... Você tá dizendo que foi um colega nosso que roubou seu ovo?
— Sim Lisanna, é exatamente isso.
— Mas você tem certeza?
— Tem o cheiro de alguém da guilda nesse cobertor.
— Mas pode ser o meu ou da Lisanna.
— Não é o cheiro de vocês. Vocês duas têm cheiros diferentes e eu já memorizei quais são. Esse aqui é de alguém da guilda, pois é muito familiar e eu só sinto esse cheiro lá. Por isso que eu sei que foi alguém da guilda.
Por mais improvável que seja, o raciocínio de Natsu fez muito sentido para as duas.
Os três saíram da caverna, com o rosado na frente e cerrando as mãos com raiva.
— Seja quem foi que roubou meu ovo, eu vou fazer pagar!
...
Já na guilda, os três amigos entravam pelas grandes portas duplas de madeira e caminharam calmamente até o bar. Pelo menos, as duas meninas aparentavam estarem um pouco mais calmas do que o garoto raivoso de cabelos rosa.
— O que você acha que ele vai fazer? — Lucy perguntou baixinho para Lisanna, que apenas acenou negativamente, sem nenhuma ideia.
Sem perder mais tempo, Natsu subiu no balcão do bar, ignorando as reclamações dos outros membros, estufou o peito e falou:
— EU QUERO SABER QUAL FOI O BASTARDO DE MERDA QUE ROUBOU O MEU OVO! — Na verdade, ele berrou. — SE VOCÊ TEM CORAGEM O BASTANTE, VEM AQUI E ME ENFRENTE!
Todos pararam tudo o que faziam para encararem um Natsu bufando e trincando os dentes de raiva, apertando as mãos com tanto força que até os nós de seus dedos ficaram brancos. Alguns não tinham a menor ideia sobre o que ele estava falando e outros simplesmente acharam melhor ignorarem ele. Aqueles que sabiam sobre o ovo, apenas se entreolharam sem saber o que dizer.
Uma risada baixa é ouvida, enquanto um garoto de cabelos pretos se levantava e andava até onde Natsu estava.
— Eu não acredito que você tá fazendo todo esse escândalo por causa de um ovo. — Falou Gray zombeteiro, já deixando sua camisa no chão. — E já digo que não peguei seu ovo idiota. Mas qualquer oportunidade de chutar seu traseiro com você é sempre bem vinda.
Natsu desceu do balcão com um pulo, parando bem de frente com o moreno. Ele acendeu seu punho com suas chamas, já pronto pra batalhar.
— Oh, aprendeu a usar magia agora? — Implicou Gray também já se preparando pra batalhar.
— Eu sempre soube, mas agora vou conseguir arrebentar direitinho essa sua cara de princesa!
— Então vamos ver do que você é capaz!
Um punho envolto em chamas e um punho coberto de gelo estavam prontos para atingirem seus alvos. Natsu e Gray queriam saber qual dos dois era o mais forte e a aquela disputa está prestes a ser decidida.
— Natsu! Gray! Parem com isso! — Gritou Lucy se pondo entre os amigos.
— Lucy! Não faz isso! — Lisanna tentou impedir, mas foi totalmente em vão.
É claro que Lucy sabia que seria atingida por seus dois amigos e que ficaria muito ferida depois daquilo, até fechou os olhos a espera do impacto.
Mas ela não foi atingida.
Na verdade, os dois nem conseguiram concretizar seus ataques, pois alguém havia impedidos eles.
— Sabe... Você precisa parar de se colocar em perigo levianamente. — Falou Erza com um olhar sério e ambos os braços esticados com os punhos enterrados nas faces de Natsu e Gray.
Quando Lucy abriu os olhos, percebeu que estava com o rosto bem próximo ao da ruiva e sentiu o sangue correr para suas bochechas, o tom rivalizando com os da garota a sua frente.
— D-desculpa... — Pediu ela com nervosismo, se afastando da cavaleira.
Erza deu um suspiro e olhou para os garotos briguentos, eles se encontravam caídos sentados no chão, massageando suas bochechas.
— O que foi que deu em vocês dois, hein? Aliás, qual o problema de vocês que não impediram eles de brigarem outra vez? — Ela questionou fitando a todos seriamente.
— Aaahh! Erza, sua estraga prazeres! Por que não deixou eles se nocautearem? Eu queria tanto ver isso!
Erza apenas se virou na direção da voz e já cerrou os punhos ao fitar Mirajane com um sorriso presunçoso nos lábios arroxeados.
— Você realmente gosta de me irritar, não é Mirajane?
— É claro! É o meu passatempo favorito! Estou até sentindo uma saudade grande de socar essa sua cara de baiacu!
— Até parece que você consegue me acertar, piranha de água doce!
— Mas só tem um jeito de resolvermos isso! — Mira dizia avançando rapidamente até a ruiva transformando seu braço todo o de uma criatura demoníaca.
Erza rapidamente tirou Lucy da frente, reequipando um luva metálica e acerta o punho de Mira.
E como era de se esperar, as duas começaram a brigarem mais uma vez, não se importando com quem ou com o que estivesse no caminho novamente.
Aproveitando aquela rápida deixa, Lucy e Lisanna ajudam Natsu a se levantar, enquanto Cana corria pra ajudar Gray.
— Tá tudo bem, Natsu?
— Sim, eu tô bem Lisanna... — Ele responde cabisbaixo.
As duas se entreolham antes de se voltarem para o amigo.
— É sobre o ovo, Natsu? — Ele apenas assente e passa o antebraço rapidamente sobre o rosto. — Calma, nós vamos encontrar ele.
— Como? Quase todo mundo aqui me ignorou e ninguém aqui tá ligando pra isso.
— Como não? Eu e a Lisanna estamos! — Afirmou Lucy com Lisanna ao seu lado confirmando.
Natsu olhou para as amigas e sorriu.
— É, você tá certa Lucy! Vocês duas se importam e isso já me deixa feliz! Vamos encontrar meu ovo!
Foi naquele instante que Cana se aproximou deles, com Gray ao seu lado, e ergueu uma sobrancelha ao ouvir a palavra "Ovo".
— Espera um pouco. Ontem, o Elfman comentou alguma coisa sobre querer um ovo como o do Natsu e algo sobre parar de pensar no pássaro que ele perdeu ou algo assim.
Os três se viraram pra ela, mas foi Natsu que praticamente pulou em cima, a derrubando no chão.
— Cadê ele? Cadê o Elfman? Pra onde ele foi com o meu ovo? O que ele quer com o meu ovo? Ele comeu o meu ovo?
— Não! É impossível o Elf-nichann ter comido o ovo! — Dz Lisanna defendendo o irmão.
— Então, onde ele está?
Como se tivesse acabado de ouvir seu nome, Elfman entrava na guilda, carregando nos braços o enorme ovo branco com machas azuis de Natsu.
— Natsu... Lisanna... Lucy... Eu peço desculpas. — Pediu se aproximando deles um pouco envergonhado e abrindo um sorriso bem tímido.
Ao ver o seu tão amado ovo, Natsu pulou de alegria e imediatamente quis pegá-lo, Elfman o entregou na mesma hora.
— Meu ovo! Meu ovinho! Você tá bem, né? Você tá bem! Eu tô tão feliz! — A vontade do garoto era de abraçar seu ovo, mas tinha consciência de que não podia fazer isso.
Lisanna e Lucy estavam igualmente felizes por ver o ovo novamente e mais ainda ao verem seu amigo com ele. Os três ficaram aliviados, mas também tinham alguns questionamentos.
— Elf-nichann, por que você pegou o ovo do Natsu?
O garoto esfregou a parte de trás da cabeça de nervosismo antes de responder.
— Bom, eu meio que fiquei curioso sobre o ovo do Natsu e quis ver como ele era. Então ontem, depois que a Lucy saiu, eu sai alguns minutos depois e segui ela até sua caverna e vi vocês três cuidando do ovo. Eu queria entrar e participar também, mas eu fiquei com vergonha e só fiquei olhando de longe. E no meio da noite, eu vi que vocês dois haviam soltado o ovo e ele estava esfriando. Então, eu criei coragem, entrei na caverna, peguei o ovo e fui aquecê-lo. — Ele estava mais envergonhado e não conseguia olhar para os amigos. — Eu não sou tão habilidoso com magia, como vocês. Mas eu consegui manter o ovo aquecido e seguro. Peço desculpas por ter pego seu ovo, Natsu.
Nenhum deles falou nada até o momento em que Lucy cutucou as costas do Natsu.
— Ah, sim. Er... Tudo bem, Elfman. — Falou com um sorriso sem graça, pensando o quanto que ele havia exagerado ao dizer que faria a pessoa que pegou o seu ovo se arrepender de ter feito isso. — Eu fico muito agradecido pelo que você fez. Muito obrigado, cara!
Nesse meio tempo, Erza e Mira já tinham parado de brigar e estavam ali assistindo aos dois e Mestre Makarov estava chegando a guilda após participar de uma reunião do Conselho de Mestres. Ele percebeu suas crianças todas juntas e sorriu ao vê-los conversando e não brigando, como era de costume.
— Boa tarde, Mestre. Como foi a reunião? — Macao o cumprimentou, se sentando em um dos bancos do balcão do bar ao lado do seu melhor amigo, Wakaba
— Foi a mesma coisa de sempre e mais uma vez, eu recebi uma advertência por destruição de construções de casa, lugares públicas. — Respondeu enquanto subia as escadas para o seu escritório. — Eu disse que meus magos são jovens e que quando ficarem mais velhos, eles serão mais cuidadosos.
"Eu espero que seja assim.", pensou o senhor entrando em sua sala e fechando a porta.
Voltando aos jovens, todos ficaram olhando para Natsu e se surpreenderam ao verem o quanto ele era cuidadoso com seu ovo, até mesmo quando ele enrolou seu precioso cachecol envolta dele.
Mira passou um braço sobre os ombros do irmão e murmurou:
— Puxa Elfman, você bem que podia ter cozinhado esse ovo pra nós. Ele teria dado uma boa omelete!
— Nee-chan! Isso é muita maldade! — Falou ele se sentindo envergonhado pelo jeito cruel da sua irmã.
— É verdade, Mira-nee! O ovo do Natsu é precioso pra ele!
— Ora, e daí? Eu ainda tô surpresa dele não ter comido esse ovo. Talvez ele não poderia fazer isso por causa das duas amigas que não o deixavam sozinho.
Lisanna e Lucy ficaram em choque, principalmente a pequena albina que não conseguiu evitar que algumas poucas lágrimas de escorrerem.
— Por que você é tão má com os nossos amigos?
Mira deu de ombros olhando pra todos.
— Nem todo mundo aqui são meus amigos.
Não precisava de muitas pistas pra entender que ela estava se referindo a garota ruiva de armadura.
Erza deu um passo à frente, encarando a Strauss com seriedade.
— O que foi, Scarlet? Perdeu alguma coisa na minha cara?
— Você realmente não tem um pingo de amor em seu coração, porque eu acho que se tivesse, você não faria sua irmãzinha chorar. — Erza não controlou as palavras e não se importou em dizer o que muitos não tinham coragem de fazer.
— O que você disse? — Mira trincou seus dentes e cerrou seus punhos.
— Gente, parem! Por favor! — Pediu Lucy se colocando entre as duas. — Por que não podem ser amigas? Eu acho que as duas seriam boas amigas se tentassem.
A cavaleira e a demônia se olharam, imaginando aquela possibilidade e apenas ficaram expressões de repulsa.
"Eu? Amiga dela? Isso é impossível!", pensaram ao mesmo tempo.
— Ah, quer saber? Eu já tô cansado disso. Vou pra casa. — Natsu falou pegando seu ovo e se virando pra ir pra casa.
De repente, o ovo em seu colo se mexeu e começou a rachar.
Aquilo imediatamente, chamou a atenção de todos, que se aproximavam, se aglomerando ao redor do garoto.
— Meu ovo... Ele...
— Ele tá rachando! — Comentou Gray boquiaberto.
— Ele vai nascer!
Assim que o ovo eclodiu, uma forte luz azul saiu de entre as cascas e flutuou sobre as cabeças de todos os membros da guilda. Muitos já especulavam que era alguma tipo de maldição, outros aquilo iria matá-los, as crianças apenas esperavam ansiosamente para o que poderia ser. Quando a luz se foi, a criaturinha que estava ali surpreendeu a todos. Era pequena e azul, sua barriguinha, seu par de asas e a ponta da sua cauda eram brancos. Ele flutuava suavemente sobre as cabeças de todos até que pousou sobre os cabelos rosados de Natsu.
— M-mas... — Murmurou uma pessoa.
— É um... — Murmurou outro.
— GATO?
Como resposta, o pequeno gatinho abriu seus olhos e proferiu um tímido "Aye!".
Natsu sorriu completamente maravilhado, pegando o gatinho com cuidado e mostrando para todos os seus amigos e colegas, que também estavam sorrindo para o garoto e para seu novo bichinho.
— É um gatinho! Ele é muito fofo! — Falou Lisanna passando a mão sobre a cabeça dele.
— Nem acredito que nasceu um gatinho azul com asas. — Comentou Lucy também fazendo carinho no bichano. — Quem poderia imaginar, não é?
— Ele não é um dragão. — Falou Natsu sem tirar seu sorriso. — Mas eu tô muito feliz com o que nasceu.
— Natsu! Deixa a gente ver ele também! — Pediu Cana se aproximando dele, com Elfman, Gray, Erza e Mira ao seu lado. Elas haviam parado de brigar pra conhecerem o novo membro da família das fadas.
Notando aquela aglomeração e agitação ao redor de alguma coisa, Makarov se aproximou e se surpreendeu ao ver as crianças conversando animadamente e mais ainda no pequeno gatinho azul nos braços de Natsu.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntou ele.
— Olha vovô! — Natsu mostrou seu gatinho ao Mestre. — Lembra daquele ovo que eu achei? Olha o que nasceu dele!
O gatinho azul olhou para o senhor e falou um "Aye!" esticando a pequena patinha pra ele. Parecia que estava o cumprimentando.
— Ora, olá pequenino. — Makarov sorriu segurando a patinha do gato. — Ele nasceu aqui dentro da guilda, correto? — Todos assentiram. — Bom, então parece que temos um novo membro.
Demorou um segundo para todos entenderem as palavras ditas pelo Mestre.
— O QUÊ?
A resposta foi uma gargalhada alta, enquanto voltava ao seu escritório para pegar o carimbo logo voltando com o objeto em mãos.
— Natsu, traga seu gatinho aqui, por favor. — O menino caminhou até o senhor. — Sabe, temos uma antiga tradição pouco conhecida em nossa guilda e eu nunca pensei que a veria novamente depois de 50 anos.
— Que tradição é essa, Mestre? — Perguntou Erza tão curiosa quanto os outros.
— Quando uma pessoa, ou nesse caso, uma criaturinha nasce dentro da nossa guilda, ela automaticamente se torna um membro da Fairy Tail.
— Então, quer dizer que o meu gatinho... — Começou Natsu sem conseguir acreditar.
— É isso mesmo, meu filho. Seu gatinho agora é um membro oficial da Fairy Tail.
Realmente era um dia histórico para a guilda das fadas. Uma tradição, criada pela própria Primeira Mestre Mavis Vermillion, estava sendo revivida naquele momento. Com o carimbo em mãos, Makarov tatuou a marca da Fênix da cor verde nas costas do gato azul.
— Natsu, qual é o nome do seu gato?
Natsu ainda não havia pensando em um nome. Na verdade, em nenhum momento chegou a pensar em um. Ele olhou para os amigos, que ainda sorriam pra ele e para o restante dos colegas, que também estavam sorrindo.
"Eles estão sorrindo... Todos estão sorrindo... Sorrindo porque estão felizes! É isso!", pensou ele se voltando para o Mestre.
— O nome dele vai ser Happy!
— Então, seja bem vindo a Fairy Tail, Happy!
— Aye! — Miou o gatinho e todos riram felizes com seu novo colega.
— É dia de festa! — Gritou o Mestre e todos concordaram na mesma hora, já enchendo suas canecas e tocando músicas altas.
...
Mais tarde naquele mesmo dia e após a esta de boas vindas ao gatinho azul, Natsu voltava para sua "casa" com o pequeno Happy adormecido nos braços. Ele enrolou seu cachecol no gatinho pra poder levá-lo em segurança e aquecido, já que o inverno se aproximava e cada dia ficava mais frio.
Assim que chegaram, Natsu acendeu as tochas da caverna, arrumou seu saco de dormir com uma mão (ele segura Happy com a outra) e se ajeitou dentro dele, colocando o pequeno gato azul adormecido sobre seu peito.
— Happy, agora você é o meu parceiro e meu melhor amigo. — Ele dizia com um sorriso olhando para o bichano. — Sabe, eu acho que vou procurar uma casa pra nós dois. Vai ser melhor pra cuidar de você. Amanhã vou começar a fazer isso amanhã e vou pedir ajuda pra Lucy e pra Lisanna.
— Aye... Natsu... — Murmurou o gatinho ainda dormindo, o que fez Natsu sorrir e concordar com a sugestão de Happy e ir dormir também.
"Igneel, onde quer que esteja, eu vou te encontrar e vou te apresentar o Happy. Tenho certeza de que serão bons amigos."
E com esse pensamento, o jovem Dragon Slayer adormece.
