Sei que é meio chato pedir reviews antes dos capítulos, mas é MUITO importante para mim.
Eu morro de curiosidade de saber se vocês estão gostando, se estão apegados à história, se estão querendo mais capítulos, etc.
Não precisa escrever textão, só um comentário dizendo o que achou da história ou do capítulo já é o suficiente (:
Eu não tenho dia para atualizar, posto de acordo com a inspiração para escrever (o que tem acontecido bastante), então mantenham o hábito de conferir a fic (:
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4. NÃO É MAIS UMA BRINCADEIRA
Conforme o previsto, Hermione acordou cedo. A castanha colocou o café para passar e foi tomar banho, mas resolveu não lavar os cabelos. Ela havia conferido se não estava com cheiro de cigarro, e confirmou que seus fios ainda cheiravam ao seu shampoo de coco. E, de qualquer forma, não é como se ela fosse usar os cabelos soltos. Depois de um banho relativamente demorado, em que Hermione aproveitou o bom humor para raspar as pernas, ela vestiu seu conjunto de blazer alongado e calça pretos. Compôs o visual com uma camisa branca de seda e uma sandália simples de salto grosso, aproveitando a temperatura amena de abril.
Hermione chegou sorridente ao Ministério, cumprimentando a todos que passavam por ela, e se dirigiu diretamente à sala de Shackelbolt, encontrando o atual Ministro sentado em sua mesa, rodeado de aviõezinhos de papel que flutuavam perto de sua cabeça. Ela entrou na sala após dar três singelas batidas e o homem apenas levantou o olhar do memorando que estava analisando, acabando por suspirar.
- Srta. Granger, nós já conversamos sobre isso – ele disse, demonstrando cansaço.
- Eu arranjei um marido – ela o cortou, e o homem levantou as sobrancelhas em descrença.
- Em uma semana? – ele a questionou.
- Você me deu uma tarefa, e eu a cumpri – ela respondeu, dura – eu gostaria de voltar ao trabalho.
- Você assinou o contrato de casamento? – ele perguntou, largando os papeis em cima da mesa e reclinando-se na cadeira.
- Ainda não, mas eu pensei que...
- Somente com o contrato assinado – ele respondeu – conforme já conversamos.
Hermione percebeu a entonação usada por Shackelbolt e sentiu o rosto ficando quente de raiva e cerrou os punhos, cravando as próprias unhas nas palmas de sua mão. Ela não gostava, e dificilmente permitia, que pessoas testassem seus limites insinuando que ela não prestava atenção o suficiente ou que ela tivesse dificuldades de entender algo. Respirou fundo e esticou e contraiu os dedos das mãos algumas vezes.
- Retiro o contrato no Departamento de Contratos, eu suponho. – ela comentou, o sorriso já completamente desmanchado de seu rosto.
- Precisamente – Shackelbolt respondeu, ajeitando o brinco com os dedos e forçando os olhos para o papel que lia.
Hermione assentiu positivamente e se virou em direção à porta, colocando a mão na maçaneta e puxando para sair.
- Posso perguntar quem será o felizardo? – ele perguntou, mas sem demonstrar qualquer interesse genuíno.
- William. Ele trabalha quatro andares abaixo de nós, mas você provavelmente não deve saber, já que nunca tira os olhos desse maldito papel – ela respondeu, amargamente, e saiu batendo a porta com força.
Imbecil, era o que ela pensava. Hermione correu até o elevador e apertou no botão que levava ao Setor de Contratos, e ficou inicialmente surpresa quando chegou em seu destino e percebeu que estava quase vazio. Normalmente o Ministério estava sempre cheio, mas aquele andar parecia não seguir a regra. Retirou um pequeno bilhete que marcava a sua senha e aguardou por apenas cinco minutos.
- E para você, o que seria? – uma mulher que Hermione não reconhecia perguntou, escorada no balcão.
- Eu preciso de um contrato de casamento... para mim.
- Aqui está a ficha, preencha seus dados e os dados do bruxo com quem pretende se casar – a mulher respondeu, empurrando uma prancheta para a castanha.
Hermione percebeu que a mulher mantinha os olhos na prancheta, espiando o que ela escrevia, apesar de tentar disfarçar. Isso arrancou um sorriso da castanha.
- Hermione Granger! – a mulher exclamou, assim que enxergou o nome que Hermione assinava no papel – é realmente uma honra finalmente lhe conhecer em pessoa.
A mulher abriu um sorriso sincero para Hermione, e mudou completamente o comportamento com ela. Apresentou-se como Berta, ofereceu-lhe chá, biscoitos – o que a castanha prontamente recusou – e engatou um assunto aparentemente interminável sobre políticas afirmativas para abortos bruxos. Hermione decidiu, por fim, que havia adorado conhecer Berta. A mulher, antes de colocar a ficha preenchida no escaninho para que o contrato fosse redigido, leu o nome do noivo.
- William Weasley – ela disse – era William mesmo o nome dele? Pensei que era algo como Robert ou Richard.
- Ronald – Hermione explicou, sentindo-se um pouco constrangida – bom... é outro Weasleys.
- Por Merlin, são tantos – Berta bufou e sacudiu a cabeça para os lados, o que fez Hermione rir. Repentinamente, um maço pequeno de papeis foi "cuspido" por uma fenda no balcão, e a mulher o pegou, ajeitando os papeis, grampeando, e entregando a Hermione – está aqui o seu contrato
- Obrigada, Berta – a castanha agradeceu, ajeitou a bolsa e caminhou em direção à porta.
- Quando precisar de algo, estou aqui – ela gritou ao longe – Hermione para Ministra!
Hermione não pôde deixar de rir antes de sair do Departamento de Contratos.
Berta havia, de certa forma, melhorado novamente o dia de Hermione. A castanha não fazia ideia de que tinha apoiadores dentro do Ministério, pessoas que realmente acreditavam em suas ideias e a consideravam para Ministra no futuro. Um sentimento de pertencimento e de reconhecimento inundou seu peito e ela passou a caminhar com a cabeça bem erguida.
Assim que entrou no elevador, visualizou Bill no fundo do cubículo, e ele lhe abriu um sorriso sincero. Ela sorriu de volta e pediu licença aos dois bruxos que estavam mais à frente para conseguir ficar lado a lado com o ruivo.
- Tendo um bom dia? – Bill perguntou.
- Começou bem, depois ficou um pouco ruim, mas agora voltou a ficar tudo bem de novo – ela respondeu de forma divertida.
- Parece um bom dia para mim – ele comentou – já voltou a trabalhar?
- Argh, ainda não – ela suspirou – Shackelbolt deixou claro que eu só posso voltar após a assinatura do contrato. Estou voltando para casa.
- Eu vejo que você já o pegou – ele disse, apontando para o bloco de papeis que ela segurava.
O elevador parou em um andar e os outros dois bruxos que os acompanhavam desceram, desejando ao casal um bom dia. A porta se fechou novamente, e agora só estavam Hermione e Bill no cubículo.
- Sim... Mas você não precisa se sentir pressionado nem nada do tipo... – ela se apressou em responder.
- Quer tomar um café? – ele perguntou, cortando-a – eu tenho um intervalo agora.
- Claro – ela respondeu – algum lugar em específico?
Ele pareceu pensativo por alguns instantes, e a porta do elevador abriu anunciado que estavam no saguão. Ele esticou o braço, segurando a grade do elevador para que ela passasse. Os dois caminharam lado a lado até a saída do Ministério.
- Como eu te apresentei o restaurante – ele respondeu – dessa vez é você quem vai me surpreender.
Ela riu e assentiu positivamente. Havia, de fato, um café que ela adorava perto do Ministério, mas era vendido em uma barraquinha na rua, próximo a uma pequena praça. O senhor que vendia o café tinha uma variedade surpreendente de sabores, e Hermione já havia provado quase todos. Ela conduziu Bill pela rua até chegarem na barraquinha e ele, surpreso no início, abriu um sorriso ao olhar o cardápio.
- Eu estou, definitivamente, surpreso – ele comentou, rindo.
- Qualquer um que você escolher, não vai se arrepender.
Hermione percebeu que não havia comido absolutamente nada desde que saíra de casa, e resolveu pedir um cupcake com cobertura de chocolate. O ruivo informou que estava satisfeito somente com o café. Os dois procuraram por um banco vazio, e deram sorte quando um casal se levantou e foi embora, deixando um pequeno banco disponível bem perto de onde estavam. Hermione correu até o banco para garantir o lugar e Bill riu alto da maneira como ela corria tentando não derramar o conteúdo do copo. Ele caminhou calmamente até ela e se sentou ao seu lado.
- Então... – Bill começou – vamos assinar esse contrato de uma vez por todas!
- Tem certeza? – ela perguntou, e ele confirmou assentindo com a cabeça. Hermione estendeu os papeis para ele e se aproximou, a fim de conseguir acompanhar a leitura enquanto comia seu cupcake. Os cafés estavam posicionados ao lado de cada um deles, no assento do banco.
Bill murmurava as cláusulas enquanto Hermione acompanhava a leitura com os olhos, até que o ruivo deu uma olhadela para o lado e começou a rir. Ela não entendeu e o encarou, com olhos questionadores.
- Você está toda suja – ele disse, apontando para a boca dela, e ela pareceu ficar sem graça. Ele deixou o contrato de lado – vem aqui, eu limpo.
Bill usou seu dedo polegar para limpar a cobertura da boca de Hermione, enquanto sua outra mão segurava o queixo dela. Hermione sentiu um puxão no umbigo ao ver que as pupilas do ruivo dilatavam enquanto ele mantinha sua atenção na boca dela. Assim que ele se afastou do rosto dela, levou o dedo polegar até a própria boca e o chupou, limpando a cobertura que havia tirado do rosto de Hermione com sua língua. A castanha só percebeu que o encarava de boca aberta quando foram surpreendidos por um rosto conhecido.
- Olá – a voz de Luna chegou aos ouvidos dos dois, e eles se viraram para a loira – que coincidência encontrar os dois aqui!
Luna sorria simpaticamente para eles, e Hermione retribuiu o sorriso.
- Oi Luna! Quer se sentar? – Hermione ofereceu, lembrando-se que Luna estava grávida. A castanha involuntariamente se afastou de Bill e indicou o lugar entre os dois, fazendo com que seu copo de café caísse no chão, derramando todo o seu conteúdo. Droga, ela murmurou.
- Não precisam se incomodar comigo! – Luna respondeu – eu já estou a caminho de casa.
- Está sozinha? – Bill finalmente abriu a boca para participar da conversa, arqueando uma sobrancelha.
- Ron saiu em missão com Harry – ela explicou – pobre Ginny, deve estar enlouquecendo com duas crianças pequenas em casa! Você tem a visto?
Ela perguntava para Bill, o que era de se esperar, já que ele era irmão tanto de Ginny quanto de Ron.
- Não a vejo desde o aniversário.
- Ah, é uma pena – Luna respondeu, passando a olhar o topo das árvores de forma sonhadora.
- Precisa de alguma ajuda? – Hermione perguntou, um pouco preocupada. Luna sempre fora avoada, mas agora estava grávida e a castanha não fazia ideia da situação de saúde dela. Não sabia se ela era tão saudável quanto Ginny, única amiga a qual de fato acompanhou as gestações.
- Não, não, não se incomode – Luna voltou a atenção para os dois – já busquei tudo o que precisava e agora estou voltando para casa. Estou fazendo um repelente para que o bebê tenha um sono seguro quando nascer, entende?
- Contra zonzóbulos? – Hermione perguntou incerta, e viu Bill sacudir a cabeça e apertar os olhos, como se não tivesse entendido o que ela dizia.
- Não seja boba! Contra fiascurgia, é claro! – a loira respondeu, rindo – de qualquer forma, foi ótimo ver vocês! Até mais!
Luna desapareceu entre o movimento de pessoas na rua da mesma forma como havia aparecido. Quando Hermione encarou Bill, ele estava de boca aberta e a encarou.
- Contra o quê? – ele cuspiu, fazendo Hermione rir.
- Nem queira saber – ela respondeu, ainda rindo – vamos?
A castanha apontava para o contrato, e Bill o pegou novamente, retomando a leitura de onde havia parado. Hermione se aproximou novamente para acompanhar e ele lhe estendeu seu próprio copo de café para que ela bebesse, já que o dela havia caído no chão. Ela aceitou e continuou a leitura com ele.
- Droga – ele exclamou.
- O que foi?
- Precisamos de duas testemunhas para assinar o contrato presencialmente no Setor de Contratos – ele explicou, e ela bufou.
- Bom... Eu suponho que possa falar com Harry e Ginny assim que Harry voltar – ela sugeriu.
- É uma boa ideia – ele respondeu – o que me leva à seguinte pergunta: quando vamos contar à família?
- Depois de assinarmos, não acha? - ela perguntou – não sei se quero adiantar o bombardeio de perguntas.
Bill sorriu fracamente, soltando o ar pelo nariz, e estendeu o contrato para Hermione.
- Tem razão – ele respondeu – é provavelmente melhor que esperemos assinar. Se Harry e Ginny aceitarem ser testemunhas, já são duas pessoas que temos para nos dar apoio quando tudo vier a público.
- Vou conversar com eles assim que possível – ela disse, e ele se levantou do banco. Ela acompanhou o gesto, ajeitou o blazer e limpou o copo derramado de café com um aceno de varinha discreto.
- Ótimo – ele exclamou – agora tenho que voltar ao trabalho. Nos falamos mais tarde?
- Claro – ela respondeu, e ele a puxou para mais perto e deu um beijo em sua bochecha, deixando-a corada. Ele se afastou e caminhou até a cabine telefônica que dava acesso ao Ministério, mas não sem antes virar para ela e lhe dar uma piscadela. Hermione ainda estava congelada, com os pés grudados no chão.
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Bill passou um dia de trabalho relativamente tranquilo depois do café com Hermione. Almoçou sozinho um sanduíche que comprara na cafeteria do próprio Ministério, respondeu alguns memorandos e recolheu seus pertences para ir para casa. Ele pretendia fazer uma "limpa" em algumas caixas com tralhas guardadas a fim de filtrar o que iria para a casa de Hermione e o que ele deixaria esquecido no seu apartamento. No entanto, após bater o ponto, e antes de alcançar a porta de saída, foi abordado por seu pai.
- Bill! – Arthur exclamou – é uma boa mesmo que eu tenha te encontrado. O que acha de jantar lá n'A Toca? Está tudo uma loucura. Harry viajou e Molly está ajudando a sua irmã com os meninos. Angelina foi jantar com algumas amigas e George vai buscar Roxanne, que também está com a sua mãe.
O Sr. Weasley metralhava Bill com perguntas e acontecimentos, e o ruivo mais novo chegou a ficar tonto, o que lhe fez aceitar o convite apenas para que o pai parasse de falar. Quando aparatou n'A Toca e ouviu a gritaria e os choros de criança que provinham da casa, se arrependeu amargamente de não ter negado a janta e seguido com seu plano original de ir para casa filtrar seus pertences.
- Bill, querido! – Molly exclamou assim que o ruivo atravessou o marco da porta. Ela estava com James no colo, e o menino chorava.
Molly aproximou-se do primogênito e lhe deu um beijo estalado na bochecha, passando, logo em seguida, às tradicionais reclamações sobre o comprimento do cabelo dele. Bill revirou os olhos e, por um impulso, tomou James no colo e passou a conversar com o menino, que parou de chorar.
- Oi, Bill – Ginny apareceu na cozinha, com uma fralda de pano jogada sobre o ombro – Albus finalmente dormiu.
Ela abriu um sorriso quando viu o filho mais velho brincando com a pena do brinco de Bill, e ele deu de ombros.
- ONDE ESTÁ A MINHA PRINCESA? – Um George surgiu na porta de entrada, gritando, e Roxanne apareceu correndo na cozinha e saltando no solo do pai.
- Por Merlin, essa casa está um caos – Bill comentou, suspirando.
- Ou seja: está tudo completamente normal – Ginny respondeu, pegando o filho do colo de Bill – vamos tomar sua sopinha, Jamesinho?
A ruiva mais nova colocou o filho em uma cadeirinha alta e conjurou uma cumbuca e uma colher infantil, servindo uma sopa de abóbora espessa. Molly se dirigiu à pia.
- Sabe, Bill, Luna me comentou algo estranho hoje – Ginny disse, enquanto dava a sopa ao filho e encarava o irmão mais velho.
George, curioso como só ele, mandou Roxanne caçar duendes no quintal e sentou-se à mesa. Bill permaneceu de pé e colocou as mãos no bolso, remexendo a perna desconfortavelmente.
- Ah, é? – Bill tentou soar tranquilo.
- Sim, ela disse que cruzou com você e Hermione hoje perto da entrada trouxa do Ministério – Ginny continuava falando despretensiosamente, mas seus olhos queimavam Bill com aquele brilho que o mais velho sabia que só surgia quando ela estava ansiosa por uma resposta – ela comentou algo sobre vocês estarem dividindo um momento íntimo.
- O QUÊ? – George gritou, e abriu um sorriso de orelha a orelha – Billizinho, Billizinho, a ex do seu próprio irmão? Quem diria!
- Cale a boca, George! – o mais velho ralhou.
- Como assim momento íntimo? – Molly também parecia muito interessada no assunto, e questionou se aproximando da mesa enquanto secava uma panela de ferro com a varinha.
- Só tomamos um café juntos, por Merlin – Bill bufou – você almoça com ela toda semana e nem por isso eu te acuso de ter algo com ela, George.
- É diferente – o gêmeo respondeu, displicente – Hermione é minha amiga há tempos, vocês passaram anos sem mal se falar e agora tomam café juntos?
- E qual o problema, George? – Ginny foi quem perguntou dessa vez, e George levantou as mãos em sinal de rendição.
- Existe algo entre vocês que devemos saber, Bill? – Arthur perguntou, aproximando-se da mesa e puxando uma cadeira ao lado de George.
Bill se sentiu encurralado e irritadiço, e resolveu vomitar a notícia de uma vez. Certas coisas são como curativo, melhor arrancar de uma vez só, ele pensou.
- Eu e Hermione vamos nos casar – ele confessou em alto e bom som, e Molly deixou a panela cair no chão. Fez-se silêncio na cozinha por longos minutos.
Ginny trocava olhares desentendidos com Molly e Bill, o Sr. Weasley estava branco, completamente em choque, e o queixo de George quase arrastava no tampo da mesa. O único barulho era James batendo com a colher na cumbuca de sopa e espalhando o conteúdo laranja para todos os lados.
- Você está falando sério? – Ginny perguntou, incrédula, quebrando o silêncio.
- Mais sério impossível – Bill respondeu.
Quando o filho ruivo mais velho confirmou, cada um teve uma reação diferente. Molly, estranhamente, correu até ele e encheu seu rosto de beijos, exclamando algo como "finalmente meu Billizinho com uma mulher que vale a pena". Ginny desfez a expressão de choque e lançou um sorriso cúmplice ao irmão. Bill sabia que a irmã estava ciente da condição de Hermione, e pareceu ligar os pontos muito rápido. O olhar da ruiva lhe transmitia solidariedade, ela sabia que ele tomaria conta da amiga. O Sr. Weasley permanecia branco feito papel, e George juntou o queixo do chão e abriu um sorriso zombeteiro.
- A ex do seu irmão, seu safado! – George sorria – desde quando esse romance vem acontecendo debaixo do nosso nariz?
- Não há romance algum – Bill suspirou – vocês sabem da situação dela com o Ministério. Ela precisa de um marido, e eu estou solteiro.
- Isso é absurdo! – o Sr. Weasley finalmente falou.
- Por que absurdo? – Bill perguntou, em tom desafiador.
- Além do fato de ela ser ex de Ron? – George comentou, debochado.
- Foda-se o Ron, George! – Ginny interveio, tapando os ouvidos de James com as mãos – Ron foi estúpido e imaturo e perdeu ela há anos! HÁ ANOS!
- Essa ideia é toda absurda! – o Sr. Weasley continuou falando – Por que você? Por que ela? Um casamento sem afeto algum, onde já se viu?
- Nem todo mundo tem a sua sorte de passar a vida com o amor da sua vida, papai – Bill respondeu, cerrando os punhos.
- Eu sei que você ainda está abalado pela Fleur...
- Isso não tem nada a ver com Fleur, papai!
- Você não pode simplesmente brincar com a vida de uma pessoa dessa maneira, Bill. Principalmente quando essa pessoa faz parte da nossa família, como Hermione – o Sr. Weasley pontuou, dessa vez com o tom de voz mais baixo e tentando trazer razão à cabeça do filho mais velho.
- Eu não pretendo brincar com a vida de ninguém – Bill respondeu, ainda irritado – eu sei o quão importante ela é! Vocês preferiam que ela se casasse com outro? Sinceramente acham que ela tem tempo de se casar por amor com o prazo final batendo à porta?
- Billy, querido – Molly disse, acariciando o braço do filho – eu sei que você vai cuidar dela, eu conheço o filho que eu criei, mas isso tudo não é impulsivo?
- Nós conversamos bastante, mãe.
- E você sabe que vai ter que fazer um filho nela, não sabe? – George perguntou, e Bill quis socá-lo no rosto.
- Você fala como se ela fosse uma ovelha – Bill cuspiu as palavras – e sim, eu sei que eventualmente nós vamos ter que ter um filho.
Mas a verdade era que Bill havia esquecido completamente desse fato. Eles estavam tão ocupados com o contrato, com conseguir testemunhas, organizar onde morariam e como organizariam as coisas que Bill simplesmente esqueceu que os dois teriam que, eventualmente, os dois teriam que consumar o casamento e fazer um filho. E tudo isso em menos de três anos. O ruivo ficou, de repente, nervoso, e precisava urgentemente fumar um cigarro.
- Bom, acho que já não temos mais clima para janta – Bill disse – vou deixar vocês absorvendo a notícia.
O ruivo virou de costas e saiu da casa, sob os protestos de Molly. Deixou, também, George e Arthur falando alto sobre o assunto. Ele buscou nervosamente um cigarro dentro de seu bolso e o acendeu com a varinha. Tragou com os olhos fechados, sentindo os músculos relaxando.
- Bill! – Ginny o chamou e correu até ele.
- Olha, Ginny, eu não estou com saco para dis...
- Eu não vim discutir com você – ela garantiu – eu queria te agradecer.
- Agradecer-me?
- Sim. Você é um homem incrível. Ron foi um estúpido a vida inteira com Hermione, e eu não preciso começar a falar sobre o que eu penso de Fleur... Eu realmente acho que você é a melhor escolha para ela.
- Obrigada pela confiança – ele suspirou, aliviado – de verdade.
- Só não se magoem, ok?
- Eu não pretendo magoá-la, Ginny.
- Eu sei que não... – ela hesitou, parecendo escolher as palavras – é só que... eu sei que você sai com algumas mulheres desde o divórcio, e eu acho que você tem todo o direito de fazê-lo. Mas uma vez que você case com Hermione, você não pode deixar isso vir a público. Isso mancharia a reputação dela no Ministério, e você sabe o quanto ela quer ser Ministra.
- Confesso que não havia pensado sobre isso – ele disse, derrotado.
- Eu sei que não é um casamento por amor e que não posso cobrar que você seja fiel – ela continuava – mas também percebi que você se importa com ela o suficiente. Só... seja discreto, ok?
Bill engoliu em seco. Havia pensado no assunto "fidelidade" tanto quanto no assunto "filhos". Estava assumindo o compromisso de se casar! Seria um marido infiel? Só Merlin sabia o quanto ele precisava do contato físico nas luas-cheias, ele precisaria de um corpo para esquentar o seu, sempre precisou. Teria que conversar sobre isso com Hermione.
- Eu vou – ele garantiu, mesmo não tendo certeza do que faria.
