Gabriela Chamelet: Que alegria ler a tua review! Fico realmente muito feliz de você estar gostando dessa história e dedicando o seu tempo para comentar sobre ela! Esse capítulo é em sua homenagem 3
5. A PRIMEIRA LUA CHEIA
Bill voltou para casa um pouco mais calmo e muito pensativo após a conversa com Ginny. Ele entrou em seu apartamento e jogou a jaqueta em uma poltrona, parou com os braços apoiados na cintura e olhou em volta. Como de costume, sua casa estava muito bem organizada e limpa, a exceção do cinzeiro que estava transbordando de bitucas de cigarro junto ao peitoril da janela. O apartamento era um pequeno loft: no andar de baixo havia uma cozinha pequena, que não tinha mesa, apenas com um balcão e duas banquetas (o que, para ele, era mais do que o suficiente); uma cama de casal arrumada metodicamente, uma estante de livros na qual Bill lançou um feitiço para nunca acumular poeira, um pequeno sofá de dois lugares e uma poltrona. O andar superior, no entanto, não era visitado por Bill há anos. Ficava acima da cozinha e o ruivo sabia que ainda havia adesivos de nuvens e dragões cor-de-rosa grudados na parede, que um berço ainda estava montado pela metade em um canto acumulando poeira, e que uma caixa com lembranças de seu casamento ainda estava caída no chão. O apartamento de Bill traduzia bem a sua vida: organizado no geral, mas com um cômodo caótico escondido dos olhos de terceiros.
Dirigiu-se até a cozinha e serviu um copo de Firewhisky, sentou-se junto ao parapeito da janela e acendeu um cigarro. Não estava arrependido de ter aceitado se casar com Hermione. Quanto ao fato de assinar um contrato e morar com a castanha, estava relativamente tranquilo. A ideia de eventualmente consumar o casamento também não lhe parecia ruim, já que ela havia se tornado uma mulher muito bonita e interessante, e ele em pouco tempo já havia desenvolvido um certo afeto por ela. No entanto, preocupava-lhe o fato de que a consumação do casamento deveria gerar um filho, assim como lhe preocupava o fato de que ele tivesse de manter um celibato involuntário para não manchar a reputação dela.
Bill era um conhecido quebrador de maldições, mas não havia tantos holofotes em cima de si como em cima de Hermione, cotada para próxima Ministra. Ninguém se importava com o fato de Bill dormir com quatro ou cinco mulheres diferentes em um período de meio ano, sua vida não era objeto de interesse desde o divórcio, que fora um grande escândalo no mundo bruxo. O ruivo havia passado de "o homem atacado por Greyback" a "o homem que se separou da Veela" para, finalmente, "algum funcionário do Ministério que não lembro o nome". No entanto, quando todos soubessem que ele e Hermione se casariam, as atenções estariam voltadas para si novamente, e ele deveria tomar o triplo de cuidado para não denunciar suas aventuras sexuais.
E quanto a ter filhos, bom, Bill por um tempo acreditou que seria pai, e o cômodo acima de sua cabeça comprovava isso. No entanto, após descobrir que Victoire não era sua, sentiu como se o chão fosse arrancado debaixo de seus pés. Foi muito, mas muito difícil para Bill lidar com isso. Era inegável que ele havia amado Fleur, mas não sofreu tanto pelo divórcio. Seu sofrimento foi causado quase que inteiramente pela descoberta de que Victoire não tinha seu sangue. Ele não sabia se, depois de tudo isso, conseguiria ser pai. Muito menos um pai dentro de um casamento sem amor. Temia que – quando chegasse a hora – Hermione gestasse uma criança de outro homem e ele passasse por tudo de novo. Empurrou o copo para longe e bebeu o líquido direto da garrafa.
O ruivo acabou adormecendo sentado e acordou com bicadas de coruja em sua janela. Reconheceu o animal e abriu o trinco enquanto esfregava os olhos. Assim que destravou a janela, ouviu batidas na porta. Ótimo, ele resmungou. O sol mal havia nascido e ele já estava sendo importunado de duas formas diferentes. Caminhou até a porta enquanto apontava a varinha para a boca e tirava o mau hálito de ter dormido após alguns cigarros fumados. Quando abriu a porta, uma Hermione voou para dentro do apartamento.
- Você não respondeu a minha coruja, então eu resolvi vir até aqui – ela disse, parando no meio da sala e encarando o ruivo, que ainda tinha os olhos quase fechados da noite mal dormida.
- Sua coruja recém chegou aqui – ele respondeu e virou o rosto em direção ao relógio que tinha na parede ao lado da porta – e são seis e meia da manhã!
- Desculpe – ela pediu, envergonhada – era urgente.
Bill apontou para o sofá, indicando que Hermione poderia se sentar ali para que conversassem, e esfregou os olhos com as costas das mãos. Notou, enfim, que a castanha estava com os cabelos soltos e molhados, e um forte cheiro de sabonete emanava dela, denunciando que ela recém havia tomado banho. Ele viu a bruxa olhar atentamente para todos os lados, como se medisse o apartamento com seus próprios olhos. Percebeu o olhar de interesse dela quando os olhos castanhos pousaram na estante de livros. Ele pigarreou para chamar a atenção dela, e Hermione tirou três pergaminhos de uma bolsinha muito pequena e os colocou sobre a mesa de centro.
- Recebi cartas da sua mãe, de Ginny e de George – ela explicava, enquanto posicionava os pergaminhos um ao lado do outro – você contou sobre o casamento?
- Contei – ele respondeu, e recebeu um olhar desaprovador de Hermione – eu sei que iríamos esperar, mas me senti pressionado. Luna contou que nos viu e você pode imaginar o tipo de suposições que George fez sobre isso.
A castanha suspirou, com as bochechas quentes.
- Bom... Eu suponho que agora seja mais fácil pedir a Ginny que seja nossa testemunha – Hermione disse – só realmente gostaria que Harry soubesse por mim.
Bill não respondeu, somente se recostou no encosto da poltrona e fitou o teto.
- Sua mãe pareceu estranhamente feliz com a notícia – ela comentou, tentando fazer com que o ruivo conversasse com ela. Ele seguiu olhando para o teto, e suas mãos estavam cruzadas atrás de sua cabeça. Ele suspirou.
- Minha mãe ama você como uma filha – ele respondeu calmamente – e aparentemente, para ela, você é perfeita para mim, ao contrário de Fleur. Palavras dela.
Hermione ruborizou mais ainda e não respondeu. Os dois permaneceram em silêncio e o único som ecoando no ambiente vinha da cozinha. Parecia que alguém estava mexendo em um pacote de salgadinhos. A castanha virou o rosto em direção a cozinha e viu sua coruja bicando um saco de pão.
- Atena! – a castanha exclamou, levantando até a cozinha e chamando a atenção de Bill, que descruzou os braços e se inclinou para frente, observando-a caminhar até a cozinha – você não pode simplesmente comer a comida dos outros!
Bill deu uma risada ao ver Hermione carregando a coruja roliça até a janela e mandando o animal para casa.
- Me desculpe por isso, William – ela pediu, parecendo envergonhada.
- Não precisa pedir desculpas – ele respondeu e se levantou da poltrona, e passou a caminhar em direção a ela, que ainda estava junto à janela da sala, escorando-se no parapeito ao lado dela – mas eu devo te lembrar que é Bill, e não William, Mione.
- Bill – ela confirmou, sorrindo timidamente – já que resolvemos tudo, vou deixar você se aprontar para o trabalho.
Hermione foi novamente até o sofá e pegou sua bolsinha, ajeitando-a sobre o ombro. Tencionou se dirigir a porta, mas parou e pareceu batalhar mentalmente com vários pensamentos ao mesmo tempo, até que resolveu se aproximar novamente de Bill e lhe dar um beijo na bochecha.
- Tchau, Bill.
Ele, inconscientemente, pousou uma mão na cintura dela, enquanto a outra ainda segurava o batente da janela, e fechou os olhos pelo breve momento em que os lábios quentes dela tocaram sua pele. Quando ela se afastou e alcançou a porta, ele a chamou.
- Sim? – ela perguntou.
- Nos falamos mais tarde? – ele perguntou, incerto.
- Claro – ela respondeu, dirigindo-lhe um sorriso antes de sair pela porta. O ruivo permaneceu no mesmo lugar, até finalmente decidir tomar um banho.
Quando chegou ao Ministério, ficou aliviado ao perceber que somente dois aviõezinhos de papel esperavam pacientemente flutuando em frente à porta de sua sala, e tratou de resolver os assuntos. O dia estava costumeiramente tedioso, foi um daqueles dias em que ele fez trabalho de escritório, que era o que ele menos gostava. Odiava responder memorandos e fazer relatórios, e ficava se perguntando se não seria afastado compulsoriamente do Ministério nos próximos anos em razão da completa falta de maldições para se quebrar.
Foi com um suspiro de alívio que Bill ouviu a sineta que anunciava o fim do expediente naquele dia. Recolheu seus pertences dentro da bolsa de couro surrada que carregava consigo há anos e saiu do Ministério. O início de noite estava agradável e a temperatura amena, então o ruivo tirou sua jaqueta, prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo baixo e resolveu caminhar até em casa. Passou em frente à uma loja de artefatos antigos e viu, na vitrine, um jornal datado de dez anos atrás. A manchete dizia "ESTÁ ACABADO! MUNDO BRUXO EM PAZ!" e, em uma grande foto na capa do jornal, uma foto de Harry todo machucado em cima de um palanque, discursando após a queda de Voldemort. Estava entre Ron e Hermione, e a menina estava visivelmente magra e com escoriações espalhadas pelo rosto, as mãos na frente do corpo. Os dedos de sua mão correndo nervosamente sobre o pulso da outra mão, onde Bill sabia que ela tinha uma cicatriz.
Todos haviam passado por muito durante a guerra, era verdade. Perderam Sirius, Remus, Tonks, Dumbledore... E Fred. Bill fora atacado por Greyback e ganhou sua cicatriz no rosto, amaldiçoado o resto da vida a porções de carne crua e falta de controle sobre suas emoções. Mas, de todos, talvez os que mais tenham sofrido fossem Harry, seu irmão e Hermione. Ele não sabia detalhes do que os três passaram na busca pelas horcruxes, nunca sequer tivera coragem de perguntar, mas julgava, pela cicatriz no pulso dela, que não havia sido nada de bom.
Seguiu seu caminho, com as mãos no bolso. Como o Ministério tinha a coragem de chantagear Hermione para mantê-la no mundo mágico? Porque era, de certa forma, uma chantagem. Ou ela casava e tinha um filho bruxo, ou estava expulsa. Isso era revoltante! Depois de tudo o que a garota passou, depois de tudo o que ela fez e sofreu pela sociedade bruxa, depois de ter sido marcada por algum comensal... Era assim que a agradeciam? Bill estava mais decidido do que nunca a se casar com ela. Se essa era a alternativa para que ela seguisse bruxa, ele a ajudaria.
Ao adentrar seu apartamento, Atena o esperava no balcão da cozinha, bicando o mesmo saco de pão de mais cedo, com um pergaminho amarrado à pata. Ele havia saído tão distraído que sequer fechou as janelas.
- Vejo que você se deixou confortável, não é mesmo? – Bill comentou, tirando o pergaminho da pata do animal e abrindo o saco de pão para que a ave pudesse comer os farelos.
Assim que abriu a carta, observou a caligrafia impecável.
"Harry volta para casa na quinta-feira.
Você se importa se eu for sozinha?
Sua,
Hermione."
Seus olhos se demoraram naquela pequena palavra. Apenas três letras que causaram um certo rebuliço em seu peito. Sua. Ele acariciou a coruja e ela, satisfeita após comer as migalhas de pão, saiu voando pela janela. Antes de preparar algo para comer, deu uma olhada em seu calendário e visualizou que pouco mais de sete dias o separava da lua-cheia, e suspirou. Sua cabeça andara tão longe que ele podia jurar que tinha mais tempo, pensava que a lua cheia aconteceria em duas semanas. Sentiu-se um pouco desesperado. A véspera da lua coincidiria provavelmente com a assinatura do contrato, se o fizessem na semana seguinte.
Não queria que os primeiros dias convivendo com ela fossem marcados por suas alterações de humor, sua irritabilidade, sua possessividade. Não queria assustá-la. Se eles ao menos adiassem a assinatura, Bill teria um mês para pensar o que faria nesses períodos lupinos morando sob o mesmo teto da castanha. Teria um mês para realmente colocá-la a par do que teria de enfrentar nesses períodos. É, um mês seria bom. Esse pensamento lhe trouxe tranquilidade.
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Hermione estava um poço de ansiedade quando a quinta-feira chegou. Ela não teve coragem de encontrar nenhum Weasley depois de saber que pelo menos a maioria deles já tinha conhecimento de seu casamento. A ausência de qualquer carta de Harry lhe delatara que ele ainda não sabia da notícia, mas isso não a tranquilizava, pelo contrário, deixava-a ainda mais ansiosa. Ela tentou, em vão, assistir a algum filme em sua televisão, mas não conseguia ficar sentada com as mãos livres. Resolveu fazer um bolo, que queimou e deu um trabalhão para desgrudar da forma, limpou a casa pela terceira vez aquela semana, e estendeu lençóis novos na cama do quarto de hóspedes, mesmo sabendo que provavelmente teria que trocar novamente antes de Bill passar a dormir ali.
Recolheu as roupas já secas do estendedor de roupas, colocou-as dentro de um cesto e se dirigiu ao quarto. Dobrou pacientemente cada peça de roupa e passou a guardá-las dentro de seu guarda-roupa. Quando abriu a outra porta do armário a fim de buscar um cabide para pendurar uma blusa, visualizou a jaqueta de couro de dragão de Bill. Não soube a razão, mas a pegou nas mãos, sentindo a textura do couro em seus dedos, e a posicionou em frente ao seu rosto, respirando o cheiro da peça de roupa. Tinha aquele cheiro que já havia se tornado familiar a ela. Tinha o cheiro dele. E ela percebeu que gostava daquele cheiro. Um pequeno sorriso escapou de seus lábios quando lembrou que não precisaria devolver a jaqueta, já que o próprio dono daquele pedaço de couro em breve dividiria aquele espaço com ela.
Quando o relógio bateu quatro da tarde, Hermione foi tomar banho. Colocou uma música para relaxar e lavou os cabelos com calma. Vestiu-se com uma roupa simples e saiu de casa levando um casaco a tiracolo, somente por precaução caso esfriasse. O que, parando para pensar, não fazia muito sentido já que ela havia saído com os cabelos úmidos e sabia que os fios demoravam uma eternidade para secar.
Aparatou em frente à casa de Harry e Ginny em Godric's Hollow. O local havia se tornado muito mais simpático e acolhedor nos últimos anos, ao contrário de quando ela e Harry foram atacados por Nagini na casa de Batilda Bagshot. Harry havia escolhido o local propositalmente, queria se sentir o mais próximo possível de seus pais, e usara uma pequena quantia de sua fortuna para reformar a casa em que nasceu e criar seus próprios filhos ali. Respirou fundo e bateu à porta.
Ginny foi quem abriu a porta, e lhe direcionou um sorriso sincero, tomando-a nos braços e dizendo que já estava com saudades dela. Hermione entrou e encontrou Harry rindo enquanto brincava com o filho mais velho. Albus estava envolto em rolinhos de coberta em cima do sofá. Harry dirigiu seu olhar à amiga e lhe abriu um sorriso, e Hermione finalmente relaxou os ombros. Tudo estava bem.
- Parece que faz uma eternidade que você não vem aqui – o moreno exclamou, levantando-se do chão e indo até a castanha, dando-lhe um abraço.
- Quase isso – ela respondeu, e Harry apontou para o sofá para que ela se sentasse. Ginny se adiantou e tirou Albus do assento, empurrando os rolinhos de coberta para longe e se sentando com o filho no colo, logo ao lado de Hermione. Harry se sentou na poltrona lateral.
- Ginny te contou? – Hermione perguntou, incerta.
- Sim – ele respondeu de forma séria – fui pego de surpresa, devo admitir.
- Harry... – a castanha começou, mas acabou por suspirar.
- Eu disse que fui pego de surpresa – ele explicou – nunca disse que não estou do seu lado.
Hermione encarou o amigo, agradecendo-lhe com o olhar. Ele lhe encarava com aqueles olhos verdes e doces, transmitindo-lhe que estava, de fato, ao seu lado.
- Eu fico realmente aliviada de ouvir isso, Harry.
- Como aconteceu? – ele perguntou – eu digo... é meio estranho, não? O irmão de Ron.
- Harry, nós falamos sobre isso – Ginny interveio, com o olhar duro sobre o marido – eu sei que Ron é seu amigo. Ele é meu irmão. Mas ele já seguiu com a vida dele, realmente vamos criticar Hermione por seguir a dela?
- Eu não estou critic...
- Eu sei que é estranho – Hermione interrompeu o amigo – mas Bill é ótimo. Ele tem sido um ótimo amigo e, sinceramente, quais opções eu tenho em tão pouco tempo? Seria menos de três anos para conhecer alguém, envolver-me, casar-me e ter filhos. Pelo menos Bill eu já conheço.
- Você, como sempre, tem um ótimo ponto – Harry suspirou, encostando-se na poltrona – às vezes eu me esqueço que você é a única pessoa que jamais tomaria uma atitude impensada.
- E eu tenho algo a pedir para vocês – Hermione pontuou.
- O quê? – Ginny questionou.
- Precisamos de duas testemunhas para assinar o contrato, vocês poderiam fazer isso? Podemos marcar um horário que seja bom para você, Ginny, já que Harry trabalha no Ministério e só teria que se ausentar por dez minutos.
- Claro – a ruiva se apressou a dizer. Hermione olhou para Harry, que parecia pensativo. Ele encarou a amiga e depois a esposa, e por fim aceitou
- Obrigada, de verdade – a castanha disse, aliviada.
- Bom, vamos jantar então? – Harry declarou, dando o assunto por encerrado.
Hermione ajudou Ginny a colocar a mesa e Harry buscou as panelas com comida. Tudo cheirava muito bem, e era engraçado que fosse o moreno quem cozinhasse. Ginny, apesar da longa convivência com Molly, era uma negação na cozinha. A ruiva ajeitou James na cadeirinha alta e Albus, já dormindo, em um pequeno berço próximo à mesa.
- Como foi a missão? – Hermione perguntou, servindo os copos deles com suco.
- Cansativa – Harry confessou – parece que nunca acaba, sabe? Faz dez anos que Voldemort morreu, e mesmo assim ele continua tendo fiéis à causa. Às vezes eu tenho medo de que tenhamos esquecido alguma horcrux. De que Dumbledore não sabia de tudo.
- Eu penso nisso também – Hermione confidenciou – acredito que a luta seja eterna, não?
- Sim – o moreno respondeu – mas estou cansado de viver em busca dos que escaparam.
- Quem escapou? – ela perguntou, interessada.
- Rodolphus Lestrange.
Hermione sentiu um arrepio na espinha ao ouvir o sobrenome do homem. Ela tinha pavor dos Lestrange. Rodolphus e Bellatrix haviam torturado os pais de Neville até a loucura, e Bella quase conseguiu repetir o feito com ela mesma. Não gostava de lembrar do que passara na mansão dos Malfoy durante a guerra. E Harry sabia disso. Os dois nunca mais falaram sobre isso.
- Como você disse: a luta é eterna – Harry pontuou, a fim de encerrar o assunto - de tempos em tempos aparece um maldito bruxo das trevas. Estamos fadados a viver eternamente em alerta, e ensinar nossos filhos a seguirem alertas para que o passado não se repita.
O clima do jantar seguiu de maneira menos agradável do que Hermione gostaria, mas não queria ir embora de supino agora que precisava, imprescindivelmente, da ajuda dos dois. Conseguiu combinar com o casal de que iriam se encontrar no Ministério na segunda-feira pela manhã, antes do expediente de Harry, para assinarem o contrato. Terminou sua janta, ajudou Harry e Ginny a limpar a sujeira e brincou um pouco com James antes de a ruiva chamá-lo para dormir. Aproveitou, então, para se despedir e aparatar para casa.
Chegando em casa, escreveu para Bill comunicando sobre o dia e horário de assinatura do contrato, e não demorou muito para receber a resposta.
"Querida Mione,
Fico feliz que Harry e Ginny tenham aceitado.
Aliás, no domingo temos chá da tarde na nova casa de Ron.
Aparentemente ele e Luna conseguiram se mudar para uma casa maior em Devonshire e convocaram a família inteira para conhecer.
Você é parte da família (em breve literalmente será uma Weasley), e não há força das trevas que me obrigue a lidar com isso sozinho. Então você vai comigo (por favor?). Busco você às quatro horas.
Seu,
Bill."
- Ótimo, mais dias de ansiedade – ela exclamou, antes de amassar o pergaminho e jogá-lo no lixo. Marcou em sua agenda "chá na casa de Ron – domingo – 4p.m.", e foi dormir.
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Conforme o combinado, as quatro horas em ponto Bill a esperava na frente de casa. Quando a viu sair do prédio, amaldiçoou a si mesmo e ao mundo por ela estar deslumbrantemente bonita justo dois dias antes do início da lua-cheia. Seria tudo mais difícil do que pensava. Era a primeira vez que ele a via com os cabelos soltos. A cascata de um tom claro de castanho caía por suas costas, que estavam a mostra graças ao decote do vestido dela, que ele conseguiu observar quando ela se virou para o prédio para trancar a porta. Ele engoliu em seco enquanto a viu descer os degraus em direção à calçada. O vestido simples e preto, que colava em seu tronco revelava contornos do corpo dela que Bill até então não tinha reparado. Quando ela chegou mais perto e abriu um sorriso para ele, o ruivo cravou as unhas nas próprias palmas por dentro do bolso da calça, trancando a respiração na tentativa falha de não sentir o cheiro dela invadindo suas narinas e embaralhando seus pensamentos.
- Está tudo bem? – ela perguntou, preocupada.
- Sim, está – ele respondeu – você está deslumbrantemente linda.
Hermione corou com o elogio dele e, quando ele lhe estendeu a mão, ela a aceitou e os dois aparataram juntos para o condado de Devon.
A casa que Ron e Luna haviam escolhido era, de fato, muito aconchegante, mas ela não esperava menos do homem que foi criado n'A Toca. O ambiente levemente amarelado pela luz quente, os tons terrosos das paredes, a madeira crua da mesa e de algumas vigas no teto, a lareira de pedras e as muitas almofadas no sofá em muito se assemelhavam àquela casa que Hermione dividira por anos com os amigos nas férias da escola.
Estava tão absorta em suas observações mentais sobre a casa que demorou a perceber que todos os olhares estavam sobre si. Somente quando Harry deu três passos em sua direção e a tomou em um abraço que Hermione notou que Bill tinha sua mão quente firmemente espalmada no decote de suas costas o tempo inteiro. Suas bochechas involuntariamente esquentaram ao se dar conta de que os dois haviam chegado ali como um casal e que todos já sabiam que eles, de fato, estavam prestes a se tornar um casal legalmente.
Harry sussurrou no ouvido da amiga que estava ali para o que ela precisasse e, quando se afastou, tratou de agir naturalmente como se Bill e Hermione juntos fosse algo costumeiro. A castanha agradeceu mentalmente ao amigo quando notou que a naturalidade com que Harry tratou a situação incentivou aos outros que fizessem o mesmo. O clima, instantaneamente, tornou-se mais leve. Molly abriu um sorriso sincero e abriu os braços para receber Hermione com um abraço.
- Eu estou tão feliz! – ela dizia enquanto abraça Hermione, e a castanha sentiu quando Bill se chocou contra suas costas, já que a ruiva havia o puxado para um abraço triplo – Eu estou tão feliz! Meu Billy e Hermione!
Quando a mais velha se afastou, limpava as lágrimas dos olhos com as costas das mãos, e Bill coçou a cabeça nervoso.
- Vocês ficam tão lindos juntos! – ela exclamou, e seguiu falando sobre como estava realizada de ter Hermione finalmente entrando para a família. A castanha, no entanto, não ouvia nada do que a mulher dizia.
Tudo estava mudo para Hermione. Molly movimentava a boca, Arthur se aproximava um pouco sério, Ginny havia entrado na conversa. George gargalhava ao fundo, e Ron parecia sério, provavelmente chateado de ter sido ofuscado pela notícia do casamento. Ela não conseguia ouvir nada do que os outros diziam, porque sua atenção estava nos dedos de Bill contra o tecido de seu vestido, na ponta do nariz dele contra sua orelha, o que abava por arrepiar os pelos de sua nuca, e na voz dele, que sussurrava contra o seu ouvido.
- É isso o que você vai ter que aguentar por se casar comigo – ele dizia – tem certeza de que não quer voltar atrás?
A voz de Bill soara mais rouca do que ele esperava, e isso causou reações em Hermione que ele preferia, com todas as suas forças, que não tivesse causado. Ele estava prestes a entrar em sua fase lupina mensal, o que aguçava todos os seus sentidos. E todos eles estavam atentos a ela. Ele sentiu quando ela se arrepiou, ele respirou o perfume que emanou da pele dela quando o pescoço e as bochechas dela esquentaram, e acabou por apertar seus dedos contra a cintura dela, involuntariamente a puxando para mais perto de seu corpo.
Ele sabia que ela não tinha culpa ou sequer tinha noção das reações que causava nele durante esse período do mês, mas simplesmente não conseguia se controlar. Racionalmente, ele sabia que só havia aumentado o aperto na cintura dele porque a lua lhe deixava possessivo. Mas seus instintos lupinos apenas faziam com que aquelas três palavras da carta o cegassem para o resto e formassem uma única palavra em sua mente: Minha.
Sentindo-se alarmado, ele voltou à consciência e percebeu o olhar indagatório de Ginny sobre si. Sabia que provavelmente seus olhos haviam ficado negros e que ele deveria ter ficado assustador durante esses segundos em que seus instintos vieram à tona. Afrouxou o aperto em Hermione e a soltou de vez, pedindo licença à mãe, que seguia falando sobre vestido, buffet, flores e seja lá o que ela falava, e saiu da casa puxando um cigarro de seu bolso.
Enquanto tragava o cigarro, olhava pela janela da sala e via Hermione rodeada por sua família, o rosto muito corado e parecendo completamente perdida ali. Sentiu-se culpado por largá-la sozinha em meio aos lobos, mas, dada a sua situação, sabia que ficar distante causaria menos danos. Visualizou a expressão aliviada da castanha quando Ginny a chamou e conduziu a amiga para algum canto da casa que Bill não conseguia enxergar de onde estava. Ginny sempre fora muito observadora, herdara isso de Fred, e talvez fosse por isso que tanto George quanto ele mesmo se sentiam tão confortáveis e acolhidos na presença da irmã. Anotou mentalmente que deveria agradecer à caçula por ter salvado sua futura esposa daquele momento constrangedor.
A porta da frente se abriu e Ron a fechou atrás de si com cuidado antes de se aproximar de Bill. O mais velho observou o mais novo se aproximar com certo receio, as mãos se remexendo desconfortavelmente dentro dos bolsos da calça. Ron parou ao lado do ruivo mais velho e se colocou a observar a lua, quase que completamente cheia, e Bill o acompanhou enquanto tragava o cigarro. O dia estava naquele momento curioso em que a lua e o sol dividiam o mesmo céu. Uma nascendo e o outro se pondo, colorindo as nuvens de laranja, rosa e roxo.
- Isso tudo é muito estranho, não vou mentir para você – Ron disse.
- É estranho para mim também – Bill confessou, dando uma última tragada e amassando a bituca contra a cerca da varanda.
- Eu não consigo entender... Por que você? De todos os bruxos, justo você?
Bill trancou a respiração. Por que todos faziam essa pergunta? Ele mesmo se fez essa pergunta, mas já havia feito as pazes com a resposta. Ele já sabia a resposta, e ela lhe parecia muito óbvia, então por que seguiam lhe perguntando isso? Hermione precisava se casar. Ele estava disponível. Ele a conhecia há anos, ele era um Weasley, pelo amor de Merlin! Um Weasley! Um integrante da família que a acolheu por anos. Era óbvio, não era? Perguntava-se se todos teriam a mesma reação caso fosse Ron a se casar com ela, ou George, ou Charles, ou até mesmo Percy. Algo em seu âmago dizia que não. Algo em seu interior o dizia que o problema era ele. O problema era o Weasley marcado pelo lobisomem. E isso o irritou.
- Porque ela quis – Bill respondeu entredentes e virou as costas para Ron, entrando na casa.
Hermione observou quando Bill adentrou a casa, seguido de Ron. O primeiro estava com os lábios cerrados, assim como suas mãos. O segundo parecia incomodado. Quando os olhos do mais velho encontraram os dela, ela viu que estavam negros e, por um breve segundo, teve receio de chegar perto dele. Era como se uma grande bandeira vermelha tivesse surgido bem na sua frente lhe avisando que, se ela desse mais um passo, poderia se afogar no mar agitado e perigoso que era Bill Weasley naquele momento. Mas ela era uma Grifinória e, como tal, ignorou o aviso e se dirigiu até ele. A bruxa abraçou o braço dele, que estava rijo e com o punho cerrado, como se fosse uma criança pedindo que a mãe lhe protegesse. Encostou a lateral de sua cabeça suavemente contra o ombro dele e perguntou, num sussurro, se ele estava bem. Bill sentiu a musculatura relaxar e respondeu que estava tudo bem.
-O chá está servido! – Luna anunciou, trazendo para a sala uma bandeja com algumas xícaras e um bule fumegante. Todos se adiantaram para a mesinha de centro e pegaram alguns biscoitos e bolinhos para acompanhar o chá quente que Luna graciosamente servia.
Hermione se sentou com a xícara entre as mãos em uma pequena poltrona, e Bill se colocou sentado junto ao braço do mesmo estofado. Ele observava a castanha conversando amenidades com os amigos. George contava sobre os novos produtos da loja em fase de testes e parecia o mesmo adolescente que explodia bombas de bosta nos corredores de Hogwarts para atazanar Filch, e todos riam. Bill percebeu que a cabeça de Hermione sempre acabava levemente encostando em seu quadril toda vez que ela soltava uma gargalhada e jogava o corpo involuntariamente para trás. Molly parecia esperar uma brecha para falar algo, já que abria a boca sempre que acontecia alguma pausa no assunto, e voltava a fechá-la quando alguém se colocava a falar na sua frente. O momento da matriarca finalmente chegou e ela perguntou, para o constrangimento de Hermione e Bill, quando seria o casamento. Segundo a mulher, maio seria um mês adorável para a cerimônia, já que o pátio d'A Toca estaria completamente florido para comportar uma bonita recepção.
- Não é um casamento de verdade, mãe – Ron comentou, seco.
- É um casamento de verdade e o contrato que vamos ajudar a assinar amanhã comprova isso. Mas você não precisa comemorar se não quiser, Mione. Mamãe vai superar – Ginny respondeu, direcionando um olhar cúmplice à amiga. Molly fez bico. George, Charles e Harry soltaram uma risada.
- Eu acho que seria adorável uma cerimônia com flores -Luna comentou simpática, levando a xícara aos lábios – vocês formam um par adorável.
- Obrigada, Luna – Hermione agradeceu, ajeitando-se sem jeito na poltrona. Bill pousou sua mão no ombro da castanha e deu uma leve apertadinha em conforto, sinalizando que estava ali.
- O Ministério permite uma segunda cerimônia de casamento, Bill? – Ron perguntou, e Hermione notou o tom que ele usou. Era o mesmo tom que ele havia usado com ela quando estava com o medalhão de Slytherin no pescoço. Era o mesmo tom amargo – ou quando você se divorcia só pode se casar novamente no papel?
- Você está sendo ridículo, Ron – Harry comentou, em tom de aviso.
- Nós não precisamos de uma cerimônia, obrigada pela sua preocupação, Ron – Hermione se apressou a responder, sentindo a respiração de Bill ficar pesada atrás de si. Todos ficaram em silêncio. O único som no ambiente era o som dos bruxos sugando o chá das xícaras.
- Eu vi Fleur na nossa missão na França, não é mesmo Harry? – Ron comentou.
- Ron, pare – Arthur pediu, nervoso com o assunto que se formava na sala.
- Victoire estava com ela. É realmente uma sorte ela ter herdado somente as qualidades da mãe, não acham? – O ruivo mais novo continuava provocando, bebericando de seu chá e falando como se estivesse comentando sobre a temperatura na rua.
- Cale a boca, Ron! – Ginny pediu com os olhos queimando para o irmão.
Hermione já não ouvia a respiração de Bill atrás de si, então virou-se para ele e o encontrou com os lábios cerrados e uma expressão de ódio estampada no rosto. Uma aura de tensão engolia aquela sala. Ela nunca vira Bill irritado, mas imaginava que não era uma cena muito bonita de se ver.
- Dependendo do pai é melhor quando a criança nasce mais parecida com a mãe – Ron pontuou e todos ficaram apreensivos.
- Pode ter certeza que todos aqui estamos na torcida para que a criança nasça parecida com Luna e não com você – Bill respondeu entredentes. Hermione fechou os olhos torcendo para que Ron calasse a boca e não falasse o que ela temia que ele falasse. Conhecia o amigo há anos e sabia que as palavras dele atingiam como facas afiadas quando ele tinha a intenção de magoar. Mas ele disse.
- Pelo menos a criança é minha.
Bill saltou do braço da poltrona para cima de Ron e os dois entraram em uma luta corporal violenta ao som do choro de Molly e os gritos de Arthur para que parassem. Harry tentou se colocar entre os dois, mas foi empurrado para longe. Bill estava cego de ódio e atingiu Charles com um soco quando este tentou segurá-lo. Quando o punho de Bill encontrou o rosto de Ron, o estrago estava feito. O mais velho estava em cima do mais novo, que estava deitado no chão, e Hermione apenas ouvia o barulho do punho dele se chocando contra a bochecha do amigo. Ela fez seu caminho entre os outros Weasley, empurrando-os para longe, e apenas conseguiu ver Bill completamente transtornado sobre a poça de sangue que se formava ao lado do rosto de Ron. Chorando, Hermione agarrou Bill por trás, jogando-se contra ele e afundando a cabeça na curva do pescoço dele.
- Bill, por favor pare – ela chorava e gritava contra o ouvido do ruivo – por favor, Bill! Você vai matá-lo!
Assim que ela disse "matá-lo", os olhos de Bill se arregalaram e ele soltou o colarinho do irmão. Ron estava completamente desfigurado no chão, quase desacordado, sendo acudido por Molly, Arthur e George. Ginny consolava Luna, que chorava horrorizada contra uma parede. Bill se levantou e saiu pela porta, e Hermione correu atrás dele.
A castanha o encontrou chorando, andando em círculos no pátio, com as duas mãos agarradas nos cabelos completamente bagunçados. Os dedos e a camisa sujos de sangue. Ele repetia "eu podia tê-lo matado" sem parar, como se estivesse em choque. A luz muito clara da lua deixava o sangue parecendo preto, e Bill parecia mais branco que o normal sob aquela luz. Ela notou que faltava pouco para que a lua ficasse completamente cheia e entendeu. Apesar de tê-lo visto quase matar Ron alguns segundos antes, ela soube que estava em frente a um homem completamente perdido que estava sob o efeito da maldição da lua que o havia infectado tantos anos antes. A bruxa engoliu seu medo, porque Merlin, ela estava com medo, e se aproximou dele.
- Bill... – ela chamou baixo.
- Fique longe de mim! – ele vociferou, afastando-se mais e limpando as lágrimas com a mão ensanguentada – eu sou um maldito monstro.
- Você não é um monstro – ela respondeu, hesitantemente dando mais um passo a frente. Decidiu que se aproximaria aos poucos dele, já que não estava familiarizada com ele naquele estado.
- Eu quase matei o meu irmão! – ele chorava, e ela sentiu pena dele. Talvez "pena" não fosse a palavra certa, mas ela sentiu solidariedade pela dor dele. Ela sentiu toda a tristeza dele, assim como havia sentido a de Harry quando Sirius morreu. Assim como havia sentido a de George quando Fred morreu. Assim como ela havia sentido quando Bellatrix lhe torturou mostrando coisas horríveis que ela torcia todos os dias para esquecer. Só agora ela percebia que também tinha lágrimas nos olhos.
- Por favor, Bill, deixe-me chegar perto de você – ela sussurrou. Ele não lhe respondeu, ainda estava com o rosto afundado entre as mãos, mas também não se afastou, e ela tomou isso como uma abertura para cruzar o resto da distância entre os dois.
Ela se aproximou de forma hesitante dele e, com cuidado, tirou as mãos dele do rosto, revelando os olhos que já não estavam mais negros, mas sim azuis. Azuis e marejados das lágrimas que ele derramava. Ela se encaixou no abraço dele com cuidado e afundou o rosto no peito dele, e sentiu quando ele lenta e relutantemente a abraçou de volta. Ela não sabia o que dizer. Não sabia se deveria dizer algo. Não sabia se poderia dizer que tudo ficaria bem, não sabia se poderia dizer que ela estava ali para ele. Não sabia se ele queria escutar algo naquele momento. Se existia alguma coisa em específico que deveria ser dita naquele momento, então ela só disse a única coisa que conseguiu:
- Vamos para casa, Bill.
E ele apertou Hermione mais forte quando ela aparatou os dois no apartamento que, em breve, seria deles.
