Gabi, o último capítulo foi bem curtinho mesmo. Esse era para ficar gigantesco, mas achei melhor dividir para que não ficassem tantos acontecimentos em um só. Espero que você goste!
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8. A culpa é da lua.
Na manhã seguinte Bill acordou por volta das oito e meia da manhã, vestiu uma camiseta e uma calça e saiu de seu quarto. Apesar de estarem na metade de setembro, a temperatura estava um pouco abaixo do que estava no dia anterior. No entanto, Bill não costumava sentir frio. A porta do quarto de Hermione ainda permanecia fechada, ela provavelmente ainda estava dormindo, então ele resolveu passar um café e fazer algumas torradas para os dois antes que ela acordasse.
Assim que a água esquentou e ele ouviu o barulho característico das torradas saltando da torradeira, a porta de Hermione abriu com um grande estrondo. Ela saiu do quarto desajeitadamente, encaixando um pé de sapato no pé, os cabelos completamente selvagens e a gola de um blazer preto preso entre os dentes. Bill a encarou e não conseguiu evitar rir alto da cena.
- Eu estou atrasada! Eu não acredito que estou atras... – ela parou e encarou o ruivo, pegou o blazer com as mãos e levantou uma sobrancelha. Estranhou ele ainda estar em casa.
- Hermione, hoje é sábado – ele a tranquilizou, e ela fechou os olhos bufando e retirando novamente os sapatos de salto dos pés – por que não vem aqui tomar um café comigo?
Ela assentiu e largou o casaco em cima do sofá, dirigindo-se até o balcão da cozinha e pegando o prato de torradas com manteiga que ele lhe estendeu. Ele avisou que em pouco tempo o café terminaria de passar e convidou-a para comerem na varanda.
- Você precisa urgentemente parar de pensar tanto em trabalho – ele comentou, puxando uma cadeira para que ela se sentasse. Cavalheiro, ela pensou. Logo em seguida ele repetiu o gesto e se sentou ao lado dela. Com um aceno de varinha, ele flutuou duas xícaras de café até a mesinha para os dois.
- Eu não sei como fazer isso Bill, eu passei os últimos anos só trabalhando – ela suspirou – isso é o motivo de estarmos aqui, inclusive. Trabalhei tanto que sequer tive tempo para relacionamentos.
- Se consola você, eu tive tempo e relacionamentos, e também estou aqui – ele sorriu e levou sua mão até a dela, apertando-a carinhosamente.
- Eu não consigo entender – ela comentou, sacudindo a cabeça e encarando-o com atenção.
- O quê? – ele perguntou.
- Você aqui comigo – ela confessou – você é o marido que qualquer bruxa poderia querer, eu simplesmente não entendo.
O ruivo visivelmente surpreso, e isso foi percebido por Hermione quando ele levantou rápido uma sobrancelha e tencionou soltar o aperto de sua mão. Mas ele se refreou igualmente rápido e não moveu a mão do lugar, acariciando a pele dela com seu polegar.
- Eu poderia dizer exatamente o mesmo de você, sabia? – ele respondeu e ela revirou os olhos.
- Você sabe que quando recebe um elogio não precisa, necessariamente, agradecer com outro, não sabe?
- Eu sei. Eu estou apenas dizendo que penso o mesmo sobre você – ele sorriu – qualquer um teria muita sorte de ter você.
- Obrigada, Bill – ela agradeceu, sentindo as bochechas quentes.
Hermione não estava acostumada a receber muitos elogios que fugissem aos já costumeiros elogios ao seu intelecto. Ela gostava de ser reconhecida por sua tenacidade e inteligência, mas sentia falta de ser vista por outros atributos. Não se recordava de alguma vez em que tenha se sentido desejada ou que tenha sido sequer vista como a mulher que era. Era um sentimento recorrente, que ela refreava com todas as forças, temendo que isso pudesse torná-la de alguma forma fútil ou menos feminista.
Todos os homens que haviam passado por sua vida não a viam como ela gostaria de ser vista. Em relação a Bill, o casamento deles era por mera conveniência e os dois estavam, aos poucos, tornando-se bons amigos. O ruivo com certeza não tinha planos de tornar o que tinham em um relacionamento de verdade, ela sabia. Mas ali, com os olhos azuis dele ardendo contra os seus, as pupilas dele dilatadas, o sorriso reconfortante e o aperto quente dele contra a sua mão, ela se sentiu, pela primeira vez, vista.
E ele a via. A cada dia que passava, ele a via mais. Bill notou, desde a conversa na Toca em que ela lhe propôs o casamento, que ela era linda. E sabia, obviamente, das outras qualidades dela. Não imaginava que a convivência com ela pudesse lhe apresentar algo de novo, mas se enganou. O simples fato de tomar todos os dias café da manhã com ela já eram suficientes para que ele soubesse que ela não gostava de adoçar a bebida quente, a menos que fosse chá. Ele não gostava de chá, mas sempre fazia para ela. Em poucas semanas, ele já havia memorizado algumas das sardas que ela tinha sobre o nariz. Eram quinze. Ele sabia que os olhos dela nunca mudavam de cor, não importava a luz, eles eram sempre de um castanho quente. Ele também havia percebido que ela demorava em média vinte e seis segundos para prender os cabelos em um coque sempre antes de sair para o trabalho.
Ao mesmo tempo em que já sabia desses detalhes, ele se via querendo saber cada vez mais. Bill tinha dificuldades para dormir, e sempre que se deitava em sua cama se perguntava se Hermione já estava dormindo, se ela pegava no sono fácil ou se ela tinha dificuldades de dormir, assim como ele. Ele sempre acordava mais cedo, tomava um banho, e esperava ansiosamente pelo horário em que sabia que ela abriria a porta do quarto e lhe daria bom dia. Ele queria saber o que ela pensava quando ficava sentada junto dele na varanda com um livro nas mãos, mas sem acompanhar a leitura com os olhos, completamente distraída. Queria assistir a todos os filmes preferidos dela, ler todos os livros favoritos dela, saber dos medos mais íntimos dela e dividir os seus próprios.
Bill não sabia desde quando havia adquirido tanta curiosidade em conhecer Hermione por completo, porque, quando se deu conta disso, os pensamentos já estavam ali dentro de sua cabeça. A castanha levou a caneca de café aos lábios e passou a observar a vista que tinham da varanda, sentindo os raios quentes do sol batendo em seu rosto e esquentando seu corpo.
- O que quer fazer hoje? – Bill perguntou.
- Não tenho nada em mente – ela respondeu – o que você sugere?
- Algo que os trouxas costumam fazer aos finais de semana – ele comentou – o que você costumava fazer quando não estava em Hogwarts?
A curiosidade sobre ela martelava em sua cabeça, e pensou que acompanhar ela em programas que ela gostava era uma boa forma de conhecê-la ainda mais.
- Eu acabo de ter a ideia perfeita – ela sorriu para ele, e ele retribuiu.
Os dois foram se arrumar para sair e Hermione manteve o suspense sobre onde iriam. Como haviam combinado passar um dia como trouxas, não aparataram. Caminharam um longo percurso, com a castanha apontando para objetos, prédios e pessoas e narrando a Bill o que eles significavam. O ruivo abriu um sorriso de orelha e orelha quando eles chegaram ao destino e a bruxa explicou que estavam em um cinema. Ela deixou que ele escolhesse o filme enquanto comprava pipocas e refrigerante, e não ficou nada surpresa quando ele acabou escolhendo Batman.
Levar Bill ao cinema era como levar uma criança ao cinema pela primeira vez. Ele olhava tudo com interesse, não parava de sorrir e ficou absorto no filme o tempo inteiro. Não tirava os olhos da tela e a castanha riu nas três vezes em que ele não conseguiu acertar o canudo do refrigerante dentro da boca por estar muito focado no filme. Ele dava leves pulos na cadeira sempre que a trilha sonora ficava alta e se inclinava para a frente em expectativa sempre que a cena apresentava um quê de suspense.
Quando a sessão terminou, ele estava tão empolgado que enlaçou os ombros dela com o braço e a puxou para perto, beijou o topo de sua cabeça e agradeceu a ela pelo "melhor dia de sua vida", segundo as palavras dele mesmo.
Os dois caminharam até uma praça e pegaram um sorvete para cada um, sentando-se em um banquinho lado a lado. O parque estava cheio: havia crianças, famílias fazendo piquenique, casais abraçados, cachorros correndo e idosos jogando dominó. Hermione apontou para um casal conversando de forma intensa há três bancos de distância deles, e Bill seguiu o seu olhar.
- O que você acha que eles estão falando? – ela perguntou num sussurro.
- Acredito que estejam discutindo sobre algo – ele respondeu.
A bruxa deu uma lambida em seu sorvete e se recostou no banco.
- Quando eu era mais nova, tinha a mania de tentar adivinhar o que as pessoas falavam ou pensavam em lugares públicos como esse – ela comentou – era uma brincadeira que eu fazia para passar o tempo sempre que meus pais estavam ocupados demais.
- Eu não acredito que você vendeu o nosso carro para comprar ovos de dragão, Alfredo – Bill disse, após alguns minutos de silêncio, imitando uma voz feminina – eu já lhe disse para não acreditar em homens de capuz que dizem ser bruxos.
Hermione deu uma risada alta e observou o casal. A mulher havia levantado os braços e exclamado algo exatamente ao mesmo tempo em que Bill falara.
- Josefina, eu já lhe disse que vi um dragão voando sobre a minha cabeça há alguns anos! – Hermione respondeu, imitando uma voz masculina quando o homem abriu a boca e disse algo.
- Alfredo, agora só falta você me dizer que uma pequena bruxa e dois bruxos roubaram um dragão para escapar de um banco! – Bill respondeu e cutucou Hermione com o ombro, que riu.
O casal estranho pareceu ter se desentendido de vez, já que os dois levantaram e cada um seguiu para um lado, acabando com a diversão de Hermione e Bill.
- E o que você acha que ele está pensando? – a bruxa perguntou, apontando discretamente para um senhor idoso que olhava com desdém para um grupo de adolescentes.
- Eu acho – Bill começou a responder, coçando o queixo com o dedo mindinho – que ele é avô dos adolescentes e está receoso de tirar a soneca da tarde e deixar os óculos na mesinha lateral, já que um dos adolescentes encheu o quarto de gnomos e o senhor já perdeu sete óculos só no último mês.
- Quem de vocês fez isso? – ela perguntou, virando-se para ele. Ele abriu um sorriso.
- Fred levou a culpa – Bill respondeu – Ele nunca conseguiu comprovar a minha participação.
- Bill! – ela exclamou, rindo – eu não sabia que você também aprontava quando mais novo.
- Querida esposa, eu sou um Weasley – ele brincou, limpando o canto da boca de Hermione, que estava sujo de sorvete, com o polegar.
Hermione ruborizou ao toque dele e ao ser chamada de "esposa". Ela já estava acostumada a várias coisas: a dividir a casa com ele, a vê-lo todos os dias, fazer as refeições com ele todos os dias e inclusive ao cheiro de cigarro. Todos os dias em que não tinha que fazer hora extra, ela ansiava pelas três batidas na porta de sua sala, que antecediam a entrada de Bill com um sorriso no rosto a convidando para irem para casa. Mas, apesar de tudo isso, ela acreditava que nunca conseguiria se acostumar com o fato de que o ruivo era seu marido.
- Falando na minha adorável família – o ruivo comentou – está pronta para o nosso primeiro grande compromisso como um casal?
- Que compromisso?
- As bodas de mamãe e papai mês que vem.
- Já é mês que vem? Eu havia esquecido completamente!
Molly e Arthur estavam há meses organizando uma grande festa de renovação de votos de casamento. Eles haviam convidado um número considerável de pessoas do mundo bruxo para comemorar os anos em que estavam juntos. Hermione, ocupada demais com os preparativos do próprio casamento e a suspensão do trabalho, acabou esquecendo que a data estava próxima.
- Quarenta anos! – Bill exclamou – você consegue imaginar ficar tanto tempo assim com alguém?
- Já está enjoado de mim? – ela perguntou, brincando. Bill a encarou com um sorriso e os olhos azuis brilhando.
- Ainda não aprendi a fazer o impossível – ele respondeu.
O coração de Hermione pulou uma batida. Bill fazia, de forma cada vez mais corriqueira, comentários como esse, e a bruxa sempre ruborizava e acabava pensando que sabia exatamente o que Fleur havia visto em Bill. Hermione não queria acabar se apaixonando por Bill, porque sabia que dificilmente ele retribuiria tal sentimento. Depois de um divórcio complicado com a mulher que ele amava, depois de ansiar pela paternidade só para descobrir que a filha não era dele, depois da guerra e de tudo, era simplesmente impossível que o ruivo viesse a retribuir qualquer sentimento amoroso por ela. Ela não queria se apaixonar por ele, mas tinha a vaga impressão de que, se ele continuasse sendo simplesmente do jeito que era, isso seria muito difícil.
- Vou vê-lo dançando a valsa então? – ela perguntou, tentando mudar a direção dos próprios pensamentos. Bill deu uma risada.
- É claro! – ele respondeu – eu sou o melhor dançarino de valsa que você já conheceu, você verá.
Quando os dois decidiram voltar para casa, já estava escurecendo e a temperatura de meia-estação já começava a cair. Apesar do vento, Hermione insistiu que voltassem caminhando, afinal, estavam passando um dia como trouxas. Bill percebeu que ela caminhava com os braços cruzados na frente do corpo, estava sentindo frio. Queria oferecer a ela um casaco, mas ele mesmo não havia trazido casaco. Trajava apenas uma camiseta.
- Vem aqui – ele disse, puxando-a contra o seu corpo e enlaçando os ombros dela com seu braço, querendo esquentá-la. Hermione abraçou-o pela cintura, e ele passou a esfregar a palma de sua mão contra a pele do braço dela. Bill era quente, e o calor do corpo dele era o suficiente para esquentá-la e protegê-la do vento. Quando ele percebeu o quanto seu gesto foi bem recebido por ela, ousou um pouco mais e beijou o topo da cabeça dela.
Hermione gostou de estar em contato com ele, sentiu-se segura. Involuntariamente, encostou o rosto contra o peito dele enquanto caminhavam, e sentiu ele apertá-la mais ainda contra si. Os dois seguiram abraçados até chegarem ao apartamento, e a castanha lamentou o trajeto não ser mais longo para que pudesse continuar desfrutando daquela proximidade.
Naquela noite, como de costume, Bill se encarregou da janta enquanto Hermione participava passivamente sentada junto ao balcão da cozinha, de frente para ele. Ela o observava cortar os legumes com precisão e dar uma risada ou outra de algum comentário que ela fazia. Os dois jantaram juntos na varanda e, após Hermione lavar a louça, sentaram-se juntos no sofá, sentados um de frente para o outro, cada qual com as costas encostadas em um braço do sofá. A bruxa havia começado a ler um livro indicado por Bill da coleção dele, e ele estava com o diário em mãos, escrevendo.
Assim que ela percebeu que o ruivo escrevia em seu diário, sua atenção ficou dividida entre ele e o livro. Ela lia algumas linhas e dirigia olhares discretos a ele, ou pelo menos ela achava que eram discretos. Bill havia percebido que ela o olhava vez que outra, porque ele mesmo estava atento a cada movimento dela. A bruxa foi pega de surpresa quando encontrou os olhos azuis de Bill a encarando e um sorriso brincando em seus lábios.
- Então? – ele perguntou.
- O que está escrevendo? – ela perguntou, curiosa, e fechou o livro – mais um capítulo do nosso conto?
Ele voltou os olhos ao que estava anotando, ainda com um sorriso zombeteiro.
- Talvez sim, talvez não – ele respondeu.
- Posso ler?
- Absolutamente não – ele respondeu.
- Bill, por favor! – ela pediu, largando o livro em cima do encosto do sofá e se inclinando para a frente, para mais perto dele.
- Não – ele respondeu, e ela bufou. Ele fechou o diário e se inclinou para frente, colocou uma mecha de cabelo castanha para trás da orelha dela e sorriu – eu prometo que um dia deixo você ler, só não hoje.
- Eu posso esperar, então – ela respondeu, com os olhos colados nos dele. Não conseguia desviar o olhar e, apesar de estarem bem próximos, não quis se mover. Bill também não parecia querer se mover, pois ficou parado na mesma posição, olhando-a nos olhos. O único movimento dele era o que seus dedos faziam brincando com a ponta da mecha de cabelo dela. Muito lentamente o ruivo aproximou mais o rosto do dela, e o estômago de Hermione deu piruetas em antecipação. Ela tinha absoluta certeza de que Bill a beijaria, e acabou por se aproximar mais dele, quase colando o seu nariz no dele. O ruivo cruzou o minúsculo espaço restante entre os dois e colou os lábios nos dela.
No entanto, mal Hermione sentiu os lábios de Bill encostarem nos seus, um estrondo foi ouvido da janela e os dois pularam para trás com o susto. O ruivo foi o primeiro a levantar do sofá, esfregando as mãos nervosamente contra as calças enquanto se dirigia à janela. O coração da bruxa estava acelerado demais para que ela registrasse qualquer coisa que estivesse acontecendo. Bill me beijou, ela pensava. Não, Bill não chegou a me beijar propriamente, mas ele quis, ela se corrigia mentalmente.
- É para você – ele se aproximou, estendendo uma carta para ela e arrancando-a do transe.
- Para mim? Isso é estranho, meu aniversário é apenas na terça-feira – ela comentou, levantando-se do sofá e pegando o pergaminho em mãos.
Bill a observou abrir a carta e ler o conteúdo com atenção, os lábios dela se movimentando e as sobrancelhas franzidas acompanhando a leitura. Ele colocou as mãos nos bolsos e ficou ali parado. Não sabia o que fazer. Não sabia se ficava ali, se ia para o seu quarto. Por Merlin, ele havia quase a beijado! Sentia-se um adolescente sem qualquer experiência com mulheres naquele momento, e não o homem de 37 anos que era. Hermione baixou a carta e ficou encarando o nada, completamente confusa. Ele, preocupado, aproximou-se dela.
- O que houve? – ele perguntou.
- Um pedido de divórcio – ela respondeu – uma bruxa quer marcar uma reunião comigo na segunda-feira para tratar do divórcio dela.
- E o que o seu Departamento tem a ver com isso?
- Nada – ela respondeu, pensativa – ela quer me encontrar fora do Ministério.
- Estranho – ele comentou – você quer que eu vá com você?
Bill parecia genuinamente preocupado, mas a bruxa lhe assegurou de que não precisava de companhia e que provavelmente a remetente gostaria que ela estivesse sozinha, já que havia mandado a carta para a residência dela, e não para a sua sala no Ministério. O ruivo assentiu e os dois ficaram algum tempo em silêncio. O clima havia ficado um pouco diferente entre os dois, o coração de Hermione permanecia acelerado, enquanto Bill parecia inquieto. Por fim, a castanha anunciou que iria dormir e, desajeitadamente, beijou o bruxo no rosto e desejou-lhe boa noite.
Bill permaneceu um tempo na sala depois que a porta do quarto dela se fechou, perguntando-se se deveria tê-la puxado pela mão antes que ela desaparecesse por trás da porta e terminado o que havia começado. A vontade de beijá-la não foi embora, o singelo toque de seus lábios nos dela não foram o suficiente. Pelo contrário, somente serviu para atiçar mais ainda a curiosidade do ruivo. Ele queria saber como era beijá-la. Mas, por fim, chegou à conclusão de que provavelmente fora melhor que nada tivesse acontecido. Ele estava, provavelmente, sentindo-se apenas sozinho já que fazia quase um mês que não via mais Samantha, que não mantinha relações sexuais com ninguém. E, se não estava enganado, a próxima semana seria de lua-cheia.
Ele gostava de culpar a lua por certas atitudes suas, mesmo sabendo que muitas, na verdade, em nada tinham a ver com a sua condição. A lua somente lhe causava efeitos quando estava, de fato, cheia. No pior dos casos, um ou dois dias antes ele sentia alguns efeitos. Nunca uma semana. No entanto, para ele era mais confortável culpar a lua e Samantha por essa repentina vontade de ter Hermione para si. Bagunçando os cabelos com os dedos, Bill entrou em seu quarto, fechou a porta, e olhou para o teto até pegar no sono.
O domingo não levou embora o nervosismo de Hermione, tampouco a vontade de Bill. Mas a repentina visita de Ginny e Harry com os filhos tirou os dois dos próprios pensamentos. Desfrutaram, os quatro adultos e as duas crianças, uma tarde muito agradável, à exceção de um único momento em que Bill, pensando muito rápido, lançou um feitiço escudo na varanda para que James, que parecia um corredor descontrolado desde que descobrira a própria capacidade de usar as pernas, não conseguisse atingir o parapeito da varanda e cair de uma altura que provavelmente o mataria.
Quando os Potter foram embora, Hermione estava feliz e tranquila, apesar de um pouco cansada. O ruivo fez algo rápido para comerem e sugeriu que vissem algum filme. A bruxa aceitou o convite, avisou que provavelmente acabaria dormindo na metade, mas que Bill poderia seguir assistindo até o fim se assim o quisesse. E foi exatamente o que aconteceu. Antes da metade do filme, a castanha acabou pegando no sono, e deixou o rosto cair sobre os ombros do ruivo. Ele gostou disso.
Bill assistiu o filme até o fim, mas foi incapaz de se levantar e desligar o aparelho. Estava com dor nas costas e precisava urgentemente trocar de posição, mas não queria se mexer e fazer com que Hermione acabasse afastando o rosto de seu ombro, gostava daquele contato. Ficou um bom tempo parado e descobriu que, quando sem uso por algum período, a televisão desligava sozinha. No entanto, ele ainda não se mexia. Resolveu, como um adolescente, fazer um acordo mental consigo mesmo: ele se ajeitaria melhor na cama e, se ela se afastasse, ele se levantaria e iria para o seu quarto. Mas se ela seguisse colada nele, ele ficaria ali o máximo de tempo que conseguisse.
Quando ele se mexeu, ela afastou o corpo dele alguns centímetros e se ajeitou, ainda dormindo, pousando a cabeça no travesseiro. Bill lamentou mentalmente e escorregou para baixo no colchão, de barriga para cima, a fim de esticar as costas antes de se levantar e ir para o próprio dormitório. No entanto, quando o fez, a bruxa se aproximou novamente e encostou o corpo contra o dele, pousando uma mão em seu peito e encostando a bochecha contra o seu braço. Bill sorriu e virou o rosto para o lado, beijou o topo da cabeça dela e resolveu, deliberadamente, dormir ali.
Eu preciso da lua. Preciso de alguém para culpar, o ruivo pensou antes de fechar os olhos e dormir com um sorriso no rosto.
