Lexas, obrigada demais pelos comentários! Fico feliz que esteja gostando.

Gabi, maravilhosa como sempre!

Eu acabei de perceber que não faço ideia do desenvolvimento etário de crianças e posso ter cometido uma gafe ao tratar o Albus nos capítulos anteriores como um bebê, quando na verdade ele já tem quase 2 anos (espero que me perdoem por isso, eu realmente não fazia ideia que crianças de dois anos já sabiam balbuciar palavras e caminhar). A partir desse capítulo vou tentar corrigir isso.

Esse capítulo também é um pouco mais longo para compensar os dois últimos, que foram bem curtinhos.

Não deixem de deixar reviews! Eu amo muito quando vocês comentam o que acharam, fazem prognósticos do que pode acontecer e me dão dicas. s2

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9. Minha bruxinha

Hermione acordou com os braços quentes de Bill em volta de si. Em verdade, Bill era tão quente que a bruxa acordou antes do despertador porque algumas gotas de suor já escorriam por sua testa. De início, ela ficou ansiosa, com o coração batendo freneticamente, e demorou alguns segundos para se situar de onde estava e de quem a estava abraçando. Lembrou-se, então, de que pegara no sono assistindo ao filme e que Bill provavelmente também havia caído em sonhos, e, por isso, acabou dormindo ali com ela. Cuidadosamente, ela moveu o braço do ruivo e saiu da cama. Silenciosamente, apanhou uma muda de roupa no roupeiro e se dirigiu ao banheiro de seu quarto.

Quando saiu do banheiro, já vestida, Bill não estava mais em sua cama. Encontrou-o junto à cozinha, com os cabelos molhados, preparando um café para ele e um chá para ela. Assim que os olhos azuis dele encontraram os dela, as bochechas do homem ficaram da mesma cor dos fios de cabelo. A bruxa se aproximou o balcão e tomou a caneca de chá entre as mãos.

- Bom dia, Bill.

- Bom dia – ele respondeu, completamente sem graça – desculpe-me por ontem, fui além de qualquer limite...

- Está tudo bem, Bill – ela o tranquilizou – você só pegou no sono.

O ruivo assentiu, mesmo sabendo que aquilo não era verdade. Ele não havia caído no sono, ele deliberadamente escolheu não sair da cama dela e dormir ali, sentindo o corpo dela contra o seu. No entanto, assim que acordou sozinho, sentiu-se invadido por um enorme sentimento de culpa. Ele sentia que havia se aproveitado dela. Mesmo que nada tivesse acontecido, e mesmo que eles só tivessem de fato dormido na mesma cama, Bill sentia que aquilo era totalmente fora dos limites. Sentiu-se arrependido e envergonhado.

Os dois aparataram juntos até uma das entradas trouxas do Ministério. Normalmente, usariam a rede Flu, mas Hermione havia uma reunião logo cedo com a bruxa que lhe enviou a carta em uma cafeteria próxima, e Bill não queria que ela fizesse o trajeto sozinha. Talvez fosse a guerra, ou o ataque de Greyback, ou ainda o conhecimento de que tanto o lobisomem quanto outros seguidores de Voldemort tinham o paradeiro desconhecido, mas o fato é que Bill havia se tornado paranoico em relação à segurança das pessoas com quem se importava. Tinha absoluta certeza de que iria ter a cabeça coberta de fios brancos antes dos cinquenta anos se continuasse a se preocupar tanto com a segurança de todos, mas não conseguia evitar.

Quando chegaram à porta da cafeteria, Hermione se virou para o bruxo para se despedir.

- Você me promete que vai enviar um patrono caso algo aconteça? – Bill perguntou, sério.

- Nada vai acontecer, Bill, é uma cafeteria – ela explicou.

- Mas se algo acontecer, ou você se sentir em risco, você vai me avisar? – ele insistiu – por favor?

- Eu prometo – ela o garantiu, com um sorriso tímido e as bochechas vermelhas. Ele suspirou e se aproximou dela, puxando-a pela cintura e beijando-lhe a bochecha. O coração da bruxa quase pulou para fora do peito.

- Fico mais tranquilo – ele comentou, separando-se dela – bom, eu acho que vou indo.

- Bom trabalho, Bill – ela desejou antes de abrir a porta da cafeteria e entrar. Acenou ao ruivo, que lhe desejou boa sorte e saiu caminhando em direção ao Ministério.

Hermione escolheu uma mesa mais afastada e pediu um copo d'água enquanto esperava a remetente chegar. Olhou em seu relógio de pulso e viu que faltavam apenas dez minutos para o horário marcado. Mal havia dado o segundo gole na sua água quando uma jovem bruxa, aparentando ter a sua idade, sentou-se à sua frente. Ela tinha cabelos muito escuros, quase pretos, e seus olhos eram castanhos. Trajava uma roupa simples, mesmo para os padrões bruxos, mas Hermione não deixou de perceber que as peças eram de qualidade. Apesar da falta de extravagância, a castanha podia garantir que a bruxa sentada à sua frente era puro-sangue, ou, no mínimo, uma mestiça vinda de uma família bruxa abastada.

- Desculpe-me por pedir que me encontrasse aqui – a bruxa disse, estendendo a mão para cumprimentar Hermione – meu nome é Linda Flint.

- Hermione Granger – a castanha apertou a mão de Linda, direcionando a ela um sorriso sincero – mas você provavelmente já sabe.

- Eu... Eu iria até o seu escritório, mas não queria chamar tanta atenção – Linda explicou – e eu queria falar com uma mulher sobre isso, você sabe como é.

- Sim, eu sei – Hermione suspirou. De fato, o Ministério ainda era majoritariamente preenchido por homens, e nem todos eram sensíveis a assuntos que transpassassem o raio de seu próprio umbigo – mas ainda não entendo como eu posso ajudar você, meu departamento não cuida de divórcios.

- Eu sei, mas o seu departamento cuida de Leis – a morena explicou.

- Não sei se entendi – Hermione comentou, confusa.

- Eu me casei há dois anos e desde então temos tentado um bebê, mas... eu não consigo – a bruxa começou a explicar. Hermione percebeu que a mulher tinha grandes olheiras abaixo dos olhos e parecia exausta – eu sou estéril.

- Eu... Eu sinto muito – a castanha respondeu – mas eu ainda não entendo.

- Essa Lei! – a mulher falou sussurrando, mas com a voz firme, espalmando as mãos contra a mesa e fazendo com que Hermione levasse um susto – eu me casei por causa da lei! Eu tenho 29 anos! Eu sou puro-sangue, e eu sou estéril! Não vê? Daqui um ano o Ministério vai me expulsar da comunidade bruxa porque eu não consigo dar a eles o que eles querem!

- Uma falha – Hermione comentou, pensativa – a lei não previu a sua situação, eles não podem expulsar você.

- Eles podem, e eles vão – Linda massageou as têmporas, cansada – a menos que você me ajude a derrubar essa lei.

- E como eu vou fazer isso? – a castanha perguntou – eu sou chefe do meu departamento, mas eu não tenho tanta influência. Eu talvez consiga lhe ajudar com o seu caso em específico, encaminhando-a para o departamento certo e lhe assistindo da forma que puder, mas não há jeito de que eu consiga derrubar uma lei.

- Assim como eu, existem outras na minha situação ou em situações piores – Linda explicou – bruxos e bruxas inférteis, bruxas dando luz a abortos, bruxas e bruxos incapacitados de se relacionarem com trouxas por medo de gerarem uma criança sem magia. Você não vê? Essa lei não enxerga as particularidades de cada um. Eu sou puro-sangue, e meu marido também, e eu não posso dar a ele um filho.

- Você disse que é uma Flint, correto? – Hermione perguntou e a bruxa assentiu em confirmação – o seu marido não pode falar por você em Wizengamot? Se ele é um Flint, ele tem um assento no Conselho. Eu aposto que escutariam mais a ele do que a mim.

- Meu marido é um porco! – a mulher respondeu – ele tem sido um porco desde que descobrimos que eu não posso lhe dar filhos, mas não quer levar isso a público ou lutar pelo divórcio. Não quer perder o recheado cofre da minha família.

- Mas ele também será expulso com você, isso não faz sentido.

- Ele é homem, Hermione – a bruxa comentou, uma lágrima escorrendo por seu rosto – ele é um maldito homem. E ele tem assento em Wizengamot. Ele é o último Flint, pode com certeza comprar sua permanência no mundo bruxo. E, se eu for expulsa, ele terá toda a minha fortuna para lhe consolar.

- Isso é horrível! – Hermione exclamou. Estava com as têmporas quentes e as sobrancelhas franzidas – é horrível e um absurdo. Eu... Eu vou ajudar você, mas você vai ter que me ajudar também.

- Qualquer coisa – Linda respondeu com um sorriso tímido.

- Você precisa me ajudar a encontrar mais bruxos que estejam em situação como a sua. Quanto mais, melhor. Precisamos montar um projeto robusto e pressionar o Ministério a submeter a julgamento em Wizengamot. Precisamos de um grande número de bruxos, especialmente puro-sangues, que possam comprovar que a lei é falha, que as lacunas deixadas por ela são prejudiciais à comunidade bruxa.

- Eu posso fazer isso – Linda garantiu.

- E eu vou arrecadar os documentos sobre bruxos inférteis e abortos no arquivo do Ministério – Hermione explicou – se conseguirmos convencer o Conselho de que a Lei do Matrimônio não garante a perpetuação ou o aumento da população bruxa, acredito que temos boas chances de derrubá-la.

Linda levou suas mãos até em cima da mesa e tomou as de Hermione entre as suas, agradecendo a castanha com lágrimas nos olhos. Quando a castanha se despediu da bruxa, dirigiu-se ao Ministério decidida a ajudar a mulher e outros bruxos que estavam sofrendo pela lei. A castanha se dirigiu direto ao arquivo do Ministério e apanhou 3 caixas: Nascidos trouxas, Registro de abortos e Famílias puro-sangue. Havia, é claro, outras caixas com documentos que a bruxa iria buscar em outro momento. Por enquanto, estava decidida a filtrar a documentação e conseguir elaborar, inicialmente, três relatórios: um da quantidade de bruxos nascidos trouxas nos últimos 50 anos, a fim de confirmar se sua suspeita de que não é necessária a união de dois bruxos para originar uma criança mágica; o segundo da quantidade de abortos nos últimos 50 anos de famílias mágicas, a fim de conseguir comprovar que a união de dois bruxos não garante o nascimento de uma criança com magia; e o terceiro dos nascimentos de bruxos puro-sangue nos últimos 50 anos, a fim de comparar com os nascidos trouxas e, talvez, reforçar a teoria do primeiro relatório. O relatório sobre bruxas e bruxos inférteis, bem como o arquivo de projetos de leis aprovados e rejeitados dos últimos 50 anos teria de ficar para um segundo momento. Afinal, essa primeira pesquisa já tomaria algum tempo.

Retornando à sua sala e pousando as caixas no chão, resolveu abrir a primeira e separou três pilhas gigantescas de registros sobre sua mesa. Estava tão absorta em sua leitura enquanto ditava alguns dados para sua pena, que os anotava em um grande pergaminho, que só foi tirada de foco por três batidas em sua porta. Ao anunciar que a pessoa poderia entrar, não conseguiu refrear o sorriso ao ver Bill surgir da porta.

- Eu gostaria de dizer que não estou surpreso de ver você com tanto trabalho, mas seria uma mentira – ele comentou, de olhos arregalados para as pilhas de papeis e caixas. Hermione riu e ele se aproximou da mesa dela – gostaria de saber se não quer me acompanhar no almoço.

- Eu realmente gostaria, Bill, mas como você vê eu tenho muito trabalho pela frente – ela suspirou, lançando ao ruivo um sorriso fraco como um pedido de desculpas. Bill contornou a mesa e parou ao lado dela, abaixou-se e retirou os papeis das mãos dela.

- Você precisa comer – ele disse – que tipo de marido eu seria se deixasse você passando fome?

- Bill...

- E, você já deve ter percebido, mas eu odeio almoçar sozinho. Por favor?

Era mentira. Bill adorava almoçar sozinho, dificilmente desfrutava da companhia de outras pessoas que não George, seu pai e, agora, Hermione. Ele havia se acostumado a fazer as refeições com ela, e o simples pensamento de se sentar sozinho em uma mesa e comer em silêncio já não o atraía tanto. Os olhos de cachorro sem dono dele surtiram seu efeito e ela se levantou da cadeira, ajeitou a saia do vestido simples que trajava, vestiu um casaco e sorriu ao ruivo, que segurou a porta para que ela saísse antes dele.

Os dois foram até o restaurante do próprio Ministério a fim de não demorarem tanto a voltar para os seus afazeres. Hermione não gostava de almoçar ali e dificilmente o fazia. A comida era preparada por elfos escravizados, e isso lhe causava repulsa. No entanto, estava com tanto trabalho pela frente que aquela era sua opção mais rápida de alimentação. Bill puxou a cadeira para que se sentasse e se sentou em frente a ela. Imediatamente, dois pratos de comida e dois copos de suco de abóbora surgiram na mesa.

- Eu tenho novidades – ele comentou, ajeitando o guardanapo no colo antes de pegar os talheres e começar a cortar seu bife.

- Quais? – ela perguntou, interessada, cortando sua própria comida.

- Meu departamento me cedeu temporariamente ao Gringotes para reforçar a segurança dos cofres a partir de hoje a tarde. Aparentemente alguém tentou invadir o banco no sábado à noite.

- O quê? Como eu não fiquei sabendo disso? – ela perguntou.

- O meu chefe ajudou o banco a manter isso longe do conhecimento da imprensa – Bill explicou – você sabe como isso mancharia a imagem do Gringotes, já foi bem difícil para eles recuperarem a confiança no banco desde que você saiu de lá voando em um dragão.

- Eu sinto muito? – ela pediu fingindo vergonha, e Bill deu uma gargalhada. – Fico feliz por você, Bill, eu sei o quanto você estava se sentindo parado nesses últimos anos aqui.

- É, vai ser bom ter um pouco de ação – ele comentou – fico até feliz que sejam tantos cofres, assim terei bastante o que fazer.

- Vou sentir a sua falta para os almoços.

- Você me terá nos jantares – ele a encarou, sorrindo de canto – é minha parte preferida do dia.

Hermione retribuiu o sorriso, sentindo as bochechas quentes.

- É minha parte preferida também.

- E como foi a reunião? – ele perguntou, interessado – encaminhou a moça ao departamento correto?

- Ela precisa da minha ajuda – Hermione respondeu – eu ainda não posso dar detalhes, mas o divórcio dela, na verdade, tem tudo a ver com o meu departamento. Eu não posso dizer mais do que isso, Bill, desculpe-me.

- Não há pelo que se desculpar, Mione – ele disse de forma tranquila.

Os dois terminaram o almoço e Bill conduziu Hermione até a sala dela, onde ela permaneceu a tarde inteira trabalhando nos relatórios. Antes do fim do expediente, Harry bateu na porta da sala dela e entrou.

- Você não vai levar isso para casa, vai? – o moreno perguntou quando a amiga colocou alguns papeis dentro de uma caixa e tensionava carregá-la. Hermione mordeu o lábio inferior e soltou as alças da caixa, colocando as mãos na cintura.

- Agora que você falou, eu acho melhor deixar o trabalho no ambiente de trabalho – ela comentou, envergonhada, e Harry arqueou as sobrancelhas e abriu um sorriso.

- Nunca foi tão fácil convencer você a não levar trabalho para casa. Posso te acompanhar até o Flu?

- Eu tenho que encontrar Bill antes, sempre vamos para casa juntos.

- Eu cruzei com ele não faz muito tempo – Harry disse – ele me pediu para avisar que vai chegar tarde hoje, estava saindo com uns colegas para responder a um chamado.

- Ah, sim. Gringotes – ela comentou, suspirando – Bill foi transferido temporariamente.

Harry não deixou de perceber o desânimo na voz dela.

- Algum problema? – ele perguntou, aproximando-se da amiga.

- Não, não – ela apressadamente o tranquilizou – eu só estou tão acostumada à presença dele que acho que vai ser um pouco solitário jantar sozinha.

- Quer jantar conosco? James já está sentindo a sua falta.

- Obrigada pelo convite, Harry – ela respondeu, voltando a segurar as alças da caixa – mas acho que vou para casa e continuar lendo alguns...

- Largue essa porcaria de caixa, Hermione – Harry a cortou, direcionando-se a mesa da castanha e tirando as caixas das mãos dela. O moreno a conduziu pelos ombros até a porta – você vai jantar conosco e pode mandar um patrono para avisar Bill. Ele pode encontrar você lá em casa mais tarde.

No fim das contas, Hermione gostou que Harry a tivesse levado para jantar na casa dos Potter. As duas crianças enchiam o ambiente, e a bruxa se sentia em casa na companhia dos amigos. Lembrava dos tempos de Hogwarts, em que eles ficavam juntos conversando e comendo chocolates ao pé da lareira da Sala Comunal. Com a diferença, é claro, de que agora os dois amigos estavam casados e tinham dois filhos juntos. Hermione se aproximou do bebê conforto em que Albus estava deitado, mordiscando com os pequenos dentes de leite um brinquedo emborrachado que a própria Hermione o havia presenteado quando ainda era um recém-nascido. A castanha não resistiu e pegou a criança no colo.

- Gin, ele está cada dia mais perfeito – a bruxa comentou com a criança no colo e se sentou no sofá.

- Está, não está? E herdou os olhos de Harry – a ruiva comentou orgulhosa.

- Eu sou pefeito! – James reclamou, aproximando-se de Hermione e escalando o sofá.

- É claro que você é perfeito – Ginny respondeu – vocês dois são!

James não parecia convencido e cruzou os braços. Hermione aproximou os lábios do ouvido da criança.

- Você é meu favorito. Você sabe disso, não sabe? – a castanha sussurrou para James – e é por isso que eu sou a sua madrinha.

A criança abriu um sorriso e abraçou a bruxa. Harry reclamava que ela mimava muito James, que, desse jeito, ele faria jus aos dois nomes que recebeu. O amigo dizia que, se ele continuasse a ser mimado, seria tão convencido quanto seu pai e tão maroto quanto seu padrinho. Mas a castanha não conseguia evitar. James a fazia de gato e sapato. E, em verdade, sabia que o fato de James ser tão parecido com Sirius era algo que trazia conforto ao amigo, então não tentava com muito vigor colocar limites à criança.

Hermione ficou feliz que Harry havia se prontificado a fazer a janta, deixando-a na companhia das crianças e de Ginny, que parecia um pouco cansada. Fazia muito tempo desde a última vez em que conseguiu conversar a sós com a amiga, já que, normalmente, só a via junto dos outros Weasley nos jantares caóticos na Toca.

- E como está a vida de casada? – a ruiva perguntou.

- Eu sabia que você me perguntaria isso – Hermione sorriu – está bem. O seu irmão é uma ótima companhia, temos passado bastante tempo juntos.

- Ouvi dizer que sim – Ginny comentou com um sorriso zombeteiro – já estão tentando dar primos aos meus filhos?

- Ginny! – Hermione exclamou, os olhos arregalados para a amiga.

- Você disse que vocês dois tem passado muito tempo juntos – a ruiva deu de ombros.

- Não juntos assim – a castanha explicou sussurrando, temendo que o amigo escutasse da cozinha – falando nisso, esqueci de avisá-lo que vim para cá.

A bruxa se levantou do sofá, ainda segurando Albus no colo e conjurou um patrono. Não conseguiu refrear o riso ao ver a criança de olhos verdes tentando pegar a lontra que rodopiava no ar. Hermione gravou a mensagem e liberou o patrono. Ginny havia ido em direção à cozinha, acompanhada por James, e Hermione os seguiu. Harry estava cozinhando da maneira trouxa, picando os ingredientes com o auxílio de uma faca e esquentando água na panela. Vez que outra James ficava na ponta dos pés e roubava alguns pedaços de tomate picado e comia. Ginny reabasteceu a taça de vinho do marido e encheu mais duas, uma para ela mesma e outra para a amiga. Harry a agradeceu com um casto beijo nos lábios. Hermione sorriu para a cena. Pensou que gostaria de, algum dia, conseguir formar uma família como a dos amigos.

Albus acabou dormindo nos braços de Hermione poucos minutos antes da mesa estar posta para jantarem, e Ginny levou o menino até o quarto. Assim que Harry carregou a panela até mesa, James ficou na ponta dos pés e pegou a faca que o moreno estava usando mais cedo e saiu correndo pela casa em direção à porta. Harry estava com as mãos ocupadas e os olhos arregalados, Ginny estava no andar superior colocando Albus para dormir, então sobrou para Hermione a tarefa de correr atrás da criança e impedir que ela se machucasse. Ele realmente faz jus ao nome!, ela pensou. Assim que alcançou James e tirou a faca das mãos dele, Bill surgiu da lareira, observando a cena com uma sobrancelha arqueada. James correu até o ruivo gritando "Biiiiiiiiiiill".

- Cheguei em má hora? – ele perguntou, brincalhão, agachando-se para pegar a criança no colo.

- Chegou na hora perfeita! – Harry anunciou, da mesa – Bem a tempo da janta.

- Ótimo! Estou faminto! – o ruivo comentou, e dirigiu-se até Hermione e a puxou pela cintura com sua mão livre para beijar sua bochecha – Oi.

- Oi – ela respondeu baixo, com o rosto quente. James riu e repetiu o gesto de Bill, dando um beijo estalado na bochecha da bruxa.

- Vocês ficam bem assim – Ginny surgiu na sala e encarou o casal com um sorriso zombeteiro – não acha, Harry? Eu já consigo imaginar uma criança ruiva como ele, mas com os cachos dela.

Se Hermione estava com o rosto quente antes, agora estava sentindo as bochechas pegando fogo. O mesmo aconteceu com Bill, mas mesmo assim ele não afrouxou o aperto na cintura dela. Harry deu uma risada e os chamou de novo para jantar, largando a panela na mesa e dando um beijo na bochecha da esposa.

- Pare de implicar, Gin – o moreno sussurrou.

A ruiva tirou o filho dos braços do irmão e o colocou sentado na cadeirinha junto à mesa, e os adultos seguiram o exemplo e tomaram cada um o seu respectivo lugar. Os três jantaram conversando de forma animada, e Bill os colocou a par de seu trabalho no Gringotes. Quando todos encerraram a refeição, Ginny chamou Bill com a desculpa de que precisava mostrar ao irmão um novo objeto que havia comprado, e os dois ruivos se dirigiram ao escritório de Harry. O moreno e a amiga trataram de retirar a mesa e lavar a louça.

- O aniversário dela é amanhã – Ginny disse – o que pensou em preparar para ela?

- Eu esperava que você pudesse me ajudar com isso – ele respondeu, ajeitando para trás os fios que caíam sobre seu rosto – pensei em algo surpresa no apartamento, ela já me comentou que gostaria de receber mais visitas.

- É uma boa ideia – a ruiva respondeu – se você deixar a rede Flu aberta, posso ir com mamãe arrumar o apartamento durante a tarde. Você só precisa atrasá-la o suficiente para que todo mundo esteja lá antes de vocês chegarem.

- Eu posso fazer isso – ele comentou – atrasá-la é bem fácil, o difícil é fazê-la sair do Ministério cedo.

- Eu falei sério quando disse que vocês ficavam bem juntos – Ginny comentou.

- Ginny...

- Eu só estou dizendo – ela deu de ombros – Está na sua cara, Bill, você não me engana. Você têm olhado para ela como se ela fosse a própria lua. E está na cara dela também, eu a conheço bem demais.

- Você acha que ela... – Bill começou, mas foi interrompido por Hermione, que apareceu no escritório e o chamou para irem para casa. Ginny deu uma piscadela ao irmão e seguiu o casal até a sala, onde todos se despediram antes que o ruivo e a castanha desaparecessem dentro da lareira.

No dia seguinte, Hermione acordou e não encontrou Bill. Ele havia deixado um bilhete junto a uma cumbuca cheia de biscoitos e uma xícara de chá enfeitiçada para permanecer quente. A bruxa pegou o bilhete nas mãos e o leu.

"Querida Mione,

Tive que sair mais cedo, então peço desculpas por não poder acompanhá-la até o Ministério.

Deixei um pequeno desjejum para você, espero que goste.

Posso encontrar você depois do trabalho? Estava pensando em tomarmos aquele sorvete que tomamos da última vez. Assim também posso desejar a você um feliz aniversário de forma decente.

Seu,

Bill."

Hermione sorriu ao ler o bilhete, tomou o chá com biscoitos e saiu para o trabalho. Ela ficou feliz ao saber que Bill não havia esquecido de seu aniversário, e aliviada ao perceber que todos os seus colegas de trabalho pareciam não ter lembrado. Isso a possibilitou permanecer o dia inteiro em sua sala trabalhando nos relatórios da anulação da Lei do Matrimônio.

Como de costume quando pesquisava algo com atenção, o tempo passou rápido. No momento em que o estômago da bruxa começou a roncar de fome, seu relógio já indicava que eram seis horas da tarde. Após alguns minutos, ela ouviu três batidas na porta.

- Pode entrar – ela anunciou, enquanto guardava seus pertences dentro de sua tradicional bolsinha.

- Oi – o ruivo sorriu, entrando na sala e se dirigindo até ela. Ele segurava um buquê de flores coloridas.

- Oi, Bill – ela respondeu, guardando a bolsinha dentro do casaco e abrindo um sorriso – isso é para mim?

- Eu não queria dar livros a você, já que você deve receber muitos todos os anos, mas temo que acabei optando por um clichê ainda pior – ele justificou, sentindo-se um pouco bobo e envergonhado. A bruxa se aproximou dele e tomou o buquê das mãos dele.

- Eu gostei – ela disse, e se inclinou na ponta dos pés para beijá-lo no rosto – e gostei do chá com biscoitos. Obrigada, Bill.

Os dois deixaram o Ministério pela saída trouxa e caminharam até a sorveteria próxima à praça em que haviam passado a tarde no sábado. Sentaram-se no mesmo banco, lado a lado. Hermione discretamente lançou um feitiço no buquê para que ele não se despedaçasse dentro de sua bolsinha, e o guardou ali.

- Eu estive pensando... Eu não sei se gosto de "Mione" – Bill comentou, enquanto comia o seu sorvete – estava pensando nisso hoje quando escrevi o bilhete.

- Por que não gosta? – ela perguntou, virando-se para ele.

- Porque Ron era quem chamava você assim – ele confessou, e desviou o olhar do dela.

- Você pode me dar outro apelido, se quiser – ela disse, sentindo o coração acelerar. Resolveu apoiar a cabeça no ombro de Bill, assim não teria que olhar para ele e denunciar que seu estômago havia dado algumas piruetas. O ruivo apoiou o queixo no topo da cabeça dela de forma carinhosa.

- Hmmm... Bom, você é a pequena bruxa do meu conto – ele declarou carinhosamente – é a minha bruxinha.

Minha. O coração de Hermione subiu até a garganta e voltou ao lugar, inquieto, e os pelos do braço dela se arrepiaram.

- Eu gostei – ela pontuou.

- Está com frio? – ele perguntou, afastando-se dela e tirando sua própria jaqueta, pousando-a nos ombros dela – melhor assim?

- Bem melhor – ela respondeu – vamos para casa?

- Vamos caminhando? – Bill sugeriu rápido, sabendo que ainda tinha que atrasar ela pelo menos mais vinte minutos – eu gosto quando nós caminhamos juntos.

- Claro – ela respondeu. Ela também gostava de caminhar com ele, principalmente quando ele a abraçava e a mantinha aquecida durante a caminhada. Quando estavam na rua, estranhamente, ficavam mais em contato físico um com o outro do que em casa. Na rua, havia a desculpa do vento, do frio, da chuva. E tanto Bill quanto Hermione aproveitavam cada uma dessas desculpas para andar abraçados.

Dessa vez não havia sido diferente. Apesar de a bruxa estar vestindo a jaqueta do ruivo, ele ainda assim a enlaçou pelos ombros e ela agarrou a cintura dele, e assim os dois caminharam todo o trajeto até em casa. Hermione somente se desvencilhou do abraço de Bill quando chegaram na frente da porta do apartamento, e se adiantou para colocar a chave na fechadura e girar a maçaneta. Assim que os dois entraram, as luzes ligaram.

- SURPRESA! – a pequena multidão na sala gritou, e em seguida várias cabeças ruivas vieram em direção a ela e a abraçaram.

Estavam presentes todos os Weasley, seus cônjuges e filhos, a exceção de Charles, que havia voltado à Romênia. Andrômeda e Teddy também estavam presentes. Os olhos de Hermione marejaram. Um por um, todos a desejaram um feliz aniversário, e Hermione soube por Ginny que Bill havia organizado a festa surpresa e inclusive decorado toda a varanda com balões a vela e luzes coloridas. George se aproximou da castanha e largou um copo em sua mão.

- Temos cerveja, suco e firewhisky na cozinha, faça um favor a esse seu amigo e encha a cara, faz anos que eu não vejo você passando vergonha – ele comentou, e arrancou gargalhadas de todos na sala.

Hermione queria agradecer a Bill, mas foi alugada momentaneamente por todos os presentes, principalmente por Molly, que passou a fazer um discurso do quanto estava feliz por ela finalmente estar oficialmente na família. Felizmente, o ruivo lupino salvou a esposa da própria mãe e a conduziu até o balcão da cozinha, onde lhe serviu uma porção generosa de firewhisky.

- Você ouviu George – ele comentou, sorrindo sacana – beba.

Fora muito bom que a Sra. e o Sr. Weasley, assim como Andrômeda, estivessem presentes, já que todos os outros estavam se divertindo bebendo grandes quantidades de whisky e fazendo brincadeiras de virar alguns shots. Todos estavam reunidos na sala. Alguns haviam puxado as cadeiras da varanda, outros estavam no sofá, e outros no chão, entre eles a castanha. Bill estava sentado atrás dela, no sofá, e ela mantinha as costas apoiadas nas pernas dele.

- E chegou a hora, meus caros, de contar histórias embaraçosas sobre a aniversariante – Ginny brincou.

- Como a vez em que ela confundiu um fio de cabelo com um pelo de gato e ficou parecendo o próprio Bichento no segundo ano? – Harry perguntou, e todos riram.

- Mas eu consegui fazer a polissuco perfeita! Foi apenas um erro de percalço – a castanha se defendeu, rindo.

- Isso não é nada perto da queda que ela tinha pelo Lockhart! – Ron respondeu brincando – você consegue imaginar? Aquele idiota?

- E depois por Sirius – George comentou rindo, e Hermione lhe lançou um olhar fulminante.

- O QUÊ? – foi a vez de Harry exclamar.

- Caro cunhado, então você foi o único a não perceber a grande queda que nossa querida Mimi tinha pelo seu padrinho – George respondeu e Harry olhou incrédulo da amiga para Ginny, que deu de ombros.

- Ele era charmoso! E eu era uma adolescente! Era totalmente platônico – Hermione justificou, dando mais um gole no whisky.

- Eu vou ter que concordar com Hermione – Luna comentou, alisando a barriga. Era a única que não estava bebendo. Ron a encarou com os olhos arregalados – o quê?

- Ele era velho! – Ron declarou.

- Lockhart também – Angelina deu de ombros.

Bill escutava tudo com atenção e estava se divertindo. Não conseguiu evitar se inclinar para frente e entrar na brincadeira.

- Então minha bruxinha tem uma queda por homens velhos – Bill comentou.

- Você não é velho! – Hermione deixou escapar, virando-se para o marido. As pupilas do ruivo dilataram e ele abriu um sorriso de canto. A bruxa ficou com as bochechas vermelhas e se voltou para a frente, bebendo mais um shot de whisky.

Ginny abriu um sorriso de orelha a orelha e cutucou George, que lhe sussurrou um "sim, eu vi" e deu uma piscadela para a irmã. Todos estavam atentos à interação de Bill e Hermione, mas foi somente Ron que resolveu tirar a amiga daquela situação e mudar de assunto.

- Hermione socou Malfoy no rosto, foi a cena mais linda que eu já vi na minha vida – o ruivo mais novo comentou.

- Eu lembro disso – Percy entrou na conversa – a Grifinória inteira ficou sabendo, mas o pestinha não contou nada para o Snape. Acho que tinha medo de reconhecer que havia apanhado de uma menina.

Todos riram e seguiram em outros assuntos. Hermione ficou aliviada de terem trocado de assunto, mas seguia com o rosto quente. Estava completamente atenta a Bill, que tinha os joelhos posicionados um em cada lado dos ombros dela, que permanecia congelada contra o sofá. Ele não havia falado mais nada, e ela se amaldiçoou mentalmente por ter bebido. Era sempre assim. Ela bebia e acabava falando demais. Fora assim que ela confessou a George sua paixão platônica por Sirius, e foi assim que ela havia tomado coragem de terminar com Ron (o que acabou não sendo necessário, já que ela acabou flagrando-o na cama com outra e isso facilitou sua decisão).

Bill a sentia tensa entre suas pernas, sentada no chão, sabia que ela estava nervosa. Ele mesmo estava nervoso. As palavras de Ginny ecoavam em sua cabeça. Ele estava começando a sentir algo por ela, e ela, de certa forma, sentia algo por ele. Sem querer, ela havia confessado que tinha uma queda por ele. Ou ele só havia entendido isso porque era o que ele queria ouvir? Não, ela havia dito. Todos ouviram. O coração de Bill batia freneticamente contra o seu peito e, por mais que ele amasse todos que ali estavam, desejava com todas as suas forças que todos fossem embora e ele pudesse ficar a sós com ela.

Foi um verdadeiro martírio aguentar o resto da festa, que parecia cada vez mais longa. Quando Andrômeda e seus pais anunciaram que iriam embora, Bill suspirou aliviado ao ver que os demais resolveram seguir ao exemplo dos mais velhos. Um a um, todos se despediram dos dois, James chorando agarrado ao pescoço de Hermione, dizendo que não queria ir embora. O ruivo ouviu a bruxinha prometendo que o levaria para tomar sorvete no fim de semana, e assim conseguiu convencer a criança e ir embora.

Assim, quando o último convidado se despediu, Bill encontrou Hermione tirando o buquê da bolsinha e o colocando em uma jarra com água em cima do balcão da cozinha. O clima estava denso dentro do apartamento e os dois não haviam trocado uma palavra desde o momento em que Hermione deixou escapar que tinha uma queda por ele. Ele percebeu que ela fazia força para não manter contato visual com ele e, se não fossem seus sentidos aguçados, ele teria ficado chateado. Mas ele escutava o coração dela batendo forte e sentia o cheiro do perfume dela contra a pele quente, e sabia que ela estava assim exatamente pelo mesmo motivo que ele.

Quando ela buscou a varinha e estava prestes a acenar para limpar o ambiente, Bill interceptou o movimento dela com a mão e segurou o pulso dela gentilmente.

- Deixe que eu limpo amanhã – ele disse, e ela finalmente olhou em seus olhos.

- Tem certeza? – ela perguntou.

- Sim, tenho certeza – ele respondeu. Instintivamente, ele se aproximou mais dela, mas soltou o seu pulso e respirou fundo – eu preciso que você vá rápido para o seu quarto.

- Por quê? – ela perguntou, levantando uma sobrancelha. Ela respirava pesado.

- Porque se você não sair daqui nos próximos cinco segundos eu vou te beijar – ele confessou.

Ela arregalou os olhos e permaneceu parada em frente a ele. Ele baixou o rosto até ficar na altura do rosto dela e sentiu o hálito de whisky dela contra o seu rosto.

- Dois segundos – ele sussurrou.

- Eu não vou a lugar algum – ela sussurrou de volta, e Bill colou seus lábios nos dela.

A boca dela era macia contra a sua, e ele enlaçou ela pela cintura, colando-a contra o seu corpo. Hermione levou as mãos até os cabelos dele e enterrou os dedos contra os fios acobreados, puxando-o para mais perto. Quando ele enroscou a língua na dela e sentiu o gosto de whisky, misturado com o cheiro doce do perfume dela, seus sentidos ficaram embaralhados e ele a colou contra o balcão da cozinha. Ele a beijava faminto, e ela correspondia com igual intensidade. O ruivo deslizou a mão que segurava firme a cintura dela até a barra da blusa que ela usava e puxou o tecido para cima apenas o suficiente para conseguir a pele dela contra seus dedos, e a apertou forte. Quando ela gemeu contra a sua boca, um rugido se formou em seu peito e seu corpo respondeu a ela, ficando rijo contra a calça grossa que usava. Ele deslizou a boca para o pescoço dela e ela arfou ao sentir a barba dele roçando contra sua pele exposta enquanto a língua dele se movimentava contra a curva de seu pescoço.

- Bill... – ela arfou, e ele tomou a boca dela na sua novamente.

Ele sentia a urgência de arrancar cada peça de roupa dela e senti-la contra si, e ela respondia aos seus toques e ao seu beijo como nunca nenhuma mulher havia respondido. Foi com muita dificuldade que Bill quebrou o beijo e colou sua testa na dela, sentindo a respiração pesada dela contra a sua própria.

- Nós bebemos muito – ele sussurrou – eu realmente preciso que você vá para o seu quarto, porque aparentemente eu não sou tão forte quanto achava que era quando o assunto é você.

- E se eu quiser ficar? – ela perguntou, e o peito dele rugiu novamente.

- Você está me enlouquecendo – ele sussurrou de volta – nós temos a vida inteira, eu quero fazer isso direito. Por favor, eu imploro que você vá para o seu quarto.

Ele a queria desesperadamente, mas não queria tê-la pela primeira vez sob o efeito do álcool. Queria todo o tempo do mundo para desfrutar dela, e queria que ela estivesse sóbria para decidir se de fato o queria tanto quanto ele a queria. Relutantemente, ele a soltou e pousou um beijo singelo nos lábios dela antes que ela desaparecesse para dentro do próprio quarto.

Bill demorou mais que o normal para dormir, seu coração não dava trégua e saltava contra seu peito. Eventualmente ele dormiu, ainda sentindo o gosto da boca dela.