Gabi e Lexas, obrigada pelos reviews! Aos outros leitores: por favor, deixem o que estão achando da história nos comentários. Fico muito curiosa para saber o que estão achando. Esse capítulo não é muito longo, mas é o suficiente para precisar ligar o ventilador :p
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10. O LOBO
"Como uma criança possuída, a besta uiva em minhas veias.
Eu quero te encontrar, arrancar toda a sua ternura"
(Howl - Florence and the Machine)
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Bill normalmente acordava mais cedo que Hermione e, mesmo com a grande dificuldade de dormir depois de finalmente ter tomado coragem e a beijado na noite anterior, conseguiu repetir a rotina deles e deixar o chá dela preparado antes que ela saísse do próprio quarto. Quando ela chegou à sala, o ruivo, que bebia seu café, dirigiu-lhe um sorriso, que ela retribuiu de forma desajeitada. Não havia nada de muito diferente nela naquela manhã de quarta-feira, ela usava o tipo de roupas que costumava usar para trabalhar, os cachos caídos sobre os ombros, mas que em breve seriam presos em um coque, e os tradicionais sapatos de salto. Mas, para o ruivo, ela estava linda. Ela se aproximou do balcão da cozinha, sentando-se junto à banqueta, de frente para Bill.
Os sentidos apurados do bruxo lhe tranquilizavam de que dificilmente a castanha teria se arrependido do beijo dos dois, ela só estava nervosa. O que ele conseguia entender completamente, visto que ele mesmo estava nervoso.
- Eu... eu confesso que não sei como agir depois de ontem – ela confessou, e ele se levantou de onde estava e contornou o balcão, ficando em frente a ela. Ela olhou para cima a fim de alcançar os olhos dele, e encontrou as orbes azuis contornadas por pequenas rugas causadas pelo sorriso dele.
- Nós não precisamos mudar nada se você não quiser – ele respondeu.
- Eu não acho que isso seja possível – ela sussurrou e levou as mãos até os cabelos de Bill, puxando-o pela nuca.
Em menos de um quarto de segundo, ele retribuiu o beijo dela. Largou a xícara de café no balcão e enlaçou a cintura dela. Ela afastou os joelhos para que ele conseguisse se encaixar entre as pernas dela e, assim, senti-lo mais próximo de si. O beijo dela tinha gosto de pasta de dente, mas se misturava com o hálito de café preto dele, o que, para Hermione, era perfeito. Bill a beijava de forma mais calma do que na noite anterior, mas isso não impediu que a bruxa sentisse as pernas completamente moles, e agradeceu estar sentada na banqueta e firmemente segura pelos braços dele. Do contrário, acreditava que seu equilíbrio a trairia.
- Vou tomar isso como uma permissão e beijar você o tempo inteiro – Bill sussurrou contra os lábios dela e ela sorriu.
- Ótimo – ela respondeu, e ele selou sua boca contra a dela de forma delicada, afastando-se logo em seguida e alcançando a ela a xícara de chá.
Os dois tomaram o café da manhã juntos, lado a lado. Hermione acreditava que, daquele momento em diante, seria impossível ficar longe dele e considerava que mesmo a menor distância entre os dois seria distância demais. Bill se despediu dela com um último beijo em frente à lareira e esperou que ela usasse a rede Flu primeiro. A bruxa chegou ao Ministério com um sorriso de orelha a orelha, mas, pela primeira vez, iniciou o expediente e trabalho torcendo que ele terminasse de uma vez, para que ela pudesse chegar em casa para Bill. Infelizmente aquele dia fora mais atarefado que qualquer outro, visto que Hermione estava conciliando seu trabalho oficial no Departamento com seu projeto extraoficial contra a Lei do Casamento. Sua sala estava um completo caos, apesar de organizada, tendo em vista as inúmeras pilhas de papel espalhadas pelos móveis e chão, e três penas de repetição rápida anotando pergaminhos que flutuavam pelo recinto.
Para Bill, o dia não estava mais calmo. Gringotes era gigantesco e estava recém no primeiro andar reforçando a segurança dos cofres junto aos seus colegas. Alguns aurores foram convocados para averiguarem a tentativa de arrombamento, mas Bill somente cruzou com eles no corredor. Aparentemente, tudo estava sob sigilo, já que nem mesmo o próprio ruivo sabia qual sofre havia sofrido o atentado. No entanto, trabalhou o dia inteiro com um sorriso no rosto.
Quando o relógio bateu três horas da tarde, Bill resolveu tirar um intervalo para almoçar e, assim que chegou na porta do banco, recebeu um patrono de Hermione avisando-lhe que chegaria em casa mais tarde. O ruivo não conseguiu evitar que seu sorriso se fragilizasse um pouco, já que estava ansioso para vê-la ao fim do dia e ver até onde a relação deles poderia ir. Caminhou pelo Beco Diagonal e resolveu dar uma passada na loja de George e ver como andavam as coisas. O mais novo ficou feliz em ver o irmão e, de alguma forma que Bill jamais saberia qual, percebeu que algo estava diferente.
- Teve uma boa noite? – George perguntou zombeteiramente, abrindo a porta da loja para que Bill saísse antes dele. Os dois iriam almoçar em um pequeno restaurante bruxo ali nas proximidades.
- Tive uma boa manhã – o mais velho respondeu, evitando o olhar do mais novo, mas percebendo que ele sorria debochado.
- Vocês fizeram sexo, não fizeram? Sexo matinal é sempre o melhor – George disse, e Bill seguiu caminhando com as mãos no bolso sem responder – VOCÊS FIZERAM! MERLIN, VOCÊS FIZERAM!
- Nós não fizemos, cale a boca.
- Mas vocês fizeram algo – o mais novo continuou – você está com aquela cara.
- Que cara? – Bill parou e encarou George, que era apenas alguns centímetros mais baixo.
- A mesma cara que eu fiz quando Angelina finalmente aceitou dar uns amassos comigo na passagem secreta da Tapeçaria – o ruivo mais baixo respondeu, encarando o irmão com expectativa – então?...
- Nós nos beijamos – Bill confessou, e sorriu involuntariamente ao lembrar dos beijos que trocaram desde a noite anterior.
- Isso é uma surpresa – George comentou, e viu o mais velho levantar uma sobrancelha – Ah, Billyzinho, por favor. Ontem ficou evidente que algo estava rolando entre vocês dois, eu achei que vocês já estavam se agarrando há tempos. Não acredito que agora devo 5 galeões para Ginny! Se ela perguntar, você pode dizer que já estavam trocando fluidos há mais tempo? Ela fica insuportável quando ganha uma aposta.
Bill deu uma gargalhada alta. Era óbvio que George arranjaria qualquer motivo para uma aposta.
- Hermione vai matar vocês dois se souber que apostaram – o ruivo de cabelos longos respondeu.
- É, ela vai – George comentou, dando de ombros – mas talvez você possa me ajudar com isso. Nada que algumas mordidas e chupões no pescoço dela durante a lua cheia não resolvam. Eu mal posso esperar para ver Hermione vermelha feito pimenta quando aparecer na Toca com marcas no pescoço.
Ao contrário do que o ruivo mais novo esperava, Bill não riu. Pelo contrário, fechou o rosto e seguiu caminhando em silêncio com as mãos nos bolsos. Era visível que tinha os ombros tensos.
- Eu disse algo errado? – George perguntou, preocupado – desculpe se disse algo errado, Bill. Era para ser uma brincadeira, sabe? Deixá-la com marcas como Fleu... esqueça.
- Eu não vou fazer nada com Hermione durante a lua cheia – Bill respondeu, sacudindo a cabeça como se quisesse espantar alguns pensamentos dali de dentro.
As luas cheias com Fleur eram algumas das piores lembranças de Bill. Tudo começou na segunda lua, quando ele já estava recuperado do ataque de Greyback e os dois noivos já estavam juntos no Chalé das Conchas. O ruivo não estava acostumado com toda a fúria, possessão e violência que a influência lupina poderia lhe causar, e acabou tendo uma noite um tanto quando violenta com a, então, futura esposa. Mas isso não era o pior. O pior era que Fleur havia gostado. No dia seguinte, Bill acordou se sentindo um lixo, mas a bruxa estava feliz. Essa situação se estendeu por alguns meses após o casamento, e o ruivo sempre se sentia cada vez pior. Odiava perder o controle, odiava ser violento, odiava se sentir tão diferente do que sabia que era. A guerra havia amenizado um pouco as coisas, já que os dois mal tinham tempo um com o outro. Bill estava sempre ocupado com a Ordem, enquanto Fleur dividia seu tempo entre a Inglaterra e a França para checar se sua família estava bem.
Tudo foi por água abaixo quando o ruivo decidiu dar um fim aquilo, e passou a se negar em dividir a cama com ela durante a lua cheia. Fleur ficou possessa. Fora a primeira vez que ele presenciara a fúria da ex-esposa e enxergou nela aquele um quarto de ascendência veela que ficava, normalmente, escondido. Lembrar disso era conflitante para Bill. O que Fleur mais amava em Bill era aquilo que ele mais odiava em si mesmo e, ao mesmo tempo. A francesa gostava da toda a bestialidade que a lua dava a ele, mas não suportava olhar em seu rosto e encarar a besta que Bill havia se tornado. Fleur queria a violência, mas tinha nojo da cicatriz que havia concedido essa violência. Quando resolveu dar um basta em tudo aquilo que mais odiava, ela o traiu por meses a fio até finalmente pedir o divórcio. E mesmo oito anos após o divórcio, Bill ainda usava barba.
- Desculpe – George pediu, suspirando, enquanto paravam em frente ao restaurante. Tomou fôlego, tentando suavizar a aura entre os dois – espero que hoje não seja lua cheia. Porque eu realmente acho que se você não tomar um passo grande hoje, Hermione vai.
Bill soltou um riso pelo nariz.
- Vou manter isso em mente – o mais velho respondeu.
Os dois almoçaram já com o clima mais leve. George lhe contava das travessuras de Roxanne, que faziam com que Angelina lamentasse a criança ser tão parecida com o pai. "Angelina reclama de barriga cheia, mamãe sofreu o dobro conosco", ele comentava. O ruivo mais novo manifestou querer mais um filho, a fim de dar um companheiro de crime para a filha, assim como ele e Fred. Comentou que gostaria que o filho levasse o nome do falecido irmão. Brincou que Harry e Ginny provavelmente seguiriam o passo dos pais e colocariam sete Potterzinhos no mundo e fariam um time de quadribol, o que, segundo ele, seria injusto com os primos que estariam em número reduzido. Bill ria a cada comentário do irmão, e não deixava de pensar que, talvez, algum dia, estaria curado o suficiente de sua dor para colocar um filho seu no mundo. A perspectiva de esse filho ter cinquenta por cento de Hermione lhe arrancou um sorriso dos lábios. Não queria pensar muito no assunto e criar qualquer expectativa, mas estava encontrando grandes dificuldades em não imaginar seu futuro com ela.
Voltando ao trabalho, Bill ficou com partes do assunto com George ainda grudados em sua cabeça, e resolveu conferir o calendário. "Merda", ele pensou ao ver que a lua cheia estava prevista para a noite seguinte. O que significava que, a partir daquela mesma noite, alguns efeitos da lua já poderiam acabar se manifestando. Não conseguiu evitar o suspiro frustrado que escapou de seus lábios. Estava ansioso para chegar em casa e, quem sabe, continuar o que haviam interrompido na noite anterior, mas a sorte parecia não estar sorrindo para ele. Não importa o quanto quisesse Hermione, não cederia à besta dentro de si. Não repetiria o que vivera com Fleur e, com certeza, não assustaria sua bruxinha com sua faceta lupina e sedenta. Alimentou, no entanto, a mínima possibilidade de não sofrer qualquer influência da lua cheia naquela noite e poder desfrutar de uma noite agradável com Hermione.
- Você só esquece que ela também tem que querer, não é Bill? – o ruivo murmurou para si mesmo.
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Assim que Hermione olhou no relógio e viu que já era quase oito horas da noite, resolveu encerrar o dia. Estava cansada e faminta, mas, ao lembrar que chegaria em casa para Bill, uma ansiedade correu por suas veias e qualquer fadiga simplesmente fugiu para longe de seu corpo.
Chegou no apartamento e sentiu, de imediato, um cheiro gostoso de algo sendo assado dentro do forno. O rádio tocava uma música trouxa e ela conseguia ouvir Bill cantarolando a melodia com sua voz baixa e grave na cozinha. Ela sorriu para si mesma e se dirigiu à cozinha, encontrando o ruivo de avental, com os cabelos presos em rabo de cavalo baixo, decorando uma travessa de carne assada com alguns legumes coloridos.
- Como foi o trabalho? – ele perguntou, virando-se para ela e abrindo um sorriso.
- Como sabia que eu estava aqui? – ela rebateu, aproximando-se dele para ver o bonito prato que ele preparava para a janta.
- Eu consigo sentir o seu cheiro – ele deu de ombros – uma das habilidades que Greyback me deixou.
Ela não respondeu, e ele se agachou para colocar a travessa de volta no forno e deixar os legumes dourarem. Virou-se, logo em seguida, para ela e puxou-a para um beijo estalado nos lábios.
- Espero que meu cheiro seja tão bom quanto o cheiro da comida que você está preparando – ela comentou divertida, assim que ele a soltou. Ele a encarou e seus olhos azuis ficaram levemente mais escuros.
- É muito melhor – ele respondeu, e ela sentiu o rosto corar.
Bill ofereceu uma taça de vinho a ela e os dois começaram a conversar sobre o trabalho enquanto a janta assava no forno. O ruivo preferiu manter o assunto ameno, só por precaução. O ruivo havia colocado uma mesa bonita, os dois pratos um de frente para o outro, luz baixa e um arranjo de flores no centro da mesa. A bruxa sorriu ao perceber que provavelmente ele queria que a janta parecesse um encontro. Quando a comida ficou pronta, ele serviu Hermione, que puxou sua cadeira e seu prato para ficar ao lado de Bill, e ele se sentiu vitorioso por ter a confirmação de que ela queria, de fato, ficar próxima a ele.
- Sempre que você cozinha, eu penso que é a melhor comida que eu já comi, mas você sempre acaba me surpreendendo – ela comentou após a segunda garfada. E ele riu.
- Eu fico feliz e ouvir isso – ele respondeu com um olhar inquisitivo, mas divertido– pelo menos assim eu garanto que você se alimente bem em alguma refeição, não é mesmo Sra. Weasley?
- Eu nunca vou me acostumar a ser chamada de Sra. Weasley – ela riu – sinto-me tão velha!
- Você é a senhora mais jovem que eu já conheci – ele sorriu – o velho da relação sou eu.
- Você não é velho – ela repetiu o que havia dito no dia anterior, e ele umedeceu os lábios, encarando-a.
- Eu não me importo em ser velho – ele respondeu, aproximando o rosto dela – principalmente depois de saber que isso me faz o seu tipo.
- Você nunca vai esquecer isso, vai? – ela perguntou rindo, com o rosto quente.
- Nunca – ele respondeu, largando os talheres em cima do prato e girando a cadeira para ficar de frente para ela. Ele levou o polegar até o lábio inferior dela e limpou dali algumas gotas de molho da carne – você sempre fica com os lábios sujos.
Hermione via que Bill encarava seus lábios com os olhos escurecidos da pupila dilatada, e sentiu um repuxo no umbigo. Normalmente, ela coraria. Mas, naquele momento, vendo desejo nos olhos dele, e sentindo ela mesma um desejo crescente dentro de si, que havia permanecido o dia inteiro adormecido desde o café da manhã, ela não corou.
- Eu gosto quando você os limpa – ela sussurrou, e Bill ficou com os olhos ainda mais negros. Ele ouvia o batimento descompassado do coração dela e estava hipnotizado pelos lábios avermelhados dela. Não controlando o impulso, ele grudou a boca na dela.
Hermione correspondeu ao beijo do ruivo com intensidade, enterrando os dedos nos longos cabelos dele com força, o que fez com que o bruxo soltasse um som parecido com um rosnado. Ele a puxou para que ela se sentasse em seu colo, com uma perna em cada lado de seu corpo. Bill apertou a bunda dela com uma das mãos, enquanto a outra desfazia o coque do cabelo dela. A bruxa arfou contra a boca dele. O beijo era intenso, mas não apressado, e tinha gosto de vinho e do molho de rum que ele havia temperado a carne. O cheiro doce da pele dele, misturado com o cheiro do tabaco que ele provavelmente havia fumado mais cedo invadiram as narinas de Hermione e embaralharam seus sentidos. Levando as duas mãos à bunda dela, Bill levantou da cadeira e a conduziu no colo até a porta do quarto dele. A porta estava fechada e ele a prensou contra aquele pedaço de madeira maciça. O ruivo puxou a barra da camisa dela para fora da calça e ela sentiu os dedos ásperos dele percorrendo a extensão de sua barriga até chegar em seu seio. Quando a castanha gemeu e o cheiro da umidade dela invadiu as narinas do bruxo, algo acordou dentro de Bill e ele sentiu que iria perder o controle. Queria arrancar a roupa inteira dela e se enterrar nela com força ali mesmo. No entanto, esse simples pensamento foi o suficiente para que o alarme dentro do bruxo soasse, e ele, relutantemente, quebrou o beijo e deu um passo para trás, tirando a mão de dentro da blusa dela. Bill permaneceu de olhos fechados, respirando fundo, com a testa colada na dela.
- Eu fiz algo errado? – ela perguntou, e ele conseguiu sentir que ela estava preocupada. Ele abriu os olhos somente para encontrar o olhar confuso dela
- Não – ele garantiu a ela, segurando o rosto da bruxa entre as mãos e acariciando a bochecha dela com o polegar – a lua cheia é amanhã e eu não quero machucar você.
Ela sentiu alívio. Ele não a estava rejeitando, estava com medo de perder o controle e acabar causando algum mal a ela. Hermione já havia presenciado do que ele era capaz durante a lua cheia, mas não sentiu medo. Ela o queria tanto, e mesmo sabendo que a influência da lua poderia deixá-lo violento, ela duvidava que aquele homem tão doce e cuidadoso pudesse machucá-la de qualquer forma.
- Você não vai me machucar – ela respondeu beijando os lábios dele com carinho e pousando as próprias mãos sobre as dele, que estavam envolvendo seu rosto. Ele fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes enquanto sentia Hermione distribuindo pequenos beijos por toda a extensão de seu rosto. Aquela inquietação dentro de seu peito, aquele rugido, estava diminuindo e Bill sentia que estava reconquistando o controle sobre si mesmo.
Abriu os olhos somente por um momento, e a bruxa viu que as pupilas seguiam dilatadas, mas os olhos haviam voltado ao azul habitual. Lentamente, Bill colou os lábios nos dela, e explorou a boca dela com calma. Iria com calma, manteria a fera dentro de si sob controle. Sentiu-se seguro quando Hermione retribuiu seu beijo com igual calma. Ela o tocava com cuidado, deslizava os dedos pelo peito dele com ternura, abrindo lentamente os botões da camisa que ele usava. Ele a ajudou a tirar a peça de roupa e levou as próprias mãos à blusa dela e puxando-a para cima. A bruxa levantou os braços e sentiu os dedos ásperos dele deslizando por seu tronco e braços ao tirar a blusa dela. Ela estava sem sutiã e, quando ele voltou as mãos aos seios dela, quebrou o beijo e a olhou os olhos. Ela roçou o nariz no dele.
- Está tudo bem, Bill – ela sussurrou, e ele então a puxou para cima, colocando as pernas dela ao redor de sua cintura. Hermione o beijava e acariciava seus cabelos com uma mão, enquanto buscava a maçaneta da porta com a outra. Assim, os dois fizeram o caminho para o quarto.
Quando o ruivo pousou a bruxa na cama, afastou-se somente o suficiente para conseguir enxergá-la, e sentiu a boca salivar. Não estava fácil manter a besta dentro de si calma, mas, de alguma forma, ele estava conseguindo mantê-la sob controle. Observou a castanha abrir a calça que ele usava e deslizá-la para fora de seu corpo. Lentamente, Bill levou as mãos novamente aos seios de Hermione e a beijou, escorregando os lábios até o pescoço dela e arrancando um gemido baixo da bruxa. Ele desceu os beijos pelo colo dela, barriga, circulou o umbigo dela com a língua e a ouviu ronronar como um gato, o que deixou o aperto em sua cueca ainda mais agonizante. Bill desabotoou a calça dela e começou a descer a vestimenta pelas pernas dela com a maior calma do mundo, tocando cada centímetro de pele dela que conseguia. Com um pouco de impaciência, Hermione sacudiu as pernas para tirar as calças de uma vez por todas, arrancando uma risada do ruivo, que a ajudou a ficar somente de calcinha. Sentindo-se excitado, mas sob o controle da situação, Bill subiu os lábios até o ouvido dela.
- Você é linda – ele sussurrou, encaixando-se entre as pernas dela e esfregando a sua ereção contra a calcinha de algodão que ela usava. A bruxa deslizou os dedos, com um leve roçar de unhas, pelas costas do ruivo e buscou a boca dele com a sua.
Bill sempre fora um amante dedicado, mas o ataque do lobisomem havia lhe arrancado isso. A urgência que lhe acometia quando a lua estava cheia, ou próxima disso, fazia com que ele cedesse aos seus instintos mais primitivos e fosse direto ao alívio do próprio prazer. Fleur gostava disso, assim como algumas outras bruxas com quem se relacionou nos últimos anos. Com Samantha, com quem tinha uma relação de amizade, nunca havia se atrevido a ter esse tipo de intimidade durante a lua cheia. Ali, com Hermione, algo estava diferente. Ele a queria com todas as forças humanas e não humanas que faziam parte de si, mas não queria enterrar-se nela de uma vez. Queria provar do corpo dela por inteiro, queria ouvi-la gemer e, quem sabe, gemer seu nome. Queria que ela fosse sua.
Desceu sua boca até um dos seios de Hermione e passou a língua levemente pela carne macia, lambendo, sugando e, por vezes, mordicando os mamilos dela. Os gemidos dela eram como música para seus ouvidos e ele só queria ouvir mais. Desceu os lábios por toda a extensão do corpo dela, sentindo o gosto doce da pele dela, sentindo o cheiro da excitação dela. Sentia sua visão ficando embaçada e os olhos ficando negros, mas não perdeu o controle. Estava se deleitando com cada pedacinho dela que conseguia provar. Quando tirou a calcinha dela e alcançou o clitóris dela com sua língua, ela gemeu seu nome. Um rugido triunfante se formou dentro do peito dele e ele passou a beijá-la e sugá-la onde ela estava mais quente, sentindo o gosto dela em sua boca e os dedos dela enterrados em seus cabelos. Suas mãos, que estavam ocupadas acariciando a barriga dela, conseguiam distinguir quando ela arqueava o tronco a cada gemido.
Hermione gozou apertando as pernas involuntariamente ao redor da cabeça de Bill, e ele a sentiu mais úmida do que nunca contra sua boca. O som que ela fez enquanto se liberava na boca dele enquanto gemia o nome dele foi o que quase garantiu a vitória do lobo interior do ruivo. Com os olhos negros, faminto, o bruxo percorreu o corpo dela com os lábios até alcançar novamente a boca dela. Beijando-a com um pouco mais de voracidade que antes e apertando a carne do corpo dela entre seus dedos, ele sentiu-a abrir as pernas para acomodá-lo melhor entre elas. A mão dela se fechou contra o seu membro e ele abriu os olhos para enxergá-la, separando minimamente a boca da dela. Não conseguiu refrear o sorriso ao perceber um pequeno vislumbre de surpresa nos olhos dela ao sentir o tamanho dele. Ela começou a fazer movimentos delicados, mas precisos, e ele gemeu contra a boca dela.
Desceu uma das mãos até a entrada dela e ali introduziu dois dedos, sentindo-a molhada. Ela gemeu seu nome novamente e ele separou os lábios dos dela, e ficou a olhando completamente hipnotizado enquanto movimentava os dedos dentro dela. Quando ela gozou de novo, Bill podia garantir que nunca havia visto cena mais bonita em toda a sua vida. Os fios castanhos grudados no rosto pelo suor, a boca rosada entreaberta enquanto ela arfava contra a boca dele e gemia, e os olhos castanhos que não desgrudavam dos seus. Ela era linda, e ela era dele. Hermione já estava mole contra seu corpo após dois orgasmos, e ele finalmente entrou nela, arrancando um gemido alto da castanha. Ela era apertada e senti-la molhada contra seu membro era, definitivamente, melhor do que contra seus dedos.
Por um breve momento, Bill pensou que o lobo dentro de si levaria a melhor, mas quando Hermione gemeu o seu nome mais uma vez, ele voltou a si e passou a se movimentar lentamente para dentro e fora dela, enquanto a olhava nos olhos. O nariz dela pintado com aquelas quinze sardas que ele adorava roçava contra o seu, e o ruivo experienciou o momento mais íntimo que já tivera na vida com alguém. Os olhos castanhos dela, cheios de desejo, confiança e carinho o hipnotizaram de tal forma que o bruxo sentiu, pela primeira vez desde o ataque de Greyback, que era ele, Bill Weasley, ali, vivendo aquele momento. Os dois trocavam a mesma respiração e ele sorria quando ela acabava revirando levemente os olhos de prazer a cada movimento dele. E ela sorria, entre um gemido e outro, ao ver o sorriso dele chegar até os olhos, agora azuis.
- Só mais uma vez, amor – ele sussurrou contra a boca dela e intensificou os movimentos. Com os olhos colados um no outro, trocando o mesmo ar, dividindo a respiração, os narizes e lábios roçando um contra o outro, Hermione gozou junto com Bill. O ruivo beijou-a carinhosamente nos lábios e ela acariciou a barba dela com os dedos.
- Eu disse que você não ia me machucar – ela comentou, ofegante, e ele riu, depositando vários beijinhos pelo rosto dela.
- Como sempre, você tem razão – ele respondeu.
- Podemos fazer isso todos os dias? – ela perguntou, ainda embriagada do orgasmo que tivera, e ele riu mais uma vez.
- Você é minha, depois de hoje não existe possibilidade de eu conseguir ficar um único dia sem ter você – ele sussurrou, e ela beijou os lábios dele com carinho.
Bill deslizou para fora dela e se deitou com as costas na cama, puxando-a para seu peito. O ruivo ficou traçando círculos invisíveis sobre a pele dela, e a sentia acariciando as cicatrizes que ele tinha no peito. O bruxo beijou o topo da cabeça dela e a apertou mais forte contra seu corpo. Não lembrava qual fora a última vez que se sentira tão feliz e tão tranquilo, e conseguiu se entregar fácil ao sono, tendo-a ali segura consigo.
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E aí, o que acharam? Foi o suficiente para shippar de vez Hermione e Bill?
