E vamos de capítulo longo!

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11. ALGO A MAIS

Hermione acordou sentindo o braço de Bill firmemente enlaçando sua cintura e a barba dele roçando em seu ombro exposto. O ruivo distribuía beijinhos por toda extensão do braço dela e a apertava mais contra si, assoprando alguns cachos dela que caíam sobre o seu nariz. Ela sorriu, e, preguiçosamente, virou-se para ele e abriu os olhos somente o suficiente para encontrar o sorriso dele.

- Bom dia – ela disse, com a voz ainda manhosa de sono, acariciando o rosto dele com seus dedos. Bill tomou a mão dela na sua e beijou a ponta dos dedos que conseguia alcançar.

- "Bom" é um adjetivo muito fraco para descrever como é acordar com você – ele respondeu, arrancando um sorriso dela, que se aconchegou mais contra o seu corpo. O corpo de Bill era sempre quente, e era incrivelmente surpreendente o quanto ela se sentia segura e confortável no abraço dele. E ele, deleitando-se no momento e se perdendo momentaneamente em seus próprios pensamentos, começava a cogitar a possibilidade de os dois terem sido feitos um para o outro. O corpo dela encaixava perfeitamente contra o seu, como se os dois tivessem sido feitos com duas metades do mesmo molde ao nascer, destinados a se encontrar em algum momento da vida.

- Eu não acredito que vou dizer isso, mas eu realmente gostaria de não ter que trabalhar hoje. Queria ficar aqui o dia inteiro – ela disse de forma preguiçosa.

O ruivo deu uma risada e beijou o topo da cabeça dela.

- Você deve ficar ciente que, ao dizer coisas como essa, minha autoconfiança pode crescer mais do que deveria – ele respondeu rindo – mas a recíproca é verdadeira. Eu gostaria de manter você aqui comigo o dia inteiro.

Hermione girou-se na cama e apanhou seu relógio de pulso na mesinha de cabeceira, voltando-se, em seguida, para Bill, e apoiou os dois braços, cruzados, sobre o peito dele, a fim de conseguir enxergar aqueles olhos azuis. O bruxo depositou um pequeno beijo no nariz dela e acariciou o rosto da castanha.

- Nós ainda temos quarenta e cinco minutos – ela sugeriu, piscando um olho, e ele riu.

- Quarenta e cinco minutos é pouco tempo para tudo o que eu quero fazer com você, minha bruxinha – ele respondeu, e ela resmungou – mas é tempo suficiente para que eu acompanhe você no banho.

Bill nunca havia entrado no banheiro de Hermione. Seus olhos percorreram cada canto do pequeno cômodo de azulejos brancos, que contava com uma banheira equipada com um chuveiro, protegida por uma cortina impermeável branca. Alguns produtos de beleza dela estavam dispostos de forma muito organizada em cima da pia, o espelho era grande e tinha uma bonita moldura dourada, iluminada por duas arandelas antigas na parede. Era um banheiro trouxa, assim como o banheiro que ele usava. Mas, após pouco mais de um mês inteiro morando com a bruxa, ele já havia se acostumado com o funcionamento da água quente. Ele se juntou a ela no banho e sorriu ao sentir o característico cheiro de coco do shampoo dela, o cheiro que ele tanto gostava de sentir nos cabelos dela.

A castanha, pela primeira vez em plena luz do dia, conseguiu enxergar cada detalhe do corpo do ruivo. Observou o sabonete deslizando pelo peito coberto de cicatrizes dele, marcas que ele, assim como ela, carregava da guerra. Ela tinha suas próprias e, assim como ele, não se importava em mostrá-las. Os braços dele, que ela já havia percebido serem musculosos na noite anterior, pareciam ainda mais definidos sob a luz que adentrava a janela. A barriga, também definida, conduzia as gotas de água do chuveiro até o ponto do corpo dele que a havia preenchido por completo horas antes, e ela sentiu o coração pular uma batida. Bill percebeu que ela o encarava, que analisava cada detalhe de seu corpo e que os olhos castanhos dela se demoravam nas linhas e cicatrizes de seu corpo. Mas, ele percebeu, não era um olhar de estranhamento como os que recebia das outras bruxas com quem se relacionara, ou mesmo olhar de pena que sua mãe sempre lhe dirigia quando se deparava com as marcas no corpo dele. Ela o olhava com desejo e com curiosidade.

Ele mesmo a olhava da mesma forma. O corpo esguio dela, as pequenas cicatrizes na barriga e pernas dela, que ele quase não havia percebido na noite anterior, os cabelos castanhos molhados caindo até a metade das costas dela, os olhos fechados enquanto ela ensaboava o cabelo com aquele shampoo de coco, e a boca rosada entreaberta que ela umedecia com os lábios mais vezes do que seria prudente perto dele, a fim de capturar as gotas que escorriam de seu rosto. Ela era linda, e seu corpo começava a responder a esse fato já tão conhecido por ele. Ele sorriu quando percebeu os olhos dela chegarem até o exato local em que o corpo dele respondia à visão do corpo dela.

- Se ficar me encarando assim, eu posso não responder por mim – o ruivo disse, e a voz rouca dele chegou aos ouvidos dela, arrepiando todos os pelinhos da nuca da bruxa.

- Você também está me encarando – ela respondeu, e ele sorriu de canto. O ruivo a puxou pela mão, girando-a em seu próprio eixo e colando as costas dela contra o seu peito. A água do chuveiro caía quente sobre os dois e Bill tinha dificuldades de manter os olhos abertos sob as grossas gotas. A água lavava a espuma para fora do cabelo dela, e o cheiro entrava pelas narinas de Bill.

O bruxo conduziu o sabonete até a barriga dela e passou a ensaboá-la lentamente, atendo-se a cada pedacinho de pele dela com cuidado. Ela arfou ao sentir Bill endurecido contra a sua lombar. Hermione interceptou a mão dele que a segurava firmemente pela cintura e a conduziu lentamente até seu ponto mais sensível, enquanto a outra mão dele deslizava o sabonete pelo corpo dela. Ele ficou com a mão inerte, deixando que ela guiasse seus dedos, dando a si mesma prazer por intermédio dele. Bill sentiu seu ventre latejar e, quando ouviu o primeiro gemido dela, introduziu dois dedos na entrada dela.

- Foda-se o trabalho – Bill exclamou ao sentir a umidade entre as pernas dela. Girou-a rapidamente, jogando o sabonete longe, e a colocou com as costas contra o azulejo frio do banheiro. O ruivo prensou a boca contra a dela com voracidade e demandou passagem com sua língua. Hermione se entregou a ele de imediato, desfrutando de cada toque dele e constatando, com satisfação, que o ruivo agia de forma menos receosa que na noite anterior. Ele parecia totalmente sob o controle da situação e a tocava com carinho, sorrindo contra a boca dela e sentindo-a percorrer todo o seu corpo com as mãos molhadas da água do chuveiro.

Bill conseguiu levá-la ao ápice apenas uma vez antes de se entregar ao próprio prazer, mas nem por isso o momento fora menos proveitoso para ela. Pelo contrário, Hermione saiu do chuveiro com as pernas bambas e os dois se vestiram juntos. O ruivo conjurou suas peças de roupa do quarto dele, a fim de se vestir no quarto dela e aproveitar o máximo de tempo a companhia da bruxinha antes que os dois tivessem que se separar para o trabalho. Bill se despediu dela com um beijo carinhoso e esperou que ela sumisse pelo Flu, mas foi surpreendido quando ela saltou para fora da lareira e enlaçou o pescoço dele com os braços, beijando-o mais uma vez antes de finalmente voltar ao Flu e sumir em direção ao Ministério. O ruivo sorriu de orelha a orelha e umedeceu os lábios com a língua, sentindo o gosto dela antes de sussurrar "Gringotes", e também sumir pela lareira.

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A semana dos dois foi como uma semana de um casal em lua-de-mel. Hermione se via, pela primeira vez na vida, correndo contra o tempo no trabalho para terminar tudo a tempo de voltar para casa com Bill e os dois conseguirem passar a noite juntos. Uma vozinha no fundo de sua cabeça lhe cobrava para não decepcionar Linda e todas as outras bruxas e bruxos que estavam sofrendo com a lei e, por alguns dias, ela deixava sua sala no fim da tarde sentindo uma culpa sobre seus ombros. Sentia que não havia dado o seu melhor naquele dia para finalizar os relatórios, mas qualquer preocupação se dissipava quando encontrava os olhos azuis de Bill na saída do Ministério.

O ruivo a ensinou a cozinhar alguns pratos mais simples, e ela o deixava escolher os filmes que assistiriam. Um dia, ele escolheu "Uma linda mulher" e, no outro "Íntimo e pessoal". Hermione chorou nos dois e ele limpou as lágrimas dela com beijos. Conversavam sobre o dia no trabalho e sobre os mais variados assuntos sentados junto à varanda enquanto Bill fumava seus cigarros. Mais de uma vez Hermione pediu um para acompanhá-lo e, em todas as vezes em que isso aconteceu, ela se engasgou e ele riu, tirando o cigarro das mãos dela e selando os lábios da castanha com os seus.

- Você é uma romântica incorrigível – ele disse, enquanto acariciava o rosto dela e a puxava para mais perto, logo após assistirem Titanic.

- Só alguém com um coração de pedra não chora assistindo a esse filme! – ela se defendeu, ajeitando-se na cama para conseguir enxergar o bruxo, que estava ao seu lado na cama. Ele riu e colou os lábios nos dela, tomando a mão dela na sua e conduzindo-a até seu peito nu.

- Recentemente descobri que o meu coração é de carne, músculos e sangue – ele disse contra a boca dela, entre um beijinho e outro – porque desde que você me pediu para casar com você, ele insiste em bater freneticamente e fazer com que meu sangue corra como nunca por todas as minhas veias.

- Pelo visto não sou a única romântica aqui – ela respondeu, sorrindo e roçando o nariz contra o dele.

- Você traz à tona isso em mim, bruxinha – ele sussurrou e selou os lábios dela, demandando passagem com a língua.

Os dois transavam, e muito. Às vezes antes do jantar, às vezes após assistirem a algum filme, e, às vezes, no momento em que os dois colocavam os pés em casa. Nas duas primeiras noites, o sexo fora mais lento que o sexo matinal, com Bill cauteloso em razão da lua cheia. Ele tinha muito medo de machucá-la e perguntava se ela estava bem a cada quinze minutos. E ela sempre o assegurava de que estava tudo bem e que ele não a machucaria. Toda a confiança que ela depositava nele o comovia e fazia com que ele enxergasse que não conseguiria, jamais, feri-la de qualquer forma que fosse. Ele a enxergava com adoração, tocava-a com cuidado, tomava seu próprio tempo e explorava o corpo dela com calma, amando cada pedaço dela.

Ao contrário do que costumava sentir quando manteve relações sexuais com outras mulheres, ele não queria simplesmente descontar seus sentimentos no corpo dela. E, diferentemente de Fleur, Hermione não queria que ele perdesse o controle. Ela o queria. Queria Bill, e não sua versão violenta, não o lobo que habitava dentro de si. Hermione conversava com ele durante o sexo, deslizava os dedos pelo corpo dele, lembrando-o de que ele estava ali sob o controle. Ele, Bill. Na terceira noite daquela semana, os dois já sabiam como responder ao toque um do outro e o ruivo teve o melhor sexo de sua vida. Íntimo, intenso, cheio de confiança, carinho e sentimento. Quando deslizou para fora dela e acariciou o rosto corado da bruxa, esforçou-se para engolir as palavras que insistiam em querer sair de sua boca. As palavras que descreviam o que ele estava começando a sentir por ela. No entanto, Bill ainda se sentia quebrado demais para conseguir dar esse passo corajoso. Não sabia se conseguiria lidar com a rejeição dela.

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Na sexta-feira, Hermione finalmente deu fim ao relatório sobre os registros de abortos e, ao analisar o resultado, levantou uma sobrancelha em estranhamento. Apanhou os papeis e saiu apressadamente de sua sala, dirigindo-se ao gabinete de Shackelbolt, e nem se deu ao trabalho de bater na porta antes de entrar.

- O que eu posso fazer por você, Sra. Weasley? – o Ministro perguntou, ajeitando-se na cadeira. Hermione abriu e fechou a boca algumas vezes, buscando as palavras. Acabou por puxar uma cadeira e se sentar em frente à mesa do ex-colega da Ordem. Pousou os papéis em cima da mesa dele.

- Não há registros de abortos de famílias puro-sangue – ela disse, apontando para a meia dúzia de papeis em cima da mesa. Shackelbolt estreitou os olhos.

- Por que você está pesquisando arquivos de abortos? – ele perguntou, e ela suspirou.

- É um projeto pessoal – ela respondeu, e ele levantou uma sobrancelha em descrença. Ela se deu por vencida – tudo bem, o que acontece é o seguinte: a Lei do Casamento prevê que bruxos e bruxas se casem e tenham pelo menos uma criança bruxa antes de completarem trinta anos. E antes que você me dê algum sermão, eu não estou agindo em benefício próprio. Eu estou... err... eu estou, na verdade, muito feliz com o meu casamento.

- Fico feliz em saber disso – o Ministro comentou – então?

- A lei também prevê que bruxos e bruxas que descumprirem esses dispositivos sejam expulsos da comunidade mágica. Mas o problema é esse: e se, mesmo celebrando um casamento entre bruxos, mesmo que esses bruxos sejam puro-sangue, não seja possível gerar uma criança mágica? O que acontece aos bruxos inférteis? O que acontece aos bruxos que gerarem uma criança sem mágica ou com a mágica tão fraca a ponto de não conseguirem participar da comunidade bruxa?

Shackelbolt se escorou contra a cadeira e coçou o queixo pensativamente.

- O que você propõe? – ele perguntou, e ela sentiu, pelo tom do Ministro, que ele estava do seu lado. Ela suspirou aliviada.

- Derrubar a lei – ela respondeu.

- Não é tão fácil derrubar uma lei, você está bastante ciente de como funcionam as audiências em Wizengamot. Não é fácil contrariar o interesse das famílias mais influentes.

- Eu sei! – ela exclamou – mas eu preciso tentar. Eu não posso deixar bruxas serem forçadas a casar, não é como se todos os bruxos fossem como o Sr. Bingley. E não posso deixar que elas sejam expulsas por causa de uma lei tão retrógrada quanto essa!

- Sr. Bingley?

- É um personagem de uma obra trouxa que Bill gosta – ela deu de ombros – eu preciso da sua ajuda, Shackelbolt. Em nome do nosso tempo na Ordem, eu preciso da sua ajuda. Eu coletei todos os registros de abortos nos últimos cinquenta anos, mas os números são ridículos. Não há registros de abortos puro-sangue, somente de mestiços, e mesmo assim os arquivos estão incompletos. Eu não consigo levantar a minha teoria de que o casamento não garante o nascimento de uma criança mágica com apenas meia dúzia de registros como embasamento.

- Poucas famílias puro-sangue gostariam de ter abortos em registros públicos, Hermione – o Ministro respondeu – você não encontrou mais nada nos arquivos?

- Eu só chequei as caixas de registros de abortos e das famílias puro-sangue – ela explicou – ainda tenho mais algumas caixas pela frente, mas nenhuma que trate sobre esse tema em específico. Na minha pesquisa sobre as famílias do Sagrado 28 também não encontrei registros de infertilidade. Não sei mais o que fazer, sinto-me em um beco sem saída!

Shackelbolt apontou a varinha para a porta e lançou um feitiço silenciador. Levantou-se da cadeira e caminhou decididamente até a grande estante de livros na parede atrás de Hermione, tirou dali um livro e o abriu. A bruxa percebeu que se tratava, na verdade, de um pequeno baú camuflado como livro. O Ministro tirou dali uma pequena chave e a estendeu para a bruxa.

- Se alguém descobrir, você não soube por mim – ele falou, mantendo uma expressão séria – essa é a chave para o arquivo oculto do Ministério, fica descendo aquele pequeno lance de escadas no Departamento de Mistérios, segunda porta à esquerda. Talvez lá você encontre alguns registros que os mais influentes não desejam que sejam encontrados.

Hermione pegou a pequena chave e sorriu agradecida ao Ministro, com pequenas lágrimas nos cantos dos olhos. A bruxa, então, levantou-se da cadeira e abraçou o antigo parceiro da Ordem.

- Obrigada! – ela agradeceu, e o homem pareceu sem graça, limpando as vestes assim que a castanha o soltou.

- Continue lutando essas batalhas, Sra. Weasley – ele sorriu para ela e voltou à sua própria mesa – são elas que vão garantir ao mundo mágico a Ministra que estamos precisando.

Sob a piscadela cúmplice de Shackelbolt, Hermione deixou a sala do chefe confiante, guardando a pequena chave dentro do bolso do casaco. Como já estava perto do fim do expediente e ela sabia que a segurança do Ministério seria reforçada para o fim de semana, ela resolveu chegar cedo na segunda-feira e se esgueirar pelo Departamento de Mistérios para pegar os arquivos.

Chegando à própria sala, encontrou dois pergaminhos em cima de sua mesa. Um era um convite de Ginny para que saíssem ela, a ruiva, Luna e Angelina para jantar na terça-feira que seguiria, como faziam antes das amigas terem se tornado mães. Ginny lhe informou que Harry ficaria em casa cuidando dos meninos. A ruiva ainda informava que haveria um jantar na Toca no sábado, então Hermione confirmou a presença nos dois eventos. O segundo pergaminho era de Bill, avisando que havia ido para casa mais cedo e a esperava para a janta.

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- Bill? – Hermione perguntou, entrando em casa e tirando os sapatos. Largou o casaco sobre o sofá e encontrou o ruivo na varanda, fumando um cigarro. Como de costume, o rádio estava ligado, e a bruxa reconheceu o álbum dos Beatles que havia herdado de sua mãe. O ruivo provavelmente já havia descoberto como usar o toca-discos.

Ele vestia uma camiseta preta e uma calça jeans. Tinha os pés descalços e ela percebeu que os cabelos dele estavam um pouco mais curtos. As mechas ruivas, antes tão longas, agora mal tocavam os ombros do bruxo. Quando ele percebeu a presença dela, virou-se e dirigiu à castanha um sorriso. E então ela percebeu outra coisa diferente: ele estava sem barba. A enorme cicatriz das três garras de Greyback que rasgaram o seu rosto agora estavam plenamente visíveis. E, ainda assim, ele estava lindo. Ela retribuiu o sorriso dele e deslizou a porta de correr que dava para a varanda, juntando-se a ele.

- Você fez a barba – ela comentou, e ele desviou o olhar do dela. Desajeitadamente, apagou o cigarro no cinzeiro.

- De tempos em tempos preciso fazê-la, para que ela cresça decente – ele explicou, ainda sem encontrar o olhar dela – como temos as bodas dos meus pais, pensei que seria prudente tirar a barba por agora.

A bruxa se aproximou dele e tomou o rosto dele entre as mãos, acariciando a marca das garras com seu polegar, e colou seus lábios nos dele. Ele retribuiu ao beijo, e ficou surpreso quando ela deslizou os lábios para a cicatriz, depositando vários beijinhos por toda a sua extensão. O ruivo fechou os olhos, aproveitando aquela sensação nova. Aquele era o único pedaço de pele de Bill que ela nunca havia conseguido tocar, beijar e sentir, e seu coração disparava a cada contato que seus lábios faziam na pele dele.

- Eu gostei – ela disse, com o nariz colado no dele e sorrindo timidamente – você é lindo, Bill. O bruxo abriu os olhos e encarou os da castanha, pousando suas próprias mãos sobre as dela, que ainda estavam em seu rosto.

- Eu não sei o que fiz para merecer você – ele sussurrou – mas faria tudo de novo só para ter você, minha bruxinha.

- Eu gosto quando você me chama assim – ela respondeu, beijando a palma de uma das mãos dele, e ele buscou a boca dela com a sua.

- Minha bruxinha – ele sussurrou, e ela sorriu contra os lábios dele. O disco no rádio deu uma pequena arranhada e, logo depois, passou a tocar Something. Bill deslizou as mãos para a cintura de Hermione e começou a balançá-la de um lado para o outro lentamente. Ele mantinha a cabeça baixa e os lábios colados na orelha dela, murmurando pedaços da letra da música, cantando à sua própria maneira, como se estivesse cantando para ela – e tudo o que eu tenho que fazer é pensar em você, há algo nas coisas que você me mostra, eu não quero deixar você...

Hermione levantou o rosto e buscou os lábios dele, puxando-o cuidadosamente contra si, como se fosse possível que ele ficasse mais próximo dela do que já estava. Bill explorava as costas e as pontas dos cachos dela com seus dedos. Esquecendo-se completamente da janta, que já estava pronta sobre o balcão da cozinha, a castanha conduziu o ruivo até o seu quarto e os dois fizeram, talvez pela primeira vez, amor. Pelo menos essa era a impressão que Bill teve. Se é que isso era possível, o contato deles naquela noite foi mais íntimo que das outras vezes. Hermione o olhava com adoração, e ficava repetindo o quanto ele era bonito e o quanto ela o queria, e o ruivo sentiu uma onda tranquila e ao mesmo tempo avassaladora percorrer seu corpo inteiro. Sentiu-se adorado, sentiu-se amado. E a adorava e a amava de volta. O disco dos Beatles tocava em looping e ele sussurrava pedaços das letras que acreditava se encaixarem para ela enquanto deslizava para dentro e para fora dela. Ela arfava e beijava seu rosto, por vezes tocando suas cicatrizes com a ponta da língua. A bruxa chegou ao seu ápice de forma intensa, e o aperto quente em volta de Bill fez com que ele se derramasse dentro dela ao mesmo tempo em que ela tinha seu pico de prazer.

- Você podia passar a dividir o quarto comigo, se quiser – Hermione comentou, assim que os dois deitaram abraçados e acalmaram a respiração.

- Você quer dividir o quarto comigo? – ele perguntou, acariciando os cachos dela, que estavam sobre seu peito, com seus dedos.

- Não consigo mais me imaginar dormindo sem você aqui – ela confessou, abraçando-o mais forte.

- Então eu fico feliz em informar que você nunca mais vai dormir sem mim, bruxinha – ele respondeu de forma divertida – vai ter que me aguentar o resto da sua vida, acordando ao seu lado, com meu grande e horrível hálito de lobo no seu rosto.

- Você é um idiota, Bill – ela respondeu, rindo, e ele começou a fazer cócegas da barriga da castanha, arrancando gargalhadas da bruxa. Algumas lágrimas escorriam pelo rosto dela enquanto ela se contorcia na cama e tentava afastar as mãos dele – para, Bill, para!

Ele obedeceu, mas puxou-a contra si, colando as costas dela contra seu peito. Beijou o pescoço e o ombro exposto dela. E assim o ruivo dormiu, sentindo o cheiro dela penetrando suas narinas e os dedos dela acariciando seu braço, que a enlaçava firmemente.

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- Minhone! – James gritou assim que Hermione e Bill cruzaram a porta da Toca no sábado, pulando no colo da madrinha e enchendo o rosto dela de beijos. O ruivo sorria para a cena, e tomou a criança no colo assim que ela estendeu os braços para ele, buscando o abraço do tio.

Molly se aproximou do casal com uma grande travessa. Hermione conseguiu contar dez tipos diferentes de fatias de bolo, e levou uma até a boca, dando uma pequena mordida. Bill, ajeitando James em seu colo com um braço só, pegou com sua mão livre outro sabor de bolo, e a matriarca Weasley os encarava em expectativa.

- Eu gostei do bolo de chocolate – a castanha disse, levando o pedaço que ainda tinha nos dedos até a boca de Bill, que o comeu. Ele mastigou algumas vezes e engoliu.

- Definitivamente o de chocolate – o ruivo pontuou – eu odeio frutas em bolo. Jogue no lixo o de morango.

- Isso é uma blasfêmia! – Hermione exclamou – Como assim você odeia frutas em bolo?

- Eu odeio frutas – Bill respondeu – só gosto de morango quando é a sua boca com esse gosto.

Hermione sentiu as bochechas pegando fogo, e olhou nervosamente para a sala, encontrando quase todos os Weasley, Harry e Angelina com o queixo caído, atônitos com o comentário do filho mais velho. Os únicos com sorrisos travessos no rosto eram Ginny e George, que trocaram olhares que diziam muito, e Bill tinha certeza de que tinha a ver com a aposta entre os dois.

- Bom, não sendo o bolo com gosto de sabão que mamãe nos enfiou goela abaixo nas últimas bodas, eu fico satisfeito – George exclamou em voz alta, tirando todos os outros do transe em que se encontravam.

- O bolo não tinha gosto de sabão! Era a receita da família – Molly respondeu, deixando o casal para trás e se dirigindo com a travessa de bolos até a mesa da cozinha.

- Não era só o gosto, eu consegui lavar o meu pé com a fatia que você me serviu – George insistiu, e a matriarca ficou com o rosto vermelho de raiva – eu juro por Merlin, mulher. Se Fred estivesse aqui, ele poderia confirmar. Provavelmente guardaria uma fatia dentro de uma saboneteira.

Ginny, Bill e Ron riram. Hermione sabia que os amigos e o marido gostavam quando George trazia Fred para a conversa de forma leve, lembrando a todos da personalidade divertida e travessa do gêmeo falecido.

A janta, como de costume, foi um completo caos. Molly se dividia entre cozinhar, organizar os preparativos para a comemoração das bodas de quarenta anos que aconteceria no fim do mês, e delegar tarefas a Arthur, que dirigia olhares desesperados aos filhos, como se pedisse socorro. As crianças corriam de um lado para o outro. Harry havia levado Teddy, que, junto de Roxanne, fugia de James, que era significativamente mais novo que os dois. Os cabelos do menino trocavam de cor muito rápido, acompanhando a mistura de sentimentos que o menino sentia sempre que estava na companhia do padrinho e dos amigos.

- Você sabe que vai ter que me contar tudo na terça-feira, não sabe? – Ginny sussurrou para Hermione, antes de Molly puxar a castanha para ajudar a escolher as toalhas de mesa. Pela primeira vez, a bruxinha ficou aliviada ao ser ocupada pela, agora, sogra.

Bill bebia um copo de Firewhisky escorado junto à estante de livros enquanto conversava com George. Hermione, vez que outra, encontrava o olhar do ruivo mais velho, que sempre lhe dirigia um sorriso e uma piscadela.

- É bom vê-lo assim – George comentou, e Bill levantou uma sobrancelha – estou falando sério! Eu sei que costumo brincar, mas estou sendo honesto agora. É bom ver você feliz e sem barba, fica mais parecido com o Bill de quando éramos adolescentes.

- Quando você era adolescente eu já era um adulto de mais de vinte e cinco anos e estava casando – o ruivo mais velho comentou.

- Por Merlin, Bill, fale baixo antes que alguém interne você num asilo por ser tão velho – George brincou e o mais velho deu uma gargalhada – deixe-me corrigir; você parece o Bill de antes, quando tudo era mais fácil, quando todos estávamos juntos.

- Eu estou melhor, para ser sincero – ele respondeu, bebericando de seu whisky – não lembro de outro momento em que estivesse me sentindo como agora.

Harry se juntou aos dois, deixando um Ron reclamando para trás. O ruivo mais novo tentou se livrar da mãe, mas Luna havia agarrado seu braço e o obrigado a ficar ali com elas escolhendo arranjos de mesa. Harry fora mais rápido e escapara antes que Ginny fizesse o mesmo consigo. O moreno acabou escutando a última frase dita por Bill e sorriu, batendo amigavelmente com a palma da mão no ombro do ruivo mais velho.

- Não lembro de já ter visto Hermione tão feliz também – Harry comentou – desculpe, eu acabei ouvindo um pouco da conversa de vocês.

- Você acha que ela está feliz? – Bill perguntou, interessado na resposta que o melhor amigo de sua esposa daria. Se havia alguém que sabia dos sentimentos mais profundos da castanha, esse alguém era ele.

- Ela está. Ela realmente gosta de você – o moreno respondeu, e os três se viraram para a mesa da cozinha, onde o sujeito da conversa segurava James no colo e fazia caretas ao afilhado. Bill sorriu para a cena. Hermione gostava dele, mas o ruivo sentia algo muito mais forte por ela. Ele estava começando a se apaixonar por ela, isso se já não estivesse apaixonado, e queria, desesperadamente, que ela retribuísse seus sentimentos. No entanto, por ora, poderia se contentar com o fato de que ela gostava dele e estava feliz. Ele a fazia feliz.

- Eu sou completamente louco por ela – Bill pensou alto, deixando as palavras escaparem por seus lábios e só se dando conta quando Harry e o George o encararam. O primeiro, com um sorriso genuíno no rosto, e o segundo com um sorriso triunfante. Os três ouviram uma gritaria vinda da mesa.

- BRANCO É BRANCO – Ron gritava – honestamente, como você quer que eu veja a diferença entre esses dois guardanapos se os dois são brancos?

Ginny deu uma gargalhada e Molly agarrou os dois guardanapos de tecido das mãos do filho e socou-os dentro de uma caixa. Hermione escondeu a cabeça de James contra seu pescoço a fim de tapar os ouvidos dele e se virou para onde Bill estava, lançando-a um olhar de súplica. O ruivo riu e se dirigiu até a esposa, tirando-a do meio da confusão.

- Você frequenta essa casa há anos, mas tem muito o que aprender – o ruivo brincou, conduzindo a castanha até onde estava anteriormente com Harry e George, que agora também estavam próximos à confusão na cozinha – quando há um evento próximo, pegue um copo e vá o mais longe possível que conseguir da minha mãe. Se precisar, beba uma garrafa inteira de whisky e vá embora com a desculpa de que bebeu demais. Funciona sempre.

- Você é terrível – ela respondeu, rindo. Apesar da gritaria, James se aconchegou mais contra o pescoço de Hermione e bocejou, fechando os olhinhos. Bill ficou encantado. Por alguns segundos, imaginou que James fosse seu filho com ela, os três ali juntos, uma família completa. A família que Bill queria, mas achava que nunca conseguiria ter.

Não demorou muito para que Molly os chamasse para, finalmente, jantar. Hermione entregou James a Harry, que o colocou no sofá e se juntou aos demais. Bill se sentou ao lado da castanha, lugar que passara a ser reservado para ele desde que os dois se casaram, e ele estendeu o braço e o posicionou acima do encosto da cadeira dela, de forma protetora. Ginny exclamou um "awn" antes de levar uma cutucada do marido. Todos jantaram animadamente, Molly ainda falando sobre os preparativos das bodas, anunciando que convidaria grande parte da comunidade bruxa que esteve ao lado deles na guerra. Hermione sentiu Bill puxar a cadeira dela para mais perto, e depositou um beijo na bochecha dele.

- Você podia ficar mais tempo sem barba – ela comentou – eu gosto de poder beijar seu rosto.

Ele respondeu com um beijo leve nos lábios dela e um roçar de nariz na testa dela. Não conseguia acreditar que Hermione o aceitava e o queria como ele, de fato, era. Que ela gostava de todas as suas facetas, de todas as suas cicatrizes, de tudo que o fazia ele mesmo. Naquele momento, ele tomou a decisão de jamais deixá-la. Queria viver o resto de sua vida com ela, queria tê-la para si, para sempre. Ela era sua.

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Na segunda-feira, o Departamento de Mistérios estava lotado, parecia que o Ministério havia reforçado a segurança justamente quando ela precisava se esgueirar até o arquivo oculto. Tentou, por três vezes, adentrar o Departamento. Todas sem sucesso. Na terça-feira, Hermione tentou novamente e também não conseguiu. Dedicou-se, então, aos seus relatórios como chefe do Departamento de Regulação das Leis. Ao fim do dia, chegou ao local combinado e encontrou Ginny, Angelina e Luna sentadas em uma mesa ao fundo, cada uma com uma taça em mãos.

- FINALMENTE! – Ginny gritou, fazendo com que todas as cabeças no restaurante se virassem para a mesa delas.

- Ginny! – a castanha reclamou, sentando-se ao lado da ruiva e largando o casaco no braço da cadeira.

- Desculpe, mas é que eu estou realmente muito feliz! – a ruiva explicou – fiquei por semanas me perguntando quando ele tomaria alguma atitude, já estava ficando insuportável ver vocês dois e saber que nada estava acontecendo. Vocês estavam tão fofos na Toca sábado!

Hermione encarou a amiga com as bochechas quentes, enquanto recebia uma taça de Angelina, que distribuía as bebidas que o garçom havia trazido até a mesa.

- Estava evidente que vocês dois tinham sentimentos um pelo outro – Luna explicou – eu pude ver isso desde o dia em que encontrei vocês dois tomando café naquela praça.

- Não sei se há algum grande sentimento, então não criem expectativas – Hermione respondeu.

- Ah, Mione, por favor! – Ginny exclamou, e Hermione lembrou de quando Bill quis dar um apelido carinhoso a ela, por não gostar de chamá-la pelo apelido que Ron havia dado a ela. Não conseguiu refrear um sorriso.

- Você costuma carregar um espelho na sua bolsinha? – Angelina perguntou, bebericando de seu vinho élfico.

- Sim, por quê? Você precisa? – a castanha respondeu, apanhando a bolsinha em seu bolso do casaco.

- Não, você que precisa de um para enxergar esse seu olhar apaixonado sempre que o assunto é Bill – a ex-grifinória respondeu, e arrancou risadas de Luna e Ginny. Hermione sentiu as bochechas quentes.

- Eu acho que estou mesmo – Hermione respondeu baixinho, remexendo o guardanapo ensopado por aparar o suor de sua taça de vinho, que ela gostava de tomar com gelo. As amigas fizeram silêncio e a encararam em expectativa – acho que estou começando a ter sentimentos pelo seu irmão.

Ginny abriu um grande sorriso e segurou a mão da amiga, e as outras duas bruxas propuseram um brinde. Angelina com sua terceira taça de vinho e Luna com sua taça de suco, já que estava grávida e não podia beber.

- Ele é o melhor homem que eu já conheci – a castanha continuou – ele é atencioso, ele é gentil, ele é divertido, inteligente, absurdamente bonito. Ele é lindo, por dentro e por fora, e, honestamente, o sexo...

- PODEMOS PARAR POR AÍ – Ginny interrompeu, e Hermione riu – eu realmente não quero saber da vida sexual do meu irmão.

- Mas? – Luna, sempre a mais atenta, questionou Hermione, sorrindo-lhe cúmplice.

- Mas não sei se ele sente o mesmo – Hermione suspirou – ele é muito fechado, e eu entendo. Ele passou por muito com o divórcio, com a guerra e com todo o estigma de ter sido atacado por um lobisomem. Ele é tão carinhoso comigo, mas talvez eu esteja confundindo as coisas.

- Bill é louco por você – Ginny respondeu.

- Talvez ele sinta o mesmo – Angelina comentou.

- Como assim? – a castanha perguntou.

- George é muito próximo de Bill, e comentou algumas vezes sobre a dificuldade dele de se entregar novamente a alguém. E quem pode julgá-lo? Depois do que Fleur fez... Talvez você só consiga ter a certeza de que Bill sente o mesmo por você depois de você mesma demonstrar a ele o que sente. Ele precisa se sentir seguro.

Hermione absorveu as palavras de Angelina com o coração aberto. A castanha tinha, ela mesma, suas próprias cicatrizes e restrições em relação a relacionamentos. Lidava, desde que se lembrava por gente, com as inseguranças de nunca ser o suficiente. Sempre fora a segunda opção de todos os bruxos com quem se envolveu, e tinha medo de ser somente a última opção possível para Bill, já que os dois estavam presos a esse casamento até que ela conseguisse derrubar a lei. Mas Angelina tinha um ponto. Bill tinha mais cicatrizes do que ela, algumas ainda em aberto. Ele fora traído e abandonado por Fleur, e se mantinha fechado. Mas, mesmo assim, Hermione sentia que ele, aos poucos, se abria para ela. Talvez a antiga companheira de casa em Hogwarts tivesse razão. Talvez Hermione precisasse dar um salto no escuro e dar a Bill a segurança que ele precisava para, assim, permitir que ele pudesse sentir algo por ela em retorno.

A bruxinha passou o resto do jantar perdida em seus próprios pensamentos e foi Luna quem sussurrou em seu ouvido que ela deveria ir para casa e fazer o que deveria fazer. A castanha sorriu à amiga e se pegou pensando que se Ron não a tivesse traído, dificilmente teria encontrado seu caminho junto à Luna, e que isso seria uma lástima. Luna era perfeita para ele, e era ótimo tê-la como uma amiga tão próxima. Era ótimo tê-la como família. Hermione sorriu à loira e se levantou da mesa, anunciando que iria para casa e as manteria informadas do que quer que acontecesse. Ginny e Angelina deram gritos de guerra como se Hermione estivesse prestes a participar de uma batalha.

A castanha saiu do restaurante e caminhou decididamente até a esquina, de onde aparatou. Quando chegou ao apartamento, pôde ouvir o rádio ligado, tocando alguma canção romântica, que era a programação padrão daquela estação em específico. Cruzou a porta e andou até a sala, procurando o ruivo com os olhos. Bill estava em pé na varanda, e apagou o cigarro no cinzeiro ao enxergá-la. O ruivo a encarava sério, tentando desvendar o que se passava na cabeça da castanha, que havia largado o casaco e a bolsa no chão e caminhava a passos firmes em sua direção.

Hermione adentrou a varanda e jogou os braços em volta do pescoço de Bill, colando seus lábios nos dele. O ruivo correspondeu ao beijo, segurando-a firmemente pela cintura, puxando-a contra o seu próprio corpo. Sentia os lábios urgentes de Hermione contra os seus, querendo aprofundar o beijo, e se deixou levar pelo gosto da boca dela. Bill sentiu as mãos da bruxa deslizando de seus cabelos para seus ombros, e descendo até seu peito. Ela tentava desabotoar os botões da camisa dele e o conduzia desajeitadamente para dentro do apartamento. Ele sorriu contra os lábios macios da castanha e a ajudou a desfazer o abotoado da própria camisa, deslizando-a pelos próprios braços até o chão.

Bill levou as mãos até a cintura de Hermione e puxou a camisa dela para fora da calça, buscando a pele dela com os dedos. A bruxa puxou a própria blusa para cima, quebrando o beijo dos dois para conseguir tirá-la. Finalmente ciente do ambiente à volta deles, reconheceu que o rádio passou a tocar "It must have been love", uma música romântica que havia tocado em algum dos filmes que eles haviam assistido juntos naquele último mês. Quando largou a blusa no chão e encarou os olhos azuis de Bill, sentiu um puxão no umbigo e seu coração falhou uma batida. Ela se sentia hipnotizada pelos olhos dele, e, talvez pela intensidade do momento, ou talvez por não conseguir piscar e perder um segundo que fosse do olhar dele, os cantos de seus olhos produziram algumas poucas lágrimas, e uma delas escorreu por seu rosto.

- O que houve? – o ruivo perguntou, preocupado, segurando o rosto dela entre as mãos. Limpou aquela única lágrima dela com seu polegar – Eu fiz algo?

- Tudo – ela respondeu, respirando fundo e tomando coragem – você fez tudo, Bill. Você tornou impossível viver com você, dividir os dias com você e não me sentir assim.

- Assim como? – ele questionou, os olhos arregalados. Ele temia a resposta dela e engoliu em seco, sentindo os músculos enrijecerem em antecipação à possível rejeição dela.

- Eu acho que estou apaixonada por você, Bill – ela respondeu baixo, e desviou os olhos dos dele.

Bill segurou o queixo dela entre o seu dedo indicador e o polegar, e forçou levemente o rosto dela para cima, fazendo com que ela voltasse a olhá-lo nos olhos. Ele não tinha certeza se tinha escutado o que havia escutado. O coração dele deu uma pirueta e ele precisava, com todas as suas forças, ouvir dos lábios dela aquela frase de novo, olhando-a nos olhos. Queria ter certeza.

- Pode repetir? – ele pediu, gentilmente.

- Eu estou apaixonada por você – Hermione repetiu, sentindo as bochechas quentes, e ele sorriu para ela.

- Então isso nos torna dois – ele respondeu – porque eu estou completamente apaixonado por você. Eu sou louco por você, bruxinha. Minha bruxinha.

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Resposta aos reviews e comentários:

Imileide e Enaprin: Sejam bem-vindos a fic! Sintam-se à vontade para comentarem o que estão achando, deixarem sugestões, etc. s2

Lexas: Fico muito feliz que você tenha gostado do capítulo! Eu tenho um pouco de dificuldade de descrever cenas de sexo, e tento ao máximo não deixar tão vanilla mas também não transformar em um filme erótico de baixo orçamento hahaha. Finalmente os dois tomaram uma atitude, mas considero a demora necessária. Os dois se conheciam muito pouco, a Hermione é muito séria e pragmática, enquanto o Bill sofre com conflitos internos bem densos. Tive que começar a desenvolver aos poucos para não virar aquelas fics de "ele olhou para ela e se apaixonou de cara", até porque eles conviveram por anos, só não eram próximos, nem faria sentido ele olhar para ela, ou ela para ele, e só estalar a paixão.

Aceitando a sua sugestão de responder os comentários após o capítulo, aqui estou! Sobre suas dúvidas: eu não vou entrar tanto na questão dos abortos, porque não é tão relevante ao andamento da história que eu planejo. Eu mencionei os abortos porque, em linhas bem gerais, são bruxos "sem mágica" ou com a mágica fraca demais para participarem ativamente da sociedade bruxa. É um argumento favorável à Hermione para anular a Lei do Casamento, já que é uma comprovação de que a união de dois bruxos – mesmo bruxos puro-sangue - não garante a perpetuação da população mágica, então configura uma lacuna na lei. Existem outras questões, como a infertilidade, que vão dar uma robustez à petição da Hermione contra a lei.

Aliás, eu aproveito aqui para já responder um outro questionamento que você me fez há alguns capítulos: seria, de fato, muito mais fácil se os bruxos fossem menos conservadores e utilizassem de tecnologias trouxas para repovoar o mundo bruxo, como fertilização in vitro. Mas eu enxergo o mundo bruxo como um mundo bem alheio a tecnologias num geral, porque eles utilizam mágica. Por exemplo, eu não recordo de bruxos comentarem sobre cinema, ou videoclipes, por exemplo. Acredito que, justamente por usarem de mágica, não tiveram a necessidade de desenvolver tecnologia para suprir algumas necessidades, como nós. Então acredito que eles não usariam de FIV.

Eu modifiquei alguns detalhes para encaixar melhor na história. Por exemplo: o casamento, até onde eu lembro, é um laço para a vida, assim como o voto perpétuo. Nesse cenário, não existem contratos de casamento, somente a cerimônia. Ainda, o Bill não teria como se divorciar, e aí a fic não existiria hahahaha. A lei cobra de bruxos mais novos, em idade "fértil" que se casem, por esse motivo bruxos mais velhos não sofrem essa pressão, como a McGonagall. Eu sei que bruxos vivem mais tempo do que trouxas, mas mesmo assim acredito que, assim como nós, exista uma idade adequada para ter filhos sem maiores riscos, e pessoas mais velhas como a Minerva estariam – acredito eu – fora dessa idade.

Sobre o filme "about time", eu amo! É um dos meus favoritos no gênero romance/comédia. Eu cogitei colocar como capa alguma imagem do filme, mas o Domhnall está com o cabelo curto e foge da descrição física do Bill ): mas vou pesquisar se consigo encontrar alguma imagem dos atores juntos com o Dom de cabelos longos (a Rachel no filme realmente fica uma ótima Hermione).

E sobre as MP: no app elas não aparecem para mim, só abrindo no site mesmo, e mesmo assim os links acabam vindo incompletos ): Não consegui acessar a imagem da fanart que você mandou.

Ainda, o Teddy que está na fic é o filho da Tonks e do Lupin. Ele é afilhado do Harry, razão pela qual o Harry participa muito da vida dele. Imagino que é isso o que ele faria, já que ele mesmo foi privado de ser criado pelo Sirius. No entanto, o Teddy mora com a Andrômeda, única parente ainda viva. Eu pensei muito em modificar o canon e colocar o Teddy morando com o Harry, mas achei que seria uma responsabilidade muito grande para ele, que só tinha 17 anos quando o Lupin e a Tonks morreram.

Gabriela: Bill e Hermione funcionam muito, né? Confesso que a ideia da fic veio porque eu sou simplesmente apaixonada pelo Dom como Bill (lindíssimo) e pelo Gary Oldman como Sirius, então minhas ideias são basicamente shippando os dois com alguém. Eu me esforço muito para manter a personalidade que a JK deu aos personagens, mas tratando de assuntos que ficaram um pouco de lado (até por ser uma série de livros infanto-juvenil. Imagina escrever que os alunos usavam o banheiro dos monitores para transar? kkk o caos meu pai). Eu confesso que, até agora, minha fic xodó é a Wicked Game, do Sirius x Hermione, mas essa aqui tá me fazendo chegar à conclusão de que Bill e Hermione simplesmente nasceram para acontecer. Obrigada, como sempre, pelos seus comentários maravilhosos e por todo o incentivo! s2