Algumas observações antes do capítulo: eu demorei a atualizar porque, na vida "real" sou advogada e fim de ano é sempre uma loucura. Por isso, pelo olhar viciado de tanto ler e escrever no computador, talvez existam alguns erros de digitação ou mesmo de gramática. Por isso, eu posto esse capítulo, que foi bem especial, mas em alguns dias volto para revisar qualquer erro e corrigir. Espero que gostem!

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12. TUDO

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"Tenho procurado por você

Ouvi um grito dentro da minha alma

Nunca tinha sentido uma paixão como essa antes

E agora, sem o menor aviso, você entra pela minha porta"

(Again – Lenny Kravitz)

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Nem mesmo os contratempos enfrentados por Bill no Gringotes conseguiram tirar o sorriso que lhe tomava o rosto desde terça-feira. O ruivo caminhava pelo banco sentindo os passos leves e, volta e meia, sentia o coração pulando de seu peito ao se lembrar de Hermione. Tudo parecia ter voltado ao seu lugar, Bill sentia que fora um quebra cabeça desmontado a vida inteira e que a bruxinha havia, pela primeira vez, juntado todas as peças. Naquela tarde de quinta-feira, em específico, Bill teria grande parte do turno livre. Aparentemente o Ministério havia recebido uma denúncia de que o banco estaria contando com o uso de um dragão para a guarda de alguns cofres que ficavam, justamente, na seção que Bill deveria fiscalizar naquele dia.

Mesmo tendo quase sido atingido em cheio pelo fogo do dragão, e mesmo com uma mecha de cabelo chamuscada, ele sorriu orgulhoso. Ele sabia que a lei que proibia o uso de dragões para fins de guarda ou entretenimento havia sido de autoria da pequena bruxinha que ocupava seus pensamentos.

Após algum tempo sentado contra uma parede, o bruxo concluiu que a remoção do dragão levaria muito tempo, e então resolveu tirar um intervalo e convidar Hermione para almoçar. Ele tinha absoluta certeza de que ela ainda não havia comido nada, mas sabia que ela não recusaria se alimentar caso ele lhe pedisse por companhia.

Apontou a varinha para a mecha chamuscada e a lavou magicamente, visto que o cheiro de cabelo queimado o deixava enjoado. Soltou os cabelos somente para conseguir prendê-los por completo em um coque baixo malfeito, e subiu até a recepção do banco utilizando um dos carrinhos de transporte. Toda vez que usava os carrinhos, agradecia mentalmente por carregar consigo uma credencial mágica que impedia os feitiços protetores que ele mesmo havia lançado de lhe atingirem.

Ao contrário do que esperava, Hermione não estava sentada em sua mesa de trabalho, mas sim parada junto ao elevador no andar do Departamento de Execução das Leis de Magia. Ela ficou surpresa ao encontrar o marido ali, e adentrou o elevador rapidamente antes que a porta fechasse, arrastando o ruivo consigo. O elevador estava vazio à exceção dos dois. A bruxa apontou a varinha para o painel de botões do elevador e murmurou algo que Bill não entendeu. Ele levantou uma sobrancelha.

- Eu confesso que estava esperando pelo menos um beijo – ele reclamou, ganhando a atenção da bruxa, que se inclinou até ele e beijou-o nos lábios.

Bill sorriu contra os lábios dela, mas estranhou ao perceber, quando abriu os olhos, que não estavam se movimentando em direção ao restaurante ou ao saguão do Ministério.

- Onde estamos indo? – ele perguntou.

- Departamento de Mistérios – ela sussurrou, e ele a encarou completamente perdido – era para eu ir sozinha, mas já que você está aqui...

- E qual o motivo? Deixe-me adivinhar, tem algo a ver com o seu projeto secreto? – ele questionou.

- Sim – ela confessou – Shackelbolt me forneceu a chave para um arquivo oculto dos registros do Ministério, mas, teoricamente, eu não poderia ter acesso a ele. Nesse exato momento está começando uma sessão de julgamento do Wizengamot, o que significa que provavelmente o Departamento de Mistérios receberá menos atenção.

- Isso significa que não podemos ser vistos?

- Isso significa que não podemos ser vistos – ela confirmou, e o elevador parou.

- É estranho que eu tenha achado a ideia de fazer com você algo proibido extremamente excitante? – ele sussurrou contra o ouvido dela, seguindo-a de perto pelos corredores do Departamento de Mistérios.

Ao ouvir alguns passos com sua audição aguçada, Bill puxou a bruxa contra uma pilastra, colando-se contra ela. Bill percebeu que Hermione só soltou a respiração e ofegou quando os passos já haviam se afastado bastante. Ele sentiu o cheiro familiar do perfume que ela usava contra a pele quente do pescoço dela, então olhou para baixo e a encontrou mordendo os lábios.

- É um pouco excitante – ela sussurrou de volta, e ele abriu um sorriso.

- Você vai ser a minha morte, bruxinha – ele respondeu e mordiscou a ponta do nariz dela – acho que já podemos ir.

A bruxa assentiu e o puxou pelo pulso até uma escada caracol no canto do corredor, algo que Bill, particularmente, nunca havia notado antes. Não que ele tivesse ido muitas vezes até ali, mas, das vezes em que foi, jamais havia notado a escada. Antes de começar a descer a escada, o ruivo percebeu que Hermione murmurou um feitiço para que os degraus não rangessem e denunciassem que havia alguém ali. Bill levantou as sobrancelhas admirado com o raciocínio muito rápido da esposa. Como é possível que tudo o que ela faz se torne sexy só porque é ela fazendo? Ele pensou, seguindo-a de perto.

Bill tinha uma ótima visão noturna e, justamente por isso, ficou surpreso ao perceber que Hermione parecia segura de onde estava indo, mesmo com a iluminação medíocre do lugar. Ela tirou uma pequena chave do bolso do casaco e abriu uma porta muito antiga, e ele reconheceu a chave. Era um artefato antigo e muito difícil de encontrar nos dias atuais. Tratava-se de uma chave mágica que só poderia abrir uma única porta, porta que, por sua vez, só poderia ser aberta pela chave. Não havia feitiço ou artifício que abrisse uma porta dessas na ausência da chave.

- Por Merlin, como eu vou encontrar algo aqui? – ele ouviu Hermione suspirar e, quando adentrou o cômodo, entendeu do que se tratava.

Era uma sala gigantesca com prateleiras até o teto. Bill chutava que talvez perfizesse o tamanho de uma quadra de quadribol.

- Meu amor, você não precisa me dizer do que se trata o seu projeto, mas se me disse o que precisa aqui eu posso ajudar você a procurar – o ruivo disse a ela e, somente quando ela corou que ele percebeu que havia se referido a ela como "meu amor". E ele sorriu, porque pareceu tão certo e lhe causou um rebuliço bom dentro de si. Decidiu que a chamaria assim mais vezes, talvez, assim, ela pudesse se referir a ele do mesmo jeito.

- Eu preciso que você busque os registros de nascimento das famílias bruxas tradicionais enquanto eu busco um outro registro – ela explicou e ele assentiu. Resolveu não fazer perguntas, mesmo que estivesse curioso para saber do que se tratava. Antes que ele virasse as costas, sentiu-a segurando o seu pulso e se virou para ela novamente. Hermione se colocou na ponta dos pés e o beijou.

- Obrigada, Bill – ela agradeceu sorrindo – você é o melhor marido do mundo.

O ruivo sentiu borboletas no estômago e conseguiu, no silêncio daquela sala, ouvir o coração dela batendo muito forte contra o peito dela.

Os dois ficaram aproximadamente meia hora procurando, tempo bastante otimizado graças à experiência de Bill com feitiços convocadores que aprendeu no Egito. Assim que ele apanhou as caixas de registros de nascimentos e as colocou dentro da bolsinha de Hermione, encontrou-a apanhando uma última caixa e murmurando algo "isso pode servir". Antes que ela conseguisse colocar a caixa dentro da bolsa, Bill conseguiu ler Projetos de Lei Arquivados na etiqueta. Ele sacudiu a cabeça deixando escapar uma risada pelo nariz. Provavelmente Hermione estava arrecadando material para brigar com o Conselho inteiro e garantir mais direitos a algum grupo marginalizado.

Os dois saíram com o mesmo cuidado com que entraram, e pegaram as escadas até um andar próximo para conseguirem apanhar um elevador sem atrair muita atenção. Assim que chegaram à sala de Hermione, a bruxa fechou a porta e tirou as caixas da bolsinha. Colocou uma em cima de sua mesa e as outras no chão ao lado da mesa. Virou-se ao ruivo, que estava escorado contra a mesa dela.

- Você deveria ter uma secretária – ele comentou.

- Por que eu precisaria uma secretária? Eu dou conta do meu trabalho – ela respondeu, cruzando os braços e caminhando em direção a ele.

- Você é a melhor no seu trabalho – ele respondeu, estendendo o braço para frente e puxando a bruxa para si pela cintura – mas seria interessante ter uma secretária para avisar que você está ocupada. Já imaginou se alguém nos pega na sua sala?

- Mas nós não estamos fazendo nada! – ela retrucou, e Bill os girou de lugar, levantou-a pela cintura e a colocou sentada na mesa, encaixando-se entre as pernas dela.

- Sobre isso... – ele respondeu, colando a boca na dela. Passado o susto, Hermione correspondeu ao beijo. Ele aprofundou o beijo com volúpia, enroscando a língua na dela e raspando os dentes nos lábios dela. As mãos do ruivo passeavam com firmeza pelo tronco dela, apertando a carne dela entre os dedos. Ele não perdeu tempo em puxar a barra da camisa dela para fora da calça que ela usava, deslizando uma mão para dentro da peça de roupa e buscando os seios dela. Sentiu a renda do sutiã que ela usava e um rugido se formou em seu peito. Libertou um seio do sutiã e o tomou em sua mão, sentindo o mamilo duro dela contra seus dedos. Ouviu ela gemer contra a sua boca e sorriu cravando os dentes no lábio inferior dela.

Bill deslizou os lábios até o ouvido dela e mordeu o lóbulo da orelha, fazendo-a arfar. Já sentia as reações que ela causava em seu corpo, e sua calça estava desconfortavelmente apertada demais. Ele passou a sugar o pescoço dela e Hermione jogou a cabeça para trás, deixando sua pele inteiramente ao alcance dele. O ruivo sentia a urgência de arrancar todas as peças de roupa dela e dele mesmo, como se um animal enjaulado se movimentasse dentro dele clamando por uma liberdade que somente o contato pele a pele dos dois pudesse fornecer. Apertou mais o mamilo dela contra os dedos, enquanto sua outra mão descia até a bunda dela e a apertava com uma força desmedida sobre a calça. Bill movimentou o quadril para frente, e Hermione gemeu sentindo a ereção dele contra sua entrada. Apesar do tecido das calças dos dois estar no caminho, ele conseguia sentir o calor que emanava do meio das pernas dela e rosnou contra a pele do pescoço dela, cravando os dentes ali com o máximo de cuidado que conseguia no momento. À medida que esfregava seu membro ainda coberto contra ela, ele podia sentir o cheiro da umidade dela aumentar, e isso embaçava os seus sentidos.

Sequer era lua cheia, mas tudo nela embaralhava seus pensamentos e ele sentia uma necessidade primitiva de tê-la, tocá-la, senti-la, preenchê-la, apertá-la, mordê-la. Com as mãos trêmulas e tentando ser gentil, Bill agarrou o cós da calça dela com força e o puxou para frente, fazendo com que ela ficasse mais ainda contra seu membro enrijecido. Habilidosamente, desabotoou a calça dela e desceu o zíper. Com uma facilidade sobre-humana, Bill a levantou da mesa o suficiente para conseguir deslizar a calça dela pelas pernas e puxou-a pela coxa, encaixando uma perna dela em sua cintura. Hermione mordeu os próprios lábios e arfou quando o ruivo enfiou uma mão dentro de sua calcinha.

- Bill, não podemos... – ela sussurrou.

- Tranque e silencie a porta – ele cortou-a com a voz completamente rouca.

- Mas Bill, aqui é o meu trabalho – ela reclamou, mas conseguir convencer a si mesma de que queria parar.

- Eu não vou conseguir parar sabendo que sua calcinha está encharcada por minha causa – ele respondeu contra o ouvido dela, e, num movimento um pouco brusco, introduziu um dedo nela, fazendo-a enfiar o rosto contra o ombro dele a fim de abafar um gemido – por favor, tranque a porta.

Tateando cegamente a mesa, a bruxa finalmente alcançou sua varinha e, num movimento trêmulo, trancou e silenciou a porta. Hermione sempre fora racional, responsável e sempre levou seu trabalho muito a sério. Jamais, em todos os anos que trabalhou no Ministério, sequer sonhou que algum dia estaria sentada em sua mesa com dois dedos de Bill dentro de si enquanto o polegar massageava seu clitóris, fazendo-a gemer alto. No entanto, ali estava ela, completamente entregue a um sentimento completamente novo, em que ela precisava desesperadamente do toque dele. Tudo nele chamava por ela. O cheiro, a textura da pele, os cabelos ruivos compridos, a respiração contra a sua boca, as coisas que ele falava no pé de seu ouvido enquanto a tomava. Ele descrevia a sensação de tê-la e sussurrava o que gostaria de fazer com ela, e ela ruborizava, mas não de vergonha. Os dois se entregaram ao momento tão intensamente que Hermione pouco se importou quando, deitando-se na mesa em busca de uma posição que desse a Bill livre acesso ao seu corpo, esbarrou na caixa que estava em cima de sua mesa e a deixou cair no chão.

Quando terminaram, Bill os limpou e desamassou as roupas com um aceno de varinha, mas nenhum feitiço foi capaz de desinchar os lábios de Hermione, vermelhos feito uma bandeira denunciando o que os dois acabaram de fazer. O ruivo sorriu ao vê-la colocando a blusa para dentro da calça novamente e se aproximou dela, tomando-a num abraço e beijando suavemente os lábios dela. Ela o encarou e apontou um dedo em riste contra o rosto dele, e ele levantou uma sobrancelha.

- Nunca mais, me escutou William Weasley? – ela falou com o cenho franzido, mas ele conseguiu perceber o riso abafado por trás da voz firme e sorriu zombeteiramente, distribuindo beijinhos pelo pescoço e rosto dela.

- Eu prometo me comportar – ele respondeu rindo – se você nunca mais me chamar de William. Achei que tínhamos um combinado, minha bruxinha.

- Estou falando sério – ela respondeu, desvencilhando-se dele e baixou a cabeça, alisando a calça com as palmas das mãos – você faz algo comigo, Bill. Eu simplesmente esqueço de tudo, mas aqui é o meu trabalho.

Ele levantou o rosto dela com o indicador e olhou seriamente nos olhos dela.

- Eu prometo que não vai se repetir e que vou fazer como uma pessoa normal e passar o dia inteiro esperando ansiosamente chegar em casa para transar com a minha esposa.

- Você é impossível – ela respondeu rindo e depositou um casto beijo na ponta do nariz dele.

Bill sacou a varinha e, com um movimento, juntou a caixa e os documentos que haviam caído espalhados no chão e os colocou em cima da mesa novamente. Hermione destravou e retirou o feitiço silenciador da porta, e os dois se despediram.

Checando-se no espelhinho que carregava na bolsa, viu que não estava tão bagunçava a ponto de denunciar a alguém que estava transando na própria sala de trabalho, e se sentou na cadeira giratória junto à mesa. Resolveu ajeitar os documentos, já que Bill os havia juntado de qualquer jeito e enfiado de volta na caixa. Mas, assim que apanhou a primeira pasta, seus olhos se arregalaram em curiosidade e surpresa.

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Bill ficou até mais tarde no banco, refazendo alguns feitiços de proteção após a retirada do dragão do local. O ruivo podia ver que alguns duendes não estavam nada contentes com a intimação que haviam recebido para responderem ao Ministério sobre a existência ilegal de um dragão ali. Encerrado o cansativo expediente, o bruxo usou a rede flu para chegar mais rápido em casa e, assim que adentrou a sala, coberto de fuligem, encontrou Hermione concentrada lendo alguns papéis sentada na varanda, completamente alheia à sua chegada. Levantou uma sobrancelha ao perceber que a bruxa tinha um cigarro aceso entre os dedos e se aproximou dela, fazendo questão de abrir a porta com barulho a fim de não a assustar com sua presença. No entanto, ela não tirou os olhos dos papéis, apesar de já ter ciência da presença dele ali. O ruivo se agachou ao lado da cadeira dela e colocou carinhosamente uma mecha de cabelo castanha atrás da orelha dela, e ela sorriu fracamente. Ele a beijou na bochecha e puxou uma cadeira para se sentar ao lado dela.

- Aconteceu algo? – ele perguntou, tentando ganhar a atenção dela. Ela estava estranha, mais esquiva, e ele temia que ela estivesse realmente brava com ele por terem transado na sala dele do Ministério. Perguntou-se se, de alguma forma, alguém tomou conhecimento do fato e reportou ao Ministro.

- Achei uma petição assinada por Dumbledore na caixa de projetos arquivados – ela respondeu parecendo preocupada, e ele buscou o rosto dela com o indicador, forçando-a carinhosamente a olhar para ele. Ficou receoso quando encontrou os olhos castanhos assustados dela.

- O que houve? – ele perguntou preocupado, aproximando-se o máximo possível dela. Queria pegá-la no colo e envolvê-la em seu abraço, mas não queria invadir o espaço dela. Ele sempre esperava uma abertura dela para qualquer aproximação e, naquele momento, percebeu que não teria nenhuma.

- Posso te perguntar algo? – ela o questionou e ele assentiu positivamente – você viu algo estranho no seu trabalho no Gringotes?

- Nada além de um dragão ilegal, que foi recolhido hoje graças a uma legislação proposta pela bruxa mais inteligente do mundo – ele respondeu em tom divertido, esperando que ela sorrisse, mas ela não o fez – por quê?

- Dumbledore apresentou essa petição ao Ministério meses antes de falecer – ela respondeu suspirando – ele pediu que todos os cofres do Gringotes fossem fiscalizados por aurores e quebradores de maldição. Ele disse aqui – ela sacou um pedaço de pergaminho de cima da mesa e estendeu para Bill – que era imprescindível a revista dos cofres para a derrota de Voldemort. Mas o Ministério negou, sequer submeteu a apreciação do Conselho! Simplesmente socaram a petição dentro dessa caixa, e ela teria ficado ali para sempre se não fosse por nós dois.

Bill percebeu que algumas lágrimas escorriam pelo rosto dela e sentiu um baque em seu peito. Era a primeira vez que a via triste. Até então, as únicas lágrimas que a viu derramar foram em razão dos filmes de romance que assistiam, nunca havia presenciado ela chorar de verdade. Preocupado, limpou as lágrimas dela com seu polegar e beijou levemente os lábios dela. A bruxa subiu sua própria mão, tão menor do que a dele, segurando a palma dele ali junto ao rosto dela.

- A taça estava lá, no cofre dos... dos Les... deles – ela gaguejou. Não conseguia falar de Bellatrix e Rodolphus sem sentir um arrepio mórbido na espinha. Sentia que, se falasse em voz alta no casal, todas as memórias que havia jogado para o fundo de sua cabeça voltariam à tona – e se não tivermos destruído todas, Bill? E se ainda tiver alguma horcrux que deixamos passar? E se, após a poeira baixar de vez, tudo volte a acontecer?

- Nada vai acontecer – ele respondeu, ajoelhando-se em frente a ela. Bill era tão alto que ali, ajoelhado, ficava com o rosto na mesa altura do dela, que estava sentada na cadeira. Ele beijou as lágrimas dela – eu nunca vou deixar nada acontecer a você.

- Nós perdemos tantas pessoas, Bill! – ela chorou, lágrimas agora vertendo dos olhos castanhos como cachoeiras. Ela baixou a cabeça e tentava, em vão, secar as lágrimas com as pontas dos dedos – Fred, Remus, Tonks, Dumbledore... Sirius.

O ruivo sentiu uma pontada quando o nome de Sirius saiu dos lábios dela. Sentiu um incômodo. Algo dentro dele não gostou de vê-la chorando enquanto pronunciava o nome do padrinho de Harry. Ele tinha plena noção de que era absolutamente ridículo sentir ciúmes de um homem morto, ainda mais em um momento de fragilidade dela. Mas não conseguiu evitar, esse sentimento novo, mesmo que pequeno, estava ali lhe cutucando. Lembrava de quando ela comentou que, se o homem estivesse vivo, seria a primeira opção dela. Sacudiu a cabeça e tentou jogar o pensamento para longe.

- Algo dentro de mim diz que deixamos algo passar – ela continuou, com a voz embargada do choro – que existe algo dentro dos cofres.

- Vocês já encontraram o que havia nos cofres – Bill tentou tranquilizá-la – vocês pegaram a taça, você mesma a destruiu. Olhe para mim – o ruivo buscou o rosto dela com o seu – olhe para mim, meu amor.

Hermione levantou a cabeça e encontrou os olhos azuis de Bill, tão carinhosos, tão devotos. O bruxo, naquele momento, pareceu a ela um bote salva-vidas em meio a uma tempestade em alto mar.

- Acabou – ele falou carinhosamente – a guerra acabou, ninguém mais vai morrer a não ser de velhice. Eu nunca vou deixar nada acontecer com você, eu sempre vou te proteger, e nós só vamos morrer quando formos bem velhinhos, juntos.

- Promete? – ela fungou, e ele sorriu para ela, ajudando-a a secar as lágrimas.

- Sabe que, quando eu era pequeno, mamãe deu a mim e a Charlie nossas primeiras vassouras – ele comentou, acariciando o rosto dela – nós voávamos todos os dias no quintal. Até fizemos alguns aros com pedaços de madeira da garagem para jogar quadribol. Charlie quebrou a vassoura dele depois de três meses. Sabe onde a minha está? – ele perguntou, e ela assentiu negativamente – está apoiada ao lado da cama nesse exato apartamento. Inteira. Eu sou bom em cuidar.

- Eu não sou uma vassoura – ela disse sorrindo fracamente, e ele beijou os lábios dela.

- Não, mas você é minha – ele respondeu roçando o nariz no dela – você é minha, e eu cuido do que é meu.

Ela capturou os lábios dele e o beijou apaixonadamente. Um beijo calmo, cheio de sentimentos. Estava grata por ter Bill em sua vida. Sentia-se segura com ele, sentia-se em casa. Cada segundo junto a ele só fazia com que a bruxa concluísse que, no fim das contas, ela, de alguma forma, sempre fora dele. E, por isso, gostava tanto quando ele dizia que ela era dele, porque ela era. Ela era completamente dele.

Depois de alguns carinhos naquela posição, Bill convenceu Hermione a fazerem a janta juntos e, com um aceno de varinha, limpou o cinzeiro (surpreendeu-se com a quantidade de cigarros que ela havia fumado) e recolheu os papéis cuidadosamente, empilhando-os na mesinha de centro. O ruivo queria que ela se distraísse, odiou vê-la chorando. Queria ver o sorriso que constantemente tomava conta do rosto dela, e então ligou o rádio e, usando de mágica, colocou uma lista de músicas românticas que tocavam nos filmes que os dois haviam assistido juntos.

Optou por uma janta de preparo demorado, só para que passassem aquele tempo juntos. Ajudou-a a cortar os insumos necessários. Cozinhou a vapor alguns legumes. Ensinou-a a temperar a comida. Serviu os dois do vinho preferido dela e a puxou para dançar na cozinha em frente ao forno enquanto a janta assava ali dentro. Os dois se movimentavam lentamente, abraçados. O momento era romântico, mas Bill fez questão de estragar tudo contando piadinhas no ouvido dela, fazendo com que sonoras gargalhadas dela ecoassem pela cozinha.

- E então, quando eu ganhei a aposta, Charlie teve que pedir Minerva em casamento na frente de toda sala de aula – ele contava ao pé do ouvido dela, e ela gargalhava. Ele amava o som da risada dela. Afastou o rosto dela somente o suficiente para conseguir ver o rosto da bruxa com as bochechas coradas. Sorriu bobo olhando para ela.

- Você está mentindo – ela acusou, ainda rindo.

- Eu amo a sua risada – ele comentou – é meu segundo som preferido.

- Qual o primeiro? – ela perguntou, arqueando uma sobrancelha divertidamente. Bill sorriu e a puxou para perto, enterrando o rosto nas ondas dos cabelos dela, respirando o cheiro de shampoo de coco, agora misturado com o cheiro do tabaco que ela havia fumado.

- O primeiro, obviamente, é você gemendo o meu nome – ele provocou e ela riu – mas como você precisa comer algo, eu vou, como um bom garoto, esperar até depois da janta para ouvi-lo.

- O meu som favorito é o da sua voz – ela respondeu, balançando-se com ele de um lado para o outro ao som da música que tocava no rádio.

- Agora eu me sinto um pervertido – ele resmungou divertido, arrancando uma risada dela.

- Você não me deixou terminar! – ela reclamou – meu som favorito é sua voz quando fala aquelas coisas no meu ouvido.

Bill tirou o rosto dos cabelos dela e a encarou com uma sobrancelha levantada e um sorriso triunfante.

- Você está me provocando, Sra. Weasley – ele brincou e ela revirou os olhos.

Um pequeno cronômetro que ficava em cima da geladeira apitou, anunciando que o tempo da comida no forno já havia acabado, mas nenhum dos dois se mexeu. Bill lia cada traço do rosto de Hermione, acariciando o rosto dela com carinho enquanto sua mão livre enlaçava a cintura dela. Ela tinha as mãos cruzadas atrás do pescoço dele. Algo se mexeu dentro dele, um sentimento que ele conhecia, mas que pensou nunca mais ser capaz de sentir. No entanto, o olfato aguçado do ruivo captou que a janta estava começando a ficar queimada, e ele sabia que a esposa precisava comer algo. Ela tinha a mania irresponsável de passar o dia inteiro trabalhando sem comer nada, e isso preocupava ele.

Os dois acabaram comendo no espaço apertado do balcão da cozinha, mas não se importaram. A proximidade entre os dois era sempre bem-vinda.

- Ginny pediu que ficássemos com os meninos amanhã – Hermione comentou – você se importa?

- Claro que não – ele respondeu com a boca cheia – mas qual a ocasião?

- A ocasião é uma boa noite de sexo para eles – a bruxa respondeu e riu quando o ruivo engasgou – sério, Bill, achou que sua irmã teve filhos como?

- Não é isso – ele se defendeu rindo, limpando a boca com um guardanapo – eu só esqueço, às vezes, que ela é adulta, casada e tem dois filhos. Recorrentemente me pego pensando nela como a exibidinha marcando pontos no nosso campeonato caseiro de quadribol.

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Na noite do dia seguinte, Hermione e Bill foram direto do trabalho para a casa dos Potter. Mal entraram pela porta e James já correu em direção a eles, jogando-se no colo de Bill e dizendo que tinha algo para mostrar ao tio. Ginny chegou na sala colocando os brincos e Harry entregou Albus à amiga. O casal parecia ansioso para sair e passar um tempo juntos, e a bruxa castanha riu disso.

- James já jantou, e a mamadeira de Albus está na geladeira, é só aquecer com a varinha – Ginny explicou, apanhando a bolsa no sofá.

- Dedeira – Albus repetiu.

- Sim, meu anjinho, nós vamos esquentar a sua dedeira – Hermione respondeu à criança.

- Vocês têm certeza de que ficarão bem? – Harry questionou, preocupado, chegando ao batente da porta acompanhado da esposa.

Nesse mesmo instante, um barulho muito alto de algo caindo soou vindo do andar superior, e os três adultos se viraram assustados para a escada. Albus permaneceu alheio, brincando com os cachos de Hermione. Parecia estar acostumado a baruho.

- ESTÁ TUDO SOB CONTROLE! – a voz de Bill pôde ser ouvida ao longe, quase abafada pela risada de James, e Hermione gargalhou.

- Vocês ouviram: está tudo sob controle – a bruxa garantiu – aproveitem a noite.

O casal assentiu, ainda preocupado, mas, no fim, os dois vestiram os casacos e saíram. Hermione esperou que os dois aparatassem para fechar a porta. Virando o rosto para Albus, que ainda brincava com seus cabelos soltos, murmurou que iria esquentar a "dedeira" dele, e caminhou com a criança no colo até a cozinha.

A bruxa largou Albus na cadeirinha de alimentação e pegou a mamadeira na geladeira. Esquentou o objeto com a varinha, mas acabou colocando embaixo da água corrente da pia para esfriar um pouco, já que havia esquentado demais. Assim que desligou a torneira, sentiu algo lhe atingindo atrás da coxa direita.

- Ai! – ela resmungou, virando-se para a sala. Ouviu cochichos e semicerrou os olhos, encontrando os grandes olhos castanhos de James e os azuis de Bill atrás do encosto do sofá. Assim que ela os enxergou, os dois abaixaram as cabeças e se esconderam. Ela ouviu mais cochichos e, curiosa, resolveu dar a mamadeira a Albus e caminhar até os dois com passos leves. Assim que chegou, os dois saíram correndo, um para cada lado.

- MONSTRO! – James gritou, correndo até a mesa de jantar e se escondendo atrás de uma cadeira. Bill saiu correndo para o lado oposto e se agachou junto à lareira.

- ATACAR O MONSTRO! – Bill gritou, e os dois saíram dos esconderijos gritando e assoprando duas zarabatanas de madeira, atingindo Hermione com pequenas bolinhas que causavam explosões de fumaça colorida ao entrar em contato com ela. Albus começou a rir muito alto.

- Monstro? – Hermione perguntou incrédula, olhando para Bill, que sacudia os ombros – eu sou o monstro?

- O MONSTRO FALA! – Bill provocou, arrancando gargalhadas de James. Hermione o fuzilou com os olhos, mas foi atingida por mais bolinhas e acabou com o afilhado pulando em seu pescoço.

No fim, Hermione entrou na brincadeira e correu atrás dos dois fazendo barulhos de monstro. A bruxa corria com os dois indicadores em riste ao lado da cabeça, imitando chifres. Bill descansou da correria para ficar observando a esposa se divertindo com o afilhado. Sentiu seu coração dando pulos, novamente com aqueles mesmos pensamentos brotando em sua mente. Pensamentos dos dois com seus próprios filhos, formando a família que Bill sempre sonhou em ter. Sacudiu a cabeça afastando os pensamentos e foi até a cozinha, pegando Albus no colo. Hermione chegou atrás de si logo em seguida, ofegante da brincadeira. James parecia não estar nem um pouco cansado, já que chegou logo atrás gritando.

- Por que não brincamos de algo que Albus possa participar? – Hermione sugeriu ao Potter mais velho – que tal... esconde-esconde? Vocês dois se escondem, e eu e Bill procuramos.

As duas crianças assentiram e Bill largou Albus no chão, que correu desajeitadamente com suas pernas gordinhas. Não fazia muito que a criança havia começado a caminhar e já estava correndo. Bill puxou Hermione para um beijo, mas foi xingado por James que, ao longe, gritou que era para os dois contarem até dez.

- UM... DOIS... TRÊS – o ruivo começou a contar algo, alternando a contagem com beijinhos no pescoço da bruxa – SETE... OITO... NOVE... DEZ!

Os dois adultos saíram caminhando pela casa. Hermione usou todo o seu autocontrole para não cair na gargalhada quando, no canto do corredor, enxergou somente dois pares de pezinhos descalços. James, esperto como sempre, havia se escondido com o irmão debaixo da capa de invisibilidade de Harry, deixando somente a ponta dos pés para fora. Bill ouvia as risadinhas vindas debaixo da capa e os dedinhos minúsculos dos meninos se mexendo.

- COMO VAMOS ACHAR ELES AGORA, MEU AMOR? – Bill falou alto, piscando um olho para Hermione. Ela sentiu o coração dar um salto quando ele o chamou de "meu amor" – HARRY NUNCA VAI NOS PERDOAR POR TERMOS PERDIDO OS MENINOS.

- ELES SÃO MUITO BONS NESSE JOGO, É IMPOSSÍVEL GANHARMOS DOS DOIS – Hermione seguiu a brincadeira.

- ACHO QUE DEVEMOS DESISTIR – Bill disse – OU PROCURÁ-LOS NA COZINHA.

- É UMA ÓTIMA IDEIA – ela respondeu.

Os dois caminharam até a entrada do corredor e se esconderam cada um de um lado do marco da passagem. Bill tinha um sorriso de pura felicidade no rosto, e Hermione quase se perdeu nos olhos azuis dele. O bruxo fez um sinal para ela com os dedos, indicando que ela deveria ficar preparada para quando as duas crianças aparecessem, e ela, com muito custo, desviou o olhar do dele e ficou atenta ao movimento. Assim que a pontinha dos pés dos dois foi avistada atravessando o marco, Bill e Hermione assustaram as crianças com um sonoro "RÁÁÁ!", arrancando gritos e gargalhadas dos irmãos.

A noite seguiu de forma cansativa. Os adultos tiveram que inventar diversas brincadeiras – e participar delas – até que James finalmente se entregasse ao sono. Albus só aceitou ir dormir porque o irmão mais velho também iria, e, assim, o casal levou as duas crianças no colo até o quarto que os dois dividiam. Bill observou, escorado na entrada do quarto, Hermione depositar um beijo na testa de cada menino, desejando boa noite aos dois, e sentiu aquela pontada no coração novamente, não conseguindo refrear o sorriso bobo que tomou conta de seu rosto.

O casal saiu do quarto silenciosamente e se dirigiu à sala, onde se deitaram juntos no sofá. Bill acendeu a lareira com a varinha e puxou Hermione para junto de si, quase colando o rosto no dela. Os dois ficaram um tempo em silêncio curtindo o momento. A bruxa fechou os olhos quando o ruivo passou a acariciar seu rosto, desfrutando do carinho. Apesar da paz daquele momento, o bruxo seguia com aquela sensação no peito, e resolveu abordar o assunto que tanto lhe tomava os pensamentos.

- Você pensa em filhos? – ele perguntou, num sussurro. Ela o encarou com olhos surpresos, mas ele seguiu acariciando seu rosto.

- Eu nunca havia pensado sobre isso antes... antes de ter que me casar – ela confessou, e ele assentiu.

Bill se forçou a não transparecer que havia ficado bastante chateado com a resposta. Tudo o que ele mais queria, agora que a tinha conquistado, era formar uma família com ela. Sempre quis ser pai, e se sentiu tolo por ter alimentado essas esperanças bobas desde que percebeu estar apaixonado por Hermione. Ele deveria, de uma vez por todas, conformar-se com o fato de que só teria filhos por imposição do Ministério. Isso se ele tivesse filhos.

- Você pensa? – ela perguntou hesitante, percebendo que Bill havia se fechado um pouco em sua concha novamente depois da resposta dela. Os dedos dele já não mais acariciavam o rosto dela. Sua mão estava inerte contra a pele dela, provavelmente ele não queria romper o contato e transparecer o quanto havia ficado magoado. Mas a bruxa conhecia uma boa porção dele, e percebeu.

- Não importa muito o que eu penso – ele respondeu baixo.

- Importa para mim – ela respondeu, aninhando-se mais contra ele até que os narizes se encostassem. Ele suspirou – Bill?

- Eu sempre quis ser pai – ele confessou – mas, como você bem sabe, não dei muita sorte na primeira vez.

Pela primeira vez, fez-se um silêncio constrangedor entre os dois. Bill estava visivelmente pensativo e chateado, e Hermione se sentiu horrível por isso. Ela nunca havia pensado em ter filhos antes de se casar, era verdade. Estava tão focada em sua carreira que jamais sequer se imaginou sendo mãe. Mesmo após o nascimento do afilhado, por quem era completamente apaixonada, não havia pensado na possibilidade de ela mesma gestar e criar uma criança. Quando soube que deveria, além de se casar, ter uma criança em um prazo tão curto, sentiu-se desesperada. No entanto, as coisas saíram completamente dos trilhos com Bill. Ela estava irrevogavelmente apaixonada por ele, desconfiava que, na verdade, amava-o como nunca havia amado antes. A imagem dela com uma criança pequena no colo ficava menos assustadora quando a figura de Bill aparecia ao seu lado. Suspirou, e o ruivo voltou a atenção para ela.

- Eu nunca pensei em filhos porque nunca tive com quem pensar – ela sussurrou, e escondeu o rosto no peito dele – nunca tive com ninguém o que tenho com você.

- Me desculpe – ele pediu, beijando os cabelos dela.

- Pelo que? – ela perguntou, levantando o rosto.

- Eu não quero pressionar você, fui um completo imbecil – ele se justificou, e ela o viu com as bochechas vermelhas – eu acho que me deixei levar. Ficar hoje aqui com você e com os meninos, eu não sei, eu...

- Eu quero – ela o cortou, e ficou também com as bochechas completamente vermelhas.

- Quer o que? – ele perguntou.

- Tudo – ela respondeu – eu quero tudo, desde que seja com você. Bill, eu estou apavorada! Eu nunca senti isso antes. Eu nunca quis me casar, mas, por algum motivo louco, estar casada com você é tudo o que eu sempre quis. Eu morro de medo desses sentimentos! Eu nunca pensei em ser mãe, mas, Deus, até ter um bebê parece certo porque é com você! Eu nunca amei ninguém e mesmo assim eu te...

Ela parou de falar completamente ofegante. Bill a encarava em expectativa, mas ela não conseguia concluir o que iria dizer. Estava com medo desse sentimento novo que brotou em seu peito desde que o ruivo passou a ocupar um espaço na sua vida. Estava com medo de ter se precipitado e acabar ouvindo dele que o que ele sentia ainda não era amor. Que, talvez, nunca chegasse a ser. Afinal, ao contrário dela, ele já havia amado alguém. Ele nunca havia assumido nenhum relacionamento depois de Fleur e Hermione duvidava que o ruivo voltasse a se casar se não fosse para ajudá-la. Engoliu em seco e desviou o olhar dos olhos azuis brilhantes dele. Bill abriu a boca para falar, mas foi interrompido por Harry e Ginny, completamente bêbados, saindo da lareira pela rede flu. Hermione se levantou do sofá num salto.

- Vocês voltaram cedo! – a castanha exclamou. Sentia ainda o corpo tenso por ter falado mais do que deveria.

- São trezzzz da manã, Mi-inch-one – Harry a corrigiu, com um sorriso que a bruxa não via desde o casamento dele. Os olhos verdes do amigo estavam brilhantes e dilatados, e a voz completamente arrastada da bebida. As bochechas dele e de Ginny estavam totalmente vermelhas.

- Pelo visto aproveitaram bem a noite – Bill comentou brincalhão, levantando-se do sofá. Parou ao lado de Hermione e buscou a mão dela com a sua. Harry pareceu envergonhado e Ginny piscou um olho para o casal.

- E os meninos? – a ruiva perguntou, visivelmente menos bêbada que o marido. Ginny sempre fora mais forte para bebida do que Harry.

- Dormindo feito pedra – Hermione respondeu – não vão acordar até a metade da manhã.

- Ótimo! Obrigada Mione! Obrigada Billy! – a ruiva agradeceu, virando-se logo em seguida ao marido – e você, Sr. Potter, vamos continuar o que paramos!

- Merlin, credo! – Bill exclamou, arrastando Hermione, que ria, para a lareira – eu nunca mais quero ouvir isso na minha vida.

Ginny mostrou a língua para o irmão mais velho. Harry, muito sem jeito, agradeceu novamente ao casal por terem cuidado das crianças. Logo em seguida, o moreno seguiu a esposa para o andar superior, e Hermione pensou que, se não fosse o cansaço que deram nas crianças, elas com certeza acordariam com o barulho dos pais chegando bêbados em casa. O ruivo buscou pó de flu dentro do bolso e enlaçou a bruxa pela cintura. Em voz alta, falou o endereço e jogou o pó no chão, levando-os para casa.

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Resposta aos reviews:

Gabi: Como sempre, é lindo demais receber tanto tuas reviews quanto duas mensagens! Obrigada por todo o apoio e pela paciência de esperar pelo capítulo novo!

Lexas: a questão dos abortos é 100% social, como todos os problemas do mundo. Genética ou magia influenciam muito pouco. Eles são como os lobisomens, elfos domésticos, centauros e inúmeras outras criaturas mágicas que possuem mágica (muita ou pouca), são racionais, mas se organizam à parte da comunidade bruxa justamente por uma discriminação social. Quando eu digo "participar da comunidade bruxa", é justamente disso que eu falo. O Filch não é professor, é zelador, uma função subalternizada. Ele sequer tem autoridade sobre os alunos. Ele fiscaliza os corredores e quem dá as detenções são os professores e diretores das casas. Os próprios professores, em mais de uma ocasião, fizeram pouco caso dele. Não há relatos nos livros de abortos, lobisomens ou qualquer outra classe subjugada com cargos importantes dentro dos Departamentos do Ministério ou mesmo nas Escolas de Magia. Os duendes têm o Gringotes, e um deles é professor em Hogwarts, mas já vimos bruxos puro-sangue se referirem a eles de forma pejorativa. Quanto à expulsão da comunidade mágica: outra medida social. Não acredito que seja possível retirar a magia de alguém, então a expulsão é justamente o tolhimento do direito de participar da comunidade bruxa: retirar a varinha, não conseguir empregos, ser monitorado pelo Ministério, não ter o direito de estudar, de casar, etc. O Hagrid, que é um bruxo, foi expulso de Hogwarts por uma acusação feita porcamente pelo Tom Riddle, que foi facilmente aceita provavelmente pelo preconceito (ele ser um meio gigante), e perdeu o direito de ter uma varinha e fazer magia (apesar de ele ainda fazer de forma ilegal). Mas, de novo: esse não é o foco da fic, é somente um entre outros acontecimentos que vão servir de pano de fundo para a história do casal. O meu foco é exclusivamente a relação entre o Bill e a Hermione, mas eles, como pessoas complexas e mais próximas da realidade da complexidade humana que eu consigo alcançar por meio da escrita, têm seus próprios demônios, talentos, problemas profissionais, etc. Mas, como sempre, obrigada pelo review!