Finalmente mais um capítulo! Não acontece muito, mas acontece muito! Hahahahaha. Eu já peço desculpas caso tenha algum errinho, porque sinceramente não tive muito tempo para revisar e, como sou ansiosa, estou postando assim mesmo porque sei que vocês estavam sentindo falta dessa fic.
Podem ficar tranquilos que qualquer erro ortográfico será corrigido posteriormente.
Não esqueçam de deixar comentários! Vocês sabem o quão importantes eles são para mim!
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AS BODAS
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Bill já estava completamente pronto, trajado em um bonito smoking preto. Ele decidiu, no fim, por comprar as vestes a rigor trouxas depois de assistir a tantos filmes de romance com Hermione. Um, em particular, havia lhe chamado a atenção. Desde que os dois criaram a rotina de assistir a filmes juntos, Hermione havia escolhido em mais de uma ocasião o filme "Uma Linda Mulher" que, segundo ela, era um de seus favoritos. Ver Richard Gere tantas vezes bem trajado em bonitos smokings fez com que o ruivo quisesse vestir um ele mesmo. E qual a melhor ocasião que as bodas de seus pais?
Ele já estava pronto há bastante tempo, sentado no sofá da sala enquanto esperava que Hermione terminasse de se arrumar. A bruxa havia dado um longo discurso do quanto ela havia passado trabalho alisando os cabelos com uma poção para o Baile de Inverno em Hogwarts e que, dessa vez, alisaria as mechas da maneira trouxa. O barulho esquisito do secador de cabelo era ouvido da sala, junto às reclamações da bruxa, que dizia que o cabelo não parava no lugar. Bill riu quando ouviu a esposa ameaçar o objeto pela terceira vez.
O ruivo estava ficando impaciente, e com razão. Hermione estava há duas horas dentro do quarto e não o deixava entrar, mas qualquer irritação se esvaiu quando ela finalmente abriu a porta e adentrou a sala. Bill jurou que teria que segurar o queixo no lugar para que ele não caísse ao chão.
Hermione vestia um lindíssimo vestido preto sem mangas. O busto era bastante justo e com o formato de um coração, era bem acinturado e marcava bem o bonito tronco da bruxa. A saia chegava até a metade das canelas dela, e o tule preto com as flores vermelhas, azuis e rosas bordadas deixava o vestido com um movimento bonito. Ela usava sandálias pretas de salto, e nas mãos segurava uma pequena bolsinha também preta. A batalha que ela tivera com o secador parecia ter sido vencida, já que os cabelos castanhos dela caíam em ondas bastante suaves pelas costas dela. O coração dele pulou uma batida quando ele percebeu que a maquiagem dela não era tão forte a ponto de conseguir esconder as sardas que ele tanto amava. Os lábios vermelhos dela eram tão convidativos que ele se levantou do sofá em um salto e se adiantou até Hermione, tomando-a nos braços e colando sua boca na dela.
- Eu nem sei por onde começar a elogiar você – Bill disse ao separar os lábios dos dela – Você está linda. Eu não acho que já tenha visto alguma mulher mais linda que você em toda a minha vida.
As palavras de Bill causaram efeito imediato em Hermione. Ela estava se sentindo bastante bonita e confiante dentro daquele vestido, mas o olhar e as palavras do ruivo causaram um rebuliço dentro dela e a deixaram se sentindo a mulher mais bonita do mundo. Afinal, Bill mesmo havia acabado de lhe dizer que nunca havia visto ninguém mais bonita, e ele fora casado com Fleur.
- Você também está lindo. E sexy – ela respondeu, pousando um beijo nos lábios dele, e o bruxo riu – É sério, Bill. Você está perfeito.
Bill sorriu uma última vez e a conduziu até a lareira para que usassem a Rede Flu. Quando chegaram n'A Toca, Hermione não notou nada de muito diferente até o momento em que saíram da casa e chegaram ao imenso pátio dos Weasley. Ela riu consigo mesma, pensando que jamais poderia duvidar da habilidade e capacidade de Molly de organizar eventos.
Tudo estava lindo. As tendas estavam bem iluminadas por velas flutuantes, as mesas tinham bonitos arranjos de flores, o buffet estava farto e a música era alegre e ecoava por todos os cantos.
- Hermione, querida, você está deslumbrante! – Molly exclamou, abraçando a garota.
- Obrigada, Molly – a garota respondeu retribuindo ao abraço – E parabéns pelas bodas! Está tudo tão lindo!
- Oh, querida, agradeço o elogio, mas isso não foi nada! Sequer deu trabalho!
- Você tem a cara de pau de dizer que não deu trabalho depois de meses enlouquecendo a mim e George? – Ron surgiu atrás da mãe e arrancou risadas do recém-chegado casal. Molly ficou vermelha feito um tomate e inventou uma desculpa qualquer para sair dali. Ron se aproximou dos dois e os cumprimentou.
A mesa designada para Bill e Hermione era a maior de todas as mesas, já que ela comportava todos os irmãos Weasley e seus cônjuges. As crianças ficariam em uma mesa em separado assim que parassem de correr de um lado para o outro. Teddy havia ido ao evento com Andrômeda, mas sequer prestava atenção na avó. Estava muito ocupado mostrando a James quantas cores de cabelos e diferentes tipos de dentes havia aprendido a mimicar.
O Sr. Weasley fez um bonito discurso de boas-vindas, dizendo o quanto ele e a esposa se amavam incondicionalmente mesmo após tantos anos. Bill entrelaçou os dedos nos de Hermione, que estava sentada ao seu lado e tinha a mão apoiada em seu colo. Ele sorriu ao sentir os dedos dela apertando suavemente sua mão quando o Sr. Weasley falou sobre "encontro de almas" e "amor verdadeiro".
Hermione se emocionou com o discurso do Sr. Weasley, e piscou várias vezes a fim de prevenir que alguma lágrima escorresse por seu rosto e estragasse a máscara de cílios trouxa que ela havia usado. O único item de maquiagem bruxo que a castanha usava era o batom vermelho, já que ele não saía de seus lábios sem o uso de uma poção específica, o que facilitava muito em eventos que tinham comida e bebida. Se ela soubesse que seria tão sensível ao discurso de Arthur, provavelmente teria optado por um produto bruxo para os olhos também. Olhando para a enorme família de cabelos ruivos sentada ali à mesa, e escutando o Sr. Weasley falar sobre amor verdadeiro, um pensamento atingiu Hermione. "Você não está trabalhando, aproveite a festa. Segunda-feira resolvemos isso", ela se repreendeu mentalmente.
No entanto, Hermione sentiu como se um feitiço silenciador tivesse sido lançado no ambiente. Ela já não mais escutava nada além de seus próprios pensamentos. Seu coração batia rápido contra o peito em antecipação e ansiedade. A bruxa sentia que havia, finalmente, encontrado a resposta para a pergunta que martelava em sua mente. Não conseguiu evitar dar uma gargalhada baixa para si mesma, ao pensar em todos os dias que passou vasculhando relatórios, carregando caixas, esgueirando-se pelo Ministério, ficando mais horas que seria saudável dentro de seu escritório. A resposta, no fim das contas, estava bem na sua frente o tempo inteiro.
A castanha foi desperta de seus pensamentos por Bill, que jogou um braço para trás do encosto da cadeira dela e encostou os lábios em seu ouvido, murmurando que "finalmente papai parou de falar e podemos começar a beber". Despedindo-se com um beijo estalado na bochecha dela, o ruivo se levantou da mesa e correu até o bar da festa. Ginny aproveitou a oportunidade e tomou o lugar do irmão, pedindo a Harry que buscasse uma bebida para ela também.
- Está tudo muito lindo, não acha? – a ruiva perguntou casualmente.
- Está, sua mãe realmente sabe como organizar uma festa.
- Até dá vontade de casar de novo, não acha? – Ginny lançou um olhar a Hermione que a bruxa não soube distinguir.
- Por que vocês se casariam de novo? – Hermione questionou levantando uma sobrancelha – Você e Harry podem muito bem fazer uma festa como essa. Oito anos é tempo o suficiente para uma renovação de votos.
- Aqui está seu vinho, amor – Bill se enfiou entre as duas bruxas e estendeu a taça à esposa, que aceitou e agradeceu com um sorriso. George lançou um olhar maroto à Ginny, e Bill olhou de um para o outro com uma sobrancelha arqueada, temendo o que fosse que os dois estivessem tramando. Desde que Fred morreu, Ginny parecia ter tomado parte do espaço para George.
- Sabem, eu estava aqui pensando – George começou – já que estamos todos aqui reunidos na mesma mesa, as crianças estão bastante ocupadas com Teddy imitando seja lá o que ele está imitando nesse momento – todos se viraram para a mesa das crianças, e enxergaram o metamorfo com os cabelos roxos e um focinho tão comprido quanto o de um lobo. Hermione soltou uma risada – o que me dizem de, em homenagem aos velhos tempos, jogarmos verdade ou desafio?
- Eu não sei de que velhos tempos você se refere, Georgie – Bill respondeu, puxando uma cadeira e se sentando ao lado do irmão, já que Ginny havia tomado o seu lugar. Harry chegou bem na hora e estendeu uma taça à ruiva.
- É porque você é velho, meu caro Billyzinho – George continuou – E mesmo se não fosse, você não saía da biblioteca quando estava em Hogwarts, não consigo imaginá-lo jogando verdade ou desafio. Merlin, você e Hermione combinam até nisso.
- Jogar verdade ou desafio? – Harry questionou, sentando-se junto aos demais – Não jogamos isso há tanto tempo! Se não me engano, a última vez foi quando Ginny estava grávida de James.
- Sim, e foi um saco – a ruiva reclamou – eu estava com dor nas costas e não pude beber. Não tem a mesma graça quando se joga bebendo suco de abóbora.
- Vamos jogar! – Hermione respondeu. Sentia-se estranhamente feliz. Talvez porque estivesse se sentindo bonita, ou talvez porque estava em uma festa animada, ou talvez porque estava cercada das pessoas que mais amava no mundo. Em verdade, provavelmente eram todas as alternativas combinadas.
- Se a Sra. Weasley quer jogar, quem terá coragem de contrariar? – George brincou e Hermione revirou os olhos.
- Argh, não me chame assim! Eu me sinto tão velha!
- Velhas não tem a sua bunda, bruxinha – Bill respondeu, piscando um olho à castanha, que ruborizou. George e Ginny caíram na gargalhada, enquanto Harry arregalou os olhos e ficou vermelho feito pimenta.
- Merlin, Bill, controle-se – Charlie, que havia acabado de se juntar aos irmãos, falou rindo – Eu também quero jogar. Não jogo desde o sétimo.
- Isso vai ser tão divertido! – Ginny bateu palmas em excitação e se inclinou para o meio da mesa redonda, girando uma garrafa de vinho que já estava vazia. A garrafa deu várias voltas até parar em Hermione e Harry.
A bruxa escolheu verdade, e acabou contando a todos sobre a vez em que acabou transformando a si mesma em um gato por ingerir poção polissuco. Ginny, Harry e Ron obviamente já conheciam a história, mas os outros ficaram surpresos e caíram na gargalhada. Hermione não sabia quantas taças de vinho já tinha tomado quando a garrafa acabou parando em George e Percy, que abriu um enorme sorriso. O mais velho, depois da guerra, havia se reconectado bastante com a família e inclusive deixou de lado seu lado tão estrito. Hermione ficava feliz em ver que o antigo monitor da Grifinória compartilhava de momentos divertidos com os irmãos.
- Verdade ou desafio?
- Desafio – George respondeu com um sorriso zombeteiro.
- Faça um discurso contando sobre a vez em que você encontrou Angelina no vestiário.
- Percy, você quer o quê? – George arregalou os olhos – Que eu saia dessa festa com um divórcio?
Assim que a última palavra saiu da boca do ruivo, todos na mesa fizeram silêncio. George olhou para Bill com um olhar arrependido, e silenciosamente pediu desculpas.
- Está tudo bem, pessoal – Bill os tranquilizou – Aconteceu há anos, vocês não precisam pisar em ovos para falar sobre isso. E, no fim das contas, eu tirei a sorte grande, não tirei?
O ruivo mais velho piscou um olho para Hermione, que sorriu para ele. Todos pareceram relaxar na mesa e Percy voltou sua atenção para George, que bufou, virou seu copo de whisky e se levantou da mesa, dirigindo-se ao palco em que o Sr. Weasley havia discursado antes. Ele limpou a garganta para chamar a atenção de todos e amplificou a voz usando sua varinha.
- Eu gostaria de dizer algumas palavras – George falou, muito sério, e viu Angelina se distanciar de Andrômeda e se dirigir à mesa que antes ocupava com seus irmãos e amigos – Inspirado pelo discurso do meu pai, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre o amor da minha vida, minha Angeliniquinha. Alguns aqui não sabem, mas era uma tarde ensolarada de abril... Fred e eu estávamos começando a testar alguns produtos, mesmo sem nem sonharmos com a loja. A ideia era uma barra de chocolate que a cada mordida trocaria a cor dos cabelos de quem a comesse. Nós nos revezávamos, e aquela era a minha vez de testar. Olívio convocou um treino do time de última hora, e eu acabei não me importando, porque apesar de ter comido a barra de chocolate inteira, nada aconteceu...
- Por favor, George, cale a boca – Angelina murmurou, aproximando-se de Hermione e Ginny. A ruiva já conhecia essa história e estava com os lábios firmemente pressionados, tentado controlar a risada.
- Aquele foi um péssimo treino, desculpe-me Olívio, mas foi – George continuou, e direcionou o olhar para Olívio, que riu e levantou sua taça para o ruivo – estava quente e saímos todos suados, então, naturalmente, fomos tomar banho. Meu amor, Angelina, era a única jogadora mulher do time, o que significava que ela tinha um vestiário separado – o ruivo parecia ficar cada vez mais nervoso, apesar de sustentar um sorriso divertido no rosto – O problema é que a barra de chocolate havia funcionado... bem, meio que tinha funcionado. Assim que eu tirei a roupa, tive que sair correndo e acabei entrando no vestiário feminino e foi aí que Angelina viu que meus cabelos estavam mudando freneticamente de cor, o único problema era que os cabelos não eram os que tenho na minha cabeça e sim os que tenho no s...
- VAMOS DANÇAR! – Angelina gritou logo após acertar George com uma azaração que fez o homem cair para trás no palco. Hermione e todos na mesa caíram na gargalhada, assim como os antigos colegas de colégio deles. O Sr. e a Sra. Weasley estavam vermelhos e sorrindo amarelo, enquanto os convidados mais velhos ficaram sem entender nada, mas se levantaram de suas mesas e se dirigiram à pista de dança assim que a música começou a tocar muito alto. Ginny puxou Harry para dançar e Bill se levantou de onde estava, agachando-se ao lado da esposa.
- Eu já volto, meu amor – o ruivo declarou, beijando-a nos lábios e se afastando para algum lugar que ela não enxergou, já que todos estavam em pé dançando. A castanha, percebendo que era a única na mesa, resolveu se levantar e buscar mais uma taça de vinho. Provavelmente não era uma boa ideia beber tanto, mas ela sabia que merecia se divertir. E, se fosse sincera consigo mesma, havia recém chegado ao estágio da bebida em que ficava meramente mais falante e alegre. Teria que beber muito mais do que isso para ficar realmente bêbada, então uma taça a mais não faria estrago, não é mesmo?
Chegou ao bar e encheu sua taça, cumprimentando algumas pessoas que paravam para conversar trivialidades com ela. Em um determinado momento, Ron parou ao seu lado e os dois engataram longos minutos de conversa, o que deixou a castanha bastante feliz. Ela sentia falta de Ron. Ela sabia, é claro, que uma vez que os três viraram adultos, inevitavelmente acabariam se afastando. Harry havia constituído família, Hermione trabalhava mais horas do que deveria, e Ron saía muito em missões para fora do país e, agora, estava casado e esperando seu primeiro filho. Era natural que ficassem separados, mas ela não conseguia evitar sentir a falta dele e de Harry e dos momentos que dividiram nos anos em Hogwarts. A música, de repente, parou, e Harry chegou até os dois e cutucou Hermione.
- Acho que alguém está procurando por você – o moreno disse, abrindo um sorriso enigmático. De repente, a música voltou, mas não era nenhuma música bruxa. Era uma música trouxa, que ela imediatamente reconheceu.
Quando os primeiros acordes da música chegaram aos ouvidos de Hermione, ela procurou Bill com os olhos, encontrando-o no meio da pista de dança, sorrindo com as mãos no bolso. Ele tirou uma das mãos do bolso e gesticulou para que ela fosse até ele. Ela obedeceu com um sorriso nos lábios, parando em frente ao ruivo, que a tomou nos braços e passou a conduzi-la ao som da música romântica.
- Eu não acredito que você colocou essa música – ela comentou, rindo – Aposto que ninguém está entendendo nada.
- Achei uma música propícia, já que estou acompanhado de uma linda mulher. A mais linda dessa festa – ele respondeu, colando a lateral do queixo na testa de Hermione que, mesmo com os saltos, ainda era bem mais baixa do que ele – E nós dois entendemos, isso é o suficiente para mim.
Hermione soltou a mão de Bill e jogou os braços por cima dos ombros dele, cruzando os próprios dedos juntos atrás da nuca dele. Ela levantou o rosto e o encarou. Naquela luz em particular, os olhos de Bill pareciam ainda mais azuis que o normal, e as pequenas rugas que ele tinha denunciavam que ele sorria mesmo que ela não olhasse para os lábios dele.
- Você falou sério? – ele perguntou, e ela franziu as sobrancelhas.
O movimento fez com que uma fina mecha do cabelo dela caísse sobre os olhos castanhos, e ele levou uma de suas mãos até o rosto dela, colocando a mecha novamente atrás da orelha. A outra mão de Bill permanecia segurando firmemente a cintura dela e a conduzindo de um lado para outro. Nesse momento, os dois estavam tão presos um ao outro que sequer dançavam, apenas se balançavam lentamente de um lado para o outro.
- Quando disse que, se não estivéssemos casados, me pediria em casamento. Você falou sério?
- Sim – ela respondeu docemente – por quê?
Bill tirou a mão do rosto dela e a deslizou até atrás de sua cabeça, tomando um dos braços de Hermione e o conduzindo até seus lábios. Depositou um casto beijo nas costas da mão dela e, discretamente, por meio de um feitiço não-verbal, fez com que o bonito anel que havia comprado dias antes deslizasse pelo dedo anelar dela. A bruxa arregalou os olhos em surpresa e o encarou.
- Você quer se casar comigo? – Bill perguntou sorrindo, e Hermione sentiu algumas lágrimas se formando nos cantos de seus olhos. Seu lado racional, que andava bastante sumido desde que Bill entrou em sua vida, amaldiçoou-a mentalmente por provavelmente estar borrando a maquiagem que demorou tanto tempo para ser feita – eu sei que nos casamos por causa da lei, mas aquilo era só um contrato. Eu quero me casar com você, de verdade. Eu sou completamente seu, Hermione. Tão seu que chega a ser ridículo, mas eu não importo em parecer ridículo desde que eu tenha você.
- Vo-você arruinou a minha maquiagem – foi a única coisa que saiu da boca de Hermione, e Bill arregalou os olhos. Antes que ele respondesse, no entanto, a bruxa o tomou pelo pulso e o arrastou para fora da tenda, esbarrando em uma série de pessoas pelo caminho. Ginny observou a cena escorada em George, que tinha um sorriso nos lábios.
Assim que chegaram ao lado de fora da tenda, longe o suficiente para não serem notados, mas perto o suficiente para ainda escutarem a música e as conversas ao fundo, Hermione parou abruptamente e se virou ao ruivo. Bill abriu a boca para perguntar que diabos que reação foi aquela, quando ela se jogou para frente e colou os lábios nos dele. Ela parecia faminta, e ele conseguia sentir o gosto das lágrimas dela, misturadas com o gosto do vinho que ela havia tomado, em sua língua. A bruxa o segurava pela nuca com uma mão, enquanto a outra enterrava os dedos contra os cabelos ruivos dele de forma intensa. Ela o beijava com voracidade, raspando os dentes nos lábios dele e o puxando para mais perto, e isso despertou o corpo inteiro dele. Bill aprofundou o beijo mais ainda, segurando-a pela cintura com força. Se não fosse pelo corpete do vestido, provavelmente os dedos dele estariam deixando marcas na pele dela. O ruivo ainda não havia recebido sua resposta, então foi juntando todo o seu autocontrole que ele quebrou o beijo e se afastou um pouco.
- Eu peço você em casamento e você reclama da maquiagem? – ele perguntou, incrédulo, após conseguir recuperar o fôlego.
- Você me pegou de surpresa – ela se defendeu.
- E não é esse o objetivo do pedido de casamento? Ser uma surpresa? – ele questionou, bufando e se separando dela. Colocou uma mão na própria cintura e com a outra bagunçou os próprios cabelos, sacudindo a cabeça – Olha, eu posso retirar o pedido. Fingimos que nunca aconteceu.
- Você não pode retirar um pedido de casamento! – ela exclamou, e ele não sabia se ria ou se chorava daquela situação absurda. Definitivamente, não era nada disso que ele tinha imaginado.
- Nós já somos casados, de qualquer forma – ele respondeu e, suspirando, remexeu-se nervosamente no lugar, cogitando virar as costas e voltar à festa.
Hermione piscou três vezes e, voltando a si do choque, ocupou o espaço entre eles novamente e o enlaçou pelo pescoço. Ele franziu as sobrancelhas e a encarou desentendido.
- Casa comigo, Bill? – ela perguntou, e ele soltou uma gargalhada.
- Isso é injusto, essa é a minha fala! – ele brincou, e ela o encarou com olhos muito brilhantes. Bill percebeu que nunca antes ela o havia olhado daquela forma tão intensa. Não era o olhar dela de desejo, apesar de ser bastante parecido. Ele reconhecia aquele olhar, porque era exatamente o mesmo que ele dirigia a ela. Ele não conseguiu desviar o olhar do dela e se sentiu tragado pelos tons de castanho que dançavam pela íris dela.
- Eu aceito – ela sussurrou – eu quero me casar com você, Bill.
- Custava ter respondido isso antes? – ele perguntou antes de tomar a boca dela de novo. Ela riu e murmurou um "me desculpe" entre os lábios dele – você é uma péssima bêbada, bruxinha.
- EI, VOCÊS DOIS – George gritou, e o casal se virou rapidamente para ele. O ruivo mais jovem estava em uma das entradas da tenda, e Ginny estava ao seu lado com um olhar de expectativa – E aí Bill, deu certo?
Hermione somente entendeu do que ele falava quando Bill soltou sua cintura e respondeu ao irmão gesticulando um sinal de positivo e George bufou, tirando algumas moedas do bolso e estendendo à Ginny, que tinha a palma de uma das mãos virada para cima, como se já esperasse o dinheiro.
- Ela surtou? – Ginny perguntou, e Bill deu uma gargalhada, repetindo o gesto de positivo. Dessa vez, a ruiva bufou e devolveu as moedas a George, que tinha um largo sorriso no rosto enquanto murmurava um "eu falei que ela surtar".
- E não acredito que eles apostaram! – Hermione exclamou para Bill, puxando-o de volta para a festa.
- Achei que depois de tantos anos você já estaria acostumada – o ruivo mais velho respondeu, e levou a mão dela que usava o anel até os lábios, beijando-a nos dedos. Ginny dava pulinhos de alegria.
Naquela noite, Hermione – que era esposa de Bill Weasley – ficou noiva de Bill Weasley. O pensamento arrancou gargalhadas da castanha, que passou o resto da noite mostrando o anel para todas as amigas presentes na festa. Bill, mesmo na companhia de Charlie, George, Percy e Ron, não conseguiu tirar os olhos da esposa. Ficou escorado ao canto da tenda, com uma taça de vinho na mão, observando Hermione rir e conversar animadamente com as amigas enquanto um sorriso bobo brincava em seus próprios lábios.
Ali, vendo Hermione de longe tão feliz, tão linda e usando no dedo anelar um anel que materializava o quanto ele a amava e a queria para o resto da vida, fez o ruivo perceber que ele havia sido tolo ao pensar que nunca mais encontraria o amor depois de Fleur. Ele havia encontrado o amor. Encontrou o amor na garota que caminhou distraidamente por Grimmauld Place e esbarrou nele, na garota que passou quase todos os verões n'A Toca e ele sequer percebera, na garota que se tornou uma mulher lutando uma guerra ao seu lado, na mulher que o olhou de cima a baixo no elevador do Ministério com as sobrancelhas franzidas e fez o absurdo e perfeito pedido para que ele se casasse com ela. Sim, ele encontrou o amor em Hermione.
