Capítulo IX
Robert estava mais perto dela que Liam, por isso foi ele quem a segurou antes que caísse no chão.
Liam apertou os punhos. A imagem de sua mulher nos braços de seu irmão era como o fel em sua boca. Ele foi até Robert e tomou a mulher nos braços, saindo com ela em direção ao quarto do casal.
– Chame o médico – disse ao irmão, enquanto passava por ele.
Liam pôs Willow na cama de casal, no mesmo instante em que William entrava no quarto. O menino observou a cena com os olhos arregalados.
– Papai, mamãe está doente? – perguntou William com o rosto sem cor.
– Ela ficará bem – prometeu Liam. – O médico já está vindo.
Nos minutos que se seguiam, enquanto aguardavam pelo médico, Eleanor e a rainha apareceram no quarto. Robert disse apenas que Willow desmaiou e Liam a tinha trazido, omitindo o local e as circunstâncias em que ocorreu o fato. Liam tentava controlar a raiva. Robert mais uma vez tentava tirar algo dele.
– Olá, vim o mais rápido que pude. - A doutora Windhan declarou, aproximando-se da cama.
Naquele momento, Willow abriu os olhos e olhou confusa ao redor.
– Liam? O que aconteceu? Onde…?
– Bem, o que aconteceu? - perguntou a doutora Rebecca Windhan enquanto sem esperar uma resposta, examinava os olhos de Willow.
– Eu me senti fraca e desmaiei...
– Perdeu os sentidos de repente – corrigiu Liam com preocupação.
– Estou bem. – Willow insistiu - Suponho que enxaqueca, eu estava com muita dor.
– Será melhor que conversemos tranquilamente – afirmou Rebecca com calma, mas com firmeza, enquanto levava Liam, William, Robert, Eleanor e a rainha para a porta. – Sua mãe ficará bem – ela disse ao menino para assegurar que não se preocupasse com sua mãe.
– Quero saber o que aconteceu com minha mãe – disse William com determinação.
Por algum motivo, a imagem de seu filho olhando fixamente à doutora aumentou a tensão de Liam.
– Vamos, filho, não se preocupe – disse pondo a mão nos ombros da criança. - Serão só alguns minutos, depois iremos ver a mamãe novamente.
- Venha Will, Gloria fez uma torta incrível, vamos provar para ver se é melhor que a sua favorita. – Eleanor interveio, estendendo os braços para pegar o sobrinho no colo.
William não parecia muito entusiasmado, mesmo assim, assentiu e foi com a tia, que acompanhada pela rainha, caminhava em direção a cozinha.
Liam tinha ficado na porta, assim como Robert.
– Será só um minuto – disse Rebecca brandamente. - Quero falar um momento a sós com ela.
Liam olhou para o interior do quarto. Se Willow fizesse algum gesto para que ficasse, não haveria nada que a médica pudesse dizer para tirá-lo dali, mas sua mulher só o olhou por alguns segundos antes de afastar os olhos.
– Fique tranquilo, Liam – insistiu Rebecca sem lhe dar mais opção.
Liam ficou no corredor, encarando a porta fechada, mas não poderia ficar tranquilo. E muito menos quando viu Robert ali parado, encarando a porta também.
–Fique longe dela. – Liam disse ao irmão.
- Não foi o que você está pensando... – Robert afirmou.
– Não foi o quê? Você não beijou minha esposa?
- Isso sim, eu a beijei. Mas não foi como Kathryn, ela não estava ciente.
Liam encarou furiosamente o irmão. Mas antes que pudesse dizer algo, Kathryn apareceu.
- Eu ouvi meu nome. - Ela disse sorrindo, enquanto olhava de um irmão ao outro.
- Eu disse que estava indo buscá-la e levá-la até a cozinha. Willow teve um mal-estar e William está muito preocupado. Minha mãe e Eleanor estão com ele na cozinha.
- Oh, ela está bem? – Kathryn perguntou.
- Ficará. Uma médica já está com ela. - Robert respondeu.
Liam não queria conversar. Ela tentava a todo custo conter a vontade de socar o irmão. Ver como Robert mentia facilmente para a noiva, só piorava as coisas. Mas ele estava ciente que ali no corredor, não era o melhor lugar para acertar as contas com o irmão.
Dentro do quarto, a Dra. examinava Willow.
– Já havia sentido isto alguma outra vez?
Willow terminou de fechar a blusa e começou a negar com a cabeça, antes de encarar a médica.
– Sim, a verdade é que sim. Não tinha desmaiado, mas tinha me sentido tonta e fraca. – admitiu.
Havia algo na médica que lhe inspirava confiança.
- Mas nunca tão forte como hoje.
– Tem tido náuseas? Sua menstruação está atrasada?
Willow sentiu que a cor desaparecia de seu rosto.
– Acha que estou grávida?
– Há alguma possibilidade de que esteja? perguntou-lhe a médica esboçando um sorriso. - Certamente seria a explicação mais óbvia, não lhe parece?
Apesar do tempo que estavam juntos, Liam e ela apenas recentemente tinham falado em ter mais filhos juntos. Eles se casaram por William e isso era a única coisa que lhes tinha importado. Talvez parecesse estranho depois de tanto tempo, mas Liam nunca tinha falado sobre o assunto antes e Willow tinha aceitado. Além disso, Willow sempre tomara anticoncepcional, sempre fora regrada.
– Suponho que sim, que é possível, mas apenas se meu anticoncepcional tiver falhado. – admitiu com um rubor que não compreendia. Liam e ela eram marido e mulher. - Mas estaria de pouco tempo e a verdade é que não me parece muito provável…
– Será melhor que façamos o teste para ficar segura. O que acha?
- Melhor, assim descartamos a possibilidade.
Dez minutos depois, a Dra. deixava o palácio com uma amostra do sangue Willow. Esta se sentia ainda fraca e tonta, aliado a isso, agora ela se sentia enjoada. A cena que se desenrolou no quarto não lhe serviu de muita ajuda.
Quando a Dra. Rebecca saiu, ela permitiu que a família visitasse Willow. Assim, Eleanor entrou primeiro, saudando a cunhada e informando que em breve os criados trariam algo para que ela comesse e se fortificasse, a rainha estava cuidando disso. Depois dela, Liam entrou quieto, sentando-se na cama e encarando a esposa, ele tinha uma expressão séria. O que fez o estomago de Willow revirar foi a imagem de Robert carregando William, conversando animadamente com o menino enquanto garantia que ela já estava bem. Willow viu o filho a vontade com Robert e aquilo a incomodou. Ela imaginou que era isso que incomodava Liam.
– O que estão fazendo? – sua voz soou mais dura do que ela tinha pretendido. Ela se arrependeu de ter falado assim, não queria levantar suspeitas.
Seu filho pediu para Robert pô-lo no chão e imediatamente correu para ela, para abraçá-la.
– Está bem mamãe?
Willow se inclinou para lhe dar um beijo na testa.
– Muito bem – respondeu antes de olhar para seu marido e a cunhada, e ignorar Robert - Não há nada com que se preocupar, mas eu gostaria de ir para casa.
- Mas amanhã é seu aniversário de casamento – Protestou Eleanor.
– Se Willow quer ir para casa, é melhor que ela vá irmã. – disse Robert – Eu os acompanharei. Mamãe me contou onde estão morando e morro de vontade de ver o local. Ouvi que é um lindo palacete.
– Não! - Willow olhou para seu marido, desejando que dissesse algo. - Quero dizer que… é melhor deixar para outro dia. Eleanor tem razão, temos uma programação e quero segui-la. Só estou muito cansada. Descansarei e amanhã estarei nova em folha.
Robert encolheu os ombros.
– Claro, é o melhor. Nossa mãe ficará inconsolável se não tivermos o final de semana como ela planejou. Além disso, vou ficar por aqui algum tempo, então, terei oportunidade de conhecer o lar de vocês.
Ao ouvir aquilo, Liam olhou para seu irmão.
– Por quê?
– Porque deixei as forças armadas. Está na hora de começar a tomar conta dos negócios reais. Achei que mamãe havia dito a vocês. Não é uma ótima notícia? Tudo voltará a ser como nos velhos tempos. A família reunida.
Willow engoliu em seco, sentindo o olhar de Liam sobre ela.
– Claro – disse o marido, cheio de sarcasmo. - Como nos velhos tempos, irmão.
Eleanor e William não sentiam a tensão no ar, mas Willow teve certeza, pela forma como os irmãos se encaravam, que a animosidade entre eles estava mais forte do que nunca. Ela só podia desejar que o final de semana passasse depressa.
