Capítulo X

Quando fora deixada sozinha, Willow pensou no que a médica dissera. Seria mesmo possível que ela estivesse grávida? No fundo, ela tinha certeza de que não estava. Sempre fora cuidadosa com a pílula. Seria surpreendente se ela estivesse falhado.

Willow pensou em sua gravidez de William, como fora surpreendente descobrir-se grávida. Mas na ocasião, ela não tomava anticoncepcional e Robert sempre usava preservativo, exceto em uma ocasião. Mas ela não se arrependia. Seu filho era a melhor coisa em sua vida.

Embora não quisesse, Willow recordou o dia da concepção de William. No dia anterior, Willow estava bastante cansada e tensa por conta dos preparativos para uma homenagem ao Rei. Ela passara todo o dia confirmando fornecedores e fazendo os últimos ajustes para que a festa fosse perfeita, como a Rainha desejava.

Eram quase onze horas da noite quando ela concluiu suas atividades e se dirigiu ao seu quarto. Havia acabado de deixar a agenda sobre a penteadeira quando ouviu batidas em sua porta. Robert estava lá com uma garrafa de vinho e duas taças. Willow não hesitou em deixá-lo entrar. Logo eles se sentaram num pequeno sofá que havia e passaram a tomar o vinho. Minutos depois ela se sentiu mais relaxada. A conversa fluía.

Willow continuou bebendo o vinho com Robert e quando a garrafa acabou, ele se ergueu para ir buscar outra. Robert cambaleou e Willow riu, levantando-se também. Ela também se sentiu tonta e então se agarrou ao príncipe. Robert a envolveu em seus braços e eles se encararam sorrindo. Lentamente ele aproximou os lábios dos dela, beijando-a suavemente como se pedisse permissão.

Willow beijou-o de volta e logo o clima mudou entre eles. Não sabiam se era do vinho ou do beijo, mas de repente sentiram-se quentes e envoltos numa atmosfera sedutora como nunca antes. Robert a atraiu para mais perto de si, colando o corpo deles, beijando-a desesperadamente.

Willow correspondeu e, então, ele começou a andar, conduzindo-a até a cama dela. Ele a deitou cuidadosamente, ficando por cima dela, sem deixar de beijá-la um único segundo. Willow sentiu o peso dele sobre ela e de repente a vontade de sentir a pele dele sobre a sua foi insuportável. Robert ergueu-a um pouco, tendo acesso as suas costas. Ele abriu o zíper do vestido que ela usava.

Willow não pensava em mais nada a não ser sentir Robert cada vez mais perto. Ela o ajudou a desabotoar a camisa e desafivelar o cinto. Ele a despiu do vestido e de suas roupas íntimas tão habilmente que ela quase não percebeu, distraída pelos beijos dele em seus seios e pescoço.

Ela o tocava onde podia, sentindo seu corpo rígido e macio, suspirando quando ele a tocava ou beijava em um lugar sensível. Quando ele a penetrou, ela prendeu a respiração por um momento, enquanto seu corpo se adaptava ao dele. Quando ele começou a se mover, lentamente, fora uma tortura deliciosa para ambos.

Ela gozou primeiro, soltando um gritinho quando isso aconteceu e cravando as unhas nas costas dele. Ele veio logo depois, ao senti-la apertar seu corpo e seu membro. Ele a abraçou apertado contra si e lhe beijou os cabelos. Eles adormeceram em seguida.

Ela havia acordado nos braços de Robert naquele dia, fora a primeira e única vez que estiveram juntos sem proteção. Ele a beijou nos lábios e se despediu, dizendo o quanto a adorava. Ela disse o mesmo em retorno.

Durante todo o dia, enquanto trabalhava nos últimos detalhes da festa, ela se sentiu nas nuvens. Era tolice, mas o fato de terem ficado juntos no quarto dela, no palácio, fazia Willow pensar que Robert queria assumi-los publicamente. Depois de tanto tempo flertando e sendo cortejada por Robert, de terem se esgueirado para fora do castelo, no apartamento dela, para fazerem amor, ela tinha certeza de que agora a relação deles tinha avançado.

Ela estava apaixonada por Robert

desde que ele tinha retornado ao palácio, desde que começaram a trabalhar juntos, mas nunca pensou que ele corresponderia. Liam era o único que sabia do envolvimento deles e jurara guardar segredo. Naquele momento as recordações de como fora traída encheram sua mente. Fora na celebração do retorno do Rei.

Quando a noite chegou, ela e Robert se encontraram, cumprimentando-se formalmente, como príncipe e empregada. Liam havia convidado Kathryn como sua acompanhante, demonstrando claramente que eram um casal. Embora Willow soubesse do envolvimento anterior de Robert e a atual namorada de Liam, ela não se importou, julgando que era passado agora. Mas no fundo, julgara corajoso de Liam assumir a mulher publicamente.

No decorrer da festa ela pouco falara com Robert. Ele estava sempre conversando com alguém importante. Nas vezes em que se cruzavam, cumprimentaram-se amigavelmente para manter as aparências. Willow sentia seu coração acelerar quando o via e sorria com adoração para ele. Ela só queria que a festa acabasse para que pudesse beijá-lo e fazer amor com ele novamente.

Em algum momento após o jantar, ela se viu sozinha com Liam, que procurava por Kathryn. Fora quando ela se deu conta de que Robert também tinha desaparecido. Os dois caminharam juntos pelos corredores e ao perguntarem a Jasper, este dissera que Robert estava em seu quarto.

A porta do quarto do príncipe estava entreaberta e, tanto Willow quanto Liam puderam ver Robert e Kathryn se beijando. Na verdade, se agarrando, uma vez que ela tinha o vestido desamarrado e ele apertava sua bunda. Robert tinha a blusa aberta, as mãos da loira por dentro de sua camisa, em suas costas.

Willow ficou paralisada, ela não acreditava no que via. Fora Liam quem interrompeu o casal traidor, acusando a namorada e o irmão de o enganarem sob o mesmo teto. Só quando Robert caminhou até ela, foi que Willow se desprendeu do chão, correndo o mais rápido que podia para longe do castelo.

De resto, ela foi para a casa dos pais e Liam a seguiu, como se esperasse consolá-la e se consolar da traição de seus parceiros. E quando ela se descobriu grávida, ele sugeriu o casamento, alegando que gostava muito dela e que cuidaria bem da criança. Willow aceitou, dizendo a Liam que quando ele se apaixonasse por alguém, ela lhe daria o divórcio.

Com o tempo, Willow voltara a amar Liam e acreditava que era correspondida. Mas o fantasma de Robert estava sempre entre eles. Robert não era só o irmão de Liam que tivera o coração da garota que agora ele gostava. Também tinha sido o primeiro de Willow, a quem ela amara e se entregara. E antes de trai-la e deixá-la destroçada, tinha-a deixado grávida sem saber do precioso menino que dormia num dos quartos do palácio. O menino que chamava a Liam de "papai" e Robert de "tio".

William era loiro. Tinha cabelos lisos e de um tom de loiro escuro, como os de Robert. Os olhos também eram da cor dos do pai biológico, um azul esverdeado, uma lembrança constante do pai. Essas características sempre deixaram Willow apreensiva de que um dia a verdade viesse à tona. Embora ela não imaginasse o que poderia acontecer, ela temia esse momento. Liam sempre dizia a ela que nada aconteceria. Liam era um Henstridge de toda maneira. Pensando no filho, Willow decidiu ir vê-lo.

Liam estava de pé no quarto às escuras, observando o corpinho que se sobressaía na cama. Aproximando-se, acariciou a cabeça de seu filho. Como era de se esperar, William nem se moveu, nem sequer quando Liam o agasalhou bem, ou quando se sentou junto a ele na cama.

Parte dele desejava agarrar o pequeno e abraçá-lo com força, não o soltar nunca. William era dele. Era desde o dia em que tinha convencido aquela jovem com o coração partido de que se casasse com ele. Desde que tomara conhecimento da existência dele.

Mas o certo era que tinha esperado que algum dia acontecesse o que estava acontecendo naquele momento. Em cinco semanas, cinco meses ou cinco anos. O que importava? Liam sempre soube que não poderia viver para sempre ao lado de sua formosa esposa e seu filho. Porque mais cedo ou mais tarde apareceria o homem ao qual ela tinha amado, seu irmão, que era o pai biológico de seu filho.

– Liam? O que aconteceu? São mais de onze horas. William está bem?

Liam levantou o olhar ao ouvir aquele sussurro. Willow tinha entrado no quarto, se abraçando como fazia sempre quando tinha frio.

– Sim, está perfeitamente bem – Liam ficou em pé e a viu acariciar William. – Está frio. Deveria voltar para a cama.

Ela se voltou para olhá-lo. O desejo de abraçá-la veio com força e ele esteve a ponto de se aproximar, mas aose lembrar da cena em que ela estava beijando seu irmão, mudou de ideia.

– E você? – perguntou ela.

– Irei em seguida – assim que o ar frio da noite o acalmasse um pouco.

Willow concordou e saiu, fechando a porta do quarto em que seu filho descansava. Liam a seguiu para o corredor sem poder deixar de observar seus movimentos.

Ela deu vários passos para o quarto, ao lado do de seu filho, e se deteve a porta, voltando-se para olhar o marido. Seus olhos não eram visíveis na penumbra.

– Liam… você está bem?

O sorriso com o qual a tinha estado observando desapareceu de seu rosto.

– Por que pergunta?

– Não sei. Não parece…

– Não pareço…

– Você não parece o mesmo desde que…

– Encontrei você e meu irmão aos beijos?

– Não foi como você... – Willow começou a falar, mas foi cortada pelo marido.

– Robert disse o mesmo.

– Ele fez?

– Ele disse que você não esperava, que fora ele quem a beijou.

– E foi verdade... – Willow falou com agonia.

Ao ver que Liam não dizia nada, ela insistiu.

– Liam, eu não esperava...

– E o que você fazia sozinha com ele?

Willow suspirou. Pensando agora, ela poderia ter evitado o que aconteceu.

– Ele pediu para conversar, disse que precisava me dizer algo importante.

– Claro! E você não conseguiu resistir a vontade de ouvi-lo mentir para você novamente, não foi? – Liam sentia raiva.

– Está zangado...

– Queria que eu não estivesse?

– Eu sei que foi tolo de minha parte, e eu prometo que isso nunca mais vai acontecer.

– O que ele queria dizer? – Liam queria saber.

Willow tragou saliva, apreensiva sobre contar ao marido o que o cunhado dissera a ela.

– Talvez devamos entrar e conversar em nosso quarto. Estamos no meio do corredor e qualquer um pode aparecer.

Liam caminhou até ela e Willow entrou no quarto, segurando a porta para o marido passar. Liam caminhou até a janela, Willow se sentou na cama do casal.

– O que ele disse? – Liam insistiu em saber.

– Que ainda tinha sentimentos por mim. – Willow relatou com a voz trêmula.

– Claro que ele fez...

– Não importa o que ele disse...

– Claro que importa, ele não vai deixá-la em paz. – Liam disse passando as mãos pelos cabelos.

– Só ficaremos aqui mais um dia e então iremos embora. Ficarei longe de Robert e quando partirmos, evitarei encontrá-lo de todas as formas.

– Sabe que não é possível. Ele está de volta. Estará sempre em casa, nas reuniões familiares.

– Mas estará com Kathryn.

Liam não respondeu.

– Não quer se deitar.

– Queria que o fizesse?

– Claro, quero que descanse. Está tarde, levantamo-nos cedo e amanhã será um longo dia.

– Irei em breve.

Liam não se moveu e Willow, resignada, deitou-se e cobriu-se, esperando que o marido fizesse o mesmo. Ele não o fez.