Capítulo XI
Quando Willow acordou no domingo, a cama ao seu lado estava vazia. Liam não tinha dormido ali durante a noite. Ela sentiu seu coração apertar. Ela não queria que Liam pensasse coisas erradas. Ela não queria que ele ficasse distante dela.
Levantando-se, Willow decidiu tomar um banho e se arrumar. Hoje era o aniversário de casamento deles e a Rainha faria uma festa. Ela esperava que isso pudesse animar as coisas entre eles, aproximá-los. Ou que Liam conseguisse se conter próximo de Robert. Willow não queria que os irmãos brigassem novamente.
Ela sabia que o dia inteiro seria especial, Eleanor e a rainha gostavam de organizar um dia cheio de atividades, e como o tempo estava bom, ela tinha certeza de que haveria algo ao ar livre.
Willow optou por um vestido azul florido, de alças finas, na altura dos joelhos. Uma sandália anabela e algumas joias simples completavam o visual dela. Era simplório, ela concluiu, mas era o estilo dela. Com pouca maquiagem e os cabelos soltos, na altura dos ombros, Willow deixou o conforto do quarto e se encaminhou a sala de janta para o café da manhã.
– Willow, eu já vinha lhe buscar. O desjejum está servido nos jardins. Como você está se sentindo? – Eleanor, sua cunhada, a encontrou no corredor.
– Bem, obrigada! Foi só um mal-estar, já passou. – Willow respondeu a cunhada. – Todos já estão tomando café? – Willow questionou, querendo saber de Liam.
– Robert e Kathryn ainda estão faltando, mas mamãe disse para deixá-los dormir. Eles devem ter tido uma noite longa – Eleanor insinuou.
– Liam e William estão nos jardins? – Willow mudou de assunto, não querendo pensar sobre a vida sexual de Robert.
– Sim, e William está esperando por você para tomar café novamente. – Eleanor observou rindo.
Willow se sentiu relaxar, o marido estava ali, com seu filho. Pelo menos ele não tinha desaparecido. E a julgar pelo comportamento de Eleanor, ele não havia dito nada para a família sobre o incidente com Robert. Ela só poderia rezar que a paz se mantivesse e nenhum drama acontecesse neste dia. Na manhã seguinte ela iria embora e tudo voltaria ao normal, em seu lar, na companhia do marido e do filho.
– Bom dia! – Willow cumprimentou com um sorriso a todos os presentes.
– Bom dia! – O rei e Jasper responderam!
– Oh querida, aí está você! Esse rapazinho estava ansioso por sua chegada. – A rainha tinha William no colo – Ele quer tomar café com a mãe, embora já tenha tomado com os avós, o pai e os tios. – Disse a rainha.
– William, não deves comer tanto!
– Eu sou jovem mamãe, preciso me alimentar bem para ter força e energia. Quero cavalgar e voar como tio Robert! – A criança manifestou empolgada. – Sabia que ele é um soldado mamãe, como os meus brinquedos?!
– Sim. – Willow murmurou.
– Ele está encantado com Robert. Acredito que William vai seguir os passos dele no futuro. – O rei Simon comentou.
Willow sentiu o coração apertar enquanto observava o filho mastigar um pedaço de bolo. Seu filho estava empolgado com o tio, que na verdade era seu pai, e admirava-o com uma intensidade que surpreendeu Willow, considerando o pouco tempo em que eles se conheciam. Ela olhou de soslaio para o marido, observando a expressão dele. Liam estava impassível, ele não demonstrava qualquer emoção enquanto olhava para o seu pai.
– Tio Robert! – William gritou com alegria e empolgação.
Todos se assustaram e alguns sorriram diante do fascínio do menino com o recém-chegado. Willow observou Robert e Katrhyn se aproximarem, e seu filho correr até se jogar nos braços do homem, que o levantou e segurou no colo. Robert sorria para a criança e Willow mais uma vez sentiu seu estômago se agitar. Ela olhou novamente para o marido, e, desta vez, Liam a encarava, numa expressão séria que a assustou. Willow estremeceu, apesar do calor nos jardins.
– Bom dia! – Kathryn falou.
– Sente-se! – Eleanor ofereceu. – Robert, venha! Tome café para que possamos cavalgar um pouco!
Kathryn sentou-se e passou a se servir, enquanto Liam se ergueu para tirar William dos braços de Robert.
– Venha meu filho, deixe seu tio tomar o desjejum!
Liam pegou o garoto, dando a Robert um olhar penetrante, que este devolveu. Willow percebeu a interação, mas ao olhar ao redor, pareceu que somente ela percebeu que havia alguma animosidade novamente entre os irmãos.
Liam voltou a se sentar, com o filho em seu colo. William voltou a comer sua fatia de bolo, alheio ao mundo adulto ao seu redor.
– Bem, preciso verificar como estão os preparativos para o jantar. Pedi que o almoço seja servido aqui nos jardins, as 13 horas. Algo leve, apenas para sustentar até mais tarde.
– Uma excelente ideia mãe, como sempre! – Robert observou.
A rainha sorriu exultante, ela sempre gostara dos elogios do filho. Robert era, sem dúvida, o filho mais apreciado e que mais a apreciava. E ela gostava de ser elogiada.
– Muito obrigada! É maravilhoso que esteja oferecendo tudo isso a nós! – Willow agradeceu com sinceridade.
– Bobagem, minha querida. Vocês são família e é isso que fazemos! Cinco anos de casamento é uma data muito importante a se comemorar. É uma pena que seus pais não tenham podido vir.
– Sim, mas papai não se sentia bem, então não teria como. Em breve eu irei visitá-los.
– Sim, faça isso. Se quiser, pode eixar William conosco. Ficaremos encantados de tomar conta dele.
O amor do rei e da rainha por William eram visíveis. Eles queriam aproveitar todo o tempo que podiam junto da criança. Sempre faziam questão de vê-lo, de mimá-lo e de encher a cabeça dele com histórias da realeza, como fizeram com os filhos.
– Eu agradeço, mas irei levá-lo. Meus pais sentem muitas saudades dele.
– Sim, suponho que devamos compartilhá-lo com os demais avós. Mas agora, com licença! Vejo vocês no almoço.
– Eu também me retirarei, preciso examinar alguns documentos. Estarei em meu escritório. – O rei declarou.
– E eu preciso verificar o esquema de segurança. Volto logo! – Jasper também se despediu.
Com a saída do rei, da rainha e de Jasper, restaram apenas Kathryn, Willow, Liam, Robert, Eleanor e William a mesa.
– Papai, podemos ir até o lago? Quero ver se Arthur está lá!
– Arthur? – Robert perguntou curioso.
– É um sapo que vive no lago. William o encontrou outro dia e deu esse nome a ele.
Robert riu com a observação. E enquanto Liam se levantava com o filho, Willow notou que o sorriso dele era genuíno para a criança. E ela se surpreendeu com aquilo. Robert não era do tipo que gostava de crianças. Talvez fosse porque William era naturalmente encantador, uma boa criança que atraia a todos ao seu redor com seu carinho e sua alegria. Ou talvez, fosse o sangue que os atraía e os ligava.
Com medo do rumo de seus pensamentos, Willow se levantou e seguiu o marido e o filho, caminhando apressadamente até eles. Ela queria uma oportunidade de estar perto de Liam, de conversar com ele. Precisava garantir a ele que ela o amava e não tinha dúvidas disso. Ele sempre fora sensível em relação a Robert, e ela precisava saber o que ele estava pensando, sentindo. E com William por perto isso era mais seguro.
Quando ela os alcançou, Liam já estava sentado na grama, a beira do lago, e ela se sentou junto a ele. William procurava por seu sapo amigo. Ela não pode evitar de lembrar a primeira vez que conversou verdadeiramente com Liam, numa festa do palácio, onde eles roubaram champanhe e se sentaram a beira de um lago também.
– Você não dormiu em nosso quarto. – Ela abordou.
– Eu fiquei na biblioteca, adormeci lá e acordei bem cedo. Você estava dormindo profundamente quando eu fui tomar banho e trocar de roupas em nosso quarto. Ainda era cedo e eu não quis te acordar.
– Entendo.
Ambos continuaram calados e Willow não podia suportar aquilo. Eles já haviam se desentendido antes, mas nada assim. Era algo que eles resolviam na conversa, mas dessa vez, Liam parecia não querer falar. Parecia que ele evitava, inclusive, estar próximo a ela.
– Liam, acredito que precisamos conversar...
"Precisamos conversar". Aquelas eram as palavras mais horríveis do mundo. Nunca traziam nada de bom.
Liam olhou para Willow.
– Vamos conversar, mas apenas depois que esse fim de semana terminar. – Ele garantiu.
Willow encarou o marido e assentiu, sabendo que era inútil insistir em algo agora. Ela apoiou a cabeça no ombro dele e ambos ficaram em silêncio. Pelo menos ele não a repeliu.
Quem olhava de longe, veria uma cena que parecia romântica, um casal apaixonado e próximo. Pelo menos era isso o que Robert e Kathryn imaginavam enquanto olhavam para os dois.
– Eles são perfeitos juntos! – Eleanor comentou, atraindo a atenção de Robert e sua namorada. – Eles são um exemplo para mim e Jasper, pela relação baseada na amizade e no companheirismo que eles têm.
– Fico feliz que você e nosso irmão tenham encontrado pessoas dignas. – Robert comentou, voltando a olhar para o casal à beira do lago.
– Eu também estou feliz por você, por vocês – Ela olhou para Kathryn – Vocês dançam ao redor do outro a muito tempo, Já estava na hora de assumirem uma relação, de terem algo sério como seus irmão mais novos. – Eleanor comentou sorrindo, enquanto cutucava Robert.
– Tudo a seu tempo irmã! Algumas coisas simplesmente têm o momento certo para acontecer. Acredito que o meu e de Kathryn chegou somente agora.
– Se você diz... Mas não demore muito. Quando você ama, vale a pena aproveitar o máximo da vida com essa pessoa. – Eleanor comentou.
– E por falar em tempo certo, quando você dará um neto a nossos pais também? Você já esta casada a uns dois anos?
Eleanor fez uma careta!
– Não importa quanto tempo estou casada, não darei um neto a nossos pais pelo menos nos próximos dez anos. Eu deixo para você o papel.
– Bem, nesse caso nossa mãe esperará um pouco mais pelo segundo neto – Robert comentou – Eu e Kathryn pretendemos nos casar e aproveitar alguns anos antes de formarmos uma família.
– Jura? – Eleanor perguntou com incredulidade. Ela sempre achara que Robert, por ser o futuro rei, trataria logo de cumprir com os deveres do cargo e produzir um herdeiro.
– Sim, Kathryn quer concluir a universidade antes, e eu quero viajar pelo mundo.
– Oh sim, são bons argumentos!
– Talvez Liam dê mais um neto a nossos pais até lá. – Robert disse.
Eleanor fez outra careta.
– Bem, não sei. Acredito que Willow gostaria, mas Liam sempre se mostrou reticente.
– E por quê? – Kathryn perguntou com genuína curiosidade. Ela conhecia Liam, ele sempre quisera uma família, sempre quisera filhos.
– Willow teve uma gravidez difícil...Liam ficou muito preocupado na época.
– O que aconteceu? – Agora era Robert quem se entregava a curiosidade. Ele não soubera dos detalhes da vida de seu irmão e sua esposa, ele evitava saber.
– Bem, esse é o momento pelo qual qualquer revista pagaria fortunas! – Eleanor provocou. – As fofocas da realeza!
– Você faz parecer que foi algo escandaloso! – Robert observou.
– E não foi? Willow saiu daqui numa noite, sem nenhum motivo, sem nenhuma desculpa, sem se despedir, enviando apenas uma mensagem depois, dizendo que os pais precisavam dela em casa para alguma emergência, que sinceramente, até hoje não entendi qual foi. – Eleanor observou! – E Liam fora atrás dela logo depois, quando eu pensava que Kathryn estava com Liam!
Tanto Robert quanto Kathryn sabiam de que noite a princesa falava. Foi a noite em que eles se encontraram pelas costas de seus companheiros e foram surpreendidos pelos respectivos. Aquilo pôs fim ao relacionamento de ambos. Mas isso tinha ficado apenas entre os quatro, aparentemente.
– E não bastassem essas partidas inesperadas, um mês depois eles se casaram lá, na Argentina, sem nos dizer nada. – Eleanor continuou – Foi sigiloso e reservado. A imprensa enlouqueceu quando foi feito o comunicado oficial, assim como nos pais. Mamãe ficou arrasa por não ter feito uma grande festa, jurando várias vezes que deserdaria Liam. Mas alguns meses depois eles voltaram para casa, e para nossa surpresa, Willow estava grávida. Mamãe não ficou outra coisa senão encantada.
– Realmente, foi um casamento muito rápido! – Robert comentou.
– Sim. Ninguém suspeitava que eles eram mais do que amigos! E depois, na gravidez, eles esconderam isso, apenas os pais dela sabiam. Agora como eles mantiveram isso longe dos repórteres, eu não sei. Mas a questão é que Willow continuou o acompanhamento médico aqui, no palácio, quando eles voltaram da Argentina e foi quando os médicos disseram que o bebê era grande demais para ela e que não estava em uma posição favorável. Willow também estava muito emotiva, qualquer coisa a abalava, e isso fazia mal ao bebê. Ela precisou ser assistida várias vezes, teve sangramentos, pensamos que ela ia perder o bebê. Mas William é forte, e aqui ele está alegrando nossas vidas. Liam sofreu muito com isso e acredito que tema que Willow passe por tudo de novo.
– Entendo.
– Nós também tememos que ela perdesse o bebê. Foi uma época estressante para todos.
– Ainda bem que nada aconteceu. Ele é uma criança incrível, e olha que eu não gosto muito de crianças, não sei lidar com elas, mas já gosto muito dele.
– Bobagem, William te adora. Se você for sempre assim, qualquer criança vai amá-lo.
– Não sei, acredito que é porque ele é da família, então é mais fácil.
– Ou porque vocês têm várias coisas em comum. Mamãe diz que ele sempre a faz lembrar de você. Acredito que pelos interesses, pelos gostos, como por cavalos, por coisas militares, aviões. William é fascinado por isso.
Robert sorriu e voltou a encarar a criança a beira do lago. Ele sentia um enorme carinho por aquele garoto sorridente e esperto, que o fazia se sentir especial por olhá-lo com tanta admiração. Talvez fosse pelo fato de ele ser uma ótima criança e ter seu sangue, mas ele sabia que também era por ser filho de Willow, a mulher que ele ainda não esquecera.
Quando eles almoçaram juntos, oras depois, Robert não conseguia tirar os olhos do menino, secretamente imaginando que a vida poderia ter sido diferente se ele não tivesse feito o que fez no passado. Talvez nesse momento, fosse ele quem estivesse sentado ao lado de Willow e com o filho no colo, não seu irmão.
