UMA NOVA CHANCE
Sirius chegou à igreja, para o batizado de Harry, nervoso e irritado. Mais uma vez, por causa de Nancy. Ela havia se recusado a ir a cerimônia, pelo simples fato de não ter sido convidada para ser madrinha. Estava zangada com Lílian e Tiago, achando que o casal convidara Isabella de propósito.
Não estava muito habituado com cerimônias religiosas, mas soube se portar ao entrar na igreja. Já havia vários convidados presentes, inclusive seus próprios pais. Isabella estava sentada junto ao Remo e Lyra, dois bancos a frente dos Black.
- Cadê a Nancy, Sirius?
- Se recusou a vir, mãe. Eu também não vou insistir.
Mellyssa Black suspirou, mas mesmo assim tentou dar alguma razão a nora.
- Ela ficou chateada, Sirius, é natural...
- Não, não é. A Lílian convida quem ela quiser para ser madrinha do Harry...- Sirius viu a irmã acenar para ele. - Com licença, vou lá falar com a Lyra.
Era uma desculpa logicamente, para se sentar ao lado de Isabella, enquanto a cerimônia não começava. Tiago e Lílian estavam circulando pela igreja, enquanto Emily segurava o neto no colo.
A cerimônia foi rápida, mas para Sirius poderia ter durado para sempre. Foi emocionante observar Lílian entregar Harry nos braços de Isabella, para que fosse batizado. Observou atentamente a amiga ( qual o melhor termo para defini-la? haviam sido muito mais que amigos), e pensou o quanto seria bom estarem novamente juntos.
A casa dos Potter estava cheia, com a presença de todos os convidados para o almoço. Após posar para algumas fotos, que Tiago insistia em querer tirar, Sirius retirou-se para o quintal, e sentou-se no balanço. Fazia muito frio, e o gramado estava coberto pela neve.
- Pensando na vida, Sirius?
O rapaz virou-se, e viu Isabella parada ao seu lado, segurando duas taças de vinho.
- Estava te procurando por toda a parte. - A moça sorriu, os olhos azuis brilhando. - Quer tomar um vinho?
Estendeu a taça para Sirius, e sentou-se ao seu lado. Ficaram em silêncio, saboreando a bebida. Fazia muito tempo que não ficavam sozinhos, lado a lado. Isabella podia sentir todo o calor que emanava do corpo de Sirius.
- Então...o que tem feito da vida, Isabella?
- Além de ter pedido o divórcio? Bem, não sei se a Lílian comentou, mas consegui um emprego no Semanário das Bruxas.
- Ela me disse...quer dizer que agora você é uma mulher moderna e independente?
- Acho que sim...apesar de ter sido criada para ser dona-de-casa, esposa e mãe. E você?
- Eu? Só tenho dado cabeçada...gosto do meu emprego, mas não é o que eu quero fazer o resto da minha vida...fiquei noivo, mas não sei se quero me casar...
Sirius tirou a aliança da mão direita, e ficou observando-a.
- Durante muito tempo tentei entender porque você insistiu tanto nesse romance, Sirius. A Nancy não tem nada a ver com você.
- Será que você nem desconfia, Isabella? - Sirius olhou irritado para a ex.
- Desconfio, Sirius...por minha causa, a arrasadora de corações, a perversa...do que mais você me chamou, na época? Ah, sim, insensível...indiferente...Sirius, por favor, nós tinhamos dezesseis anos, o que você achava? Que iríamos ficar juntos para sempre?
- Não para sempre...mas por causa de meia dúzia de bobagens que eu fiz, Isabella...você me acusava de irresponsável, moleque...mas a única coisa que eu levava a sério era o nosso namoro...não havia motivos para você terminar comigo...até uma carta eu escrevi para você.
- Que foi a coisa mais linda que eu li na vida...- Isabella disse, num sussurro. - Mas eu não estava apaixonada, não podia insistir...depois eu conheci o Giuliano, dez anos mais velho, um homem responsável, que me tratava como uma princesa...
- E que você largou, Isabella. Qual é o seu problema? Tem medo de se entregar e ser feliz?
Isabella ficou muda, incapaz de responder. Sirius estava vermelho, e ela não soube dizer se por ação do vinho, ou da raiva que ele estava deixando transparecer.
- Essa discussão não vai nos levar a lugar algum, Sirius. O que passou, já era. Virou passado.
Os dois permaneceram em silêncio durante um bom tempo. E, embora nenhum dos dois pronunciasse uma só palavra, e o clima estivesse pesado, não sentiam vontade de sair dali. O silêncio só foi quebrado por Mellyssa, que estava em procura do filho.
- Ah, você está aí, Sirius.
- Algum problema?
- Não, não. Só vim te avisar que seu pai, a Lyra e eu estamos voltando para casa. Ainda preciso arrumar as malas da sua irmã, ela volta amanhã para Hogwarts.
- Boa viagem para vocês, eu vou ficar mais um pouco.
- Você tem certeza?
- Absoluta.
- Então, tá. Tchauzinho. Até mais, Isabella.
- Até, Sra Black.
Mellyssa voltou para dentro da casa, deixando Sirius e Isabella novamente a sós.
- Sua mãe ainda te trata feito um garotinho...- Isabella sorriu, tentando quebrar o gelo entre os dois.
- Ela pensa que eu sou uma criança, que precisa ser guiada...que não sabe andar sozinha...e isso às vezes me sufoca.
Sirius levantou-se, e encarou Isabella. Não estava mais carrancudo, a raiva havia passado.
- Você vai fazer alguma coisa hoje a noite?
- Vou para minha casa. Por que?
- Eu estou a fim de sair um pouco...se você estiver a fim de vir junto...topa?
A sensação de voar na moto de Sirius foi a mais excitante que Isabella já havia sentido antes. Agarrou-se a sua cintura, e apoiou a cabeça nas costas dele. Naquela posição, podia sentir o perfume, o mesmo cheiro que se lembrava da época em que ainda namoravam, em Hogwarts.
Entraram em um bar, com música ao vivo, repleto de trouxas. Não ligaram a mínima para esse detalhe. Esqueceram a discussão que tiveram à tarde. Tudo fazia parte do passado. Pediram ao garçom chocolate quente, e ficaram conversando durante horas.
A música ecoava pelo salão repleto, e muitos casais dançavam pela pista. Durante algum tempo, limitaram-se apenas a observá-los.
- Vamos dançar, também? - Sirius levantou-se, e puxou-a pela mão.
Isabella encostou a cabeça no ombro de Sirius, e concentrou-se novamente no perfume dele. Fechou os olhos, e deixou-se levar pela música, sentindo o corpo do rapaz. Tentava entender como podia ter sido tão burra e idiota durante todos aqueles anos. Sem perceber, as bocas já estavam coladas, num beijo longo, como se tentassem compensar todo o tempo em que estiveram separados. Quando a música terminou, foram o último casal a deixar a pista.
Sirius parou a moto em frente ao prédio onde Isabella morava. Ela desceu da garupa, e ficou olhando para o rosto dele, sem vontade de se despedir.
- Quer subir, Sirius?
Eram cerca de quatro horas da manhã, quando Sirius acordou, e lembrou-se de onde estava. Isabella dormia profundamente, ao seu lado. O rapaz se levantou, vestiu-se, e beijou-a levemente nos lábios.
- Que horas são? - Isabella murmurou, meio dormindo, meio acordada.
- Quatro horas...eu preciso ir, Bella.- Ele sentou-se na cama, e brincou com um cacho de cabelo da moça, que caía na testa. Beijaram-se novamente, e Sirius foi embora. Isabella ainda ficou um tempo acordada, pensando em tudo o que acontecera naquela noite. Tomara consciência de que era pouco mais que uma adolescente, e que ainda tinha toda uma vida pela frente. E, pela primeira vez, assumiu para si mesma que amava Sirius, e não iria deixá-lo escapar novamente.
Sirius parou a sua moto em frente à casa de Nancy. Respirou fundo, mas sabia exatamente o que tinha que fazer. A discussão,com Isabella, naquela mesma tarde, ainda estava muito fresca na sua memória.
- Não tenho vocação para ser a "outra", Sirius. Você vai ter que decidir...ou eu, ou a Nancy...
- Mas será que você não pode me dar um tempo, Bella? Como eu vou chegar e romper o noivado, assim, de repente?
- De repente? Nós já estamos nessa situação há várias semanas, Sirius...afinal, o que você quer? Que eu seja sua amante?
- Não, claro que não...
- Escuta, Sirius...- Isabella controlou a voz, tentando manter-se calma. - Você decide, agora. Mas pode ter certeza de uma coisa...estou completamente apaixonada...como nunca estive antes...
Nancy atendeu a porta, mas ao invés de descer as escadas da varanda correndo, como sempre havia feito ao receber Sirius, ficou parada, encarando-o. Abriu o portão dali mesmo, com um asceno da varinha. E quando o rapaz aproximou-se para beijá-la, Nancy virou o rosto.
- Não precisamos dessa palhaçada, Sirius. Fala logo o que tem para me dizer...
- Acho que você já sabe, não?
- Claro...sempre a Isabella....não é mesmo? Aproveitou a minha ausência no batizado, e foi logo correndo atrás dela... como sempre, Sirius...fazendo papel de palhaço, um bonequinho nas mãos dela...- Nancy fazia força para não chorar, pelo menos não na frente dele.
- Escuta, Nancy...foi legal o nosso namoro, esse tempo todo...foram quatro anos, poxa vida, e eu não vou esquecer...
- Cala a boca, Sirius Black!!! Vai embora, e esqueça que eu existo...vai, volta para a cama dela, é isso que você queria, não era?
Sirius deu as costas para Nancy, ouvindo-a chorar. Não era assim que ele queria que tudo terminasse...raiva, ressentimento, mágoas.
Subiu na moto, e logo desapareceu de vista. Sentia o vento bater no seu rosto. E, apesar do peso na consciência, de ter feito Nancy sofrer, sabia que havia seguido o caminho certo. Isabella era a mulher da sua vida. E seria com ela que iria se casar, ter filhos. E não importava o que seus pais iriam dizer...a única coisa que interessava é que estava tendo uma segunda chance ao lado de Isabella, e não iria desperdiçá-la, de maneira alguma.
Capítulo 7...
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