ESPIONAGEM

Severo Snape chegou ao seu apartamento, sentindo-se exausto. Parecia que já haviam se passado muitos dias, desde que fora levado dali, quase morto. E desde então, parecia que sua vida ganhara uma segunda chance. Mesmo fazendo o trabalho sujo de espião. De qualquer modo, nada mais parecia lhe importar. Faria qualquer coisa para não ir parar em Azkaban, como Karkaroff. Ou morrer, encurralado num beco escuro, igual a Rosier e Wilkes. Deitou-se em sua cama, fechou os olhos, e começou a reviver todos os momentos desde sua fuga da floresta na Alemanha, praticamente encurralado pelos aurores.

Snape e Avery conseguiram chegar a orla da floresta, desprotegida pelos feitiços lançados pelos aurores. Desaparataram imediatamente, sem nem mesmo pensarem num local seguro para aparatar. No fim, acabaram em Londres, numa rua escura e deserta.

- E agora, Avery? O que vamos fazer?

Então Avery o encarou, sério.

- Acho melhor nos separarmos por aqui mesmo, Snape. O Ministério vai acabar nos pegando, mais cedo ou mais tarde...

E os dois se separaram, cada qual tomando um rumo diferente. Estava agora sozinho. De toda a sua antiga turma da Sonserina, somente ele e Avery conseguiram escapar...até quando?

Agora pensava em Maryel, seu rosto de anjo, infantil...lobo em pele de cordeiro, uma assassina fria e calculista, dominadora...no entanto fora capaz de morrer, para que ele escapasse...e ainda podia ouvir o grito de pavor da garota, quando fora encurralada por um auror, o único momento em que ele a ouviu gritar...

Ela o amava, disso tinha certeza. E isso o fazia se sentir pior...gostava, logicamente, da companhia da alemãzinha, ela o enlouquecia, nos poucos momentos que tinham a sós. Mas não sentia amor por ela, e sempre deixou isso bem claro, desde o início do caso entre os dois. Ela não ligara...e no fim, se sacrificara por ele.

- Você deve amarr outro mulherr, Severro - Ouvia, agora, distante,a voz de Maryel.

- Por que me diz isso?

- Non sei...pelo seu jeito...aposto que deve terr se apaixonado porr um mulherr casada..- Ela sacudia a cabeleira loura, e olhava apaixonadamente para Snape, sorrindo candidamente - Mas eu non ligarr parra isso, Severro...

Sim, Maryel, eu amo outra mulher...- Snape, agora sozinho em seu quarto, se perguntava como ela descobrira. Teria especulado com Avery? Ou era o chamado instinto feminino?

Lílian...a única mulher em sua vida, disso ele tinha certeza. Era uma mescla de amor e ódio que sentia, toda vez que pensava na garota ruiva de olhos verdes. Amava Lílian Evans, mas desprezava a Lílian Potter.

Chegou exausto em casa, sentindo raiva de tudo e de todos..Não tinha mais amigos, nem ninguém com quem pudesse desabafar. Era um poço de angústia. Imaginva a decepção que seu pai teria, se o visse naquele estado. Pela primeira vez, sentiu-se grato pelo pai estar morto, e não ver no que o filho se transformara.

A consciência agora pesava. Lembrou-se da última vez que vira Lílian Evans, e do pedido que ela havia feito...- Não, Lílian, agora não tem mais jeito, cheguei ao fundo do poço, me perdoe, por favor...

Pensou, pela primeira vez em muito tempo, em Dumbledore. Talvez a única pessoa em Hogwarts que Snape considerou, durante os sete anos de escola. O poder, que emanava dos olhos azuis do diretor, sempre fascinou Snape. Dumbledore era, sem dúvida, muito superior a Voldemort...infelizmente, não teve muito a lhe oferecer, além de sua amizade.

"-Lembre-se sempre, Severo, se algum dia precisar de ajuda..." - a voz do diretor ecoava na sua mente...Snape pegou um pedaço de pergaminho e escreveu um bilhete para Dumbledore.

A lembrança daqueles momentos de angústia e desespero, que tomaram conta de sua mente naquela noite, agora estavam muito mais nítidas. De uma certa forma, ter enviado o bilhete para Dumbledore foi a sua salvação. No fundo, não queria morrer...somente uma segunda chance, para tentar corrigir seus erros.

Severo pegou, no armário da cozinha, um vidro contendo uma poção muito eficiente para eliminar pragas domésticas, feita à base de musgos venenosos, pele de ararambóia, veneno de aranhas da Cornualha...levou o vidro à boca, e engoliu de uma só vez. Imediatamente, tombou no chão frio, perdendo a consciência.

Acordou tremendo, a cabeça rodando. Quando conseguiu abrir os olhos, imediatamente percebera que não estava em casa. Aquela era a Ala Hospitalar de Hogwarts, que ele conhecia tão bem...só então lembrou-se de que a poção não estava pronta...

Ele, Severo Snape, o melhor aluno em Poções, esquecera-se do detalhe básico para aquela poção fazer o efeito desejado: cozinhá-la durante doze horas ininterruptas, adicionando o musgo a cada hora. E sempre na lua nova. Senão, serviria apenas para dopar qualquer ser que a bebesse, tanto um ser humano, quanto um rato ou uma barata.

- Obrigado por ter me escrito, Severo. Na verdade, estava muito preocupado com você - Dumbledore aproximara-se da cama, falando com tranquilidade - Não se preocupe, ainda não comuniquei ao Ministério seu paradeiro...

- O senhor vai me entregar?

- Não busquei você para isso, Severo...- a voz de Dumbledore tornou-se firme - Poderemos conversar mais tarde, quando estiver recuperado.

E conversaram, durante horas, no gabinete do Diretor. Nunca tivera oportunidade de ter alguém para escutá-lo, e Dumbledore estava lhe dando aquela chance. E desabafou, falando de todas as atividades que desempenhara como Comensal da Morte. Falou de sua relação com Maryel Guchard. No fim, estava exausto. Debruçou-se sobre a mesa do Diretor, a cabeça apoiada nas mãos, um fiozinho de esperança, para se segurar, começava a se tornar real.

- O que eu faço agora, diretor? Não quero morrer, não quero ir para Azkaban...

- Isso já não depende exclusivamente de mim, Severo. Vou ter de conversar com o Ministério...

- Mas eles vão querer me mandar para os dementadores, Dumbledore...- havia pânico em sua voz.

- Você está realmente arrependido, Severo?

Snape levantou a cabeça, e percorreu a sala com o olhar. Localizou, quase que imediatamente, a foto de formatura da primeira turma de Hogwarts, sob direção de Dumbledore...Turma de 1982...E, entre tantos alunos, apenas uma garota se destacava, o sorriso iluminando ainda mais seus olhos verdes...Lílian Evans, seu amor, sua vida...e então, odiou o preconceito que praticamente os havia separado. Por que eliminar uma pessoa somente porque nasceu como trouxa?

- Estou!

- Você estaria disposto a correr um grande risco pessoal, Severo?

- Que tipo de risco?

- Espionagem. O Ministério, há alguns meses, resolveu adotar essa tática...hum, bem, na verdade, eu os convenci a montar uma equipe. E temos tido bons resultados, apesar dos graves riscos...

- O senhor gostaria que eu espionasse para o Ministério? Informando os passos de Voldemort e os Comensais da Morte?

- Isso mesmo, Severo. Pense bem na proposta, e em seguida tomarei as devidas providências.

Snape aceitara a proposta de Dumbledore, espionar Voldemort. Sabia que era arriscadíssimo, e poderia ser morto, caso fosse descoberto. Mas ele saberia tomar cuidado e não ser pego. Difícil mesmo havia sido convencer Crouch a não mandá-lo para Azkaban, e aceitar seu papel de espião, provar ser digno de confiança. Snape precisou contar tudo o que sabia sobre a morte dos McKinnon, tudo o que acontecera na Alemanha...

Finalmente Crouch se convencera, e concordou em manter Snape em liberdade. O fato foi mantido em segredo, para não atrapalhar a volta do rapaz para o meio dos Comensais da Morte. Deviam pensar que ele estivera alguns dias fora, fugindo do Ministério.

Agora, devia bolar um plano perfeito, para ninguém desconfiar da sua ausência. Provavelmente iria procurar Malfoy, um dos braços direitos de Voldemort. Não, pensando bem, era melhor esperar ser chamado. Mais cedo ou mais tarde, a Marca Negra iria arder em sua pele. Então, ele saberia que era chegada a hora de agir.


A condecoração com a Ordem de Merlim, Terceira Classe foi, sem dúvida, um momento emocionante na vida de Tiago e de seus companheiros. O salão nobre do Ministério estava lotado, com a presença de todas as autoridades e da imprensa. Seus amigos também compareceram, para prestigiá-lo. Mas tudo isso teria sido em vão, e ele teria sido capaz de jogar a medalha no esgoto, se Lílian não o tivesse perdoado. No momento em que seu nome foi chamado pelo Ministro da Magia, e Tiago recebeu a condecoração, pode ver um brilho de orgulho nos olhos da mulher. Aquele era seu maior prêmio, sem sombra de dúvida.

A missão havia sido muito bem sucedida, daquela vez, e Crouch teve pouco o que reclamar. Os sucessivos interrogatórios com Travers, a respeito dos assassinatos de Harold Potter e dos McKinnon, levou finalmente o Ministério a abrir inquérito contra Lúcio Malfoy, do qual já tinham um extenso dossiê. Sabiam no entanto que ele era escorregadio, e não facilitaria o trabalho de investigação. Havia, ainda, empecilhos dentro do próprio Ministério. Cornélio Fudge era um deles. Era amigo dos Malfoy, e não cansava de lembrar Crouch as inúmeras contribuições para as instituições de caridade mantidas pelo Ministério.

- É uma afronta intimar Lúcio Malfoy a depor, Bartô. Um absurdo, uma família antiga, distinta...

- Não me interessa o que você acha, Cornélio. No meu departamento, eu dou as ordens.

E Malfoy fora convocado a depor, logo no início de outubro. No dia marcado, havia uma grande movimentação de jornalistas na porta do prédio do Ministério. Tiago e Lílian tiveram dificuldade em passar pelos repórters, ávidos por uma entrevista com o homem que se atrevera a incriminar Lucio Malfoy.

- Sr Potter, por favor, só uma declaração ao Profeta Diário...Porque o senhor tem tanta certeza de que o Sr Malfoy está envolvido no assassinato de seu pai?

- Só vou dar declarações à imprensa após o interrogatório, Skeeter, por favor, me dê licença...

Tiago afastou a jornalisata, aflito, seguido por Lílian. Rita Skeeter, a repórter, murmurou qualquer coisa paracida com grosso ou mal-educado. Em seguida, limitou-se a fazer rápidas anotações.

O clima no tribunal, localizado nas masmorras do Ministério estava tenso. Crouch andava de um lado para outro, esperando o início do depoimento. Sabia que se colocasse as mãos em Malfoy, conseguiria ser escolhido o novo Ministro da Magia, pelo Conselho Ministerial. Pouco a pouco, a sala começou a se encher, tanto de amigos de Malfoy, quanto de desafetos. Os Potter chegaram, e sentaram-se no primeiro banco, na fileira da direita, onde a Sra Figg e Cornélio Fudge já se encontravam. A porta, que dava acesso à sala, mais uma vez se abriu, e por ela entrou uma mulher jovem, loura de olhos azuis, com uma criança de pouco mais de um ano de idade no colo. Era Narcissa Malfoy. Sentou-se na fileira oposta à que Lílian e Tiago se encontravam. Olhou com desprezo para os Potter, e limitou-se a brincar com o filho.

- Pensei que crianças não fossem permitidas aqui...- Lílian sussurrou baixinho, para a Sra. Figg, sentada ao seu lado.

- Provavelmente, ela pretende comover o júri, trazendo o bebê...- A Sra Figg sorriu educadamente, quando Narcissa lhe fez um discreto aceno - O que a Sra Malfoy tem de bonita, tem de falsa e perversa...

Crouch autorizou a entrada da imprensa na sala, desde que permanecessem em silêncio. E foi com um olhar de triunfo, dirigido aos Potter, que Rita Skeeter sentou-se nos bancos do fundo, fazendo anotações com sua pena de repetição.

Depois de meia-hora de espera, finalmente Malfoy entrou na masmorra, por uma porta lateral. Sentou-se na cadeira, localizada bem no centro da sala, e percorreu o ambiente com seus olhos frios. Parecia estar meramente incomodado. Porém, foi com ódio que olhou para Tiago, sentado bem próximo dali."Esse moleque está brincando com fogo...não faz idéia de onde está se metendo..."

- Lúcio Malfoy!! - Crouch bradou, sua voz grave e séria ecoando por toda a sala, - O senhor foi convocado essa manhã para prestar depoimentos ao Ministério da Magia, a respeito das suspeitas que rondam o senhor. Podemos começar?

- Como o senhor quiser, Sr Crouch.

- Adrian Travers, assassino confesso de Elayne e Arnold McKinnon, nos disse em seu interrogatório que o senhor planejou todo o ataque ao casal, por ordem direta de Você-Sabe-Quem. O que o senhor tem a dizer em sua defesa?

- Acredito que Travers deve estar ficando louco, Sr Crouch. - Malfoy sorriu, cinicamente.

- Não estamos brincando, Sr Malfoy!

- Nem eu, Sr Crouch...

- O Sr Travers não está ficando louco, e portanto gostaria que o senhor se limitasse a responder minhas questões.

- O senhor perguntou o que eu tenho a dizer em minha defesa? Nada, eu não sou um partidário de Você-Sabe-Quem...!!

- Sr Malfoy, facilitaria muito nosso trabalho se o senhor fosse menos sarcástico...- Crouch estava começando a perder a paciência.

- Bartô, por favor - Fudge interrompeu o Sr Crouch - Pense bem, Lúcio Malfoy é um homem respeitável...

- Isso não me interessa...Sr Malfoy, temos indícios que o Sr tem participado de vários crimes relacionados as atividades dos Comensais da Morte...

- O Sr está me acusando?

Crouch ignorou-o, e continuou:

- Além dos indícios de sua participação no assassinato dos McKinnon, temos a informação de que o senhor assassinou, pessoalmente, Harold Potter e seus dois assistentes...

Lúcio Malfoy levantou-se, num pulo. Sua face, normalmente pálida, tornou-se rosada, e parecia que raios saíam de seus olhos.

- Essa é uma acusação muito grave, Sr Crouch, e o senhor não tem provas!

- Se o Ministério tivesse provas concretas, Malfoy, você já estaria há muito tempo em Azkaban!! - Tiago levantou-se também, tremendo, o dedo indicador apontado para Malfoy, acusando-o.

- Potter, Potter...como sempre arrogante...aposto como foi você que armou todo esse circo...encontrar alguém para vingar a morte do seu pai...

- Sr Potter, Sr Malfoy, por favor, fiquem quietos...Agora, Sr Malfoy, o senhor vai me dizer tudo o que sabe sobre a morte dos McKinnon e de Harold Potter...por bem ou por mal...

- Já disse que não sei nada...

- ...ou então pedirei autorização para utilizarmos Veritasserum, e aí saberemos se o senhor está nos contando a verdade...

- Eu sou um pai de família, Sr Crouch! Não saio por aí cometendo assassinatos...

- Elayne e Arnold também tinham filhos, Malfoy, e nem por isso você exitou em matá-los, assim como fez com o meu pai!!!

- Sr Potter, por favor, mais uma alteração desse tipo e serei obrigado a pedir sua saída desse tribunal.

Tiago sentou-se, furioso. Lílian o olhou assustada, parecia não estar reconhecendo o marido.

- Sr Malfoy, o senhor realmente não vai colaborar com o Ministério?

- Não tenho nada a declarar...e se o senhor fizer questão, chame meu primo, Julius Malfoy para depor...no dia em que o Sr Potter foi assassinado, eu estava em sua casa. Era aniversário da mulher de meu primo, se eu não me engano...

- Se é só isso, vou pedir aos jurados que votem a continuação do inquérito, ou o arquivamento do caso...quem for a favor do arquivamento, por favor, levantem a mão.

Lucio Malfoy encarou um a um os jurados, intimidando-os com o olhar. Todos levantaram a mão, temerosos. Crouch, derrotado, liberou Malfoy. Enxugou a testa, úmida de suor, enquanto Fudge falava sem parar.

- Eu avisei, Bartô..Não há provas, Malfoy é uma pessoa séria, digna...

Tiago passou como um furacão no meio dos jornalistas, que se aglomeravam na saída do tribunal. Malfoy, de mãos dadas com a mulher, e o filho no colo, posava para fotos e dava declarações à imprensa. Tiago sentiu vontade de azará-lo, fazer qualquer coisa para deixá-lo impune.

- Ei, Sr Potter, não vai fazer uma declaração ao Profeta Diário? - Rita Skeeter saiu do meio dos reporteres, e colocou-se no meio do caminho de Lílian e Tiago.

- Não temos nada a declarar a você, Rita, agora por favor, saia da frente. - Tiago empurrou a jornalista para um lado, abrindo passagem. No meio dos jornalistas, Lílian viu Isabella, tentando uma entrevista com Crouch. A amiga, além de trabalhar para o Semanário das Bruxas, eventualmente escrevia matérias para o Diário de Merlin, jornal concorrente ao Profeta Diário, porém de menor circulação e abrangência. Isabella fez menção de vir conversar com Tiago e Lílian, mas esta fez sinal para a amiga permanecer afastada, enquanto saíam do Ministério.


Depois de ouvir Lúcio Malfoy reclamar, furioso, Voldemort estava no mínimo, entediado. Tudo o que o rapaz falara não era novidade nenhuma para ele. Estavam reunidos na mansão de Malfoy, discutindo quais ações seriam prioridade nos próximos dias. No entanto, praticamente só Malfoy falava. Os outros Comensais permaneciam em silêncio.

-...e é um absurdo, milorde, o que aquele Potter fez...tudo bem, eu matei o pai dele, e arquitetei passo-a-passo o ataque aos McKinnon...mas enfim, quem ele pensa que é?

- Você já repetiu tudo isso, umas cinco ou seis vezes já, Lúcio. E eu não tenho mais tempo a perder com isso!

- Então o senhor vai deixar o Potter em paz? Ora, por favor, milorde...

- Cale-se. É lógico que o Potter vai nos pagar...esse moleque petulante já abusou demais da minha paciência...só estava esperando o momento certo para agir...

Snape chegou a casa de Malfoy naquele instante, atrasado para a reunião. Cumprimentou os presentes, e curvou-se para Lord Voldemort.

- Eu estava apenas imaginando onde você poderia ter se metido, Severo Snape.

- Eu me escondi esses dias, milorde. O Ministério anda me procurando...

- Sei...imaginei que você tivesse fugido, como o imprestável do Avery...

- Nunca, meu senhor...

- Milorde, por favor...- Malfoy interrompeu Voldemort, timidamente - Podemos voltar ao nosso assunto?

- Não seja tolo, Lúcio. Não preciso de você para ficar falando o que eu devo ou não fazer...já lhe cansei de dizer, que depois dos McKinnon, os Potter seriam os próximos...tenho uma pessoa, muito próxima a família, que tem me mantido informado dos passos deles...Potter, Potter...pensam que têm poder, mas são duas crianças tolas e idiotas. Felizmente, são os últimos da família...amantes de sangue-ruim, isso é o que eles são...

- Então, milorde...

- Vá, Lúcio, sei que você está com vontade de por as mãos nos Potter...mande os seus capangas, como fez com os McKinnon...

- A família toda, milorde?

- Como você achar mais fácil, Lúcio...apesar da mulher ser uma sangue-ruim imunda, talvez não seja necessária a morte dela...mas o Potter e a criança, com certeza. Temos que acabar com a tradição desses tolos...

- Obrigado, milorde. O senhor é muito generoso...

Voldemort levantou-se, e encarou todos os seus servos. Pareciam esperar suas ordens. Mas o bruxo não lhes deu confiança, e desaparatou.

Severo ficou ainda uns momentos tentando absorver o que acabara de ouvir...Lílian corria um grande risco. Embora Voldemort tivesse dito que poderiam poupá-la, seria melhor não arriscar...a vida do filho e do marido dela precisavam ser preservadas também. Sabia que havia perdido Lílian para sempre, mas não aguentaria vê-la sofrer, sabendo que poderia ter evitado isso.

Murmurou uma desculpa qualquer para Lúcio, e desaparatou imediatamente. Já sabia exatamente o que fazer.

Capítulo 9...

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