DIAS NEGROS

Sirius chegou à casa de pedro e encontrou-a com todas as luses apagadaas. Acendeu sua varinha, e entrou no pequeno jardim, procurando algum sinal do amigo. Espiou pelas janelas, e percebeu que não havia ninguém lá dentro. Arrombou a porta, empunhando sua varinha.

- Pedro, você está aí?

Não obteve resposta. A casa estava vazia, mas não havia sinais de luta. A impressão que Sirius teve (e sentiu-se apavorado), é que Pedro havia fugido, às pressas. O rapaz sabia que isso significava perigo.

Não pensou duas vezes. Pegou sua moto, e voou para a casa dos Potter. Sentiu um gelo. A casa dos Potter estava praticamente destruída, e uma estranha fumaça saía de lá. Sirius parou a moto diante do jardim, derrapando, e entrou correndo. A porta da frente estava arrombada e ele viu o vulto gigantesco de Rúbeo Hagrid. Nào precisou de muito tempo para localizar os corpos de Lílian e Tiago estirados no chão.

- Sirius! - Hagrid virou-se para o rapaz, com os olhos vermelhos, as lágrimas escorrendo por entre a barba emaranhada.

Sirius não conseguiu esboçar nenhuma reação. Sentia o corpo todo tremer, incontrolavelmente. Caiu de joelhos no chão, e segurou as mãos no rosto, chorando compulsivamente. Sentiu-se terrivelmente culpado, e um ódio incontrolável tomou conta de si.

- Eu sinto muito Sirius... Dumbledore me mandou para cá, resgatar o Harry - Sirius levantou os olhos para Hagrid, sem acreditar no que ouvia.

- Harry... está vivo?

Hagrid pegou um amontoado de cobertas no chão, e o mostrou para Sirius. Harry ainda estava acordado, muito assustado, mas sorriu ao reconhecer o padrinho, que o pegou no colo, desajeitadamente.

- Como isso pôde acontecer? - Sirius tocou o corte na testa de Harry - Como?

- Você-Sabe-Quem desapareceu, Sirius. Tentou matar o Harry e não conseguiu...

O rapaz colocou o bebê no colo, e aproximou-se do corpo de Lílian, fechando seus olhos. Tentou segurar o choro, mas soltou um uivo de de desespero. Puxou a amiga, e a colocou ao lado do corpo de Tiago.

Hagrid pegara Harry novamente, e juntou ao bebê alguns pertences dos Potter que conseguira achar naquela bagunça toda.

- Me dá o Harry, Hagrid. Vou levá-lo para casa, sou o padrinho dele.

- Nada disso sirius. Dumbledore me mandou levá-lo para a casa dos tios, você sabe, a irmã de Lílian.

- Ele só pode estar ficando louco, Hagrid! - Sirius esbravejou, e Harry recomeçou a chorar. - Eu vou me casar em breve, o Harry vai ficar muito bem comigo e a Bella... Hagrid, aquela irmão da Lílian, a Petúnia, é trouxa, e não aceita bruxos...

- Nunca insulte Alvo Dumbledore na minha frente, Sirius Black! Vou cumprir as ordens que me foram dadas, e Harry vai para a casa dos trouxas. Depois você se entende com o diretor.

Sirius acalmou-se, e concordou com Hagrid, pois uma nova idéia (na verdade uma obsessão) invadiu seu pensamento: seguir o rastro de Pedro Pettigrew. Hagrid deu uma última olhada na casa, antes de ir embora. Sirius seguiu-o até o jardim.

- Vai com a minha moto, Hagrid. Eu não vou mais precisar dela...

- Você tem certeza?

- Absoluta. - Sirius aproximou-se de Harry, e sorriu para o afilhado - Cuide-se garoto. Eu prometo que vou te buscar, como seus pais queriam. - Virou-se para Hagrid, que já estava montado na moto - Vá com cuidado, Hagrid. E avise Dumbledore que eu tenho a tutela do Harry, é meu direito.

- Isso você vai ter que resolver com ele, Sirius. Até breve.

Hagrid acelerou a moto e desapareceu no ar. Naquele instante, Sirius desaparatou, voltando para a casa de Pedro. Lá, tranformou-se no enorme cão negro, e pôs-se a seguir o rastro de Rabicho.


Isabella levantou-se extremamente atrasada e indisposta. Sentiu náuseas, e correu para o banheiro, a fim de vomitar. Olhou-se no espelho, e achou-se horrível, pálida e com olheiras. Enquanto esperava a água do chá ferver, ficou imaginando como iria dizer a Sirius que estava grávida. Decididamente, isso não estava nos planos do casal, ter filhos tão cedo.

Tomou um bom banho, e, sentindo-se bem melhor, saiu correndo para o trabalho. Assim que entrou apressadamente na redação do Semanário das Bruxas, todas as atenções se voltaram para Isabella. O clima estava tenso, todos os repórteres estavam andando para cima e para baixo, e corujas entrando por todas as janelas.

Wanda Sayler, a chefe de redação aproximou-se da jovem, e chamou-a sua sala. Imaginando que iria receber uma bronca pelo atraso, Isabella tentou desculpar-se, mas foi calada por um gesto de sua chefe.

- Isabella, coisas terríveis aconteceram essa madrugada...acredito que você já esteja a par?

- Não, não estou sabendo de nada, Sra Sayler.

- Você ainda não leu os jornais?

- Não tive tempo, acordei atrasada...mas o que está acontecendo?

- Isabella, eu não queria ser a pessoa a te dar a notícia, mas...melhor assim, do que pelos jornais...bem, Lílian e Tiago Potter foram assassinados essa madrugada, por Você-Sabe-Quem...

Uma zoeira estranha formou-se nos seus ouvidos, e Isabella não conseguia prestar atenção no que a Sra Sayler dizia. Na verdade, não estava acreditando em nada do que estava ouvindo. Sentiu náuseas novamente, e saiu correndo dali.

Desaparatou diante da casa de Denise, e tocou a campainha desesperadamente. Aquilo tinha que ser mentira, pensou. Um elfo doméstico atendeu a porta, e Isabella entrou correndo , apesar dos protestos da pequena criatura. Ouviu passos na escada, e deparou-se com a amiga, pálida, os olhos borrados de tanto chorar.

- Isabella, graças a Deus que você apareceu...- As duas se abraçaram, e choraram juntas.

Sentindo-se tonta, Isabella sentou-se no sofá, com a amiga ao seu lado. Durante um bom tempo, ficaram mudas, sem ter o que falar. Finalmente, Denise quebrou o silêncio.

- Harry sobreviveu, Bella. Ninguém sabe como...- deu um suspiro profundo, e continuou - Frank foi chamado ainda de madrugada...eu achei estranho, fiquei preocupada...ele ainda não voltou...daí, eu fui trabalhar, e logo que cheguei, fui informada do ocorrido...

- Isso é loucura, Denise...por que tinha que acontecer? - A voz de Isabella estremeceu, e recomeçou a chorar. Tentou levantar-se, mas estava tonta demais, e quase caiu no chão. Denise a segurou, e a levou até a cozinha, onde preparou um chá bem forte, para acalmá-la.

- Você está sentindo alguma coisa, Isabella? Está doente?

- Não...eu vou ficar bem...eu estou grávida, Denise, é só isso - Isabella tentou sorrir, mas não conseguiu. Denise, entretanto esboçou um leve sorriso, tentando animar a amiga.

- Mas isso é maravilhoso, Bella...um bebê...o Sirius já sabe?

Isabella sacudiu negativamente a cabeça, e sentiu um aperto no peito. Já era quase hora do almoço, e havia combinado encontrar o namorado. Ficou imaginando se ele já sabia o que acontecera. E ainda havia Harry, precisava saber notícias do afilhado.

- Denise, para onde levaram o Harry?

- Ninguém sabe, ainda. Dumbledore deu ordens para o Hagrid escondê-lo, até passar essa loucura toda.

- Eu preciso procurar o Sirius, ir até a casa dele, fazer alguma coisa...

- Acho melhor você ficar por aqui, Isabella. Está mais tranquilo, você precisa comer alguma coisa.

- Não estou com fome.

- Mas você vai tomar uma sopa, pelo menos. - Denise saiu da cozinha por uns instantes, e voltou, carregando Neville no colo. Isabella o pegou , e imaginou como estaria Harry naquele instante, como conseguira sobreviver a Voldemort. E, mais importante, como seriam suas vidas dali por diante. Sentiu medo, pois agora ela e Sirius seriam responsáveis não só pelo seu bebê, como também por Harry. E não sabia se estava preparada para ser mãe de duas crianças ao mesmo tempo.

Por volta do meio-dia, quando já estavam almoçando, Frank chegou em casa, tenso e exausto. Ao ver Isabella em sua casa, com seu filho no colo, sentiu uma onda de fúria incontrolável.

- O que você está fazendo aqui? - bradou, violentamente,em direção à moça.

- Frank! Pra quê toda essa raiva? - Denise aproximou-se do marido, preocupada - Onde mais você acha que a Bella poderia estar?

- E você sabe o que foi que o namoradinho dela fez? - Frank agora tremia, apontando para Isabella, que estava assustada com o acesso de raiva do auror. - Entregou Lílian e Tiago para Voldemort, só isso...

- Você deve estar louco! - Isabella encarou Frank, vermelho de fúria .

- Eu não estou louco, nem tampouco Dumbledore, que acabou de depor no Ministério, contando que os Potter estavam protegidos pelo Feitiço Fidelius...e que Sirius Black era o fiel do segredo.

- Isso é mentira! Só pode ser...Frank, cai na real, Sirius seria incapaz de uma coisa dessas...eu o conheço muito bem....isso não pode ser verdade...

- Eu só sei que um dos meus melhores homens, e um grande amigo, Isabella, foi assassindo esta noite...e eu vou ter o prazer de pegar Sirius Black, e colocá-lo em Azkaban. - Fez uma pausa, e virou-se para a esposa - Eu só vim ver como você e Neville estavam, estou voltando para o Ministério, tenho muito o que fazer esta tarde. - E olhando com desprezo para Isabella, desaparatou.


Depois de uma busca incessante, Sirius finalmente conseguira seguir o rastro de Rabicho. Quantos quilometros percorreu, até conseguir encurralá-lo, nunca soube. Mas, finalmente, encontrou-o num beco, no centro de Londres. Os dois encararam-se, num misto de ódio e desprezo. A dor que Sirius sentia era muito maior que toda e qualquer razão. A única coisa que queria era matar Pedro, aquele rato desprezível.

Rabicho encarou Sirius. Sabia que estava em vantagem. Ninguém sabia que ele, Pedro Pettigrew, era o fiel do segredo dos Potter. Sirius era tão nobre e leal, que permanecera em silêncio, não contando a ninguém a troca. E Pettigrew agorao desprezava. Sirius não era mais o maior valentão, todo-poderoso, o jogador de quadribol admirado por todas as garotas de Hogwarts. Agora, não passava de um moleque, metido a herói, querendo vingar seu quridos amigos mortos.

- Lílian e Tiago, Sirius! Como é que você pôde? - Pedro soluçava, debochado, ao ver o desespero estampado na cara de Sirius.

- Seu verme, inútil...

Sirius puxou sua varinha, mas Pedro foi mais rápido. Com os braços às costas, cortou seu próprio dedo. E, antes que pudesse berrar de dor, provocou uma grande explosão, rompendo a tubulação de esgotoImediatamente, transformou-se, juntando-se aos ratos que corriam pelo buraco aberto. Pelo menos uns vinte trouxas estavam caídos naqula área, vítimas da explosão.

Por um instante, Sirius parecia não acreditar no que via. Quando as viaturas do Ministério chegaram, foi que conseguiu entender o plano engenhoso de Pedro Pettigrew. Forjara a própria morte, cortando um dedo, e transformando-se em seguida. Não contara a ninguém sobre a troca do fiel do segredo, e agora estava em uma situação extremamente delicada. Foi então que riu, gargalhou, diante de todo aquele absurdo. E não ofereceu resistência nenhuma quando foi levado pelos policiais de elite do Esquadrão, do Departamento de Catástrofes Mágicas.


Isabella sentia que despertava de um longo pesadelo, e que tudo o que acontecera naquela manhão fora apenas um sonho ruim. No entanto, ao abrir os olhos, percebeu que estava deitada no quarto de hóspedes da casa de Denise. E, lentamente foi tomando consciência de que tudo aquilo realmente estava acontecendo. O relógio marcava pouco mais de quatro horas da tarde. Havia dormido a tarde inteira, depois que quase desmaiara, após a saída de Frank.

Sento-se na cama, e tentou coordenar os seus pensamentos confusos. Sentia-se completamente perdida, e todos os sonhos e projetos que fizera com Sirius, pareciam ter desmoronado, de uma só vez. Contudo, algo lhe dizia que estava ocorrendo algum engano. Pelo menos o Sirius que ela conhecia seria incapaz de trair os melhores amigos.

Denise entrou no quarto e se sentou do lado da amiga. Sentia muita pena de Isabella, do desolamento e desespero estampado em seu rosto.

- Você quer tomar mais chá? - Denise limpou com as mãos as lágrimas que escorriam pelo rosto da amiga - Você precisa reagir, Bella. Você sempre foi a mais destemida de nós três... - Sua voz tremeu, emocionada.

- Como reagir, Denise? Eu fui corajosa sim... muitas vezes... quando fiquei órfã... quando decidi me casar, aos dezoito anos... depois o divórcio... minha vida sempre foi assim, cheia de desafios, obstáculos. E, quando eu finalmento penso que chegou a hora em que eu realmente seria feliz, so lado do homem que eu amo, o pai do meu filho... - Isabella não conseguiu concluira frase, chorando compulsivamente.

- Pense no seu bebê, Isabella, e no quanto ele vai precisar de você, minha cara. Não vai ser fácil criar uma criança sozinha, mas...

As duas ouviram vozes no andar de baixo. Era Frank e mais um rapaz, e isabella reconheceu sua voz imediatamente. Era Remo. Os dois conversavam em vozes altas, numa mescla de horror, nojo e fúria.

- Você não viu a cena Remo. Pettigrew e mais doze trouxas. E pensar que nós convivemos durante anos com aquele, aquele...

As duas saíram do quarto, em silêncio. Aos poucos, começaram a entender sobre o que Remo e Frank conversavam. Isabella apertou o braço de Denise, e encarou a amiga.

- Nem uma só palavra sobre a minha gravidez.

Frank e Remo estavam na sala, parecendo extremamentenervoso. Frank tentava beber em copo de uísque, enquanto Remo permanecia sentado, a cabeça apoiada nsa mãos. Quando Denise e Isabella entraram na sala, o rapaz levantou os olhos. O rosto de Remo transparecia toda a sua fúria.

- Sobre quem vocês estavam falando? - Denise esncarou o marido, tentando adivinhar seus pensamentos. No entanto, Frank desviou do olhar da esposa e voltou-se para Isabella.

- Black, Denise.

- O que foi dessa vez? - Isabella encostou-se na parede, pálida, evitando o olhar de Frank.

- Escuta, Isabella, eu sinto muito... mas ele é um assassino. matou treze pessoas de um só vez, Pettigrew entre eles...

- Isso não é possível...

- Isabella, por favor... - Remo levantou-se, e abraçou a amiga, que recomeçara a chorar compulsivamente. Como você acha que eu estou me sentindo?

Isabella escondeu o rosto no peito de Remo, e continuou a chorar, aos soluços. Era impossível acreditar em todo aquele absurdo, mas resolveu permanecer calada. Discutir com Frank e Remo estava muito além de suas forças naquele momento.

- Acho melhor vocês duas se prepararem... O velório será no salão nobre do Ministério... Vai começar às seis horas, assim que Black for levado para Azkaban...


Enfrentar o batalhão de repórteres na porta do Ministério não foi nada fácil para Isabella. Somente naquele momento ela percebeu o quanto era chato e irritante a abordagem dos jornalistas. Entrou protegida por Remo, que tentava afastar a imprensa, e jurou pra si mesma que nunca mais agiria daquela forma.

Rita Skeeter conseguiu furar o bloqueio formado por guardas do ministério, e se aproximar.

- Ei, Bianchi, não quer dar uma declaração à imprensa?

- Não tenho nada a declarar, Skeeter. E me dê licença por favor...

- De vez em quando é bom estar do outro lado, não? Fazer parte de uma notícia... - Skeeter sorriu, maldosamente.

- Vem, Isabella, não vale a pena discutir... - Remo empurrou a amiga, levemente, em direção ao Hall de entrada do prédio, que naquele momento já estava lotado. Frank acomodou Denise e os amigos num banco vazio, e desceu para o Departamento de Execução das Leis da Magia.

Os minutos passavam lentamente, e Isabella observava , atentamente o relógio. Conforme o tempo passava, uma idéia louca e desesperada tomava conta de si. Faltava, agora pouco menos de quinze minutos para as seis horas...precisava agir...! Sem pensar no que estava fazendo, levantou-se e correu para as escadas que davam acesso ao Departamento de Execução das Leis da Magia. Encontrou Frank no meio de um corredor, conversando com Moody, os rostos sérios, marcados pelo ódio. Os dois aurors estranharam a presença da moça ali. Por um instante, Frank sentiu vontade de expulsá-la dali, aos berros, usando magia se fosse preciso. Mas sentiu pena, e relaxou, deixando de lado a raiva que sentia.

- Isabella, é melhor você voltar lá para cima, venha, eu te acompanho...

- Frank, por favor...- Isabella puxou o rapaz para um lado, para que Moody não ouvisse o que queria falar. Este, percebendo o gesto, afastou-se.

- Vem, Isabella, vamos voltar...- Frank tocou o braço da moça, tentando guiá-la, mas esta o deteve, e apontou sua varinha.

- Você vai me levar até as masmorras, Frank. Eu preciso falar com o Sirius, e não é você quem vai me impedir...

- Expelliarmus! - A varinha de Isabella voou de sua mão, tão rapidamente que não pode evitar - Você tem muito ainda a aprender ainda, Isabella...principalmente que não se deve ameaçar um auror ...- Frank a encarou, suspirando - Você tem certeza de que é isso mesmo o que quer? Pense bem no que ele fez...

- Eu tenho minhas razões...Frank, por favor...

O auror suspirou, resignado, mais uma vez, e dirigiu-se com Isabella ao corredor que dava acesso às masmorras. Abriu uma pesada porta de ferro, onde começava uma longa escada. Os dois desceram os degraus, iluminados apenas pela luz que emanava da ponta da varinha de Frank. Chegaram a um longo corredor, escuro e úmido. Um estranho frio percorria os seus corpos, e Isabella tinha quase certeza de que havia dementadores muito próximos dali.

- Ele está na oitava cela, contando a partir da primeira, aqui a sua esquerda. Você tem cinco minutos, Isabella, estamos entendidos? Lá, no fim do corredor, há uma outra porta, usada pelos dementadores...eu não quero que você esteja aqui quando eles entrarem...

Isabella seguiu pelo corredor, escuro e sombrio...estava estranhamente calma. Talvez Denise estivesse certa...era realmente corajosa. Porém, estremeceu ao parar diante da cela onde Sirius se encontrava. Mesmo estando oculto nas sombras, Isabella pode ver a expressão de desespero estampada no rosto dele, apoiado nas mãos. E soube, naquele instante, que ele era inocente. Como, ela não podia saber. Apenas sentia.

- Sirius...

O rapaz virou-se para a frente da cela, e os dois encararam-se, olhos nos olhos.

- Eu pensei que nunca mais iria te ver...Bella eu não fiz nada do que estão me acusando...eu prefiria ter morrido...

Isabella aproximou-se das grades que os separavam, e calou Sirius com um beijo profundo, as lágrimas de ambos se misturando. Sirius afastou-se, e tentou limpar o rosto de Isabella, enquanto falava, desesperadamente, pedindo perdão, palavras soltas, mas que ela compreendia, tudo fazia sentido...

- ...e eu os convenci...Por Deus, Isabella, eu queria estar morto agora...e Pettigrew continua vivo...transformou-se, o covarde...

- Você não precisa me explicar mais nada, você tem que dizer a eles, Sirius...contar a verdade...

- Não vão acreditar em mim...- Sirius sorriu amargamente - Nem ao menos tive direito a um julgamento...

- Mas...

- Escuta...não adianta, Bella, já não há mais como evitar...eu só preciso ter certeza de que você vai ficar bem...me promete isso? - Puxou o rosto de Isabella, e beijou-a com desespero - E você precisa buscar o Harry...tirá-lo da irmã da Lílian...- Sirius soluçou, agoniado - Está me entendendo?

- Sirius...por favor...não podemos terminar assim...eu preciso te dizer...

Mas um barulho de portas se abrindo interrompeu Isabella, que estremeceu de pânico. Ouviu a voz de Remo a chamando de um lado. Do outro, apareceram dois dementadores.

- Vai, Isabella...- Sirius a encarou mais uma vez, e gritou - Anda, não quero você perto deles, Isabella.

Remo já estava no meio do corredor, quando Isabella conseguiu se mexer. Mas não houve tempo de evitar o encontro com as horrendas criaturas. Sentiu um estranho frio percorrer o seu corpo, enquanto Remo a abraçava, e tentava tirá-la de lá. Isabella recusava-se a andar, chorando desesperadamente.

- Sirius...parem com isso...parem com isso...

- Vem, Isabella - a voz de Remo estava ansiosa, e o rapaz virou o rosto, quando tiraram Sirius de dentro da cela - Vamos, agora já chega.

Isabella deixou-se levar pelo amigo, e os dois encontraram-se com Frank, que os esperava ao pé da escada. Do outro lado do corredor, os dementadores levaram Sirius, que permaneceu em silêncio.


O salão nobre do Ministério estava lotado de membros importantes da sociedade e de muitos curiosos também. Por todos os lados, comentavam os acontecimentos que envolveram a morte dos Potter, e como o pequeno Harry Potter poderia ter sobrevivido. Estavam transformando o bebê num héroi, que havia realizado uma grande façanha.

Isabella não dava ouvidos a nada do que ouvia a respeito de Harry. Ele era apenas um bebê, indefeso e orfão. Ouvir estranhos comentando a queda de Voldemort a torturava demais. Prefiria mil vezes que o bruxo não tivesse sido derrotado, que ainda tivesse poderes...pelo menos poderia ter seus queridos amigos vivos...não havia motivos para comemorar. No entanto poucos compreenderiam o que estava sentindo.

Desde que voltara da masmorra, permanecera em silêncio. Não falara nem mesmo com Denise, que desistira de tentar conversar com Isabella. Fazia horas que estavam sentadas lado a lado, em vigília. Os dois caixões estavam no centro do salão, servindo de atração para a curiosidade de todos aqueles cretinos, que fora dali iriam beber até cair, comemorando a derrota de Voldemort.

Por volta das dez horas da noite, Dumbledore chegou ao Ministério, e se encaminhou para o velório. Aproximou-se dos caixões, e seus olhos azuis brilharam intensamente. Voltou-se para junto de Alastor Moody, onde permaneceu alguns minutos, em silêncio. Não era aquele desfecho que imaginava, durante todos aqueles anos de luta contra Voldemort. Seu último plano falhara, e sentia imensamente a perda daqueles jovens...sacrificados para dar a paz ao mundo...

- Diretor...

Dumbledore virou-se, e viu diante de si Isabella Bianchi, a melhor amiga de Lílian e madrinha de Harry. E, se muito se enganava, namorada de Sirius Black.

- Ora, olá, minha cara. - O velho professor levantou-se, e olhou profundamente para a ex-aluna. - Posso ajudá-la ?

- Eu quero o Harry, diretor.

- Como?

- Eu disse que quero criar o meu afilhado...tenho certeza de que o senhor poderá compreender...Lílian não se dava com a irmã, o Harry seria melhor cuidado por mim...

- Eu sinto muito, Isabella, mas isso não será possível.

- Posso saber o porquê? - Isabella sentiu uma pontada de raiva, mas controlou-se.

- O Harry vai precisar crescer longe de tudo isso...ter privacidade...ele tornou-se uma pequena celebridade, você sabe disso.

- Ele é só um bebê, Profº Dumbledore...mas eu sei por que o senhor está me negando os meus direitos...por causa do Sirius, não é mesmo?

Dumbledore calou-se, e encarou a jovem diante de si. Admirou-lhe a coragem e ousadia, mas não voltou atrás de sua decisão.

- Isso já é assunto encerrado, Isabella, e espero que você tenha a bondade de não insistir mais nisso. Estou certo de que com o tempo, compreenderá que fiz o que era mais certo.

Isabella não discutiu. Deu as costas para Dumbledore, e sem se despedir dos amigos, foi embora.

Capítulo 12...

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