COMO CONTINUAR?

Lyra Black contemplava , da janela do seu dormitório, o treino de quadribol do time da Grifinória. Porém, faltava um dos jogadores em campo...ela mesma. E só de pensar que jamais jogaria novamente, com o uniforme da sua casa, sentia um aperto violento no peito.

As lágrimas escorriam, livremente, pelo seu belo rosto. Agora, que estava sozinha no quarto, não se importava. Mas ninguém deveria saber que estava chorando, percebendo aquele seu momento de fraqueza. Lyra recusava-se a chorar na frente de quem quer que fosse. E sempre agia daquela forma, desde criança. Sufocava o choro pelo tempo que fosse necessário, até ter certeza de que estaria sozinha. Aí sim, soltava as lágirmas, encharcando o seu travesseiro.

Não se lembrava, porém, durante seus dezessete anos de vida, ter vivido uma situação como aquela, se sentindo sozinha, frágil e desprotegida. Seu inferno começara dois dias atrás...e não tinha muita idéia de quando iria terminar.

Lyra e Amanda Pettigrew desceram as escadas que davam acesso ao Salão Principal, na manhã do dia primeiro de novembro, ansiosas para tomarem café. Assim que entraram, a primeira coisa que perceberam era que o diretor não estava presente, assim como a Profª McGonnagal, cujas presenças, durante as refeições, eram sempre certas. Havia um clima de excitação geral no ambiente. No entanto, antes de se sentarem à mesa da Grifinória, um monitor as chamou, trazendo um recado do Profº Kerrigan. As duas deviam comparecer, naquele instante, à sala dos professores.

Sem saberem o porquê daquele chamado, tão cedo, Lyra e Amanda deixaram o Salão Principal, e se dirigiram para a sala dos professores. O Profº Kerrigan já as esperava. Fez um sinal para que as garotas se sentassem. Seu semblante era tenso e carregado, mas seus olhos revelavam uma expressão de triunfo. Alguma coisa, muito importante, estava acontecendo.

- Srtas Black e Pettigrew...eu as chamei aqui, porque tenho uma notícia para lhes dar...o diretor e a vice-diretora precisaram se afastar de Hogwarts durante todo o dia de hoje e me encarregaram dessa tarefa...não é muito agradável, porém...

- O senhor facilitaria bastante se falasse de uma vez...

- A senhorita poderia guardar por uns instantes o seu sarcasmo, Srta Black? Estou tentando encontrar palavras para lhes dizer...bem, Você-Sabe-Quem finalmente foi derrotado...

- E o senhor precisava nos chamar aqui para nos dizer isso? Essa é a melhor notícia que podíamos receber nos últimos tempos - completou Amanda, impaciente.

- ...porém, antes ele fez suas últimas vítimas - o professor ignorou o comentário da jovem, e continuou - Lílian e Tiago Potter...como nós sabíamos que as senhoritas conheciam o casal, e mantinham um certo laço de amizade, achamos por bem dar-lhes a notícia antes que soubessem por outros meios.

Lyra arregalou os olhos, e sufocou a vontade de chorar. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Havia conversado com Lílian poucos dias atrás, ali mesmo em Hogwarts. Depois, soube através do irmão e do namorado, que os Potter estavam na mira de Voldemort...olhou para Amanda, e viu lágrimas escorrendo pelo seu rosto...e a amiga não era tão íntima assim de Lílian e Tiago.

- E como Você-Sabe-Quem foi derrotado?

- Ninguém ainda sabe ao certo...mas ele tentou matar o pequeno Harry Potter, e não conseguiu, o que está sendo considerado um grande milagre, e desapareceu sem deixar vestígios...agora, eu só peço que voltem para a sua sala comunal, e permaneçam por lá. As aulas de hoje estão suspensas.

As duas saíram em silêncio, e assim permaneceram por um bom tempo, mesmo depois de voltarem para a torre da Grifinória. Lyra subiu ao dormitório, pegou pena e pergaminho, e escreveu duas cartas, rapidamente.

- Para quem você está escrevendo? - Amanda aproximou-se, tentando ler os destinatários nos envelopes.

- Para o Remo , e para o Sirius...- Lyra hesitou um momento, imaginando como havia sido a reação do irmão e do namorado, ao receberem a notícia - Acho que você devia fazer o mesmo...

Ignorando o fato de que tinham que permanecer na sala comunal, Lyra e Amanda foram até o corujal, despachar suas correspondências. Lyra observou as corujas levantando vôo, e, de repente, sentiu uma falta desesperada de Remo. Queria tê-lo por perto, ser abraçada por ele, se sentir protegida, amada...

O dia transcorreu lentamente, e por todos os lados, o assunto era sempre o mesmo: a derrota de Voldemort pelo pequeno Harry Potter, agora sendo chamado de "o garoto que sobreviveu". Lyra isolou-se numa poltrona afastada, tentando se concentrar num livro. Ignorou até mesmo a presença de Carlinhos Weasley, capitão do time de quadribol , e sextanista da Grifinória. Amanda sentou-se ao seu lado, também amuada. Assim ficaram até o final da tarde, quando Amanda foi chamada a sala dos professores. Lyra esperou a amiga voltar, o que levou vários minutos. Finalmente, Amanda voltou a sala comunal, mas estava completamente transtornada. Entrou violentamente pela sala, histérica, e se encaminhou para onde Lyra se encontraca.

- Amanda, o que houve?

- Você quer mesmo saber, Lyra Black? Quer saber o que o seu santo irmãozinho acabou de fazer? - Amanda gritava, chamando a atenção de todos - Sirius Black entregou os Pottter a Você-Sabe-Quem... e acabou de matar meu irmão e uma dúzia de trouxas - Virou-se para os colegas, apontando para Lyra, que permaneceu calada, completamente aniquilada.

Lyra jamais fora tão humilhada quanto naquela tarde. Enquanto todos tentavam consolar Amanda, ela permaneceu muda e sozinha. Subiu para o dormitório e se jogou na sua cama, imaginando se tudo aquilo podia ser verdade. Conhecia muito bem o irmão, ele não seria capaz de uma atrocidade dessa... ou seria? Mesmo tempos depois, já adulta, essa dúvida a assaltava, principalmente nas longas noites de insônia.

Percorreu os olhos pelo dormitório, e bateu os olhos nas sua mala, prontas para partir. Aquela era a pior parte: ser obrigada a deixar Hogwarts. Tentou argumentar com a Profª McGonnagal e , mais tarde, com Dumbledore. Mas a decisão partira do conselho da escola, e o diretor nada podia fazer.

A porta do dormitório se abriu, e Danyela McKinnon, monitora-chefe da Grifinória, entrou. Era uma das amigas de Lyra, e tivera os pais assassinados no começo do verão.

- A profª McGonnagal mandou avisá-la que seu pai já chegou, para lhe levar para casa...- Encarou a amiga, expressando grande tristeza no olhar - Eu não queria que você se fosse...

Lyra sorriu tristemente para Danyela. A monitora e Carlinhos haviam sido as únicas pessoas sensatas, e que não haviam se virado contra ela. Era notório, em toda a escola, a paixão recolhida que o rapaz sentia por Lyra, e o senso de justiça e racionalidade de Danyela.

As duas desceram juntas, e Lyra atravessou a sala comunal de cabeça erguida. Era uma Black, e sentia orgulho do nome que tinha, mesmo que ele agora estivesse desgraçado. Saíram da Grifinória, e caminharam em silêncio, em direção à sala do diretor.

- E agora, Lyra, o que você vai fazer? Vai estudar onde?

- Sei lá...pra lhe falar a verdade, nem pensei nisso ainda...talvez Beauxbatons, afinal eu sei falar francês...

Pararam em frente à porta, e Danyela informou a senha à gárgula . A porta se abriu, e subiram a escada cirular. Dentro da sala, estavam Dumbledore e Félix Black.

- Lyra, eu preciso ir...a gente se vê por aí, me escreva tá? - As duas se abraçaram, emocionadas, e a monitora deixou a sala. Então, Lyra encarou o pai, e se assustou com a mudança que ocorrera com ele. Parecia ter envelhecido dez anos. Mas pela primeira vez, desde o início daquele pesadelo, sentiu-se segura e protegida. Por alguns instantes, voltou a ser uma garotinha assustada e correu para os braços do pai, que a apertou firme contra o peito. Em seguida, soltou-se do abraço, e encarou Dumbledore, num misto de raiva e desprezo.

- Eu estive conversando com o seu pai, Srta Black, sobre a continuação dos seus estudos...ele estava disposto a lhe enviar para Beauxbatons, mas eu sugeri outras escolas...fora da Europa, eu acredito que seja melhor para a senhorita...

- O senhor está querendo dizer que eu deva me afastar da Inglaterra? Fugir, como uma criminosa?

- Lyra, por favor...escute o que Dumbledore tem a dizer...

- Pai, eu estou sendo expulsa, o senhor não percebeu ainda?

- Srta Black, eu já deixei bem claro que a decisão não partiu de minha pessoa...mas infelizmente temos um conselho, que achou por bem afastá-la de Hogwarts. E, se quer saber minha opinião, tenho certeza de essa é a opção mais saudável...ir para um lugar mais longe, conhecer novas pessoas...

- Ir para algum lugar onde as pessoas não me apontem como a irmã de Sirius Black? - Lyra estava sendo sarcástica, e enfrentou o olhar penetrante do diretor - Pois bem, que assim seja, Profº Dumbledore.

- Eu sugeri ao seu pai que lhe matricule no Instituto Americano de Magia, em Salem. É uma das melhores escolas americanas de magia e bruxaria...

- Pode deixar que eu mesma escolha onde vou terminar os meus estudos...pai, por favor, vamos embora daqui...

Felix Black pegou as malas, e se despediu de Dumbledore, pedindo desculpas pela má-criação da filha.

- Tenho certeza de que um dia a senhorita compreenderá que foi melhor assim. E acredito que ainda vamos nos encontrar novamente...

- Não tenho tanta certeza assim, diretor...por mim, eu não piso nunca mais em Hogwarts...

Lyra e seu pai já estavam descendo as escadas que davam acesso ao jardim, onde um coche os aguardava, para levá-los a estação de Hogsmeade, quando se encontrou com Carlinhos. O rapaz estava suado e seu rosto tão vermelho quanto seus cabelos.

- Já está indo, Lyra?

- Fazer o quê...

- Vou sentir falta de você...é uma das melhores artilheiras que o nosso time já teve...

- E você é um grande amigo...espero que a gente volte a se ver...

Abraçou Carlinhos, e em seguida, entrou no coche. Observou o castelo se afastar, e o rapaz acenando tristemente. Sentiu uma tristeza imensa, ao saber que não voltaria para Hogwarts. Mais uma vez, sufocou o choro. Precisava manter a dignidade, e enfrentar os dias difíceis que sabia que viriam.


Frank e Denise Longbottom deixaram Londres cerca de cinco dias após a morte dos Potter, com destino a sua casa de campo. Depois de anos, finalmente o Ministério parecia calmo o suficiente para que todos os aurores tirassem alguns dias de férias. Os Longbottom, então, seguiram para a sua casa de campo. Deixaram Neville na cidade, aos cuidados da avó paterna. Precisavam de ar puro, e relaxar. Tentar esquecer o pesadelo que haviam vivido nos últimos dias, e tentar reorganizar suas vidas, em paz.

Passaram alguns dias sossegados no campo. Denise permanecia a maior parte do tempo sentada na varanda da casa, contemplando a neve que começava a cair. Não conseguia tirar Lílian da cabeça. Era triste demais imaginar um desfecho daqueles para sua vida, traída pelo melhor amigo...e pensava muito em Isabella, também. Estava disposta a ajudar a amiga em tudo o que ela precisasse, para criar o filho com dignidade.

Um dia antes de voltarem para Londres, o casal resolveu dar um grande passeio pelos arredores. Apesar do frio, e da neve, Denise curtiu a caminhada, e a fez se sentir melhor, renovando o seu ânimo. Conversavam sobre o futuro, fazendo planos para o filho. Já estava escurecendo quando resolveram voltar para a casa. Enquanto caminhavam , ouviram passos por perto. Denise achou que podiam ser passos de algum animal relativamente grande, mas Frank, com sua prática de auror, percebeu que havia outras pessoas ali por perto, seguindo-os. Apanhou a varinha, e fez sinal para a mulher ficar em silêncio.

- Tem alguém aí?

Não obteve resposta. Achando que podia ser apenas neurose sua, relaxou. Naquele mesmo instante, ouviu uma voz, por entre as árvores, e, em seguida, caiu estuporado no chão. Denise gritou horrorizada, e tentou correr. No entanto, não foi muito longe, sendo impedida quase imediatamente.

Quando Frank foi reanimado, percebeu que estava no celeiro, amarrado com os braços para trás. Ao seu lado, estava Denise, ainda desacordada. E, na sua frente, quatro pessoas sorriam debilmente para ele, três homens e uma mulher. Só não reconheceu um dos homens, mas os outros ele sabia muito bem quem eram: Christiane e Willian Lestrange e, para seu espanto, Bartô Crouch Jr. E foi este que retirou a mordaça de sua boca, e o encarou arrogantemente.

- Como vai, Frank Longbottom, o braço direito do meu pai?

- O que você está fazendo, Crouch? Por que está com essa gente?

- Essa gente, como você diz, são meus amigos...meus verdadeiros amigos, para ser mais exato. Foram eles que me apresentaram um novo lado da vida...bem, não vamos perder tempo com isso...nós viemos até aqui apenas para saber onde está o nosso amo.

- Gostaria de saber também, para terminar de acabar com ele, Crouch. - Frank sorriu sarcasticamente para o garoto, que empunhava sua varinha em direção ao auror.

- Nós não estamos brincando, Longbottom...- Willian Lestrange se aproximou, sério - Queremos saber o que foi feito de Lord Voldemort...

- Eu não sei, tá legal? Agora, façam o que quiser comigo, mas deixe minha esposa fora disso...

- Ela também é funcionária do Ministério, deve saber de alguma coisa...- Christiane se aproximou da moça, e a reanimou. Denise encarou um a um os presentes, sem entender nada. Só se sentia apavorada.

- Você vai nos forçar a uma atitude drástica, Longbottom...- Crouch apontou a varinha para Frank - Crucio!

Frank contorceu-se violentamente, enquanto Denise tentava gritar, desesperada, a mordaça abafando sua voz. Crouch manteve a varinha apontada por um bom tempo, sorrindo debilmente. Finalmente, suspendeu o feitiço.

- Gostou, Longbottom? Prefere mais um pouco, ou vai nos dizer onde está o nosso amo?

Respirando profundamente, sentindo cada parte do seu corpo dolorido, Frank ainda respondeu:

- Não sei onde ele está, mesmo que soubesse, não iria lhe dizer, mesmo que para isso tivesse que morrer...seu pai vai ficar muito desapontado com você...

- Dane-se meu pai, Longbottom! - Crouch esbravejou, e apontou novamente a varinha para o peito de Frank - Crucio!

Dessa vez, demorou-se mais ainda, até chegar ao ponto de fazerem o auror desmaiar de dor. O desconhecido reanimou o rapaz, e repetiu as mesmas perguntas, para em seguida retomar a tortura. Dessa vez, Frank desmaiou, e não voltou a si. Os Comensais da Morte, então, voltaram-se contra Denise. Retiraram sua mordaça, e ela começou a gritar.

- Vocês mataram o meu marido, seus desgraçados, ele está morto...

Christiane deu um violento tapa no rosto de Denise, o que a fez ficar quieta. Crouch, então, empunhou sua varinha contra a moça, e também lançou sobre ela a Maldição Cruciatus. Denise, por ser mais fraca que o marido, desmaiou rapidamente. Foi reanimada algumas vezes, mas entrou numa espécie de transe, do qual não conseguiram tirá-la.

Os Comensais ouviram vozes vindo em direção ao celeiro, atraídos pelos gritos do casal. Fugiram dali o mais rapido que puderam, deixando suas vítimas para trás.


Durante toda a sua vida, Isabella sempre curtiu o clima de Natal, que tomava conta do Beco Diagonal naquela época do ano. Dessa vez, porém, não conseguia achar graça em nada. As belas decorações não chamavam sau atenção, nem tampouco a faziam sorrir. De qualquer forma, não se importava. Não conseguia se lembrar de uma outra situação em que estivera tão sozinha e perdida.

A única coisa que ainda lhe dava forças para continuar a viver era o filho que esperava...um filho de um assassino perigoso, considerado louco pela maioria dos bruxos e bruxas. Era assim que aquela criança seria conhecida, e isso deixava Isabella aterrorizada. Que tipo de futuro teria o filho de Sirius Black?

Teria que tirar forças, não sabia ainda de onde, para superar todos os desafios que estavam surgindo diante de si. Contava apenas consigo mesma, pois a única pessoa que ficara sabendo de sua gravidez, não tinha mais condições de ajudá-la. Visitara Denise apenas uma vez após o ataque, e a amiga estava crente de que ainda tinha dezoito anos, e não parou de falar sobre Lílian, Tiago, e as saudades que sentia de Hogwarts. Naquele dia, ao chegar em casa, chorara desesperadamente. Não podia contar também com seus tios. Contara que estava grávida, e que não poderia se casar com o pai da criança. Fora sumariamente desprezada pela única família que tinha. Ainda havia Remo, logicamente, mas imaginou qual seria a sua reação. Chegou a conclusão de que teria que ir embora, para algum lugar em que ninguém conhecesse sua história.

Esses eram os seus confusos pensamentos, numa manhã do início de dezembro, em que saíra para fazer compras no Beco Diagonal. Chegou ao prédio em que morava, e deparou-se com uma garota sentada na soleira de sua porta.

- Lyra? O que você está fazendo aqui? - Isabella assombrou-se ao ver a irmã de Sirius ali, sentada, sozinha. A menina estava pálida, os seus cabelos caíam desalinhados pelos seus ombros.

- Como vai, Isabella? Resolvi vir lhe fazer uma visita...

- Você devia ter me avisado antes, eu não teria saído...vem, entra, o corredor é muito gelado.

As duas entraram no pequeno apartamento, e Isabella foi logo se desculpando pela bagunça. Na verdade, estava completamente sem-graça com a presença de Lyra, sem saber como agir ou o que falar. Eram tantos os seus problemas, que ela se esquecera completamente da família de Sirius.

- Você não devia estar em Hogwarts, Lyra?

- Fui expulsa...- Lyra falou isso em um tom tão natural, que espantou Isabella - Minha presença iria incomodar os outros alunos...

- Mas isso é um absurdo...como Dumbledore pôde?

- Estava acima dos poderes dele...mas enfim...eu realmente não saberia mesmo como encarar Amanda Pettigrew e todo o resto da escola...meu pai já me matriculou numa escola em Salem, nos EUA...vou embora logo depois do ano-novo...

- Foi bom você ter aparecido, Lyra...

- Eu precisava de alguém para conversar, Isabella...- de repente, seus olhos se encheram de lágrimas, mas Lyra as afastou com a mão - Eu estou tão sozinha....

Isabella abraçou a garota, que não resistiu, e começou a soluçar desesperadamente.

- As pessoas me apontam na rua...cochicham entre si...minha mãe está vivendo a base de calmantes...meu pai foi obrigado a se aposentar do Ministério...e eu...eu sinto tanto a falta dele, Isabella....da maneira como ele me dava boa noite, ou quando a gente saía para jogar quadribol...você não acredita que ele fez tudo aquilo, acredita?

- Não...Lyra, eu estive com ele...antes..bem, você sabe...dele ser levado...eu acredito nele, eu sei que ele é inocente...se isso te servir de consolo. Infelizmente, não temos como provar...e o Remo? Vocês se falaram depois disso tudo?

Lyra permaneceu em silêncio por alguns instantes, balançando a cabeça negativamente, e tirou um pedaço de pergaminho amassado de dentro do bolso da jaqueta que usava.

- Eu recebi isso aqui há alguns dias...eu não acredito que ele teve coragem de fazer isso comigo, depois de tudo...

Isabela pegou a carta, e leu. A letra de Remo estava tremida, como se ele estivesse sentindo muita raiva ao escrever.

Lyra,

Acredito que seria melhor para você e para mim se tudo terminasse por aqui. Por favor, não me escreva mais.

R.J. Lupin

- Ele só escreveu isso? - Isabella perguntou, incrédula.

- Isso porque ele jurou que me amava, que iria se casar comigo, que eu era a mulher da vida dele...e eu, tonta e idiota , acreditei...caí na velha história da mocinha inocente que se deixa seduzir depois de uma declaração de amor...

- Eu não esperava que ele fosse capaz de uma coisa dessas...

A atitude de Remo em relação à Lyra só fez Isabella ter mais certeza ainda de que não contaria ao amigo que estava grávida. Mas e quanto à irmã de Sirius, e até mesmo os seus pais? As relações de Isabella com os Black não era das melhores, mas eles tinham o direito de saber...

- Lyra, eu preciso te contar uma coisa...e preciso saber se você poderia me ajudar...

- Sobre?

- Eu estou grávida, Lyra. Estou esperando um filho do Sirius.

O rosto sombrio e sério da garota iluminou-se de repente, e Lyra sorriu de verdade pela primeira vez em vários dias.

- Você está falando sério? Você está grávida mesmo? Eu vou ser tia?

- Eu não iria brincar com uma coisa dessas...

- Isabella, isso é maravilhoso...você já parou para pensar? Um bebê, filho do meu irmão...porque você não disse isso antes?

- Porque eu estou apavorada...completamente perdida, sem saber que rumo tomar.

- Eu vou contar aos meus pais...posso, não? Eles precisam saber, afinal é neto deles...Isabella, essa foi a melhor notícia que eu tive.

Lyra deu um forte abraço em Isabella. Esta respirou um pouco mais aliviada. Não estava mais sozinha, pelo menos teria Lyra a apoiá-la, a lhe transmitir um pouco mais de forças para superar todos os seus receios.

Capítulo 13...

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