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CAPÍTULO XI
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– Todos os criados parecem sapos e todos os cavalariços parecem doninhas – comentou Rosalie. – Ainda não conheci nenhum jardineiro, portanto ainda há esperança, embora não pareça haver muitos deles. A cozinheira está de mau humor porque há muitas bocas extras para alimentar.
– Ah, Rose, como pode julgar tão rápido? – disse Bella, rindo. – Não há necessidade de fazer meu penteado. Eu mesma posso fazê-lo.
Rosalie pegou a escova com firmeza e girou-a no ar.
– Se vou ganhar minha fortuna como camareira, arrumarei seus cabelos, Bella, amarrarei seus cadarços, abotoarei e ajeitarei seus vestidos e a colocarei na cama à noite. Não terei muito mais a fazer. O Sr. Alleyne, o mordomo que abriu a porta para você, está comentando com todos os criados sobre as grandes damas que são Alice e Angela, o que mostra que grande juiz de caráter ele é. Não consigo nem mesmo olhar para Emm ao ouvir essas coisas, para não cair na gargalhada.
– Mas, na verdade – voltou a falar Bella –, isso não é brincadeira. Meu tio está doente e sua recepção a nós foi fria, para dizer o mínimo, embora ele tenha sido bastante civilizado, principalmente com as duas. Ele desaprova meu casamento, ou ao menos o modo como me casei. Agora vamos demorar uma eternidade para convencê-lo de que nosso relacionamento é verdadeiro, de que temos um casamento sólido e próspero e que minhas joias devem ficar comigo e não com ele. Estou achando que nunca conseguiremos ir atrás do Sr. Crawley.
– Não se preocupe com isso – replicou Rosalie, escovando os cabelos da morena. – Um homem como Crawley continuará com suas patifarias para sempre, até que alguém o detenha. Vamos encontrá-lo e resolver nossas pendências com ele mesmo que tenhamos que esperar um ano. Alice escreveu para Londres pedindo que qualquer carta das nossas colegas fosse redirecionada para cá. De qualquer modo, não cabe a você nos financiar, Bella, e mesmo se acabar fazendo isso, reembolsaremos cada centavo. Para dizer a verdade, só estamos aqui porque não conseguimos resistir à ideia de uma viagem de férias ou de uma aventura. Portanto, não se preocupe conosco.
Sentada bem quieta para que Rosalie a penteasse, Isabella estava muito ciente de que seu cômodo de vestir e o de Jonathan eram separados apenas por um arco e que cada um dava para o quarto de dormir mais além. Felizmente, nenhum dos dois queria estar próximo um do outro mais do que a farsa exigia. No entanto, foi bastante constrangedor descobrir que seus aposentos se conectavam, sem nem mesmo uma porta no meio, como se fossem de fato marido e mulher. E, naquele momento, Jonathan estava em seus cômodos com o sargento Emmett, arrumando-se para o jantar.
Bella podia ouvir o murmúrio dos dois.
– Oh, como você está incrível! – exclamou Rosalie ao terminar o penteado de Bella, alguns minutos mais tarde. – Me dê licença enquanto eu desmaio por uns instantes.
Rachel levantou os olhos, assustada, só que Rosalie não estava se referindo a ela. Jonathan se encontrava parado na entrada do quarto de vestir, e a amiga não exagerara.
Ele se vestira com elegante formalidade, em calções cor de marfim que iam até os joelhos, com meias brancas e sapatos pretos. Usava um colete de um dourado fosco, paletó de jantar preto e camisa branca. Provavelmente ele mesmo amarrara o lenço no pescoço – Emmett com certeza não seria capaz de fazer um trabalho tão sofisticado. Os cabelos acobreados, que tinham crescido ao longo do último mês, haviam sido escovados até brilhar, embora, como sempre, uma mecha caísse sobre a sobrancelha esquerda.
Bella se submeteria a qualquer tortura antes de admitir isto, mas sentia-se feliz por estar sentada, pois suas pernas ficaram bambas. Até a bengala parecia elegante.
– Que comentário refinado vindo da camareira de minha esposa – disse ele com um sorriso torto.
Edward voltou os olhos para Isabella e examinou-a da cabeça aos pés. Ela usava um vestido de noite verde-pálido que possuía fazia três anos, mas que estava quase novo porque mal tivera chance de usá-lo.
– Com certeza vamos mantê-la a nosso serviço, Rosalie. Você fez um trabalho incrível com os cabelos de Lady Smith. Ou talvez seja a dona dos cabelos que esteja fazendo meu coração saltar.
Realmente não havia necessidade para esse tipo de conversa, já que tio Carlisle não estava presente. Porém, Isabella percebeu que Jonathan piscava para Rosalie, divertindo-se. Ela se levantou, girando no dedo a aliança de casamento que Smith se lembrara de comprar assim que chegaram à Inglaterra.
– São as duas coisas, milorde. – afirmou Geraldine. – Esses cabelos de chocolate puro dela às vezes me causam inveja. Agora é melhor eu conversar com Emmett para saber o que ele acha deste lugar.
Rosalie desapareceu além do arco.
– Bem, Isabella – disse ele, cruzando as mãos nas costas –, o que você acha?
– Deveríamos fingir que esse arco é uma parede sólida, é o que acho – falou ela, erguendo o queixo.
Mesmo sabendo que Rosalie e Emmett provavelmente estavam a poucos metros, aquela situação era íntima demais para Bella. Ele ergueu a sobrancelha, parecendo ao mesmo tempo arrogante e belo.
– Vamos, milady?
Jonathan fez uma mesura elegante e ofereceu o braço a ela.
– Não paro de pensar – comentou Isabella, aceitando o braço dele e saindo do quarto – que este foi o lar da minha mãe até os 17 anos, antes que fugisse com meu pai. Foi aqui que ela cresceu. Sob outras circunstâncias, me seria muito familiar. Eu teria vindo frequentemente com mamãe. Teria passado natais e outros feriados aqui, tanto antes quanto depois da morte dela. Teria conhecido bem o meu tio, logo haveria mais alguém da família por perto, não apenas meu pai.
– Mas Weston nunca perdoou a sua mãe.
– Como ansiei por irmãos, primos e tios quando era criança... ou mesmo apenas por um tio – desabafou ela com um suspiro, e logo se sentiu uma tola por ter aberto o coração daquela forma.
– Espero que não esteja se arrependendo desta farsa, Isabella. Agora é tarde demais, não é?
– Não me arrependo. Meu tio fingiu que desejava nossa vinda antes do casamento para que pudesse nos oferecer a cerimônia. Então disse que iria pensar a respeito das joias depois de um mês inteiro. O barão Weston não tem nenhum amor por mim. Só lamento que esteja doente. Você acha que ele está morrendo?
A possibilidade ainda a incomodava, embora Bella não soubesse bem por quê. O tio não significava nada para ela – por escolha dele. Jonathan deu um tapinha carinhoso na mão dela que estava pousada sobre a manga do paletó. Alice e Angela já estavam na sala de estar conversando com tio Carlisle. Victoria também se encontrava lá. Todas pareciam educadas e refinadas.
Como era fácil enganar, pensou Bella, o problema é que precisariam fazer isso por um mês inteiro. Ficariam ali por tanto tempo?
O tio estava imaculadamente vestido, embora ainda parecesse magro demais e abatido. Isabella sentiu uma ponta de culpa e se irritou com isso. Se o homem estivesse em seu melhor estado de saúde, ela com certeza não se importaria por decepcioná-lo. Que diferença fazia a doença? Ele ainda não a amava... a própria sobrinha, sua parente mais próxima. O jantar foi muito menos tenso do que Bella temera. Todos se esforçaram para conversar e ninguém comentou o fato de que a comida estava ruim e quase fria. Ao fim da refeição, Jonathan expressou interesse em ver a propriedade.
– Vou pedir ao meu capataz que o leve para conhecê-la – disse tio Carlisle. – Tenho andado um tanto indisposto e não saio muito ao ar livre. Drummond lhe mostrará o que você desejar ver... Pode mostrar a Isabella também, se estiver interessada, embora eu acredite que não. A maior parte das damas tem outros gostos.
– Tenho interesse, tio Carlisle – retrucou Bella, irritada. – Minha ignorância a respeito é grande, já que morei a vida toda em Londres, a não ser pelos últimos poucos meses em Bruxelas. Porém, estou ansiosa para saber mais da propriedade, agora que estou casada com Jonathan e vou morar no campo.
Ela teria mais familiaridade com o campo se houvesse sido convidada para ir ali ao menos algumas vezes quando era menina.
– Eu mesma não me sinto particularmente interessada por vacas, porcos e fardos de feno – intrometeu-se Alice. – Mas estou ansiosa para explorar o parque durante os dias que virão. Com sua permissão, é claro, milorde.
– Ficarei desapontado se não agir como se estivesse em casa, madame.
– O senhor mantém um estábulo grande? – perguntou Jonathan. – Talvez eu pudesse usar um de seus cavalos?
– Acha prudente, Sir Jonathan? – indagou Victoria. – Sua perna ainda não está completamente curada.
Mais cedo, elas haviam contado ao tio de Carlisle que Jonathan fora ferido enquanto tentava controlar um cavalo fujão nas ruas de Bruxelas.
– Preciso de exercício – explicou ele.
– Não mantenho um estábulo do tamanho que costumava manter – respondeu tio Carlisle –, mas o senhor é bem-vindo para usar qualquer cavalo que esteja ali.
Bella sorriu para Jonathan e estendeu a mão para tocar a dele. Estava achando mais difícil interpretar seu papel do que os outros, mas precisava se acostumar a manifestar publicamente afeto pelo homem com quem o tio achava ser casada.
– Tenha cuidado, então, Jonathan.
– E você deve cavalgar comigo, meu amor – sugeriu ele, sorrindo e encarando-a com tamanha intimidade que Bella precisou se controlar para não afastar o corpo e abrir uma distância maior entre eles.
– Não ando a cavalo, lembra-se?
Bella percebeu um lampejo de surpresa nos olhos dele.
– Nem eu, Isabella – adiantou-se Victoria. – Não se sinta mal a respeito.
– Eu não fazia nada além de andar a cavalo quando estava na Península com o coronel Streat – anunciou Alice. – Tenho grande carinho por esses animais.
Jonathan cobriu a mão de Bella sobre a mesa.
– É claro que me lembro, meu amor, mas devemos consertar essa situação sem demora se vamos passar a maior parte dos nossos dias juntos. Você vai aprender a andar a cavalo. Eu lhe ensinarei.
Bella notou o já conhecido brilho travesso nos olhos dele.
– Mas não tenho desejo de aprender – assegurou ela, tentando se desvencilhar, porém Jonathan entrelaçou os dedos aos dela e o sorriso se espalhou por seus lábios.
– Você não é covarde, certo, meu amor? – Ele ergueu as mãos entrelaçadas de ambos e beijou o dorso da mão dela, como fizera mais cedo. – Se vai ser minha esposa e morar no campo comigo, precisa saber andar a cavalo. Eu lhe darei a primeira aula pela manhã.
– Jonathan, realmente preferia não fazer isso agora – replicou Bella, desejando que o assunto houvesse surgido quando eles estivessem a sós, para que ela pudesse dar um não enfático.
– Mas fará.
Ele mantinha no rosto o sorriso cheio de calor, admiração, afeto... e malícia. Isabella suspirou alto.
– Ah – disse Angela, também soltando um suspiro –, adoro ver um bom romance se desenrolando diante dos meus olhos. De algum modo, me conforta por não estar perto do meu querido coronel Leavey, que foi obrigado a marchar para Paris com sua companhia.
Isabella se retraiu. Um coronel com nada além de uma companhia sob seu comando? Mas o tio não pareceu ter notado.
– Você já andou a cavalo. – disse ele para a sobrinha. – Andou a cavalo comigo quando estive em Londres para o funeral de sua mãe.
Ela esquecera aquele detalhe em particular da visita do tio, mas lembrou assim que ele mencionou. A menina de 6 anos devia ter entendido que a mãe estava morta. Isabella se recordava até de ter chorado incontrolavelmente ao lado do túmulo e se agarrado à mão do pai, escondendo o rosto nos calções dele. Mas, por outro lado – ou talvez esse fosse um aspecto típico da natureza das crianças –, experimentara uma felicidade enorme ao longo dos dias seguintes, quando tio Carlisle a levara para passear de manhã até a hora de dormir. Ele lhe mostrara lugares que ela nunca vira – em alguns casos, inclusive, nem chegou a ver de novo. Foram ao jardim zoológico da Torre de Londres e ao show de cavalos no Anfiteatro de Astley. E o tio lhe comprara sorvete no Gunter's, além de uma boneca de porcelana, na qual um dos amigos do pai esbarrara pouco depois, quando bebia na casa dela – o brinquedo se quebrara sem chance de conserto. Só que o melhor e mais empolgante de tudo fora o tio permitir que ela montasse diante dele em seu cavalo.
Entretanto, Bella não queria se lembrar disso. O tio a abandonara. Não tivera mais notícias dele até escrever para o barão aos 18 anos – durante meses o pai acumulara dívidas, e até mesmo o pouco de comida na mesa vinha sendo comprado a crédito. Na época, precisava desesperadamente das joias.
– Isso foi há muito tempo – disse ela, rígida.
– Sim – concordou o barão. – Há muito tempo.
Ele parecia muito pálido, magro e exausto. Isabella se ressentia porque o tio trouxera o passado à tona. Ressentia-se da fragilidade dele. Queria enlaçar-lhe o pescoço e chorar muito sem saber exatamente por quê.
– Já não recebo ninguém aqui ou aceito convites há tempo – voltou a falar o tio. – Mas preciso me redimir. Vou convidar meus vizinhos para virem conhecer minha sobrinha, o marido e minhas outras hóspedes. E vou encontrar um modo de celebrar seu casamento, Isabella, já que agora é tarde demais para realizar aqui as núpcias. Talvez dê um baile.
Os olhos de Bella se arregalaram em desalento. Não lhe ocorrera que precisariam manter a farsa diante de ninguém mais do que o tio. Mas a verdade era que não esperara ficar mais do que uns poucos dias ali. Ele iria trazer convidados? Queria celebrar o casamento dela? Bella se virou para Jonathan, mas ele estava sorrindo, os olhos cheios de... adoração.
– Será esplêndido, meu amor. Não precisaremos nem esperar até voltarmos a Northumberland para dançarmos juntos.
Dançar.
O tio falara sobre um baile. Isabella nunca estivera num, mesmo tendo aprendido a dançar, mesmo tendo sido um dos seus sonhos mais duradouros na infância e no início da vida adulta. Por um momento, uma onda de ansiedade e prazer substituiu o desalento. Haveria um baile ali em Chesbury. Ela seria a convidada de honra. Iria dançar. Com Jonathan.
– Tio Carlisle, não! – exclamou ela, voltando à realidade. – Não deve se dar o trabalho. Não esperamos uma coisa dessas. E Jonathan não pode dançar. Ainda precisa da bengala até para andar.
– Mas minha perna está melhorando a cada dia.
– Um baile? – disse Alice, louca de alegria. – Eu o ajudarei a organizá-lo, milorde.
– E eu também – ofereceu-se Angela e deixou escapar um suspiro sentido. – Ah, como gostaria que meu querido coronel Leavey estivesse aqui para dançar comigo.
– Sinceramente, Isabella – falou tio Carlisle –, acredito que preciso me dar o trabalho. Não tenho filhos, minha esposa morreu há oito anos e minha única irmã só teve uma filha... você. Sim, sim, vou fazer isso.
Ele parecia de fato animado. Bella já não mais prestava atenção. O tio fora casado? Ela tivera uma tia? Sentia-se desolada, lamentando a morte de alguém cuja existência desconhecia até aquele momento. E estava com raiva por não ter sabido, por ninguém ter lhe contado. Ainda assim, o tio agora falava em fazer uma festa para ela porque era a única filha da única irmã dele?
Bella se levantou abruptamente, desvencilhando-se de Jonathan e empurrando a cadeira para trás.
– Alice, Angela e Victoria, vamos deixar meu tio e Jonathan e passar para a sala de estar.
Quando ela olhou para o tio, sem nem mesmo tentar esconder a raiva, mais uma vez reparou que ele parecia exaurido, a pele mais cinzenta.
– Tio Carlisle, receio tê-lo sobrecarregado. O senhor está parecendo exausto. Por favor, não se sinta obrigado a continuar a nos entreter.
Ele se levantara junto com ela, assim como Jonathan.
– Talvez eu me recolha cedo. Agora mesmo, na verdade. Smith, talvez possa acompanhar as damas à sala de estar. O chá será levado lá para vocês. Desejo a todos uma boa noite. Eu os verei pela manhã.
Simplesmente não esperara nada como aquilo, pensou Bella, enquanto seguia até a sala de estar um ou dois minutos depois. Não achara que sentiria uma onda de carinho por um homem que a magoara por anos ou pela casa antiga onde nunca havia posto os pés. Quando concordara com a sugestão louca de Jonathan de ir a Chesbury Park para resgatar as joias, Isabella nem sequer considerara a possibilidade de ter sentimentos sobre um passado do qual não participara. Não tinha se dado conta da profundidade dos traumas de infância.
– Haverá visitas sociais – comentou Alice quando chegaram à sala de estar. Ela se afundou em uma poltrona, parecendo satisfeita. – E uma grande festa de casamento... provavelmente um baile. Agora podemos contar com reclamações de Rose!
– Aquele homem está doente – disse Victoria.
– Aquela cozinheira deveria ser mandada embora – acrescentou Angela. – E não deveria ter permissão para colocar os pés em uma cozinha pelo resto da vida.
– Acredito que isso seja parte do problema do barão, Angie – replicou Victoria. – Ele precisa engordar, precisa de pratos saudáveis, apetitosos, bem preparados.
– Isso é intolerável – falou Isabella, parando no meio da sala e cerrando os punhos ao lado do corpo em um gesto de impotência. – Não podemos permitir que venham convidados para conhecer a mim e a Jonathan como se realmente fôssemos esposos. Não podemos permitir que um baile seja organizado em nossa homenagem. Precisamos fazer alguma coisa. Jonathan, tire esse sorriso insuportável do rosto! Você nos meteu nisso. Agora nos tire dessa.
De repente, ele ficou sério e tomou as mãos dela.
– Isabella, meu amor, isso é exatamente o que planejamos, não é? Seu tio a aceitou como sobrinha e reconheceu nosso casamento, mesmo sem estar muito satisfeito com a rapidez de tudo isso. Ele nos ofereceu a oportunidade perfeita para brilhar, para nos exibirmos como um casal perfeito tanto a ele quanto a este mundo rural. O que mais poderíamos pedir?
– Ele está certo, Bella – adiantou-se Victoria. – Estou mais encantada com o barão do que imaginara ficar. Ele parece disposto a reconhecê-la e valorizá-la como sua parente mais próxima.
– Mas não conseguem ver que esse é o problema? – Bella tentou se desvencilhar de Jonathan, porém ele segurou as mãos dela com mais força. – O afeto do meu tio, se é que ele sente algum, é a última coisa que eu queria ou de que precisava. Estou aqui para enganá-lo, para fazer com que entregue as joias.
– Você poderia contar a verdade ao barão – sugeriu Victoria. – Na verdade, isso deve ser o melhor a fazer, meu amor. Você precisa do seu tio tanto quanto ele precisa de você.
– Contar a verdade agora? – perguntou Bella, horrorizada. – É impossível.
– O barão provavelmente cancelaria o baile – lembrou Alice. – Seria uma pena, não é mesmo? Embora eu imagine que Rose fosse ficar feliz.
Edward levou as mãos de Isabella ao peito e cobriu-as com a dele.
– Estamos aqui por minha sugestão e é bem possível que eu tenha me equivocado... tanto em relação aos seus sentimentos quanto aos de Weston. Gostaria que eu fosse até ele e confessasse tudo? Farei isso se você quiser.
Ela o olhou nos olhos verdes e se deu conta, horrorizada, de que ele estava falando sério. A decisão era dela. Poderia terminar com a farsa agora se quisesse. Eles poderiam ir embora naquela noite mesmo ou de manhã cedo. Bastava dizer uma palavra. Bella estava muito ciente do olhar questionador que a fitava – e das três amigas ainda sentadas, encarando-a, parecendo prender a respiração. Se a verdade fosse revelada, se ela partisse no dia seguinte, nunca mais veria o tio. Disso não tinha dúvidas.
– Agora é tarde demais – falou, por fim, e ergueu o queixo. – Está claro que todos os planos do meu tio não têm nada a ver com qualquer afeto que sinta por mim. Ele ainda acha que tem o direito de guardar o que é meu. E planeja nos manter aqui esperando por um mês inteiro só porque está aborrecido por não o termos consultado antes do casamento. E por que deveríamos? Ele não é meu tutor. E também não significa nada para mim.
Jonathan estava sorrindo levemente para ela, mas bem no momento em que Bella precisava ver um brilho travesso naqueles olhos, não havia a menor sombra dele.
– A bandeja de chá ainda não chegou – comentou Angela. – Aposto que jamais chegará. Não tenho nenhuma simpatia pela cozinheira ou por seus lacaios.
– Hoje o dia foi cheio – disse Jonathan, sem soltar a mão de Bella ou afastar os olhos dela. – Talvez devêssemos seguir o exemplo de Weston e nos recolhermos cedo.
– Boa ideia – concordou Victoria, ficando de pé.
– Além do mais – acrescentou ele, sorrindo para Bella e parecendo mais consigo mesmo de novo –, você vai precisar levantar cedo pela manhã, meu amor. É a melhor hora para andar a cavalo.
Bella puxou as mãos com firmeza.
– Não tenho a menor intenção de aprender a andar a cavalo. Vivi feliz por 22 anos com meus pés firmes no chão e não tenho ambição alguma de me tornar uma amazona famosa... ou infame, para ser mais precisa.
– Você é covarde mesmo – replicou Jonathan, os olhos cintilando ao encará-la.
– Andar a cavalo é algo que todas as damas precisam saber fazer, Bella – interferiu Victoria –, e agora você finalmente tem a oportunidade de aprender.
– Pense apenas na impressão favorável que vocês dois vão causar em lorde Weston se ele os vir envolvidos em uma lição de equitação quando levantar pela manhã – acrescentou Alice. – Se você não deixar Sir Jonathan ensiná-la, Isabella, ele é muito bem-vindo para me ensinar em seu lugar.
– Mas você já é uma amazona experiente, Alice – lembrou-a Jonathan com um sorriso. – Cavalgou por toda a Península com o coronel Streat.
– Ora, não se pode culpar uma garota por tentar – disse ela, batendo as pestanas.
– Você e Sir Jonathan vão parecer maravilhosamente românticos cavalgando sob o sol do início da manhã, Bella – comentou Angela.
– Não me obrigue a chamá-la de covarde a sério, meu amor – falou Jonathan.
– Ela estará de pé cedo, não se preocupe – prometeu Alice, levantando-se da poltrona. – Mandarei Rose jogar um balde de água fria nela caso se recuse a sair de baixo das cobertas por vontade própria.
– E, se Rosalie não fizer isso, eu mesmo farei – ameaçou Edward.
– Vocês todos podem me forçar a ir até os estábulos se quiserem – disse Bella, olhando indignada de um rosto animado para outro –, mas não vão me colocar em cima de um cavalo. Isso eu prometo.
Todos ignoraram os protestos dela enquanto se desejavam boa noite e seguiam seus caminhos, cada um para o próprio quarto. Bella teria dado tudo para estar de volta ao quartinho no sótão da Rue d'Aremberg, em Bruxelas. Mas, em vez disso, estava em Chesbury Park, o lar da mãe, a casa dos ancestrais, compartilhando dormitório com um homem pecaminoso como o diabo.
Acabei de voltar da prova de um concurso que prestei, me desejem sorte hahaha.
Eeeeeeeu? Mimando? Continuem aparecendo que mimo mais :D Até quarta, será?
