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CAPÍTULO XVII
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Talvez uma das características mais atraentes de Isabella fosse não parecer ter a menor consciência de sua extraordinária beleza, concluiu Edward.
Ele passou por ela e se jogou na água. Bella era nada menos do que estonteante. Ele não sabia que tipo de vida descobriria quando fosse embora dali e reencontrasse a parte de si que perdera. Não sabia que tipo de relacionamentos, compromissos, laços estavam entremeados ao tecido da vida daquele homem que, de algum modo, deixara para trás na floresta de Soignés. E era preciso, é claro, ter cuidado ao mergulhar fundo demais na nova vida atual.
Contudo, naquele momento, estava apaixonado por Isabella.
E iria aproveitar. Simples assim: O passado se encontrava oculto atrás daquela cortina em sua mente e o futuro era ainda mais desconhecido do que deveria ser para a maioria das pessoas, mas o presente era maravilhoso.
E lá estava ela, linda e maravilhosa. Bella colocou um pé na água, riu e o recolheu. As pernas dela eram longas e bem torneadas. Ele se mantinha a uma curta distância, com a água na altura do peito. Mais alguns passos e ela chegaria aos ombros e cobriria sua cabeça. Bella tentou colocar o outro pé na água, mas também o recolheu. Edward afundou e jogou água nela e ela deu outro gritinho. Então, entrou até a cintura e desapareceu até apenas seus cabelos aparecerem flutuando em um castanho escuro. Ela emergiu cuspindo, arquejando, as mãos nos olhos fechados com força.
Edward ficou sorrindo e, com a guarda baixa, acabou sendo atingido no rosto por um muro de água. Ele tossiu e cuspiu. Bella podia não ser uma nadadora, mas era uma guerreira aquática de valor.
– Ah, como isso é maravilhoso – falou ela depois de se imergir mais uma vez.
– A água está morna.
A jovem afastou para trás os cabelos, que cascatearam por suas costas e ficaram flutuando.
– Como faço para nadar?
– É preciso várias aulas e muita prática. Estava pensando em me desafiar para uma disputa até a margem oposta e de volta?
– Ensine-me.
O medo de Bella em relação aos cavalos – que ela vinha superando com grande empenho e determinação – não se estendia à água, ao que parecia. Edward a ensinou a flutuar e ela aprendeu com surpreendente rapidez, apesar de alguns afundamentos e de engasgos que exigiram batidas firmes nas costas. Mesmo depois de pegar o jeito, Bella só conseguia se manter na superfície por poucos segundos antes de submergir. Porém, foi um esplêndido começo.
– Farei com que aprenda a nadar de frente e de costas até o fim do verão – disse Edward, mas então lembrou que eles já teriam ido embora muito antes disso e se sentiu um tolo.
Ele a deixou no raso e nadou mais para o meio do lago com braçadas vigorosas, deleitando-se com a própria força recuperada e com o frescor da água. Havia uma árvore na margem, não muito longe do ancoradouro, e alguns de seus galhos se estendiam sobre o lago. Edward nadou na direção deles e percebeu que, naquele ponto em particular, a água era funda e pelo menos um dos ramos parecia resistente.
– Aonde você vai? – perguntou Bella ao vê-lo subir pela margem, que era íngreme naquele trecho, com a água escorrendo do corpo.
– Vou mergulhar – respondeu ele, sorrindo.
Não era muito confortável escalar nu uma árvore, mas Edward sentia que já fizera isso muitas vezes. Sentou-se no galho e foi avançando centímetro a centímetro, com cuidado, para não ser pego desprevenido caso o ramo se mostrasse mais fraco. Só que ele sustentou bem o peso, sem vergar ou quebrar.
– Tenha cuidado – falou Bella a alguma distância. Ela estava de pé na água, protegendo os olhos com a mão em pala.
Edward sorriu e ficou de pé lentamente, usando os braços para se equilibrar. O galho se manteve firme. Ele precisava se exibir, é claro. Foi andando até a ponta, fez pose com o corpo reto, os braços esticados à frente. Então, dobrou os joelhos e se jogou, o queixo para baixo, as pernas juntas, os pés apontando para trás. Atingiu a água e mergulhou fundo, arqueando o corpo apenas um segundo antes de bater no fundo. Teve a sensação extremamente prazerosa de fazer algo ousado, perigoso, que lhe fora proibido por muito tempo quando menino. Surgiu na superfície, tirou a água dos olhos e sorriu para seus parceiros e conspiradores no crime, igualmente atrevidos e imprudentes.
Entretanto, só havia Isabella ali, a mão pressionada contra a boca, mas logo abrindo um sorriso enorme, cheio de alívio. Edward sentiu uma profunda desorientação que fez seu estômago se revirar. Quem ele esperara ver?
Quem? Mais de uma pessoa, na verdade. Queria se lembrar de pelo menos uma. Por favor, que se lembrasse de apenas uma.
Bella abria caminho pela água na direção dele, preocupada. Ela se deteve quando a água chegou aos ombros e o fundo do lago ainda ameaçava escapulir dos pés.
– O que houve? Você se machucou, não foi, homem tolo? Bateu com a cabeça? Venha cá.
Ele olhou para Isabella, mas não foi na direção dela. Nadou até margem, saiu do lago e subiu a inclinação sem olhar para trás. Não havia razão para não se lembrar, certo? Àquela altura, o ferimento na cabeça já deveria estar curado. As cefaleias tinham passado, sem contar os momentos em que se esforçava demais para recordar. Preparara-se para ser paciente. Tinha sido paciente. Mas às vezes o pânico o atacava como um ladrão na noite.
Edward sentou-se com as pernas cruzadas sobre a manta, pousou os pulsos sobre os joelhos e baixou a cabeça. Tentou se concentrar em respirar fundo e de forma pausada. Procurou levar a consciência a um ponto além da mente assustada e fragmentada. Ele não a ouviu se aproximar. Só soube que Bella estava ali quando um braço fresco foi passado ao redor de seus ombros e outro por sua cintura. Ela apoiou a cabeça no ombro dele, sem encará-lo. Seus cabelos molhados caíram sobre o braço dele. Edward percebeu que estava ajoelhada ao seu lado e não disse uma palavra sequer.
– Às vezes – disse ele depois de um tempo – me sinto completamente castrado.
– Eu sei. Ah, Jonathan...
– Esse não é o meu nome. Até o meu nome me foi roubado. Não sei quem ou o que sou, Bella. Sou um estranho para mim mesmo, mais do que você, Rosalie ou o sargento Emmett são. Ao menos você pode me contar histórias sobre si e consigo formar uma impressão a seu respeito como alguém que é um produto de sua criação, embora você tenha uma personalidade única a se acrescentar. Não tenho histórias próprias. Minha história mais antiga é o despertar na casa da Rue d'Aremberg e a visão de quatro damas muito maquiadas olhando para mim. E isso faz pouco mais de um mês.
– Eu sei quem você é – falou Bella. – Não sei o que foi a sua vida. Não conheço nenhuma história sua a não ser as que compartilhei, mas sei que você é um homem cheio de vida, de riso, generosidade e ousadia. Não acredito que suas qualidades essenciais tenham mudado. Você ainda é você. E testemunhei sua coragem desde que o conheci. Em momentos como este, você pode acreditar que vai desmoronar e deixar a vida passar como algo sem sentido, que você não valoriza mais. Porém, sei que vai superar, porque conheço você. Sim, eu conheço. Gostaria de poder chamá-lo pelo verdadeiro nome, pois é algo importante, torna-se parte da identidade da pessoa. Ainda assim, eu conheço você.
Edward ouviu a própria respiração de novo, mas, depois de alguns minutos, reparou que havia inclinado a cabeça para um dos lados, a fim de descansá-la próximo à cabeça de Bella.
– Sabe por que sugeri esta farsa? Nem sequer me dei conta disso até agora. Não foi apenas para o seu bem, embora, naquele momento, eu realmente acreditasse que o melhor seria arrancar a fortuna das mãos de um tirano que não se importava com você. Na verdade foi por minha causa, para que eu não precisasse ir em busca da minha identidade.
– Estava com medo de não descobrir quem você é?
– Não! – Edward pressionou o rosto com mais firmeza contra os cabelos molhados dela. – Estava com medo de descobrir. Com medo de descobrir quem são meus pais e não reconhecê-los. Ou meus irmãos. Ou minha mulher e filhos. Estava com medo de olhar para eles e ver apenas estranhos. Posso acabar vendo um filho, Isabella, uma criança que gerei e amei, e essa criança ser um completo desconhecido. Assim, encontrei um motivo para adiar ir atrás desse passado. Pensei que minha memória voltaria naturalmente se eu esperasse. Aliás, nem pensei. Não foi consciente.
– Jonathan... – disse ela em voz baixa e o abraçou por um longo tempo, enquanto ele lutava em silêncio contra a escuridão do desespero.
– Acho que Angela ficará mortalmente ofendida se não comermos cada migalha do chá completo que ela preparou para nós – falou Edward por fim, levantando a cabeça.
– É verdade.
– Está com fome?
– Um pouco. Sim, na verdade, estou faminta.
– Eu poderia comer um boi – afirmou Edward. – Nada surpreendente, claro, já que fizemos atividades vigorosas.
Bella não fez nenhum comentário. Foi até a cesta de piquenique, abriu-a e começou a mexer no que havia lá dentro. Os cabelos dela, já secando, caíam ao redor do rosto como uma cortina castanha escura, de modo que ele não conseguia ver sua expressão. Ela parecia ter se esquecido de se vestir antes de comer. Edward ficou observando-a, mas sem uma intenção lasciva.
O que teria feito sem Isabella durante as semanas anteriores? O que faria sem ela quando aquele mês terminasse?
Depois daquele dia na ilha, a vida em Chesbury Park se acomodou em uma espécie de rotina. Apesar de ter se metido em uma confusão e não ver nenhum modo de sair dela, Bella sentia-se quase feliz, pois adorava morar no campo.
Passear pelos jardins ou no parque além deles, montar a cavalo com cada vez mais tranquilidade e talento, aprender a nadar e a remar no lago, fazer piqueniques em vários pontos lindos da propriedade, sentar-se à janela da sala de visitas observando a chuva cair, conhecer diversas partes da fazenda com Jonathan, Alice e o Sr. Drummond, ir às casas dos trabalhadores com cestas de comida arrumadas por Angela, visitar os vizinhos de carruagem, explorar o comércio do vilarejo e vagar pela igreja e os arredores com o Sr. Crowell... Bella acreditava que nunca se fartaria. Ela poderia ser feliz ali pelo resto dos seus dias, sem jamais ansiar pelas atividades mais agitadas de Londres.
De certo modo havia uma sensação de normalidade naquilo tudo, como se pertencesse àquela vida.
Bella também estava apreciando a companhia do tio – a princípio a contragosto, mas depois com gratidão e alegria. Ela passara a visitá-lo todas as manhãs na sala íntima dos aposentos dele, enquanto o barão descansava. Às vezes ficavam olhando pela janela, mal se falando, embora seus silêncios nunca fossem desconfortáveis – às vezes ele até cochilava. Em outras ocasiões, o tio contava histórias sobre os avós e a mãe dela. Ela tinha a sensação de gradualmente resgatar as próprias origens, que até ali desconhecera quase por completo.
Numa tarde chuvosa em que não iriam receber visitas, o barão levou Bella e Jonathan até a galeria de retratos, no andar superior da mansão. Embora o cômodo não fosse mantido fechado, Bella evitara ir lá até então. O tio explicou o parentesco dela com um grande número de ancestrais retratados e ela sentiu uma onda de emoção, que começou a levar embora o vazio e a solidão de sua vida. Realmente pertencia àquele lugar.
O único retrato em que constava a mãe era um de família, pintado quando ela contava com 3 anos e tio Richard era um jovem esguio, de boa aparência e cabelos dourados. De início, Isabella quase temeu olhar, mas então encarou com avidez a menininha de bochechas redondas e rosadas, com uma massa de cachinhos louro escuro. No entanto, não conseguiu encaixar aquele rosto de criança na lembrança muito vaga que tinha da mãe.
– Ela se parecia com você quando era mais velha, exceto que tinha os cabelos e olhos mais claros – comentou tio Carlisle. – Papai sempre lamentou nunca ter encomendado um retrato dela. Às vezes eu tento e tento, mas não consigo trazer o rosto dela à mente.
Nesse momento, percebeu que estava de mãos dadas com Jonathan e que ele entrelaçara os dedos aos dela e os apertava com força. Smith a confortava e, no entanto, ela ao menos sabia quem fora sua mãe. Conseguia se lembrar claramente do pai. O tio ainda estava vivo. Aquela era a casa dos antepassados dela, e ali estavam os retratos deles.
Bella sorriu para Jonathan. Desde aquela tarde na ilha, passara a haver uma ternura tranquila no relacionamento deles, embora tivessem o cuidado de não repetir o que tinham feito lá. Nenhum dos dois aparecera à porta do quarto alheio. Ainda assim, havia aquela ternura, que não era encenação. De qualquer forma, ela sentia que estava ajudando a ganhar a aprovação de tio Carlisle para o casamento, mais ainda do que as tentativas iniciais de parecerem um casal apaixonado. Ela estava feliz porque poderia se lembrar de Jonathan daquela forma – embora sentisse um aflição dolorosa, quase insuportável, ao pensar que o dia da separação deles se aproximava.
Parecia que Jonathan também encontrara algum prazer naquelas semanas. Era óbvio que ele amava a fazenda, passando grande parte do tempo ao ar livre ou conversando com o Sr. Jasper Drummond. Ele também ficava longos períodos com tio Carlisle, e Bella sabia que os dois falavam sobre a fazenda e que às vezes Jonathan apresentava ideias para melhorias e inovações que o capataz lhe sugerira ou em que ele próprio pensara. Tio Carlisle concordava com algumas sugestões. Bella achava que ele gostava de Jonathan, que o respeitava.
Desejava que houvesse uma saída fácil e indolor para aquela confusão em que tinham se metido, mas não conseguia enxergá-la. Só que não iria procrastinar. Depois que tudo estivesse terminado, confessaria a verdade ao tio e imploraria seu perdão. Então, caberia ao barão concedê-lo ou não.
Bella também tinha a sensação de que as quatro amigas nunca haviam estado tão felizes na vida.
Rosalie assumira a maior parte dos deveres da governanta – o fato de não saber ler ou escrever a impedia de manter as contas da casa. Estava ocupada e contente organizando os criados internos, mesmo os homens, já que o mordomo era idoso e parecia nem perceber que havia perdido o controle. Envolveu todos em um completo inventário das roupas de mesa, porcelanas, cristais, pratarias e outros itens de valor da casa, que começaram a brilhar sob seu comando. Ela ainda insistia em ser camareira de Isabella, mas durante o tempo livre sentava-se nos aposentos da governanta e se dedicava a reparar o que estivesse precisando. Era uma mulher bastante diferente da Rosalie que Bella conhecera em Bruxelas, mas de certa forma parecia totalmente à vontade.
Ela insistiu com Emmett até que ele assumisse a maior parte da condução dos criados homens, tornando-se o mordomo extraoficial, pois o Sr. Edwards ainda mantinha o título.
Angela estava feliz cozinhando e ditando as regras em seus novos domínios. Como era uma excelente cozinheira e uma mulher de ótimo trato, ninguém se ressentiu da intrusão.
Além de cuidar dos livros da casa com esmero, Alice estava ocupada sendo cortejada pelo Sr. Jasper.
– Ninguém precisa se preocupar – assegurou ela certa noite, quando estavam reunidos no quarto de vestir de Bella, e Emmett estava parado no arco entre os cômodos, os braços enormes cruzados sobre o peito maciço. – Contei a verdade sobre mim ao Sr. Drummond sem implicar nenhum de vocês. Ele sabe quem eu sou e, ainda assim, quer se casar comigo, o tolo.
– Ah, meu Deus, Alice – disse Angela, levando as mãos ao peito –, que romântico! Acho que vou chorar... ou desmaiar.
– Não faça isso, Angie – aconselhou Victoria. – Você bateria com a cabeça na beira do lavatório e então voltaria a desmaiar ao ver o próprio sangue.
– Vai aceitar o pedido? – perguntou Rosalie a Alice. – Eu me ofereceria para ser sua dama de honra, Allie, mas pareceria estranho, já que sou camareira de Bella, não acha?
– Ele é um cavalheiro – respondeu Alice, com uma expressão trágica.
– E daí?
Rosalie levou as mãos aos quadris, parecendo pronta para a briga e Alice não respondeu.
Victoria ia e voltava da casa do vigário, a cada poucos dias, para visitar a Sra. Crowell e o jardim dela. Também vivia desaparecendo no parque em toda oportunidade que tinha, com vários equipamentos de jardinagem, um avental grande e o chapéu de palha de abas largas.
Nenhuma das quatro parecia impaciente para ir atrás do patife que roubara o dinheiro e o sonho delas e Jonathan já falara sobre sua relutância em começar a própria jornada.
Assim, Bella relaxou e aproveitou as semanas que precederam o baile que tio Carlisle insistira em oferecer. Os preparativos eram para que fosse um evento impressionante, e a vizinhança já estava agitada, em uma alegre expectativa. Ninguém mais, por quilômetros ao redor, tinha um salão de baile. Mesmo havendo festas ocasionais com dança nos cômodos de cima da estalagem, ao que parecia uma sensação de encantamento cercava um baile particular.
Bella decidiu que aproveitaria o evento ao máximo e, então, faria algo decisivo pelo próprio futuro. Perguntaria ao tio Carlisle mais uma vez pelas joias e, se por acaso ele as entregasse, iria embora, venderia pelo menos algumas e faria com o dinheiro o que planejara. Se o tio não concordasse, desistiria de persuadi-lo e simplesmente partiria. As amigas ficariam por conta própria.
Assim como Jonathan.
Tentara fazer algo por ele. Escrevera para três conhecidos em Londres e recebera resposta de dois. Nenhum sabia de qualquer cavalheiro dado como desaparecido desde a Batalha de Waterloo. Ela não esperara mesmo que soubessem, mas ainda assim ficara desapontada. Teria gostado de ajudar Jonathan a recuperar o que perdera. Imaginava que nunca mais o veria depois que partissem dali. Era bem possível que não voltasse a ter notícias de Jonathan, que jamais viesse a saber se ele encontrara a família e o passado e havia algo de devastador nessa ideia, mas preferiu não ficar remoendo o pensamento nem cogitar o que faria depois que fosse embora. Tudo dependeria, é claro, se teria as joias ou não.
E quanto ao tio? Como se sentiria quando soubesse que ela o enganara? Mais uma vez, imaginou Bella, dependeria das joias. E não sabia qual a intensidade do afeto que o tio nutria por ela. Apesar de tudo, ela ansiava pelo baile com uma empolgação quase febril. Nunca estivera em um evento do tipo, muito menos um tão grande. Só sabia dançar porque o pai gostava e a ensinara em seus momentos mais animados e despreocupados, cantarolando para si mesmo e mostrando como dar passos precisos e graciosos ao mesmo tempo, mas dançar com outros cavalheiros em um baile com uma orquestra de verdade... Dançar com Jonathan... Não havia palavras para expressar o que sentia.
Tio Carlisle convocara a costureira do vilarejo e a convidara para passar alguns dias em Chesbury, a fim de fazer os vestidos das damas se elas desejassem.
Bella não tinha escolha. Não possuía uma roupa de baile e nenhum dinheiro extra para investir num. Houve uma breve discussão com Jonathan sobre quem pagaria pelo traje, mas tio Carlisle não aceitaria oposição.
– Isabella é minha sobrinha, Smith – disse o barão, erguendo uma das mãos para deter os argumentos de Jonathan. – Se tudo houvesse transcorrido de acordo com a minha vontade, ela teria sido apresentada à sociedade em Londres quando completou 18 anos e eu teria arcado com a conta por toda a temporada. Do jeito que a situação se deu, esse é o baile de apresentação dela à sociedade, assim como o de casamento, e não vão me negar o prazer de vesti-la para a ocasião.
As estranhas palavras dele haviam aborrecido um pouco Bella, mas quem era ela para ficar indignada com uma mentira? De qualquer modo, se comovera mais do que iria admitir com a óbvia ansiedade do tio para recuperar o tempo perdido.
– Obrigada, tio Carlisle – agradeceu ela, muito próxima das lágrimas. – O senhor é generoso e bondoso.
Jonathan se limitou a fazer uma mesura e não discutiu mais. De qualquer modo, ele teria sido capaz de pagar pelo vestido? Quanto lhe sobrara dos ganhos em Bruxelas?
Os últimos dias antes do baile foram felizes e passaram voando. E enfim o dia chegou. A manhã se transformou em tarde enquanto os criados – incluindo vários extras contratados especialmente para a ocasião – se apressavam para deixar tudo em ordem a tempo. E a tarde correu até ser hora de se recolherem aos seus quartos a fim de se arrumarem para a noite.
Bella entrou no próprio quarto de vestir e viu as roupas e adereços e Rosalie com o banho pronto. Foi então que a realidade a atingiu. Sentia-se quase doente de expectativa – aquele era, afinal, seu primeiro baile, mas também o começo do fim.
No dia seguinte... Ainda não pensaria no dia seguinte. Antes havia aquela noite para viver.
Pois é, nada de bebês... imagine só a confusão que isso causaria na vida desses dois kk. Até domingo!
