"Algo sobre você agora
Eu não consigo entender
Tudo que ela faz é lindo
Tudo que ela faz é certo

Porque é você e eu e todas as pessoas
Sem nada para fazer, nada a perder
E é você e eu e todas as pessoas e
Eu não sei porque eu não consigo tirar meus olhos de você

Você e eu e todas as pessoas
Sem nada para fazer, nada para provar e
É você e eu e todas as pessoas e
Eu não sei porque eu não consigo tirar meus olhos de você"

Lifehouse – You and Me

Tohru e Kobayashi encararam-se por alguns instantes, sem dizer uma palavra sequer… até que o estômago de Kobayashi roncou. Estava faminta. Tohru dirigiu-se até a cozinha, também não havia jantado.

Kobayashi a seguiu, pegou alguns pratos e os colocou na mesa. O omelete de arroz já não estava tão quente quanto deveria, porém, ainda estava delicioso.

Desta vez, Kobayashi fez questão de dizer isso com todas as letras.

"Uma receita nova que aprendi no Maid Café" – Tohru estava totalmente orgulhosa de si – "De fato, eu queria mesmo era cozinhá-la pra você, e apenas pra você."

Durante o jantar, a conversa ocorrera de maneira totalmente natural, falando sobre como o trabalho fora estressante naquele dia, e as cobranças cada vez maiores para cada uma.

Kobayashi lavava a louça, enquanto Tohru arrumava novamente a mesa e guardava alguns outros utensílios. Estavam felizes, mas ainda sim, faltava algo.

Já passava da meia-noite quando ambas terminaram. A luz da lua cheia iluminava a sacada do apartamento, onde resolveram ficar para observar a paisagem banhada pelo satélite prateado. Era uma noite relativamente tranquila e quente. Kobayashi estendeu seu braço, a fim de segurar Tohru pela cintura, ato correspondido por ela imediatamente. Viraram-se uma para a outra, suas testas encontraram-se em um delicado abraço. Olhares fixados um no outro, como se nada mais importasse além daquele momento. E não importava mesmo.

"Sabe Tohru, eu preciso te dizer algumas coisas…"

Kobayashi foi interrompida pelo dedo indicador de Tohru, pressionado contra seus lábios.

"Não se preocupe, eu já sei de tudo."

Para a surpresa da dragoa, Kobayashi beijou carinhosamente seu dedo, a deixando totalmente sem ação.

"Mas eu preciso dizer, precisa sair da minha boca. Eu sei que a Elma te disse muitas coisas, mas não é nem metade do que eu sinto."

Seu coração estava acelerado, injetando adrenalina, dopamina e todas as substâncias possíveis na sua corrente sanguínea a uma velocidade frenética. Nunca havia experimentado tamanha sensação na vida; esta era, enfim, a sensação de estar apaixonada. Suas mãos alcançaram o rosto de Tohru, seus dedos carinhosamente desenhavam corações em suas bochechas, coradas.

Kobayashi baixou o olhar, e então continuou.

"Eu realmente não entendia o que sentia, eu sempre fui educada dessa forma, meus pais nunca foram de demonstrar muito afeto, e dessa forma eu aprendi a viver solitária. Até você aparecer."

Dito isso, ela levantou novamente seu rosto, fitando Tohru nos olhos.

"E quando você apareceu, mudou tudo aqui dentro, sabia? Fez uma bagunça enorme dentro do meu peito e da minha cabeça, virou a minha vida de cabeça pra baixo. E eu só não queria aceitar, mas meu coração já sabia exatamente a verdade, é por isso que eu te me entregaria de corpo e alma a você, até o fim da minha vida. E sabe por quê? Porquê eu – Kobayashi respirou profundamente antes de terminar sua frase – porquê eu te amo, Tohru!"

Seus braços a puxaram para mais perto, perto o bastante para sentirem a respiração uma da outra, o perfume dos cabelos e ver seu olhar refletido naquelas lindas íris avermelhas. Até fechar os seus, e seus lábios instintivamente buscarem os dela. Naquele instante mágico, o tempo realmente parou, imagens apagaram-se e sons silenciaram-se. Tudo o que sentiam era apenas o calor uma da outra, e o doce sabor daqueles lábios que ambas tanto desejaram.

Tohru aumentou a pressão do abraço, a trazendo para ainda mais perto. Sentia-se extasiada por uma erupção de sentimentos. Como poderia um simples beijo fazer sua cabeça girar daquele jeito? Isso não importava, não mais.

Seus lábios descolaram-se depois de alguns instantes, mas sem ninguém sequer pensar em se desvincilhar daquele abraço tão caloroso.

Kobayashi, ainda corada, tentava desviar seu olhar.

"Esse foi o meu primeiro beijo. Me desculpe por não ter lhe dado ele antes, Tohru."

A dragoa sorria gentilmente, e sem pensar, beijou-lhe novamente. Desta vez não tão intensamente, mas ainda sim a ponta de fazê-las ficar sem ar.

"E esses foram os meus dois primeiros" – Tohru agora ria singelamente. "E foram ainda melhores do que eu poderia imaginar".

Kobayashi acenou positivamente com a cabeça. Realmente, aquilo era muito melhor do que esperavam.

"Quando há amor por dentro,
Eu juro que sempre serei forte
E há uma razão pela qual
Eu te provarei que nós nos pertencemos
Eu serei a muralha que te protege
Do vento e da chuva
Da mágoa e da dor

Vamos fazer tudo por nós, tudo por amor
Deixe aquele que você tem ser aquele que você quer
Aquele que você precisa
Porque quando estamos todos por um, somos um por todos

Quando é amor que você faz,
eu serei o fogo da sua noite
Se é o amor que você toma,
então eu o defendeirei, lutarei por ele
Eu estarei lá quando você precisar de mim
Quando a sua honra estiver em jogo
Esse voto eu lhe farei:
Há tudo por nós, tudo por amor
Deixe aquele que você tem ser aquele que você quer
Aquele que você precisa
Porque quando estamos todos por um, somos um por todos
Quando há alguém que você conhece
Então, apenas demonstre os seus sentimentos
E faça tudo por nós, tudo por amor "

Rod Stewart – All for Love

(CONTINUA)