"É desse jeito que são as coisas
Algumas coisas nunca irão mudar
É assim que são as coisas
Ah, mas não acredite neles"
Bruce Hornsby and the Range - The Way It Is
Nos dias que se seguiam, tudo ocorria como sempre. Seja em casa ou no trabalho.
Era por volta de meio-dia, quando Elma chegou até a mesa toda sorridente.
"Kobayashi, vamos almoçar? Abriu um restaurante italiano novo no quarteirão da frente e eu estou doida para conhecê-lo!" - sua empolgação estava acima do normal neste dia. Ela pegou Takiya pelas mãos e o puxou da cadeira.
"Você vem junto, e nem pense em recusar."
Takiya olhou diretamente para Kobayashi, que deu de ombros.
"É, comida italiana é legal! Vamos variar um pouco."
Os três saíram do escritório rumo ao restaurante, obviamente os dois humanos não compartilhando da empolgação (e fome) da jovem dragoa.
O lugar era realmente aconchegante, uma verdadeira cantina. O aroma no ambiente era divino, algo que fez o estômago dos três roncar assim que adentraram o lugar.
Sentaram-se em uma mesa de frente para uma das enormes vidraças do local.
Os pedidos não demoraram a chegar, Elma obviamente havia pedido comida suficiente para alimentar um pequeno exército.
Kobayashi a olhava espantada, era incrível o quanto ela comia e não engordava uma grama sequer.
"Deve ir tudo para os peitos" – Pensou e riu baixinho enquanto saboreava seu talharim.
Ao fim de refeição, Elma apoiou seus cotovelos sobre a mesa, seu olhar estava sério.
"Agora que já comemos, podemos ir ao verdadeiro propósito desta reunião" – nesse momento ela começou a encarar Kobayashi. Takiya ria discretamente, pois ele já sabia o real motivo dessa "reunião".
"Eu já imaginava que esse era o motivo, Elma. Pois bem, pode perguntar o que quiser".
Elma arrancou um pequeno bloco de anotações de um dos bolsos do casaco, enquanto Takiya colocou seus óculos redondos, que normalmente usava para conversas sobre maids ou quaisquer outros assuntos que deixavam o jovem otaku empolgado. Kobayashi, por outro lado, apenas ajeitou-se mais confortavelmente na poltrona, pois já esperava por isso e havia se preparado emocionalmente pra isso (ou, pelo menos, tentado).
"E a lá vamos nós para a primeira pergunta" – Elma respirou profundamente, como se fosse bradar a plenos pulmões, mas por fim, a fez da maneira mais doce e preocupada possível – "Você a e Tohru se entenderam? Vocês estão bem?"
Elma pousou sua mão delicadamente sobre a mão de Kobayashi.
"Sim, nós nos entendemos. E sim, estamos bem. Conversamos muito no final de semana, saímos em um encontro e conversamos mais ainda. E também nos divertimos bastante".
Elma e Takiya suspiraram aliviados, abrindo enormes sorrisos em direção à Kobayashi.
"Eu realmente fico feliz em saber disso" – Elma agora falava em um volume um pouco mais baixo que o normal – "Tohru é a minha melhor amiga, e você se tornou alguém muito importante pra mim, Kobayashi. Eu desejo que vocês duas sejam felizes, pelo seu bem e pelo dela."
Kobayashi sorriu de volta, e então a abraçou.
"Você é a grande culpada disso, por me aturar nas bebedeiras, e por aconselhar a mim e a Tohru. Eu não sei nem como agradecer."
"Ah, mas isso é fácil. É só me prometer que não vão mais brigar por besteira, e vão me convidar para ser madrinha no casamento."
"Sobre isso…" - Kobayashi imediatamente soltou o abraço; seu rosto parecia um pimentão.
"Você não sente vontade de se casar, Kobayashi?" - Takiya finalmente esboçou um comentário.
"Não é que eu não tenha vontade, mas não acho que seja prudente pular etapas. Embora sejamos já praticamente casadas (e isso é uma grande verdade), nosso relacionamento agora é um pouco diferente. Sem contar que casar é algo que precisa ser muito bem pensado e planejado."
Kobayashi respirou profundamente, e então continuou.
"Casar é o sonho da Tohru, disso eu tenho certeza. Há alguns dias, eu estive olhando o histórico de pesquisas do meu computador pessoal, e havia muitas coisas relacionadas a casamento. Com certeza foi ela. Obviamente ela nunca me falou nada, pois até então, não estávamos oficialmente juntas. E até agora ela não mencionou nada sobre; sei que é o sonho dela, mas creio que ela tem medo de me assustar. Ela está energética como nunca, mas está ao máximo se esforçando para se manter calma. Eu sei que teremos muito pela frente, e eu quero fazer tudo certo."
"Você realmente me impressiona por conseguir acalmá-la, Kobayashi" – respondeu Elma – "Apressada como é, Tohru já teria colocado a carroça na frente dos bois, como vi alguns humanos dizendo noutro dia."
Todos riram, afinal, isso era bem a cara da Tohru mesmo.
"E as meninas, como reagiram?" - Agora era a vez de Elma.
"Sobre isso, Ilulu simplesmente disse "até que enfim" e foi dormir". Kanna, por outro lado, ficou superfeliz por nós. Mas acho que ela ficou com um pouco de receio de não ter mais nosso afeto em casa, então ficamos acordadas com ela explicando muita coisa, e sobre o quanto ela é importante para a nossa família."
"Agora você realmente falou como se já fossem casadas, Kobayashi." - Takiya foi direto ao ponto.
"É verdade, Kobayashi. Creio que esse casamente será só questão de tempo" – Elma riu.
"Talvez vocês dois tenham razão. Mas isso não é algo que quero pensar agora. Aliás, vamos voltar, senão chegaremos atrasados."
No meio do caminho de volta, Takiya cutucou Elma.
"No final das contas, não fizemos nenhuma das perguntas do caderninho."
Elma deu um berro desesperado.
"NÃO ACREDITO. Todas as perguntas que passamos um tempão elaborando? E pra nada!"
Kobayashi riu dos dois, ainda curiosa sobre o conteúdo das perguntas. Talvez fosse melhor não perguntar nada.
Enquanto isso, no Maid Café do distrito de Oboruzuka,
O estabelecimento estava lotado, porém, a calmaria imperava na cozinha. Tohru cozinhava sorridente, cozinhando calmamente e sem sentir pressão. Seus pratos estavam ainda melhores.
As garçonetes cochichavam entre si sobre o motivo de tamanha felicidade da sua chefe de cozinha, e a resposta entre todas era óbvia: AMOR.
E mais um tempo se passou, logo mais chegaria mais um Natal.
Estava na hora de seguir para o próximo passo.
"Agora eu sinto meu coração batendo
Eu sinto meu coração debaixo da minha pele
Eu sinto meu coração batendo
Oh, você me faz sentir
Como se estivesse vivo novamente
Vivo novamente
Oh, você me faz sentir
Como se estivesse vivo novamente"
Coldplay – Adventure of a Lifetime
