"Dias passados, não vou perder mais um
Toda aquela escuridão, não vai me atrasar novamente
Oh-woah-oh, eu não estou dormindo ou acordado
Não vou deixar o futuro escapar
Sonhos ardentes me levam de volta para você
A noite quando ouvi sua chamada
Não somos os únicos (não somos os únicos)
Não somos os únicos (não somos os únicos)
Não somos os únicos (não somos os únicos)
Não somos os únicos"
Cyrus Reynolds – When You Call
Aquela era a última semana útil do ano, faltavam poucos dias para o Natal. E todos no escritório estavam sob muita pressão. Vários pedidos de última hora, alterações em projetos, prazos se esgotando. Kobayashi passava pela sua primeira grande prova como líder de equipe, e manter seus subordinados motivos vinha se provando um enorme desafio.
Na retaguarda, Takiya e Elma davam a ela todo o suporte necessário para o cumprimento das metas, o que realmente ajudava muito.
Mais um dia de trabalho havia chegado ao fim, incrivelmente dentro do horário previsto. Apesar das dificuldades, era evidente que o trabalho de Kobayashi à frente da equipe fluía bem. Ninguém mais precisava ficar no escritório até tarde da noite, o que era um grande alívio.
Ainda era dia quando Kobayashi saiu do elevador e despediu-se do porteiro; do lado de fora do prédio, Tohru e Kanna a esperavam. Fazia frio, e Kobayashi arrependeu-se amargamente por não ter trazido um casaco mais quente.
Seu nariz congelou automaticamente ao sair do prédio, porém, foi surpreendida por Tohru carregando um casaco extra em seus braços.
"Eu ouvi na previsão do tempo que esfriaria um pouco mais, então o trouxe por precaução. Parece que fiz bem".
Kobayashi o vestiu imediatamente, e em agradecimento, abraçou Tohru e a beijou na bochecha.
Ambas seguiram de mãos dadas pelo movimentado centro comercial, enquanto Kanna ia na frente, saltitante e animada com as decorações de Natal.
"Tohru, Ilulu não vem?"
"Não, ela disse que Taketo a convidou para irem comprar os presentes juntos. É o primeiro encontro deles, espero que aquela destrambelhada não o mate com aqueles melões". Ambas riram.
"É, parece que eles estão se dando bem." - Kobayashi estava realmente feliz naquela tarde.
Kanna parou diante das duas, e agitou os braços vigorosamente!
"É hora das compras de Natal!"
A jovem dragoa e suas duas novas mães saíram de loja em loja atrás de alguns presentes. Neste ano, decidiram em comum acordo que Okinawa seria um bom destino de férias, já que mesmo no inverno, não é tão fria quanto o resto do país (afinal, é o "Hawaii" do Japão).
A noite foi chegando, e com ela, a temperatura caindo. Tohru e Kobayashi estavam ainda mais próximas, tentando ao máximo se esquentar; Kanna, por outro lado, parecia habituada com temperaturas mais amenas. A jovem garota estava muito feliz, havia conseguido comprar todos os presentes que queria (para Saikawa, Ilulu e suas mães).
Tohru começou a resmungar algo inaudível, pois foi atrapalhada por seu estômago roncando; felizmente, naquela época os restaurantes também costumavam ficar abertos até um pouco mais tarde.
Decidiram-se por um restaurante de lámen próximo.
Após algum tempo, e depois de muita conversa, decidiram que já era hora de ira pra casa. Havia esfriado ainda mais, Kanna já estava praticamente dormindo. Kobayashi pagou a conta, pegou Kanna no colo e dirigiu-se para fora do restaurante, onde Tohru as aguardava. Estava olhando fixamente para uma vitrine ao longe, Kobayashi logo viu que se tratava de uma loja de vestidos de noiva.
"Talvez seja a hora, não é?" - Pensou.
Com sua mão livre, segurou a mão de Tohru, que ainda estava vidrada pelos vestidos.
"Vamos pra casa?"
Tohru enfim saiu daquele transe, embora Kobayashi pôde notá-la dando uma última espiada na vitrine antes de se dirigirem para um beco, onde Tohru se transformou, e usando sua inibição de presença, conseguiram voar para casa sem grandes problemas.
Ao chegarem em casa, toparam com Ilulu sentada sob o kotatsu, assistindo TV. Algum programa natalino qualquer. Sua feição não era das mais felizes.
Tohru foi até ela e sentou-se ao seu lado.
"O encontro não foi bom?"
"Ah, o encontro foi maravilhoso. Estou um pouco chateada, pois não consegui dizer a ele como me sinto."
Kobayashi sentou-se no sofá, com Kanna ainda em seu colo. Tohru levantou-se e pegou a garota, a levando para o quarto. Kobayashi aproximou-se de Ilulu, e começou a acariciar seus cabelos.
"Está tudo bem, haverão outras oportunidades. Não se esqueça de ele vai conosco para Okinawa no final de semana."
"Você está certa, eu acho. Ficar pensando nisso agora não vai resolver coisa alguma. Boa noite, Kobayashi".
Ilulu retirou-se para o quarto, onde Kanna já dormia profundamente.
Tohru voltou para a sala, estava pensando na mesma coisa.
Naquela noite, enquanto dormiam abraçadas, Kobayashi despertou no meio da madrugada com Tohru agitada, com certeza sonhando.
"Sim, Kobayashi, eu te aceito…"
Kobayashi a apertou ainda mais em seu abraço.
"Você quer tanto assim se casar comigo, Tohru?"
Aproveitou aquele momento para lhe segurar uma das mãos e tentar comparar seus dedos.
"Um pouco mais gordinho que o meu" – pensou, e em seguida, tentou dormir novamente.
Na manhã seguinte, Tohru acordou sozinha na cama.
Levantou-se e foi até a sala, onde Ilulu e Kanna estava sentadas sob o kotatsu, assistindo algum programa matinal qualquer.
Olhou para o relógio, já passava das nove horas.
"Você nunca foi de dormir tanto assim, Tohru. Aconteceu alguma coisa?" - Ilulu a encarava, preocupada.
"Ah, eu estou bem. Mas o frio me deixa mais sonolenta mesmo. Só estou triste por não ter nem me despedido da Kobayashi hoje."
Tohru voltou para o quarto, e se trocou, colocando sua habitual roupa de empregada.
"Agora vou limpar a casa toda, e vocês vão me ajudar!"
No fim das contas, as três ficaram praticamente o dia todo se aquecendo sob o kotatsu.
Enquanto isso, no escritório, Kobayashi e sua equipe estavam focados ao máximo em terminar tudo até o final da semana.
Em uma de suas pausas para tomar chá, foi até a mesa de Elma, onde a encontrou conversando com Takiya sobre um dos projetos de um cliente.
Elma notou algo em seus olhos, estava prestes a dizer algo quando Kobayashi começou a falar.
"Eu decidi, estou pronta para fazer AQUILO. E gostaria muito que vocês me ajudassem."
Elma e Takiya levantaram o olhar e responderam em conjunto.
"Estamos prontos!
Na hora do almoço, os três saíram do escritório. A primeira parada foi a loja de vestidos, a mesma que Tohru ficara algum tempo admirando na noite anterior. O vestido em destaque na vitrine era lindíssimo, incrivelmente trabalho e com detalhes que até se pareciam com escamas de dragão.
"Ontem a noite ela ficou fascinada olhando pra esse vestido."
"E teve bons motivos pra isso" – respondeu Elma – "Ele é maravilhoso! Aposto que a Tohru vai ficar maravilhosa com ele".
Kobayashi entrou na loja, voltando após alguns minutos. O aluguel era bem caro, mas já estava preparada para isso, casar nunca foi barato. Deixou a data em aberto, mas não deveria demorar muito.
O próximo passo era encontrar uma joalheria. Takiya sugeriu a loja de um antigo cliente, a quem ele ajudou a desenvolver o site anos atrás.
A loja em questão era relativamente simples, e um pouco afastada do centro comercial. Por outro lado, ao adentrarem o local, os três puderam perceber que não deveriam se enganar pela fachada.
Todas as joias eram belíssimas, feitas com muito cuidado.
Kobayashi aproximou-se do balcão, onde um simpático senhor de barba branca guardava alguns colares no mostruário.
"Em que posso ajudar, minha jovem dama?" - o senhor abriu um enorme sorriso ao atendê-la.
"Bem, é que… eu vou me casar em breve e…"
Kobayashi nem precisou terminar a frase. O senhor abaixou-se, e retirou uma enorme caixa revestida de camurça vinho debaixo do balcão e a abriu.
"Este é o nosso mostruário de alianças, consigo fazer para você do tamanho que precisar em até dois dias."
Takiya e Elma aproximaram-se do balcão, afim de olhar o mostruário também.
As opções eram das mais variadas possíveis, seja em detalhes, ornamentos e valores. Kobayashi estava olhando uma após a outra, mas nenhuma delas chamava a sua atenção o suficiente. O senhor, percebendo a indecisão de Kobayashi, pediu licença e foi até os fundos da loja, retornando depois de alguns minutos com uma pequena caixa nas mãos.
"Essa é a minha última criação, ainda não a coloquei à venda. Mas se bem me lembro, você e esse garoto aí que desenvolveram o site da minha loja, e isso me ajudou muito a conseguir vender até para o exterior. Então, se você gostar, te venderei ela em primeira mão."
Ao abrir a caixa, Kobayashi deparou-se com um belíssimo par de alianças de ouro branco, entalhadas com detalhes que se pareciam o caule de uma rosa. No meio, uma rosa entalhada em ouro dourado, com um pequeno diamante bem no meio das pétalas.
Os olhos dos três brilharam ao admirar a beleza da peça, porém Tohru fechou a caixa e a devolveu.
"Elas são lindas, mas, com certeza, eu não poderia ficar com elas. Creio que não poderei pagar por algo assim".
Takiya imediatamente sacou o cartão de crédito, Elma sacou um pequeno bolo de dinheiro da sua bolsa.
"Kobayashi, você vai ficar com essa aliança sim!" - Bradou Takiya.
"É isso aí, considere isso como parte do nosso presente de casamento." - Complementou Elma.
Kobayashi virou-se para encarar os dois.
"Eu agradeço muito a vocês dois, mas…"
Seu princípio de desculpas foi interrompido pelo riso do vendedor.
"Não se preocupe quanto a isso, minha jovem. Se não fosse pelo trabalho de vocês, eu possivelmente não venderia tão bem quanto hoje, e muito provavelmente não teria nem mesmo motivação para fazer novas peças. Por favor, fique com elas; eu farei um precinho bem camarada pra você."
Kobayashi virou-se novamente, e se curvou em reverência ao simpático senhor.
"Muito obrigada, realmente muito obrigada!"
Kobayashi estava com lágrimas nos olhos, estranhamente não esperava ter essa reação no momento.
Takiya e Elma se encararam por um instante.
"Parece que a relutância em se casar foi pro espaço" – brincou Takiya.
O senhor então retirou uma fita métrica de uma das gavetas,e pediu para Kobayashi estender-lhe a mão esquerda.
"E quanto à outra aliança?"
"Minha noiva tem um dedo pouca coisa mais largo, creio que um ou dois milímetros mais largo será o suficiente. Eu pensei em fazer uma surpresa a ela, por isso não a trouxe."
"Eu entendo, minha jovem. Bom, as medidas foram tiradas, então você pode voltar para buscá-las na sexta-feira, por volta desse horário."
Kobayashi pagou pelas joias, despediram-se e voltaram para o escritório.
Estava claramente feliz com sua escolha.
Mais tarde naquele dia, Kobayashi voltou para casa.
O apartamento estava com um cheiro delicioso, que fez seu estômago roncar. Tentou disfarçar seu sorriso bobo, ainda faltavam alguns dias para a viagem de férias e não poderia estragar a surpresa.
Tohru fui recepcioná-la na porta, como de costume, a saudando com um doce e demorado beijo.
"Você parece feliz, Kobayashi. Seja bem-vinda de volta."
"Eu já vou terminar o jantar, então porque não toma um banho e relaxa um pouco?"
E assim ela fez. A água na banheira estava maravilhosa, o que fez Kobayashi quase adormecer ali mesmo. Poucos minutos depois, Kobayashi abriu a porta e a ficou admirando por alguns instantes, antes de dizer-lhe algo.
"Você parece mesmo mais feliz hoje, não quer mesmo me contar o que houve?"
"Kobayashi ficou vermelha, sentia suas orelhas esquentarem.
"Não é nada de mais, deve ser a sensação de que vamos terminar tudo até o final da semana."
Tohru entrou de vez no banheiro, e fechou a porta.
"Se você diz, tudo bem. Mas você sabe que eu tenho métodos para extrair o que eu quiser de você, como por exemplo, cócegas nas suas costelas".
Tohru levantou-se de pronto da banheira, expondo seu corpo molhado para Tohru (que naquele momento, teve uma pequena hemorragia nasal).
"Se você fizer isso, eu vou dormir com as meninas e você ficará sozinha no outro quarto."
Tohru ameaçou fazer cara de choro, e então começou a rir.
"Será que você conseguiria?" - o olhar de Tohru neste momento era de pura malícia.
"Você sabe que não. Aproveitando que está aqui, você não quer me fazer uma massagem, Tohru?"
Ela sequer respondeu, e começou a despir-se.
Desta vez, foi Kobayashi quem sofreu de hemorragia nasal.
Tohru sentou-se dentro da banheira, e Kobayashi em seguida ficou em seu colo.
Suas mãos massageavam delicadamente os ombros dela.
"Eu sinto muito por hoje de manhã. Eu queria ter preparado o seu café como sempre, mas acabei dormindo demais."
Kobayashi segurou as mãos de Tohru sobre seus ombros, e beijou-lhe as palmas.
"Está tudo bem, você estava dormindo tão tranquilamente que eu não quis te acordar".
Tohru afundou sua cabeça junto ao pescoço dela, e beijou-lhe seguidas vezes, fazendo o corpo de Kobayashi arrepiar-se.
"Você é uma danada, Tohru".
"E é isso o que você mais ama em mim, não é?"
"Eu amo tudo em você, sua boba."
Kobayashi virou-se para encará-la, e encontrou um rosto vermelho com um tímido sorriso.
"Eu te amo, Kobayashi."
"Eu também te amo, Tohru."
Aquele momento tão sereno fora selado com um longo e denso beijo, Kobayashi sabia que a partir daquele pedido nos próximos dias, mais algumas coisas seriam diferentes.
"Oh
Seja gentil com meu amor
Você sabe como é fácil me machucar
Fanny, seja gentil com meu amor
Porque é tudo que eu tenho e meu amor não vai me abandonar
Então você diz para si mesmo, garoto
Você está fora do seu cérebro
Você acha que vou ficar aqui a noite toda na chuva?
E é o início de um caso de amor no momento em que te conheci
E se você quiser eu te levo lá"
Bee Gees – Fanny (Be Tender With My Love)
