"Sem mudanças, posso mudar, posso mudar, posso mudar
Mas estou aqui no meu molde, estou aqui no meu molde
Mas eu sou um milhão de pessoas diferentes de um dia para o outro
Não consigo mudar meu molde, não, não, não, não, não
(Você já esteve triste alguma vez?)

Bem, eu nunca rezei, mas esta noite estou de joelhos, sim
Preciso ouvir alguns sons que identifiquem a dor em mim, sim
Deixo a melodia brilhar, deixo-a limpar minha mente, eu me sinto livre agora
Mas as ondas do ar estão limpas e não há ninguém cantando para mim agora"

The Verver – Bitter Sweet Symphony

O arquipélago de Okinawa era belíssimo, independente da época do ano. A água do mar cristalina, convidava a mergulhos relaxantes ou simplesmente se deixar encantar por sua beleza natural.

Tão depressa desceram do ônibus, era evidente no rosto de todos o deslumbre com o visual daquele lugar paradisíaco.

Em outros rostos, o cansaço era notável. Kobayashi, Elma e Takiya haviam trabalhado até de madrugada no dia anterior, porém, felizmente conseguiram bater todas as metas e estavam, oficialmente, liberados para merecidas férias.

Takiya reservou uma pequena pousada, um pouco afastada da cidade. Um lugar modesto, aconchegante e de frente para o mar. Kobayashi suspirou aliviada ao chegar. Estava esgotada.

Os últimos dias foram de nervos à flor da pele, tanto no trabalho quanto nos preparativos para o que estava reservado a seguir; conforme o plano elaborado com seus amigos, o pedido de casamento seria realizado naquela mesma noite, após a troca de presentes.

Os donos da pousada eram pessoas extremamente corteses, um casal de meia idade. Os poucos quartos do estabelecimento haviam sido ocupados pelo grupo, não haveriam "estranhos" entre eles, o que para Kobayashi, ajudaria muito a não se sentir ainda mais nervosa durante o pedido.

Era perto do meio-dia quando todos terminaram de se acomodar em seus respectivos quartos; o toque de uma sineta no restaurante da pousada indicava que o almoço estava pronto para ser servido.

A especialidade da chef de cozinha do lugar eram os frutos do mar, acompanhados de vários legumes e molhos tradicionais da região. Tohru fez questão de ir até a cozinha acompanhar o preparo e pedir algumas dicas, a fim de melhorar as suas refeições em casa e no trabalho. Principalmente em casa.

"Farei pratos ainda melhores para a minha querida Kobayashi!"

Ela, por outro lado, estava nervosa demais e mal conseguia comer. Não imaginava que a ansiedade fosse atrapalhar assim.

Enquanto todos ainda comiam, ela retirou-se para o quarto; Tohru foi logo em seguida, enquanto todos à mesa a seguiam com olhares de preocupação.

Kobayashi estava sentada na cama quando Tohru entrou, e imediatamente colocou-se ao lado dela.

Tohru nada disse enquanto a observava, claramente preocupada.

"Eu estou bem, Tohru. Acho que todo o cansaço acumulado finalmente me pegou. Eu só preciso dormir um pouco e ficarei bem."

Tohru assentiu com a cabeça (embora não acreditasse totalmente naquilo), levantou-se e foi até a janela; fechou as cortinas e saiu do quarto. Enquanto fechava a porta, deu uma última olhada em Kobayashi, que ajeitava os óculos sobre a cômoda ao lado da cama.

Kobayashi despediu-se com um sorriso.

"Desculpe por te preocupar tanto, Tohru."

A dragoa, por outro lado, retornou para dentro do quarto, beijou-lhe a testa e a ajudou a ficar em uma posição mais confortável para dormir.

"Me preocuparei contigo até o fim, já que eu te amo mais do que qualquer coisa nesse mundo."

Tohru novamente levantou-se e saiu.

Kobayashi refletia sobre aquele turbilhão de emoções, ansiedade e cansaço acumulados até enfim, dormir.

Horas depois, Kobayashi despertou. Sua cabeça estava sobre o colo de Tohru, que delicadamente acariciava seus cabelos. Seus olhares se cruzaram e permaneceram por alguns instantes. Aquela troca de olhares dizia tanto, mesmo sem sequer proferir uma única palavra, enquanto sorrisos sinceros surgiam em seus rostos. Ficaram ali por mais alguns minutos até se levantarem e juntarem-se aos demais do lado de fora da pousada.

Aquela parecia mais uma reunião daquele grupo, os garotos jogando videogames, enquanto as garotas divertiam-se na praia. Kobayashi naquele momento sentiu uma pontada de ódio ao olhar para os corpos exuberantes de Tohru, Elma e Lucoa (em especial, daqueles melões). Seu biquíni laranja não tinha muito o que esconder, mas de fato, isso não era o que realmente a incomodava.

Georgie se aproximou dela, carregando uma bandeja com copos e uma jarra com alguma bebida.

Kobayashi a encarou e disse:

"Georgie, nós a trouxemos pra relaxar, não pra trabalhar mais!"

A garota riu baixinho e respondeu imediatamente:

"Desculpe, é mais forte do que eu. Além disso, eu estou me divertindo muito."

As garotas se sentaram, Tohru juntou-se a Kanna e Riko na praia para jogarem bola.

"Você parece preocupada, Kobayashi? Minha irmã me contou sobre o que planeja fazer, então se for isso, não se preocupe, dará tudo certo! Estaremos aqui para te dar todo o apoio!" - Georgie tentou animá-la com o seu melhor sorriso.

"Eu estou bem, mas… o próximo passo parece ser grande demais. Embora até já pareça que somos casadas, eu tenho um pouco de receio pelo futuro. Tohru é uma garota tão incrível, tão linda. E quanto a mim…"

Kobayashi foi interrompida imediatamente por Georgie.

"Pare com isso, Kobayashi. Você é uma pessoa incrível. Olhe bem pra você, olhe à sua volta. Todos aqui te admiram tanto, principalmente aquela jovenzinha loira e sorridente. Você acredita mesmo que ela estaria sempre ao seu lado se você não fosse tão especial? Acredite em você! E como eu disse, dará tudo certo… e estaremos aqui pra te dar todo o apoio!"

"Obrigada, Georgie. Até conhecê-la, minha vida era exatamente o oposto disso. Sem ela, eu acho que jamais teria conhecido você, ou qualquer um deles. Ela virou a minha vida de cabeça pra baixo. É a habilidade especial dela" - Kobayashi riu. Georgie riu também.

"Eu fico realmente feliz por você, Kobayashi. De verdade. E não se preocupe mais, ansiedade diante de um fato tão importante é absolutamente normal. Respire fundo, e as respostas virão".

Após mais alguns minutos conversando, Kobayashi levantou-se, agradeceu a Georgie novamente pela preocupação e caminhou em direção a praia. Molhou seus pés no mar, como se esperasse que isso a confortasse. Decidiu então caminhar um pouco, sozinha. Após alguns minutos, chegou na praia vizinha. O mar calmo encontrava-se com a areia branca e um enorme rochedo mais afastado. Kobayashi resolveu caminhar até ele, parecia um bom lugar para meditar, ou ao menos, tentar.

Enquanto isso, Georgie tentava acalmar uma preocupadíssima Tohru.

De fato, aquele comportamento não era normal para Kobayashi, ao menos, não para a NOVA Kobayashi.

"Querida Tohru, ela está passando por um momento difícil, lidar com mudanças não é fácil, e sair da zona de conforto é fonte de muito estresse."

Tohru ficou sem entender, enquanto Georgie continuava.

"Não me entenda mal, Tohru. Tudo isso o que ela está passando, é por sua causa. Mas veja, ela está apenas tentando te fazer feliz, mais e mais a cada dia. Em breve você entenderá."

Um sorriso formou-se no rosto da jovem dragoa, misturando há algumas lágrimas. Georgie sorriu de volta,

"Guarde suas lágrimas, garota! Você não fez nada de errado, pelo contrário, tudo o que você até agora foi para o bem dela. E ela está fazendo o máximo para retribuir tudo isso de volta; tenha paciência, tudo se acertará."

Tohru soltou um longo suspiro, refletindo sobre tudo o que acabara de ouvir.

"Obrigada, Georgie. Por tudo!"

Georgie riu novamente.

"Kobayashi disse a mesma coisa. Além disso, eu não fiz nada de mais. Pelo contrário, eu ainda devo muito a vocês duas, principalmente por cuidarem tão bem da minha irmã. Assim como a Kobayashi, minha irmã se transformou desde que vocês entraram em nossas vidas. Então, quem tem que agradecer aqui sou eu."

A tarde ia chegando ao fim, e Kobayashi ainda estava sobre o rochedo. Começou a sentir um pouco de frio e resolveu voltar. Ao levantar-se, notou que Tohru estava naquela praia, sentada a beira mar.

Kobayashi caminhou até ela, e a abraçou por trás. Podia sentir seu corpo tremendo.

"Você veio até aqui porque estava preocupada, não é?"

Tohru assentiu com a cabeça; Kobayashi a abraçou com mais força.

"Me desculpe por te preocupar tanto, Tohru. Eu deveria me desculpar por tantas coisas, por tantas palavras rudes que eu já te disse. E você sempre revidava com palavras doces, tentando me colocar pra cima quando eu me sentia horrível."

Tohru levantou a cabeça, e com suas mãos ainda um pouco trêmulas, segurou as mãos de Kobayashi.

"Kobayashi, você salvou a minha vida, nunca se esqueça disso. Há pouco tempo, eu vim até esse mundo para morrer. Você me salvou, da morte ou de uma vida de ódio e tristeza. Tudo o que eu posso fazer para retribuir é te dar todo o meu amor".

Kobayashi beijou Tohru na bochecha.

"E você me salvou de uma vida de solidão, tristeza e monotonia. Então o que eu posso te dar como retribuição é todo o meu amor."

Tohru riu baixinho, e virou-se para encarar Kobayashi.

Ajoelhadas na areia da praia, elas se beijaram por longos minutos até uma pequena onda as atingir em cheio.

Ambas riram e espirram imediatamente após.

"Talvez seja hora de voltarmos, eu realmente preciso de um banho quente."

Tohru concordou e voltaram para a pousada, caminhando de mãos dadas sob os últimos raios de sol daquela véspera de Natal.

Após um QUENTE e demorado banho, ambas estavam prontas para aquela que seria uma ceia inesquecível.

"Vim para te encontrar, dizer que sinto muito
Você não sabe quão adorável você é
Eu tinha que te encontrar, dizer que preciso de você
E dizer que te escolhi

Me conte seus segredos e me faça suas perguntas
Oh, vamos voltar para o começo
Correndo em círculos, perseguindo caudas
Cabeças em uma ciência a parte

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também ninguém nunca disse que seria tão difícil
Oh, me leve de volta ao começo"

Coldplay – The Scientist