Capítulo II - De amizade e planos de vingança

A biblioteca estava vazia, assim como em todos os começos da noite no castelo de Hogwarts. Jogou os livros por cima de uma mesa escondida entre as estantes e desabou na cadeira. Passou a mão sobre a cicatriz do rosto e descobriu que estava mais quente que pensava. Se debruçando sobre a mesa, deitando a cabeça em um dos braços, olhou para o nada que se estendia aqueles móveis entulhados de livros. Sentia que a cada dia mais uma parte morria, se estragava dentro dele. O que tinha de fazer, já sabia, mas era tão difícil. Foi absorto nestes pensamentos, que uma voz o encontrou. Não soava sarcástica, aborrecida ou irônica como a maioria das palavras que eram lhe dirigidas soavam. Uma voz sincera, diferente. Tiago apoiou uma mão no ombro do garoto de cabelos castanho-claros.
- Estou atrapalhando? - e o garoto se sentou ao lado, com uma expressão
inconfundível de preocupação. Lupin virou o rosto para ele e seus olhos castanhos refletiram neste momento toda a dor, humilhação e frustração que havia guardado no fundo de sua mente. Sem avisar, uma lágrima correu pelo seu rosto, mas foi acolhida pelo toque delicado de Tiago, entendendo que palavra alguma se encaixaria naquele momento. Um barulho de cadeiras tombando se deu, e Remo estava debruçado no colo do dono da voz que se preocupava com ele, chorando tudo o que não conseguia normalmente. Assim ficaram durante o que lhes parecera uma eternidade, e, embora os minutos se arrastassem devagar por aquela noite, o relógio da parede da biblioteca já marcava nove horas quando Madame Avery os expulsou de lá.
Estavam a caminho da torre da Griffinória, quando Tiago finalmente resolveu
quebrar o silêncio.
- Por que você simplesmente não o ignora? Não que o Sirius seja uma má pessoa,
ele só é um pouco... como posso dizer... ele quer aparecer para todo mundo e não mede esforços para isso, entende? Por mais que pareça, não é pessoal...
- Eu sei que não é pessoal, mas... há um motivo para não ignorá-lo... - o garoto
disse e mordeu de leve o lábio inferior, olhando para baixo.
- Seja qual for, Remo, não precisa me dizer agora se não quiser... - completou
com um sorriso - Acho que teremos muito tempo para conversar sobre isso, já que agora somos amigos.
Algo iluminou o rosto de Remo com a menção de tal palavra, já não parecia tão cansado muito menos abatido.
- Teremos todo o tempo do mundo. - sorriu também para ele e os dois
adentraram a torre, subindo direto para o dormitório e sendo fuzilados por um par de selvagens olhos azuis.
Sirius rosnava enquanto os dois garotos passavam direto por ele e Pedro, jogado em um dos sofás do salão comunal.
- Agora Prongs deu para fazer caridade... - comentou, fechando o semblante.
Parecia que uma nuvem escura pairava sobre sua cabeça e raios cortavam seus olhos, assustando um grupo de garotas do primeiro ano que ousaram olhar para aquele conjunto
- Você é muito severo, Sirius... bem que o nosso grupo precisa de alguma
renovação. Desde que o Amos começou a andar com aqueles garotos do quarto ano, só há briga entre a gente e pelo mesmo motivo, você sempre desconfiado de tudo.
- Não duvido de nenhum de vocês, mas também não posso confiar em qualquer
babaca que apareça na minha frente!
- A questão não é confiar em qualquer um, mas sim, fazer amizades novas!
- Eu questiono seriamente seus critérios para fazer uma amizade, Wormtail e você
sabe disso... aquele Malfoy não me engana...
- Agora questiona também os critério do Tiago é?
- Se ele pensa que assim estará fazendo uma boa ação para ir pro céu...
- Acorda, Sirius!! Sendo assim você só perde a chance de conhecer talvez uma
ótima pessoa! Posso não acertar em tudo, mas, escreve o que estou dizendo, um dia você vai agradecer ao Prongs por fazer isso!
- HÁ! Lá vem você com suas lições de moral... e tudo por causa daquele
moleque! Viu o porque das brigas?
- Sim, eu vi! Sua teimosia! - e Pedro se levantou e subiu para o dormitório,
deixando um Sirius gritando.
- Fuja! Fuja que é o melhor jeito que você participa de uma discussão, Pedro!! - depois que o garoto subiu as escadas, se largou no sofá de novo, rosnando para o nada. - Então é assim que você quer, não é, Remo Lupin. Pois bem, se prepare, ninguém rouba meus amigos num estalar de dedos e fica impune! - dizendo estas palavras, fez o mesmo caminho que os três e se deitou sem dirigir palavra alguma a ninguém.