Capítulo V - Mexendo com a colher do caos e remediando com o acaso.

- Black - gritou uma voz no fim do corredor, uma voz que tendia a ser fria e controlada e agora podia-se claramente perceber manchas de irritação.
Sirus virou-se, junto com as duas garotas que o acompanhavam. Abriu um sorriso e dispensou as duas, que saíram dando risinhos e fizeram o caminho até o dormitório da Grifinória. O garoto andou até Snape, a passos lentos e debochados, desmanchando-se em um sorriso falsamente amigável.
- Em que posso ajudar, meu amigo...não, não! Como estão os pombinhos?? - disse rindo.
- Sirius Black. - Snape sibilou, arrastando cada sílaba. Nada o faria mais irritado do que ser enganado por um aluno da Grifinória. - Por acaso, você pensou que seria engraçado... no mínimo hilário, fazer isso, não? Acha muito legal pregar peças nos outros, não é mesmo? Mas o único tolo aqui fui eu. Nunca deveria ter acreditado em você. Idiota, pensei mesmo que as características da sua casa se estendiam a você..
- Peraí, peraí! - reclamou Sirius, faendo gestos exagerados, segurando o riso de qualquer maneira. - Do que..
- Você sabe do que estou falando, não se faça de bobo, o que eu sei que não é! Você sabia, talvez se esqueceu de mencionar... - depois de um momento. - Lupin... já está com alguém.
Sirius mordeu o lábio, pensando. Já tinha tudo e ordem na cabeça.
- Hn... ele deve ter falado... - uma pequena pausa. - Ele realmente considera... - falando como se fosse com ele mesmo, vendo o rosto de Snape, impassível, esperando, continuou. - Ah! Éengraçado ele ter sado as investidas de uma pessoa como desculpa para não causar conflitos..
- Explique-se.
- Bem, como você pode ter reparado, o Remo anda muito amiguinho do Tiago Potter, terceiranista da Grif...
- Eu sei MUITO bem quem é o Potter, prossiga.
- Hn, acho que o motivo para isso é muito óbvio, não? Há uma semana atrás, ele fez o que você só teve coragem de fazer hoje, sim, ele se declarou para Remo. Só que, como eu já tinha dito, o "pobrezinho" - "arh, laarei bem minha boca depois disso!" - gosta de uma certa pesoa, você, da Sonserina, ma para não perder a tão prezada amizade com o Potter, ele pediu um tempo para pensar. Mal sabia ee que seu amor era correspondido, não é? - tossiu um pouco, se sentindo meio estranho, de novo a pontada no peito... porque sempre isso quando falava do sujeitinho? - Er... resumindo, ele te rejeitou porque não quer ficar mal com o Potter.
- Hn... - parece que Snape estava processando algo muito difícil em sua cabeça. - Sei... e você é o santo da Grifinória que só diz a verdade...
- Olha, Snape! - disse em um tom estranhamente tomado pela raiva. Sentia que se continuasse mais cinco minutos ajudando Severo no plano para conquistar Remo, iria acabar acertando a cara do seboso. - Eu fui o melhor amigo de Tiago, ele me contou tudo! Cabe a você analisar os fatos... Bem, eu vou dormir, está um frio tão bom para ficar abraçado a aluém... devo procurar aquelas duas quartanistas, talvez ainda estejam acordadas... - exclamou, suspirando. - Até mais, Severo! - e parou no meio do caminho. - Ah! Se quer um conselho, não faça nada por você mesmo, senão sua barra vai sujar com o Lupin. Hn.. - e bateu na cabeça. - Que tolo sou eu, Tiago mandou eu não contar isso para ninguém, principalmente para um tal de Malfoy... já pensou se sso vaza para a escola inteira? Suas chances com o Remo estariam reduzidas a zero!! Mas como eu confio em voce, não vai contar não é mesmo?? - e abriu um sorriso, saltitando o resto do caminho.

Corujas sobrevoavam furiosamente o teto do salão principal, jogando correspondências e encomendas pelas quatro enormes mesas, rasgando a imagem mágica de uma manhã nublada de cinza-chumbo, com trovoadas ocasionais perturbando a todos os que teriam Trato de Criaturas Mágicas naquela tarde. Afinal, seria um dia normal em Hogwarts, se não fosse a enorme quantdade de sussurros e o burburinho ensurdecedor pairando como uma névoa sobre as quatro mesas. Boatos, risadas e escárnios de td calibre eram falados, murmurados e até gritados, vindo particularmente da bagunça verde e prata que se constituía a Sonserina.
- Sempre desconfei dele! Com aquele Lupen, Lupin, sempre juntos! Agora estarão mais!! - gritou um quintanista, depois se virando e dando tapinhas nas costas de Snape, que tomava o café calado como sempre. - Desculpe ter pensado que você...
- Ah, Rosier, mas não estava na cara que o Severo só ia dar um chega pra lá na moçola do Lupin? - riu-se um colega de classe de Snape. Esse, porém, só se levantou e dirigiu-se ao dormitório, resmungando que esquecera um livro.
Tiago acabara de se sentar a mesa, atrasado como sempre, quando sentiu uma voz debochada, sussurrando em seu ouvido.
- Hn... melhor segurar seu namorado, Potter. Ouvi um sextanista da Sonserina falando em alto e bom tom que gostaria de experimentar o tal do Lupin... - riu-se.
O grifinoriano ficou um tempo tentando pôr algum sentido plausível à provocação de Malfoy, para o contradizer mais venenoso ainda, mas como não conseguiu, apenas o matou e enterrou vivo com o olhar, se virando lentamente.
- O que você quis dizer com isso, Malfoy...? - sibilou, agora já sabendo sobre quem todo aquele zumbido de boatos que estava pairando sobre as casas, era.
- Ah! Não se faça de desentendido... - e deu um tapinha no ombro dele, jovialmente. - Oh, talvez ele goste, faça-se sim, Potter..
- Se não disser do que se trata, acho que Madame Seary vai ter que fazer crescer sua arcada dentária hoje...
- Hahaha! Muito engraçada sua piada... Bem, você não sabe mesmo o que seu namoradinho deixou escapar?
- Namoradinho?
- Nossa! Já esqueceu tão fácil o nome do tal Lupin! Caramba, tenho que me atualizar, quem é agora? Não, não me fale! O Shaddy, da Corvinal comentou que você gosta mais dos efeminados, que tal o Lockhart, da Lufa-Lufa?
- Que estória é essa??! Quem lhe contou o boato absurdo que eu e o Remo..
- Ué... não foi você quem pediu para ele "oficializar" seu namoro? - perguntou Lúcio, virando-se. - Bom, se não foi, até mais, o seu querido chegou e não quero segurar vela! - e saiu saltitando alegremente até a sua mesa.
Tiago viu a pequena figura de Lupin sentando-se na mesa.
- Bom dia, Tiago! - sorriu do jeito doce de sempre, pegando a jarra de leite, quando notou uma nota estranha de raiva no olhar de seu amigo. - O-o que foi? - perguntou quando o viu se levantar.
- Sirius tinha razão! - murmurou com nojo, o ódio inflamando-se em seu olhar e se retirou do salão principal, pisando duro e deixando um Remo desolado e olhando para o nada, apenas perguntando baixinho, "o que eu fiz..". Quando este se tocou do nome-chave, virou rápido e seu olhar encontrou-se com um par de olhos azuis, selvagens, sorrindo provocante, como quem dissesse "perdeu...". Sirius se levantou e foi na mesma direçao em que saíra Tiago, não melhorando em nada a situação do garoto de cabelos castanhos, quando uma mãozinha gorda e amigável pousou em seu ombro.
- Não ligue para Tiago. Eu mesmo já tive de agüentar estes ataques repentinos dele. Não fique assim, ele vai pensar com calma e já dará um jeito de pedir desculpar sem ferir o enorme orgulho que tem. - Pettigrew disse, sentando do lado do amigo.
- Mas, mas...eu nem sei porque ele está tão irritado!! Se ele dissesse... Black, Black! Tudo em que ele mete o dedo, estraga! Por que ele me persegue tanto..
Pedro parou um pouco para pensar, olhou em volta, todas as mesas estavam focalizando seu olhar nos dois. Então consultou o relógio.
- Vamos, está quase na hora da aula de Adivinhação. Não gosto de ser tão observado... podemos conversar no corredor... - disse se levantando e ajudando o amigo a arrumar as coisas.
- Hn... - apenas confirmou e assim os dois se levantaram, escapando dos olhares atentos.

- Tem certeza que isso vai dar certo, Tiago? - perguntou Sirius debaixo da capa de invisbilidade, junto com o amigo.
- Claro que vai! Pelo menos não preciso passar o vexame de pedir para me explicarem de novo e também sei da verdade! Remo sempre desabafa com um de nós, é claro que ele vai contar ao Pedrinho!!
- Mas e se for ele quem espalhou mesmo o boato?
- Simples, aí deixamos a situação como está! Oras! Pss!! Os dois vem virando a esquina!!

Lupin parecia extremamente pensativo, apenas ouvindo a descrição psicológica completa de Tiago, pela boca de Pedro, quando tomou uma decisão, que, mais, tarde, viria ser a mai importante de sua vida.
- ... e eu sei, ele pode parecer um tanto metido, mas...
- Pedro.
- Que foi? Eu? O que tem eu???
- Não, não é você... - disse Remo, baixando a cabeça, o olhar meio vazio. - Se...se eu lhe contar algo, você promete, promete mesmo que não conta a ninguém...?
- Claro, pode confiar... - sorriu o griffinório, fitando o rosto quase vinho do menino.
- É que... eu não posso manter mais isso em segredo.. - parecia que o garoto estava falando consigo mesmo. - Pedro... eu ...
- Fale logo, ou vamos chegar atrasados... - riu.
- Eu sei que esta não é a melhor hora de falar isso, mas... - levantou o rosto e caiu no choro, abraçando Pettigrew.
- O que foi, Remo? O que foi??
- Está...- disse entre soluços. - Está tudo dando errado para mim!! Eu arranjo os primeiros verdadeiros amigos de toda a minha vida, depois eu perco, e depois eu descubro...
- O que..?
- Que...- soluço, acompanhado de mais lágrimas. - Que eu estou..gostando do meu maior...vamos dizer..."inimigo".
- AAHN?? Quem? O Lúcio??
- Não, Pedro... eu gosto.. - baixou a cabeça. - do Sirius..
Depois de um momento de silêncio, só cortado pelos soluços constantes do garoto, Pedro pôs as mãos no ombro do amigo e sorriu.
- Remo... Remo, levante a cabeça... agora eu entendi. - e abriu um sorriso enigmático, olhando para a direção que dois garotos pasmos, debaixo de uma capa de invisibilidade, estavam escondidos. - Vamos, vamos, estamos já atrasados!! - riu e arrastou o menino, se separando no corredor que diferia o caminho da sala de Adivinhação da de Aritmancia, deixado um Lupin muito confuso.

- Eu não acredito... - murmurou um Tiago muito espantado, a um Sirius, estático. - Sirius, você...
- Tiago. Te vejo no salão comunal! - e disparou na direção do corredor de Aritmancia.
- Eu juro que não entendi... - disse o garoto de óculos, tirando a capa de invisibilidade e se dirigindo a aula junto com Pedro.

"Tudo o que eu senti... droga!!! Por que eu não percebi antes?? Idiota, idiota, idiota!!". Sirius corria para alcançar uma pequena silhueta que ia virando o corredor de pedra com a cabeça abaixada. "Se eu tivesse pensado nisso, nada, ninguém sairia mal, eu não precisava ter feito.."
- Remo!! - gritou e, arfando, cobriu a distância que separava-os. - Remo, me ouça, por favor, precisamos conversar!
O garoto se assustou com o tom urgente na voz de Sirius e apenas concordou com a cabeça se amaldiçoando secretamente por já perder uma aula por alguém como ele.
- Certo, mas não podemos ficar aqui ou o Filch nos corta a cabeça! - disse, segurando o pulso de Lupin, fazendo menção para o seguir. Os dois subiram algumas escadas, até encontrar uma sala quase vazia, de aparência abandonada. O garoto de cabelos negros fechou a porta e ficou olhando para baixo, como se quisesse ter certeza do que falaria e com isso fazendo que a tensão do silêncio se tornasse cada vez maior.
Passou um minuto... Sirius observava pelas mechas que caiam no seu rosto, ainda não o levantara... dois minutos... sabia que, ao encara-lo teria que dizer... cinco minutos... por que ele não toma a iniciativa, seria bem mais fácil... dez minutos.
- Lupin... quero dizer... - a voz saiu terna, muito diferente do que costumava parecer aos ouvidos do pequeno lobisomen que estava sentado no meio da sala, abraçando os joelhos. - Remo, eu tenho que lhe falar uma coisa. - então, finalmente pousou seu olhar na figura que ainda tinha os olhos castanhos marejados de lágrimas.
- Fale... ninguém está... - a voz saía pouco mais que um sussurro, parecia que ele fazia uma força imensa para responder. - ...te proibindo...
Sirius cruzou a sala e se ajoelhou, compadecido com a cena. O vento frio soprava da janela com cortinas rasgadas e anunciava o outono, roçando de leve o rosto dos dois garotos, naquela tarde nublada. A luz branca que parecia ser emanada das nuvens parecia dar um ar melancólico de propósito àquela sala. Lágrimas rolaram pelo rosto de Remo, que o escondeu nos braços, soluçando. Embaraçado com a reação, Sirius levantou delicadamente a face do garoto e sorriu.
- Não tem porque chorar...
- Você.. você não sabe... de nada...
- Não, Remo, você é que não sabe. - e aproximou o rosto, até a respiração afagar a pele qe teimava em ficar gelada. - Eu sei que não devia, mas eu ouvi sua conversa com o Pedro. - ao falar isso, notou o que previra. - Deixe-me terminar, eu não estou aqui para repreendê-lo. - limpou duas lágrimas que iam ganhando forma. - Shh... não tem porque chorar, olhe, eu sei que tenho sido muito grosso com você estes meses e você, idem. Não, eu não vim aqui para lhe pedir desculpas, se isso lhe passou pela cabeça, mas... quando você falou que gostava de mim, eu senti algo... - e engoliu em seco. Estava decidido a falar. - Remo, eu te amo. - o abraçou, não agüentando mais encara-lo.
Durante algum tempo ficaram abraçados, os dois apenas sentindo as batidas do coração, parecendo ter sido sincronizadas no exato momento em que se pronunciou aquela frase. Nada mais importava, nem o vento frio, nem a desolação do dia nublado, nada atrapalhava aquele momento, o mundo poderia acabar e os dois não ficariam sabendo. Apenas sentiam o calor da respiração um do outro a roçar o pescoço, provocando uma sensação de conforto inigualável. Sirius afastou-se um pouco e fitou os olhos cor de amêndoa, tendo certeza do que disse. Esboçando um sorriso doce, aproximou os lábios dos dele, cerrando-os em um beijo doce e verdadeiro, expressando nesta ação, todo o sentimento que havia negado durante todo o tempo em que fingiu ter odiado o ser que mais amava.

fim