Renuncia: Toda agente sabe quais foram os personagens que a J. K. Rowlings criou. (Os meus sinceros agradecimentos!) Os meus são: O tio Belchior, Amanda, Stiller, Beatrice, Jonah e os meus fugitivos (Jennifer, Javier, Johnny e Beef.).





UM PASSO MAIS LARGO QUE A PERNA



Graças a Merlin, o primeiro ano terminou.

Como é obvio, Severus tinha ultrapassado todas as expectativas na maior parte das disciplinas. O pai não aceitaria menos do que isso. Já era mau que Severus não mostrasse qualquer entusiasmo para entrar na equipa de Quidditch dos Slytherin. Ele gostava do jogo, mas nem morto seria apanhado em cima de uma vassoura. A ideia era ridícula e condutora a novas formas de humilhação.

Severus podia imaginar, de uma forma dolorosamente fácil, o Potter, o Black, o Lupin, aquela sangue de lama da Evans, e até a bola de banha do Pettigrew a escarnecer dos Slytherins e sobretudo dele. A gritarem a plenos pulmões; - Vamos lixar as cobras! - Ou pior.

Ele tinha ficado voluntariamente sozinho durante o ano escolar, a estudar com afinco até durante o Natal e a Páscoa (não fosse ele ser obrigado a ir a uma festa dos Malfoy ou dos Potter) e a tentar (ás vezes falhando redondamente) afastar-se de sarilhos.

O Potter que tentasse, como estava sempre a dizer, entrar na equipa de Quidditch no próximo ano. Severus faria por continuar a ser o melhor nas aulas e no que quer que interessasse, em vez de se armar em palhaço sobre uma vassoura a fazer piruetas, para toda a gente dizer o quão fantástico ele era.

O problema era que ele conseguia fazer isso na escola, onde podia esconder- se na livraria e nas masmorras quando sentia necessidade. Em casa ele não podia fazer isso. De qualquer modo nem ficava muito tempo em casa. A mãe arrastava-o todos os dias para a casa dos Potters.

Nunca se calava, a mãe. Sempre orgulhosa do filho da amiga, desejando ter um igual. (O Jamie isto, o Jamie aquilo...) Mas o Severus não era um Jamie e no ultimo ano passado nos Slytherin tinha aprendido a não querer ser um Jamie ou um Black ou qualquer um do grupo deles: 'Os Salteadores'.

Quem é que, com um mínimo de respeito próprio se autodenominava de 'Salteador'? Só podiam ser malucos do Quidditch!

Quando a mãe dizia para ele subir - Em cima daquela vassoura e joga Quidditch com o Jamie e o Sirius como um rapaz normal! - ele amuava e corria para dentro de casa... Para amuar como deve de ser.

Ele já tinha doze anos! Ele NÃO se deixaria humilhar pelo Potter e o Black, se tivesse uma palavra a dizer no assunto!

Foi num desses dias, em meados de Agosto, que ele ouviu a mãe a queixar-se à Sr.a Potter:

- Não sei o que vai acontecer ao Sev. Ele está a ficar cada vez mais parecido com o pai e o tio e isso assusta-me. Quem me dera não ter casado com o Stiller. - Confessou. - Quem me dera nunca ter-lhe dado uma criança.

A Sr.a Potter estava a segurar as mãos da mãe:

- Amiga, tu estavas tão apaixonada por ele... Tu disseste...

- ...Que o seu sangue vampiro excitava-me. - Terminou a mãe. - É verdade! Mas já não é assim. Não, desde que o Sev nasceu. Eu não amo o meu marido e nunca amei. Eu ficava... Excitava junto dele. Podes entender? Claro que não, Beatrice. És casada com o Harry Potter, que é um homem amoroso e incrível. Carismático sem um lado negro.

A Sr.a Potter ficou em silencio por momentos e depois respondeu:

- Realmente não entendo, Amanda, mas és minha amiga e se houver alguma coisa que eu possa fazer por ti... Diz-me.

- Podes trocar de filhos comigo?

- Não. Lamento.

- Então... Não podes fazer nada por mim.

Severus sentiu que tinha ouvido o suficiente. Atordoado, subiu as escadas para o andar de cima da casa dos Potters em silencio.

Que coisa amaldiçoada era ele, que até a própria mãe sentia repulsa?

Ele ficou sozinho num quarto, por mais de uma hora, a observar o James Potter pela janela. Ele estava a voar no jardim a apanhar pedrinhas que o pequeno Jonah Potter estava a tirar para o ar. Era como se o Severus não existisse, ali à janela. Só a observar, sem interferir. Se ninguém queria que ele existisse, então talvez fosse melhor não existir. Ele devia desaparecer.

Õ problema é que o Severus não se sentia suficientemente corajoso para terminar a sua vida. Se fosse, teria acabado em Gryffindor, não é? A mãe teria preferido, já que não fora colocado em Ravenclaw como estivera certa que seria.

Mas sabia bem pensar em ser encontrado ali, morto num quarto dos Potters, com a mãe angustiada e a culpar-se por não o ter amado como ele era.

Mas... Será que ela ficaria assim? Ou ficaria aliviada? Sem o filho de ascendência vampírica, o que é que a amarrava ao odiado marido com o mesmo sangue? Severus queria chorar, mas não o faria ali. NUNCA na casa dos Potters.

Encostou a testa à pedra fria da lareira apagada. Fechou os olhos, pensativo. Quando os seus dedos tocaram num frasco de vidro sobre a pedra, abriu os olhos e agarrou-o para o inspeccionar. A sua curiosidade levava sempre a melhor sobre ele.

Pó de floo. Dentro de um frasco, num ponto suficientemente alto para o pequeno Jonah não lhe deitar as mãos. Parecia obvio que os Potters confiavam no filho mais velho para não brincar com a rede de floo e acabar perdido no meio de nenhures.

Severus nem pensou duas vezes no que estava a fazer. Acendeu a lareira com um feitiço que ainda não devia saber efectuar.

- Ingnitus. - Agarrou um punhado de pó e atirou-o para o fogo. - Rua Bativolta. - Gritou e sentiu-se puxado por uma força qual vácuo, a uma velocidade estonteante, até terminar noutra lareira, numa loja de aspecto mórbido, que visitara antes, na companhia do tio e ignorância dos pais.

A limpar a sua túnica da fuligem, saiu da loja ignorando os gritos do dono (Quem és tu? Vou-te ensinar a brincar com a lareira das outras pessoas!).

Ele aprendera com o tio Belchior, onde havia uma passagem da rua Bativolta para Londres dos muggles e não tinha intenção de contar os seus planos ao dono da loja.



Pronto. Espero que tenham gostado do segundo capitulo. Não se esqueçam de criticar ao fundo.

Abraços Aliera