Capítulo 8: O feitiço que virou contra o feiticeiro



- Gina, acorda! - disse Hermione já começando a ficar irritada.

- Me deixe dormir, Mione. Hoje é sábado, estou cansada - resmungou Gina puxando o lençol pra cima da cabeça.

Em um movimento brusco, Hermione puxou o lençol deixando Gina totalmente descoberta.

- Levanta agora, Virginia Weasley, nós temos que conversar.

Ainda relutante, Gina abriu os olhos e sentou na cama:

- Fala, Hermione, do que você quer falar?

Hermione se sentou na cama, e encarou Gina. Respirou fundo e perguntou muito calma:

- Do que você acha, Gina?

- Não faço a mínima idéia - disse Gina fingindo não imaginar qual seria o assunto.

- Não se faça de besta! É sobre aquela partida de Snap Explosivo que tivemos ontem à tarde: eu vi que você roubou, pode falar - disse Hermione séria, mas demonstrando que já estava perdendo a paciência. - Pára de brincadeira, Gina.

- Quem está brincando aqui é você, Hermione.

- Você se faz de boba, Gina, mas sabe o que eu vim falar.

- Tá, não bastou o meu irmão ontem, agora é você - disse Gina começando a se levantar da cama.

Mas Hermione foi mais rápida e puxou o braço de Gina fazendo-a sentar-se.

Olha, Gina, não vou impedir que você seja amiga de ninguém, mas quanto ao fato de não falar com o Harry já é demais.

- Olha, Hermione, com o fato de que eu seja amiga do Malfoy eu fico feliz de você não se importar, agora eu espero que não se importe que eu não seja amiga do Harry.

Faça o que você quiser. Mas fique sabendo que se você se magoar, nós estamos aqui - disse Hermione indo em direção da porta do quarto.

- Hermione!

Ela se virou e olhou para Gina com um olhar esperançoso.

- O Draco não vai me magoar, eu sei disso.

Hermione apenas a olhou mais uma vez e saiu do quarto. Gina ainda ficou um tempo pensando, mas resolveu se vestir e ir tomar café.

*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

Gina estava descendo a escada em forma de caracol, quando chegou à Sala Comunal para depois ir ao Salão Principal tomar café, a primeira pessoa que viu foi Harry sentado em uma poltrona perto da escada.

- Gina, vamos conversar - disse Harry se levantando e olhando-a de forma suplicante.

- Não tenho nada pra falar com você, Har...

- Você ia me chamar de Harry, Gina? - ele disse pegando na mão dela e olhando profundamente em seus olhos.

- Não, ia te chamar de Potter, mas saiu sem querer - disse Gina tirando com pressa a sua mão da de Harry e desviou o olhar para o lado.

- Me desculpa por ontem, Gina. Eu só não queria ver você sofrer na mão do Malfoy.

- Não quis me fazer sofrer? Potter, você me fez sofrer do mesmo jeito, e muito mais. Se o Draco me fizesse sofrer eu iria me defender, mas eu não consigo me defender do meu irmão - disse Gina, e saiu.

Harry ficou na Sala Comunal lembrando de como fez Gina sofrer, e prometeu para si mesmo que iria conseguir ser amigo dela outra vez.

*~*~*~*~*~*~*~*~* ~* ~*

Gina estava indo para o Salão Principal quando encontra nada mais nada menos que Draco abraçando Pansy Parkinson. Gina ficou estática no começo, não sabia o porque, mas se sentia traída.

Draco e Pansy estavam andando abraçados em direção a ela. Gina estava reunindo toda sua coragem para dar um sorriso para Draco, mas esse parecia ter ignorado sua presença e continuando a andar abraçado com Pansy.

Gina virou-se para trás e viu os dois conversarem animadamente, ainda abraçados.

- Vamos tomar café - disse Rony tentando tirar os olhos da irmã da direção de Draco.

- Onde você estava?

- Estava aqui perto, e vi que você ficou olhando para esse crápula, e percebi que você se magoou.

- Coisa da sua cabeça, Rony.

- É para o seu próprio bem, Gina. Não fica perto dele. Mas agora vamos, o Harry e a Hermione estão esperando.

Gina simplesmente sorriu, pensando o quanto seu irmão se preocupava com ela, mas não podia controlar sua vida. Então o seguiu, e foi tomar café.

Sentou-se na mesa e na mesma hora várias corujas encheram o Salão Principal. Incrivelmente uma carta chegou nas mãos dela.

- Quem te mandou? - perguntou Rony tentando tirar a carta da mão da menina.

- É minha, Rony - disse Gina batendo na mão do irmão.

- Isso mesmo, é assunto dela, Rony - disse Harry interrompendo a conversa. Gina olhou para Harry com raiva. Ela ainda estava muito chateada com ele.

- Com licença, eu vou ler a minha carta em outro lugar - disse se levantando da mesa. E saiu.

- Olha o que você fez, Rony. Só estava tentando puxar assunto com ela - disse Harry.

- Eu sou irmão dela, tenho o direito de saber dos assuntos dela.

Hermione, que estava quieta apenas observando a conversa, se irritou e disse muito nervosa para Rony.

- Não tem mesmo, nós mulheres sabemos o que os homens têm direito ou não de saber.

- Quer dizer que você esconde coisas de mim, Hermione?

- Algumas sim, é lógico.

Quando Rony ia começar a falar Harry interrompeu e gritou:

- PAREM DE FALAR NISSO!

Hermione e Rony apenas olharam boquiabertos, abaixaram a cabeça e não falaram mais nada.

Depois de muito andar procurando um lugar para ler sua carta tranqüilamente, Gina encontrou um cômodo abandonado com várias carteiras e cadeiras. Sentou-se em uma cadeira e leu a carta.

Gina

Me encontre perto da sala de transfiguração em uma hora. Quero muito te ver.

A carta estava sem assinatura. "Quem será que mandou? Deve ser o Draco" Estava mesmo com vontade de falar com Draco. Mas iria esperar ele ter uma reação primeiro. Queria se desculpar pelo que tinha acontecido no dia anterior.

Ficou muito tempo dentro daquele cômodo pensando quem teria mandado aquela carta.

"E se não for o Draco, como vou falar com ele?".

Finalmente chegou a hora de se encontrar com a pessoa que tinha mandado o bilhete. Saiu da sala e respirou fundo. Começou a andar o mais rápido que podia, a ansiedade era muito grande.

Finalmente chegou no lugar combinado e viu a sombra de uma pessoa, parecia ser um garoto, mas não parecia ser Draco.

"Ah, Meu Deus, quem será?" pensou e chegou mais perto.

- HARRY! - disse Gina admirada.

Ele se virou e deu um sorriso sincero, mas Gina não retribuiu.

- O que você quer, Potter? Fala logo.

- Gina, nós temos que conversar. Por favor, escuta o que tenho pra falar.

- Não quero escutar nada, me deixa em paz. Só vou falar com você quando tiver vontade.

- Mas aí não vai ser nunca. Gina não pôde deixar de rir, e viu que isso o animou, então logo fechou a cara.

- Fala o que você quer.

- É que... Gina, desde que eu te vi conversando com o Malfoy - disse Harry se aproximando mais de Gina - Eu fiquei com...

- Ora ora, olha quem eu encontrei aqui, pensei que só eu vinha aqui pra tratar da minha vida pessoal.

Era a voz arrastada de Draco Malfoy.

Gina se virou e viu que Draco estava com Pansy Parkinson do seu lado.

- O que você quer aqui, Malfoy? - disse Harry totalmente nervoso, pois Draco tinha estragado a conversa dele com Gina.

- O que você acha que eu iria fazer aqui, Potter? Você nunca se enfiou em um lugar deserto para tratar de certas coisas - disse Draco que se virou e encarou Pansy com um sorriso maroto - Bom, não imaginaria encontrar você com a GINA aqui, mas a hora de vocês acabou. Vai, se manda com ela Potter - disse Draco.

- Não chama ela de Gina seu idiota, você não tem esse direito.

- Como não tem direito Harry? Ele tem todo o direito do mundo de me chamar de Gina, a menos que eu proíba - disse a garota um pouco nervosa, afinal Harry não tinha direito de responder por ela.

- Bem feito, Potter. Então, vão nos dar privacidade ou não? - disse Draco olhando Pansy de novo.

- Já estou saindo - disse Gina andando em direção a Pansy e Draco.

Quando passou do lado de Pansy, olhou para ela com cara de nojo, e a sonserina retribuiu a expressão.

- E você, Potter, não vai?

Harry não respondeu. Apenas olhou Draco, e saiu sem dizer nada.

- Então Draquinho, vamos continuar de onde paramos? - disse Pansy com uma voz melosa que irritou muito Draco.

- Mas é claro - disse Draco, e de repente puxou Pansy e a beijou fervorosamente.

*** - Gina, onde você estava? - perguntou Rony.

- Estava com o Harry.

- Quer dizer que vocês voltaram a ser amigos? - perguntou Hermione entusiasmada.

- Não. Eu resolvi dar uma chance pra ele se explicar, mas ai o...

- GINA, que bom que te encontrei, vamos continuar nossa conversa - disse Harry que tinha acabado de passar pelo quadro da mulher gorda.

- Agora não dá, eu vou para a biblioteca procurar um livro que estou precisando.

- Eu vou com você, Gina - disse Hermione.

- Se você não se importa, Mione, eu quero ir sozinha.

- Ah, tudo bem, então - disse Hermione um pouco desapontada.

- Então tchau, até a tarde, no Salão Principal - disse Gina, e saiu da Sala Comunal.

- Eu não sei mas o que faço para voltar a falar com ela - disse Harry.

- Calma, Harry, é só esperar que as coisas se resolvem - disse Rony o consolando.

Gina estava indo para a biblioteca muito distraída, somente pensando no que iria fazer lá, pois não iria estudar, só queria se livrar de Harry.

Mas algo quebrou seus pensamentos, estava ouvindo alguns ruídos perto da sala de transfiguração.

- O que será que está acontecendo? - perguntou a si mesma.

Então chegou mais perto de onde estava aquele barulho, e se deparou com Draco beijando Pansy. Mais uma vez ficou estática, e sentia-se traída novamente. Ele parou de beijar Pansy e olhou para Gina que estava ali parada.

- O que você quer aqui Weasley? - disse Pansy.

- Deixa que eu me entendo com ela - disse Draco, e foi em direção a Gina.

- Meu Deus, Weasley, você nasceu para atrapalhar a vida dos outros, né?

- Deve ser mesmo, Malfoy.

- Você deveria ter continuado no Brasil, porque lá sim, talvez alguém te suportava, sua inútil.

Draco não ouviu ela falar nada, só ouviu o barulho do tapa que tinha levado na cara.

- Você é um idiota Draco, ninguém gosta de você - disse Gina com os olhos marejados.

- Tem certeza, Weasley? Aqui atrás de mim tem uma pessoa que gosta, fora ainda que toda a população de feminina de Hogwarts me ama.

- E você só maltrata, despreza todas as meninas com quem você fica. Não vejo prazer em ficar, nem gostar de você! - gritou Gina.

- Ah, é? Quer que eu te mostre o prazer que as meninas sentem quando me beijam? - disse Draco e foi se aproximando do rosto de Gina.

Mas Gina se afastou e disse com nojo.

- Nunca que eu iria querer experimentar uma sensação dessas.

- Tem certeza mesmo? - disse Draco com um olhar maroto e se aproximando de novo. Draco foi se aproximando mais, tanto que já podia sentir o perfume de Gina.

"Nossa, ela até que tem um perfume bom. ".

Gina também estava pensando a mesma coisa que Draco. "Meu Deus, que perfume!". Estava quase se rendendo quando de repente acordou e respondeu um pouco ofegante.

- Tenho... sim.

- Que pena! Você iria se divertir - disse Draco.

- Draquinho, deixa a Weasley pra lá, se ela quiser fica aqui vendo - disse Pansy percebendo o que estava acontecendo entre os dois.

- Quer ficar, Weasley? - disse Draco sarcástico.

- Não - Gina respondeu secamente. E saiu.

"Maldita Pansy" pensou Draco.

"Maldita Pansy" pensou Gina. "Ah, ela tem uma sorte... queria que ela morresse! Ah, não eu não posso estar com ciúmes dela. Será?".

E Gina foi e ficou na biblioteca até a hora do almoço pensando se o que sentia era mesmo ciúme.

Foi almoçar, e se divertiu muito, pois Harry ficava falando de coisas absurdas conseguindo faze-la rir.

- Então, Gina, podemos ser amigos de novo? - disse ele segurando a mão dela. - Eu só estava preocupado com você.

Gina tirou a mão dela debaixo da mão de Harry, se levantou e atravessou a mesa indo para o lado de Harry, chamando a atenção da mesa da Grifinória que sabia que os dois estavam em conflito.

Harry acompanhou Gina com o olhar, e ficou olhando para ela que estava de pé olhando-o sentado.

- Levanta, Potter - disse secamente.

Hermione e Rony pararam para ver o que Gina ia fazer. A mesa da Grifinória, que tinha visto a briga dos dois, também estava torcendo para que voltassem a serem amigos.

Harry se levantou e ficou em frente a Gina.

Ela o encarou por um minuto, e reparou como ele estava nervoso esperando alguma reação sua.

De repente, se aproximou dele e se pendurou em seu pescoço o abraçando. Harry retribuiu o abraço completamente feliz.

Todos que estavam assistindo a cena sorriram e começaram a cochichar, e os que não estavam prestando olharam para ver o que tinha causado tanto cochichos pelo salão.

Draco estava completamente distraído lendo a carta de seu pai, quando Crabbe o cutucou e disse em seu ouvido.

_Olha só isso, digno da Grifinória e do Potter, sempre querendo chamar a atenção.

Draco levantou os olhos para ver do que Crabbe estava falando, e simplesmente viu Gina abraçada com Harry. Draco ficou praticamente sem palavras, que a única coisa que conseguiu fazer foi se levantar bruscamente e sair do salão.

- Desculpa, Harry, eu não vi a coisa por esse lado, eu fui pelo lado do Malfoy, achando que você estava com ciúmes. Você me perdoa? _disse Gina se soltando do abraço e olhando no verde vivo dos olhos de Harry.

- Claro, Gina. É o que eu mais quero - disse Harry que a abraçou novamente.

Hermione e o resto do Salão, até mesmo alguns da Sonserina, sorriam satisfeitos, somente Rony que não estava gostando muito de tanta aproximação, mas mesmo assim se mostrava muito feliz.

Depois do abraço Harry e Gina sentaram-se lado a lado e conversaram animadamente.

- Eu sabia que vocês não iam ficar mais de um dia sem se falar - disse Hermione.

- Tá bom, Sibila, sei! - disse Rony sarcasticamente, abraçando a namorada, antes que ela ficasse nervosa.

Hermione sorriu e disse:

- Eu só imaginava. Depois do que aconteceu no primeiro ano da Gina na escola, o Harry tê-la salvado, as pessoas ganham uma grande ligação.

- É mesmo - disseram Harry e Gina juntos.

Então os quatro continuaram almoçando tranqüilamente.

"Maldito Potter, era pra eu estar no lugar dele e ele sentindo o que estou sentindo. Sentindo? Eu não tô sentindo nada, não estou sentindo ciúmes, só estou com raiva, desgraçado!", pensava Draco, e ficou muito tempo pensando se estava mesmo com ciúmes de Gina, ou se era apenas imaginação da sua cabeça.

"Eu não posso estar com ciúmes, eu nem gosto dela, não me apaixono por ninguém". E era verdade, Draco nunca estivera apaixonado, e nunca se sentira amado. Sentia-se amado pela sua família e amava os seus pais, mas nunca amara de um outro jeito e nunca fora amado também.

"Como será que é ser amado e amar?" pensou. "Bom, a Pansy me ama, mas eu não amo ninguém. Será que vou amar alguém? Não, Draco Malfoy não ama ninguém". E continuou pensando até que Pansy chegou.

- Oi Draquinho, porque você saiu do Salão? Perdeu a cena mais romântica que já vi...

- Não quero saber de nada - disse Draco totalmente irritado, não queria saber o que aconteceu no salão.

Draco percebeu que Pansy abaixou a cabeça e ficou muito chateada.

- Ah, Pansy, não fica assim, desculpa.

Pansy sorriu, afinal de contas ele nunca a tratara assim.

- Pansy, você me ama? - perguntou Draco.

- O quê? Olha Draco, nós estamos ficando há dois dias, estamos só ficando, eu não te amo.

- Não mesmo?

- Não, nós só ficamos dois dias, um pra falar a verdade, por que depois que você me beijou você saiu e nem voltou mais, segundo os boatos você estava com a Weasley.

- Estava querendo fazer ciúmes no Potter, ele gosta dela.

- E me trocou por ela, por isso não te amo e nem quero te amar, senão vou sofrer.

- Também acho. Draco Malfoy não ama.

- Mas um dia vai amar e vai acabar sofrendo.

- Tá, Pansy, chega de conversa. Vamos continuar o que estávamos fazendo antes - disse Draco com um olhar maroto.

- Claro!

E se beijaram.

"Nossa, imagine se fosse a Gina ao invés da Pansy. Ah, meu Deus, pára de pensar na ruivinha. Ruivinha? Ah, não. Só falta eu estar apaixonado. Pára, Draco, se concentra na Pansy."

E Draco tentou se concentrar, mas não conseguia, ficava toda hora lembrando da "ruivinha".

"O perfume da Pansy não é igual ao da Gina".

E assim se passou o dia. Draco com Pansy. E Gina com o trio maravilha.