O TERCEIRO DIA DE NATAL

Quando tens dúvidas, vai à biblioteca. Pelo menos esse era o lema de Hermione, e ela era a rainha suprema de descobrir coisas. Por isso Ginny pensou que devia seguir o lema dela e tentar pesquisar alguma coisa. Afinal, não ia fazer mal, e tinha de haver algum feitiço que pudesse ajudá-la.

Pelo menos Ginny assim esperava.

Vozes altas do outro lado da prateleira de livro fizeram com que Ginny fizesse uma pausa com o livro grande e poeirento com capa de cabedal que ela estava a ler. Sem sorte nenhuma, diga-se de passagem.

- Não sabia que sabias ler, Weasel* - Ginny ouviu alguém falar arrastadamente.

- Ou levas o que vieste aqui buscar, ou sais, não temos tempo para as tuas idiotices. - Ginny ouviu Hermione mandar. Ela levantou as sobrancelhas, era preciso a Hermione estar mesmo zangada para gritar no meio da biblioteca.

Ginny ouviu Malfoy (percebeu que não podia ser mais ninguém) dizer alguma coisa que não conseguiu decifrar. "Ao menos ele está a seguir a regra do silêncio", Ginny pensou divertida. Ela não podia dizer a mesma coisa sobre o seu irmão.

- Sai da minha frente, seu maldito Devorador da Morte! - Ron gritou, e pelo barulho que agora se podia ouvir, Ginny adivinhou que Ron estava a ser impedido de o atacar.

Ginny ouviu Malfoy rir antes de rodear a prateleira e sair da biblioteca. Quando passou por ela, deu-lhe um sorriso fraco que lhe disse o quão orgulhoso ele estava de si mesmo. Quando ele se virou, Ginny lançou-lhe um olhar carrancudo. Tosco, ela pensou.

Alguns minutos depois, Ginny viu a cabeça de Hermione a espreitar para fora da prateleira de onde Malfoy tinha saído. Ela sorriu calorosamente quando viu Ginny, mas ela pôde ver que a garota ainda estava com raiva do encontro com Malfoy.

- Olá, Ginny - ela cumprimentou, vindo sentar-se na sua mesa. - A fazer trabalho da escola? - Hermione perguntou contente.

- Er… sim - Ginny disse. Ela não sabia por quê, mas não queria que toda a gente soubesse sobre o seu "Pai Natal secreto". Dizer a Hermione era o mesmo que dizer a Ron, e ele faria uma tempestade num copo de água e depois a família dela também ia fazer um grande escândalo… Para não mencionar o Harry ficar a saber, seria horrivelmente embaraçoso e ela preferia evitar essa situação.

- Quem me dera que o Ron fosse mais parecido contigo! Tive de obrigá-lo a vir para cá hoje, não sei por que é que ele protesta, o Snape deu-nos uma redacção mesmo grande para depois das férias. Se eu fosse ele, ficaria agradecido por ter alguém que o fizesse ter boas notas. - Ginny sorriu compreensivamente para Hermione.

- Ele provavelmente vai ficar agradecido quando a tiver acabado e não tiver de se preocupar mais com ela. - Ginny assegurou-lhe. - Mas eu não ficaria à espera que ele o diga, ele às vezes é tão teimoso! - Ginny acrescentou amigavelmente. 

- Pois é… - Hermione concordou, com o olhar distante. - Bom, o melhor é eu voltar antes que os garotos tentem fugir. - Enquanto Hermione se levantava, ela viu alguma coisa no fim da mesa de Ginny. - Hey, Ginny, aquilo é teu? - ela perguntou, curiosa.

- O quê?

- Aquele pacote verde no fim da mesa.

- Oh! - Ginny exclamou, a sua cabeça em êxtase ao olhar pela primeira vez o que era obviamente o seu terceiro presente. - Sim… esse é o meu, er… presente para o Harry! - Ela disse, colocando para fora a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

Hermione sorriu-lhe. - Não te preocupes, eu não lhe vou contar.

- Obrigada. - Ginny disse, vendo-a voltar para a sua mesa.

"Boa, agora tenho de encontrar alguma coisa para dar ao Harry!" Ginny reclamou de si mesma. Ela precisava mesmo melhorar a sua capacidade de pensar rapidamente.

Quando os seus olhos voltaram para o pacote, o seu coração começou a bater mais rápido e mais rápido. "Como é que ele o pôs aí sem eu reparar?"

Ginny levantou-se, deixando os livros em que estava a pesquisar em cima da mesa, para outra altura. Ela pegou na embalagem embrulhada com papel verde, pesando-a com as mãos. Ela foi para um canto vazio da biblioteca e abriu o envelope verde adornado com azevinho dourado, como os outros dois. O pergaminho que estava dentro não era uma surpresa, nem o facto de que não havia um nome em lado nenhum.

No terceiro dia de Natal

O teu verdadeiro amor deu-te

Três ganchos franceses

Ginny voltou a ler o verso, como tinha feito com os outros, maravilhada com o tipo de letra requintado.

"Quem quer que tenha escrito isto tem umas mãos firmes e talentosas." Ela pensou, mas depois corou com o duplo significado da frase.

Voltando para o pacote, viu (como o verso tinha dito) três lindos ganchos para o cabelo franceses. Eram verdes, com imensos fios de ouro com relevo. Ginny colocou um no cabelo, e até com a pouca luz da biblioteca ela podia ver que ficavam esquisitos no cabelo dela.

- Meu Deus… isto é demasiado - Ela sussurrou, enquanto observava o reflexo dos seus novos enfeites para o cabelo, o ouro a brilhar como milhares de diamantes (de alguma maneira ela sabia que aquilo não era falso como o que ela estava acostumada). Ela sentiu as lágrimas virem aos olhos antes que as pudesse evitar.

"Tenho de saber quem é que anda a fazer isto." Ela pensou com a determinação renovada.

* Trocadilho com Weasel (que em inglês quer dizer doninha) e Weasley

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N/A: Eu sei que estes capítulos são curtos… mas acho que ficam bem com a história. Normalmente eu odeio ler histórias com capítulos curtos, mas espero que este seja uma excepção :)

N/T: Muito obrigada pelos reviews! Eu adorei! Tem de esperar até ao último capítulo para descobrir quem é o Pai Natal Secreto. São doze (capítulos, não Pais Natais) e eu pretendo postar um cada dia. Lisa: Ah, diz lá se não é verdade que ela fica fofíssima sendo chocolatra! Tem tudo a ver!