O SÉTIMO DIA DE NATAL

N/A: Gillyweed é aquela planta que o Dobby deu pró Harry na segunda prova do torneio dos Três Feiticeiros, para ele poder respirar debaixo de água.

- Acabado! – Ginny exclamou, tirando a neve do seu manto. Examinou o boneco de neve aparentemente normal que estava à sua frente. Era igual aos bonecos de neve tradicionais dos muggles. Nariz de cenoura, chapéu alto e preto e tudo isso. Ela tinha acrescentado um dos seus velhos cachecóis dos Gryffindor, para ficar bem.

- Agora a parte divertida – Ginny disse para si mesma, as bochechas a corar tanto de frio como de prazer.

Ela tirou a varinha e começou a murmurar encantamentos. Nada parecia acontecer… pelo menos até ter levado com uma bola de neve na cara.

- Funciona! – ela gritou alegremente, sorrindo para a sua criação, a neve que caía do seu cabelo a passar despercebida. Quando o boneco de neve tentou acertá-la com outra bola, Ginny fugiu, indo para o lago. A bola de neve acertou o chão perto dos seus pés, e o seu boneco estava a ameaçá-la abanando o pulso.

Ginny riu, agradecendo a si mesma por não lhe ter dado pernas. Agora, sempre que alguém se aproximasse demais, eles seriam atacados por um tipo de boneco de neve vivo. "Fred e George ficariam orgulhosos" ela pensou contente, olhando para o lago congelado.

Ginny sentou-se com brusquidão na neve, olhando para o lago com satisfação. Ela não se importava que a neve estivesse a molhar o seu manto gasto, na verdade até era refrescante. Sem nada para a distrair, os pensamentos voltaram para o seu misterioso oferecedor de prendas. Ela gemeu com o peso da súbita onda de emoções que a atingiu como uma bludger no estômago. Nunca ninguém lhe tinha feito algo tão… ela nem consegui achar as palavras certas para o descrever.

Simpático… romântico… atencioso… essas palavras normalmente usadas simplesmente não serviam. Afinal, nunca ninguém lhe tinha prestado tanta atenção, ou tendo passado por tanto trabalho só para a agradar. Ela era sempre ignorada. Ela nunca tinha recebido uma rosa no dia de São Valentim, ou um beijo debaixo do azevinho no Natal. Este tipo de coisas era suposto acontecer a pessoas bonitas como Cho Chang ou Parvati Patil.

O facto de que finalmente estava a acontecer a ela enchia os buracos do seu coração com sentimentos muito necessários. Ela sentia-se a flutuar, algo que ela nunca pensou que pudesse sentir.

Foi aí que ela olhou para cima e reparou que uma parte do lago já não estava congelada.

- O que… - ela começou a gritar, tendo a certeza de que aquele buraco no gelo não estava lá antes. Mas antes de poder acabar o seu pensamento, a cabeça de uma sereia emergiu da água, olhando para ela com os seus profundos olhos amarelos.

É claro que não valia a pena fazer perguntas, sabendo muito bem que ela não a compreenderia fora da água. Em vez disso, ela ficou a olhar com um misto de admiração e medo. Desde o seu terceiro ano que Ginny era fascinada por essas criaturas. Ela tinha ficado extremamente invejosa quando os campeões do Torneio dos Três Feiticeiros puderam nadar no lago e ir ver as suas casas. Enquanto assistia à prova ela só queria mergulhar e juntar-se a eles.

O seu pasmo parou com um grito alto da Sereia. Ginny olhou para ela com dúvidas, perguntando-se o que é que ela podia estar a fazer na superfície. Ela moveu a cabeça, como se estivesse a pedir a Ginny para se aproximar. Ginny hesitou, não sabia o quão grosso o gelo que cobria o lago era, e se aguentava o seu peso (visto que o buraco de gelo da sereia estava quase a meio do lago). Foi aí que ela viu uma coisa verde.

"A sereia está a segurar um dos meus presentes!" Ela pensou espantada, e completamente confusa ao mesmo tempo.

Sem pensar mais na segurança, Ginny começou a andar, ou melhor, deslizar, sobre a porção congelada do lago. Quando chegou até a sereia, ela (pelo menos Ginny pensava que era uma ela, pois usava um soutien de pedra) segurava o envelope verde familiar.

No sétimo dia de Natal

O teu verdadeiro amor deu-te,

Um mergulho com sete sereias

Ginny engasgou-se com aquelas palavras. "Ele realmente acha que vou saltar para o lago com um bando de criaturas mágicas?" Ela pensou espantada, a inquietação a invadir o seu corpo. Ela não reparou que a sereia também segurava um pacote embrulhado com pacote verde até ele estar bem em frente da sua cara.

"Oh!" Ginny exclamou com surpresa, segurando a embalagem e apesar das suas preocupações, desembrulhando-o com ansiedade nos seus olhos.

A sereia sorriu, ela gostava desta menina. Não era costume para a sua espécie associar-se a humanos, muito menos conceder-lhes favores. Mas, ela tinha visto esta menina muitas vezes, sentada perto do lago, a ler, suspirando. Às vezes ela até chorava. O sue coração teve pena da bruxa ruiva e solitária, e quando o garoto lhe informou dos seu plano ela não podia recusar. Ela sabia o quão feliz faria aquela pequena humana que ela gostava tanto de olhar à distância. Ariala (era assim que se chamava) sorriu divertida com o olhar enojada de Ginny quando abriu o pacote. A Gillyweed não era muito atractiva para os humanos, Ariala lembrou-se.

"Que nojo!" A mente de Ginny gritou quando viu (e cheirou) a planta viscosa parecida com papa que estava no fundo da caixa. Ela teria deitado a caixa inteira par ao lago se não tivesse visto um pergaminho do lado.

Por favor não te precipites e deites fora esta planta. Apesar de ter um aspecto repugnante e, não vou mentir, ter um sabor igual, é importante que fiques com ela para o presente de hoje.

O coração de Ginny começou a bater forte, o seu Pai Natal Secreto nunca lhe tinha escrito nada excepto aquilo que vinha dentro do envelope. Esta nota extra fê-la tremer de prazer.

Isto é Gillyweed e faz com que possas nadar debaixo de água durante uma hora. A Ariala vai tomar conta de ti enquanto estiveres no lago, por isso não temas as criaturas que dizem que nadam nas profundidades.

Por favor não tenhas medo, eu nunca deixaria que algo acontecesse.

De novo, não havia assinatura. Ginny estava à espera de uma, mas ficou desapontada. Estes sentimentos foram afastados quando o medo voltou. Ela olhou para a sereia à sua frente, assumindo que ela fosse a Ariala, mas a sua presença apenas a confortou um bocadinho. Ela queria desesperadamente comer o Gillyweed e mergulhar nas profundezas do frio e misterioso lago. A outra metade dela queria acalmar as suas pernas que tremiam e sair rapidamente de lá, antes que morresse ou fosse comida pela Lula Gigante.

Ginny voltou a ler a última parte da carta, e contra a sua parte sensata, ela foi reconfortada pelas palavras.

Eu nunca deixaria que algo acontecesse. Algo dentro dela agitou-se, e ela sentiu o calor a invadir o seu corpo.

A seguir só percebeu que estava a colocar a horrível substância dentro da sua boca e a mastigá-la com determinação.

Ginny levou as mãos à garganta, e gemeu quando sentiu guelras. "Oh meu…" ela apensou preocupada. Foi aí que reparou que as mãos que tinha levado à garganta tinham agora membranas. Ginny tirou o seu manto e sapatos e fez a única coisa que parecia certo naquela altura.

Atirou-se de cabeça para as profundezas escuras do lago.

Ariala seguiu-a, sorrindo contente. Por alguns momentos ela ficou preocupada de que a humana não aceitaria a oferta e voltasse para o castelo.

Ginny estava à espera de um choque de água fria a atingisse, mas o choque da água estar confortável era quase tão espantoso. Ela segurou a respiração, tendo a certeza de que se ia afogar, mas para sua surpresa a água circulou suavemente pelas suas guelras. Ela abriu os olhos, e ficou chocada de ver o quão claro tudo estava. Ariala estava a segui-la, e Ginny ficou contente por isso.

Ela estreitou os olhos com medo quando viu algumas figuras escuras a aproximarem-se. Ela soltou um grito com bolhas de alívio quando viu que eram outras seis sereias. Elas cumprimentaram-na calorosamente, e Ginny lembrou-se que podia compreendê-las debaixo de água.

- Olá – ela tentou dizer, mas descobriu que ela não conseguia falar debaixo de água. Ela fez um barulho gorgolejante de alguém a ser estrangulado. Elas sorrira-lhe compreensivamente, antes de lhe pedirem para as seguir.

As sete sereias, todas com pele azul acinzentada, guiaram Ginny pelas profundezas e passagens do lago. Elas mostraram-lhe a sua aldeia, e os seus grindylows de estimação. Elas mostraram-lhe os lindos cenários que se podiam ver se se fosse aos lugares certos.

Ginny estava num estado de felicidade e espanto. O fim da hora veio demasiado rápido para o seu gosto, e as sete sereias trouxeram-na de volta para a superfície. Elas deram-lhe um medalhão antes de sair da água.

- Recordar-te-à do tempo que passaste aqui – Ariala explicou. – Ouve-o debaixo de água, e ouvirás as nossas canções.

Ginny sorriu muito contento, olhando espantada para o medalhão. Ela tentou dizer-lhes "muito obrigada", mas só saíram bolhas. No entanto, elas pareceram perceber e sorriram-lhe.

- Não precisas de nos agradecer, pequena, pois isto não foi feito por nós – Ariala disse misteriosamente, e Ginny soube imediatamente do que é que ela estava a falar. Antes de poder fazer mais perguntas, ela sentiu as suas guelras a contraírem-se, e os seus pulmões a encherem-se de água. Ariala empurrou-a para cima rapidamente para que pudesse respirar oxigénio na superfície. Quando Ginny olhou para baixo, as sereias tinham desaparecido.

Ela saiu da água, apertando o sue medalhão, as suas roupas coladas ao corpo. O ar frio atingiu-a como milhares de pequenas facas e ela rapidamente tirou a varinha e murmurou um feitiço para se secar. Ginny suspirou de alívio, e calçou os sapatos e vestiu o manto, que estavam no mesmo sítio onde os tinha deixado no gelo no meio do lago. Ela andou lentamente em direcção do castelo. A sua mente em agitação com o maravilhoso presente que tinha recebido.

Ela deu um grande sorriso quando as palavras da carta surgiram na sua mente, eu nunca deixaria que algo acontecesse. Era uma frase simples, mas tinha o efeito de lhe trazer outra vez lágrimas aos olhos. "Tenho sido um conjunto de emoções andante ultimamente" Ginny pensou contente, voltando para a Sala Comunal dos Gryffindor, tentando decifrar outra vez o mistério de toda a situação.

Apesar de Ginny não saber, o seu "Pai Natal Secreto" tinha-a observado a entrar no lago, e esperava agitado e nervoso a sua volta. Ele deixou escapar um suspiro de alicio quando viu a sua expressão radiante.

- Belíssima – ele murmurou para si mesmo, querendo desesperadamente sair de trás das árvores e aquecê-la mantendo o seu corpo contra o dele.

Só quando ela entrou no castelo é que ele saiu do seu esconderijo e começou a dirigir-se para o calor do castelo. Ele estava tão distraído que só reparou demasiado tarde que uma bola de neve vinha na direcção da sua cara.

- Porra! – Ele praguejou quando a neve colidiu contra a sua parcialmente congelada face. Limpando a neve da sua cara a cabelo ele pôde ver um boneco de neve a inclinar-se para fazer outra bola.

Olhando admirada para o boneco de neve vivo com o cachecol dos Gryffindor, ele escapou por pouco do ataque seguinte. A bola de neve voou por cima da sua cabeça, e ele desatou a correr para o castelo, agradecendo aos deuses por aquela coisa não ter sido encantada com pernas.