N/A: O Crookshanks é o gato da Hermione, o Bichento.
O NONO DIA DE NATAL
Quando se lembrava do dia anterior Ginny tinha vontade de bater em si própria. O seu Pai Natal Secreto tinha estado literalmente mesmo à sua frente, e ela não tinha feito nada para descobrir quem era. Se ela ao menos o tivesse agarrado antes de ele sair…
Oh, quem é que ela estava a tentar enganar?
Ela tinha ficado tão imobilizada com aquele beijo fantástico que não teria visto quem é que era mesmo se as luzes estivessem acesas.
Enquanto os seus pensamentos iam inevitavelmente de volta para o beijo, Ginny sentiu-se corar e os seus lábios a curvarem-se num sorriso. Não que ela tivesse alguém com quem comparar, mas ela tinha a certeza que quem quer que lhe estivesse a dar aqueles incríveis presentes dava também óptimos beijos.
"Se eu ao menos soubesse quem ele é para que o pudéssemos voltar a fazer…" Ginny pensou, mas corou ainda mais quando percebeu no que estava a pensar. A sua mãe com certeza teria um ataque se ela alguma vez descobrisse que a sua mais nova e única filha estava a fantasiar sobre beijar um garoto que nunca tinha conhecido em salas de aulas escuras.
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Enquanto Ginny praticamente flutuava pelos corredores de Hogwarts (sem dúvida esperando ter outra visita numa sala de aulas escura), o seu Pai Natal Secreto ainda estava furioso consigo mesmo por ter perdido o controlo.
"Idiota" ele pensava constantemente, "tantas coisas podiam ter acabado mal, ela podia ter-te visto…" Mas por mais vezes que ele dissesse a si mesmo que tinha sido um engano, ele não podia evitar de lembrar-se de como ela não lhe tinha resistido, de como ela tinha respondido como se estivesse a gostar…
"Bom, isso de certeza é um bom sinal" Ele tentou se confortar pela centésima vez. E não podia esquecer do que tinha acontecido com o ovo.
O ovo dourado que lhe tinha dado era suposto reflectir os seus sentimentos naquele momento, e o calor que tinha libertado disse-lhe que ela estava definitivamente atraída por ele. Ou então estava a adorar-se imensamente. Se ela estivesse assustada ou zangada ficaria frio, mas só reagia assim tão intensivamente quando as suas emoções estivessem mais altas do que o costume.
"Eu fiz isso…" ele pensou sem acreditar.
"Bom, agora ao menos há esperança para mim."
Com mais confiança, o garoto saiu para ir preparar a surpresa de hoje de Ginny, a memória dos seus lábios suaves e moles ainda a vaguear na sua mente.
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Kringle encontrou a sua dona perto dos corredores de Feitiços, e bateu na janela enquanto ela passava. Vendo o envelope verde que a sua coruja ia entregar, Ginny rapidamente deixou Kringle entrar para fugir do frio.
O pergaminho era um pouco mais longo do que o habitual (o que foi imediatamente notado, devido à enorme observação de cada nota), fazendo com que a batida do seu coração aumentasse.
No nono dia de Natal,
O teu verdadeiro amor deu-te,
Nove pliperns a tocar.
Vai até à borda da floresta ao meio-dia para receberes o teu nono presente.
Não te atrases, um plipern nunca aguarda.
Usa os teus amuletos e nada na floresta será perigoso para ti.
Ginny olhou para o seu relógio, 11:45, o que lhe dava tempo suficiente para ir para a floresta. Dizendo para si mesma que era louca, Ginny andou pelos corredores num passo abrupto. Ela já estava, claro, a usar os seus lindos amuletos. Enrolando o colar enquanto andava, Ginny pensou em que tipo de poder os amuletos teriam se eles a protegeriam na floresta.
Essa era outra pergunta que ela teria de fazer numa altura diferente.
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Enquanto saía do castelo, Ginny voltou a ler a nota, parando na parte sobre os pliperns.
"Eu já ouvi falar de pliperns antes…"
E já tinha mesmo, ela percebeu quando chegava à borda da floresta. Pois à espera dela estava, parecendo impaciente, uma criatura muito pequena com um chapéu azul pontiagudo.
Parecia-se com a versão muggle de um gnomo de jardim (só que em vez da cana de pesca tinha uma flauta de madeira). Ele fez um gesto com uma das suas mãos, dizendo claramente para o seguir antes de desaparecer nas arvores. Ela tinha aprendido sobre eles no terceiro ano nas aulas de Cuidados com as Criaturas Mágicas enquanto a Professora Grubby-Plank estava a fazer substituição.
Ginny mordeu o lábio, indecisa, antes de entrar na floresta atrás dela.
"O meu Pai Natal Secreto nunca me mentiu", Ginny pensou com razão, "por isso porque é que não devia acreditar quando ele me diz que é seguro?"
Ginny ignorou as respostas que invadiram rapidamente a sua mente, tipo:
Nunca o conheceste (ou pelo menos não sabes quem é).
Pode ser o Voldemort a iludir-te para caíres numa armadilha (mas, a sério, Voldemort nunca beijaria assim tão bem, pois não?)
Pela altura em que a mente de Ginny parou de andar à volta, ela encontrou-se numa clareira não muito longe dos campos de Hogwarts (ou pelo menos ela assim o esperava) rodeada por nove daqueles pequenos homens e mulheres. Um deles puxou-a para o centro do círculo que estavam a fazer; Ginny sentou-se obediente e olhou, demasiado nervosa para tentar fazer outra coisa.
Cada um deles tinha uma flauta de madeira, que seguravam prontos para tocar. Depois de terem formado um círculo perfeito, uma música belíssima começou a invadir o ar da clareira. Um Plipern começou, os seus companheiros seguiram-no logo depois. Eles estavam numa harmonia que parecia um sonho de um compositor.
Ginny nunca tinha ouvido música que lhe levasse a respiração, e agora ela percebia o significado da expressão. Tinha um sentimento mágico, e fazia com que ela sentisse que tudo era perfeito, mais ou menos como a canção da Fénix faria.
Quando todos os Pliperbs começaram a tocar, os olhos de Ginny esbugalharam-se quando eles começaram a mover-se. Eles aumentaram a velocidade gradualmente com a música, e depressa estavam a saltar e a dar voltas, a dançar. Ginny ria-se e batia palmas ao ritmo da música, até que percebeu que não era a única a assistir ao fantástico espectáculo.
Ao pé das árvores ela podia ver centenas de pássaros a espreitar, todo o tipo de animais normais que podem ser encontrados numa floresta com algumas criaturas mágicas. Havia um grupo de centauros a assistir orgulhosa e quietamente. Ginny admirou o brilho dourado de um unicórnio bebé. Sentado debaixo de uma árvore a deitar olhares estava Crookshanks, o gato de Hermione. Ginny também pôde ver mais alguns Pliperns a observarem os seus amigos ou família a actuarem.
A sua atenção para a multidão foi curta, pois não podia manter a sua cabeça afastada da música e da dança à sua volta.
Quando a canção finalmente acabou, a alegria que tinha trazido ainda se mantinha, e Ginny não conseguia tirar o sorriso bobo da sua face. O resto da multidão dispersou-se, e o Pliperns que a tinha trazido à clareira aproximou-se. Ele fez-lhe um gesto para ela o seguir e, relutante, Ginny foi conduzida para fora da floresta.
Quando conseguiu voltar a ver os campos de Hogwarts, o pequeno homem segurava um pacote verde que Ginny segurou com as mãos a tremer. Quando se virou para agradecer, ele parecia ter desaparecido.
- Ah sim, os Pliperns são bons a esconder-se e evitar pessoas quando não querem ser descobertos – Ginny lembrou-se da sua aula de Cuidados com as Criaturas Mágicas. Ela também se lembrou que eles tocavam músicas extraordinárias quando celebravam alguma coisa. "Devia ser o dia de anos de algum deles."
Agora que o seu guia tinha ido embora, Ginny decidiu que era melhor voltar para a segurança de Hogwarts não importando o facto de que estava perto, antes de abrir o próximo presente.
"Como se vê-los a tocar já não tivesse sido um bom presente!" ela pensou abanando a cabeça, maravilhada.
Quando chegou ao castelo, ela arrancou o papel do objecto com uma forma estranha, e deu um grande sorriso a ao ver o que era. Era uma flauta de madeira parecida com aquelas que os Pliperns usavam, mas um pouco maior para que ela pudesse tocar. Ginny sabia eu ela nunca conseguiria tocar algo parecido com aquilo que tinha acabado de ouvir (na verdade ela provavelmente seria horrível naquilo) mas era a prenda ideal para a assegurar de que tudo não passava de um sonho.
