Obrigada por todos os comentários de vocês! Leio todos e tô amando, já já respondo. Só tem mais 2 capítulos, portanto aproveitem pra panfletar, divulgar etc :) Pra comentar é só clicar "Review" lá embaixo. Obrigada a Lola Royal por ler e me incentivar! Leiam mais fics do projeto POSO no perfil aqui /ProjetoOneshotOculta
Capítulo 3: A praça
Se antes eu achava que Edward tinha uma relação complicada com alguém, agora estava convicta de que eles não moravam juntos, mas definitivamente estavam juntos. E esse alguém era a mãe de Melissa.
Eu via no jeito que ele era doce e gentil com Emily Young, como concordava com tudo que ela dizia. E como ficaram em seu mundinho conversando sobre os acontecimentos da noite, totalmente alheios a mim enquanto eu digitava as recomendações e a receita para a filha.
Foi um sentimento tão estranho, de queda, de vazio, que eu resolvi bloquear qualquer pensamento platônico sobre Edward a partir daquela hora. Só queria ver quanto tempo isso iria durar, mas uma mulher podia sonhar, né?
— Brigada por costurar minha testinha, tia Bella — Melissa me agradeceu com um abraço na porta do pronto-socorro. Eu dei risada. Quando fiz os pontos, ela disse que estava sendo remendada igual seu ursinho depois de ser lavado pela avó.
— De nada. — Eu me abaixei até a altura dela. — Ei, lembra que estou sempre pertinho de você, tá? Se precisar de qualquer coisa, pode bater na minha porta. Se eu estiver em casa, eu vou te ajudar, ok?
— Tá bom. — Eu fiz um carinho em sua cabeça com cuidado, beijando seu cabelo. Emily se aproximou, eu levantei, e Mel foi brincar com uma poça d'água da chuva de hoje.
— Doutora, eu nem sei como te agradecer. Obrigada pelo carinho com a minha Mel, ela ficou calma de um jeito que eu nunca achei que seria possível.
— De nada, imagina. — Sorri. — Acho que ter me conhecido antes ajudou, ela confiou em mim, foi um anjinho.
— Vocês são vizinhos, né? — ela perguntou. Eu olhei para Edward, e ele pareceu perceber que eu questionava se ele já tinha falado de mim pra Emily.
— Isso. Bella se mudou faz pouco tempo. Ela conheceu Mel na Toca.
— Papai! Não é mais Mel, é só Melissa, já falei — a menina exclamou ao voltar.
— O que houve? — Me virei para os pais.
— Ela agora quer trocar de apelido — Edward esclareceu. — Porque a menina que enche o saco dela na escola se chama Melanie, também é Mel…
— Ah, entendi. Olha, desculpa me intrometer, mas… Isso por acaso tem a ver com os episódios de terror noturno?
— Você acha possível? — Emily perguntou. — O pediatra dela falou que não era terror noturno.
— Eu sinto que é, pelo que vocês e ela contaram… Dependendo da gravidade da encheção de saco da menina, pode ter a ver, sim. Terror noturno infantil tem muitas causas no estresse pesado.
Os pais dela trocaram um olhar cúmplice, e não disseram mais do que "ok, vamos investigar melhor, obrigado". A família se foi, os três juntos no carro de Edward para a casa dele a pedido de Mel, e eu fiquei pra terminar meu plantão. Sozinha na porta do pequeno hospital, a chuva voltava a cair na madrugada fria. Por algum motivo, hoje pareceu ainda mais gelada, e o estacionamento ainda mais vazio.
Nos próximos três dias, não vi minha paciente mirim, apenas seu pai, sempre às 5 da manhã enquanto eu saía pra trabalhar. Edward ia pro carro carregando aquelas benditas malas pretas bem recheadas, como eu já tinha visto antes, mas dessa vez a curiosidade me corroía. Eu queria tanto perguntar o que ele estava fazendo e o que tinham nas malas, só faltava a coragem.
— Bom dia, tudo bem? — perguntei na escada. Foi nosso diálogo mais ou menos parecido nos três dias.
— Tudo indo. E você?
— Bem, bem… Quer ajuda aí? — Vai que eu conseguisse desvendar o mistério das malas carregando uma?
— Não, obrigado, tá leve.
— A Mel melhorou?
— Sim, graças a Deus.
— Ah, que bom.
E descemos o último andar em um silêncio pesado. Edward claramente não era uma pessoa matutina, assim como eu, mais uma coisa que tínhamos em comum. A diferença era que seu silêncio unido à sua cara tinha um quê de tristeza, de preocupação. Queria tanto ajudá-lo no que pudesse com a Melissa, mas como ainda não sabia por onde começar, resolvi ir pelo caminho que eu conhecia.
Brownies. Talvez pudesse ser um início. Fiz rapidinho uma bandeja quando voltei do trabalho, e deixei na porta dele porque não tinha ninguém em casa. Um docinho devia levantar o espírito, ao menos por uns momentos.
Nessa mesma quinta-feira, meu celular apitou na sala enquanto eu tomava banho. Fui correndo toda molhada ainda, Biruta atrás de mim. Era Edward. Credo, parecia que ele tinha adivinhado que eu estava pensando nele e nas malas pretas. Meu coração até pulou quando abri a mensagem e a imagem que veio. Trouxa.
[Edward]
Olha esse sarau que vai ter no sábado aqui na Toca…
Vai ser legal. Você vem?
Digo, quero que você venha.
Muito!
Eu ri um pouco, porque, sério, quem escrevia desse jeito? Só ele. Dava pra imaginar aquela figura esguia falando, enrubescendo e ajeitando os óculos, para a satisfação do meu prazer sórdido em ver outra pessoa com habilidades sociais piores do que as minhas.
O flyer que ele me mandou continha as informações: sarau de leitura de poesia, trechos de livros e músicas com tema "Amores perdidos". Isso era uma indireta pra mim, ou o quê?
[Bella]
Ah, adorei a ideia! Vou sim :)
E como quem não quer nada, ainda adicionei:
Melissa e Emily vão?
[Edward]
Só a Mel, ela ainda vai estar comigo. Emily não curte muito essas coisas, fora que vai estar trabalhando num casamento. Por quê?
[Bella]
Nada, só curiosidade.
Ok, na verdade estou com saudades da pequena… Vou gostar de vê-la!
[Edward]
Inclusive, obrigado pelos brownies, Mel amou. Ela tem perguntado por você, vai gostar de te ver também. :)
E fechei o celular sorrindo feito idiota, porque na minha cabeça delirante, Edward tinha compreendido minha mensagem subliminar e na verdade quando falou da filha, era ele quem queria muito me ver.
No dia do sarau, eu estava disposta a pegar a estrada para Forks e aparecer lá. Mas durante o dia inteiro senti meu coração acelerando, ansiosa, imaginando Edward lendo com aquela voz bonita, pensando quais obras ele escolheria pra ler, como eu poderia impressioná-lo dizendo que já conhecia o trecho, se ele estaria usando aquele suéter preto mais apertadinho que deixava seus bíceps mais apetitosos…
— Ok, vamos botar essa cabeça pra trabalhar, minha filha. Oficina do diabo hoje vai ficar fechada — falei sozinha quando me deitei no chão pra brincar com Biruta fazendo voz de neném. — Bibiu, você me ajuda? Hein, meu amor? Ajuda a sua mamãe a lavar o banheiro pra esquecer que tem um vizinho lindo e interessante que parecer ter sido feito sob medida pra ela?
Me sentei de repente.
Biruta continuou brincando sozinho com seu osso de pelúcia. Eu hein. Sarau que se danasse, eu ia era ficar em casa faxinando. Eu podia ser trouxa, otária, caloteira às vezes, perdedora sem amigos, mas burra? Jamais. Não me metia com homem compromissado nem que me pagassem.
No dia seguinte, o Biruta fez uma visita à tia Alice na clinica veterinária de Forks para seu check-up anual. Assim que saímos de casa, vi uma loira muito branca fechando a porta de Edward, cruzou comigo na escada com pressa, mas mal me olhou. Toda de preto, o cabelo curto preso num rabo, os olhos pintados de lápis preto. Estranhei. Ele não tinha me dito nada que tinha uma irmã. A não ser que não fosse uma irmã, mas também parei de pensar assim que a ideia veio.
— Ele tá ótimo, garotão forte — Alice disse, deixando o cão descer da mesa de examinação. Ele permaneceu perto dela, se amavam. Tanto que até deixei ela guiar a coleira dele quando demos uma voltinha pelo centro de Forks.
— Ele sente sua falta sabia? — falei enquanto Ali fechava a clínica com placa de "já volto", e entreguei o Biruta a ela. — Desde que me mudei pra Port Angeles, quando você vai lá em casa, Bibiu fica muito triste quando você vai embora.
— Aww, eu também sinto saudade desse monstrinho lindo da titia. Há boatos de que eu já fui te visitar só pra ver ele, mas não nego nem confirmo.
— Quê? Palhaçada! — eu ri.
— Tô brincando. Talvez. Mas de verdade, eu sinto saudades de você também como vizinha.
— Eu também. Agora você só anda com Jasper.
— Piranha também ama, fazer o quê? — ela disse com toda seriedade, me fazendo gargalhar. Nós trocamos um meio-abraço carinhoso, e travessamos uma calçada, indo em direção à praça principal. — Bella…
— Eu.
— Quando Jake for embora amanhã, você não pensa em voltar? Assim, depois de uns meses?
— Nem um pouco. Minha vida é muito mais tranquila lá. — E solitária também, mas não queria entrar nesse assunto, nem mencionei. — Além disso, eu tô amando ter o mar por perto.
— E ter Edward também, né?
Eu quase tropecei.
— O que tem ele?
— Como o que tem? Para de ser sonsa.
— Ué, ele é só um amigo. Aliás, um colega, estamos nos conhecendo ainda.
— Até parece que vai ser assim por muito tempo. Vou te falar só duas palavras: tensão sexual.
— Pois a tensão vai continuar tensionando. Ele tem namorada. Ou um caso, sei lá, é um tipo de romance com a mãe da filha dele.
— Tem certeza?
— Absoluta — disse de repente sem muita certeza, porque não tinha ouvido as palavras, mas algumas coisas não precisavam ser ditas.
— Bom, se tem mesmo namorada, não vai ter mais em breve… Ele tá doido por você, é nítido.
— Até parece. Ele é todo estranho comigo.
— Ai, Bella, olha, vou te contar, viu? Ficar 15 anos com o mesmo cara sem nem olhar pro lado te fez uma tapada. Você é praticamente virgem.
— Me deixa em paz, biscate! — eu ri, fingindo estar ofendida, mas internamente concordando com tudo. Vi a Toca do Gato do outro lado da rua, mas fingi que não estávamos passando, pra Alice não ter ideias.
Naquela hora, começamos a ouvir de longe: "...o compromisso e a renovação que o povo de Forks precisa!" vindo de um auto-falante ou coisa parecida, seguido por urros e aplausos. Olhamos procurando, mas só encontramos de onde vinha o som ao dobrar a esquina da praça.
— Ai, fala sério… — suspirei. Era o comício da candidatura de Sarah Black à prefeitura. No caso, minha ex-sogra. O problema maior eram as pessoas em volta na praça, Forks em peso, dentre elas metade do Clube de Leitura, incluindo Jacob. Meu peito acelerou de ansiedade, óbvio.
— Quer voltar? — Ali indagou, paramos uns metros observando o circo armado. Eu odiava políticos.
— Não. Tudo bem. Vamos continuar, damos a volta na pracinha e depois voltamos pra clínica.
— Por favor, deixa o Biruta mijar num santinho da Sarah Black.
— Você é o demônio, garota.
Eu gargalhei, mas coitada, eu gostava de Sarah, e ela gostava de mim. Eu acho. Ao menos gostava muito até eu fazê-la pagar metade de uma festa de um casamento que durou apenas uma semana e meia. A separação levou até a família dele de mim, a que eu tinha como minha também em partes, tantos anos convivendo com eles. Era tão estranho. Às vezes tudo parecia um grande pesadelo que eu ia acordar a qualquer momento.
Alice e eu andamos lado a lado, cabeça baixa, longe da multidão tentando não chamar atenção, mas não teve jeito. Assim que Jake me viu lá do palanque, seus olhos fixaram em mim, e algumas cabeças viraram pra ver quem interessava tanto o futuro primeiro-filho da cidade. Não tinha mais chuva, as árvores frescas cheiravam bem, mas o vento soprando ao nosso favor trazia os cochichos não tão discretos enquanto andávamos.
"Olha, é a que chifrou ele."
"...tá gordinha, será que tá grávida?"
"Essa Alice é uma putinha, não espanta que a Swan tenha virado o que virou…"
— Ah não, quem foi? — Ali se aprumou, pronta pra guerra como eu, mas eu a segurei, como se me segurasse junto.
— Shh. Não dá bandeira, não chama atenção, é pior. Quietinha. — Felizmente, já chegávamos no ponto de onde partimos. Alice ficou quieta o tempo todo como eu, bufando de raiva. Até Biruta parar numa árvore pra mijar, bem longe de qualquer santinho. Ela enfim abriu a boca:
— Sabe de uma coisa, Bella? Você podia ir se despedir dele.
— De Jake? Tá doida?
— É. Acho que seria bom ver que ele vai partir, que não existe mais na sua vida. Pra dar um fim nisso tudo.
— Você tá falando como se ele tivesse morrido, ele só vai se mudar pra quatro horas de distância.
— Amiga, vai lá. Aproveita. Foi o destino que trouxe a gente até aqui. É pra você se despedir.
Era impressionante, seu poder de convencimento nunca falhava, e não seria dessa vez. Deus, por que me fizestes tão otária? Nós fomos andando por trás do palanque no gazebo da pracinha, meio escondidas. Chegando lá, eu chamei Jake duas vezes, mas Alice teve a brilhante ideia de tacar uma bolinha de papel que achou no lixo. Errou.
— Tá doida?! — Exclamei, levando um susto pelo perigo.
— Quê? Era pra acertar nele, ué.
— Se acerta na Sarah, ela ia fazer uma tomografia e chamar a polícia, você sabe como ela é dramática. Aí sim, a gente tava ferrada. Ai, quer saber, chega, vou embora—
— Bella?
Maldição. Maldito timing, maldito Jacob, maldito sorriso bonito de mil watts. Ele parou à minha frente, vindo correndo de lá de cima, ofegante. Era um gigante acima de mim. Maior do que Edward, e eu nem sei porque pensei nele agora, mas na verdade era tudo que eu conseguia pensar enquanto olhava meu ex-marido-por-10-dias.
— Bella? — ele chamou de novo.
— Oi? Desculpa, tava tentando lembrar se deixei a janela aberta lá em casa.
— Como você tá? — seus olhos brilhavam ao me ver. Forcei um sorriso. O canto da boca tremia.
— Bem… E você?
— Levando, sabe como é.
— Sei, sei.
— Bom… então… eu só queria dar um oi. Na verdade, um tchau. Que bom que você tá bem.
— É, tô. — Eu e ele suspiramos ao mesmo tempo, quase sincronizado como antigamente.
A tristeza me veio na mesma hora. Eu não sentia falta das briguinhas, nem do seu descaso com nossos compromissos, muito menos da toalha jogada no chão e da pressão pra ter filhos logo. Mas do meu amigo, sim, eu sentia tanta falta dele. Jake sabia muito da minha vida, sabia quase tudo. Viver sem ele era trazia um vazio que nunca experimentei antes.
— Posso te dar um abraço? — Foi ele que pediu, e eu consenti. Ao contrário do que esperei, não senti nada demais quando seus braços me envolveram, apenas seu calor e nostalgia pelo perfume que eu não sentia mais na minha cama. Estava me sentindo confiante com essa despedida, até ele resolver falar no meu ouvido. — Me desculpa, tá? Eu não queria que fosse assim, mas… Um dia você vai entender.
— Ahm? — Eu me afastei do abraço e o olhei. Ele pareceu se arrepender.
— Nada. Nada, bobagem minha, esquece.
— Como assim, por que você tá pedindo desculpas?
— Só queria me desculpar por tudo que rolou na lua de mel, até antes. Acho que agora consigo enxergar melhor meus erros. Você tinha razão em muitas coisas.
Observando-o por mentiras, eu me forcei a falar apesar do nervosismo.
— Jake, você… Você tem certeza que não foi você quem espalhou esses boatos todos sobre mim?
— Quê? Não, não fui eu. Eu já te falei. Nunca faria isso com você. Inclusive, toda hora que ouço alguma coisa, eu te defendo.
Encarei seus olhos mais uma vez, estavam sérios. Resolvi acreditar, porque o que estava feito estava feito, e de qualquer forma, eu e ele já estávamos acabados mesmo. Ele pediu pra ver o Biruta, se despedir, eu deixei. Alice, que segurava o cão embaixo da árvore, só deu um oi frio a Jake.
Meu cachorro que um dia foi dele também fez a maior festa, eu achei que o bichinho ia infartar. Eles ficaram um tempo juntos no chão, Jake beijando Biruta e Biruta lambendo Jake, até ele se levantar limpando a calça.
— Obrigado por me deixar ver o Biu. Vou sentir saudades do garoto.
— Acho que ele também vai sentir saudades de você.
— É. Bom, eu já vou indo então, senão minha mãe sente minha falta, aí já viu.
— Ok. Então… Boa viagem. Boa vida nova.
— Valeu. Pra você também. — Ele me olhou só por uns instantes a mais, me deu um último abraço, e voltou numa corridinha pro lugar de onde veio.
Eu deixei um suspiro pesado sair, meus ombros e pescoço super tensos. Lauren, Maria, Angela e Mike me olhavam de longe com cara de cu, e meu impulso foi de mostrar o dedo pra eles, mas me controlei porque eu tinha 30 e não 15 anos. Tanya e Leah, por outro lado, estavam juntas mais longe deles e me deram um tchauzinho cortês.
Assim que me virei pra chamar Alice de volta, dei de cara com meu vizinho junto dela na árvore. Levei um susto tão grande, jurei que quem ia infartar agora seria eu.
— Edward? Oi! Nem te vi aí. Caramba.
— Ele viu a gente passando e veio dizer oi — explicou Alice com um riso preso querendo sair.
— Tudo bem? — ele perguntou, o sorriso dele meio murcho de boca fechada não atingia seus olhos, porque ele sempre era tão simpático comigo quando não eram 5 da manhã.
— Tudo. — Eu fiz que sim com a cabeça, ainda zonza do susto.
— Tia Bellaaaa! — Melissa veio correndo da direção do parquinho, e eu me senti tão honrada que ela largou os brinquedos por mim, me ajoelhei no chão pra dar um abraço bem apertado nela.
— Tudo bem, Melzinha? Como tá o dodói? — Beijei sua testa, examinando de leve por vermelhidão na área.
— Nem tá doendo mais, meu pai botou esse band-aid mágico da Elsa. — Era um da Frozen todo roxo, obviamente.
— Edward, amanhã passa lá no posto pra eu dar uma olhada nos pontos dela, talvez já possa tirar.
— Passaremos. Mas antes, a Mel tem um convite pra te fazer. — Agora ele sorriu por completo. — Fala pra ela, amoreco.
— Vem tomar chá com a gente agora, tia, eu fiz um super muffin de mirtilos, tá gostosão.
— Agora? — eu me levantei. — A gente tá com o Biruta…
— Eu posso levar ele pra clínica e ele fica brincando no cercadinho, preciso voltar mesmo. — Alice ofereceu prontamente. Eu olhei meu filho na coleira, sentado só observando com a língua de fora, e quase não reconheci de tão quietinho. Devia ser pelos carinhos que Edward fazia sem parar em sua orelha, o que me fez pensar em outras coisas, porém era melhor nem dizer quais.
Depois do convencimento de não apenas dois pares de olhos pidões, mas agora três, eu aquiesci e fomos andando pela rua principal. Há tempos eu não me sentia cercada de tanta gente, até estranhei.
— Ele é tão fofinho! — Melissa exclamou. Levava Biruta na coleira depois de insistir muito. Eu fiquei atenta, travada ao seu lado e a postos pra qualquer coisa.
Tive medo de que desse uma das maluquices dele e Biruta saísse correndo pela rua derrubando criança e tudo junto, mas felizmente chegamos ilesos à livraria de tijolinhos vermelhos. Mel se abaixou pra beijar e brincar com ele antes de Alice levá-lo embora, o cão amou a atenção toda, como sempre. Saidinho demais.
— Tá uma delícia seu muffin, viu? — Elogiei Melissa quando já estávamos sentados os três no Café da Toca.
— Brigada — ela mastigava, bebia seu chá gelado e falava, tudo junto.
— Ela fez quase tudo sozinha, eu só ajudei em algumas partes — a Lola do café informou. — É uma cozinheirinha de mão cheia.
— Jura?
— Uhum. — Mel só murmurou, as bochechas gingantes de muffin dentro.
— Então qualquer dia eu te chamo pra gente fazer juntas o meu brownie. Você quer?
— Querooo!
Hoje tinham clientes nas outras três mesas, até emocionei um pouco. Era tão legal ver a Toca reaberta, o negócio de Edward funcionando tão bem. Mesmo assim, ele olhava pras nossas interações em silêncio, comedido fora do comum. Quando Mel terminou o lanche e foi brincar com outras crianças no cantinho infantil do Café, enfim comentei:
— Você tá tão quieto hoje.
— Eu sou quieto sempre.
— Sim, mas achei mais do que nunca. Você tá bem mesmo?
Ele ajeitou os óculos, não me olhava muito. Limpou a boca.
— Hm. Tô indo… Tive que resolver uns problemas mais cedo, me estressou um pouco. Levo um tempo pra voltar ao normal.
— Eu posso ajudar? — ofereci no impulso.
— Não, infelizmente não tem muito o que fazer.
Nós então continuamos tomando nosso chá sem fazer contato visual, sem falar nada. Mas eu sentia que Edward tinha muito na cabeça, assim como eu. Comecei a pensar nas coisas que Jake tinha me falado, me indaguei se o pessoal tinha notado nossa troca no final do encontro na praça, meu coração bateu mais rápido só de pensar que eu pude ter sido imprudente e dado ainda mais lenha pra fogueira onde estavam me jogando.
— Aquele que você abraçou era seu ex-marido? — perguntou Edward, do nada. Eu limpei a garganta um pouco assombrada por ele parecer ter lido meus pensamentos, e abaixei a xícara.
— Era. Jacob Black. Você já conhecia?
— Não, mas tenho sido bombardeado pela campanha da mãe dele, eles são bem parecidos. Toda hora alguém vem deixar santinhos aqui.
— Sarah já vai vencer com certeza. O outro candidato é o Royce King, ex-prefeito que foi já foi até preso desviando dinheiro de creches. Pode jogar fora os santinhos.
— É o que tenho feito… Vocês fizeram as pazes? Digo, reataram o relacionamento ou algo assim?
— Não. Por quê? — perguntei muito atenta à sua resposta, mas ele só olhou pra longe de novo de queixo erguido e sobrancelhas meio unidas. Tão lindo, meu Deus, como era possível?
— Nada. Curiosidade.
— Eu só fui me despedir dele, vai embora hoje à noite.
— Sério?
— Aham.
— E ele fica quanto tempo fora mesmo?
— Uns quatro anos em Seattle, talvez mais.
— Hm… Bom saber. — Ele suspirou. Depois de mais um bocado de tempo calado, Edward suspirou de novo, dessa vez bem mais forte, como se fosse pra encorajar. — Isabella. Posso te fazer uma pergunta muito pessoal?
Sorri um pouco.
— Pode, só não sei se vou responder.
— Você ainda ama ele?
— Não — respondi sem nem pensar. Me arrependi. — Quer dizer, eu gosto muito dele por tudo que a gente passou, e tenho muito carinho como um grande amigo, mas não tenho mais amor como homem, amor romântico, e tal.
— Entendi…
Se ele não estivesse com Emily, eu poderia até achar que aquela mudança de postura, o peito inflado que surgiu de repente era uma clara demonstração de possessividade depois de um ciúme bobo por eu ter falado com meu ex. Mas nada disso fazia sentido, então descartei.
Devia ser apenas sua forma de proteção (um tanto machista, sim, mas nem ele estava imune). Edward tinha se mostrado preocupado comigo em relação ao meu término desde a primeira vez que contei tudo na minha varanda naquela madrugada péssima do meu aniversário.
Depois dessa nossa conversa estranha, foi como mágica. O papo fluiu mais naturalmente como eu estava acostumada, e eu vi a tarde caindo em conjunto com a temperatura. Nós conversamos sobre o sarau, ele me contou como foi, e eu inventei que não tinha ido por ter sentido dor de cabeça.
De todas as desculpas que eu poderia dar, inclusive usando meu trabalho, escolhi a pior de todas, e ele pareceu perceber. Mas eu mudei de assunto logo depois.
— Mike já veio pegar a lista das inscrições da Feira? — perguntei, quando me preparava pra ir embora. Alice esperava com Biruta do lado de fora.
— Ainda não, deve vir daqui a pouco.
— Deixa eu ver?
— Pra quê? Você já se inscreveu.
— Só curiosidade, pra ver quem já se inscreveu também.
— Bella…
— Deixa eu ver, por favor. Pufavôzinho. — Fiz uma carinha fofa imitando a filha, e foi o que o fez rir de verdade pela primeira vez comigo hoje. Meio a contragosto, ele me deu a prancheta com as inscrições. E eu entendi sua relutância quando li o meu nome. Senti a dor na boca do estômago.
— O pessoal deve ter esquecido de checar a terceria página — ele mentiu numa voz baixa, devia estar reparando na minha cara. Senti o choro vir na hora, segurei. Apenas Alice tinha colocado seu nome pra me ajudar, concretizando meus medos. E mesmo que eu pedisse a lista online no Facebook, tinha certeza que estaria igualmente vazia.
— Ninguém mais…? Poxa.
— Ninguém. Sinto muito.
— Tudo bem — menti. — Eu já esperava.
— Olha. Calma. — Ele pegou uma caneta, escrevendo rapidamente Edward Cullen e Melissa Cullen embaixo. Me fez sorrir um pouco, mas o nó na garganta estava tão forte, que eu só queria sair correndo pro banheiro. Funguei.
— Obrigada. Mas não precisa me ajudar por pena. Eu sei que você vai estar super atarefado com o stand da livraria na Feira.
— A gente vai te ajudar. Fica tranquila. Eu vou arrumar mais gente.
Foi com essa promessa que saí da Toca, e voltei a Port Angeles chorando o caminho inteiro. Era como um ataque pessoal. Como uma confirmação de que meus amigos agora eram mesmo meus ex-amigos, e mais uma parte de mim estava indo embora.
Parece que naquela noite ninguém conseguiria dormir, muito menos eu. Acordei como não acordava há dias, com minha pequena vizinha berrando em seu sono. Era de partir o coração. Eu tinha o impulso de ir acolher, mas sabia que ela estava bem amparada por seu pai. Quando retornei pra cama, meus pensamentos voaram pra tudo que tinha acontecido hoje, e acabei indo pra sacada olhar o mar na madrugada tentando me livrar deles.
Naquela hora, o oceano parecia só meu. As ondas batendo longe me acalmavam, as montanhas me faziam viajar pensando como havia tanta vida ali, minúscula ou grande, mas eu não podia ver nenhuma, tocar em nenhuma. Fui de serena a depressiva em um instante. De repente, uma solidão bateu como nunca tinha sentido, e eu chorei pela minha vida que parecia estar prestes a desmoronar na minha frente.
— Que droga. Que merda, merda. — Sentei na minha cadeira, limpando as lágrimas enquanto chorava forte odiando o quanto eu estava sendo dramática ultimamente, e nem de TPM eu estava. Por um tempo fiquei ali pegando o sereno perigoso. Até que, de canto de olho, vi uma sombra se movendo na sacada do vizinho, e levantei, sentindo que era ele, me debrucei. — Edward? É você? Volta.
Ele ouviu, voltou a entrar no espaço, hesitante.
— Oi. Desculpa, não queria te incomodar.
— Não, fica. Por favor. Tô precisando muito de alguém.
Então ele sentou, e eu levei minha cadeira mais pro lado direito, chegando bem perto da mureta que nos separava. Ele também chegou. A lua não tinha saído hoje, a gente só se via sob a penumbra dos abajures acesos em nossas salas.
— A Mel tá bem agora? — lembrei de perguntar. — Eu ouvi ela…
— Ela vai ficar bem. Hoje de manhã não foi à escola, levamos numa primeira consulta com um terapeuta infantil. Foi difícil, mas acho que vai ficar tudo bem sim.
— Ah, que bom. Ainda bem.
— Mas e você? Como você tá?
— Você já sabe. O de sempre, eu ando tão monotemática. — Eu ri debochando de mim, limpando o rosto. — Ai, sei lá, parece besteira, mas eu tô me sentindo muito solitária, isso tá me consumindo. Só queria voltar a andar na minha cidade, ir aos lugares sem ser julgada, ter gente me acolhendo, sabe?
— Sei bem como é isso. Mas uma coisa ainda não entendi, você não tem amigos fora do Clube?
— Só colegas. É difícil manter amizades por conta do meu trabalho. O Clube me ajuda— ajudava, sei lá… Enfim, me ajudava a encontrar o pessoal porque eu tinha um compromisso fixo, e só esse. Além deles, tem Alice, ela é minha vizinha desde a adolescência, uma irmã praticamente… Mas agora ela tá saindo com um cara, toda apaixonadinha. Não tem tido muito tempo pra mim ultimamente, a gente só se viu hoje porque fui no trabalho dela.
— Ninguém dos postos de saúde onde você trabalha?
— Também não, parece que eu não consigo me conectar, eles não tem muito a ver comigo. Na verdade, uma vez até tentei marcar um bar com umas enfermeiras, mas todas me deram o cano por algum motivo, e eu acabei desistindo. Aí às vezes fico pensando que o problema sou eu, sabe? — Chorei de novo. — É tão cansativo ser introvertida.
— Isso é loucura. As pessoas não sabem o que estão perdendo. Você é incrível, Bella.
— Mas como eu vou fazer pra elas saberem que eu sou incrível? Como eu vou convencer elas disso?
Ele pensou um pouco. Eu gostava como ele ponderava as palavras nesses momentos, era tão diferente de quando estava nervoso falando comigo em outros assuntos mais banais.
— Talvez… Bom, talvez você precise começar a dar mais atenção a quem sabe que você é incrível. Aceitar os convites de quem te gosta de verdade e chamar essas pessoas pra sair. Só dê sua atenção a quem deseja sua atenção realmente. Pensa nisso.
Edward fez eu me calar com apenas quatro frases.
Pensei. Pensei tanto, que o tempo passou, e no meu silêncio, ele se levantou, dizendo que precisava voltar a dormir pois acordaria em duas horas. Eu lamentei.
— Boa noite, Edward… E obrigada mais uma vez. Da próxima, eu quero te ajudar. Chega de usar você só pra desabafar.
— Olha, pra sua sorte… Eu não me importo em ser usado por você. — Ele deu uma risadinha que fez meu coração e outras partes ao sul pularem. Que diabo era isso agora?
Fui pra cama com a presença de Edward ainda ressoando em mim, suas palavras não saíam da minha cabeça. Será que ele tinha ficado magoado por eu não ter aparecido no sarau? "Quem te gosta de verdade", era isso mesmo que eu entendi? E com isso, ele dizia querer apenas minha amizade mesmo, ou mais do que isso, como Alice falou? Dúvidas demais pra três da manhã, benditas dúvidas, até fui dormir com dor de cabeça.
Nos próximos dias, coisas aconteceram.
Coisas que eu não estava esperando de forma alguma. Ou talvez estivesse, lá no fundo. O fato é que aquelas dúvidas foram aos poucos se transformando em certezas, mas não sem antes passarem por um profundo turbilhão de emoções conflitantes entre Edward e eu.
Tudo começou na sexta-feira seguinte. Edward me convenceu a ir à primeira reunião de um clube do livro diferente na Toca. Todos eram moradores de Port Angeles, um grupo pro qual ele havia cedido o espaço pras suas reuniões semanais. Cada um devia levar um livro escolhido de sua preferência pra falarmos sobre nossos gostos pessoais, nos apresentarmos. Mas eu não estava nada confiante em conhecer gente nova.
— Eu tô nervosa, meu suvaco chega a estar suando — falei igual uma doida compartilhando demais. Só tinha eu e ele por enquanto no café vazio. Melissa brincava lá dentro da livraria fechada.
— Eu também tô nervoso e suado. Mas temos um ao outro, então tudo bem. Qualquer coisa, você pede ajuda e vice-versa.
— Sério, Edward. E se esse pessoal também não gostar de mim? Se eles não forem com a minha cara ou me zoarem porque escolhi E o Vento Levou pra ler um trecho?
— Por que eles zoariam um livro tão clássico?
— Eu sei lá, tem gente que é esnobe, acha que são livros de mulherzinha.
— Outro clássico maravilhoso, inclusive. Qual o problema de ser um livro que mulheres gostam? Você não é mulher? Não pode gostar deles?
— Ai, você entendeu.
— Bella. Relaxa, se acalma. Vai dar tudo certo.
Ele se sentou com um café ao meu lado na roda de dez cadeiras. Era terrível. Eu só estive tão nervosa assim na minha prova de admissão pra faculdade de Medicina. Nem quando casei fiquei tão nervosa.
Os rostos desconhecidos foram chegando aos poucos, um a um até sete da noite. É claro que fui imaginando uma história pra cada, e uma reação diferente deles quando ouvissem o que eu tinha a dizer. Elas sorriam e brincavam entre si, as cinco mulheres que chegaram primeiro já pareciam se conhecer. Os três homens pareciam ser os novatos, mais alheios a tudo.
Minhas pernas balançavam sem parar conforme a roda girava, cada um se apresentando como a professora Irina, a cabeça do Clube, pediu ao conduzir a reunião. Faltavam apenas duas pessoas pra ser a minha vez, quando senti uma mão pegando a minha. Do nada.
Se eu não tinha morrido de ansiedade antes, iria morrer agora, com certeza. Estava tão suada e fria como a minha, e eu olhei pra Edward em desespero. Encontrei apenas seu sorriso leve e o olhar que dizia "está tudo bem" pela milésima vez. O problema é que não estava tão bem assim. Na verdade, não estava nada bem.
De verdade, o que ele estava fazendo? Segurar a mão de um cara semi-casado em público, assim pra todo mundo ver, era um dos gestos mais indecentes que eu podia pensar em fazer.
— Tá gostando? — Acho que ele não percebeu que eu estava tendo um pseudo-AVC, quis dar uma de simpático. Sua mão continuou segurando a minha entre nossas cadeiras. — Hein?
— Do quê?
— De tudo, ué.
— Hm. Uhum. — Só consegui resmungar. Meu Deus, eu estava tão fodida. Puta que pariu.
Minha palma começou a pinicar com o tempo, pois é claro que eu não soltei. Meu corpo todo parecia estar avivado só por aquele toque. Mas continuei segurando mesmo assim, apertando forte, porque apesar de tudo de errado, só isso estava conseguindo parar meus pensamentos terríveis e catastróficos de mais rejeição ainda.
Ele só me largou para começar a se apresentar. O vazio foi péssimo, até senti frio na mão.
— Então… Boa noite a todos. — Ele limpou a garganta. — Meu nome é Edward Cullen, eu sou dono da Toca, como vocês já sabem. É um prazer ter vocês aqui, estou muito feliz que aceitaram o convite... Bom, eu sou formado em Literatura pela Universidade de Seattle, de onde eu vim. Moro em Port Angeles há seis anos, aliás. E tenho uma filha, a Melissa que está tirando um cochilo atrás do balcão. Não sei se vocês viram, mas aquele pacotinho ali é meu.
Todos riram, tentando olhar pelo vidro do Café a figura enrolada num cobertozinho verde. Incrível. Ele já tinha ganhado o pessoal e quase não fez esforço. Nada mal pra alguém que só faltou gaguejar quando me conheceu.
Ouvir Edward me deixou tão à vontade, que eu comecei a me apresentar quase nem lembrando que estava surtando dez minutos atrás. Foi uma sensação tão boa ter olhares atentos e genuinamente interessados no que eu tinha a dizer. Sobre a minha história, minha profissão, meus gostos. Se sentir querida era uma das melhores sensações do mundo, ainda mais quando vinha junto de reações bem diferentes daquela que eu imaginei.
Às nove, eu estava ajudando Edward a reorganizar as cadeiras do Café enquanto o pessoal se despedia para voltarem a Port Angeles.
— E aí? O que achou? — indagou.
— Sinceramente? Achei que fosse ter uma síncope, mas acabou dando certo.
— Eu te falei! — Ele varria o chão rapidamente. Melissa já tinha acordado, estava desenhando lá dentro.
— Parecem pessoas bem legais. Gostei que tem duas médicas também.
— Eu sabia que ia gostar delas.
— Como sabia? Já conhecia?
— Bom, na verdade sim. Quer dizer, eu explico. É que eu fui em busca de um Clube de Leitura na internet e achei esse em Port Angeles. Foi com uma delas que eu falei.
Eu parei o que fazia, deixei a cadeira pra lá.
— Como assim? Não entendi, você que entrou em contato? Você disse que eles te procuraram.
— Foi o contrário. Ofereci o espaço, e disse que caso tivessem as reuniões semanais aqui, eles poderiam comprar os livros com desconto.
— Olha, você foi bem esperto. Gostei, viu? Gênio do marketing de vendas. — Eu ri, voltando a arrastar cadeiras.
— Eu não fiz isso pra vender mais, Bella.
— Não?
— Eu fiz por você.
Dessa vez, ele me fez calar a boca. E fiquei assim por alguns instantes tentando decifrar o motivo possível daquilo.
— Por mim? — perguntei, enfim.
— É, por você… — Eu só o encarei, ele tinha a cara mais lavada do mundo. — Que foi? Não gostou da surpresa?
Ou eu entendi tudo ou não entendi nada. Minha cabeça era um nó só.
— Peraí, você chamou essas sete pessoas aqui só pra serem meus novos amigos? Por causa daquela conversa que a gente teve semana passada?
— Pode ser que sim… — Ele sorriu de lado, meio sem jeito. Então eu pisquei olhando o chão, sem entender nada de nada mesmo.
— Mas por que você mentiu? Você disse que eles tinham entrado em contato com você.
— Porque eu senti que você não ia aceitar vir participar se eu falasse a verdade... — Ele me esperou reagir positivamente, e quando não rolou, seu rosto mudou de contente consigo mesmo para aborrecido. — Ah, droga. Não era pra eu ter falado nada. Quer dizer, nem era pra eu ter feito isso, já entendi. Desculpa. Você tem razão, desculpa mesmo por ter me intrometido nesse assunto, eu sei que é muito pessoal pra você.
— Não, tudo bem, Edward, é só que… eu tô um pouco confusa. Por que você faria isso, sabe? Por que se importar tanto comigo? A gente mal se conhece, e você traz esse bando de gente aqui, ainda dá um monte de descontos pra eles, é algo tão grande…
Ele expirou o ar, chegando perto de mim. Eu não me movi. Edward coçou a cabeça, consertou os óculos e seu suéter que hoje era justamente o preto que eu gostava.
— Bella… Então. Acontece que tem uma coisa que eu quero te falar faz tempo, mas nunca tenho coragem.
— Sim?
— Eu também não fui sincero na primeira vez que você pisou aqui na livraria… Lembra? Você perguntou porque eu não contei antes sobre a minha filha.
— Lembro. O que tem?
— Eu só não falei da Melissa logo pra você porque sempre que falo dela as mulheres ficam estranhas comigo, o papo desanda. E eu não queria isso logo com você.
Eu me afastei um pouco.
— Como assim as mulheres?
— Quando começo a conhecer uma. Não sei explicar. Ou elas avançam pra cima de mim, ou fogem. Acaba matando qualquer chance de termos qualquer tipo de relação.
— Hm. E você achou que eu seria qual dessas mulheres, só por curiosidade?
— Pra ser sincero, não sei. Você não me parece nenhuma das duas opções, foi só força do hábito… Ah, sei lá o que eu tô falando. Desculpa. Tem anos que não faço isso.
— Anos que não fala com uma mulher?
— Anos que não falo com uma mulher tão interessante que me dá vontade de querer conversar mais com ela…
Seus olhos brilhavam, ele molhou a boca olhando a minha. Eu ia morrer, sem dúvidas. Não era possível esse batimento tão acelerado, eu devia estar com crise de ansiedade. Ele me esperou, se inclinando pra mim com tanta expectativa, e eu não sabia se ele estava prestes a me beijar ou me chamar pra sair ou sei lá que porra mais viria dele.
— O que você quer dizer com isso? Seja sincero — pedi o esclarecimento, fingindo não estar nada afetada por sua proximidade e intensidade.
— Você ainda não entendeu? Eu quero dizer que eu—
— Mamá! A mamá chegou! — Melissa nos interrompeu bem naquele instante, vindo correndo. — Pai, pede pra mamá me deixar mais um pouquinho, por favor.
Quando me virei pra ver de quem ela falava, meu coração gelou. Era a loira que vi saindo do apartamento dele naquele dia. Puta que pariu, o que estava acontecendo aqui? Mamá? Era essa a outra mãe da Melissa? Aquela que me faria ser a número três?
— Bella? Falei com você. — Ele me chamou de volta, eu tinha me perdido enquanto via Melissa interagir com a loirona lá dentro da livraria. — Eu quis dizer que eu estou doido pra te chamar pra sair desde o primeiro momento que eu te vi. Essa é a mais pura verdade. Então, se você deixar…
Ele veio pra cima de mim, mas eu recuei ainda mais, completamente apavorada.
— Espera, por favor. Esquece tudo o que eu perguntei, só me responde uma coisa, com toda a seriedade do mundo? Você tem um harém de mulheres ou coisa parecida?
N/A: Com toda a seriedade. Vocês participariam de um harém? Eu teria um harém reverso por um dia, mas ABAFA KKKKKKK
COMENTA AÍ NA REVIEW, POR FAVOR, só temos mais 2 capítulos! Até breve, beijos
