Capítulo 08 - O encontro mais estranho da história dos encontros
Já era tarde quando o grupo ainda andava pela floresta na reta de um trilho antigo, passado o momento de pavor cada um assumiu uma distância silenciosa do outro. Steve e Dustin iam na frente lado a lado, Lucas estava no meio encarando seus tênis enquanto andava, Sam e Max iam logo atrás trocando sussurros e Billy os seguia ao fundo dentro de seu carro. Quando nenhuma das garotas quis ir com ele achou que ouviriam gritos e raiva, ninguém poderia obrigá-la a algo que não quisesse, mas a garota mais nova era outro assunto, ela era sua irmã e, de qualquer forma, eles iriam para o mesmo lugar. Surpreendentemente o jovem apenas deu as costas, entrou no carro e os acompanhou silencioso pelo caminho mais complicado possível para um automóvel.
Com um menear de cabeça, Sam deixou a amiga com Lucas depois de alguns minutos para ir até o carro. É claro que não antes de garantir que não tinha nada acontecendo entre eles, era apenas companheirismo de pessoas que viviam coisas estranhas duas noites seguidas. Quase como se fosse garantir a um irmão de guerra que não estavam enlouquecendo, todos mereciam apoio afinal.
Billy pareceu surpreso quando a viu se aproximar, mas parou o carro esperando que entrasse para então continuar a se mover. No começo os dois ficaram em silêncio apenas olhando para frente, nem todo apoio precisava de palavras e de certa forma ele estava reagindo melhor do que na noite anterior. No compartimento perto do câmbio encontrou uma embalagem de cigarro vazia, mesmo com as janelas abertas o interior cheirava a uma mistura de fumaça e perfume masculino.
– Você fuma quando está ansioso – arriscou uma afirmativa para começar uma conversa.
– Isso te incomoda?
Algo na voz dele a surpreendeu, estava tão calma que precisou encará-lo com atenção para ter certeza de que realmente era ele ali. Estava acostumada a um tom mais incisivo, floreado de flertes, zombaria e, às vezes, raiva.
– Não, os pulmões são seus. Mas se é de algum crédito já roí quatro unhas desde que saímos do ferro-velho.
Esperou que o seu tom brincalhão fosse um indício de que estava aberta para qualquer conversa, existia coisa demais acontecendo para assimilar sozinho, porém Billy continuou encarando a estrada em completo silêncio. Odiava se sentir mal, sabia que ele não a estava culpando de nada, que cada um absorvia os acontecimentos de uma forma diferente, mas na prática era complicado lidar com aquele silêncio todo.
– Ainda está irritado comigo? – arriscou novamente.
– Eu tenho motivos para estar?
– Droga, Billy, você não está nem olhando para mim enquanto tenta ser invasivo – reclamou começando a se irritar. – É a segunda noite seguida que você salva a droga da minha bunda.
– A droga da bunda que você arriscou para, não se esqueça, salvar o Harrington. O Harrington!
– Alguém precisava fazer alguma coisa, aqueles monstros eram dez vezes piores do que as vinhas. Steve estaria sendo digerido no estômago de um deles se eu não tivesse saído.
– E você quase deixou um braço para trás por isso – pela primeira vez desde que entrou ele a encarou, seus olhos analíticos correndo até o braço arranhado. – Aliás, que droga eram aquelas? Um dinossauro? Alienígena? Essas coisas existem?
– Espera, você acredita em aliens?
– Atualmente tanto quanto naquela coisa lá fora – o tom de zombaria voltou para a voz masculina, o que era estranhamente bom.
O ferimento no braço além de não ser nada sério também era um preço pequeno ao saber que Steve estava bem. Era um arranhão superficial de tamanho desagradável, tirando a ardência não parecia nada que fosse necessário um médico. O que era ótimo já que dificilmente conseguiria dar entrada em um hospital sem levantar suspeitas sobre sua identidade.
– Ontem aquelas coisas… eu realmente não sabia o que eram, só que tinham vindo desse tal Mundo Invertido – se sentiu na necessidade de garantir sua palavra, não queria ser vista como mentirosa. De qualquer forma também não era como se já soubesse de tudo o que estava acontecendo. – Por isso não queria que fosse comigo.
– Então ainda bem que eu te ignorei, linda – Billy encarou o porta-luvas se inclinando quase em seu colo para procurar algo. Subitamente ela ficou consciente da proximidade, mesmo com a noite fria o corpo dele estava quente próximo ao seu. – Achei.
Voltando a se endireitar em seu assento ele estava com um maço de cigarros pela metade nas mãos.
– Então aquela história que eles contaram de um portal era verdade? Do garoto Byers que chamam de zombie boy?
– Aparentemente sim.
– Eu poderia esmagar a Max, você e aquele garoto por isso. Vocês precisam pensar melhor antes de se meter nessas coisas, se algo acontecer com aquela merdinha estou morto.
Sam piscou encarando o perfil dele, suas palavras duras em nada combinavam com a expressão relaxada agora adotada.
– Sei que já disse antes, mas vocês dois se dão bem – o olhar de descrença que recebeu a fez rir.
– E eu já disse que você deve ter batido a cabeça com força.
– Estou falando sério. Vi como tomou a frente da Max dentro do ônibus para afastar aquele que veio por cima, se aquilo não era o irmão mais velho defendendo a irmã mais nova então não sei o que era.
– Você é criativa demais, eu só tentei impedir que todo mundo, incluindo eu mesmo, virasse lanchinho noturno do bichinho de estimação de um pirralho idiota.
Ele podia negar o quanto quisesse, o fato é que dessa vez sequer tinha sido repreendida ao atribuir a palavra "irmã" para Max como aconteceu antes.
– O que aqueles otários estão fazendo? – Billy parou o carro já lento para encarar Dustin e Lucas em uma discussão. – Eu sabia que aqueles garotos eram problema.
– O que você tem contra eles? – perguntou curiosa.
– Eu? – o questionamento dele veio acompanhado da fumaça sendo soprada para fora de sua boca. – Nada. Mas Neil tem e com garotos perseguindo Max para cima e para baixo uma hora vai sobrar para mim. Sempre sobra.
– Quem é Neil? – perguntou curiosa, o nome não parecia estranho, porém não conseguia ligar a um rosto.
– Ninguém importante. O que é aquilo?
Olhando para frente viu Steve levantar o taco e sair da trilha, os dois se encararam ao ouvir um barulho esquisito, com o spray de cabelos em mãos e uma barra de ferro foram até onde Max chamava pelos outros três que tinham saído da trilha. Seguindo as lanternas dos garotos chegaram numa colina, a escuridão e a neblina ainda dificultando a visão; era sorte Lucas estar com os binóculos para identificar a origem do som. Ao longe o laboratório de Hawkins parecia imponente entre as árvores, a parte mais assustadora de todo aquele cenário era que o som vinha de lá.
– Vocês não vão querer descer lá, vão? – Steve perguntou com uma das mãos na cintura.
– É claro que vão, Harrington, eles são suicidas – Billy respondeu voltando ao seu humor ácido de sempre. – E aparentemente eu me tornei um também.
Estaria mentindo se dissesse que não ficou surpresa quando o garoto mandou todos – não só ela e Max – entrarem em seu carro para irem até o laboratório, seria uma vantagem muito útil caso fossem perseguidos ao se aproximarem. Agora Billy estava atrás do volante indo em direção à estrada, Sam e Max dividiam o banco do carona enquanto Steve, Dustin e Lucas ocupavam o banco de trás. Quando estavam perto viram outro carro estacionado em frente a um portão alto. Um por um saíram com as lanternas apontadas para dois vultos que também estavam lá, quando foi possível fazer a identificação ambos os lados ficaram surpresos; eram Nancy Wheeler e Jonathan Byers.
Foi um momento esquisito onde uma pessoa ficou chamando o nome de outra em completaa confusão como se isso amenizasse suas incredulidades. Sam se sentiu um pouco mal por achar o encontro ridiculamente engraçado. O cenário era o seguinte: Nancy, atual namorada de Steve, estava com Jonathan, que seria seu futuro namorado. Billy Hargrove estava ao lado de três pré-adolescentes sem cometer um crime, uma completa estranha vinha de brinde diretamente do futuro e, como se não fosse ruim o suficiente, outros deles poderiam estar dentro do laboratório onde os monstros tinham ido. Seria cômico se não fosse tão trágico. Enquanto todos falavam ao mesmo tempo sobre o que possivelmente estava acontecendo lá dentro as luzes do laboratório foram subitamente acesas, porém nada do portão ser aberto. Jonathan e Dustin continuaram apertando o botão ininterruptamente como se o metal fosse se abrir com a força de suas raivas. Um pensamento irônico passou pela cabeça de Sam.
– Como nos metemos nessa enrascada? Sinceramente, eu não sei. Parece que fomos construídos para sofrer. É o nosso destino – recitou em voz alta. Billy e Nancy a encararam como se um terceiro braço tivesse nascido nela.
– Agora está arrependida? – Billy perguntou arqueando uma sobrancelha ao seu lado.
– É Star Wars A New Hope – Max respondeu com um sorriso no rosto, animada por encontrar outra garota com gostos em comum. – É o que o C-3PO fala para o R2 quando eles chegam em Tatooine para encontrar o Obi-Wan.
Quando não houve uma resposta dos outros dois adolescentes, Sam se virou para ele.
– Filme de nerd. Deveria assistir, essas coisas aqui são fichinha perto do Jabba o Hutt.
– As de lá são ficção científica – o garoto levantou a sobrancelha em resposta.
– Touché.
Eles foram interrompidos quando o portão começou a ranger alto ao enfim ser aberto, foi necessário um pouco mais de organização para decidirem o que fazer a partir de então. Quando Nancy e Jonathan entraram de carro deixando os outros a postos, Billy começou uma piada sobre Steve perder a namorada. Sam precisou acertar suas costelas com o cotovelo murmurando que não era hora para aquilo. Após alguns minutos dois carros saíram buzinando alto, o primeiro passou direto em alta velocidade e no segundo Sam encontrou o rosto reconfortante de Hopper. Então era ali que ele estava? Será que El estava junto?
– Entrem! – o delegado gritou para eles.
Novamente Billy agarrou seu braço com uma das mãos, Max com a outra e arrastou as duas até seu carro já posicionado. Logo estavam em movimento seguindo os outros até estacionarem na frente da casa que descobriu ser dos Byers, Will foi rapidamente colocado no sofá desacordado enquanto o restante ia para a cozinha. O lugar era uma bagunça, desenhos espalhados pelo chão e paredes.
Depois de tentar conseguir ajuda pelo telefone e não receber um retorno satisfatório, Hopper a levou para um canto onde poderiam conversar a sós. Ao mesmo tempo em que o delegado limpava o arranhão em seu braço, ela aproveitou para contar algumas das coisas que sabia. Ele ficou preocupado quando disse que já tinha alguns dias que não sabia onde Eleven estava, mas foi no momento em que contou sobre a caixa do laboratório de Hawkins em cima do sofá, junto dos papéis de Terry Ives, que viu a cor sumir do rosto sério. Ainda havia muito o que pensar. Um deles tinha se sacrificado no laboratório dando chance para a fuga dos demais, a Sra. Byers estava com o filho dopado enquanto um monstro devorava tudo o que um dia ele foi e provavelmente seria. Era o mesmo monstro responsável pela morte de Billy. Por isso concordaram em estabelecer um falso parentesco, Sam era a sobrinha de Hopper que veio passar um tempo com o tio por motivos pessoais. Não precisavam de nada muito elaborado, apenas algo que escondesse a verdade sobre sua atual situação, quanto menos pessoas soubessem que viajou no tempo menos complicado seria sua estadia.
Se separando do delegado voltou para onde todos estavam, jogou a jaqueta rasgada em um canto e encontrou uma cadeira vaga para ficar. O silêncio funesto era opressor, como se tivessem atingido o fim de algo sem que houvesse uma luz de esperança. Ela sabia que ainda tinham o que fazer, no futuro Will estava vivendo na Califórnia com sua família, não era o fim ainda. Foi nesse momento que Mike se levantou iniciando um discurso motivador sobre Bob Newby, o herói do laboratório. O garoto era inteligente, o seu discurso levou a uma discussão até chegar numa possível solução. Até mesmo Billy se interessou pela conversa ao ouvir que tudo estava conectado; o Mundo Invertido, os túneis, os democães como Dustin os batizou, tudo.
– Calma, calma – Steve pediu quando os mais novos começaram a jorrar teorias confusas.
– Olha só, o Monstro das Sombras está dentro de tudo – Mike começou pacientemente a explicar para os três adolescentes confusos. – E se os cipós sentem dor, o Will também sente.
– E o Dart também – Lucas completou.
– É como o Sr. Clarke nos ensinou. Mente colmeia.
– Mente colmeia? – Sam perguntou ainda confusa.
– Uma consciência coletiva, é um superorganismo – Dustin esclareceu.
– E essa é a coisa que controla tudo. É o cérebro – Mike mostrou o desenho de uma criatura negra gigantesca, ultrapassando as árvores em altura, atrás dela raios vermelhos cortavam o céu tempestuoso.
Um arrepio desconfortável subiu pela espinha dela.
– O Devorador de Mentes – a voz de Dustin encheu o ambiente, parecia que ele estava divagando, mas os amigos entenderam exatamente do que se tratava.
Agora todos, incluindo Hopper, Nancy e Jonathan, estavam reunidos em volta de um manual de Dungeons & Dragons para ouvirem a explicação do que era o Devorador de Mentes dentro do jogo. A cada explicação sobre a persona da criatura sentia seu desconforto crescer, imaginar que algo dentro de você fritava seu cérebro para escravizá-lo apenas pelo prazer da conquista de "raças inferiores" era hediondo. Inadvertidamente seus olhos se voltaram para Billy, as vozes ao redor sumiram por alguns segundos enquanto divagava com o quanto ele deve ter sofrido.
– Está tudo bem? – ele movimentou os lábios em uma pergunta silenciosa quando percebeu o olhar constante dela. Tentando disfarçar acenou positivamente com a cabeça mudando a atenção para o que seria decidido pelo grupo.
Quando ninguém conseguiu entrar em consenso, a Sra. Byers surgiu, tristeza nos olhos, mas coragem em suas palavras. "Temos que matá-lo" foi o que ela disse e era mesmo a única coisa a ser feita independente dos meios a serem usados. No final decidiram despertar Will, o único a saber sobre os planos do Devorador de Mentes por estarem conectados, e descobrir como acabar com ele.
O próximo passo colocou todos em movimento, o que era bom para distrair suas mentes. Para despertar Will sem que ele soubesse onde estava camuflariam o galpão de ferramentas dos Byers, se o garoto não soubesse onde estava não poderia entregar sua localização. A organização seria feita em duplas, era óbvio que ninguém se dispôs a ficar com Billy – nem mesmo Max que ainda evitava ficar muito tempo a sós com o meio-irmão depois de sair de casa escondida – deixando Sam para lidar com a caixinha de surpresas que era a personalidade dele.
– Sabia que você é oficialmente o encontro que jamais vou esquecer? – ele perguntou enquanto dobrava uma lona e colocava embaixo do braço.
– Estamos em um encontro? – sua pergunta saiu mais humorada do que deveria. A parte boa em estar perto dele é que "não rir" não era uma opção independente do humor usado na risada. Aliviava bastante suas preocupações naquele momento.
– Se eu ainda quero te beijar então sim. Inclusive é o nosso segundo encontro. Ontem foram vinhas assassinas, hoje são demo... como foi mesmo que o pirralho chamou?
– Democães.
– Isso. Hoje são democães raivosos e um monstro que come o seu cérebro como se fosse o peru de Ação de Graças. Me pergunto onde você vai me levar no próximo encontro – Billy tombou um pouco a cabeça como mais uma de suas táticas de flerte.
– É quase um milagre você ainda querer sair comigo depois disso tudo.
– Como eu disse ainda quero te beijar, acho que o gosto do seu beijo vai valer toda a ação.
Sam sentiu as bochechas esquentaram, geralmente estava melhor preparada para as investidas dele, mas dessa vez algo a deixou embaraçada. Era como se depois de tudo o que viveram juntos ela tivesse ficado consciente demais da perseverança que ele tinha. Precisou esfregar o braço bom para disfarçar o arrepio que subiu despertando seus nervos.
– Está com frio? – ele perguntou com um sorriso ladino nos lábios, seus olhos brilhavam sabendo exatamente o efeito que tinha. Tirando a jaqueta de couro estendeu na direção dela. – Aqui. Tenho certeza de que eu combino mais com você do que a sua jaqueta. Quero dizer, a minha jaqueta combina mais com você do que passar frio.
Entre recusar assumindo sua derrota ou aceitar e fingir tranquilidade, estendeu a mão pegando a jaqueta. Foi uma péssima ideia quando a roupa enorme caiu sobre seus ombros e o cheiro de Billy entrou pela sua narina terminando de esmigalhar os nervos já abalados.
– Obrigada – agradeceu sem encará-lo nos olhos. Foi um alívio que Hopper os chamou para se juntar a Nancy e Steve no galpão.
..
Tudo estava pronto, apenas a família de Will, Mike e Hopper ficaram no galpão para conversarem com ele, o restante ficou na casa em expectativa pelo resultado. Sam ignorou os próprios alertas internos ao se manter colada a Billy apenas para que Max conversasse em paz com Lucas por alguns minutos, de qualquer forma estaria mentindo se dissesse que a companhia do infame bad boy era desagradável; por baixo de algumas camadas de idiotice havia um garoto estranhamente divertido. Depois de um momento em silêncio as luzes da casa começaram a piscar fazendo eles irem até a janela que dava para os fundos, aparentemente aquele era o sinal da ligação com o Mundo Invertido.
– Vai dar certo, tem que dar certo – Dustin recitou como um mantra antes deles voltarem a se espalhar pelo cômodo.
Hopper apareceu alguns minutos depois dizendo que Will podia estar se comunicando sem usar palavras, com um papel e caneta em mãos começou a rabiscar uma sequência de pontos e traços. Billy e Steve tinham mais em comum do que queriam admitir quando todos, menos eles, perceberam que era uma comunicação em código morse. Ao saberem que conseguiriam uma resposta, se juntaram para captura e tradução do código. "Selar portal" foi a mensagem que descobriram, isso pararia o Devorador de Mentes, mas a felicidade durou até que o telefone dos Byers começasse a tocar insistentemente e Nancy o atirasse no chão. Não era certo que Will soubesse que aquele era o telefone de sua casa, mesmo assim a tensão fez o ar ficar pesado em expectativa.
O som selvagem do momento do ataque no ferro-velho foi ouvido novamente, isso só poderia significar que Will sabia sim onde estavam e consequentemente os democães também. Hopper entrou na casa com o outro grupo – Will mais uma vez estava apagado – mandando as crianças saírem da janela, uma nova batalha estava para começar e dessa vez sorte não seria o suficiente para que todos saíssem vivos. O delegado entregou um rifle para Nancy depois que Jonathan hesitou, colocando a mão no coldre passou a pistola para Billy que também disse saber atirar. Steve e Sam continuavam com as mesmas armas que usaram no ferro-velho montando a linha de frente em direção a janela, o restante se colocou atrás agarrados ao que quer que lhes trouxesse segurança. Billy encarou Lucas se colocando na frente de Max com um estilingue com uma sobrancelha erguida.
– Está vendo? – Sam sussurrou entre as demais vozes. Os pirralhos não eram um problema tão grande assim, ao menos aquele era valente.
– Isso aqui não é Davi e Golias – veio a resposta divertida e malcriada.
Sam achou que Billy não abriria mão, ele era como um cachorro insistente que só largava o osso depois de roer até o fim, então foi uma surpresa quando o viu se afastar para ficar parado ao seu lado. De repente houve silêncio, apenas respirações pesadas podiam ser ouvidas, depois um grunhido alto veio da direita obrigando todos a mudarem suas miras.
– O que estão fazendo? – Nancy perguntou.
Um novo som, mais alto que o anterior, veio por outra janela, depois outro, e outro, e outro. Democães eram criaturas controladas por um ser inteligente, provavelmente estavam cercando a casa para um ataque por todos os lados. O grupo foi pego de surpresa quando um deles atravessou a janela com um grunhido sofrido, estava mole e imóvel no chão, parecendo ferido. Não era necessariamente um ataque.
– Está morto? – Sam perguntou se aproximando logo atrás de Hopper. O delegado cutucou a cabeça do democão com o pé sem obter uma resposta.
O suspiro aliviado foi unânime quando viram que a criatura estava mesmo morta, porém não durou por muito tempo. A porta da entrada da casa rangeu fazendo todos mudarem a atenção para ela, a trava foi aberta, a corrente arrastada… Estavam tentando entrar.
– Essa coisa agora abre portas? – Steve verbalizou o que se passava na mente de todos.
A madeira da porta foi aberta lentamente, torturante para os que estavam dentro, mas quando quem entrou foi uma garotinha e não um inimigo, armas foram abaixadas. Rostos chocados encaravam a menina vestida de preto como uma punk, Sam sentiu seus olhos encherem de lágrimas. Eleven estava viva e de volta para eles.
..
Oi, galera!
Estamos perto do final, faltam apenas 2 capítulos para terminar essa primeira parte. A Sam continua vivendo os acontecimentos que já conhecemos de uma forma um pouco diferente. Lembrando que em 86 o grupão não teve tempo de contar em detalhes tudo que aconteceu, ela apenas sabe das pessoas que chegaram com vida naquele época e um pouco do que passaram, mas temos plena consciência de que a adição dela e do Billy pode influenciar muita coisa. Principalmente os acontecimentos da S3.
