Ravena foi a primeira a acordar, ela sentiu um par de braços a apertando com força como se tivesse medo que ela fugisse. A garota abriu os olhos, viu Damian dormindo profundamente e sorriu.
Ela aprofundou o rosto no peito dele e sentiu o perfume do moreno, como Ravena amava aquele cheiro. O casaco dele que estava a cobrindo caiu um pouco dos ombros, logo Ravena se cobriu de volta e o abraçou com força.
Ravena ergueu o rosto e voltou a olhar, Damian parecia um menino dormindo, tão inocente, tão puro... Não era nem um pouco parecido com aquele homem que a provocava com beijos e caricias.
Ela riu baixinho, Ravena se aproximou e depositou um leve beijo nos lábios dele. Damian não se mexeu e ela resolveu beija-lo na bochecha, no nariz e nos lábios de novo.
-Ravena. –Ele reclamou. –Tá cedo ainda.
-Na verdade não, já é bem tarde e a menos que queira ser pego dormindo pelado no sofá do estúdio de gravação com a sua namorada quando o resto da banda chegar é melhor acordar. –Ela riu.
-Tá bom. –Damian bocejou e esfregou os olhos. Definitivamente ele não era alguém que acordava rápido.
Ravena sentou no sofá e começou a se vestir, quando ela ia colocar a blusa Damian a abraçou por trás depositando um beijo nos ombros dela.
-D-Damian... Para de provocar.
-Não estou fazendo nada. –Ele passava a mão pelo corpo dela, beijando seu pescoço.
-Eu realmente tenho que ir pra casa. –Ravena se soltou. –Continuamos depois.
Damian se jogou no sofá, Ravena terminou de se vestir e esperou o homem fazer o mesmo.
Depois de saírem do estúdio, Damian a levou até o apartamento dela.
-Quer entrar?
-Querer eu quero, mas não posso. Tenho que abrir a loja hoje.
-Então até depois. –Ravena o beijou.
-Até.
Ravena ficou parada até ver Damian sumir de vista, ela entrou no quarto e logo tomou um susto.
-Mas o que é isso?!
Havia milhares de flores espalhadas pelo quarto, todas elas eram iguais amarelas e bem abertas. Os buques estavam em vários lugares, em cima da cama, do sofá, da mesa até mesmo em seu banheiro havia um vazo com a flor.
Ravena ficou confusa e com medo, como entraram no seu quarto e colocaram tudo isso? E pra que? Quem teria feito? Damian não foi, ele sabe muito bem que Ravena prefere orquídeas roxas, se fosse o moreno ele teria feito com a flor que ela gostava.
Ela caminhou pelo quarto e via várias pétalas pelo chão, quando chegou em sua cama viu uma carta ao lado de um grande buque que cobria todo o móvel. Ravena abriu a carta.
Havia apenas uma frase escrita, Mandarei mais flores como essas no seu velório!
Ravena soltou a carta assustada.
Constantine falou com os seguranças do hotel, mas ninguém sabia dizer como as flores foram parar ali. O gerente ofereceu para verem as câmeras de segurança, mas nada foi encontrado.
A carta foi enviada a polícia para uma análise, eles prometeram deixar o caso em segredo até quando fosse possível.
O quarto estava sendo limpo então Ravena preferiu ficar com todos no apartamento do seu pai.
-Como alguém conseguiria entrar com tantos buques sem ninguém ou nenhuma câmera ver?
-É o que quero saber. –Constantine respondeu Garfield. –Filha quer que eu chame o Damian?
-Não! Ele não pode saber.
-Mas...
-Se tem alguém tentando me ferir quero o Damian longe disso tudo!
-Ele vai acabar descobrindo. –Donna segurava as mãos da Ravena com força.
-É melhor falar com ele Rae. –Jaime comentou –Aquelas flores... Cravo-de-Defunto.
-O que tem? –Ravena o olhou.
-Sabe o que significa? Desprezo, tristeza e luto.
Ravena sentiu seu corpo arrepiar.
Damian decidiu fazer uma surpresa para Ravena, ele voltaria a pintar. A garota criou coragem para se declarar pra ele com uma bela canção e o moreno faria o mesmo.
Já era hora de voltar a criar arte e seria totalmente diferente. Chega de coisas góticas e tristes, chega de sombras e trevas, só haveria cores nas suas obras.
Damian sentou na frente da tela e começou a fazer um esboço.
Depois de duas horas trabalhando ele resolveu fazer uma pausa, saiu do seu pequeno estúdio que Damian havia feito para criar suas obras escondido de tudo mundo para uma certa garota não estragar a surpresa, voltou para a loja e arrumou alguns quadros até ouvir a campainha da entrada.
-Oi amor. –Damian sorriu.
Ravena correu até ele e o abraçou com força.
-Ei tudo bem?
-Só senti saudades. –Ela afundou a cabeça no peito dele.
-Eu também. –Damian beijou o top da sua cabeça.
-Me abraça com força.
-Ravena o que aconteceu? –Ele estava preocupado. –É seu segurança lá fora? Você sempre vem sozinha, porque ele está aqui?
Ravena se afastou e sorriu forçadamente.
-Papai insistiu que ele viesse junto.
-Sei.
Damian sentia que Ravena estava mentindo, quando ele ia questionar um entregador entrou na loja.
-Com licença, Damian Wayne?
-Sou eu.
-Entrega pro senhor. –O homem entregou um pequeno buque de flor.
-Quem mandou isso?
-É da floricultura Flor do Amor.
-E quem mandou?! –Ravena estava apavorada.
-Eu não sei apenas entrego as encomendas, boa tarde.
Ele foi embora e Damian ficou olhando o buque sem entender, Ravena não sabia que flor era aquela, com certeza não era igual a sua.
A flor azul assustava Ravena, ela logo arrancou da mão do namorado, bateu foto e mandou mensagem para o Jaime.
-Ravena o que tá fazendo?!
Logo que Jaime a respondeu Ravena ficou confusa.
-É uma Genciana.
-O que?
-Significa injustiça.
-Amor do que está falando?
Se Ravena era o alvo, porque Damian recebeu essa flor?
-Ravena –Damian segurou a mão dela a obrigando encara-lo –O que tá acontecendo?
-Nada, só fiquei assustada.
-Por causa das flores?
-Acho estranho alguém te mandar algo assim, ainda mais com esse significado.
-Amor. –Damian sorriu e a abraçou –As flores existem para serem admiradas não para terem significados, ainda mais um tão horrível desses. Além do mais essa flor é até bonita.
-Jogue ela fora!
-Porquê?
-Por favor.
Damian pegou o buque e colocou no lixo que ficava do lado de fora da loja.
-Melhor?
-S-Sim. –Ravena o abraçou.
Os dias foram passando e Damian via como Ravena estava nervosa, o pior é que ele nem sabia o porquê.
Ela ficou desesperada quando soube que a investigação não deu em nada, sem injeções digitais na carta apenas as dela, a floricultura aonde veio ambas as flores não sabia quem tinha feito o pedido apenas entregaram as encomendas.
As flores foram parar no quarto de Ravena porque a própria floricultura colocou lá, um dos empregados falou que havia aberto o quarto para que fossem entregues os buques. Mas não sabia quem as mandou.
-Ravena? –Damian a chamou. –Porque não me conta o que está acontecendo? –Eles estavam sentados no sofá da casa dele assistindo um filme.
-Tó preocupada com o trabalho. –Ela sorriu.
Ravena estava mentindo e pior Damian sabia que ela estava mentindo.
-Damian. –Ravena segurou a mão dele, ela sabia muito bem que ele percebeu a diferença dela. –Não é nada eu juro.
-Não mente pra mim.
-Amor...
-Olha, se eu tó fazendo algo que não gosta me conta. Eu posso mudar.
Ele acreditava que era o problema da relação, claro que Damian pensaria assim o moreno sempre foi inseguro com certas coisas.
-É claro que não! –Ravena o beijou – Você é perfeito, eu te amo muito desse seu jeitinho. –Ela viu Damian ficar vermelho.
-Então vamos dar uma volta. Até a praça tomar um sorvete. –Ele sorriu.
-Tá bom. –Ravena tinha medo de sair, mas ela queria muito passar um tempo com o namorado.
Eles andaram pela praça, havia crianças brincando e casais passeando. Era um dia bonito de sol e Ravena se divertia muito.
O casal passeava, eles avistaram a sorveteria.
-Eu vou lá comprar já volto. –Damian deu um beijo na bochecha dela.
Ravena ficou parada do outro lado da rua olhando o namorado, vendo que ele ia demorar achou melhor ir até ele. Quando estava no meio do caminho escutou um grito.
-RAVENA!
A última coisa que viu foi Damian correndo em sua direção.
