Quase ao mesmo tempo
Draco não suporta mesmo esperar, principalmente em uma circunstância que ele não tem o mínimo controle. Eu ainda mato o Sirius sendo ele meu chefe ou não. Esse pensamento veio na sua cabeça mais vezes hoje do que durante todos os anos em que eles trabalham juntos e, de fato, ele nunca teve tanta vontade de fazer algo insubordinado como dar um murro ou dois na cara de Sirius Black.
E agora ele precisa esperar a boa vontade daquela avoada que simplesmente disse que tinha que resolver algo e que entraria em contato. Ele não sabe se fica feliz pelo fato dela não aparecer ou frustrado por ter que ficar em espera sem poder agir.
Ele se pega pensando na garota avoada, avoada e determinada. De um jeito meio estranho talvez seu plano louco e amador lhes dê alguma pista e, sim, Sirius está certo, de maneira alguma eles podem deixar uma moça se arriscar e ele já percebeu que Luna Lovegood é louca o suficiente para sair nesta empreitada sozinha.
Mas isso não vai acontecer, não enquanto ele for um policial. Agora só o que ele tem a fazer é esperar a desmiolada entrar em contato.
Felizmente ele não terá que esperar muito, uma mensagem em seu celular lhe diz que está na hora...
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Um pouco antes
Luna lovegood olha novamente para o seu quarto. Embora seu pai tivesse sugerido ficarem alguns dias, ela preferiu voltar logo antes que ela perca a coragem de fazer o que tem que ser feito.
Ela disse que ficaria fora uns dias e seu pai concordou, Luna o conhece bem o suficiente para saber que ele deve saber de alguma coisa ou pelo menos desconfiar, mas ele sabe que a sua filha é esperta e decidida e que ele nunca conseguiria convencê-la a não fazer o que tem que ser feito.
Ela enxuga uma lágrima solitária ao mesmo tempo em que promete para si mesma não chorar mais, ao menos não enquanto a morte da sua mãe não for desvendada. Eu vou fazer justiça. Ela diz para si mesma enquanto pega o seu celular e digita uma mensagem para Draco Malfoy, a loira ainda tem ressalva se o cara engomadinho não vai mais atrapalhar do que ajudar, mas se ela precisa ter ele em seu encalço para ter o apoio da Scotland Yard, que seja.
Ela respira fundo e digita a mensagem, seu último pensamento antes de apertar o botão para enviar é: está na hora...
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Em outro local
Harry e Gina interrompem o beijo. Harry estaria frustrado se o olhar aguçado da sua parceira não dissesse que ela viu alguma coisa. Gina faz sinal para que ele fique quieto e ele vê a sua parceira sair do carro com a sua arma em punho.
- O que você está fazendo? – ele sussurra enquanto a segue. Harry sabe que Gina é uma policial, mas neste momento ele não está ligando muito para o caso, o que ele queria mesmo era beijar mais um pouco a sua parceira que, aliás, ele não se importa nem um pouco neste momento com o fato de ser sua parceira.
- Eu ouvi alguma coisa – ela diz fazendo sinal para que ele fique em silêncio enquanto ela se esgueira com a arma em punho.
- Não está tão tarde assim, Gina. É claro que um barulho ou outro seria esperado – ele argumenta.
- Não nessa vizinhança – a ruiva pondera – eu tenho certeza que aqui até o caminhão do lixo deve ter algum tipo de abafador de ruídos – ela diz e para de repente - olha - ela aponta uma van com a cabeça.
- Não vejo nada de estranho, é apenas uma van de assistência social – Harry diz então ele para pensativo, o bairro do seu pai não é exatamente o local aonde uma van de assistência social iria para buscar viciados – o que essa van está fazendo aqui há essa hora?
- Foi o que eu me perguntei – Gina diz – aqui não é o local onde um carro desses deveria estar...
Ela para de repente e olha para Harry que demora apenas um minuto para entender o seu raciocínio.
- Será que... – ele diz e vê a sua parceira sorrir.
- Só pode ser – ela concorda – ou isso ou algo muito parecido. Nunca pensei que uma noite regada a vinho pudesse render tanto – ela diz e se ruboriza ao lembrar que não foi apenas teorias a respeito do caso que a noite rendeu, mas isso dura apenas um minuto – vem – ela diz enquanto continua a caminhar.
- O que foi? - Harry pergunta sem entender
- Essa van está muito suspeita – ela responde sem parar de andar – pelo que eu sei não há nenhum centro de assistência social por aqui e as pessoas que trabalham nestes lugares não teriam condições para morar num bairro assim.
Mas na hora que ela chega na esquina a van desapareceu – droga! – a ruiva exclama – pra onde será que ela foi? Será que ela entrou em alguma dessas casas?
- Sinceramente não sei – Harry diz talvez – tenha entrado, mas não faz sentido, como você mesma disse ninguém por aqui deve trabalhar com assistência social pelo menos não dirigindo uma van.
- Não tem como ela ter sumido assim! – Gina diz – ela só pode ter entrado em alguma dessas casas bacanas. Você conhece alguém por aqui? – ela completa andando de um lado para o outro.
- Calma – Harry diz segurando Gina pelos braços – eu não moro por aqui faz tempo, quem mora aqui são meus pais. Se acalme, você já viu que horas são? Não dá pra bater na porta de ninguém pra perguntar sobre uma van, você sabe melhor que isso
- Então o que a gente faz? – ela diz com um suspiro
- A gente vai pra casa descansa e amanhã conversaremos com o Sirius sobre a nossa nova hipótese, soa bem pra você? – ele diz torcendo pra que Gina concorde, a última coisa que ele quer é que ela cisme em tentar descobrir o paradeiro da van misteriosa
- Não sei – Gina retruca pensativa – acho que... – ela vê que Harry a encara e suspira se lembrando do que conversaram antes – tudo bem vamos pra casa...
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Enquanto isso
Luna chega ao endereço que Draco lhe enviou. Ela não sabe direito onde está, mas agora é hora de confiar. Mesmo que o local a assuste um pouco ela precisa lembrar que essa será a sua vida por algum tempo
- Ei moça bonita, tem um trocado aí? – uma voz rouca e soando embriagada se faz ouvir. Luna respira fundo tentando não aparentar receio.
- Desculpe, acho que não tenho – ela diz e ouve uma gargalhada, então ela repara melhor e vê que o suposto bêbado não é ninguém menos do que Draco Malfoy, o agente com quem ela deverá trabalhar
- E aí, moça bonita? Agora eu estou me parecendo com um policial? – ele diz num tom irônico – está bom pra você assim?
Luna luta por um momento para não deixar o seu queixo cair, definitivamente ela vai ter que engolir as suas palavras de que ele nunca conseguiria esconder o fato de ser um policial!
- Está ótimo, obrigada – ela diz sem se deixar abalar – eu não sabia que deveria vir disfarçada, mas posso providenciar algo se o senhor desejar.
Draco luta contra o desejo de rolar os olhos, definitivamente isso vai ser difícil. Será que essa moça acha que simplesmente veste alguma coisa e pronto? Se disfarçar faz com que um policial precise de semanas de preparação. Mais um motivo pra isso não dar certo, ele não pode deixar de pensar.
Mas ele não está lá para ensiná-la a ser uma policial, a sua função é protegê-la e evitar que a desmiolada se mate tentando achar quem matou a mãe. Então ele respira fundo enquanto diz:
- Antes de qualquer coisa vamos às regras – ele vê que Luna quer dizer alguma coisa, mas a impede – você não achou mesmo que iria se meter nessa sem que a houvesse algumas regras a seguir, não é mesmo? – ele vê que Luna fica em silêncio – boa menina, agora ouça com atenção
E então Draco Malfoy começa a desfiar um conjunto de regras enquanto Luna escuta em silêncio, mas o loiro sabe que não vai ser tão fácil assim...
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Em outro lugar
Ele encara o homem que mostra a jovem loira desacordada com um olhar orgulhoso, se fosse em outra ocasião, ele o teria parabenizado, afinal loiras sempre foram o seu fraco. Neste momento, no entanto, ele sequer consegue olhar para a mulher. Não é ela, é a única coisa que ele pensa.
Ele vê o olhar de quem espera aprovação no homem a sua frente e respira fundo, ele é alguém fiel que compartilha das suas ideias, mas seu intelecto limitado às vezes o frustra, principalmente quando ele tem que explicar o óbvio, que estas garotas não o interessam mais ao menos por enquanto.
Talvez seja mesmo a hora de desviar o foco. Ele pensa com seus botões. Isso vai ser bom para que depois eu consiga focar na minha obra prima...
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Quase ao mesmo tempo
Harry acaba de parar em frente ao prédio da sua colega. Gina ficou em silêncio a maior parte do trajeto, como se a sua mente estivesse longe. Ele só espera que a ruiva impetuosa não esteja pensando em sair para investigar essa van que eles viram. Não, ela não faria isso, não depois que eu contei sobre a Cho. Ele pensa com seus botões
Ele até agora ainda não acredita que falou sobre a sua antiga namorada para a sua parceira. Harry raramente fala algo sobre o que aconteceu. É duro demais pra ele e sim ele se sente culpado pelo que aconteceu. Mesmo que todo o seu lado racional diga que ele não poderia ter feito nada, lá no fundo ele sabe que se ele tivesse atendido um dos inúmeros telefonemas que ela fez, talvez as coisas pudessem ter sido diferentes.
Ele sai do carro e abre a porta para a ruiva da forma que lhe foi ensinado mesmo que isso não seja um encontro – aspirina e bastante água vão te deixar nova pra amanhã – ele brinca.
- Não seja idiota! – Gina retruca – eu só tomei duas taças, amanhã vou estar inteira (ela suspira) se bem que eu acho que não vou conseguir dormir.
Harry olha para Gina – você não está dizendo que vai ficar pensando nessa van que nós vimos? Eu sei que é estranho, mas pode não ser nada – ele para por um momento – você não está pensando em voltar pra tentar descobrir alguma coisa... Ou está?
Gina olha para o seu parceiro, ela não pode negar que pensou nisso uma vez ou duas, mas ela sabe que não seria prudente muito menos adequado. Ao contrário do dia em que todos os agentes fizeram isso, hoje a situação seria bem diferente principalmente depois do que Harry lhe contou. Então ela respira fundo:
- Eu pensei nisso, não vou negar, mas eu tenho mais juízo do que a sua... – então ela se cala meio envergonhada – desculpe, eu não pensei, quer dizer eu pensei, mas eu não quis dizer assim, quer dizer eu quis, mas – ela para e suspira – desculpa mesmo, Harry, posso começar de novo? Eu estou começado agora na Scotland Yard e eu nunca faria nada que pudesse me prejudicar, pelo menos não sem ter uma prova concreta e é claro que o que você me contou me veio à mente também e eu nunca faria isso com você (ela baixa os olhos por um momento) você não merecia isso (ela o encara) você quer falar sobre o que aconteceu depois que você me contou?
Harry olha para a ruiva e respira fundo. Não, ele não quer falar sobre o que aconteceu e ele tem certeza que Gina também não, mas ele sabe que precisam e se ele for sincero Harry sabe que não vai dormir direito pensando que existe uma possibilidade remota da sua parceira não resistir e tentar achar alguma pista por conta própria mesmo que ela tenha dito que não fará nada do tipo. Então ele diz:
- Acho que precisamos – ele respira fundo – eu realmente não costumo agir dessa forma... O que foi? – ele diz ao ver que a ruiva parece desconcertada
- É que um dos amigos dos meus irmãos mora aqui em frente e se ele me vê há essa hora com alguém, eu nunca vou ouvir o fim disso. Não que eu me importe, mas sinceramente eu prefiro evitar a fadiga. Você se importa em entrar por um minuto? Assim podemos conversar com calma.
- Então você fica chateada com fofocas sobre você com alguém na porta do seu prédio, mas não liga se alguém falar que você levou um homem pra casa? – Harry pergunta sem entender.
- Ah não – Gina sorri – eles nunca fariam nenhum comentário sobre um homem subindo ao meu apartamento, eles preferem acreditar que a virginal irmãzinha nunca faria algo assim. Sabe como é, o que os olhos não veem o coração não sente. E aí sobe para um café e uma conversa desagradável?
Harry sorri e assente com a cabeça e o casal sobe...
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Enquanto isso
Draco acabou de falar as suas regras para a moça a sua frente e pra dizer a verdade ele tem a impressão que Luna Lovegood não ouviu uma palavra sequer do que ele disse. Essa louca vai acabar se matando, ele pensa com seus botões antes de dizer:
- A senhorita não parece ter prestado muita atenção, tem certeza que entendeu tudo o que eu disse e vai ser capaz de seguir as minhas orientações?
Luna luta contra a vontade de rolar os olhos, é evidente que o agente engomadinho deve pensar que ela é uma espécie de idiota avoada incapaz de compreender orientações simples. Luna sabe que isso é algo que muita gente pensa a seu respeito e isso nunca a incomodou, no entanto agora ela se sente irritada com o fato.
Ela encara o agente que ainda aguarda uma resposta e diz:
- Sim senhor, eu entendi perfeitamente. Apenas a minha resposta basta ou eu devo bater continência?
- Isso não é o exército, senhorita – Draco retruca – pois bem, então vamos começar...
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Na casa de Gina Weasley
Harry sorve a xícara de chá que Gina lhe preparou ao mesmo tempo em que se prepara para uma conversa que definitivamente ele não queria ter. Ele sabe que deveria ter dito que estava tudo bem e ter ido para casa, mas ao mesmo tempo ele também sabe que não ficaria bem sabendo que passaria pela cabeça da sua parceira tentar fazer algo por conta própria.
Ele sabe que deveria confiar mais na ruiva, mas alguma coisa nela faz com que ele precise saber que ela está segura, talvez seja pelo fato dela ser sua parceira. Diabos! Ele nunca teve uma parceira antes!
Mas mesmo nunca tendo tido uma parceira antes, Harry sabe que beijar parceiras não é algo a ser feito e não adianta ele se dar qualquer tipo de desculpa, culpando o calor do momento, a investigação ou qualquer coisa assim. Harry só pode culpar a atração que ele sente pela ruiva e é por isso que eles precisam conversar, então ele começa:
- Eu – ele respira fundo – eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu mais cedo antes da van aparecer, eu me deixei levar pelo momento, eu sei que não é adequado.
Gina ouve seu parceiro balbuciar. Ela não está prestando muita atenção, na verdade Harry lhe pedir desculpas a deixa um pouco decepcionada, principalmente ao ouvi-lo colocar a culpa no, digamos, calor do momento. Diabos, ela também pode falar em calor do momento, mas Gina precisa ser sincera e admitir que realmente se sente atraída pelo seu parceiro. Neste momento, no entanto, a última coisa que ela precisa é de se sentir assim, então ela assente com a cabeça enquanto diz:
- Eu não costumo agir dessa maneira, pode acreditar. Primeiro eu praticamente salto em cima de você em uma diligência, depois eu aproveito de um momento em que você está vulnerável, expondo seus sentimentos, eu não pensei muito...
Harry ouve a sua parceira balbuciar, mas na verdade ele não está mais prestando atenção. Ele parou na hora em que ela praticamente disse que se aproveitou dele. Se seu pai ou Sirius sonham em algo assim ele nunca mais terá paz nessa vida.
- Você realmente acha isso? – as palavras saem da sua boca sem que ele tenha controle, controle esse que ele também não tem das suas pernas já que ele se aproxima da ruiva que o fita sem entender.
- Isso o que? – ela pergunta bem consciente da proximidade de Harry.
- Que você se aproveitou de mim num momento de fragilidade? – ele diz meio confuso.
- E não foi? – Gina diz também confusa, se alguém algum dia lhe dissesse que ela iria estar nesta situação, a ruiva definitivamente não acreditaria – você estava me contando sobre um momento difícil, estava fragilizado eu não, então eu deveria ser aquela a dizer que isso era inadequado.
- É isso que você acha? – as palavras saem da boca de Harry sem que ele tenha controle – é isso que você sente? Que o que aconteceu foi inadequado?
- É claro que foi inadequado, você sabe disso! – Gina diz exasperada, afinal não era exatamente isso que ele estava falando ainda a pouco? – nós somos parceiros, você estava fragilizado, eu sou nova na Scotland... O que foi? – ela vê que Harry apenas a encara.
- Eu perguntei o que você sente – Harry diz se aproximando – porque eu realmente acho tudo isso, mas no fundo não é o que eu sinto, droga!
Gina ouve as palavras de Harry ao mesmo tempo em que ouve também seu coração acelerado. Ela sabe que isso é loucura e que uma loucura pode por seu caso em perigo e até mesmo acabar com as suas chances na Scotland Yard, mas ela não pode negar que Harry Potter mexeu com ela desde o dia em que colocou os olhos naquele homem meio tímido de olhos verdes e cabelos revoltos.
- Não é o que eu sinto também – ela sussurra suspirando quando Harry passa a mão em seus cabelos, ela fecha os olhos – mas isso é loucura, nós não devemos – ela completa enquanto sua mão se dirige à nuca de Harry que fecha os olhos quando os dedos de Gina acariciam seus cabelos.
- Sim, é loucura... – é a última coisa que Harry diz antes que seus lábios capturem novamente os lábios de Gina...
NOTA DA AUTORA
Desculpem a demora, eu andei meio enrolada mas finalmente consegui postar. Vou fazer o possível pra não enrolar muito no próximo, mas não prometo nada, espero que gostem e quem puder deixar uma palavrinha vai fazer essa autora muito feliz.
Bjs e até o próximo
