A Passagem

Por Naki

Capítulo 3 - O erro de Iyani

"Shaoran!!!!" - gritava Sakura.

Yue a carregava nos braços tentanto voar em alguma direção que obtivesse em resposta a voz de Shaoran.

O labirinto criado era um tanto quanto incomum. Tomado por diversas ruas, com outras tantas bifurcações, o labirinto possuía árvores em todo o seu redor, como uma floresta, com várias estradas criadas dentro dela. O céu podia ser visto em pequenos espaços entre a copa das densas árvores verdes.

"Sakura" - chamava Yue a atenção de sua mestra - "Tente-se controlar! Chorando não consiguirá perceber a fonte desta presença."

"Tem razão!" - dizia Sakura que era colocada no chão e começava a parar de chorar.

Ao fechar seus olhos, Sakura tentava sentir a presença do ser que estava utilizando suas cartas. Tentava sentir aonde estava seu amor, seu Shaoran.

Yue mantinha seus olhos bem abertos, observando os movimentos que o labirinto criava.

"Não consigo Yue!" - lastimava Sakura - "O poder está disperso por todo o labirinto!"

"Concentre-se em Shaoran!"

"Certo!"

"Meu amor… Shaoran… onde você está?" - pensava Sakura enquanto apertava seus olhos em busca de seu namorado.

Eriol caminhava preocupado em direção a fonte daquela presença que estava sentindo.

"Mestre Eriol!" - uma voz o chamava.

"Spinel!" - dizia Eriol surpreso.

Seu fiel guardião estava em sua forma original, e voava em direção ao seu mestre.

"Eriol!" - dizia Ruby Moon que acabava de pousar ao lado de seu mestre.

"O que os dois fazem aqui?" - perguntava Eriol aos seus guardiões.

"Sentimos a presença, Eriol. E sei que você também a sentiu." - dizia Ruby Moon.

"Sim… E vem do parque…" - dizia Eriol.

"Mestre Eriol!" - dizia Spinel enquanto se abaixava indicando a Eriol que subisse em suas costas.

Eriol subiu em sua pantera, e Ruby Moon tocou-lhe a mão. Ela abria sua mão mostrando o objeto que trazia consigo.

"Minha chave mágica!" - surpreendia-se Eriol.

"Achamos que iria precisar dela, Eriol." - dizia Ruby Moon.

"Obrigado!" - dizia Eriol que erguia seu braço em linha reta e mantinha a palma de sua mão aberta com sua chave sobre ela - "Chave que guarda o poder das trevas!" - continuava enquanto a pequena chave flutuava dentro de uma pequena esfera de energia dourada - "Mostre seus verdadeiros poderes sobre nós! E ofereça-os ao valente Eriol, que aceitou esta missão! Liberte-se!

O báculo se transformara, e os olhos de Eriol mantinham um intenso brilho.

"É bom vê-lo utilizando sua magia novamente, mestre!" - dizia Spinel.

"Também me sinto assim." - sorria sua leal guardiã ao seu criador.

"Vamos!" - dizia Eriol com um doce sorriso nos lábios. Que se tornavam iluminados tamamnho o brilho que seus olhos azuis estavam emitindo.

Os dois seres alados voavam em direção ao parque.

"Como ele pôde usar as Cartas Sakura? Somente aquele que captura e escreve seu nome na Carta tem poder de utilizá-la. Mas depois do juízo final, depois que as Cartas ficaram definitivamente com Sakura, nem mesmo eu, que capturei algumas delas, pude mais utilizá-las! E além disso, Sakura as trasnformou, e agora, as Cartas carregam sua magia, que é desconhecida pelos demais magos do mundo. Como ele pôde utilizar a magia das Cartas… Como? Ele nem ao menos sabia que agora as cartas não são mais Cartas Clow, mas sim Cartas Sakura…E mesmo assim, como ele sabia das Cartas Clow? Quem é Iyani? Por que o interesse dele nas Cartas? - pensava Shaoran. Inúmeras perguntas surgiam em sua mente. Não podia se conformar que a sua frente, dentro de um labirinto criado através de uma Carta Sakura, estava um grande Mago, e o pior, com conhecimentos sobre as Cartas! Para Shaoran, as Cartas eram de conhecimento apenas dos descendentes de Clow, e de Sakura, que tornara-se a nova mestra das Cartas - Será que diante de mim encontra-se um descentende de Clow?

Iyani ria. Olhava para as Cartas em sua mão como se não acreditasse no poder que elas continham. O labirinto envolvia todo o local, e o mago observava o jovem a sua frente. Ele estava com sua espada em punho, e sem dúvidas muitas perguntas passavam por sua cabeça.

"Vamos! Use seus poderes?" - dizia Iyani - "Quero saber como as Cartas se portam a um ataque."

"Pare com isso!" - gritava Shaoran - "Devolva as Cartas! Elas não te pertencem!!!"

Shaoran o observava com raiva. Ele ria como se estivesse bricando com ele.

"Ninguém brinca com um guerreiro Li" - pensava Shaoran.

Os intensos olhos castalhos do guerreiro faiscavam, seus cabelos voavam com o forte vento que a noite trazia. Shaoran preparava mais uns de seus papéis. Tinha uma idéia… Talvez desse certo…

Eriol erguia seu báculo numa tentativa de penetrar no labirinto. Uma intensa luz dourada era emitida por seu báculo. Ruby Moon também lançava seus cristais na parede do labirinto, mas era inútil.

"Não desista, Eriol!" - dizia Ruby Moon enquanto Eriol cessava seu poder, influenciando-a a fazer o mesmo.

"Eriol!!!!" - gritava um ser alado que se aproximava.

"Kerberos!" - espantava-se Eriol - "Aonde está Sakura?"

"Sakura ficou presa dentro do labirinto, assim como Yue!" - respondia Kerberos.

"O que aconteceu? Que presença é essa que estamos sentindo?" - perguntava Spinel.

"Não sabemos! Yue e eu viemos em busca de Sakura! Demos por falta das Cartas e …"

"As Cartas, Kerberos? Não foi Sakura que criou este labirinto? - perguntava Ruby Moon.

"De certo que não, Ruby Moon." - afirmava Eriol - "Alguém está utilizando as Cartas!"

"Quem as roubou de Sakura?" - questionava Spinel

"Ninguém as roubou…" - começava Kerberos - "Sakura as esqueceu dentro de sua bolsa e Shaoran, que estava com ela, foi buscá-las. Enquanto Sakura o esperava, a encontramos e então tudo aconteceu!'

"Então Shaoran deve estar diante desta presença, deste ser…" - pensava Eriol em voz alta.

"Mas se não foi a Sakura que usou o Labirinto, quem o usou?" - perguntava Ruby Moon.

"Como alguém pôde utilizá-la?" - perguntava Spinel a si mesmo.

Eriol fechava seus olhos aflito, tentando buscar uma maneira de ajudar seus amigos, de desvendar o que estaria acontecendo ali. Quem poderia utilizar as cartas? Nem mesmo ele tinha o poder de utilizar as Cartas Sakura, mesmo um dia elas terem pertencido a ele, reencarnação do criador das Cartas.

"Yue!" - dizia Sakura ao abrir os olhos.

"Encotrou Shaoran?"

"Eriol está aqui!" - dizia Sakura com um expressão de satisfação - "Vamos! Com os poderes de Eriol conseguiremos encontrar Shaoran!"

Sakura corria rapidamente entre as diversas ruas que existiam, passava entre pequenos espaços que surgiam entre as árvores, dificultando a passagem do grande guardião Yue, mas este, não deixava de seguir sua mestra.

"Aqui!" - dizia Sakura ao parar diante de uma parede negra - "Eriol está do outro lado!"

Yue passava as mãos sobre os limites do labirinto.

"Rápido Sakura, o labirinto está prestes a se modificar!'

"Eriol!!!" - gritava Sakura.

"Sakura!!! Estamos aqui!" - gritava um Kerberos preocupado do outro lado do limite.

"Kero, você está bem?" - perguntava Sakura.

"Sim! E você? Está com Yue? Encontrou Shaoran?" - perguntava Kero.

"Estou com Sakura, Kerberos!" - respondia Yue.

"Eriol!" - dizia uma Sakura apressada - "Rápido, use seus poderes, a parede do Labirinto está prestes a se modificar. Quem sabe assim não consiga entrar no labirinto! Preciso de sua ajuda, Shaoran está em perigo! Eu sinto isso!"

"Acalme-se, Sakura!" - dizia Eriol - "Farei com sugere! Ruby Moon, Spinel Sun, Kerberos, ao sinal de Sakura lancem seus poderes! Sakura, assim que o Labirinto começar a se modificar, encoste seu báculo nos limites dele, assim nos guiará até você."

"Certo!" - dizia Sakura atenta as modificações do Labirinto, que começava a se modificar - "Eriol Agora!!!"

Eriol lançava um intenso feixe dourado de seu báculo, Kerberos e Spinel abriam suas bocas e lançavam seu golpes. O mesmo fazia Ruby Moon.

O Labirinto começava a se modificar, abandonava sua forma anterior, as densas árvores e as estreitas ruas e bifurcações encobertas pela floresta que se apresentava, e passava agora a um labirinto repleto de escadas e ruas, que seguiam em todas as direções e lados. Sakura enconstava seu báculo na parede do limite do labirinto, que girava devido a sua modificação, forçando a garota a apertá-lo fortemente.

"Sakura, estou vendo seu báculo!" - gritava Eriol do lado de fora do labirinto enquanto aumentava sua energia .

Um buraco surgia na parede, e Sakura e Yue podiam ser observados pelos demais.

"Ande Eriol, vá!" - gritava Ruby Moon.

"Não antes de você! Vá Ruby!" - gritava Eriol.

Ruby Moon passava pelo buraco que começava a diminuir, devido ao Labirinto que estava quase completando sua mudança. Eriol seguiu em seguida.

"Vamos Kero, venha logo!" - gritava Sakura enquanto ajudava Eriol a passar pelo buraco que estava bem menor.

"Spinel, Kerberos, tomem a forma falsa!" - dizia Yue que se mantinha ao lado de Ruby Moon, lançando seus poderes, enquanto que Sakura e Eriol forçavam a passagem mantendo a mesma aberta.

Spinel e Kerberos tomaram sua forma falsa, passando pelo buraco instantes antes do mesmo ser fechado. O Labirinto, agora, estava completamente modificado. E diversas portas, escadas, ruas que passavam pelo teto e pelo chão, podiam ser observadas.

"Acho que teremos uma longa caminhada para encontrarmos Shaoran!" - dizia Ruby Moon.

Todos se olhavam e, Sakura em particular, observava o jovem Eriol, que apresentava uma expressão preocupada.

"Eriol… O que está acontecendo?" - dizia Sakura trêmula e angustiada - "Precisa encontrar meu Shaoran! Ele… ele está em perigo!"

Sakura era tomada de um choro angustiante, cheio de tristeza e lamento.

"Não sei mais o que fazer… é tudo culpa minha! Devia ter mais cuidado com as Cartas!" - Sakura chorava e soluçava, sendo amparada pelos braços de Ruby Moon.

"Não adianta chorar, Sakura" - dizia a guardiã - "Tem que se controlar e tentar perceber o local onde a presença é mais forte!"

"Use seu coração, Sakura!" - dizia Kero - "Ninguém melhor que você para encontrá-lo!"

"Sakura… não é sua culpa…" - pensava Eriol enquanto sentia a tristeza de Sakura - "Espero que também não seja minha…"

"Iyani… Quando aprenderás que a cordialidade também é uma das maiores virtudes dos Magos?"

Iyani encarava Yuri Vancini, líder do Conselho dos Magos da cidade de Celesty. Mais uma vez Yuri o reprimia. Não só ele como todos os Magos ali presentes.

"Wladimir mesmo disse que a atitude da reencarnação de Clow fora errônea!"

"Não disse isso, Iyani!" - corrigia Wladimir.

"Não julgue os outros por suas decisões, Iyani…" - continuava Yuri.

Todos os Magos de Celesty estava reunidos em volta à uma grande mesa redonda. Estavam numa ampla sala, com diversas janela, e com um lustre de cristal, que flutuava sobre a mesa, iluminando todo o recinto. A tele-conference com Eriol Hiiragisawa havia se encerrado. O Mago decidira desistir da oportunidade oferecida à ele, a chance que sua amiga Kaho tanto solicitou nos últimos 3 meses.

"Eriol decidiu por aquilo que acreditava ser mais importante. Por isso, Iyani, chamá-lo de covarde foi muito, muito inadequado. Na verdade, Eriol foi extremamente corajoso por recusar seu posto em Celesty e se aventurar nesse mundo tão perdido que encontramos nos dias de hoje."

"Muito bem colocado Clara!" - dizia Yuri enquanto se levantava de sua cadeira e começava a caminhar em volta de todos os presentes.

"O amor é uma das maiores aventuras as quais os humanos foram submetidos. Aventurar-se nele é como viver em uma represa. De princípio o amor atravessa pequenas rachaduras desta represa, pois a curiosidade nos faz querer experimentá-lo. Nós degustamos de emoções por alguns momentos, sentimos sensações únicas, e ficamos com vontade de saboreá-las, mais e mais. Mexemos na pequena rachadura, e logo, a transformamos em um buraco. Agora, as sensações são mais intensas, nos viciamos naquilo que nos traz prazer. Permitimos mais e mais que o amor penetre por esta rachadura. E a água que passava antes, num pequeno filete, agora começa a jorrar com mais força. Então nos apaixonamos… Permitimos que a rachadura creça, e o buraco se torne maior, tão maior que as barreiras da estrutura, que antes pareciam tão sólidas, começam a desmoronar. A água passa então a jorrar por completo, e um rio aflora, correndo entre as planícies secas, dando-lhes vida!"

Todos escutavam atentamente as profundas palavras de Yuri.

"Amar é permitir a entrega! É viver correndo os maiores riscos! É permitir que o rio que existe dentro da barreira de nossos corações flua, e jorre por todo lugar. Amar é navegar por toda a Terra, por todo o Universo! É conhecer, experimentar, saborear… Amar é sentir-se vivo! "

Todos absorviam as intensas palavras de Yuri Vancini. Seus lindos e intensos olhos azuis transmitiam a Magia do Amor. Magia a qual nenhum mago, jamais, poderia dominar.

"Tolos são os homens que amam! O amor é prejudicial aos Magos!" - explanava Kijo.

"Kijo… Todos nós sabemos disso" - colocava Yuri - "Para se elevar no campo da magia temos que ter o coração livre dos conflitos que o amor trás. Nem sempre o amor é benéfico. Mas não cabe ao Conselho decidir quem poderá amar e quem não poderá. A regra é clara e proibe relacionamentos amorosos para os membros do Conselho, quer ele seja Mago, ou não. Mas para quem vive fora de Celesty, sendo Mago ou não, cabe a eles sua própria escolha."

Yuri era muito sábio, apesar de jovem para a função que exercia. Era o líder mais jovem que já havia tomado a liderança do Conselho.

"Podemos nos retiras, Yuri?" - perguntava Kijo Sukanuri, experiente Mago japonês na arte de telecinesia.

Todos deixaram o recinto, apenas Clara e Wladimir permaneceram junto com Yuri.

Clara Francini* era uma jovem maga, uma das poucas que existiam em Celesty. Tinha longos cabelos cacheados, num tom vermelho, muito intenso. Seus grandes olhos negros destacavam-se na sua pele branca, que dava a seu lindo corpo um ar de mistério. Italiana, como o líder Yuri, Clara era muito audaciosa em suas palavras. Não tinha medo de colocar suas opiniões, até mesmo para o líder do Conselho, de quem era grande amiga.

"Yuri… Está chateado com a decisação de Clow?"

"Não Clara… Mas temo que alguns Magos ficaram chateados, até mesmo decepcionados com a desistência de Eriol"

"Mestre Yuri… Está se referindo, na verdade, exclusivamente a Iyani, não?" - perguntava Wladimir.

"Wladimir, peço-te um favor! Vigie Iyani!" - pedia Yuri.

"Como quiser, mestre. Sabes que ele procurará por Clow, não?"

"Sentes isso, Wladimir?" - perguntava Clara.

"Algo irá acontecer… Como disse à Eriol no tele-conference, sua decisão ainda causará problemas…" - dizia Wladimir imerso em seus pressentimentos.

"Por hora, esqueçamos isso! Certas coisas no destino são imutáveis!" - dizia Yuri enquanto se dirigia a porta da sala - "Quero apenas que Iyani encontre seu caminho! No momento certo voltaremos a conversar a respeito disso, Wladimir. Clara, peço-te segredo deste meu pedido."

"Como quiser, Yuri."

Os três deixaram a sala e Yuri direcionou-se a seu escritório. Ao entrar, fechou a porta atrás de si e pegou um chaveiro de dentro do seu bolso de sua veste azul. Dirijiu-se a um pequeno gabinete, que existia abaixo das estantes da sala, e o abriu. Dentro dele pegou um obejto e colocou-o sobre a mesa. Um filete dourado sob uma base em forma de Lua Crescente de vidro, que envolvia, num círculo dourado, uma estrla prateada cortada por um trovão de mesma cor.

"Voltaremos a conversar no momento certo!" - disse por fim ao colocar o objeto sobre a sua mesa.

Shaoran estava caído no chão. O Labirinto havia se modificado, como era de costume da Carta. Não tivera tempo para colocar em prática sua idéia. Ele levantava-se e percebia que o mago desaparecera.

"Iyani… Aonde você está?"

"Não seria mais prudente você questionar aonde "você" está?

A voz de Iyani podia ser ouvida claramente por Shaoran. "Aonde ele está querendo chegar com isto?" - pensava Shaoran - "Tenho que encontrá-lo, tomar as Cartas e terminar com tudo isso."

"Sabe, jovem…" - continuava a voz de Iyani - "Este labirinto foi divertido, mas quero testar algo mais forte… Estás disposto a enfrentá-lo?"

"Sakura…. Aonde você está minha flor?" - pensava Shaoran - "Espero que esteja fora deste Labirinto… Não suportaria saber que está sozinha, perdida,… Sakura…"

"Sinto que em breve teremos companhia…" - continuava Iyani - "Por isso, vamos continuar antes que todos cheguem…"

Shaoran imaginou que Iyani falava de Sakura. Sim, sua flor estava no Labirinto, e devia estar a sua procura. E também sabia que alguém estava com suas Cartas, e o pior, estava usando-as. Mas era melhor que estivesse longe daquele homem. Ele cuidaria de tudo, recuperaria suas Cartas e colocaria um fim nessa situação.

"Apareça! Não seja um covarde!" - gritava Shaoran enquanto buscava seu rival.

"Que tal um pouco de chuva? Está quente não? Ou quem sabe alguns trovões?"

Shaoran continuava buscando a origem daquela voz, olhava em todas as direções, onde ele poderia estar. Fechou seus olhos, ergueu sua espada, concentrou-se.

"Tempestade! Trovão!"

Os gritos de Iyani ecoaram com os trovões que começavam a cair sob o Labirinto. As nuvens se condensavam negras ao céu, que devido ao Labirinto, se formavam em todos os topos de cada rua que existia. Haviam ruas e escadas em direções diversas. Tinham nuvens por todos os lados. Não se sabia mais o que era chão, o que era nuvem. Uma forte tempestade começava a cair, assim como inúmeros raios.

"Deus do Vento, vinde a mim!" - Shaoran lançava uma forte rajada de Vento em direção ao norte.

Sob uma nuvem, a frente do jovem Li, Iyani caia. O Vento lançado por Shaoran causara o desiquilíbrio do Mago. Shaoran o tinha encontrado.

"Tens muita força, jovem… Conseguiste me encontrar."

"Concentrei-me na sua presença!" - dizia Shaoran de frente para o mago.

"Mostre-me o que pode fazer... Quer as Cartas, não?" - perguntava Iyani enquanto mostrava as Cartas em sua mão.

"Prepare-se!" - dizia Shaoran em posição de ataque.

Shaoran encarava Iyani, lutaria como nunca e recuperaria o que, por direito, pertencia a sua namorada.

"Espada!" - gritava Iyani.

Shaoran partia para cima de Iyani. A luta era travada. As espadas se tocavam diversas vezes, enquanto que os trovões ecoavam diante da forte tempestade que caía. Iyani levava vantagem, devido ao poder da Carta, mas Shaoran era um excelente guerreiro, e em seu treinamento aprendera a lidar melhor com a espada, como se esta fosse a continuação de seu próprio braço, aprendera a lutar como todos os grandes homem de seu Clã.

"Shaoran!" - gritava Sakura.

A chuva caia forte. Os raios caiam em todas as direções e o céu trovejava, a água começava a inundar o Labirinto.

"Ele está usando mais Cartas…" - comentava Spinel.

"Desse jeito nunca encontraremos Shaoran. Esta tempestade deixou o Labirinto ainda mais escuro, e estes raios! Eles caem por todos os lados! Se não tomarmos cuidado poderemos ser atingidos por um!" - dizia Ruby Moon, que voava se afastando dos raios, assim como Yue e os dois outros guardiões, Spinel e Kerberos, que carregavam seus mestres, Eriol e Sakura, respectivamente.

"Temos que continuar procurando!" - gritava Eriol pra se fazer ouvir na tempestade.

"O que acham de nos separarmos?" - dizia Yue.

"Concordo, assim teremos mais chances!" - dizia Eriol.

"Não!" - gritava Sakura - "Eriol, sem você eu não vou conseguir! Use seus poderes, me ajude!"

Eriol era tomado pelos olhos verdes, cheios de água, de Sakura. Ela estava desolada. Sentia algo forte, um mau pressentimento, e isso era notável. Mas como o mago poderia lhe ajudar? Há meses não utilizava seus poderes. Sakura estava sem suas poderosas Cartas, e ele, tão destreinado… Como conseguiriam encontrar Shaoran dentro daquele labirinto?

Sakura observava o jovem Mago, cheia de esperanças de que seu amigo pudesse ajudá-la a salvar seu amor. Como Eriol poderia dizer que não utilizava mais sua magia? Como poderia dizer que estava com tanto medo quanto ela. Precisava consolar sua amiga, a doce flor de cerejeira.

"Vou ajudá-la, Sakura! Confie em mim!"

Sakura dava um lindo sorriso, e enxugava as lágrimas de seus olhos, que já tinham sido misturadas à chuva forte que caia sobre todos.

"Obrigada!" - sorria Sakura.

Shaoran tentava impedir que aquele ser continuasse a criar toda aquela confusão. Queria detê-lo, derrotá-lo e enviá-lo para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Estava tão compenetrado em vencê-lo que não conseguia pensar nos motivos que levavam aquele mago a querer as Cartas Sakura para si, muito menos em descobrir como sabia da existência das mesmas…

Iyani sorria satisfeito com seu oponente. Realmente o jovem guerreiro tinha grandes poderes.

Num golpe preciso, Shaoran virou-se e com sua espada travou a de Iyani, e com um chute, lançou-o para longe. A espada voltou para a forma de Carta e Shaoran a pegou junto ao chão.

A tempestade continuava forte, e os trovões ecoavam logo em seguida dos raios, que caiam com mais intensidade. Shaoran tinha que ficar atento a eles, pois a qualquer minuto poderia ser atingido por um deles. Todo molhado pela chuva e carregando uma espada de metal condutor, Shaoran era sem dúvida um fácil alvo para os raios. Todo cuidado era essencial.

Iyani erguia-se debaixo da chuva, e encarava os olhos castanhos de seu oponente.

"Está se divertindo?" - perguntava Iyani.

"Não vejo diversão alguma nisso!"

Ao dizer essas palavras Shaoran rolara para o lado, desviando-se de um raio que acabara de cair. O som do trovão ecou e com ele o Labirinto começou a tomar uma nova forma.

"Shaoran!!!"

"Sakura!" - respondia Shaoran ao ouvir o grito de sua amada.

"Shaoran, onde você está?" - a voz de Sakura podia ser ouvida pelo guerreiro - "Estou com Eriol, estamos indo te ajudar! Fique aonde está e continue falando! Assim poderemos encontrá-lo."

"Sakura, tome cuidado com os raios!" - dizia Shaoran.

"Eriol… estás aqui? Neste Labirinto?" - dizia Iyani num tom bem baixinho.

"Shaoran!" - a voz de Sakura se distanciava.

"Sakura, está me ouvindo? Sakura! Sakura!!!!" - gritava Shaoran, mas nenhuma resposta era ouvida.

"Tu conheces Eriol? Reencarnação de Clow?" - perguntava Iyani a se aproximar de Shaoran.

"O que isso importa?" - gritava Shaoran.

"Ele logo estará aqui…" - dizia Iyani que tomava a Carta Labirinto em suas mãos, e a jogava no chão.

Shaoran rapidamente tentou buscá-la, para evitar que Iyani a utilizasse novamente. Assim, conseguiria encontrar Sakura e Eriol. Mas ao buscar a Carta que se encontrava próxima aos pés de Iyani, sua visão fora impedida de encontrá-la…

"Névoa!" - gritava Iyani.

O local começava a ser tomado por uma densa névoa, que começava a corroer tudo que se encontrava no parque, grades, bancos, portões. A chuva continuava a cair e aumentava cada vez mais. Uma tempestade de raios começava a cair sobre eles.

"Pare com isso!" - gritava Shaoran que caminhava com dificuldade tamanho o vento que soprava devido a tempestade.

Não era possível enxergar nada, e a Carta Névoa continuava a destruir tudo que encontrava pela frente.

"Ahhhh!" - gritava Shaoran.

Um raio tinha caído muito próximo do guerreiro, que rolara buscando um local mais seguro.

"Shaoran!" - gritava Sakura que voava com Kero próximo a fonte de toda aquela presença. Com o labirinto dissipado, conseguira se aproximar.

"Sakura!!!" - Shaoran gritava tentando encontrar sua amada. Corria sob a forte chuva, despreocupando-se com a forte tempestade.

Os raios continuavam caindo, cada vez com intervalos menores.

"Você! Seja quem for! Pare com isso!" - gritava Eriol que também se aproximava.

"Clow, és tu?" - gritava Iyani.

"Iyani!" - surpreendia-se Eriol ao reconhecer a voz do Mago - "Pare com isso, alguém poderá se ferir!"

"Shaoran! Aonde você está!?" - Sakura gritava forçando seus olhos a encontrar seu amor.

A visibilidade continuava praticamente nula. Yue e Ruby Moon voavam ao alto tentando encontrar a fonte de toda aquela confusão.

"Iyani desfaça esta magia! Alguém poderá se ferir!!!" - gritava Eriol.

"Clow…" - sussurava Iyani sob seus joelhos, um tanto quanto incrédulo. Havia perdido o controle da situação que criara.

"Sakura!!! Ahhhh!!!!!!!!!" - gritava Shaoran que caía à frente de Sakura.

"Shaoran!!!! Nãoooooo!!!!" - Sakura gritava - Nãoooooo!!!

O grito de desespero de Sakura fora suficiente para desfazer a magia das Cartas. Todas voavam em direção a sua mestra, e reluziam, girando sobre ela. Tempestade, Névoa e Trovão voltavam a ser Cartas Sakura e também voavam em direção a sua mestra, que descia das costas de seu guardião, Kerberos.

"Shaoran!!! Shaoran!!!" - corria Sakura em direção ao seu amado. Sakura largava seu báculo como se nada mais importasse.

Eriol e Spinel pousavam diante de Iyani, que ainda encontrava-se sob seus joelhos, e mantinha um choro incontrolado.

Ruby Moon e Yue pousavam ao lado de Kerberos. Todos ali presentes desacreditavam da cena que viam.

Sakura estava de joelhos, ao chão, com um Shaoran desacordado em seus braços. Os lindos olhos verdes de Sakura eram tomados de uma tristeza quase sem limites.

"Shaoran fale comigo!!! Shaoran!!!!"

Os gritos de Sakura ecoavam no parque, naquele cenário destruído. Alguns pingos ainda caiam sobre os corpos molhados dos presentes. Todas as Cartas caiam uma a uma no chão, apenas uma tentava manter-se ao lado de sua mestra, Esperança, mas aos poucos também foi perdendo seu brilho e rendendo-se ao destino das demais. Planara ao chão, ao lado de sua criadora.

Respirações ofegantes, o choro travado na garganta de todos, os olhares tristes. Nenhum tão triste quanto o de Sakura, que encostava sua cabeça no peito de Shaoran, rendendo-se a dor e ao cansaço.

Eriol olhava para seu báculo, e o soltava, vendo-o cair no chão. Uma lágrima escorria de seus olhos azuis. Infelizmente, era tarde demais….

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Aí está gente, mais um capítulo!!!

Ai ai ai…. Shaoran!!!!!!!! O que aconteceu com nosso guerreiro? Será que ele, que ele……????

Aguardem o desfecho deste capítulo….

Quero dedicar este capítulo pro meu amigo Felipe S. Kai. Obrigada, Fe!!! Por ouvir minhas idéias na Anime Friends e por estar admirando meu trabalho!!! Adoro você!!! ^-~

Continuem mandando reviews!!!

Mandem e-mails também: nakizinha@hotmail.com!!!!!

A opinião de vocês é muito importante pra mim!!!!

Até o próximo capítulo!!!

Naki

Nota: Clara Francini* - lê-se Kiara Frantchini.

Obs: Os personagens de Card Captor Sakura apresentados neste capítulo não me pertencem. Eles são de propriedade do grupo Clamp ©.

Os demais personagens são de minha autoria, proriedade de Naki ®. Caso queiram utilizar algum destes personagens, por favor, peçam a minha autorização. Obrigada!