CAPÍTULO 3: Tenho um sonho muito esquisito
Dois meses depois.
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Li a mensagem de Riley pela milésima vez antes de digitar minha resposta e enviá-la. Bloqueei a tela do meu celular no mesmo instante em que a porta da sala se abriu. Virei-me no sofá, observando Edward entrar em meu apartamento carregando algumas sacolas.
— Ei! Como foi lá? — Perguntei conforme ele fechava a porta com o pé.
Edward olhou para mim, parecendo exausto e um tanto apavorado.
— Horrível! — Disse ele, seguindo em direção à cozinha.
— Ah, qual foi? Não é possível que tenha sido tão ruim assim — Falei, revirando os olhos.
Levantei-me do sofá e fui atrás dele.
— Não foi ruim, Bella. Foi horrível. As pessoas são péssimas, mal-educadas e grosseiras sem motivo algum, e eu não entendo o porquê de precisarem ser tão apressadas! — Choramingou, eu ri.
— Você conseguiu comprar tudo, pelo menos?
— Consegui… — Edward disse, fazendo um biquinho fofo como se fosse começar a chorar a qualquer momento.
Aproximei-me dele e fiz um cafuné rápido antes de começar a abrir as sacolas para tirar as compras lá de dentro e guardá-las.
— Estou orgulhosa de você, Edward. Conseguiu sair sozinho pela primeira vez e comprou tudo o que precisávamos.
— Estou orgulhoso de mim também. Foi uma experiência… Interessante. Mas eu nunca mais quero sair sem você, Bella. As pessoas me assustam.
— Se te faz sentir melhor, as pessoas me assustam também. E olha que eu estou há 26 anos sendo obrigada a conviver com elas.
— Na verdade, isso me deixa um tanto preocupado — Disse ele, rindo.
Alguns minutos silenciosos se passaram enquanto guardávamos as compras. Uma vez que tudo estava em seu devido lugar, peguei tudo o que seria necessário para preparar nosso café da tarde.
— Então… — Edward começou a falar enquanto misturava os ingredientes para a massa das panquecas. — Como estão as coisas com o Riley?
Engoli seco.
— Vão… Bem. É, vão bem — Respondi, dando de ombros.
Edward olhou para mim com uma sobrancelha erguida.
— Só isso?
— Hum… Nós… Nós vamos sair hoje — Falei. — Vamos jantar naquele restaurante tailandês novo que abriu, sabe? O que comentei com você que eu queria ir…
Ele olhou para mim e pareceu querer dizer algo, mas desistiu, apenas assentindo.
— O que foi? — Perguntei.
— Nada, não… — Disse ele, mas o olhar que eu estava lançando para ele pareceu ser suficiente para fazê-lo abrir a boca. — Eu… Apenas achei que iríamos lá. Nós dois. Juntos.
— Nós ainda podemos ir, Edward. Eu quero ir com você, aliás, é só que… Eu acabei comentando com Riley e ele me convidou e…
— Está tudo bem, Bella. Terminei de preparar a massa, precisa de algo mais? — Edward me interrompeu.
— Preciso que você lave as amoras e mirtilos, por favor — Disse eu, um tanto confusa com o comportamento de Edward. Ele parecia irritado agora. — Edward, eu apenas aceitei ir com o Riley porque, você sabe, estou tentando fazer as coisas entre nós darem certo.
— OK — Respondeu monotonamente, pegando as frutas na geladeira enquanto eu ia até o fogão preparar as panquecas.
— Edward… — Comecei a falar, mas ele me cortou novamente.
— O que eu faço agora? — Perguntou.
O encarei, aturdida. Ele estava agindo como… Como alguém com ciúmes. Essa percepção me fez rir baixinho, o que chamou a atenção de Edward.
— O quê? — Ele parecia ainda mais irritado agora.
— Nada, Cupidão. Você pode preparar nosso café?
Ele assentiu, ainda emburrado, e foi até o armário para pegar o pó de café.
Lentamente, aquele clima foi se dissipando e as coisas voltaram ao normal pela maior parte do dia. Edward apenas parecia realmente muito incomodado toda vez que eu pegava meu celular para responder alguma mensagem e isso pareceu piorar conforme a hora do meu jantar com Riley ia se aproximando.
— Como eu estou? — Perguntei, saindo do banheiro. Edward estava sentado na beirada da cama, acariciando a barriga de Sr. Darcy, que ronronava audivelmente.
Edward olhou para mim e sua boca se abriu, automaticamente. Ele parecia impressionado com meu vestido tubinho borgonha, salto alto e maquiagem elaborada. Não era a primeira vez que Edward me via toda produzida, mas confesso que até mesmo eu havia ficado impressionada com o quão bem eu estava aquela noite.
— Uau… — Fez Edward, ainda boquiaberto. Eu ri.
— Vou aceitar isso como um elogio.
— Foi um elogio! Caramba, Bella, você está… Uau…
Aproximei-me dele e dei um beijo em sua bochecha.
— Obrigada, Cupidão.
Tentei me afastar, mas Edward segurou minha cintura, puxando-me para perto dele novamente e posicionando-me entre suas pernas. Meu coração começou a bater mais rápido e precisei apoiar minhas mãos em seus ombros para não cair dura no chão ali mesmo.
— O que acha de você ficar aqui essa noite? Podemos pedir comida e assistir "10 coisas que eu odeio em você" — Propôs, sorrindo. Eu quis gritar que sim no mesmo instante, mas não foi o que fiz.
— Acho que Riley não ficaria muito feliz com isso, foi bem difícil de conseguir nossa reserva — Falei, rindo descontraidamente. Edward revirou os olhos.
— Quem se importa? — Perguntou.
Arqueei uma sobrancelha. Esse comportamento não era típico dele.
— O que há com você?
— Nada, eu só… É entendiante ficar aqui sozinho.
— Você não estará sozinho — Falei. — Sr. Darcy vai te fazer companhia.
Edward riu pelo nariz.
— Ah, sim, o Sr. Darcy é uma excelente companhia. Ele é meu melhor amigo.
— Ei! — Protestei, dando um leve soco em seu ombro. — Pensei que eu fosse sua melhor amiga!
— Você era, mas ultimamente prefere ficar com o Riley, então… — Disse Edward, entoando o nome com desgosto. Semicerrei meus olhos.
— Eu não prefiro ficar com o Riley. Você me pentelhou dizendo que eu não poderia desistir do amor, que eu deveria realmente tentar e blá blá blá. Só estou saindo com ele por sua causa! — Eu praticamente gritei o final da frase, começando a me sentir irritada com aquela situação.
— Se é por mim, então não precisa! — Gritou de volta, se levantando. Suas mãos ainda posicionadas possessivamente em minha cintura.
Nessa posição, eu precisava curvar meu pescoço quase noventa graus para conseguir enxergar o rosto de Edward, considerando o quão mais alto do que eu ele é.
— Ah, agora você quer que eu desista? Não acha mais que eu possa encontrar o amor?
— Você acha que irá encontrar o amor no Riley?
— Por que infernos você fica falando o nome dele desse jeito?
— Que jeito?
— Como se ele fosse… Fosse… Sei lá! Algum verme…
— Bem… — Edward deu uma risadinha sarcástica.
— Você disse que ele tem um alto índice de compatibilidade comigo. Está dizendo que eu sou compatível com um verme agora? — Praticamente rosnei minha pergunta, sentindo meu sangue ferver nas veias.
Eu meio que queria socar o rostinho bonito de Edward naquele momento.
— O quê…? Não! É claro que não, Bella. É o oposto, ok? Acho que eu talvez tenha errado dessa vez, não acredito que Riley seja assim tão compatível com você.
— E por que não? Ele é engraçado, inteligente, gentil, educado… — Conforme eu ia citando as qualidades de Riley, o rosto de Edward ia se transformando em uma máscara de desgosto. Eu estava tão irritada que tudo o que eu mais queria era irritá-lo também, e por isso resolvi acrescentar uma última qualidade. — E ele beija muito bem.
O rosto de Edward ficou tão vermelho que parecia que sua cabeça iria explodir.
— Tudo bem, então. Se faz tanta questão assim, vá ter o seu jantar com o seu precioso Riley — Debochou Edward, cuspindo as palavras com rancor. Ele, então, me soltou.
— Por que você está agindo como um idiota? — Perguntei, exasperada. Edward desviou seu olhar para o chão e não me respondeu.
Bufei e ameacei sair de perto dele, mas Edward me puxou para um abraço.
— Perdoe-me — Murmurou ele, seu rosto escondido na curva do meu pescoço. Edward me apertou forte contra seu corpo. — Eu não sei porque estou agindo assim.
— Edward…
— Desculpe-me, Bella, por favor. Não fica brava comigo. Eu vou… Eu vou parar, prometo. Riley é ótimo para você, não há nada de errado com ele, eu apenas… Eu… Eu…
— Você o quê? — Perguntei, me desprendendo de seu abraço apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
— Eu… Eu não sei — Edward parecia genuinamente confuso. — Eu… Não posso…
— O que você não pode, Edward?
Edward abriu e fechou a boca incontáveis vezes, incapaz de dizer qualquer coisa. Suspirei.
— Por que é tão difícil para você apenas me dizer qual é o problema?
— Porque eu não sei qual é o problema! — Edward me soltou e começou a andar pelo quarto, puxando seu cabelo. — Apenas sei que não gosto nada disso. Não gosto que você ache que precisa se arrumar para ficar mais bonita para ele, porque isso é um absurdo! Você é perfeita, Bella, não há como ficar melhor do que isso. Ele é quem deveria se arrumar para você e ainda não seria o suficiente. Também parece tão errado pensar em vocês juntos... Ele não deveria ter permissão para tocar em você, ou mesmo olhar para você! Ele não é bom o suficiente para você, caramba! E eu odeio que você vá com ele ao restaurante que você disse que iria comigo…
Eu fiquei lá, silenciosamente absorvendo seu discurso enquanto ele continuava com seu vômito de palavras. Eu estava abalada, surpresa — mas nem tanto — e absolutamente maravilhada.
Edward parou de andar e se virou para mim, parecendo bastante perturbado.
— Por que você está sorrindo? — Perguntou ele. Só então percebi o sorriso estampado no meu rosto.
— Você está com ciúmes — Falei, rindo pelo nariz. — Deus, você realmente está com ciúmes.
— Eu estou o quê? — Edward riu nervosamente. — Não, eu não estou.
— Sim, você está!
— Não, Bella, não estou. Ciúme é uma emoção humana e eu não…
— Não é humano. Sim, eu sei. Mas você está com ciúmes, fofinho, desculpe por te dar essa notícia.
— Eu... — Edward começou a falar, mas se interrompeu, parecendo realmente surpreso. — Ah, porra…
Eu o encarei com os olhos arregalados.
— Você acabou de xingar!?
Edward não me respondeu, ele parecia meio atordoado.
— Tudo bem, Edward, você está me assustando. Você pode pelo menos piscar ou algo assim? — Questionei, mas ele continuou me encarando como se eu fosse um fantasma por dois minutos inteiros, em total silêncio.
— Porra... — Ele disse novamente.
— Cara, pare com isso! Você é um cupido, não pode xingar... — Enquanto eu falava, Edward se aproximou de mim e segurou meu rosto com ambas as mãos. — O que você está fazendo?
Ele estava me olhando bem nos olhos, então começou a rir como um louco.
— Oh, Deus, você está enlouquecendo? Por favor, me diga que você não está enlouquecendo. Por que se você estiver enlouquecendo, eu vou ser obrigada a te levar para uma clínica psiquiátrica e você sequer tem documentos, tenho certeza que seria uma situação difícil de explicar e…
— Eu estou apaixonado por você — Disse ele, como se estivesse me contando que comeu um bolo de cenoura, ou qualquer outra coisa banal, ainda rindo.
Eu senti como se meu estômago estivesse dando cambalhotas, como se eu fosse vomitar ou desmaiar a qualquer momento — ou talvez fazer as duas coisas simultaneamente, e depois morrer de felicidade.
Ele estava apaixonado por mim.
Mas que porra?
— Com licença — Disse eu, nervosamente. — Você pode repetir? Acho que não te entendi direito.
Lentamente, como se estivesse voltando a si, Edward parou de rir e ficou muito, muito sério. Ele pigarreou antes de me responder.
— Lembra quando eu disse que não sou um homem? — Perguntou, eu assenti. — Talvez eu estivesse errado. Posso ser um cupido, mas aparentemente também sou um homem. Homem o suficiente para me apaixonar por você, pelo menos. Não sei quando ou como isso aconteceu, mas aconteceu. Eu… Eu estou apaixonado por você.
— Você está apaixonado por mim? — Perguntei, estupidamente, ainda tendo alguma dificuldade em absorver a informação.
Foi a vez dele assentir. Eu sorri.
— Isso é muito, muito ruim — Murmurou ele.
— Não! Não é…
— Sim, é. Droga, eu não deveria ter te contado isso. Você pode apenas fingir que eu não disse nada? Vá ter seu encontro com Riley, ele é... Ele é ótimo para você, tudo o que eu disse foi apenas meu estúpido cérebro induzido pelo ciúme falando. Ele é totalmente compatível com você, Bella. Vocês dois podem se apaixonar e ter uma vida feliz juntos. Eu não... Eu... Eu não posso te amar, isso é estúpido. Eu sou estúpido.
Parecia que Edward estava desmoronando lentamente diante de mim.
— Ei... — Falei, estendendo a mão para ele. Abracei Edward e beijei sua bochecha. — Você não é estúpido. Quero dizer... Você fala umas coisas bem estúpidas às vezes, como agora quando você disse que eu poderia me apaixonar por Riley, mas você não é estúpido em geral.
Ele olhou para mim, confuso como o inferno.
— Você pode se apaixonar por ele — Disse Edward, aparentemente incomodado com sua própria afirmação. A frase seguinte pareceu apenas o incomodar ainda mais, com base na careta que ele fez. — Ele beija bem, afinal.
Ri baixinho, balançando minha cabeça. Eu definitivamente estava com os quatro pneus arreados por aquele cupido fofinho e ciumento, estava sim.
— Eu não posso me apaixonar por ele, Edward. Não quando já estou apaixonada por outro.
— Você está... Você está apaixonada por outro? — Ele perguntou, eu disse que sim. Edward parecia triste e irritado ao mesmo tempo quando perguntou: — Por quem!?
— Você, seu idiota! Deus, você é mesmo muito estúpido, deixa para lá — Disse eu. Parte de mim estava irritada com a lerdeza de Edward, a outra queria encher seu rosto surpreso de beijos.
Os neurônios de Edward precisaram de um segundo a mais para processar a informação.
— Por quê? — Perguntou, semicerrando os olhos.
— Caramba, tente não parecer tão surpreso. Pelo menos finja que você tem alguma autoestima — Falei, Edward tombou a cabeça para o lado, ainda esperando uma resposta válida. — Eu não sei, está bem? Eu só... Bem, é tudo culpa sua, na verdade. Você é perfeito para mim, literalmente uma extensão da minha alma, o que você esperava vindo aqui? Era óbvio que eu iria me apaixonar por você! Aliás, como você não percebeu? Você não deveria ter, sei lá, um alarme que dispara quando eu me apaixono? Como você controla essas coisas?
— Não tenho um alarme, Bella, mas há sinais… Só que em nenhum momento passou pela minha cabeça que você poderia se sentir assim por mim, achei que você estava apenas sendo minha amiga — Disse ele, suspirando em seguida. — Isso é tão complicado, não deveria acontecer. Marcus não vai gostar nada disso.
— Isso nunca aconteceu antes?
— Bem... Eu ouvi algumas histórias…
— Alguma delas tem um final feliz? — Perguntei. No fundo, eu sabia que as chances de uma resposta positiva eram baixas, mas ainda assim a esperei.
— Eu gostaria de poder te dizer, mas eu realmente não sei, embora Tanya tenha uma teoria sobre isso.
— Quem é Tanya? E Marcus, aliás. Você continua soltando esses nomes aleatoriamente como se eu conhecesse essas pessoas.
— Oh, certo, desculpe. Nenhum dos dois são pessoas, aliás. Tanya é um cupido, como eu. Marcus é um Superior. Ele é, tipo, o chefe dos cupidos ou algo assim.
— Entendi. Qual é a teoria dessa tal de Tanya?
— Que todos tiveram, de fato, um final feliz. Marcus e os outros Superiores não nos contam o que aconteceu para não nos dar... Ideias, se é que você me entende. Eu nunca pensei muito nisso, de qualquer forma, sempre me pareceu bastante absurda a ideia de nos apaixonarmos por nossos reflexos terrestres.
— Há! Se o você do passado pudesse te ver agora, hein?
Edward riu baixinho, balançando a cabeça, e me olhou intensamente. Ele mordeu o lábio inferior, como se estivesse se controlando para não dizer algo.
— O que foi?
— Toda minha existência é baseada em te ajudar a encontrar o amor, eu vim aqui para isso, e agora…
— Você fez exatamente isso, Edward. Você não vê? Encontrei o amor no dia em que te encontrei — Falei, abraçando-o com força. Edward suspirou contra o meu cabelo.
Nós olhamos um para o outro.
— Eu deveria ser mais inteligente. Há tantas coisas que eu deveria dizer e fazer para tentar consertar as coisas e fazer isso direito. Você deveria viver seu sonho, Bella, se apaixonar por um humano, ter um relacionamento saudável, se casar, ter filhos. Eu não posso te dar todas essas coisas. Mas há alguns sentimentos que vêm com estar apaixonado. Agora que sei como você realmente se sente em relação à mim, como posso deixá-la ir? Suponho que o amor tenha me tornado egoísta.
— Você não precisa me deixar ir, não quero ir a lugar algum sem você — Disse eu, ele sacudiu a cabeça.
— Você está tornando tudo muito mais difícil para mim — Edward disse, tentando soar chateado, mas ele estava sorrindo. — Eu preciso fazer o que é melhor para você, o que eu quero e o que sinto pouco importam aqui.
— Que tal me deixar decidir? Eu não sou um bebê, posso fazer minhas próprias escolhas e eu escolho você.
— É esse o problema, querida. Os Superiores não nos deixam saber o que aconteceu com os cupidos e seus reflexos terrestres que se apaixonaram por um motivo. Não importa o que você e eu decidirmos, a verdadeira escolha não está em nossas mãos.
— Isso não é justo! — Choraminguei, tendo total noção de que estava parecendo uma criança birrenta, mas eu não me importava.
Edward acariciou meu rosto e me ofereceu um sorriso acolhedor.
— Não, não é — Sussurrou para mim.
— Eles não deveriam ser autorizados a decidir por nós! Quero dizer... São nossas vidas, não deveríamos ser nós a termos o poder de decidir o que fazer com elas?
— Queria que as coisas fossem mais simples, Bella, mas não são. Eu sinto muito.
Encaramo-nos por alguns instantes, contemplando a falta de justiça em toda aquela situação, até que percebi os olhos de Edward desviarem para os meus lábios.
— Você está olhando para minha boca de novo, Edward — Falei. Edward riu nervosamente e encarou o chão entre nós, suas bochechas rapidamente ganharam um tom rosado.
— Você percebeu?
— Uhum. Posso saber o motivo? Quer dizer, eu tenho uma ideia, mas talvez eu esteja errada.
Edward ergueu os olhos para mim novamente e o jeito que ele me olhou fez todo meu corpo estremecer.
— Não acho que você esteja errada.
— Você quer me beijar?
— Como eu disse, o que eu quero pouco importa — Respondeu, revirei os olhos.
— Sim ou não, Edward? — Perguntei, ele assentiu. — Me beija, então.
— Bella… — Eu sabia que alguma baboseira sensata iria sair da boca dele, provavelmente algo sobre como não deveríamos nos entregar aos nossos desejos, que isso só complicaria as coisas e blá blá blá, então o interrompi com um beijo.
Seus lábios, tão macios, gentilmente acariciaram os meus. Suas mãos deslizaram suavemente pelas minhas costas, me puxando para mais perto de seu corpo enquanto eu enfiava meus dedos no cabelo em sua nuca, puxando-o com cuidado.
Eu coloquei minha língua ligeiramente para fora da minha boca e lambi seu lábio inferior. Edward se afastou um pouco de mim, olhando para mim com os olhos arregalados de surpresa. Sorri para ele, encantada como sempre ficava com suas adoráveis reações, ele sorriu de volta para mim antes de lamber meu lábio inferior também. Eu meio que gemi, meio que ri.
— Desculpe, eu realmente não sei o que estou fazendo — Ele se desculpou, claramente envergonhado.
— Está tudo bem, Cupidão, você está indo bem. — Disse eu, beijando-o novamente.
Beijar Edward foi ainda melhor do que eu poderia imaginar. Mesmo que eu pudesse notar que ele estava tão desesperado quanto eu por essa troca, ele ainda era gentil em cada toque.
Lentamente, encontramos nosso ritmo enquanto Edward aprendia o que fazer com a língua e as mãos. Ele caminhou em minha direção, me empurrando contra a parede e pressionando seu corpo contra o meu. Era impossível não notar o quão feliz ele estava por me beijar. Eu ri um pouco contra seus lábios e mexi meus quadris, ele gemeu alto abrindo os olhos sem parar nosso beijo. Mordi seu lábio inferior e ele gemeu de novo, e eu constatei que eu realmente adorava ouvi-lo gemer. Adorava saber o efeito que eu tinha sobre ele.
Deslizei uma mão pelo seu peito, para o cós de sua calça de moletom, e então para a protuberância entre suas pernas.
— Bella… Eu… — Murmurou ele, seus lábios ainda nos meus.
— Por favor, não pare agora — Pedi. — Eu preciso de você, Edward.
— Eu preciso de você também — Disse ele, soando tão inocente que eu não tinha ideia se ele havia entendido o significado do que eu disse.
Olhei para ele — a criatura mais pura, amável e bondosa que já conheci — e senti que meu coração poderia explodir de tanto amor a qualquer instante. A sensação era tão intensa e avassaladora que eu precisei piscar algumas vezes para controlar o ímpeto de chorar. Edward franziu o cenho e encostou sua testa na minha.
— O que há de errado? — Perguntou, olhando em meus olhos. Sua preocupação era visível, sorri.
— Nada. Não há absolutamente nada de errado agora. Você é tudo que eu sempre quis e tudo que eu nem sabia que precisava... E você está bem aqui, em carne e osso, bem na minha frente. Estou tão feliz por ter sido tão fodida e exigente e totalmente incapaz de ter um relacionamento real que você teve que vir aqui e tentar me ajudar. É como... É como se eu estivesse em uma noite escura e você é minha luz do dia. Você ilumina a minha vida. Eu te amo tanto.
Edward sorriu de volta para mim e me beijou suavemente.
— Sendo seu cupido, eu sempre te amei de certa forma… Agora só te amo mais. E eu apenas sei, com todo meu coração, que vou te amar para sempre.
Eu o beijei, menos suavemente do que ele fez comigo.
— Não quero te perder — Choraminguei contra sua boca.
— Eu sei. Eu não quero te perder também — Disse ele, nós nos abraçamos e eu ri, percebendo que ele ainda tinha uma ereção. — O que foi?
— Você ainda está duro — Falei, olhando para cima para ver seu rosto. Ele pareceu confuso por um mísero instante, então suas bochechas ficaram coradas.
— Eu não sei o que fazer com isso — Edward sussurrou, como se estivesse me confidenciando um segredo.
— Oh! Eu posso te ajudar com esse… Probleminha — Sorri maliciosa para Edward, mordendo meu lábio inferior enquanto deslizava uma mão novamente para sua ereção. Os olhos dele se arregalaram antes de revirarem nas órbitas.
— Bella… — Edward gemeu e suspirou ao mesmo tempo.
— Você não quer? — Perguntei, massageando-o gentilmente. Edward não respondeu, então repeti a pergunta.
Quando Edward olhou para mim novamente, seus olhos estavam mais escuros. Um tom escuro de verde, como as profundezas de uma floresta densa, eu só conseguia pensar em me perder neles. Ele balançou a cabeça e murmurou um arrastado "não para", sua voz mais intensa e rouca do que eu já havia ouvido.
Fazendo exatamente o oposto do que ele me disse para não fazer, parei. Sua resposta foi automática.
— O quê? Por que você...? — Eu o beijei, interrompendo-o.
— Tenho que fazer uma coisinha — Falei, indo até à cama e pegando Sr. Darcy no colo. O gato reclamou por eu tê-lo acordado de sua soneca e eu me desculpei antes de colocá-lo para fora do quarto e fechar a porta. — Onde estávamos? — Perguntei, me dirigindo a Edward.
Aproximei-me o suficiente dele para conseguir descer sua calça e boxer por suas pernas enquanto ele me olhava interrogativamente.
— É melhor sem roupa no caminho, sabe... — Expliquei, dando de ombros.
Edward deu um passo para trás e chutou as peças de roupa aos seus pés para longe, me dando uma visão incrível de seu corpo nu. Mais uma vez desde que o conheci, pensei que tinha morrido e desta vez tive a certeza de que estava no céu.
— Por que você está olhando assim para mim? — Ele perguntou.
— Assim como? — Perguntei de volta, incapaz de parar de escrutinar cada centímetro de seu corpo. Incluindo aqueles centímetros.
Passei os dedos pelos lábios para ter certeza de que não estava babando.
— Como... — Ele parou, ponderando. — Como se você estivesse olhando para sua sobremesa favorita.
Olhei para o rosto de Edward, ele parecia confuso — absurdamente fofo. Um rosto adorável com um corpo absurdamente sexy. Ele não tinha ideia do quão irresistível ele era.
— Bem, você parece tão gostoso quanto minha sobremesa favorita — Respondi, dando de ombros. Edward ficou claramente constrangido com minha resposta, encarando o chão de imediato, o que me fez rir. — Você não tem vergonha de ficar todo peladão na minha frente, mas tem vergonha de receber um elogio?
— Pare de me envergonhar, por favor — Pediu ele, eu ri alto e caminhei em sua direção.
Coloquei meus braços em volta do pescoço dele e o beijei nos lábios, ele me abraçou pela cintura e arqueou uma sobrancelha.
— Você não vai tirar a roupa também?
— Oh, meu Deus! Edward, o cupido puro e inocente, quer me ver, seu reflexo celestial, como vim ao mundo?
— Me desculpe, se você não quiser... — Eu ri novamente, interrompendo-o. — Você sabe quantas vezes eu sonhei sobre ficar nua com você? — Perguntei, puxando as alças do meu vestido para baixo. Os olhos de Edward seguiram o caminho das minhas mãos.
— Você… Você sonhou com isso? — Ele parecia um tanto incrédulo.
— Eu sonhei sobre muitas coisas, Edward — Falei, deixando o vestido escorregar pelo meu corpo até se acumular aos meus pés, deixando-me apenas com o conjunto de lingerie que eu estava usando.
Edward me encarou, boquiaberto. Seu olhar passeando pelas curvas do meu corpo.
— Gosta do que está vendo? — Perguntei, ele olhou para o meu rosto e assentiu, mas parecia perturbado com algo. — O que foi?
— Eu... Estou... Em conflito.
— Sobre o quê?
— Você estava planejando... Mostrar isso para o Riley? — Edward perguntou, apontando para o meu corpo. Eu olhei para baixo e passei meus dedos pela renda escura do meu sutiã.
— Talvez? — Falei, o que soou como uma pergunta, olhando novamente para Edward. Fiz uma careta e ele repetiu a mesma expressão. Apressei-me em dizer: — Mas isso foi só porque eu pensei que tinha zero chances com você...
— Você não precisa se explicar para mim, Bella, perdoe-me. Eu... Eu só realmente não gosto de pensar em você com ele... — Edward parou de falar, virando-se enquanto cobria o rosto com as mãos. — Esse sentimento, ciúme, é a pior coisa que já senti.
Andei até ele e o abracei por trás, beijando suas costas.
— Então não fique pensando nisso, tipo, nunca mais. Eu quero você e mais ninguém, Edward, não há motivos para ciúme. Estou aqui e sou inteiramente sua, de corpo, alma e coração. Você realmente quer perder tempo pensando em coisas que poderiam ter acontecido?
— Não — Disse ele, virando a cabeça para me olhar. Eu sorri para ele.
— O que você quer fazer, então?
— Eu quero... — Ele virou o resto do corpo e roçou os dedos na bainha do decote do meu sutiã. — Eu quero tirar isso de você.
— Faça isso — Falei, Edward olhou para a peça e eu quase podia ver as engrenagens girando dentro de sua cabeça. — O fecho é atrás.
— Claro — Disse ele, tão baixo que não tive certeza se ele queria mesmo que eu escutasse.
Edward me virou de costas para si e abriu meu sutiã, deixando-o cair no chão em seguida. Ele colou seu corpo no meu e deslizou seus dedos pelas minhas costas até os ombros, então para os braços até o dorso das mãos, e então para minha barriga, subindo até o limite dos meus seios, onde ele parou.
— Posso? — Perguntou em meu ouvido, assenti. Então, os dedos de Edward estavam tocando meu seio. Minha pele se arrepiou com o toque e eu arfei.
Os dedos de Edward traçaram linhas invisíveis pelos meus seios, ao redor do mamilo e sobre ele. Olhei para Edward e ele estava observando seus movimentos, verdadeiramente concentrado no que estava fazendo, com um olhar apreciativo em seu rosto.
— É tão macio — Disse ele, posicionando as palmas das mãos sobre meus seios, cobrindo-os. Eu ri fracamente.
— Edward... — Suspirei, roçando minhas pernas uma na outra. — Você está me torturando.
Ele me virou novamente, para ele desta vez, parecendo horrorizado.
— Eu te machuquei? Sinto muito... — Coloquei um dedo sobre seus lábios, silenciando-o enquanto balançava minha cabeça.
— Não. Desculpe, esqueci que você não está acostumado com algumas expressões. Veja, em algumas... Situações, tortura é uma coisa boa — Falei, ele parecia confuso pra caralho. — Agora, por exemplo, você está me torturando porque está me deixando com um tesão mortal. Eu preciso foder com você.
— Ah... Ah! Certo... — Disse ele, nervoso.
— O quê? Você não quer fazer sexo comigo? — Perguntei, olhando para baixo entre nós, onde sua ereção permanecia firme e forte. — Porque seu pau definitivamente parece que sim.
— Meu Deus, Isabella... — Ele me repreendeu, olhando para o teto com o rosto vermelho como um pimentão maduro.
— Você é tão fofinho todo envergonhado — Eu disse, rindo e beijando-o na bochecha. Então dei um passo para longe dele e segurei a barra da minha calcinha, movendo meus quadris lentamente. — Então... Você quer que eu tire isso também ou...?
Eu nem terminei de perguntar, Edward já estava balançando a cabeça ansiosamente.
Deslizei minha calcinha lentamente pelas minhas pernas, olhando para Edward enquanto fazia isso, observando-o engolir em seco quando voltei a ficar ereta, totalmente nua diante dele.
— Pronto — Disse eu, jogando minha calcinha nele. Edward não a pegou, ocupado demais olhando para mim para ter qualquer reflexo. — Tente não babar muito ou podemos acabar nos afogando na sua saliva.
— Você é tão... Linda... — Edward disse, quase como se estivesse em um transe ou algo assim.
Talvez ele realmente estivesse, considerando que ele nem ao menos se importou com a minha piadinha idiota.
Edward se aproximou de mim, colocando as mãos em meu quadril e apertando levemente. Fechei os olhos, respirando fundo, sentindo um arrepio percorrer meu corpo. Um gemido absurdamente baixo escapou meus lábios.
— Estou torturando você de novo? — Ele perguntou, divertido. Assenti.
Com meus olhos ainda fechados, senti os lábios de Edward roçando os meus antes de ele me beijar apaixonadamente. Parecia que fogo estava se espalhando lentamente pelas minhas veias, me fazendo queimar, mas isso não era, de qualquer forma, algo ruim — eu queria mais.
Talvez fosse a conexão entre nossas almas ou alguma outra coisa, mas Edward parecia saber o que eu queria. Em um movimento suave de suas asas, ele nos levou até a cama. Foi rápido e eu nem tenho certeza se poderia chamar isso de "voar", mas ele nos tirou do chão e a próxima coisa que vi, foi que estávamos deitados na cama, ele sobre mim, ainda me beijando.
Enrolei minhas pernas ao redor de sua cintura, o que fez nossos corpos se aproximarem mais e nossas intimidades se tocarem. Sem pensar, mordi o lábio inferior de Edward, e ele grunhiu. Edward se afastou ligeiramente de mim, respirando fundo, com seus olhos firmemente fechados.
— Me desculpe, eu te machuquei? — Perguntei. Edward rapidamente balançou a cabeça, afirmando que não. — O que foi, então?
— Bella… Meu amor, eu realmente quero fazer isso… Deus, eu sequer sabia que eu poderia querer algo tanto assim. Mas preciso que você modere suas expectativas, sim?
— Por que eu faria isso? — Perguntei, confusa sobre de onde estava vindo aquele pedido.
Edward riu baixinho, encostando sua testa na minha.
— Por mais que eu realmente queira estar com você assim, não sou burro o suficiente para pensar que serei bom nisso. Não quero que você se decepcione.
— Oh, certo. Eu não estou preocupada com isso.
— Claramente — Disse ele, rindo baixinho. — Mas eu estou. Então, por favor, não espere muito. Eu nem sei o que devo fazer. Quer dizer... Eu sei o básico, mas... Não realmente.
— Ei, olhe para mim — Eu pedi, embalando seu rosto em minhas mãos. Edward olhou diretamente nos meus olhos. — Minha melhor amiga uma vez me disse que ela teve um monte de sexo incrível em sua vida, mas nada comparado a fazer amor com a pessoa certa. Foi, tipo, mágico. É por isso que não estou preocupada, porque você é a pessoa certa para mim, mesmo não sendo uma pessoa de verdade… — Falei, fazendo uma careta. Então, balancei minha cabeça e continuei: — E isso não é apenas sexo por prazer. É fazer amor, é sobre conexão e ser a outra metade um do outro. Tenho certeza que vai ser mágico para nós também.
— Você realmente acredita nisso?
— Sim — Respondi, dando-lhe um selinho.
O selinho se transformou em um beijo faminto, e toda vez que eu beijava Edward, parecia cada vez melhor. Nos movíamos em sincronia, acariciando os corpos um do outro, roubando gemidos e choramingos.
E mais tarde, quando movi minha mão para sua ereção e o posicionei a mim, roçando a ponta de seu membro em minha entrada, pouco antes de perdermos o controle e ele estocar para dentro de mim avidamente, a conexão que senti foi apenas uma extensão da conexão que tínhamos criado durante aqueles longos minutos explorando o corpo um do outro, ou mesmo antes, durante aqueles meses que passamos nos conhecendo… Nos apaixonando.
Cada estocada, cada gemido, cada pedido por mais e mais rápido, cada beijo que ele depositou na minha testa, demonstrando um carinho e gentileza que eu nunca havia experimentado em um momento como aquele, e cada marca que deixei nas costas de Edward, entre suas asas — mesmo que parecessem um produto total da luxúria —, compuseram a experiência mais pura que já tive.
Angela estava certa, afinal. Estar com a pessoa — ou o ser celestial — que você ama é realmente uma experiência mágica.
As estocadas de Edward começaram a se tornar erráticas após algum tempo, enquanto eu sentia meu orgasmo crescendo dentro de mim. Eu sabia que ele não ia durar muito mais, então não me preocupei em me segurar. Vi minha oportunidade e a agarrei sem qualquer hesitação. As contrações decorrentes do meu orgasmo devem ter sido o suficiente para levá-lo ao limite também.
— Bella... Eu... Eu... — Edward balbuciou e eu sorri, girando meus quadris para aumentar nossa fricção.
— Venha para mim, amor. Está tudo bem — Disse eu.
Eu podia senti-lo pulsando dentro de mim enquanto ele estocava mais rápido e mais fundo. Os músculos de Edward se retesaram e suas asas se abriram totalmente, e eu o senti se libertar dentro de mim.
Nós nos abraçamos, rindo baixinho, completamente bêbados de amor. Eu estava prestes a dizer a ele que eu estava certa e que não havia nada para se preocupar porque sexo com um cupido sexy era, afinal, incrível, quando ouvi a porta do meu quarto se abrindo.
— Oh, Edward, o que foi que você fez? — Ouvi uma voz masculina falar.
Olhei em direção à voz e me deparei com o que só poderia ser um cupido parado ali, nos observando com um olhar de decepção. Ele estava usando uma túnica branca enrolada ao redor do corpo, como uma estátua grega, e suas enormes asas douradas estavam à mostra.
Meu primeiro instinto foi tentar me cobrir, mas rapidamente me dei conta de que o corpo e asas de Edward já estavam fazendo muito bem o trabalho. Falando em Edward, ele parecia em choque.
— Irei esperá-los na sala. Por favor, vistam-se — Disse o cupido, imediatamente se retirando.
Edward fechou os olhos com força e enterrou o rosto na curva do meu ombro.
— Merda — Ele praticamente rosnou a palavra.
— Quem era aquele?
— Aquele é Marcus.
— O que ele está fazendo aqui? — Perguntei, confusa. Edward olhou para mim e encolheu os ombros.
— Eu não sei e não estou ansioso para descobrir, mas é melhor nós não o deixarmos esperando muito tempo. Marcus não é conhecido por sua paciência.
Vestimo-nos o mais rápido que conseguimos e saímos do quarto. Edward entrelaçou nossos dedos conforme andávamos em direção à sala — um gesto tão simples, mas que significou o mundo para mim naquele momento.
— Oh, finalmente! — Disse Marcus, levantando-se com Sr. Darcy em seu colo. Franzi o cenho, encarando o trairinha. Como ele ousava ser amigável com o cara que muito provavelmente iria me proibir de ficar com Edward? — É um prazer vê-lo novamente, Edward, principalmente agora que está vestido.
— Marcus, eu posso explicar…
— Ah, não, não, nada disso. Não preciso de explicações, sei de tudo sobre vocês dois, pombinhos — Marcus soltou uma risadinha medonha, se aproximando de Edward e eu. — Assim como você, Edward, sabe tudo sobre nossas regras… E punições.
— Você não pode puni-lo por se apaixonar por mim! — Protestei, Marcus me olhou estupefato. Percebi ali que ele não estava acostumado a ter sua autoridade questionada. — E solta o meu gato!
Edward apertou minha mão, tentando me acalmar, mas não funcionou. Fui até Marcus e tirei Sr. Darcy de seus braços.
— Você tem razão, não posso puni-lo por se apaixonar. A natureza da alma de cupidos e humanos é a mesma e, por isso, estas são muito similares, e desta forma, também são seus sentimentos. O ato de se apaixonar é incontrolável, portanto não seria justo puni-lo por isso. Todavia, a decisão de Edward de expor os sentimentos dele para você e consumá-lo… — Marcus virou-se para Edward, sorrindo. — Isso, sim, requer um castigo.
— Eu entendo — Disse Edward, virei-me para ele com a mais indignada das expressões.
Edward, por outro lado, parecia realmente culpado, como se ele tivesse cometido algum crime absurdo ou algo assim, o que só me deixou ainda mais indignada.
— Você entende? — Perguntei, sentindo-me frustrada. — Pois eu não entendo! Isso é absurdo! Não fizemos nada de errado.
— Há controvérsias… — Marcus cantarolou, olhei para ele com a mais mortífera das expressões. — Ora, querida, não me olhe assim. Eu entendo sua frustração, entendo mesmo. Sou um romântico incorrigível, afinal. Mas regras existem para serem seguidas e punições existem para evitar que regras sejam banalmente quebradas.
— Mas… — Tentei protestar, inutilmente.
— Toda essa conversa não nos levará a nada, a decisão foi tomada pelo Conselho Superior. Estávamos apenas esperando para ver o que Edward faria ao perceber seus sentimentos e, bem, aqui estou. Apenas vim anunciar a punição… De ambos.
— O quê? Você não pode me punir, você não é meu pai, nem meu chefe. Se manca — Gritei.
Marcus bufou.
— Como você pode ter se apaixonado por uma criaturinha tão irritante e mal criada? — Perguntou ele, para Edward.
— Não fale sobre ela desse jeito. Aliás, não fale sobre ela de jeito nenhum — Disse Edward, entredentes, se colocando entre mim e Marcus.
Ele nunca pareceu muito ameaçador, a meu ver, até aquele momento. Fiz uma nota mental de que Edward ficava extremamente gostoso quando estava sendo protetor. Marcus também pareceu surpreso e impressionado.
— Amar é incendiar a alma... — Marcus sussurrou, não parecia estar preocupado se Edward e eu ouviríamos ou não. — Bem, Edward tinha apenas um único objetivo ao vir até aqui: ajudar Bella a encontrar um amor. Tendo falhado nessa missão…
— Ele não falhou, eu encontrei o amor — Protestei.
— Você não pode namorar seu cupido, querida. Então… Tendo falhado nessa missão — Marcus insistiu, falando mais alto agora. Revirei meus olhos, não havia conversa com aquele ali. — O Conselho Supremo o condena à vida humana. Seus poderes e sua posição como um ser celestial serão revogados perpetuamente, sem possibilidade de retorno.
Isso não parecia tão ruim… Para mim.
Olhei para Edward no exato instante que uma lágrima desceu rolando por sua bochecha, senti como se meu coração estivesse se partindo em mil pedaços. O abracei o mais forte que podia.
— Eu sinto muito — Sussurrei. — Eu sei o quanto você ama ser um cupido, Edward, eu sinto muito.
— Tudo bem — Disse ele, sorrindo fraco para mim. — Eu amo você muito mais.
Sorri de volta para ele, tentando controlar a minha vontade de chorar também, e lhe dei um selinho.
— Ademais, considerando a situação… — Marcus começou a dizer, Edward e eu nos viramos para ele. Surpreendi-me ao perceber que a máscara de primazia de Marcus estava se estilhaçando e, abaixo dela, pude ver seu rosto contorcido em uma expressão de tormento. — Afetiva de vocês, eu e os demais membros do Conselho determinamos que mais uma punição, dessa vez dirigida a ambos, seria apropriada. Afinal, não podemos simplesmente deixar Edward aqui, jubilando-se dos prazeres humanos, isso seria uma recompensa.
O mais torturante dos pensamentos me atingiu, algo que seria uma punição para Edward, mas também para mim. Meu corpo inteiro estremeceu e eu comecei a chorar antes mesmo de as palavras deixarem meus lábios.
— Vocês… Vocês não podem! Vocês não podem matá-lo!
Marcus pareceu assombrado.
— Oh, não! Que horror, menina, não fazemos esse tipo de coisa. Não, nada de mortes — Disse ele, fazendo uma careta.
Edward estava me apertando em seus braços.
— O poder de dar e tirar a vida está muito além da capacidade dos Superiores — Disse Edward em meu ouvido. — Não cabe a eles decidir quem deve viver.
— Edward está certíssimo — Disse Marcus. — A punição de vocês, porém, temo que será tão dolorosa quanto… Bem, pelo menos num primeiro momento. Prometo que, em questão de segundos, será como se nunca tivesse acontecido.
Eu estava tão confusa. Mas, pela expressão em seu rosto, Edward sabia exatamente para onde aquela conversa estava rumando.
— Não… — Ele murmurou.
— O que isso significa? — Perguntei a Edward, mas quem respondeu foi Marcus.
— Toda memória que vocês tem sobre o tempo que passaram juntos irá desaparecer, será como se nunca tivessem se conhecido. Edward poderá caminhar em sua direção na rua, ou sentar-se ao seu lado em um parque, e vocês não terão ideia de quem é o outro. Ele será apenas mais um humano para você, mais um estranho.
— O quê? Não! Você não pode fazer isso! — Gritei.
— Na verdade, eu posso e irei. Sinto muito, de verdade, mas foi uma decisão coletiva. Isso é… Para o bem de vocês, acredite. Algumas coisas são melhores quando esquecidas.
— Bella… — Edward me chamou, mas eu estava ocupada demais direcionando xingamentos a Marcus. — Bella, meu amor…
— Não!
— Bella… — Dessa vez, olhei para Edward. Sua imagem embaçada diante de mim devido às lágrimas. Edward colocou uma mão em cada lado do meu rosto, aproximando seu rosto do meu. — Eu te amo.
— Eu também te amo — Falei entre os soluços.
— Eu vou te encontrar — Edward sussurrou aquelas palavras antes de tocar meus lábios com os seus no mais suave dos beijos.
Abri meus olhos, com a claridade de um novo dia entrando por uma fresta na cortina do meu quarto. Eu estava me sentindo estranha. Tive a sensação de ter tido o mais esquisito dos sonhos, mas só conseguia me lembrar de lampejos dele.
Um homem com asas me beijando, por algum motivo eu estava me sentindo tão triste, mas seu toque me trouxe luz. Ele sussurrou algo para mim, eu gostaria de poder lembrar o que era.
Ou pelo menos de seu rosto.
Eu sentia que o amava, mesmo que eu não tivesse ideia de quem ele era.
Tão estranho.
Levantei-me vagarosamente, tomando cuidado para não incomodar os dois gatos que dormiam confortavelmente esparramados aos meus pés. Não adiantou muita coisa, já que ambos me olharam com uma expressão que misturava sono e irritação. Eu ri.
— Bom dia, Sr. Darcy — Falei para o gato mais à esquerda, fazendo cafuné em sua cabeça. Então, me aproximei do outro, o gato branco que simbolizava minha total e completa desistência do amor, e acariciei sua barriga gorducha. — Bom dia para você também, Edward.
Graças a Deus, havia muitos nomes nos meus livros favoritos, porque eu não ia parar em Sr. Darcy e Edward. Se eu era incapaz de conseguir ter um relacionamento com alguém, ao menos eu iria adotar o máximo de gatos que eu pudesse.
— O que vocês acham de a mamãe adotar mais um irmãozinho pra vocês, hein? Talvez uma irmãzinha? Eu poderia chamá-la de Scarlett ou Elizabeth… — Perguntei para os dois que apenas fecharam os olhos e voltaram a dormir.
Eu ri, indo até o banheiro para tomar um banho antes de mais um dia de trabalho.
E esse foi o penúltimo capítulo de Encontro Marcado, o que acharam?
Até o próximo!
