N/A: Gostaria de agradecer a todas as pessoas que deixaram reviews. Me perdoem por não as ter respondido, mas é que realmente não tive tempo.

E Centaura, mana querida, eu adorei o movimento ^-^! A única coisa triste de tudo isso é que as Astrides da vida realmente existem. Eu mesma me inspirei em algumas que conheço para fazer a personagem ¬¬

Capítulo 2

A mulher a sua frente chorava e dizia coisas desconexas, deixando-a desesperada. Não sabia como agir. Nunca antes na vida havia se deparado com uma pessoa no meio de uma crise histérica e lhe era bastante difícil lidar com o que desconhecia. Lembrava-se de ter ouvido, uma vez, em algum lugar, que para acalmar uma pessoa no meio de uma crise histérica era preciso que alguém lhe esbofeteasse até que se acalmasse. O único problema que havia nesta idéia era que se resolvesse esbofetear a cunhada tinha certeza que não pararia mais até que a criatura caísse desmaiada. Sem saber ao certo o que fazer, resolveu apelar para algo menos drástico. Então agarrou-a pelos ombros e a chacoalhou, com toda a violência que sua estatura pequena lhe permitia, até que parasse. Em seguida forçou-a a sentar-se no sofá.

- Muito bem! – Gina sorriu, vitoriosa, olhando para a cunhada que agora jazia sentadinha e comportada no sofá, olhando-a apavorada por sua reação inesperada. – Agora engula o choro e me conte o que houve!

- Rony me deixou! – respondeu Astrid, num soluço, tentando engolir o choro, temerosa pela atitude da cunhada.

- Isso eu já entendi. – disse Gina. - Quero saber o que houve para que ele finalmente fizesse isso, por que demorou, né? – se arrependeu de suas últimas palavras ao ver que a cara da cunhada ameaçava voltar ao ataque histérico de antes. – Quer dizer... do jeito que vocês brigavam, né? Já desconfiava que uma hora isto acabaria acontecendo.

- Desconfiava por que? – Astrid lhe lançou um olhar furioso de quem finalmente entendera algo. - Você sabe de alguma coisa? – rugiu, pronta para saltar em Gina. A emenda saíra pior que o soneto.

- Eu deveria saber de alguma coisa? – respondeu Gina, percebendo que dera uma tremenda mancada e tentando se corrigir e parecer bastante inocente. Realmente não sabia de nada e não tinha nada a ver com o que quer que acontecera. Mas tinha certeza que se não convencesse Astrid bem rápido disso, estaria metida num enorme problema.

- Eu acho que sim, já que Rony mudou muito depois que veio visitar vocês pela última vez. Aposto como você fez a cabeça dele direitinho, não é? Eu sei que você me odeia!

- Não, eu não chego a te odiar. E também não fiz a cabeça dele. Mas agora que você falou, bem que ele andava meio estranho quando veio nos visitar. Cantando, sorrindo sozinho...

- Ele tem outra! Tenho certeza. E acho que sei quem é!

- E quem seria?

- A ex-namorada dele.

- Hermione Granger?- respondeu Gina, sem acreditar no que a cunhada lhe dizia. Era claro que Astrid estava completamente doida. Até acreditava que o irmão tivesse outra mulher, mas Hermione era impossível. Ela era certinha demais para se envolver com um homem casado, mesmo que esse homem tivesse sido o maior amor de sua vida. Astrid andava vendo cabelo em ovo e começava a entender porque Rony quis se ver livre dela. Também pudera, coitado, ter que conviver com aquela desvairada todo o dia. Gina mal a agüentava por meia hora. – Ora, francamente, Astrid! Você só pode ter perdido o juízo! De onde você tirou uma coisa destas?

- Para começar ele não está aqui, está? Para onde mais ele poderia ter ido ontem depois que nós brigamos? Ou aqui ou com ela!

- Quem sabe na casa de Harry Potter, que era seu melhor amigo e confidente? – esbravejou, enfadada, com vontade de pegar a cunhada pelos ombros e chacoalha-la novamente. - Você não pensa muito, mesmo!

- Harry Potter! – um olhar lunático agora tomava conta do rosto de Astrid. – Claro! Como não pensei nisso! Preciso ir atrás dele. Rony pode estar lá.

- Vá pela sombra! – sorriu Gina, pensando que, finalmente, estaria livre da cunhada, que a encarou pronta para cair no choro novamente.

- Eu não sei onde Harry Potter mora!

- Eu te darei o endereço!

- Tenho medo de ir sozinha!

- Não se preocupe. Harry não morde!

- Venha comigo!

- Não!

- Por favor!

- Já disse que não!

- O que te custa?

- Não!

- Gina!

Estava quase tudo preparado para iniciar o ritual. Draco estava com medo que não desse certo, ou que desse certo demais e então tivessem um zumbi comedor de carne humana para se preocupar. Já tinha se arrependido da idéia estapafúrdia que tivera e começava a concordar que talvez enrolar a velha no tapete e jogá-la no rio fosse melhor negócio. Mas não admitira isso nunca.

Já vira inúmeras vezes o pai fazendo magia negra, mas ele mesmo nunca fizera. Lembrava-se mais ou menos do ritual, mas não tinha o livro para dar-lhe certeza. Se bem que lera tantas vezes aqueles livros do pai quando criança que seria muito difícil de errar. Difícil mas não impossível. E se fizessem o ritual da maneira errada e invocassem um demônio ou algo do gênero? Com certeza tanto ele quanto Neville passariam o resto de seus dias em Askaban e não teria nada nem ninguém que pudesse vir em seu socorro. Isso se sobrevivessem.

Ora, iria para Askaban de qualquer forma. Estava com medo de que, afinal?

- Me ajuda aqui! – disse Neville erguendo a velha pelas pernas. Agora iriam colocá-la no centro do pentagrama e começar o ritual. Não dava mais para voltar atrás. Allea jacta est! A sorte estava lançada e que fosse o que Merlin quisesse.

Juntamente com Neville arrastou o cadáver para o centro do pentagrama. Enquanto acendia as velas pôde perceber que Neville se aproximava da janela, um tanto nervoso. Aquele grifinório estúpido estava apavorado e lutando contra seus próprios demônios antes de pôr o plano em prática. Por mais que detestasse a idéia, tinha que admitir que Neville era corajoso. Estava apavorado e ainda assim insistia em continuar com aquela maluquice. Lutando contra seus próprios medos. Draco não sabia se faria o mesmo em seu lugar.

- Malfoy! – Neville gemeu, de repente, no mais absoluto pânico, apontando pela janela.

- O que foi? – respondeu Draco, começando a empalidecer. Percebendo, então, que o medo podia se algo contagioso.

- A PMM está lá embaixo!

- Calma! Eles não devem estar atrás de nós!

- E estariam atrás de quem? Da síndica? Que outros bruxos moram nestas redondezas?

- Ora, vai ver estão atrás da Hermione, a ladra de maridos!

- Temos que esconder tudo, Malfoy! Não é hora para piadas. Precisamos esconder o corpo e toda essa porcaria para magia negra que está espalhada por aqui. E o mais rápido possível!

Draco não respondeu. Mais que depressa ajudou Neville erguer o cadáver da síndica.

- Escondemos isso aonde?

- Na cama da Hermione! Fechamos as janelas e a cobrimos. Diremos que a Hermione está dormindo.

Carregaram o corpo até o quarto de Hermione e o largaram na cama. Draco se encarregou de cobrir o cadáver e revirar um pouco os lençóis, para parecer que alguém estivera dormindo ali por horas, enquanto Neville fechava as cortinas, muito apressado.

- Rápido, Malfoy! Rápido! – Neville estava em pânico.

Correram para a sala e Neville foi logo juntando as velas e as ervas, enquanto Draco escondia o pentagrama com o tapete e puxava a mesinha de centro de volta para cima deste. Então correu buscar um baralho de Snap explosivo, que atirou sobre a mesinha, para parecer que estiveram jogando.

Passos próximos da porta. Neville e Draco se entreolharam. O pânico os atacando brutalmente. Neville, subitamente, lembrou-se do professor Snape e sorriu. Agora entrar em pânico por causa do professor lhe parecia uma grande criancice. Não tinha idéia do que era o verdadeiro pânico naquela época. Então, riu com gosto. Draco se desesperou, achando que Neville havia perdido o juízo de tanto medo. O que faria? Encararia a PMM sozinho, com um doido que poderia dar com a língua nos dentes a qualquer momento. Olhou para a janela da sala, a sua frente. Nunca antes lhe parecera tão convidativa quanto naquele momento.

- Eu é que não vou ficar aqui para ser preso! – disse Draco, descontrolado, abrindo a janela e se pendurando para o lado de fora, tentando procurar um apoio para os pés. Esquecendo completamente que era segundo andar e que estava usando somente o avental.

- Malfoy, seu desgraçado, não me deixe aqui sozinho! – reclamou Neville, parando de rir e fechando a cara.

E nisso bateram na porta.