Capítulo 3


N/A: Primeiramente me desculpem pela demora. Mas final de semestre, vocês sabem como é, né? Vou tentar ser mais rápida com o próximo.
Mais uma vez agradeço a todos que deixaram reviews. E, Hannah, Alea jacta est eu não tirei do livro do Assis Brasil, desta vez. Alea jacta esta foi uma das poucas coisas que consegui aprender em dois semestres de Língua Latina na faculdade, hehe.
Bjks para todos e espero que gostem.



A porta foi aberta.
Gina soltou um gritinho ao se deparar com um Harry Potter encharcado, com o cabelo pingando, enrolado numa toalha e com a pior cara possível. Olhou para o outro lado, muito constrangida, com vontade torcer o pescoço da cunhada. Aquela desvairada precisava ter batido na porta daquele jeito, como se fosse derrubá-la? Não adiantaram os gritos que vinham do lado de dentro pedindo que esperasse um pouco? Não! Astrid precisava ter feito todo aquele escândalo na porta de Harry ou não seria feliz, afinal escândalos eram a razão de sua existência. E, como se isso não fosse o suficiente, agora a desvairada estava ali parada, como se estivesse em transe, com a mão ainda erguida e encarando Harry daquela maneira indecente. Gina até tentou, mas não pôde resistir ao impulso de dar-lhe uma forte cotovelada nas costas. E foi o que fez.
A cunhada soltou um gemido de dor e lhe lançou um olhar assassino. Mas Gina não fez caso. Aparentemente a cotovelada fora o suficiente para tirar Astrid do transe em que se encontrava.
- Eu vim buscar o Rony! - esbravejou para Harry que, naquele momento, as fitava sem nada entender. Mas Astrid pareceu nem notar. - Eu sei que ele está aqui. - continuou. - Não adianta tentar escondê-lo!
E, dizendo isso, empurrou Harry e entrou porta adentro sem sequer pedir licença e muito menos esperar um convite. O rapaz ficou apenas observando, pasmado, a sua casa ser invadida por aquela doida. Então olhou para Gina, como quem pede uma explicação.
Gina sorriu, constrangida. Bem diziam por aí que ter dinheiro não era sinal de ter educação. E a cunhada era a prova viva de que isto era uma verdade incontestável. Sua vontade era de também invadir a casa de Harry e trazer Astrid de volta, pelos cabelos, para que ela mesma explicasse a Harry o que estava acontecendo. Mas fazer o que? Era uma pessoa educada, afinal de contas. Teria que ela mesma explicar para Harry o que estava acontecendo.
- Olá, Harry! Tudo bem contigo? - falou. - Desculpe pela cena, mas minha cunhada é louca, você bem sabe... Rony a deixou e agora ela está atrás dele. Por acaso você sabe onde podemos encontrá-lo?
Harry balançou a cabeça, revirando os olhos.
- Entre, Gina! Acho que não preciso convidar a tua cunhada para fazer o mesmo, levando em conta que ela já entrou e agora está revirando minha casa. - falou, com um sorriso irônico. - Entre, por favor. Acho que temos algumas coisas para conversar.




- É o Sr. Longbottom? - falou o mal encarado homem à sua porta mostrando o distintivo da Polícia do Ministério da Magia. Neville engoliu em seco. Ainda queria torcer o pescoço do infeliz do Malfoy que o deixara sozinho para enfrentar a polícia.
- Sim, sou eu. Neville Longbottom. O que deseja?
- O senhor, assim como o Sr. Draco Malfoy, está sendo processado por atentado à ordem pública, depredação do patrimônio público e por colocar em risco o sigilo da existência do mundo mágico, por sua atuação ao lado da Liga dos Amigos dos Lobisomens naquele ato de desordem diante do ministério. Vim entregar-lhe sua intimação. - o homem respondeu, mau humorado, entregando-lhe uma carta e mostrando-lhe um papel. - Por gentileza, queira assinar aqui para comprovar que recebeu a sua intimação.
Neville assinou, de cara feia. Processado! Então era isso. Estava sendo processado. O que mais? Fora ele quem havia apanhado como um elfo doméstico daqueles brutamontes da PMM e agora ele é quem seria processado também. Justo. Muito justo. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, não é mesmo. A legitimidade de sua luta não tinha a menor importância. E muito menos o fato de que a confusão só começara por que a PMM investira contra os manifestantes. Será que deveriam todos apanhar calados? Era isso o que se esperava deles? Será que não tinham o direito de dizer que achavam que a sociedade cometia erros? Será que não tinham o direito de exigir do governo que as coisas fossem diferentes sem ser taxados como baderneiros? Por um momento esquecera que havia um cadáver no quarto de Hermione e um homem semi nu pendurado do lado de fora de sua janela. Sua revolta era maior. As coisas eram tão injustas.
- Então o ministério está me processando? Será que devo processá-los também por terem me desmontado de pancadas? - esbravejou. O homem a sua frente apenas deu de ombros.
- Não adiantaria de muita coisa. - ele respondeu. Claro que não adiantaria. Não mudaria nada. Nunca iria mudar. A sociedade precisava mudar primeiro e Neville achava que isso nunca aconteceria. - Onde está o Sr. Malfoy? - continuou o homem. - Preciso entregar a intimação dele.
Isso fez com que Neville deixasse de lado toda sua indignação por um momento e voltasse a sua comprometedora realidade presente. Instinto natural de sobrevivência.
- Malfoy não se encontra!
- Então a deixarei com o senhor.
- Pode esquecer! Não vou receber a intimação do Malfoy. Volte amanhã. - Respondeu um tanto malcriado, a indignação voltando. Não seria ele quem facilitaria a vida do ministério.
- Não posso. Tenho informações de que ele se encontra em casa e terei de encontrá-lo já que o senhor não quer receber a intimação dele.
- Já falei que ele saiu!
- Nesse caso não vai se importar se eu der uma olhada em seu apartamento para confirmar.
- Tem um mandado?
- Não. Mas se faz questão posso conseguir um agora mesmo.
Neville deu de ombros e suspirou.
- Vá em frente!
Seria muito suspeito não deixar o homem dar uma olhada no apartamento atrás de Draco. Se o fizesse arrumar um mandado vai saber se não poderiam desconfiar que tinham algo a esconder (como material de magia negra) e não seria pior? Era melhor deixar que o homem se certificasse que o idiota do Malfoy não estava em casa. E que não deixasse que se aproximasse do quarto de Hermione. Claro que fora burrice não ter recebido a intimação do Malfoy desde o começo. Mas nunca lhe passara pela cabeça que o homem revistaria o apartamento. Claro que também poderia "mudar de idéia" e receber a intimação agora. Mas preferia ir para Askaban a dar o braço a torcer para o ministério.
O homem parou diante da mesinha de centro onde estava o baralho.
- Estavam jogando?
- Sim. Ontem.
- Hum!
O homem continuou a olhar as coisas, deixando Neville nervoso. Temeroso que tivessem esquecido alguma coisa suspeita. O policial perguntou onde era o quarto de Draco e Neville permitiu que entrasse. O quarto estava revirado. Na mais completa bagunça. Neville nunca antes havia entrado no quarto de Draco, mas nunca poderia imaginar uma bagunça daquelas. O homem olhou dentro do armário e debaixo da cama, de onde Bichento lhe saltou, na cara, já que estivera escondido ali. Resignado, o homem deixou o quarto de Draco e fez a mesma inspeção no quarto de Neville, só que com mais cuidado quando olhou debaixo da cama. Inspecionou a cozinha, o banheiro e a sala. E, então, parou diante da porta fechada do quarto de Hermione.
- De quem é este quarto?- perguntou. Neville engoliu em seco.






- Hermione Granger? - gritou Astrid, a beira das lágrimas. Harry assentiu com a cabeça. Gina estava chocada. Então Rony estava tendo um caso com Hermione mesmo. Astrid tinha razão. Nunca imaginara que Hermione fosse capaz de ter um relacionamento com um homem casado. Mesmo que este homem fosse Rony. E nunca imaginara também que Rony seria capaz de largar tudo, como Harry havia contado, para ir atrás dela. Estava feliz por eles, sem dúvida, embora tivesse ganas de matá-los a cada vez que olhava para o abacaxi que eles haviam lhe deixado.
De qualquer forma, gostara daquilo: largar tudo para viver um grande amor. Não sabia se faria o mesmo se tivesse a mesma estabilidade que os dois tinham no momento em que fizeram isso. Sentiu inveja. Naquele momento adoraria largar tudo para viver um grande amor. E largaria se não fosse por um mísero detalhe: não tinha um grande amor para viver. Olhou para Harry tentando sentir algum resquício do amor que lhe dedicara durante sua adolescência, mas vê-lo sentado num sofá, pingando, enrolado numa toalha, com um roupão por cima e com aquela cara de quem não sabe o que faz a fez desistir da idéia. Não, Harry já não era seu grande amor, mas apenas um amigo querido. Queria, desesperadamente, ainda sentir algo por ele. Algo que pudesse dar sentido a sua vida. Mas sua dura realidade era que já não amava Harry, e que também não amava a ninguém. E isso tornava sua vida vazia. Sentia falta de ter alguém em quem pensar.
Viu Astrid atirar-se sobre Harry como uma fera, agarrando-o pelos colarinhos. Aquilo a tirou de seus devaneios.
- Onde ela mora? - Astrid esbravejava, entredentes. - Me diga onde ela mora.
Gina precipitou-se para cima de Astrid, tentando tirá-la de cima de Harry. Foi difícil, mas conseguiu. Jogou a cunhada com toda a força para cima do sofá.
- Controle-se, mulher! - ralhou. Astrid voltou a chorar.
- Eu preciso encontrá-lo.
Harry revirou os olhos.
- Ah, Rony! Está na hora de você se responsabilizar pelos seus atos! - falou, mais para si mesmo que para as moças a sua frente. E então contou-lhes onde Hermione morava. Astrid sorriu, agradecida. E então olhou para Gina.
- Ah, não! - Gina falou. - Pode esquecer. Eu não vou até lá contigo para te ver fazer escândalo novamente. Pode esquecer.
Astrid jogou-se no sofá e recomeçou a chorar.