Capítulo 4

N/A: Bem, demorou mais do que o esperado. Sinto muito! Ainda não estou em férias e nesta época é difícil arrumar tempo para qualquer outra coisa.

Mais uma vez agradeço a todos que deixaram reviews. Vocês fizeram uma escritora de fics muito feliz.

Quero deixar um beijão para minha mana Centaura, fundadora do NMA – Nós Matamos Astrides, que me fez rir muito com este movimento, numa hora em que eu precisava muito dar boas risadas. E um beijão especial para o pessoal da Família Granger Weasley (adoro vocês!).

Espero que gostem deste capítulo. Boa leitura e bjks para todos.

Caileach

Neville mal acabara de fechar a porta do apartamento, despachando o homem da PMM, quando viu Draco entrar pela janela, muito rapidamente, com a pior cara do mundo.

Draco o fuzilou com os olhos, parecia furioso. Neville lhe devolveu a olhada como quem pergunta "e então". O outro deu de ombros:

- Estes trouxas são todos malucos! – resmungou Draco, entredentes. – Havia duas loucas no prédio da frente. Uma me atirava coisas e me chamava de tarado. A outra ficava tirando fotos. Parecia aquele pivete sangue ruim da Grifinória que vivia atrás do Potter. Prefiro encarar a PMM a aturar aquilo. Onde estão os homens?

Neville começou a rir histericamente. Era tão surreal tudo aquilo: a PMM dando batida no apartamento, Malfoy pendurado do lado de fora da janela. E a vizinha da frente fotografando. Parecia um daqueles pesadelos estranhos dos quais você não consegue acordar. Mas o soco no ombro que Draco lhe deu o fez perceber que estava bem acordado.

- Mas que merda, Malfoy! – esbravejou, massageando o ombro. – A PMM já foi!

- Você quer fazer o favor de parar com estes ataques de risos, Longbottom? Está me deixando maluco!

Neville respirou fundo, enquanto sentava no sofá e tentava não rir. Nada era tão engraçado assim. Estava rindo de nervoso. O pior de tudo era que a desgraça do Malfoy tinha razão.

- O que eles queriam?

- O Ministério está nos processando. Vieram nos trazer a intimação. Mas não recebi a tua. Mandei que voltassem amanhã!

Então os estavam processando. Era só isso!

Ao mesmo tempo Draco sentiu-se em pânico e aliviado. Aliviado por que ainda não tinham descoberto que havia um cadáver dentro do apartamento. Em pânico por que Askaban lhe parecia cada vez mais próxima. Estava perdido. Iria para a prisão de um jeito ou de outro. Pelo menos uma vez na vida o imbecil do Longbottom tomara uma decisão acertada. Tentaria adiar o recebimento da intimação o mais que pudesse.

- Estão processando só nós dois ou a Liga dos Amigos dos Lobisomens também?

- Acho que a LAL também! – Neville respondeu. Foi a vez de Draco ter um ataque histérico de riso.

- Então a LAL já era! – falou, tentando recuperar o fôlego. – Como aquele bando de pés rapados farão para pagar um advogado? Venderão pêlo de lobisomem para fazer casacos? Irão todos para Askaban. Será o fim da Liga dos Amigos dos Lobisomens.

- Não seja idiota, Malfoy! – respondeu Neville sério e enfadado. – A Liga é internacional. É claro que eles darão um jeito. Eles podem não ter dinheiro para pagar um advogado, mas têm excelentes advogados entre eles! Tua futilidade é admirável, Malfoy! O mundo ruindo ao nosso redor e você fazendo o mesmo tipo de piadinhas preconceituosas que fazia quando estava na escola! Francamente, Malfoy, cresça!

Draco suspirou. Parecia que havia ferido os brios de Neville. Menos mau. Faria qualquer negócio para arrumar uma daquelas discussões intermináveis com Longbottom e adiar o que precisavam fazer ainda mais. Que situação! Longbottom era estranho: coisas grandes não o ofendiam, uma piadinha boba era o suficiente para vê-lo nos cascos. Nunca entenderia o Longbottom e não fazia a menor questão de fazê-lo. Tudo que queria era dar o fora dali. Era não ouvir a pergunta que Neville não demoraria muito para fazer.

- Vamos voltar ao que estávamos fazendo? – murmurou Neville, dando o assunto por encerrado. Draco desejou dizer que não. Que não queria mais mexer naquilo. Que deveriam pensar numa maneira diferente de resolver o assunto. Mas não chegou a dizer nada. Bateram novamente na porta e os dois olharam-se, em pânico.

Gina não podia acreditar no que seus olhos viam. Era demais para um dia só. Sua cunhada desvairada batera violentamente na porta. Gina pedira, em silêncio, que Rony e Hermione não estivessem ali. Quando ouviu passos se aproximando da porta imaginou que um dos dois a abriria. E eis que agora tinha em sua frente Neville Longbottom num estado deplorável, com a camisa manchada de batom e cheirando a álcool; e Draco Malfoy em pessoa, usando apenas um avental. A figura de Malfoy vestido daquele jeito era algo tão espantoso que até Astrid calou-se. Parecia confusa.

- Hn! – falou Astrid, bastante constrangida. – Ahn, desculpe atrapalhar vocês! Mas me disseram que aqui morava Hermione Granger. Acho que me deram o endereço errado. Por favor, me desculpem. E podem continuar o que estavam fazendo!

Neville pareceu engasgar com aquilo. Malfoy revirou os olhos.

- Não estávamos fazendo nada! – gritou Neville.

- E por falar em pobres... – comentou Draco, olhando de Gina, que fechou a cara, para Astrid. – Você falou bem, minha cara. Morava. Hermione Granger foi embora!

- Como foi embora? – gritou Astrid, pronta para pular no pescoço de Draco. Gina pensou que com certeza não faria nada para impedir. Draco parecia irritado.

- Que parte do "foi embora" você não entendeu? Ela foi embora! Roubou o marido de uma mulher e foi embora com ele! – disse com pouco caso. Astrid parecia a ponto de ter um treco. – E quem é você? O que quer com ela?

- Não pense que você vai me enganar tentando acobertar os dois! – berrou Astrid, empurrando Draco e Neville e invadindo o apartamento como uma patrola. – Eu vou encontrá-los. Sei que estão aqui!

- Mas quem é esta louca? – Gritou Draco, correndo atrás de Astrid, para impedi-la de entrar no quarto de Hermione. Sendo seguido por Neville e Gina.

- A mulher que teve o marido roubado! – respondeu Gina com um sorriso cretino. Aquilo irritou Draco imensamente. Não era possível. Era demais para um dia só. Síndica morta, PMM, intimação e agora a irmã e a mulher, hormonalmente descontrolada, do Weasley. Provavelmente Hermione lhe havia acertado a cabeça na noite anterior e agora estava morto. E no inferno.

- Ronald! – Gritava Astrid. – Eu sei que você está aí com esta sirigaita! Apareça agora mesmo!

Neville ainda tentou impedir, mas quando ela viu a porta fechada do quarto de Hermione, não teve o que a segurasse. Astrid abriu a porta e percebeu, na penumbra do quarto, que a cama estava ocupada. E foi com tudo para cima da cama, xingando Rony a altos brados. Neville tentava, desesperadamente, contê-la. Draco gritava que parasse. Que era a sua namorada que estava dormindo ali. Gina teve certeza que havia alguma coisa muito errada e seguiu a cunhada, de perto, mais para ver o que iria acontecer do que para impedir que ela fizesse algo.

Tudo durou uma fração de segundos, mas na mente de Draco pareceu uma eternidade. Ele gritava. Neville tentava conter a mulher do Weasley. A irmã do Weasley abria as cortinas enquanto a desvairada loura erguia as cobertas. E então todos pararam, estáticos, por um momento, olhando para o cadáver escondido sob os lençóis.

Draco viu a mulher do Weasley correr para a sala, chorando e gritando, seguida de Neville. E, então, a irmãzinha do Weasley o derrubou por cima do cadáver e o cobriu de pancadas.

Havia uma mulher morta na cama onde Astrid pensara encontrar Rony e Hermione. E o Malfoy dissera que era sua namorada. Era por isso então que ele e Neville fizeram tanto para as impedir de ver quem estava na cama.

Um cadáver! Os gêmeos, Astrid, Malfoy e agora um cadáver!

No mínimo Malfoy matara aquela mulher. A cara de espanto dela parecia a de alguém que levara uma maldição imperdoável. Assassinara a coitada e obrigara o pobre Neville, sabe-se Merlin lá como, a encobri-lo. Um Imperius, no mínimo.

Aquele projeto mal acabado de Comensal da Morte matara uma trouxa com uma maldição imperdoável, tinha o pobre Neville sob efeito de um Imperius, provavelmente deveria ter feito alguma coisa com Rony e Hermione e agora ia dar cabo dela e de Astrid.

"Ah, bom Deus! Eu não mereço isso!" Gina pensou num misto de pânico e fúria. "Os gêmeos, Astrid, Malfoy, o cadáver e agora ser morta por um Comensal?"

- Mas isso nunca! – gritou, derrubando Malfoy sobre o cadáver, subindo por cima dele e começando a socá-lo e chamá-lo de assassino.

Draco não podia negar que, apesar de estar apanhando, era, no mínimo, "interessante" ter a irmã mais nova do Weasley em cima de si. E como ela batia forte! Mas não podia se deixar ser espancado e não fazer nada.

Agarrou-a pelos punhos, de maneira que não pudesse mais lhe bater.

- Eu não matei ninguém, garota! Você não sabe o que está dizendo. Pergunte ao Longbottom, se quiser. Mas eu não matei ninguém. Agora sai de cima de mim e pára de me bater!

Como Gina não obedecera, Draco viu-se obrigado a derrubá-la para o lado e subir ele por cima dela.

- Se acalme! Eu não matei ninguém! Se você conseguir se acalmar eu poderei explicar o que está acontecendo.

Gina não conseguia prestar atenção ao que ele dizia. Descontara a tensão de um dia inteiro sobre ele e não tinha certeza de que não tinha razão. Mas o peso dele sobre seu corpo lhe causava sensações que preferia não confessar nem a si mesma.

- Olhe – ele falou, saindo de cima dela, quando parara de se debater. – Vamos para a sala e conversaremos. Eu e Neville vamos explicar tudo.

Ela respirou fundo e assentiu com a cabeça. Os dois levantaram da cama, em silêncio. Draco cobriu o corpo novamente e fechou a cortina. Dirigiram-se para a sala.

Astrid, sentada no sofá, chorava abraçada a Neville, que passava a mão em seu cabelo e tentava consola-la. Gina revirou os olhos e olhou para Draco.

- Aqui vai ser impossível conversar sobre qualquer coisa! – disse-lhe, entredentes, de cara feia. Draco suspirou:

- E o que fazemos?

- Eu vi uma lanchonete trouxa aqui perto. Vamos até lá. Duvido que você seja louco o suficiente para tentar qualquer coisa contra mim em público. Lá você me explica o que está acontecendo e Neville fica aqui, cuidando da minha cunhada. Ele parece estar sendo muito mais bem sucedido nisso. Mas eu já te aviso, Malfoy, se você tentar qualquer coisa eu vou gritar e vou te bater novamente. E deixe a varinha em casa.

Malfoy suspirou. Estava tudo ferrado, mesmo. Duvidava que saísse dessa. Quando as coisas estão ruins, nunca duvide que elas poderão ficar piores.

- Está bem. Vamos, então. – respondeu.

- Sim! Mas primeiro bote uma roupa por que eu é que não saio com você vestido deste jeito! Coisa mais ridícula!

Draco sentiu o rosto corar. Havia esquecido completamente do avental. Não, as coisas não ficam piores. Ficam muito piores.

Meia hora e um banho tomado depois, os dois deixaram o apartamento.

- Ora, não fique assim. – disse Neville, carinhosamente, acariciando o cabelo de Astrid. – Homens são todos cafajestes, em maior ou menor grau. E, infelizmente, Rony é o primeiro da lista.

Astrid fungou, em seu ombro.

- Vamos, não fique assim. Sei do que estou falando. Gosto muito do Rony, mas ele é um cafajeste. Por causa dele eu terminei com a única garota de quem já gostei na vida.

- Não me diga que você também é um dos adoradores de Hermione Granger! – Astrid falou, um tanto irritada, secando as lágrimas. Neville riu.

- Eu e a Hermione? Não. Nunca! Eu nunca tive nada com a Hermione. Para mim ela foi sempre só uma amiga. Eu prefiro as loiras, sabe? – respondeu Neville, piscando-lhe o olho. Astrid sorriu.