Capítulo 5

N/A: Mais uma vez (e espero que seja a última) me desculpem pela demora. Foi bloqueio. As vezes acontece, sabem como é...

Neste capítulo espero fazer a alegria dos R/Hs e D/Gs que conseguiram chegar até aqui. Vai rolar um pouco de ambos os shippers e espero que vocês gostem.

Dedico este capítulo à Lain Lang, que me apoiou na idéia maluca de mostrar o lado "penoso" do Neville. A fic dela, Londres, chegou ao final e está maravilhosa! Recomendo às pessoas que gostam de um belo romance R/H.

Dedico também este capítulo à Maya Granger que, apesar de ser uma H/G fanática, está acompanhando esta fic. Prometo que ainda escreverei uma H/G, amiga!

Beijos à Lisa, Nikari Potter, Nanda, Satine e Centaura. Obrigada pelo apoio, gurias!

- É perfeito! – disse Hermione, abrindo as janelas do apartamento que ela e Rony haviam acabado de alugar. Fora muita sorte encontrar um apartamento como aquele. E ainda por cima mobiliado.

Rony sorriu e a beijou.

- Com você qualquer lugar é perfeito, minha querida!

Parecia um sonho. Hermione sentia-se nas nuvens. Menos de vinte quatro horas atrás estava apartando briga de Draco e Neville. Agora estava à um passo de ir morar com o grande amor de sua vida.

Tudo acontecera tão rápido. Fora muita sorte encontrar aquele anúncio no jornal que falava do apartamento. E mais sorte ainda porque o anúncio fora colocado naquele mesmo dia. E acrescente a isso o fato de terem sido as primeiras pessoas a falarem com a trouxa dona do apartamento, as primeiras pessoas a olharem o apartamento e as primeiras pessoas a quererem alugá-lo. E tudo isso pela manhã, depois que se reencontraram diante daquela igreja.

Haviam ido comer numa lanchonete trouxa, perto do antigo lar de Hermione, e Rony tivera a bela idéia de comprar um jornal para procurarem um lugar para morar. Fora sorte. Muita sorte mesmo.

Mas, também, depois de todo o caminho que haviam percorrido para chegar até ali, era o mínimo que mereciam. Ela sabia que a sorte nem sempre os seguiria assim, tão fácil. Principalmente quando a mulher de Rony resolvesse vir reivindicar o marido. Sabia que iria ter problemas com aquela mulher. Ainda mais depois de tudo que Rony lhe havia contado sobre ela. Mas não se importava. Também não iria desistir de Rony assim tão facilmente. Não desta vez. E nem nunca mais. Não havia nada no universo que fosse capaz de fazê-la desistir de Rony novamente.

Sabia que não poderiam se casar pois a esposa dele nunca daria o divórcio. Que se danasse! Não seria um pedaço de papel que os impediria de ficarem juntos!

Rony planejava ir visitar a família no dia seguinte. E levá-la junto. Sentia-se um tanto constrangida com sua situação de "ladra de maridos", mas sabia que precisariam do apoio dos Weasleys. E, mais que tudo, que teriam este apoio.

Rony tentaria arrumar um emprego no Ministério da Magia da Inglaterra enquanto ela não terminasse a faculdade. Depois resolveriam o que iriam fazer. A única verdade incontestável é que não se separariam nunca mais. E coitada da loira que ousasse cruzar o seu caminho desta vez, por que ela passaria por cima sem dó nem piedade.

- Você precisa buscar suas coisas. E Bichento! – Rony lhe disse, rindo. Havia esquecido completamente de suas coisas. E também do gato. "Espero que um daqueles dois trastes tenha lembrado de dar comida ao coitado", ela pensou.

Rony já havia ido buscar suas próprias coisas na Alemanha, logo após o almoço. Fora junto. Temiam a reação da mulher dele. Por sorte Astrid não estava e nenhum elfo sabia onde a louca havia se metido. Hermione ficara um tanto angustiada com aquilo e perguntara a Rony onde ela poderia ter ido. Ele dera de ombros. Então Hermione lhe questionou se ela não poderia ter feito uma besteira.

- Sinceramente, Mione, não é problema meu. – ele lhe respondeu. - Se me preocupar com isso nunca poderei viver minha vida em paz. Astrid só pensa nela mesma e eu tenho todo o direito de pensar somente em mim uma vez na vida. Tenho todo o direito de fazer somente o que eu quiser. E eu quero ficar com você. Infelizmente, para isso, precisarei passar por cima da vontade dela e Astrid não costuma reagir muito bem a isso. Mas não posso fazer nada por ela. Astrid que faça o que bem quiser.

Hermione ficara impressionada com a declaração. E mais impressionada ainda ao constatar que ele estava deixando aquela mulher linda, aquela mansão incrível e aquele emprego invejável para ir viver com ela num pequeno apartamento de dois quartos, sem um emprego definido e com um futuro, no mínimo, instável pela frente. Esperava que ele nunca viesse a jogar-lhe isso na cara. Ou Rony estava muito furioso ou muito apaixonado para fazer uma coisa daquelas.

Mas, então, ela olhou nos olhos escuros dele e soube a resposta. E também soube que ele nunca lhe jogaria nada na cara. Aquele sorriso que ele tinha nos lábios era o sorriso de um homem verdadeiramente feliz. O sorriso de um homem que sabia ter feito a escolha certa. E ela sorriu de volta para ele e o beijou. Também era uma mulher feliz. Uma mulher que fizera a escolha certa.

- E quando iremos buscar minhas coisas? – ela perguntou em resposta. – Agora?

Ele lhe lançou um sorrisinho maroto e foi se aproximando devagar. Enlaçando-a com os braços e acomodando o rosto entre seus cabelos. Ela sentiu sua pele arrepiar ao sentir a respiração dele em seu pescoço e o toque suave de seus lábios perto de sua orelha.

- Eu estava pensando que nós deveríamos inaugurar nossa casa antes! – ele murmurou em seu ouvido antes de beijá-la nos lábios apaixonadamente e erguê-la nos braços.

- E então? Você enfeitiçou ou não enfeitiçou o Neville, seu filho da mãe? – esbravejou Gina, depois de alguns silenciosos minutos, sentada com Draco à mesa da lanchonete. Draco bufou e revirou os olhos.

- Você é meio retardada, não é? Então você acha que se eu tivesse enfeitiçado o Longbottom ele estaria todo assanhado daquele jeito para o lado da tua cunhada?

- Sim, se você quisesse nos despistar.

- E por que eu iria querer despistar vocês? Se eu realmente tivesse enfeitiçado o Longbottom não seria uma idéia muito mais plausível fazê-lo matar as duas logo de cara ao invés de fazê-lo passar aquela conversa sem vergonha de bom moço para cima da tua cunhada? – ele explicou, pacientemente, como se falasse com uma criança. Estava no seu limite. – E por que diabos eu iria querer enfeitiçar a nulidade do Longbottom? Acredite, ele consegue se meter em problemas o suficiente sem que eu precise enfeitiçá-lo para isso. E ninguém deu sumiço no teu irmão e na Granger. Ele apenas apareceu lá em casa de manhã, ela não estava, eu atendi a porta e ele foi embora xingando. Então ela voltou para casa, eu contei o que houve e ela foi atrás dele. Devem ter se acertado e ido embora juntos. E nem me olhe com esta cara porque já fazia tempo que eles andavam se encontrando que eu sei!

Gina suspirou.

- Tá! Mas e aquela velha morta? E ainda por cima com aquela cara. Vai me dizer que você não lançou um Avada Kevadra na coitada?

- Não lancei. Nem o Neville lançou, por mais que eu saiba que ele morria de vontade. Deve ter sido um ataque cardíaco fulminante. Aquela velha era a síndica do prédio e vivia no pé do Longbottom. Ele chegou em casa de manhã, de pileque e quebrou os vasos da portaria. Ela veio tirar satisfação com ele e fui eu quem atendeu a porta. Só que eu esqueci de me vestir e a velha teve um treco quando me viu. Satisfeita?

Gina parecia um tanto incrédula.

- E porque, então, vocês esconderam o cadáver dentro do apartamento? Porque não chamaram uma ambulância?

- Porque assim como você, o ministério inteiro cairia em cima de nós na mesma hora achando que eu matei a velha e enfeiticei o Neville. Se bem que o Neville já está bem encrencado com o ministério... De qualquer forma eu sou filho de um comensal e suspeito de ser um e ninguém iria acreditar que eu não matei aquela mulher. Iriam me mandar direto para Askaban e até eu provar minha inocência já estaria senil.

Gina baixou a cabeça. Apesar da história ser um tanto absurda, fazia sentido. Ela também esconderia o cadáver no lugar do Malfoy. Na hora da raiva não lhe passara pela cabeça que se ele fosse perigoso realmente, Hermione e Neville não morariam com ele. Tampouco ele estaria lá estudando indicado por professores de Hogwarts, afinal ela sabia que aquele era o alojamento dos ex-alunos de Hogwarts. Acreditava que Malfoy não tivesse feito nada realmente errado, mas sentia-se como se estivesse diante do próprio lobo mau dos contos de fada. E vestido como uma inocente vovó. E o pior de tudo era que aquele lobo mau a olhava com aqueles olhos cinzentos que pareciam hipnotizá-la e falava arrastado com aquela boca que parecia prestes a engoli-la. E, contra sua vontade, ela desejava que ele a engolisse. E não havia nada que pudesse fazer para impedir que se sentisse de tal forma.

- Me desculpe! – ela lhe disse. – Mas você deve saber que não é a pessoa mais inocente do mundo.

- Claro. Não só a menos inocente como também a mais suspeita! – ele respondeu, furioso, num tom bastante irônico. – Eu não pedi para ser filho de quem eu sou. E estou de saco cheio de todo mundo achar que eu sou como ele. Quer saber? Eu poderia ser muito pior do que ele, se eu quisesse. Só que eu não quero. E é essa a grande diferença! E as pessoas simplesmente não enxergam isso! Ela apenas esperam que eu seja como ele. E pronto! Ninguém se importa em saber como eu quero ser!

- Eu me importo! – as palavras simplesmente escaparam de sua boca. – Digo, sei como você se sente!

- Sabe, Weasley? E o que você sabe? – ele quase gritou. - Você é apenas mais uma Weasley boazinha e perfeita, de cabelos vermelhos. Uma grifinória. Como todos na sua família!

- É exatamente isso que eu sei! – ela respondeu, sem se abalar. – É isso que todos esperam que eu seja, não é? Inclusive você, Malfoy, que se sente tão injustiçado por as pessoas o julgarem por seu pai, por sua família! Ninguém se importa. Ninguém quer saber se eu sou má ou se eu sou fútil. As pessoas apenas esperam que eu seja como meus pais e meus irmãos. Que eu siga o exemplo deles. Assim como esperam isso de você. É isso que eu sei!

Por um instante ele a olhou, pasmado.

- E você é fútil e má?

- Nem tão fútil quanto eu poderia, nem tão má quanto eu gostaria. Apenas não sou o que esperam que eu seja! Nem faço o que esperam que eu faça! – ela estava perdida nos olhos cinzentos dele. Tão perdida que nem notou que ele se aproximava.

- Eu também não faço o que esperam que eu faça! – ele falou, agarrando-a pela nuca e tocando os lábios dela com os seus, num beijo rápido. Ela arregalou os olhos como se, subitamente, despertasse. Ele afastou-se um pouco e sorriu. – As pessoas esperam que um Malfoy nunca beije uma Weasley.

- E as pessoas esperam que uma Weasley esbofeteie o Malfoy que ousar fazer isso! – ela respondeu.

- E não é isso que você vai fazer?

Ela estampou no rosto um sorriso malvado e o agarrou pelos colarinhos, dando-lhe um longo, demorado e escandaloso beijo em resposta.