ENTRE EXTREMOS
Ela se lembrava claramente de quando o viu pela primeira vez. Claro! Uma figura como ele com cabelos rebeldes, olhos vivamente verdes e uma estranha cicatriz na testa não passaria despercebido por ninguém. Assim como não passou por ela e nem por muitos que estavam ao seu redor naquele dia. Percebeu o quanto ele chamava atenção não apenas pelo seu jeito seguro de andar por aquela plataforma, mas também por causa uma beleza exótica e ao mesmo tempo tímida. Certo, aos olhos dos outros ele poderia não ser tão belo, apenas um garoto normal, mas para ela – desde a primeira vez que o viu e sentiu seu coração descompassar – ele era lindo. E foi mais tarde naquele mesmo dia que ela descobriu o porquê do rapaz chamar tanta atenção. Ele era Harry Potter - o famoso Menino-Que-Sobreviveu.
Capítulo 1
HÁ ALGO DE MÁGICO NO CLÃ WINFORD
Dallas caminhava a passos apressados, agarrando com força seus livros entre seus braços. Seus óculos escorregavam pela ponte de seu nariz e sua cabeça mantinha-se baixa e encarando os passos que dava a caminho da saída. Atrás de si conseguia ouvir os deboches das crianças primárias, caçoando de sua aparência e sua esquisitice. Porém, ela não via nada de anormal em si. Certo, não era uma menina muito social. Ao contrário, era extremamente tímida e recatada, sempre vivendo em seu próprio mundo e ignorando a todos a sua volta. Raramente falava e as únicas pessoas com quem conversava era a sua avó e o seu pai que ficava mais fora de casa do que dentro dela. Era uma menina franzina, com os cabelos acastanhados e olhos de uma cor muito interessante. Quando nasceu pensaram que eles seriam azuis. Mas, à medida que foi crescendo, ele ganhou um tom violeta e hoje essa cor era tão forte que às vezes variava entre o roxo e o azul turquesa. Eram olhos bonitos, segundo o pai dela, mas que eram motivo de piadas entre seus colegas que viram e mexem a chamam de aberração da natureza. Estudava em uma conceituada escola para herdeiros de grandes fortunas inglesas e no próximo trimestre ia cursar a melhor escola de formação de grandes empresários da Grã-Bretanha.
Sua avó era uma conhecida socialite que por anos comandou os negócios da família antes de deixar esses nas mãos de seu único filho, seu pai. E ela, para seguir a tradição, também freqüentaria a mesma escola e teria a mesma formação que várias gerações de seus antepassados tiveram para poder comandar as empresas que um dia seriam suas.
Seu pai era um homem de negócios que dentro do escritório conseguia ser mais severo que um general de exército e que metia medo em muitos homens crescidos. Conhecido por todo o mundo por suas viagens e empreitadas e pela maneira com que dirigia a mão de ferro as empresas que herdara dos pais. Contudo, os executivos apenas viam o lado duro daquele senhor de meia idade, mas mesmo assim que fazia muitas mulheres derreterem com o seu charme. Dallas apenas conhecia o pai amoroso que ele era quando estavam sozinhos em casa.
Sua mãe… Bem, a sua mãe não era um assunto muito comentado dentro da mansão Winford. Pouco sabia sobre ela. Os únicos comentários dados eram as tiradas muito secas de sua avó que até hoje não se conformava com o fato de seu filho ter se relacionado com uma garotinha sem família e sem nome. A única coisa que ela sabia era que o nome de sua mãe foi Chloe e que morreu para ela nascer, e que seu pai a amava muito e sofreu muito com a perda. Mais nada.
Dallas continuou a caminhar, ainda ignorando os gritos de seus colegas atrás de si, e quando alcançou a limusine praticamente se jogou por entre a porta aberta para rapidamente fechá-la e fugir do mundo cruel a sua volta.
-Dia difícil, srta.Winford? - Montgomery, o chofer, a indagou, olhando para a menina pelo retrovisor do carro. Ah, esse era outro com quem conversa. Na verdade com quem mais conversava.
Montgomery era um homem por volta de seus cinqüenta e seis anos, nos quais trinta e seis passou servindo a sua família. Além de chofer também era o auxiliar de seu pai em assuntos pessoais e seu auxiliar também. E, porque não dizer, seu único amigo. A conhecia desde que nasceu e praticamente a criou como se fosse a sua filha, lhe ensinando muitas coisas, escondidos de sua avó é claro, e a fazendo ter uma infância aparentemente normal. E Monty, como ela carinhosamente o chamava, era o único que sabia que ela, às vezes, fazia coisas muito estranhas e inexplicáveis ocorrerem a sua volta.
-Não faz nem idéia. - sussurrou, recostando no banco e relaxando um pouco.
Logo as férias estariam chegando e ela se livraria desses meninos chatos e imaturos. Mas mesmo assim isso não aliviava a sua dor. Poderia estar saindo do primário e indo para o ginásio, poderia estar mudando de escola. Mas, assim como ela, muitos de seus colegas de classe também eram filhos de famílias ricas. E muitos também iriam para o internato que seu pai ia lhe mandar. Ah, como daria tudo para ir para outro lugar e se livrar, para sempre, dessas crianças esnobes e irritantes.
O café da manhã naquela casa começou como o de costume, como ocorria todo o dia desde que as férias de verão começaram. Dallas entrou na grande copa da mansão e sentou-se em seu lugar habitual. Na cabeceira da mesa estava sentada a sua avó, a matriarca da família, ao lado esquerdo da mulher estava sentado o seu pai, lendo o jornal como de costume, e ela sentou-se em frente a ele. Atrás de sua avó três empregados estavam parados esperando os patrões terminarem sua refeição. Enfim, mais uma manhã normal dentro daquelas tediosas férias de verão.
-Semana que vem iremos às compras. - a velha mulher declarou com o seu usual tom de indiferença na voz. -Precisamos comprar seu material escolar novo. - sentenciou e o coração da jovem apertou. Material escolar novo? Já havia se esquecido desse detalhe.
-Sim grandmère. - declarou em um tom cabisbaixo.
O café da manhã prosseguiu em silêncio depois desse pequeno interlúdio, quando o clima foi quebrado por algo que rapidamente invadiu a copa. Albert dobrou o jornal e olhou com extrema curiosidade a ave que acabara de entrar no local e que sobrevoava a mesa. Amélia, a matriarca, olhou com um certo desprezo a ave e notou que esta trazia um pacote em suas patas. Um pacote que foi largado em frente à Dallas.
A menina estendeu a mão, depois que a ave saiu janela afora, para recolher o pacote, quando a voz de sua avó imperou no local.
-Não toque nisso! - comandou e rapidamente a garota encolheu a mão e mirou o pacote, temerosa.
-Oras mamãe, por que não? - Albert indagou, colocando o seu jornal de lado.
-Sabe-se lá o que é isso. Pode ser perigoso.
-Mas, grandmère, para mim parece uma carta. - interveio a morena.
-Uma carta que foi entregue por um animal. Um animal que pode transmitir doenças. - e a mulher torceu o nariz de uma maneira que fez o filho sorrir.
-Não seja exagerada, mamãe. Era um coruja e parecia treinada para entregar cartas. Deve ser a maneira que algum coleginha de Dallas tem para se corresponder com ela. - Dallas olhou para Monty, que era um dos empregados que estava parado atrás de sua avó, e os dois trocaram olhares duvidosos. A garota não tinha amigos, o que dirá colegas.
-Eu posso ver a carta então? - perguntou receosa. Amélia torceu mais o nariz enquanto o seu pai assentia com a cabeça, voltando ao jornal. Dallas recolheu a carta e olhou com curiosidade a tinta verde e o brasão que nela tinha. Com um rasgar de selo a abriu.
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Diretor: Alvo Dumbledore
(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta.Winford
Temos o prazer de informar de V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos a sua coruja até o dia 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente Minerva McGonagall
Diretora Substituta
Dallas soltou um gritinho e logo viu a carta desaparecer de sua mão e ir parar na mão de sua avó, que a cada linha lida franzia mais o cenho, marcando cada vez mais o rosto dela.
-Mas que brincadeira de mau gosto é essa? - a mulher bradou, sacudindo ferozmente a carta. Albert tomou a carta das mãos da mãe e a leu, intrigando-se com cada linha que seus olhos percorriam.
-O que significa isso, Dallas? - o homem perguntou, só que de uma maneira muito mais branda que a sua avó. Dallas deu de ombros e encolheu-se em sua cadeira. Sua franja castanha caindo sobre os aros quadrados e negros de seus óculos. Sua família estava achando que aquilo era uma brincadeira dela? Deveriam conhecê-la melhor para saber que ela não brincaria desse jeito e que estava tão surpresa quanto eles.
-Não sei… - murmurou para o pai e esse pareceu ler os seus pensamentos.
-Mamãe, não creio que seja uma brincadeira essa carta.
-Albert! Que coisa mais sem nexo. Escola de Magia? Isso é inviável… - foi quando a mulher foi interrompida por Clarisse, uma das empregadas.
-Com o perdão da palavra, senhora. Mas não é inviável. Minha sobrinha estudou lá. - Amélia ficou branca e mirou a mulher com espanto.
-A senhorita está querendo insinuar que a minha neta é uma bruxa? – falou como se a colocação da mulher fosse uma grande ofensa a ela.
-Não senhora. - a jovem encolheu-se em seu canto e seu calou.
-Então, realmente não é uma brincadeira. - Albert comentou com a empregada, que assentiu com a cabeça. -Sabe o que eles ensinam nessa escola?
-Não muito bem, senhor. Mas a minha sobrinha me disse que é uma das melhores escolas de magia da Grã-Bretanha. Que formam grandes bruxos lá. Com o perdão da palavra, senhor, seria uma vantagem para a jovem mestra ir para lá. - terminou a mulher.
Albert franziu o cenho e mirou novamente a carta, depois mirou a filha. Havia planejado em mandar a jovem para o internato em que estudara quando criança. Mas agora parecia que seus planos tinham sido alterados.
-Dallas, você quer ir para essa escola? - perguntou o homem. Dallas levantou a cabeça a mirou o pai intensamente. Ir para uma escola de bruxaria? Dentro das opções que ela tinha, essa não parecia ser tão ruim. O que ela tinha a perder? Não era ela mesma que queria se livrar daquele internato rico e cheio de garotos esnobes? Então, precisava se arriscar.
-Sim. - sussurrou e Amélia soltou um bufo de indignação. Mas qualquer reclamação dela foi calada por um olhar frio de Albert.
-Certo então. Clarisse faça o favor de contatar a sua sobrinha e pedir mais informações sobre o que precisamos fazer para comprar o material dela. Agora é a responsável pela Dallas.
-Sim senhor. - afirmou a mulher e sorriu para a jovenzinha, que sorriu de volta. Seu desejo havia sido realizado.
Pisaram dentro do Beco Diagonal e a boca da jovem quase tocou o chão. Ao seu lado estava Clarisse e Billie a sobrinha de Clarisse e que estudou e Hogwarts, as duas a estavam ajudando a comprar seu material escolar para a sua nova e, porque não dizer, estranha escola. Se aquela carta não chegasse lhe dizendo que ela era uma bruxa, ela viveria a sua vida e morreria acreditando que essa história de bruxaria não passava de um conto de fadas.
Olhava tudo a sua volta, querendo ter cem olhos para poder ver todas as lojas ao mesmo tempo. Estava tão concentrada apreciando o lugar que se deixava ser guiada por Billie por todos os cantos, ignorando o que ela lhe falava sobre a escola. Ainda submersa em seu mundo nem percebeu quando alguém vinha de encontro a si, na direção oposta. Só notou a pessoa quando essa se chocou contra o seu corpo.
-Não olha por onde anda, fedelha? - veio a voz arrastada. Dallas mal teve tempo de processar o que aconteceu e pedir desculpas, pois o jovem já tinha sumido pela multidão, deixando apenas um rastro loiro/prateado para trás. Ao menos foi chamada de fedelha e não de esquisita. Se bem que, olhando bem a sua volta, tudo ali era tão estranho que ela se considerava até normal demais.
Saíram do banco depois de trocarem o dinheiro e começaram a percorrer as lojas. Billie a incentivou a comprar um animal de estimação, uma coruja, que ela muito relutante comprou. Sabia que a sua avó não gostaria nada daquele animal. Mas quando ouviu a mulher ao seu lado lhe dizer que era a única maneira de se comunicar com a sua família, enquanto estivesse na escola, ela acabou comprando. Comprou também: caldeirão, balança, livros, vestes e a única coisa que faltava era a que mais se associava aos contos de fadas. Faltava ela comprar uma varinha.
Entrou na loja e quase levou um susto quando um senhor parou a sua frente, lhe avaliando com aqueles olhos extremamente claros.
-Oh, aluna nova de Hogwarts? Qual o seu nome?
-Dallas Winford.
-Bem, vamos ver o que temos para você. - o homem começou a descer caixas das estantes e dizendo o tipo de varinhas que estavam dentro delas, as entregando para a menina, mas elas mal tocavam a sua mão e ele a retirava dela. Já estava começando a se cansar quando perceber que deveriam estar testando a quinta varinha, mas o homem a sua frente parecia estar se divertindo muito com isso.
-Ah, bruxinha difícil, não! Tente essa varinha aqui. Uma das minhas mais raras varinhas. Feita com fios de cabelo de veela e carvalho. Vinte seis centímetros, flexível, perfeita para feitiços. - entregou a varinha a ela e assim que essa tocou a mão da jovem começou a soltar faíscas coloridas. -Parece que achamos uma varinha para a senhorita. - tomou a varinha da mão da jovem e a guardou na caixa enquanto Dallas suspirava aliviada. Já estava ficando cansada de tanto escolher.
Depois de ter a varinha comprada e ter passado quase o dia inteiro no Beco, Dallas soltou um suspiro de exaustão quando finalmente entrou na limusine rumo a sua casa. Nunca que fazer compras a cansou tanto. Mas estava feliz. Talvez agora que ia para um lugar diferente, poderia ser diferente. Sem a pressão de ser uma Winford em suas costas, sem ninguém a chamando de estranha, pois bruxos por si só já eram estranhos. Enfim, poderia ser uma nova menina e, quem sabe, até fazer amigos.
Dallas olhou para Billie ao seu lado e depois olhou para a plataforma nove e dez da estação King's Cross. Era impressão sua ou um garoto acabou de sumir por entre as duas plataformas?
-Olha… - a mulher depositou uma mão em seu ombro. A pedido de seu pai ela veio tutorar a garota na sua partida para a escola, pois ele estaria muito ocupado para acompanhá-la. A sua avó estava em um chá beneficente e ainda recusava-se a acreditar que a própria neta era uma bruxa. -… se estiver com medo é só ir correndo. Estarei bem atrás de você.
Dallas assentiu com a cabeça e segurou bem firme no seu carrinho e pôs-se a correr. Quando estava na barreira entre as duas plataformas, fechou os olhos e só os abriu novamente quando percebeu que não tinha chocado com nada. Foi então que ela viu, perto do reluzente trem vermelho escrito: Expresso de Hogwarts, conversando com um grupo de garotos, ele. Tinha os cabelos mais revoltos que ela tinha visto em um menino e eles eram negros como a noite. E quando ele deu uma pequena olhada em sua direção, ela viu um par de olhos verdes vivos naquele rosto jovial. Ele era mais velho, parecia que estava no último ano, mas isso, no momento, não importava a ela. Foi quando ele sorriu. Sorriu para uma jovem que estava se aproximando do grupo. Foi aí que o coração de Dallas quase saiu pela boca. Naquele dia ela tinha acabado de se apaixonar. Uma paixão que duraria por anos e anos.
-Vamos! - alguém a chamou e a tirou de seu devaneio. Billie havia aparecido ao seu lado. -Vamos entrar no expresso e achar uma cabine antes que ele fique cheio. - a garota concordou e as duas entraram no trem. Vinte minutos depois esse partia da estação rumo a Hogwarts.
Quando estava no meio da viagem a porta de sua cabine se abriu. Dallas não entendeu bem o porquê, mas no fundinho ela queria que quem estivesse lá fosse aquele menino. Mas, infelizmente, não era ele. Ao contrário, era um garoto de sua idade, com os cabelos castanhos escuros assim como seus olhos. Era baixinho e um pouco gordinho. Tinha o rosto redondo e sardas se espalhando pelas maçãs do rosto e nariz.
-Olá! - disse com um sorriso radiante. -Se importa? - e apontou para o assento em frente a ela.
-Não.
-Meu nome é Patrick. Patrick Gordon. E você?
-Dallas Winford. - Patrick olhou para as vestes dela, pareciam ser da melhor qualidade. Olhou para a menina e conseguia sentir o cheiro de dinheiro emanando dela. Porém, ele nunca ouviu falar no nome Winford no mundo bruxo.
-É de família trouxa, não é?
-Família o quê?
-Sua pergunta responde tudo. Família trouxa, que não possui magia.
-Ah, sim. Como soube?
-Você tem cara de ser uma menina rica e, sinceramente, - o garoto estufou o peito em orgulho. - conheço todas as famílias ricas do mundo mágico.
-Ah.
-Já sabe em que casa vai ficar?
-Não. - respondeu. Billie havia lhe contado sobre as casas de Hogwarts.
-Eu espero ficar na Corvinal, a maioria dos meus parentes foram de lá. Mas a Lufa-Lufa e a Grifinória parecem legais. Nada contra a Sonserina, mas dispenso essa casa. E você?
-Não sei, não tenho preferência nenhuma.
-Ah, você deve ficar em uma das casas que eu falei. Com certeza vai fugir da Sonserina É trouxa e na Sonserina não aceitam trouxas. Espero que fique na Corvinal, adoraria ter companhia nessa casa e como você foi à primeira pessoa que eu conheci no trem gostaria de ter alguém conhecido lá. Você me parece legal e eu adoraria ser seu amigo. Quer ser a minha amiga? - Patrick falou tudo tão rápido que Dallas se espantou em como ele ainda tinha ar para falar. E ela pensou que ele era um garoto tímido quando entrou na cabine. Agora via que estava enganada.
-Bem… bem… - ela não sabia o que dizer. Ninguém nunca lhe ofereceu amizade assim tão espontaneamente. -… eu adoraria. - sorriu um pouco.
-Que bom! - e o garoto sorriu de volta.
Mais dez minutos de conversa se passaram, com Patrick falando pelos cotovelos e deixando Dallas a par do mundo bruxo, quando a porta da cabine novamente se abriu. O coração da menina deu um pulo. Era ele. Ele estava parado a porta da cabine e olhava com curiosidade para dentro dessa.
-Bem vindos a Hogwarts. - falou com uma voz suave e imperiosa. Em suas vestes reluzia um distintivo que continha um grande M, e do outro lado tinha um brasão escrito: Grifinória. Agora Dallas sabia em que casa queria ficar.
-Obrigado! - Patrick retrucou entusiasmado, avaliando o jovem com o olhar, quando de repente o menino engasgou. -Você é…Você… - o rapaz foi mais rápido e o interrompeu.
-Sou. – disse sério. -Por acaso vocês não viram um garoto loiro, esnobe e com um distintivo igual ao meu e o brasão da Sonserina, passar por aqui?
-Não… - Patrick respondeu meio abobado enquanto Dallas encarava o jovem com uma certa adoração.
O moreno a porta mirou a garota sentada no banco e ergueu uma sobrancelha. A menina sentiu um frio correr a sua espinha quando viu aqueles olhos verdes a fitando.
-Bem, se virem esse loiro, ele se chama Draco Malfoy, digam a ele que…
-Diremos a ele sr.Potter. - Patrick falou de maneira polida, mal achando a sua voz. Harry apenas sorriu um pouco. -Diremos que você o procurou.
-Obrigado. - retrucou e saiu. Assim que a porta se fechou, Dallas saiu do transe e encarou o novo amigo intensamente.
-O Conhece? - perguntou.
-Oras, e quem não conhece o Menino-Que-Sobreviveu? - a garota apenas franziu o cenho. -Ah, você. - e o menino começou a contar a história de Harry Potter.
Harry resmungou pela enésima vez enquanto caminhava pelo corredor do expresso. Onde diabos Malfoy havia se enfiado? Sumiu na estação deixando o trabalho de guiar os alunos novos pelo trem apenas para ele. De repente o moreno parou e ponderou um pouco. Não havia visto uma certa ruiva na estação, também. Um sorriso malicioso cruzou as feições de Harry. Com certeza aqueles dois deveriam estar se agarrando no vagão de cargas do trem. Draco, assim como ele, foi eleito monitor chefe esse ano e por isso, junto com Hermione e mais outros alunos, teriam que trabalhar juntos na orientação dos novos estudantes. Se isso tivesse acontecido há dois anos atrás com certeza ele torceria o nariz e diria que preferia ficar em detenção com o Snape a suportar esse loiro. Mas, no ano anterior tudo mudou. A primeira mudança começou quando Draco caiu de amores por uma certa Weasley. A segunda se deu quando a mãe dele morreu. Morreu no fogo cruzado em uma das batalhas da Ordem da Fênix com Voldemort. O resultado disso? Draco, que ele descobriu já não morria de amores pelo Lorde das Trevas, voltou-se para o lado da Ordem. E quanto a Lúcio? Bem, esse estava foragido, mas não por estar sendo caçado por Aurores, mas sim por Comensais. Para quem pensava que Lúcio era um homem frio e que desprezava a família surpreendeu-se imensamente quando soube que o mesmo matou com as suas próprias mãos o Comensal que matou a sua mulher. O loiro quis levar o filho consigo em sua fuga para o manter em segurança contra a ira de Voldemort, mas esse se recusou. Primeiro por causa de uma certa ruiva. Segundo porque queria vingar a morte da mãe. E foi assim que ele se uniu a Ordem. E foi assim que ele começou a conhecer Draco melhor e acabaram entrando em um certo acordo mudo de cooperação. E, agora, ele até se arriscava a dizer que os dois eram amigos. Uma amizade estranha, para não dizer menos. Mas, mesmo assim, era uma amizade. E Draco, apesar dos pesares, era um grande aliado.
Um aliado, mas que não perdia certos hábitos. Afinal, o infeliz ainda era um Malfoy e achava que o mundo deveria cair aos seus pés. Mas Harry não ia ceder aos caprichos daquele loiro. Ainda não sabia o que os professores tinham na cabeça para elegê-lo monitor chefe, mas se ele estava nesse cargo teria que trabalhar como os outros.
Alcançou o último vagão e abriu a porta desse bruscamente. Não deu outra. Lá estavam os dois com expressões surpresas na face, olhando a silhueta que estava na porta. Harry deu um passo para o lado e deixou a luz entrar no local e também mostrar quem era o intruso.
-Merda Potter! - praguejou Draco. Gina estava ao seu lado e o seu rosto, a cada segundo, ganhava intensos tons de vermelho.
-Malfoy! - Harry retrucou no mesmo tom irritado. -Está vendo essa porcaria de distintivo em seu peito, ele tem um significado. Então vá trabalhar!
-Não levante a voz para mim, Potter. Você não manda em mim. - a cena que se seguiu poderia ser considerada bizarra para quem estava de fora, mas para aqueles que estavam acostumados com a nova relação entre Draco Malfoy e Harry Potter, consideravam aquilo normal. Harry deu um passo a frente e segurou na orelha de Draco, o puxando para fora do vagão como uma mãe furiosa repreendendo o filho travesso. Assim que o soltou, Malfoy lançou um olhar assassino ao moreno, que deixaria até o próprio Slytherin com medo. Mas Harry apenas prezou-se a sorrir maliciosamente.
-Melhor voltar ao trabalho se não quiser que eu conte a uns certos irmãos Weasley o que você estava fazendo no vagão de cargas com a Gina. - a mencionada ficou ainda mais vermelha enquanto Draco empalideceu. Mesmo namorando a garota a um bom tempo ele ainda não passava pela garganta dos irmãos dela. E o mesmo não estava nem ligando para isso. Namorava a menina, não os irmãos dela. Não era obrigado a agüentá-los. Mas, lutar contra seis homens furiosos com certeza era uma grande desvantagem até para ele.
Draco ajeitou a suas vestes e deu um beijo rápido em Gina, voltando-se e passando por Harry.
-Tem certeza que está na casa certa, Potter? – disse desdenhoso e desapareceu corredor abaixo.
Grandmère – avó
