Capítulo 3
CONHECENDO HARRY

A jovem cruzou a barreira da estação e prontamente o vento frio chocou-se contra o seu corpo. Apertou a sua capa em volta deste, quase sumindo por debaixo da negridão de panos, e olhou a sua volta. Os orbes azul-violeta esquadrinharam ao seu redor à procura de alguém conhecido. Apertou a alça de seu carrinho e expirou pesadamente, exalando nuvens frias de ar pelo nariz.

-Viu algum parente seu? - Patrick parou ao lado da jovem. Seus pais o esperavam do outro lado da barreira, mas ele tinha deixado sua bagagem com eles dizendo que acompanharia a menina ao lado trouxa da estação.

-Eu deveria saber que o papai estaria muito ocupado para me buscar… - a garota abaixou a cabeça e mirou o chão tristemente. -… e grandmère nem se daria ao trabalho. - completou em um murmúrio e Patrick soltou um bufo de indignação.

Dallas havia contado, no pouco tempo em que eram amigos, sobre sua vida e a sua família. Como ele havia presumido ela realmente era de origem nobre, nascida em berço de ouro e criada para ser uma grande mulher de negócios e a mais refinada dama existente. Porém, quando recebeu a carta de Hogwarts sua avó torceu o nariz em relação a ter uma neta bruxa. A sua vida era toda planejada pela mulher e ter tal empecilho no caminho não agradou a matriarca da família.

-Eu acho isso ridículo! Seus parentes deveriam era ter orgulho de você… - nisso Dallas sorriu um pouco. Seu pai, ela sabia, tinha orgulho dela. Ao contrário de sua avó ele sempre a ensinou a ser ela mesma e gostar do que era. Disse que apesar de ser um pouco surreal gostava da idéia de ter uma bruxa na família. Que se antes ela já era especial aos seus olhos agora era ainda mais.

-Meu pai tem orgulho de mim… e para mim isso basta. - completou, expondo pela primeira vez o pensamento de que o que a sua avó achava não lhe afetava muito, não nesse caso.

-Bem, isso é bom. Olhe, tem um senhor vindo para cá. - Patrick apontou em direção ao homem de terno que vinha até eles e Dallas sorriu abertamente.

-Monty! - exclamou, correndo até ele e fazendo algo que com certeza desagradaria muito Amélia. Pulou em seu colo e o abraçou.

-Pequenina, como vai? - disse afetuosamente a colocando no chão.

-Monty… esse é o Patrick, o amigo que eu lhe falei nas cartas. - todas as cartas que Dallas enviava por sua coruja, Osíris, eram geralmente endereçadas diretamente a Montgomery ou ao seu pai.

-Prazer rapaz. - estendeu a mão ao menino, que a recebeu.

-Muito prazer, senhor. Bem, Dally, está entregue. Tenho que voltar a estação para encontrar meus pais. Tenha um bom Natal e não esqueça de escrever.

-Com certeza! Tchau. - e acenou para o menino que sumia na barreira.

-Estou orgulhoso de você. - Monty falou enquanto eles se encaminhavam para o carro.

-Por quê?

-Porque você fez um amigo. - abriu a porta para a jovem e essa entrou no veículo. -E como foi o primeiro trimestre na sua nova escola? – indagou o homem e sentiu o coração flutuar quando a menina abriu um brilhante sorriso. Conhecia Dallas desde que ela nasceu, praticamente criou a menina já que Albert sempre esteve ocupado regendo os negócios da família. Não culpava o homem, esse ele também conhecia desde jovem e sempre foram grandes amigos. Mas lhe dava pena ver aquela garotinha tão pequena em casa sem ter com quem conversar, só tendo a sra.Winford como companhia. E, sinceramente e com todo o respeito a sua contratante, Amélia era intragável às vezes e podia muito bem assustar uma garotinha. Sempre dando ordens a menina e a criticando, a tornando inibida ao mundo. Era com alegria que ele via a jovem pela primeira vez ficar entusiasmada com algo.

-Eu aprendi um feitiço de levitar, pena que não posso mostrar porque é contra as regras da escola bruxos menores de idade fazerem magia fora dela. Mas eu também aprendi a fazer poções. Sabe, o professor pode ser um pouco rude mas eu adorei Poções. Patrick disse que eu sou masoquista por causa disso. Mas não posso evitar. Também adoro Feitiços. Herbologia é meio chato mas dá para sobreviver. Em História da Magia o professor é um fantasma e extremamente entediante. Não me admira que esteja morto, talvez o falatório dele é uma maneira de nos matar de tédio e assim ele terá companhia no pós-vida… - a menina desembestou a falar e Monty ficou admirado com isso. Nunca a viu falar tanto e com tanto entusiasmo. Só faltava ela dar pulinhos no banco de trás do carro. -… também temos Defesa Contra as Artes das Trevas. Patrick me disse que o professor é um lobisomem, mas eu o acho bem legal. Ele me ajuda muito pelo simples fato de que eu sou uma negação nessa matéria. - nisso ela ficou um pouco chateada e Montgomery sorriu.

-Mais alguma coisa para o relatório de como é a sua nova escola?

-Ah, os quadros falam e se mexem e as escadas também. Tem passagens secretas e uma floresta cheia de criaturas mágicas… tem um lago com uma lula gigante… - para que ele foi perguntar? A jovem continuou com o falatório até eles chegarem na Mansão.


-Bem, segundo a professora McGonagall… - a morena continuou a falar, mas nem ao menos 1/3 dos presentes na sala prestavam atenção no que ela dizia. Todos os monitores haviam ficado em Hogwarts para o Natal pelo simples fato de que todos eles participavam da Ordem e essa pediu que os mesmos ficassem para o caso de alguma emergência. E por isso Hermione resolveu adiantar a reunião que faria só depois das férias para a manhã do Baile de Natal, para os poucos alunos que ficaram na escola. Desde o quinto ano desses jovens a tradição do baile manteve-se apenas para distrair a mente de todos do caos que estava fora das paredes da escola e proporcionar um pouco, nem que fosse por algumas horas, de felicidade aos alunos. Porém dentro daquela reunião poucos eram aqueles que prestavam atenção no que a grifinória falava. Na verdade, apenas dois a ouviam: Ana Abbot e Teo Boot eram os únicos que estavam atentos ao falatório da morena. Draco parecia muito entretido com uma linha da manga de suas vestes com que brincava, e Harry estava achando uma mancha na parede a coisa mais interessante para ser ver.

-O que vocês acham? - Ana virou-se para os outros mas esses demoraram a processar o que ela havia dito. Justino apenas piscou e mirou a colega de casa com uma sobrancelha erguida e Padma parecia ter saído de um transe. Blaise apenas continuou a ignorar os outros, mas sempre com os ouvidos atentos ao que eles diziam.

-O quê? - perguntaram os dois em unísso.

-Vocês estavam prestando atenção no que falávamos? - indagou Teo e juntos, novamente, os dois assentiram. –Sobre o que falávamos? - o corvinal cruzou os braços sobre o tórax e recostou-se em sua cadeira.

-Hã… bem… - Padma e Justino entreolharam-se, até que a jovem pronunciou-se ao se lembrar vagamente de algumas palavras que havia ouvido da conversa. -Grupo de estudos! - declarou a morena, o que diminuiu o olhar de reprimenda de Hermione mas essa rapidamente virou-se para os outros dois monitores avoados restantes.

-E então? - perguntou ao moreno e ao loiro. Harry desviou os olhos da parede e os mirou nos castanhos de Hermione enquanto Draco apenas continuou a brincar com a linha solta de suas vestes.

-Hã? – balbuciou o apanhador grifinório de maneira abobada.

-O que vocês acham da proposta da Minerva? - Hermione falou pausadamente e o rapaz percebeu que a amiga não estava nada feliz por ter sido ignorada. Ainda se lembrava da avalanche de cartas que recebeu dela durante o verão quando essa soube que seria monitora de novo. Por isso que ele se perguntava: se ela já tinha feito isso antes, então por que levava o trabalho tão a sério? Ah, porque ela era Hermione Granger a aluna nota dez de Hogwarts e tinha que manter a reputação. Os anos podiam passar mas ela nunca deixaria de ser aquela menininha mandona de onze anos que ele conheceu no Expresso de Hogwarts.

-Que proposta? - com certeza perguntar isso foi um erro porque a garota o fuzilou com o olhar e depois de respirar fundo várias vezes começou a repetir tudo.

-Minerva me disse… - Hermione revirou os olhos e percebeu que Draco ainda estava alheio ao que ela falava. Rapidamente levantou-se e puxou a mão dele, ainda que brincava com a linha, para longe do robe. -… Minerva me disse – enfatizou, mirando intensamente os olhos acinzentados, que retribuíram o olhar de uma maneira nada agradável. – que alguns alunos de alguns anos estão com as notas baixas por causa dessa tensão toda da guerra. Outros por causa de dificuldades mesmo. Perguntou se poderíamos organizar um grupo de estudos, cada um de nós, para ajudar esses alunos. Concordam? - dessa vez todos assentiram com a cabeça e a jovem voltou ao seu lugar. –Ótimo! Harry e eu pegaremos os primeiro e segundo anos. Parecem que muitos novatos estão com dificuldades de adaptação.

-Por que logo a gente tem que ficar com o trabalho mais duro? - Harry comentou e recebeu como resposta um olhar bem feio de Hermione. -Okay, não está mais aqui quem falou.

-Malfoy e Zabini ficam com o terceiro ano. Padma e Teo o quarto e Ana e Justino o quinto. Parece que a dificuldade está mais nesses anos. Algum comentário ou sugestão? - O tom que ela usou indicava claramente que ela não aceitava opiniões e que essa era a decisão final da reunião. Por isso ninguém se manifestou. -Bem, então é só, podem ir. - rapidamente todos se levantaram e praticamente fugiram da sala. – Harry você fica. - o moreno gemeu e recebeu olhares simpatizantes dos colegas, inclusive do Malfoy e de Zabini.

-O que foi?

-Harry você tem que ser mais sério em suas responsabilidades como monitor. Eu até entendo o Malfoy me ignorar nas reuniões, mas você!

-Mione, você está levando essa coisa de monitoria muito a sério. É o nosso último ano, deveríamos aproveitar mais, nos divertir mais e não nos atolar em tarefas.

-Harry James Potter, o senhor está andando muito com o sr. Ronald Weasley! Já não basta tudo o que vocês dois aprontaram nos últimos anos…

-Dois? Você estava no meio também. Não tire o corpo fora srta. Granger. - Hermione corou e Harry sorriu.

-De qualquer maneira… você precisa ser responsável Harry, ao menos uma vez. Com tudo o que está acontecendo lá fora… - nisso o jovem ficou sério.

-Por isso mesmo Mione, fora das paredes dessa escola há um mundo real. Real e nada bonito de se ver. Hogwarts é o nosso abrigo, abrigo de tudo o que está acontecendo lá fora. Enquanto estivermos aqui é como se o mundo real não existisse e só existisse a magia que esse castelo transmite. Por isso quero aproveitar isso ao máximo antes de cair de cabeça na realidade. Antes de cair de cabeça na guerra e nas responsabilidades. E eu aconselho você a fazer o mesmo. O tempo não volta atrás, mesmo com um vira tempo ele nunca será o mesmo. Portanto pare um pouco de ser tão responsável, Mione. Divirta-se um pouco, senão… - e abriu outro sorriso divertido. -… vai enfartar antes dos trinta por excesso de responsabilidades.

-Oras. - Hermione deu um tapa no braço dele e sorriu. -… eu vou tentar.


Dallas soltou um suspiro extremamente desanimado e mirou o seu reflexo no espelho. Aquele vestido era muito ridículo. Cheio de babados e cheio de enfeites. Ela parecia uma boneca com aquela roupa. Uma boneca muito feia, diga-se de passagem, com aqueles óculos quase lhe escondendo o rosto e os cabelos que começavam a ter uma certa alteração na cor, estavam ficando parecidos com um castanho sujo. Seus olhos? Bem, seus olhos continuavam da cor que sempre foram, mas parecia que no inverno eles tendiam a serem azuis. E agora para completar o quadro de horrores ela estava ganhando sardas. Ela nem sabia que tinha sardas! O trabalho nas estufas ensolaradas de Herbologia, mesmo que iluminadas por um sol fraco de outono, a estava fazendo ganhar certos tons morenos nas bochechas que por anos foram claras e isso acentuava sardas que ela nem sabia que existiam. Diziam que com o tempo as pessoas tendiam a melhorar. Ela só tendia a piorar.

Como ela poderia chamar a atenção de Harry se era tão feiosinha? Com certeza um rapaz como Harry: monitor, herói do mundo mágico e apanhador do time de Quadribol, ou seja, extremamente popular, gostaria de andar na companhia de uma bela mulher e não de uma menina baixinha… correção, uma menina que estava crescendo espantosamente nos últimos meses, franzina e sem nenhum atributo físico, o que era normal para a sua idade, e com feições esquisitas. Nunca é claro!

Caminhou desolada até a sua cama e sentou-se nela, suspirando novamente. Harry nunca iria olhar para ela. Para começo de conversa eram de casas diferentes e raramente estavam em contato. Fora as vezes, o que quase a fez desmaiar, em que ele lhe deu um oi enquanto passava por ela nos corredores. Exceto isso, mais nada. Se não falava com o rapaz direito como poderia conquistá-lo com a sua… com a sua… Suspirou novamente. Não tinha nenhuma qualidade que prestasse e que pudesse chamar a atenção do grifinório. Patrick dizia que ela era inteligente mas isso era porque ele que era uma negação em Poções e não ela. Fora isso era um milagre que ela conseguisse ao menos tirar uma certa nota razoável nas outras matérias. Por que foi se apaixonar pelo garoto mais complicado e ao mesmo tempo mais cobiçado da escola? Por que só ela se metia nessas encrencas? Foi tirada de seus devaneios quando alguém adentrou o seu quarto. Era Clarisse.

-Menina… - a mulher chamou. -… sra. Winford está te chamando para recepcionar os convidados. - Dallas torceu o nariz e a mulher sorriu um pouco.

-Não tem nenhuma possibilidade de eu entrar em coma repentinamente?

-Acho que, infelizmente, não. - Clarisse aproximou-se dela e ajoelhou-se a sua frente. -Não se preocupe, Monty, eu e os outros estaremos lá para te auxiliar. - a menina sorriu. Sempre se dera bem com os empregados da casa e esses sempre a paparicavam e a ajudavam nessas ocasiões de festas sociais armadas por sua avó. Dallas detestava essas festas. Para ela a sua imagem de Natal, que ela vira em filmes, era uma singela reunião da família em volta de uma mesa com gostosas guloseimas e o ambiente recheado de música natalina. Cheiro de chocolate e nozes, risadas e presentes embaixo de uma árvore colorida e enfeitada ao lado de uma lareira aconchegante. Não era nada parecido com as festas estrondosas que a sua avó dava, com bufet e banda, gente da alta sociedade conversando aqui e acolá, sorrisos falsos e, no dia seguinte, comentários sobre a festa na coluna social dos jornais e revistas.

Nesse momento ela parou para pensar. Como seria passar o Natal em Hogwarts? A festa do Dia das Bruxas havia sido o que ela sempre imaginou. O Natal, com certeza, deveria ser a mesma coisa. Ah, como ela queria ter ficado em Hogwarts. Como ela queria ter ficado com o Harry na escola.

-Vamos? - Clarisse chamou e a menina assentiu, levantando-se de sua cama e seguindo a mulher quarto afora para uma noite de torturas.


-Bem, devo avisar que percebi que muitos estão um pouco lentos no aprendizado e por isso eu fiz uma reunião com os monitores e resolvemos organizar um grupo de estudos. - Minerva falava ao final de sua aula para os alunos do primeiro ano da Corvinal e da Sonserina. -Os monitores irão lhe ajudar com dúvidas e, caso surja alguma questão que eles não consigam responder, procurem o professor da respectiva matéria. Selecionamos os alunos que tiveram as notas mais inferiores em composições e provas do primeiro trimestre. Chamarei seus nomes e vocês venham a minha mesa para pegar seus horários do grupo de estudos. - McGonagall foi a sua mesa e recolheu um pergaminho, recitando os nomes. Patrick pareceu surpreso ao ser chamado, mas Dallas não ficou chocada quando foi convocada. Um a um os alunos selecionados pegaram seus horários com a professora e saíram da sala depois de algumas recomendações finais dessa.

-E então? - Dallas perguntou ao amigo. -Como está o seu horário?

-Hum… grande novidade, fui selecionado porque levei bomba em Poções. - Dallas parou no meio do corredor e mirou o amigo com ferocidade.

-Você não aprendeu nada do que eu te ensinei? - perguntou a garota, inconformada. Haviam passado horas dentro da biblioteca com ela lhe ensinando a matéria. Horas perdidas, por sinal.

-Me desculpe, mamãe, mas Poções é algo que realmente não me entra na cabeça.

-Então eu deveria fazer uma poção para você entender Poções.

-Hum, seria útil… - Patrick ponderou.

-Qual é o seu horário afinal?

-Hum… sábado a uma da tarde na biblioteca. Vou ser tutorado por Hermione Granger. Por que não estou surpreso? A garota mais inteligente de Hogwarts. Como é que ela não foi parar na Corvinal? E você?

-Hã?

-Qual é o seu horário?

-Ah, deixa eu ver… - Dallas desenrolou o pergaminho e repentinamente ficou pálida, para depois ficar extremamente vermelha.

-Dally? O que há de errado? - a garota apenas estendeu o pergaminho para ele, que o pegou e estourou em risadas quando leu o horário da garota.

-DCAT com Harry Potter! - leu e riu mais ainda.

Patrick sabia muito bem da paixão de Dallas pelo Menino-Que-Sobreviveu ainda mais que ele a pegou por muitas vezes admirando o jovem. E a sua suspeita apenas aumentou quando no primeiro jogo da Grifinória da temporada ela parecia ter entrado em uma espécie de transe de adoração pelo apanhador da casa. E, depois de muito pressionar, ela revelou que gostava do jovem.

-Não tem graça! - Dallas parecia ter recuperado um pouco da compostura.

-Claro que tem. Não era você mesma que queria um jeito de se aproximar dele? Ta aí a sua chance.

-É mesmo? E você sabe o que vai acontecer quando eu sentar naquela mesa com ele? Se eu não ficar muda, vou gaguejar feito uma maluca e parecer uma idiota. Aí sim ele nem vai dar bola para mim. – a menina abaixou os olhos e os sentiu arder. Rapidamente Patrick parou de rir.

-Ah, Dally. Você é uma garota tão legal e esperta, não pode se deixar abalar apenas por um grupo de estudos. Faz o seguinte: quando você entrar naquela biblioteca na sexta lembre-se da bomba que você levou em DCAT. Entre com o pensamento: "Estou aqui para aprender, estou aqui para estudar". Assim você se concentra no foco da missão e não no colaborador. - concluiu, escondendo um risinho.

-Você acha que vai funcionar?

-Se não funcionar, muito boa sorte para você minha amiga.


Na tarde de sexta-feira Dallas viu-se em frente à porta da biblioteca abraçada aos seus livros como se eles fossem o seu alicerce para o que estava prestes a fazer. Olhou para dentro do local e não avistou a figura de Harry. Pensou se poderia dar meia volta e desistir dessa idéia de grupo de estudos, assim lhe poupava a vergonha. Porém McGonagall não gostaria nada de saber que ela estava burlando as aulas particulares e com certeza descontaria pontos de sua casa. Decidida, deu um passo à frente e entrou na biblioteca, mas assim que o viu em uma das mesas começou a vacilar na sua decisão e a desejar que a terra se abrisse e a engolisse. Pois ela sabia, de algum modo sabia, que esse seria o dia mais vergonhoso da sua vida.

Draco estava quase esganando a menina sentada ao seu lado que somente faltava babar em cima de dele. Por que ele teve que pegar logo o terceiro ano? O começo da adolescência, para ter esse bando de menininhas babando por ele como se ele fosse um príncipe encantando, em vez de prestarem atenção no que ele falava! Era perda de tempo tentar ensinar a essas cabeças de vento da Lufa-Lufa sobre Poções. E parecia que Blaise, ao seu lado, tinha opinião igual a sua, já que com ele ocorria o mesmo. As meninas só faltavam derreter com cada palavra pronunciada por ele e os garotos que faziam parte do grupo não estavam gostando nada dessa reação delas. Rolou os olhos em irritação, já estava há uma hora nessa, e eles miraram a mesa do outro lado do salão onde Potter estava sentado sozinho, olhando para o seu relógio e dando um bocejo.

Harry levantou os olhos do relógio e mirou a mesa que tinha do outro lado da biblioteca, onde estavam Malfoy e Zabini com o seu grupo de estudo. Ambos estavam com expressões de que cairiam a qualquer momento no chão tendo ataques epiléticos. Sorriu zombeteiro a Draco, que estreitou os olhos, empinou o nariz e voltou às lições. Harry riu e voltou seus olhos para a entrada da biblioteca e viu que uma menina vinha em direção à mesa dele.

Dallas sentou-se em frente ao moreno, sem olhar nos olhos desse, apenas mirando a mesa de mogno.

-Olá, Dallas. - Harry cumprimentou e a menina ficou escarlate. Ele lembrava o seu nome.

-O-o-o-oi. - gaguejou. Pronto, começou!

-Bem, parece que até agora você é a única que chegou na hora para as lições.

-Foi? - ela ergueu um pouco os olhos e o mirou por detrás da franja castanha.

-Sim… Me diga, como estão as coisas na Sonserina? - dessa vez a menina levantou a cabeça em um rompante e o mirou em indagação.

-Como?

-Seus colegas não descobriram que você é trouxa, descobriram?

-Hã? Não… Você parece até o Draco perguntando isso. Vira e mexe ele também faz essas perguntas para mim. Fiquei chocada quando ele soube disso.

-Eu sei. Pedi para ele manter um olho em você. - Dallas arregalou os olhos e ficou sem ar, o rosto corando intensamente. Ele pediu para que Draco cuidasse dela?

-Por quê? - perguntou sem pensar.

-Por que o quê?

-Por que pediu isso a ele? - articulou, sem pensar direito no que dizia.

-Ah, simpatizei com você. Afinal, não é todo dia que uma trouxa cai na Sonserina, isso pode ser difícil.

O rosto de Dallas ficou da cor da bandeira da Grifinória e Harry ergueu uma sobrancelha em confusão. O que havia de errado com ela? Estava ficando muito vermelha. Será que estava bem?

-Dallas? Tudo bem? - a menina assentiu com a cabeça, ainda não acreditando que Harry Potter se importava com ela. Longos minutos de silêncio se passaram até que Harry olhou mais uma vez para o relógio e Dallas voltara a olhar para a mesa, processando a sua descoberta de que Harry se importava com ela. -Bem, parece que os outros irão se atrasar. - o moreno comentou. -Melhor irmos começando com isso senão perderemos o jantar. - Dallas concordou e ambos começaram a abrir os livros para estudar.