Capítulo 5
SANGUE-RUIM

A jovem quase deu um pulo de susto quando ouviu seu nome ser chamado aos gritos pela estação. Dallas virou-se apenas para ver o moreno que vinha correndo em sua direção e atraindo um pouco da atenção de algumas meninas do terceiro ano, ano em que eles estavam. Patrick havia crescido nas férias de verão e mudado bastante. Ele não era mais gordinho como quando ela o conheceu e seu rosto estava mais afilado. Porém, as sardas ainda estavam lá, assim como os cabelos e olhos castanhos mas ela pôde reparar que ele mudou para a melhor E quanto a ela? Bem, ela mudou muito pouco, embora seu amigo viva lhe dizendo que ela estava bem diferente de quando a conheceu. Os cabelos castanhos finalmente tinham ganhado uma cor definida. Eram de uma cor mel escuro. Os olhos ainda estavam como sempre, nunca definindo a sua cor e os óculos também estavam lá, assim como as sardas que ela aprendeu a aturar. Se era franzina antes, agora ela tinha ganhado algum peso graças aos grandes banquetes de Hogwarts. Se achava que era magrela, agora achava que estava gorda. Patrick, como sempre, dizia que ela estava exagerando e que devia agradecer porque finalmente havia ganhado algumas formas agradáveis. Mas os elogios de Patrick não contavam. Elogios dos melhores amigos nunca contam. Também não era mais baixinha. Não se pode dizer que uma garota de treze anos com 1.64 m de altura é baixinha. E parecia que ela tendia a crescer mais.

-Dallas! - o moreno aproximou-se dela. -Como foi o seu verão? Desculpe se eu não escrevi muito mas o Caribe não deixa tempo para ninguém pensar em nada. - Patrick havia passado as férias no Caribe com a família e isso explicava o fato de ele estar bem moreno. -Espero que não tenha se sentindo muito sozinha.

-Não! - respondeu com um sorriso. -Harry me escreveu. - Patrick fez aquela expressão marota que dizia: "Lá vem o assunto Harry de novo".

-E o que ele disse? - ele sabia que não precisava perguntar. Em se tratando de Harry Potter, Dallas tornava-se uma boa tagarela.

-Que ele volta esse mês para a Inglaterra. Não é legal? Finalmente ele veio para ficar! – respondeu extasiada. Havia ficado no ano anterior muito chateada quando soube que Harry havia viajado a negócios e que não o veria por um bom tempo. E quando ele finalmente apareceu na Inglaterra foi na época do Natal e ela estava em casa e não pôde vê-lo. E quando retornou a Hogwarts ele já tinha partido novamente. Em resumo, foi um ano sem ver o garoto que gostava e apenas comunicando-se com ele através de cartas, que a cada dia ficavam mais curtas pois ele sempre estava muito ocupado. Porém, no finalzinho de agosto ela recebeu uma coruja dele dizendo que voltaria de vez.

-Muito! Agora que estamos no terceiro ano você poderá visitá-lo sem problemas.

-Sim! - a garota gritou de satisfação e Patrick rolou os olhos, divertido. Minutos depois entraram no Expresso e rumaram direto para Hogwarts para mais um ano.


O loiro parou em frente ao mausoléu e mirou o anjo que tinha no alto desse. Ele se parecia com ela, pensou. Belo e imponente no topo daquele túmulo, como se nada no mundo o afetasse. Sentia falta dela. Certo que nunca trocaram palavras carinhosas mas o olhar dela sempre lhe dizia tudo. As frases suaves pronunciadas por sua boca sempre lhe ajudavam em seus caminhos. E era isso o que ele mais precisava agora. Um guia. A guerra estava ficando a cada dia mais violenta e mais dolorosa para ambos os lados. Fazia mais de um ano que não via o seu pai e as notícias que ele mandava sempre eram curtas. Vez ou outra ele ajudava na resistência, mas novamente sumia. Parecia um fugitivo de Azkaban. Logo ele, o poderoso Lúcio Malfoy, tendo que fugir. Tudo por culpa daquele maldito que arruinou sua família e que não posava apenas de família perfeita, mas que era perfeita. Vingaria-se, acabaria com ele com as suas próprias mãos e aí teria a sua vingança.

-Remoendo o passado? - a voz suave e baixa falou ao seu lado.

-Apenas recordando o porquê de eu ainda estar nesse inferno.

-Pensei que estivesse nisso para dar um mundo melhor a sua amada ruivinha. - ironizou o visitante.

-Também. Mas preciso de um motivo mais forte. E esse é mais forte que todos.

-Draco. - o homem virou-se e abaixou o capuz de suas vestes, mirando o jovem ao seu lado. -Sabe o que eu penso dessa sua participação na guerra. Está se arriscando espionando reuniões de Comensais dessa maneira.

-Como… ?

-Dumbledore.

-Pedi para ele não abrir a boca.

-Ninguém pode negar a um homem ter notícias de seu único filho.

-Snape ainda está se recuperando na ala hospitalar de Hogwarts. A ajuda dele foi o suficiente, mas agora precisamos de novas pessoas para fazer o trabalho sujo.

-E essa pessoa tinha que ser logo você?

-Fui treinado por Severo, sei como me infiltrar e pegar informações. E é preciso. Quando ela morreu, eu jurei que faria de tudo para o culpado pagar.

-Porém não precisa fazer companhia a ela nesse túmulo.

-Não venha me dar sermões. O senhor mesmo não pensou quando matou aquele maldito Comensal. Agora está fugindo feito um louco. Não tem cacife para me criticar.

-Verdade. - Lúcio deu um sorrisinho malicioso. -O que a menina Weasley diz sobre essa sua loucura?

-Não diz. Brigamos feio quando contei a ela. Mas logo eu resolvo isso e amanso a fera. Não a questionei quando ela decidiu entrar para a Resistência… - Lúcio ergueu uma sobrancelha em descrença. -… Não a questionei muito.

-Faz quatro anos que ela se foi. - o loiro mais velho mudou de assunto e voltou os seus olhos cinzentos ao mausoléu.

-Sim, tanto tempo e ao mesmo tempo parece que foi ontem.

-Ao menos ela está livre desse mundo sufocante.

-O que podemos dizer, é doloroso, mas ela teve mais sorte que nós.

-Bem… - Lúcio cobriu novamente a cabeça com o capuz. -… tome cuidado Draco. Não quero receber uma carta dizendo que te perdi.

-Tomarei. Boa sorte. - os dois homens despediram-se e seguiram caminhos opostos por entre as lápides daquele cemitério.


Já era a milésima vez que ele a via mexer naquela coisa horrorosa que escondia o seu rosto. Aquela coisa que estava sempre escorregando pelo seu nariz. Quando o viu deslizando de novo e ela levantando a mão para empurrá-lo para cima, ele perdeu a paciência e bruscamente arrancou aquela coisa da face dela.

-Hei! - Dallas protestou quando viu seus óculos serem abruptamente arrancados de seu rosto. -Eu preciso disso para ler.

-Dallas, esses óculos é maior que a sua cabeça. Já pensou em trocar de armação?

-Para quê?

-Para ficar um pouco mais… fashion? Há quanto tempo você usa isso?

-Sei lá, há uns seis, sete anos.

-E você se lembra porque começou a usar óculos?

-O oftalmologista disse que eu tinha um pequeno erro na vista e que os óculos iriam consertar.

-Hã… - Patrick colocou aquela coisa medonha no rosto e piscou por detrás das lentes. Aquilo e um pedaço de vidro davam no mesmo. O grau era tão baixo que não dava nem para notar a diferença. -Essa porcaria aqui não serve pra nada.

-Claro que serve! Preciso dele para ler. Me devolve!

-Ler? - o garoto segurou um livro a uma certa distância dela e abriu em uma página qualquer. -O que está escrito aqui? – Dallas soltou um bufo mas mesmo assim começou a ler o que estava escrito no livro e Patrick grunhiu irritado. -Sua visão é perfeita. Com certeza o erro deve ter sido consertado de tanto que você usa essa porcaria. Há quanto tempo você não vai ao oftalmologista?

-Hum… uns três anos?

-É isso! Nesse nosso primeiro final de semana em Hogsmeade eu te levarei ao médico.

-Mas e a visita ao Harry?

-Harry não vai morrer se deixar de te ver mais um dia. Ficou quase um ano sem ver você.

-Mas…

-Nada de mas. Eu vou te livrar dessas porcarias, parece até uma alegoria.

-Patrick, por que você é tão obcecado com meu visual?

-Sei lá… ter um monte de primas e irmãs faz você ficar meio assim. Ainda mais quando a sua mãe é consultora de moda bruxa, a coisa só tende a piorar. E eu vejo potencial em você. Hugh! Pareci até a minha mãe falando agora. - Dallas riu e não o aborreceu mais sobre seus óculos os quais ele tratou de dar um fim logo assim que saíram da biblioteca.


-Pois eu acho que isso é o melhor.

-E eu reafirmo que a sua idéia é maluca. São crianças, Snape. Você quer mandar crianças para guerra!

-Não quero mandar crianças, Black… estou apenas sugerindo que escolhamos alguns alunos que tenham potencial para ajudar a Ordem futuramente. Ou caso você não tenha percebido, Voldemort anda seduzindo essas mesmas crianças com ilusões de poder supremo e controle do mundo.

-Você está insano. O tanto de feitiços que recebeu está te deixando maluco.

-Não vejo porque não. Se a Ordem concordou em treinar Potter e seus amigos quando esses eram apenas, como você mesmo insiste em dizer, crianças, por que não pode fazer isso com outros? Estou lhe dizendo professor, há muitos alunos dentro dessa escola que têm grande potencial e que dariam grandes aliados no futuro. E, no momento, do jeito que as coisas estão indo, aliados é o que mais precisamos.

-Dumbledore, o senhor não pode concordar com esse seboso!

-Por favor Sirius. - Dumbledore falou calmamente e com um tom cansado. -Por mais cruel que possa parecer, a colocação de Severo é válida. Não sou tolo e observo bem os meus alunos. Sei que muito deles estão ficando tentados pelo lado das trevas e outros querem a todo custo ajudar o lado da luz. Podem até ser crianças que ainda não sabem direito o que querem, mas muitos já são maduros o suficiente para escolher um lado. E muitos já escolheram. E, infelizmente, nem todos escolheram o lado bom. Mas não posso impedi-los ou pará-los. Eles fazem as suas escolhas e arcam com as conseqüências delas. Mas também não posso fechar os olhos ao ver nessas mesmas crianças uma oportunidade de vitória.

-Diretor, o senhor está sugerindo…? - o pequeno Flitwick intrometeu-se.

-Eu quero que cada diretor de casa, cada professor que fizer parte dessa Ordem, cada um comecem a prestar mais atenção aos seus alunos. Quero saber quem tem potencial ou talento em alguma área e que nos sejam úteis. E, principalmente, que tenha realmente vontade de batalhar. Que já saibam as suas escolhas e que estejam prontos para arcar com tudo.

-E depois o que faremos com os escolhidos? - indagou Rony.

-Os treinaremos e os prepararemos. Apenas espero que a decisão tomada aqui hoje seja a mais certa.

-Será professor. - Minerva interpôs-se. -E que Deus nos ajude.


Piscou intensamente diante da claridade que o dia proporcionava. Acabara de sair do médico bruxo apenas para ele confirmar o que Patrick havia lhe afirmado. O erro que ela tinha na infância em sua visão estava resolvido. Tinha a vista perfeita e ele lhe disse que continuar usando óculos apenas a estragaria. Sentia-se estranha andando sem eles, como se estivesse nua. Era como se eles lhe protegessem do mundo e, agora, estava sem o seu escudo de proteção. Fazer o que, não é? Se o médico havia lhe dito que melhor sem eles, pior com eles, quem era ela para contestar?

Ficaram tanto tempo na sala de espera daquele consultório que quando finalmente foram atendidos e saído de lá, seus estômagos roncavam de fome e rapidamente eles foram para o Três Vassouras almoçar. Porém, o almoço durou mais tempo que o esperado e quando perceberam, passaram quase a tarde toda dentro do pub. No fim, quando se deu conta, já era hora de voltar para Hogwarts e ela não tinha visitado Harry.

Atravessou os portões da escola de maneira desanimada. A próxima visita ao vilarejo seria apenas antes do Natal e até lá seria mais de um mês. Será que se escrevesse a Harry ele viria vê-la? Não, seria pedir muito para ele se desviar de seus afazeres apenas para ver a sua amiga pirralha, a garota que ele considerava uma irmãzinha. Pensar nos sentimentos de Harry em relação a ela apenas a deprimiu mais e, dando um adeus a Patrick, foi para a sua sala comunal, dispensando o jantar. Tinha perdido a fome.

-Oras, se não é a esquisita! - a voz fez-se ouvir quando ela entrou na sala de sua casa. Esquisita? Dallas não ouvia esse adjetivo há anos. Virou-se e se deparou com um rapaz mais alto que ela e mais velho. Com certeza do quinto ano. E ao lado dele estavam dois outros garotos da mesma idade.

-Posso ajudá-los? - perguntou polidamente.

-Claro que pode… - o jovem avançou em sua direção e Dallas recuou um passo. Não estava gostando daquele olhar que era dirigido a ela. -… pode evaporar e sumir dessa escola. Claro que vai ser um custo desinfetar tudo o que você tocou, mas ao menos nos livraremos de você.

-O quê? – perguntou com a voz fraca.

-Oras… não se faça de sonsa… sangue-ruim. O que foi que você fez para cair na Sonserina? Que magia você usou? Ah, eu esqueci que sangues-ruins não são capazes de fazer magia. Você difamou o nome da nossa casa. Você e o seu sangue podre.

-Eu… eu… do que vocês estão falando? - gaguejou, recuando mais um passo debaixo do olhar do garoto, ainda mais que esse se aproximou mais dela.

-Eu sabia que você era estranha, mas não tanto. Eu já desconfiava de você desde o dia em que você colocou os pés nessa casa, pois não era originária de nenhuma família conhecida, mas mesmo assim sempre usava os melhores materiais e as mais finas roupas. Depois me veio andar com um corvinal idiota. E, por fim, ficou toda derretidinha por aquele amante de trouxas, o Potter. Investiguei um pouco e um belo dia, estampado em uma revista trouxa, estava a sua foto.

Era por isso que ela odiava as festas que a sua avó dava para a alta sociedade. Nunca que ninguém não tinha conhecimento delas.

-Eu…

-Maldita sangue-ruim, você não tem direito de estar nessa casa. - o rapaz segurou com força no braço dela e a sacudiu com violência.

-Tira essas mãos imundas de mim! Eu tenho tanto direito quanto você! - gritou, sentindo seus olhos arderem e as suas pernas fraquejarem de medo. Então era por isso que Harry tornou-se tão protetor em relação a ela. Era disso que o moreno estava falando.

-Não levante a voz para mim sangue-ruim!

-Me solta! - esbravejou a menina, soltando seu braço com força do aperto do garoto e correndo porta afora.

Dallas alcançou os jardins da escola e somente assim ela parou para respirar e perceber que estava chorando. Sentou-se na grama úmida a abraçou os joelhos, chorando mais ainda. Estava com medo. Agora todos da sua casa saberiam que ela não era sangue-puro, como o orgulho sonserino insistia em proclamar. O que fariam com ela por causa disso? Gostaria de, pela primeira vez desde que descobriu que era uma bruxa, não estar aqui. Poderia suportar as pessoas a chamando de esquisita e coisa e tal, mas a chamando de sangue-ruim e que não tinha competência para ser uma bruxa era muito mais doloroso. Duas vezes mais doloroso. Encolheu-se mais ainda e chorou mais sob o sereno e no meio da noite fria.


Harry atravessou as grandes portas de entrada do castelo e espreguiçou-se um pouco. Não fazia nem uma semana que finalmente tinha voltado à Inglaterra e já estava trabalhando de novo. Mal pisara em seu apartamento e tinha sido convocado para mais uma reunião. E o pior era que os resultados delas sempre eram os mesmos: ainda não tinham conseguido arrumar um meio definitivo para derrotar Voldemort. E, embora a sugestão do professor Snape tenha sido um pouco maluca, era algo que valia a pena ser pensado. Precisavam de aliados e muitos alunos dentro daquele castelo tinham competência e estavam dispostos o suficiente para ajudar. Ele apenas esperava que a decisão deles não fosse um erro. Afinal, acima de tudo, eles ainda eram crianças. Riu da ironia. Não é como se ele fosse tão velho assim. Mas aos dezenove anos de idade ele já tinha visto tanta coisa, vivido tanta coisa, que se considerava velho.

Caminhou pelos jardins, quase arrastando o próprio corpo de tão cansado que estava. Se pudesse aparataria direto em sua casa, mas como não podia por causa dos feitiços de proteção, teria que ir caminhando mesmo. E além do mais caminhar lhe faria bem, colocariam as suas idéias em ordem. Deu uma última olhada no castelo e apressou um pouco os passos. Pensou até em fazer uma visita para Dallas mas pela hora com certeza ela já deveria estar na sua sala comunal… Ou não.

Harry parou ao avistar o pequeno corpo encolhido perto da cabana de Hagrid e que tremia violentamente. Aproximou-se cautelosamente e ajoelhou-se ao lado da pessoa, depositando uma mão no ombro dessa.

-Está tudo bem? Por que está aqui? É perigoso andar aqui fora há essa hora. - a menina pareceu ter levado um choque ao ouvir a sua voz, pois levantou o rosto rapidamente. Harry levou um susto. Aqueles olhos violetas ele reconheceria em qualquer lugar.

-Harry… - a jovem fungou.

-Dallas? - Harry sorriu um pouco. -Mas onde está a pequena Dallas que eu deixei para trás? – a menina deu um sorriso tímido mas que logo morreu e o moreno percebeu que os orbes violetas estavam vermelhos e o rosto marcado por lágrimas. -O que aconteceu? - perguntou, correndo um dedo por onde as lágrimas passaram.

-Eles descobriram, Harry.

-Descobriram o quê?

-Descobriram que eu sou… eu sou uma trouxa. Um menino do quinto ano me abordou no salão comunal e me chamou de sangue-ruim, disse que eu não merecia estar na Sonserina e essas coisas. Foi horrível, disse que eu era uma bruxa de nada. Eu sou uma bruxa ruim? Eu não sirvo para magia?

-Claro que não! - o jovem gritou indignado, fazendo Dallas se encolher um pouco assustada pela explosão dele. - Me desculpe, Dally.

-A culpa não é sua, é deles… toda deles. - a garota fechou as mãos e um punho e estreitou os olhos. -Eu… eu não fiz nada. Não pedi para estar na Sonserina, mas gosto de lá. Por que eles não vêem isso? O que há de errado comigo? - a garota relaxou as mãos e as abriu, chorando mais ainda.

-Não há nada de errado com você, Dallas. O problema é com eles e seu jeito preconceituoso de tratar os nascidos trouxas. Eles não param para pensar que se a magia não se manifestasse em alguns trouxas, se não houvesse união entre integrantes dos dois mundos, a nossa comunidade deixaria de existir. O mundo não seria tão grande e com tanta miscigenação e raças se todos acreditassem nessa porcaria toda de sangue puro. O que eles dizem é bobagem. Você é uma grande bruxa, muito melhor do que muitos sangues-puros por aí. Você uma vez me disse que gostou de vir para Hogwarts porque assim você seria você mesma. Não se deixaria mais se abalar pelo que as pessoas dizem. Então, por que ainda não começou a fazer o que me disse?

-Para você é fácil falar. Você não é o único bruxo da família. Seus pais eram bruxos.

-Minha mãe era trouxa. E daí?

-Mesmo assim… - a jovem abaixou a cabeça e mirou as mãos em seu colo.

-Pare de tentar arrumar desculpas para se diminuir. Não quero nunca mais que você se diminua assim. - ele falou, segurando em seu queixo e levantando a cabeça dela, a obrigando a encará-lo.

-Está bem.

-Promete?

-Sim. - sorriu um pouco e ele deu aquele sorriso brilhante que a fez ficar vermelha. Graças a Deus que estava meio escuro naquela parte do jardim.

-Venha! Levante dessa grama molhada. Eu te levo até a sua casa e depois falo com Snape sobre esse pequeno inconveniente. - estendeu a mão a ela e a jovem a pegou. Quando a menina ficou de pé é que Harry percebeu que a brincadeira que fez no começo valia. Um ano sem vê-la e ela quase não lembrava em nada a menininha tímida que conheceu. -Você realmente cresceu Dallas. Onde está a minha garotinha? - Dallas corou intensamente.

-Você está exagerando.

-Ah, não… - ele a abraçou pelos ombros e a trouxe para mais perto de seu corpo. -… eu quero a minha "irmãzinha" de volta. - a jovem sentiu vontade de chorar pelo que Harry disse. Ela estava certa, era apenas uma menininha aos olhos dele. Ao contrário das lágrimas, ela apenas deu um pequeno sorriso. -Olhe só para você, não está tão franzina assim...

-Para não dizer gorda. - Harry a olhou calmamente. As vestes de Hogwarts sempre escondiam muito sobre o físico de seus alunos. Mas, ao seu ver, ela estava apenas mais encorpada comparada com a garota magrela de dois anos atrás. Era apenas a adolescência começando a agir. Dallas realmente tinha uma mania muito irritante de se diminuir. Mas com certeza isso acabaria no dia que arrumasse um namorado. Anos de convivência com Hermione e Gina lhe ensinaram que nada como um romance para mudar os pensamento de uma garota. Deu um sorriso malicioso e resolveu brincar um pouco com ela.

-Não creio que alguns meninos de Hogwarts pensem como você.

-O quê? - Dallas estacou no lugar. -Você acha que eu vou perder meu tempo olhando para garotos? - "Quando eu só tenho olhos para você", pensou.

-Mas eles perdem tempo olhando para as meninas.

-Os meninos da minha idade são uns tolos… Bem, o Patrick não é.

-Viu, nem todos são uns tolos. Pare de dizer que está gorda, gosto de você assim. Parece mais saudável.

-Go-go-gosta? - a menina corou e Harry riu.

-Mas se arrumar um namorado eu quero conhecer. Não quero nenhum aproveitador namorando você.

-Er… Okay. - concordou e entraram no castelo.