Capítulo 7
MALFOY E WEASLEY EM UM SÓ
-DRACO LUCIUS MALFOY! NÃO DÊ AS COSTAS PARA MIM! - o grito poderia ser ouvido por todo o bairro em que os dois moradores daquela casa viviam.
Depois que terminou Hogwarts, Gina aceitou, para muito contragosto de seus irmãos, morar com Draco em uma casa que, por mais incrível que possa parecer, ficava em um bairro trouxa de Londres. Mas o que poderia se esperar de alguém que servia de espião para Ordem na batalha contra Voldemort? Para alguém como Draco Malfoy se esconder teria que se usar de artifícios que ninguém imaginaria que ele recorreria, como morar na Londres trouxa e em uma casa que com certeza caberia no quarto dele dentro da antiga Mansão Malfoy.
-Virginia. - o homem virou-se e sibilou para mulher que já estava com o rosto vermelho como a cor de seus cabelos. -Pare o escândalo, os vizinhos podem escutar.
-Eu vou gritar e continuar gritando até que entre algum senso nessa sua cabeça dura! Isso o que você está fazendo é suicídio Draco!
-Já discutimos sobre isso Gina. Alguém tem que fazer isso e a Ordem concorda que eu sou o melhor para tal feito.
-Entrar no ninho das serpentes para pegar míseras informações! - nisso Draco estreitou os olhos e caminhou a passos decididos até ela.
-Não são míseras informações. - retrucou com raiva contida. Gina não era idiota para não saber que o que ele fazia era de suma importância para as batalhas. Então, como ela ousava dizer que eram míseras informações! -Eu arrisco a minha vida todos os dias para salvar a vida dos trouxas que você adora tanto, da sua família de coelhos e dos seus amiguinhos grifinórios.
-Por isso que eu digo que são míseras informações. - rebateu a ruiva, agora os olhos é que estavam ficando vermelhos. -Porque a sua vida vale muito, mas muito mais que essas informações. Posso adorar trouxas, minha família, meus amigos, mas você esqueceu que você é o homem que eu amo. Por acaso está se excluindo da lista? - fungou um pouco tentando segurar o choro.
-Gina… não comece de novo com isso. Já conversamos tanto sobre isso. É preciso. Não posso ficar parado e me esconder como você quer. Proteger a mim e deixar que os outros se virem. Aceitei de livre e espontânea vontade participar disso, agora tenho que suportar as minhas decisões. E você, mais do que ninguém, deveria me entender já que também participa disso tudo.
-Eu sei. Mas eu tenho medo Draco.
-Medo? Antes você não tinha medo, por que o tem agora? - Gina virou-se de costas para ele e caminhou até a janela, abrindo um pouco a cortina e observando a rua escurecida que se mostrava através dessa. -Virgínia?
-Eu tenho medo de te perder.
-Disso eu sei minha querida. - ele aproximou-se dela e a abraçou por trás, depositando sua cabeça na curva do pescoço da ruiva. Gina recostou-se nele e suspirou. -Mas o mesmo medo que você tem, eu… - hesitou um pouco, ainda estava explorando essa nova sensação de expor o que sente. -… também tenho medo. Acha que eu não fico com o coração para sair pela boca cada vez que você pega uma missão, por mais simplória que ela possa ser?
-Oras, eu não sou uma incompetente. Tenho tanta capacidade quanto você para batalhar.
-Pode ser… mas eu também tenho. Então estamos quites. Você não precisa ficar com medo. - Gina virou-se dentro do abraço dele e o mirou carinhosamente, levando uma mão ao rosto dele.
-Pode até ser, mas… - ele depositou a sua mão sobre a dela, em seu rosto.
-Mas?
-Agora temos muito mais do que simplesmente a nós para nos preocupar.
-O quê?
-Meu medo agora não é apenas de te perder. Porque se isso acontecer eu sei que não vou suportar. E então, como eu vou ficar… - ela envolveu a mão dele na sua e a trouxe para descansar sobre o seu ventre. -… como vai ficar o nosso filho? - Draco arregalou os olhos e recuou a sua mão, temendo que tocá-la poderia machucá-la.
-Como? Quando? Há quanto tempo? - Gina sorriu um pouco.
-Descobri há dois dias quando voltei de uma consulta do médico. Lembra-se que eu não andava me sentindo bem? - ele acenou positivamente. Lembrava-se disso. Discutira com a jovem várias vezes porque ela queria continuar a trabalhar na Resistência mesmo passando mal. -Pois então… daqui a sete meses teremos um filho.
Draco abriu um sorriso, um sorriso genuíno e que era tão brilhante que poderia iluminar uma sala inteira mergulhada na negridão. A puxou delicadamente pela cintura e a beijou apaixonadamente.
-Eu te amo. - murmurou entre os lábios vermelhos dela.
-Eu também te amo.
-E seus irmãos vão me matar quando souberem. - ela riu divertida.
-E então eu os mato. Ou pensa que não viro uma fera para defender o homem que eu amo?
-Não duvido disso, srta. Weasley… - o loiro olhou profundamente dentro daqueles olhos chocolates. -… Ou será que já não é hora de tornar-se sra. Malfoy?
-Está me pedindo em casamento por causa da criança? - Gina fez uma expressão de desagrado e Draco apenas sorriu maliciosamente.
-Gina, olhe a sua volta. - e gesticulou com o braço livre a sala à volta deles. -Isso já é um casamento, só precisamos oficializar. - a ruiva deu umas risadinhas que foram caladas por outro beijo dele. Quando se separaram, tudo que ela conseguiu processar em seu cérebro nublado de paixão foi uma resposta positiva para a proposta dele.
-Finalmente decidiram por uma data? Já estava começando a desconfiar que você estava enrolando a pobre da Mione. - Harry comentou assim que Rony e ele saíram do apartamento do mesmo e começaram a caminhar pelo vilarejo. Por mais incrível que parecesse às coisas andavam calmas ultimamente, dando uma falsa sensação de paz. Mas, mesmo assim, eles sempre estavam prontos e alertas para o que pudesse vir pela frente.
-Oras, não foi tanto tempo assim. E com tudo o que está acontecendo por causa de Você - Sabe - Quem…- Harry rolou os olhos. Dois anos na ativa e Rony ainda o chamava assim. Muitos ainda o chamavam assim. -… foi difícil arrumar uma época tranqüila para oficializar a nossa relação.
-Não vão fazer uma grande festa, vão? Rony, não podemos chamar a atenção. Uma festa que reunirá tantos Agentes da Fênix é um prato cheio para Voldemort.
-Não se preocupe com relação a isso. Dumbledore está organizando com os outros a proteção em torno d'A Toca. E vai ser algo simples, sem muita pompa e muita gente. Decisão da própria Mione.
-Fico feliz por você amigo.
-Obrigado. Mas diz aí Harry, quem você vai levar?
-Como assim?
-Não vai levar uma acompanhante para a festa? Não estava saindo com a Lilá?
-Rony, saí com a Lilá só por uns tempos e isso foi em Hogwarts. Pensei que soubesse que ela está com o Dino agora.
-Certo, não precisa levar uma namorada. Mas uma amiga… - e olhou maldoso para o amigo.
-Meus únicos amigos estarão todos na festa, sabe disso.
-Ah, Harry, eu sei que você não tem tanto tempo e nem a época é a mais prudente para isso, mas todos os nossos conhecidos estão arrumando alguém, só você continua bancando a pose de solteirão, sendo que as mulheres arrastam um dragão por você. - Harry sorriu. Depois que Rony e Mione começaram a namorar esses dois sempre arrumavam um jeito de jogar Harry nos braços de alguém, pois não queriam ver o amigo sozinho. Porém, toda tentativa era inútil. Harry pode ter ficado com muitas garotas, saído com outras, mas ainda não tinha encontrado nenhuma que balançasse de verdade com o seu coração. E nem tinha tempo e cabeça para isso agora.
Continuavam a caminhar em direção ao Três Vassouras quando Harry viu um grupo de alunos de Hogwarts. Era o último final de semana no vilarejo antes das férias de verão. Dentre o grupo ele divisou as figuras de Dallas e Patrick, sempre juntos. Ainda se preocupava com a garota desde o ocorrido no Natal e por causa disso a menina não voltou para casa desde aquele dia graças a ele. Harry havia conversado com o prof.° Dumbledore e mandado a garota direto para Hogwarts em vez de mandá-la de volta para casa, e esse ajeitou tudo com os parentes da menina. Mas agora que as férias de verão estavam chegando, ela não poderia escapar de sua avó. Não pelas primeiras semanas, já que parte das férias ela passaria com Patrick. De repente, uma idéia surgiu em sua mente.
-Rony? - o ruivo virou-se para o amigo.
-Sim?
-Você estava falando sério quando disse que eu poderia levar alguém? - o rosto do rapaz abriu-se em um sorriso divertido.
-Eu sabia! Me diga Harry, quem é a garota de sorte?
-Não é nada disso que a sua mente pervertida está pensando Ronald!
-Como?
-Vou levar a Dallas. – e apontou para o grupo de alunos.
-Dallas? - o ruivo rodou os olhos pelo vilarejo e viu a menina entre um grupo de corvinais, os destoando consideravelmente, e piscou um pouco. -Sabe, Harry, eu lembro um pouco da Dallas no nosso último ano. E aquela garota, definitivamente, não é ela.
-Por que não?
-Com todo o respeito, sei que você gosta dela como uma irmãzinha, mas a Dallas que eu conheci era feia. Aquela lá me parece uma menina normal.
-Oras, Rony. - Harry bufou e entrou no pub, batendo a porta na cara do amigo. Não fora a piada do rapaz que tinha o deixado irritado, mas sim o elogio. De uma maneira indireta, o jovem auror tinha dito que Dallas estava bonita e Harry, por algum motivo, não tinha gostado de ouvir isso.
Arrastava o seu malão pela estação do vilarejo, conversando animadamente com o jovem ao seu lado, quando algo bloqueou o seu caminho. Dallas chocou-se contra o corpo maior e caiu dolorosamente no chão. Droga fazia um bom tempo que não passava essa vergonha de topar com alguém e cair de bunda no chão. Uma vez desastrada, eternamente desastrada. Levantou-se rapidamente e mirou a pessoa que estava a sua frente, a carranca antes em sua face rapidamente se desfez e transformou-se em um grande sorriso.
-Harry! - exclamou entusiasmada e Patrick sufocou uma risada ao seu lado e murmurou um: "lá vamos nós outra vez". -Veio se despedir de mim? – continuou depois de lançar um olhar reprovador ao amigo e murmurar a ele um: "cala a boca".
-Não, eu vim te buscar. - ambos, Dallas e Patrick, franziram o cenho em indagação e olharam um para o outro. -Já falei com Dumbledore e ele vai avisar ao seu pai que você está vindo comigo.
-Com você, para onde?
-Estou te convidando para ir a uma festa de casamento comigo. Depois eu te mando diretamente para a casa do sr. Gordon.
-Eu vou passar parte do verão com você? – falou meio abobada e o rosto começando a ganhar ares sonhadores. Dessa vez Patrick não agüentou e estourou em risadas, somente para receber um olhar curioso de Harry e uma cotovelada de Dallas nas costelas.
-Algo errado? - perguntou o moreno ao menino.
-Não... não... Harry. Tudo perfeito. Perfeito até demais, mas não para mim é claro! - e riu mais ainda.
-Fica quieto Gordon! - gritou e isso apenas piorou o ataque de risos dele, pois a garota estava vermelha e com certeza era de vergonha.
-Patrick… - Harry o chamou, ainda não entendendo a atitude do garoto. -… melhor embarcar no trem, ele já vai partir.
-Okay… - disse, recuperando o fôlego por causa dos risos e entrando no expresso. -… te vejo daqui a algumas semanas Dallas. - despediu-se e saiu à caça de uma cabine vazia.
Quando o trem vermelho sumiu no horizonte, Harry virou-se para a jovem ao seu lado e indicou com a cabeça o caminho da casa dele. Foram até o apartamento do rapaz, em silêncio, e ao entrarem nesse é que ele voltou a falar.
-Você vai via flú. - apontou para a pequena lareira a um canto da sala de estar. -É só dizer: A Toca. Eu irei aparatar com as suas coisas. - ela concordou com a cabeça, até que se lembrou de algo: nunca tinha viajado via flú.
-Er… Harry? Eu nunca viajei via flú.
-É fácil… - disse apesar de não concordar com as próprias palavras. -… basta jogar o pó, pisar no fogo e falar o nome do lugar para onde vai. Mas tem que falar o nome claramente.
-Okay. - ela pegou um pouco de pó em cima da lareira e o jogou no fogo que logo ganhou tons esverdeados. -A Toca! – prontamente o seu mundo começou a rodar e ela caiu pesadamente em um chão de madeira depois de passar por várias lareiras dentro da chama. -Pior do que turbulência de avião. - resmungou, levantando-se desajeitada e limpando a fuligem de suas vestes. Depois de um certo tempo a garota percebeu que alguém a encarava e rapidamente virou-se, se vendo sob um par de olhos curiosos. Mirou a mulher pequena e gordinha que estava no sofá, e deu um sorriso sem graça.
-Er…Oi! - a mulher levantou-se e caminhou até a menina.
-Você dever ser… - um "pop" chamou a atenção das duas e rapidamente a sra. Weasley olhou na direção de onde o barulho proveio. -… Ah, Harry querido! - Harry rapidamente se viu envolvido por um par de braços em um abraço apertado.
-Como vai Molly? - a convivência de anos derrubou qualquer formalidade entre ele e aquela família de ruivos, que já era a sua família também.
-Essa deve ser a menina da qual você falou, uma das damas de honra. – Dallas ergueu os olhos chocada e os mirou raivosos para o auror depois de ouvir isso. Dama de honra? Seria dama de honra? Ninguém havia lhe falado sobre isso.
-Molly, - o rapaz deu um sorriso sem graça ao ver o olhar ameaçador da menina sobre si. -nos dê um minutinho. - concluiu com um sorriso mais genuíno para a mulher e puxou Dallas a um canto da sala, antes que essa começasse a gritar com ele. Certo que gritar de raiva não era o feitio da menina, mas nunca se sabe. Mulheres sempre eram tão imprevisíveis, não importa quem seja ou que idade tenham.
-Dama de honra? - a garota sibilou como uma cobra pronta para dar o bote.
-Precisávamos de uma justificativa convincente a sua família.
-Bastava dizer que eu fui convidada para um casamento.
-E você foi, mas acontece que tivemos um problema com uma das damas de honra e Mione sugeriu você.
-E por que não me avisou antes? Assim eu me preparava psicologicamente para isso.
-Precisava haver preparação psicológica?
-Quando você tem que entrar em um vestido de boneca deixe-me ver… Sim!
-Já está avisada. O casamento é só em seis dias, tempo suficiente para se preparar.
-Obrigada por me avisar.- resmungou, dando um leve soco na barriga de Harry e virando-se para a mulher que os olhava no centro da sala.
-Está tudo bem?
-Sim! - Dallas deu um sorriso doce a ela, o melhor que conseguiu fazer para disfarçar o seu desagrado com a notícia. -Sou Dallas Winford, prazer em conhecê-la sra.Weasley. – presumiu devido à cor dos cabelos da mulher, e estendeu uma mão a ela, mas em vez de um aperto acabou recebendo um abraço.
-Seja bem vinda A Toca, querida! Venha, eu vou te mostrar onde você vai ficar. Harry nos avisou que você passaria uns dias conosco. - a pegou pela mão e começou a guiá-la pela casa. Dallas deixava-se ser levada, olhando admirada a sua volta. Aquela era uma casa 100 bruxa e era fascinante. -Harry, querido, fique a vontade, está em casa. - Harry assentiu e saiu a procura de Rony e dos outros pela Toca.
Entrou altiva na área de serviço da mansão onde ficavam os empregados, e olhou a sua volta procurando por algo. Seus olhos claros caíram sobre o quê, ou melhor, quem procurava e caminhou até a pessoa.
Montgomery observou por cima de seu jornal a figura da sra. Winford aproximar-se de si e vagarosamente dobrou as folhas do mesmo e mirou a mulher.
-Em que posso servi-la senhora?
-A que horas você sairá para buscar a minha neta na estação?
-Não irei, senhora. Senhor Winford me telefonou avisando que a menina Dallas não virá para casa.
-Como? - Amélia estreitou os olhos.
-Parece que a menina foi convidada para um casamento.
-Casamento, que casamento?
-Acho que ela vai ser dama de honra do casamento de uma conhecida da escola.
-Ambos sabemos que esse casamento é inválido. Essa menina está fugindo de mim por causa do vexame do Natal.
-Quem pode condená-la por isso? - murmurou o homem sob a respiração.
-O que disse?
-Nada, senhora. – respondeu calmamente, torcendo um pouco o nariz ao ver e mulher sair tão arrogante da área de empregados como tinha entrado nela. Realmente, quem poderia culpar Dallas por querer se livrar da avó?
