Capítulo 15
MUDANÇAS
-Okay Malfoy… - soou no comunicador do homem que estava preso dentro do ouvido desde e camuflado pelos fios platinados dos cabelos, cobertos por um boné negro. Draco quase praguejou pelo susto que recebeu no meio do silêncio tenso que estava dentro daquele galpão vazio perto dos portos ingleses.
Tinha se voluntariado para essa missão para fazer jus ao último esforço de seu amigo Blaise como informante. Sim, para quem pensou que Draco Malfoy não tinha amigos, estava redondamente enganado. Ao menos um, a quem ele confiava realmente a sua vida, ele tinha. Blaise e ele se conheciam desde criança por causa dos laços comerciais e das trevas que as suas famílias possuíam. Juntos cresceram e juntos foram para mesma casa em Hogwarts, apenas reforçando a sua amizade. Foi padrinho do casamento escondido dele, e ele seria o seu padrinho de casamento se não tivesse morrido tão cedo. Agora cá estava o loiro tentando ter sucesso diante da informação que o homem trouxe sobre a aliança de Voldemort com grupos terroristas trouxas que estavam atuando no país. E, para isso, ele estava contando com a ajuda de aliados trouxas da Ordem dentro da Scotland Yard.
A missão era simples: se passar como o contato que Voldemort enviou e assim prender os terroristas no ato, os extraditando para o seu país de origem e os tirando do caminho. Assim, seria menos um problema nessa guerra e mais coisas para se preocupar era o que ele menos queria, ainda mais que já tinha discutido com Gina essa manhã por causa do perigo desta tarefa. Gina…o nome da sua agora esposa - devido a um casamento às pressas que eles fizeram porque os tempos estavam mais conturbados neste momento - lhe veio a mente de supetão. Havia deixado Gina em casa, já nas últimas semanas de gravidez, sob os cuidados dos cunhados e sogros, embora ela insistisse que estava bem.
-Malfoy! Está me ouvindo? – o policial quase gritou dentro do ouvido dele e o loiro soltou um resmungo como resposta. -Presta atenção, está chegando um carro no galpão. – o homem olhou para entrada do galpão apenas para confirmar o veículo negro chegando. -Não preciso repetir o que você tem que fazer…
-Claro que não, eu não sou idiota, sei muito bem o que fazer. Agora cala a boca que está tirando a minha concentração. – Jonas bufou no comunicador, aquele bruxo era muito metido. Como é que mandaram aquele sujeito trabalhar com ele? Era apenas um moleque que queria aparecer, com certeza. E ele que pensava que a Ordem tinha apenas agentes sérios. Pegou seu binóculo e passou a observar o que acontecia no térreo do galpão de armazenagem.
Draco desencostou da coluna e mirou os homens que desciam de dentro do carro. Era tão fácil enganar esses trouxas, em vez de mandar um representante… não, mandam logo o líder da organização. Se bem que há aquele ditado: "Se quer algo bem feito, faça você mesmo". Talvez fosse por isso que ele estivesse aqui.
-Você é o contato? – o mais alto dos homens falou.
-O que você acha? – Draco rebateu com um tom de "não é óbvio".
-Prove. – o loiro deu um passo à frente, mas mesmo assim as sombras do lugar ainda cobriam o seu rosto, assim como o rosto dos terroristas, e arregaçou a manga de seu casaco estendendo o braço para homem, deixando visível a marca negra. Nada como um feitiço de cópia para resolver o problema. -Eu ainda não entendo qual é o objetivo dessa seita de vocês, mas pelo que eu soube vocês são bem destrutivos… Pelo que li nos jornais e revistas. Misteriosos e destrutivos. O que vocês pregam?
-Que tempo é dinheiro. Onde está a encomenda? – Draco adiantou-se, não queria perder tempo falando sobre Voldemort com aquele sujeito.
-Não são de dialogar muito, não?
-Tem uma linha de raciocínio brilhante. – escarneceu e o loiro viu quando o homem acenou com uma mão e um dos capangas dele foi em direção ao carro, abrindo o porta malas desse e tirando um enorme baú preto dele e o trazendo com dificuldade até eles. Depositou o baú entre dois e afastou-se logo em seguida.
-Sua encomenda… - disse o terrorista.
-Malfoy abra o baú! Precisamos ver se realmente tem armas de grande porte dentro dele. – Jonas falou e Draco caminhou lentamente até o baú, o abrindo, mas sem tirar os olhos do grupo a sua frente. Viu que nele havia o que eles queriam: a prova do crime, e rapidamente o fechou com um ruidoso estalo.
-Agora que você verificou a mercadoria eu quero o meu pagamento. – o auror deu um pequeno sorriso com o canto da boca e enfiou as mãos dentro dos bolsos negros de duas vestes, tirando lentamente algo de dentro deles. Sem movimentos bruscos, ergueu o pedaço afilado de madeira e apontou para eles, que se entreolharam com sorrisos sardônicos nos rostos.
-Acho que isso não vai pagar pelas armas, a não ser que tenha ouro aí dentro.
-E quem disse que eu vou pagar?
-Como é? – a porta do galpão fechou-se com um estrondo, atraindo a atenção dos homens.
-Vão, vão, vão! – foi o comando que ecoou por todo o lugar. Rapidamente o grupo se viu cercado por mais de vinte policiais ingleses, com armas apontadas para as suas cabeças e sem chances de reagir a cerco que foi feito em volta deles.
-Merda! – o chefe do grupo praguejou e levantou as mãos em rendição.
-Bom trabalho Malfoy. – Jonas cumprimentou Draco enquanto via de rabo de olho seus policiais começarem a prender os terroristas e recolherem as provas do crime.
-Hunf… - o rapaz resmungou com desinteresse, cruzando os braços sobre o peito e ganhando uma postura arrogante, que rapidamente se desfez em um segundo. Jonas viu Draco ficar extremamente pálido e este podia sentir um certo calor emanar do bolso de seu casaco. O jovem enfiou a mão nesse e puxou o pequeno retângulo de vidro que lá estava.
-Putz Malfoy! Estou tentando entrar em contato com você há séculos. Mantenha essa porcaria ligada, um feitiço de ativação forçada é trabalhoso sabia…
-Poupe-me o sermão Weasley. O que diabos você quer? Não vê que eu estou trabalhando? – rebateu Draco ao ver o rosto sardento de seu cunhado no comunicador.
-Pois é bom ter terminado, pois Gina está trabalhando também. – retrucou Fred.
-Desde quando? Que eu saiba ela está de licença...
-Não esse trabalho imbecil! É trabalho de parto! Mexa-se logo porque ela já gritou para o hospital inteiro que não dá luz à criança nenhuma até que… - Fred calou-se um pouco e sorriu divertido. -… "Até que o bastardo que ousou fazer isso com ela mostre a sua cara maldita para ser azarada". – Draco sorriu um pouco. Essa era a sua garota. O fogo esverdeado do comunicador bruxo se apagou e Fred sumiu de vista.
-Bem, creio que vocês podem seguir sem mim. Tenho que ir. – Jonas virou-se rapidamente para o loiro depois de ter verificado algumas das provas que um policial tinha lhe mostrado, erguendo uma sobrancelha curiosa para o jovem bruxo.
-Ir aonde? Não vai nos acompanhar na prisão?
-Não… tenho algo mais importante para fazer… - o policial sorriu para o rapaz ao ver o brilho que emanava dos olhos cinzentos.
-Posso saber o quê? – perguntou divertido, cruzando os braços sobre o peito.
-Vou ser pai. – respondeu Draco entusiasmado e com isso, desaparatou.
-ONDE É QUE ELE ESTÁ! – a ruiva gritou ao topo dos pulmões enquanto debatia-se na cama do hospital. A sua volta, médicos e enfermeiras andavam de um lado para o outro para auxiliá-la naquele momento de dor.
-Calma querida, ele já deve estar chegando. – Molly acariciou os cabelos da filha que estavam molhados por causa do suor.
-Sra. Malfoy… - o médico postou-se em frente a ela depois de ter feito os últimos exames. -… a dilatação já está a 10, não podemos mais esperar, pode ser arriscado.
-Eu… mas…
-Gina… vamos. - sua mãe pediu aflita e resignada a jovem assentiu com a cabeça.
-Ótimo, então empurre sra. Malfoy… - o médico falou no mesmo momento em que a porta do quarto era aberta com um estrondo, batendo na parede e voltando, cedendo passagem a um vulto em vestes escuras.
-Onde está ela? – Draco apareceu com o rosto com tons rosados de tanto que correu pelas escadas, pois não dava para aparatar direto no andar da maternidade, os cabelos estavam bagunçados e as roupas um caos. Mesmo assim Gina deu um sorriso em meio à dor, seu marido sempre seria perfeito, arrumado ou não. Em duas passadas largas o loiro postou-se ao lado da esposa e sorriu para ela. Um dos sorrisos que era somente reservado a ela e a mais ninguém.
-Finalmente! – a jovem ruiva exclamou com um suspiro dolorido.
-Demorei, mas estou aqui. – Draco postou-se ao seu lado e lhe segurou a mão com força, transmitindo confiança a ela naquele momento importante de suas vidas.
-Bem sra. Malfoy, empurre. – comandou o médico e Gina empurrou com toda a força que possuía, emitindo grandes gritos de dor.
Para Draco, aquele foi o momento mais longo de sua vida. Ver a sua esposa deitada naquela cama, contorcendo-se de dor e apertando cada vez mais a sua mão, com ele não podendo fazer nada para diminuir o sofrimento dela, era realmente penoso e o fazia se sentir impotente diante de tal situação, sem contar o seu coração estava aos pulos de ansiedade por querer ver o seu filho. Filho, pensar no fato de que seria pai em poucos minutos e que estaria segurando o seu bebê nos braços trazia um sorriso meio bobo em seu rosto. Se isso acontecesse há alguns anos atrás, se alguém lhe dissesse que ele estaria se derretendo por uma criança que estava prestes a nascer e que estaria com o sangue Weasley correndo em suas veias, com certeza ele riria debochado e faria uma grande expressão de nojo. Mas agora, tudo o que ele conseguia era sorrir feito um idiota enquanto assistia a sua mulher fazer um esforço descomunal para trazer uma criança ao mundo. Mas não qualquer criança, i seu /i filho.
O choro inundou o quarto sendo acompanhado pelas lágrimas silenciosas da mulher que sorria lindamente para ele, deitada na cama. Estava cansada, estava pálida e com suor escorrendo por sua face, estava suja de sangue e com as roupas do hospital toda amarrotada, mas para ele, ela estava linda. Mais linda do que jamais ele tinha visto. E pareceu um anjo quando segurou aquele pequeno embrulho entre seus braços.
-Parabéns querido. – Molly abraçou o rapaz que somente agora se deu conta da presença dela no quarto. -Uma linda menina. – disse e saiu do aposento para dar a notícia aos outros.
Uma menina. Era pai de uma menina. Draco sentiu seus olhos comicharem e caiu sentado no banco mais próximo e que estava ao lado da cama. Gina virou-se para ele e sorriu abertamente para a figura ao seu lado, o mais frio e racional agente da Ordem da Fênix, um Malfoy com o coração de gelo, pela primeira vez estava chorando como uma criança. Chorando como uma criança feliz ao receber um grande presente. O maior presente de toda a sua vida. O loiro abaixou o rosto, escondendo os olhos com as mãos e seus ombros tremularam e um resmungo abafado foi-se ouvido. Ficou minutos nesta posição e quanto finalmente conseguiu se controlar, ergueu o rosto novamente, com a expressão impassível, mas os olhos brilhavam por causa das lágrimas derramadas e pelo orgulho estampado neles.
-Ela não é uma graça? – perguntou a mulher com um ar etéreo ao seu redor, o ar de uma mãe exaltada diante do milagre que acabou de ocorrer, mostrando-lhe o bebê que tinha claros fios, quase beirando a ruivo e, mesmo que fosse um pouco difícil ver por sob os cílios escuros, olhos cinzentos.
-É o ser mais lindo que eu já vi. – murmurou Draco com a voz quase sumida, mais uma vez perdendo o controle de seus sentimentos, e Gina estendeu a criança a ele, que a olhou espantado, com medo de que se a pegasse a quebraria.
-Vamos papai, a segure. – incitou a ruiva e desajeitado ele pegou o bebê no colo e teve a impressão de que essa deu um pequeno sorriso para ele. Sorriu mais besta ainda diante do gesto infantil da criança. Com desde trêmulos traçou as linhas delicadas do rosto pequeno e sentiu-se elevar diante do que acontecia. Era pai. –E como vamos chamar o nosso pequeno anjo?
-Angela. – respondeu, não confiando na estabilidade de sua voz.
-Angela? E o que significa?
-Mensageiro do céu. – Gina sorriu e Draco sorriu de volta. Essa seria a maior e a melhor mudança de sua vida desde que todo esse conflito começou.
O sol de meados de julho batia intensamente sobre os jardins verdes daquele castelo iluminando o grupo de jovens que lá estavam sentados e ouvindo atentamente o que o homem mais velho falava.
-Durante esse tempo de aulas que vocês foram treinados muitas coisas lhes foram ensinadas na teoria. E agora que temos o castelo livre e podemos aprofundar melhor nos nossos treinos, sem nos escondermos, vocês colocarão muitas dessas coisas na prática hoje. – Sirius andava por entre os jovens sentados e que se viravam na grama para observar o homem passear por entre eles enquanto falava. –Hoje treinaremos defesa pessoal, combates corpo a corpo. Nem sempre vocês terão as suas varinhas para lhes auxiliar, e quando isso acontecer terão que estar preparados e com bons reflexos para fugir, ou ao menos tentar desarmar o oponente manualmente. Por isso… levantem-se! – ordenou e rapidamente todos se puseram de pé. –Formem pares e comecem a praticar os golpes que lhes foram ensinados pela Ordem durante o ano letivo. – rapidamente os jovens correram na direção dos amigos e colegas e formaram seus pares, começando a praticar. Dallas olhou a sua volta e percebeu com certo desgosto que não havia sobrado ninguém para praticar com ela dentro daquele jardim... Correção havia sobrado alguém, mas ela preferia que não tivesse. Qual era o problema dos outros alunos com os sonserinos? Pensou contrariada ao ver quem provavelmente seria o seu parceiro se não fosse a política de segregação de casas da escola.
Davon sorriu matreiro e começou a caminhar na direção da jovem como se estivesse prestes a dar o bote em sua presa e rapidamente recebeu um olhar irado como boas vindas. Ela realmente estava começando a mostrar as suas garras, a Sonserina a estava deixando mais perigosa.
-Caia fora Yale! Não pense que só porque estou sozinha que eu vou treinar com você. – cruzou os braços, dando as costas para ele e correndo os olhos novamente pelos jardins. Talvez algum corvinal a aceitasse na dupla e assim eles treinariam em trio.
-Não? Pois então vá lá e explique ao Black isso. E ele falou duplas, querida Dally, não trio. – respondeu o rapaz presunçoso, a circulando e ficando em frente a ela, adivinhando seus pensamentos apenas com as expressões distorcidas que estavam no rosto da menina. Resignada, Dallas olhou na direção do professor e viu que esse os olhava com um ponto de interrogação na cabeça, uma expressão que perguntava o porquê de eles ainda não terem começado as práticas.
-Okay! – finalmente cedeu, descruzando os braços e apoiando os punhos fechados nos quadris curvilíneos. –Mas faça uma só gracinha e eu vou te quebrar tanto que nem a sua mãe vai te reconhecer. – ameaçou com um ranger de dentes e Davon soltou uma longa risada debochada.
-Isso é o que veremos Winford! – retrucou com um tom sério e ambos começaram a treinar.
-Como vão as coisas? – a voz familiar fez Sirius girar o corpo bruscamente e encarar o seu visitante com um grande sorriso no rosto, o puxando para um rápido e apertado abraço e ganhando um sorriso de retribuição.
-O que faz aqui? – perguntou com o seu constante tom maroto, observando o rapaz de cima a baixo e percebendo como ele havia crescido com o tempo e que parte desse crescimento o ex-prisioneiro tinha perdido com a sua vida de foragido. Mas isso eram pensamentos que ele preferia abolir, pois agora era um homem livre e agora poderia ter mais tempo para o seu querido afilhado.
-Resolvi dar uma volta para espairecer e me lembrei dos treinos que você iria dar ao ar livre hoje, então eu vim ver como você se sairia. – respondeu com um sacudir displicente de ombros e o animago deu um grande sorriso traquinas para Harry. Com certeza aquilo era uma grande mentira que o jovem estava dizendo o Maroto não deixaria uma falha desse tipo passar em branco, não era de sua natureza perdoar gafes alheias.
-Veio ver é como a jovem Winford está se saindo, não é? – comentou risonho e com um tom provocador e Harry cruzou os braços, torcendo o rosto em uma expressão séria dando a resposta que o padrinho precisava. Nada passava despercebido a Sirius. E sim, ele havia vindo para ver como estava Dallas se saindo com os treinos. Afinal, ainda não gostava da idéia da garota ter entrado na Resistência e chegou a discutir muito com Hermione, que foi quem a sugeriu para o posto vago de agentes em treinamento, por causa disso. Mas, como sempre, Mione tinha grandes argumentos para convencê-lo de que essa era a melhor decisão. Porém uma decisão para os outros e não para ele. Gostava da menina como se ela fosse da sua família, assim como Hermione e os Weasley, e como ela era a caçula de sua família adotiva se sentia na obrigação de cuidar bem dela e, sinceramente, não gostou nada de saber sobre essa convocação da Ordem sem ele ter sido consultado. Dallas, apesar de tudo, do temperamento difícil e da teimosia, ainda era uma criança inocente e pura, ainda não afetada pelos males do mundo. Entrar na Ordem poderia destruir isso e isto era uma coisa que ele não queria. O chamem de egoísta, ele não se importa, contanto que ele conseguisse proteger a garota do restante do mundo estaria feliz. Era o seu complexo de herói, como Malfoy dizia, e nada ele poderia fazer contra isto.
-E como ela está se saindo? – perguntou contrariado e o homem mais velho deu uma gargalhada, correndo os olhos pelo campo a procura do objeto da conversa deles.
-Veja por você mesmo. – e Sirius apontou na direção onde estava a jovem ao mesmo tempo em que uma certa cena se desenrolava aos olhos de todos, principalmente o de Harry, deixando o herói do mundo mágico vermelho como as cores da sua antiga casa e soltando o fumaça pelas orelhas.
Era para ser um treino corpo a corpo, mas, como sempre, Davon tinha que levar tudo para a batalha verbal sempre a provocando e dizendo besteiras, o que fazia o seu sangue ferver. E o pior de tudo nunca a chamando pelo nome, mas sim a chamando por aquele apelido ofensivo que os sebosos sangues-puros orgulhosos da Sonserina – nem todos, mas uma boa parte deles, pois muitos não mais a chamavam assim porque a temiam – a chamava. Se bem que ela nem dava mais atenção a eles e não daria ao Davon também se ele não continuasse a insistir em bater na mesma tecla. Estava se tornando repetitivo e a estava enervando aos extremos, além do fato de que foi ele que começou essa palhaçada toda na Sonserina para cima dela quando espalhou aos quatro ventos que ela era uma nascida trouxa na casa das serpentes sangue-puro. Sem contar que ele sempre fazia o seu sangue ferver diante do irritante ar de superioridade, como se ele realmente achasse que fosse melhor do que ela – algo que Dallas discordava completamente, pois o considerava um ninguém, um ninguém muito irritante, mas um ninguém – e agora pagaria por isso. O problema era que por mais que ela soubesse se defender, ele ainda era maior, mais forte e muito mais rápido por causa de seus reflexos ganhos no Quadribol. E ele sempre conseguia tirar a concentração dela com as suas piadas de mau gosto. Grande agente ela seria se não conseguia nem ignorar o falatório sem sentido do inimigo diante de uma briga. Precisa praticar mais a sua máscara repelente, aquela onde os insultos batiam em seu rosto e voltavam.
-Vamos lá sangue-ruim… me bata! – provocou Davon de maneira maliciosa quando conseguiu se desviar de mais um golpe de Dallas. Há tempos que o treino deles havia evoluído para uma briga de verdade.
-Seu desgraçado filho da mãe eu vou quebrar o seu pescoço! – esbravejou a garota quando viu que ele tinha conseguido desviar de mais um de seus socos. Parou abruptamente sobre a grama ainda úmida do jardim, conseguindo se virar a tempo e colocando-se novamente em posição ofensiva e partindo mais uma vez para o ataque.
Davon viu a jovem vir com fúria em sua direção e jogar-se em cima de si, tentando lhe bater e conseguindo, pois um punho fechado o acertou fortemente na bochecha onde, com certeza, mais tarde estaria uma bela marca roxa. Tentou revidar o golpe, mas esta foi à vez de Dallas desviar-se com um sorriso triunfal no rosto. –Isso é tudo o que você consegue sangue-ruim? – falou debochado, tocando a parte dormente da sua bochecha onde o soco havia acertado e percebendo que estava ficando inchada. A sonserina rosnou de fúria diante da prepotência daquele garoto e posicionou-se novamente, pronta para tirar aquele sorriso escarninho do rosto dele a pancadas. Novamente avançou, mas a superioridade desta vez ficou com Davon que tudo o que ele fez foi segurar os pulsos dela com força e forçar seus braços para as suas costas, a virando bruscamente e a puxando contra o seu corpo e passando um braço sobre o pescoço da garota enquanto ainda mantinha seus punhos presos com uma das mãos. Dallas gemeu de dor com o movimento brusco e virou o rosto para olhar por cima do ombro de maneira furiosa para os olhos castanhos que brilhavam de divertimento.
-Lição número um gafanhoto: nunca se deixe levar pelas emoções em uma luta, isso só vai lhe fazer perder. – disse pomposo.
-Me solta! – Dallas rosnou para o rapaz, debatendo-se dentro da prisão que os braços dele estavam proporcionando.
-Hum… engraçado. – Davon ponderou com um ar distante. –Já não estivemos nessa posição antes? – a garota debateu-se mais ainda e soltou um grito surpreso quando de repente ele virou o seu corpo e agora eles se encaravam frente a frente, com os rostos muito próximos para o gosto da sonserina.
-É e eu lembro que não terminou nada bem. – tentou mais uma vez se soltar, mas ele ainda tinha uma força superior que a sua.
-Eu não ouvi você reclamar. – rebateu Davon arrogante e Dallas estreitou os olhos violetas que brilhavam de maneira perigosa.
-Me solta. – exigiu com um tom autoritário e o rapaz quase riu. Ela estava ficando vermelha de fúria, e ela ficava uma graça quando estava furiosa. Até onde ela conseguiria suportar as suas provocações até explodir verdadeiramente, porque ele sabia que até o momento a garota ainda tinha algum controle sobre a sua raiva, coisa que ganhou com experiências de detenções passadas.
-Pague o tributo e eu te solto. – pediu e a morena ergueu uma sobrancelha indagadora.
-Como é? Você não espera que eu… - mas não pode concluir os seus pensamentos, pois Davon foi mais rápido que ela. Dallas realmente gostaria de saber o que deu nesses homens de hoje em dia, pois todos queriam beijá-la – menos Harry é claro – mas quem ela mais queria que a beijasse nunca faria isso, pois nem fazia idéia de seus sentimentos em relação a ele e se ela esperasse por uma ação de Harry morreria sem saber qual era a sensação de um beijo. E mesmo que quem estivesse lhe causando essas sensações fosse Davon, ela não tinha muito do que reclamar, pois ele beijava muito bem e era algo muito bom.
O moreno pediu passagem com a língua por entre os lábios dela e vagarosamente a jovem cedeu passagem com a cada segundo o beijo se aprofundando mais e mais, algo bem diferente daquele que foi trocado no Expresso de Hogwarts e que não passou de um roçar de lábios. Dallas sentiu seu corpo amolecer com os arrepios que começaram a passar por ele e instintivamente suas mãos – que foram libertar por Davon em algum momento do beijo – subiram pelo peito dele, percorrendo a nuca do sonserino e perdendo-se entre os fios de cabelos macios, os desarrumando intensamente. As mãos do rapaz em compensação fecharam-se na cintura esguia, pressionando o corpo de Dallas contra o seu e originando um profundo gemido da garganta da garota enquanto ainda violentava os seus lábios Soltou um suspiro por entre a língua que travava uma batalha com a sua, suas mãos novamente deslizaram pelo corpo dela, passando pelas coxas que eram moldadas pela bermuda de ginástica e subindo até chegar ao traseiro bem desenhado da garota. Dallas soltou uma mistura de gemido e exclamação surpresa diante do gesto, mas o choque rapidamente foi esquecido enquanto Davon ainda tirava o seu fôlego com o beijo. Alunos pararam a prática para ver e interação dos dois jovens no meio do jardim que pareciam ter esquecido de tudo ao seu redor e estavam perdidos em um beijo que estava se tornando indecente. E, ao longe, um par de orbes verdes estreitaram-se por detrás das lentes redondas dos óculos enquanto o rosto moreno de Harry variava entre o pálido e o vermelho diante da pouca vergonha que estava presenciando. Em passos rápidos o auror atravessou o campo e chegou ao casal que ainda estava alheio a realidade e postou-se o lado deles, cruzando os braços em postura defensiva e soltando um longo e alto pigarro, mas não conseguindo muita coisa com isso. Sirius mais que depressa alcançou o afilhado que tinha sumido do seu lado na velocidade de uma Firebolt, soltando um rastro de fumaça no caminho, e se preparou para o pior, pois Harry estava com uma expressão de que estava pronto para matar alguém. E, com certeza, esse alguém era o jovem Yale que ainda parecia muito entretido em agarrar Dallas. Não sabia se os repreendia ou se caia no chão de tanto rir. Era tão óbvio que apenas o seu afilhado não percebia que estava fumegando de ciúmes. Novamente Harry pigarreou com muito mais força e isso finalmente pareceu acordar os dois adolescente.
Um barulho ao seu lado fez Dallas de voltar ao mundo terreno e rapidamente ela abriu os olhos, empurrando com toda a força o garoto que a abraçava, o afastando de si. Davon deu um sorriso zombeteiro, ainda mais ao ver que a menina estava vermelha por causa do beijo e um pouco zonza, e virou-se para o intruso.
-Posso ajudá-lo? – o sonserino perguntou em um tom inocente e os olhos de Harry faiscaram e o seu rosto já estava em um tom vermelho beterraba enquanto os punhos firmemente fechados afora pendiam ao lado de seu corpo. Mas que moleque mais abusado, pensou o auror com ira.
-Meu assunto não é com o senhor, senhor… - perguntou em um tom que dizia que pouco lhe importava qual era o infeliz nome do rapaz.
-Yale, Davon. – respondeu displicente, olhando com desinteresse para as unhas de sua mão e Harry estreitou mais ainda os olhos. Aquele que era o tal Davon de quem tanto Dallas reclamava? Aquele era o garoto que vivia a ofendendo e brigando com ela? O que diabos ela estava fazendo beijando esse garoto?
-Yale… - falou o nome com desprezo. –Dallas e eu precisamos conversar, se você me der licença. – e segurou no braço dela, pronta para tirar a garota dali, que somente agora tinha se recuperado totalmente do beijo que a tinha deixando desorientada e a feito perder todas as reações de Harry enquanto discutia com Davon.
-Mas e o treino Harry? – perguntou quando finalmente recuperou o fôlego.
-Agora! – sibilou autoritário e a arrastou – literalmente – em direção ao castelo sob os olhares surpresos dos outros alunos, divertido de Davon, e sábio de Sirius que sabia o que no fundo tinha motivado a explosão do afilhado.
Quando pisaram no hall de entrada é que finalmente o moreno a soltou e virou-se para encará-la, e Dallas podia jurar que estava vendo os olhos verdes brilharem como chamas mágicas, além de ter a ligeira impressão de que ele não estava nada feliz por causa da cena presenciada.
-Ele me agarrou! - defendeu-se rapidamente com uma voz esganiçada antes que o homem dissesse alguma coisa, embora ela mesma não acreditasse muito na sua própria desculpa, pois até Harry aparecer ela estava gostando muito dessa... "agarrada".
-Verdade? – Harry rebateu zombeteiro, pois ela não lhe parecia muito ofendida por ter sido "agarrada", na verdade ela parecia estar agarrando Yale de volta com um grande entusiasmo.
-Harry, você tem que acreditar em mim. Já viu quem ele é? Você realmente acha que eu o beijaria?
-Não, mas o estava beijando.
-Eu já disse que ele… - a morena já estava ficando irritada com aquele sermão. Aliás, por que ela estava recebendo um sermão? – que ele me agarrou!
-E você deixou! – retrucou Harry mais vermelho ainda diante das desculpas que a menina dava quando era claro como água que ela estava gostando do beijo. –Dallas para alguém que despreza tanto aquele garoto, como você ainda se dá ao disparate de conviver tão perto assim dele? E, para começo de conversa, você ainda é uma menina e não deveria estar beijando garotos mais velhos por aí.
-Uma menina? – a jovem arregalou os olhos por meros segundos e depois os estreitou, ficando realmente irritada. Ela não era uma menina como Harry falava, como se ela fosse uma idiota que não soubesse nada do mundo e sobre... garotos. E, desde quando esse pensamento a deixava irritada? Talvez desde o momento que ela já era uma jovem que iria fazer quinze anos e que já há muito tempo tinha saído da infância. Sem contar que somente Harry a via assim. –Engraçado, Davon não me considera uma menina, já que até onde eu sei ele não é um pedófilo. – caçoou de maneira provocativa, erguendo as sobrancelhas de modo sugestivo. –Nem o idiota do Allen me considera mais uma menina. Acho que eu estou começando a te dar razão sobre o que você disse. – rebateu mais irritada ainda por ter que tentar convencer o míope do Harry de que ela não era mais uma criança que precisava ser constantemente protegida. Que ela não precisava mais do complexo de heroísmo dele e que andava se virando muito bem sozinha ultimamente, muito obrigada.
-Como? – perguntou confuso. O que foi que ele tinha dito a ela?
-Que realmente os garotos estão começando a reparar em mim, agora sim percebi isso. – e gesticulou largamente em direção a porta de entrada do castelo. –Davon é uma prova viva disso, não?
-Não seja ridícula! – rebateu Harry em um tom baixo e ameaçador. –Yale só fez aquilo para te provocar, para me provocar, pois sabia que eu estava ali observando tudo. Não é como se ele realmente estivesse interessado em você. – terminou de dizer e percebeu que foi a maior besteira que tinha dito na vida, pois Dallas eriçou-se de maneira raivosa diante da acusação explícita de que era idiota o suficiente para acreditar que Davon iria se interessar – como Harry estava colocando fervorosamente – por uma menina. Por que ele não admitia que quem tinha problemas com essa situação era ele e não o Yale?
-Está insinuando sr. Potter que não sou boa o suficiente para chamar a atenção de um homem?
-Não foi isso que eu quis dizer. Só disse que homens como o Davon só mostram interesse por meninas mais novas para brincarem com elas.
-E você acha que eu já não conheço Davon o suficiente para saber o que ele pensa e o motivo de suas ações? Sei muito bem lidar com ele e não preciso de você defendendo a minha virgindade como um irmão super protetor, muito obrigada.
-Sabe tanto como ele age que o deixou ser beijada por ele, mesmo o desprezando! Não conseguiu se defender de suas investidas com más intenções.
-Ele me pegou de surpresa, me agarrou, quantas vezes eu vou ter que repetir isso até que a sua cabeça dura assimile? – Dallas gritou e depois de alguns segundo ponderou um pouco sobre a discussão que estavam tendo. Ela não devia explicações a ele sobre o que fazia ou deixava de fazer com o Davon. – E eu não te devo explicações! Você não é o meu pai, meu parente, não é nada meu! – e virou-se irritada pronta para terminar com aquela briga tola e voltar a treinar nos jardins, pois estava perdendo tempo ali dentro.
-Mas com certeza serei eu o primeiro a quem você vai procurar quando aquele idiota do Yale partir seu coração! – acusou Harry ao segurá-la pelo braço e impedi-la de partir.
-Ele não vai partir meu coração Harry. – rebateu a jovem, soltando o seu braço de entre os dedos dele e lhe dando novamente as costas. –Ele teria que tê-lo primeiro para poder o parti-lo. E isso – disse em um sussurro extremamente baixo – ele nunca vai conseguir. – e correu porta afora de volta aos jardins.
Harry a viu sair do castelo e fechou as mãos em um punho, as apertando com força e trincando os dentes. Se Davon ousasse a fazer algo com Dallas, qualquer gracinha, qualquer coisa que a magoasse ou a desrespeitasse, uma mão boba que fosse... Se ele ousasse a tocá-la de maneira inconveniente o auror jurava que o caçaria até o inferno e o destruiria pedaço por pedaço por ter um dia pensado em querer a sonserina. Isso ele prometia.
