CAPÍTULO 18

TODAS AS COISAS QUE ELES NÃO DISSERAM

-Droga Thomas, não vai desmaiar em cima de novo! – Draco murmurou por entre dentes enquanto puxava novamente o corpo do homem para colocá-lo de pé.

-Eu estou tentando Malfoy, mas não vê que está difícil? - retrucou o rapaz com um pequeno gemido de dor quando se sentiu ser puxado com mais força pelo loiro para poderem apressar os passos.

Estavam ambos andando por entre as árvores de um lugar desconhecido, um lugar que parecia uma floresta de tão extensa que era e pelo fato de que os dois se sentiam perdidos há horas e não chegavam a ponto algum. Não havia uma habitação por aquelas bandas e a única que deveria existir no meio daquele lugar nenhum era a casa da qual eles acabaram de fugir, a casa que estava protegida por uma dúzia de Comensais violentos e que agora estavam furiosamente atrás deles. E quanto mais eles andavam, mais Draco tinha certeza que eles estavam se embreando na mata fechada.

-Daria tudo para ter a minha varinha aqui. – sussurrou o loiro de modo quase inaudível, com medo de seus perseguidores o ouvir, enquanto tentava manter o rapaz ao seu lado em pé.

-Eu daria tudo para estar na minha cama quentinha… – o moreno tossiu enquanto sentia espasmos de dor passarem pelo seu corpo e um filete de sangue escorreu pelo canto de seu lábio, o que alarmou Draco ainda mais, apressando os seus passos e quase carregando Dino consigo. – com uma boa xícara de chocolate quente. – terminou o ex-grifinório, sentindo suas pálpebras pesarem e seu corpo amolecer. Outro puxão de Draco o fez acordar rapidamente e se ver sob um par de olhos cinzentos que demonstravam preocupação, algo raro de se ver no rosto do loiro. Lutando com todas as suas forças o rapaz obrigou as suas pernas a se firmarem no solo úmido e os seus pés se mexerem para conseguir acompanhar os passos de Draco.

-E não debaixo dessa chuva, com as roupas imundas e nessa floresta úmida. Olhe para mim – o ex-sonserino exclamou ultrajado ao ver suas vestes sempre impecáveis agora parecerem fiapos de pano de chão embebido em sangue, água, lama e outros detritos que ele não queria nem pensar em listar – parece que eu peguei as roupas de um dos meus cunhados emprestada.

-Mesmo a beira da morte você não perde a arrogância Malfoy. Como a Ordem pôde aceitar você?

-Minha arrogância também vem acompanhada do meu charme. – respondeu presunçoso, retirando uma mecha platinada de cima dos olhos de maneira coquete.

-Pelo amor de Deus! – Dino rolou os olhos diante do modo de agir do outro homem. O que ele realmente tinha para a Ordem tê-lo aceitado? Personalidade sociável é que não era. – Com tanta gente para ficar perdido dentro de uma floresta eu tinha que ficar logo com você.

-Pare de reclamar, afinal, eu estou tentando te tirar daqui, mas se você quiser te deixo apodrecer no meio dessas árvores, não faria a menor diferença para mim. – deu um sorriso predador ao rapaz que novamente rolou os olhos. Ao menos a discussão com o loiro servia de alguma coisa, servia para mantê-lo acordado.

-Não sei por que ainda não o fez. – gracejou maldosamente. – Será que finalmente cresceu um coração dentro do seu peito oco? Estou impressionado Malfoy. – Draco quase soltou uma gargalhada diante da resposta afiada de Dino, mas manteve-se quieto e empenhou-se ainda mais em tentar tirar o rapaz daquele lugar.

-Ah, cala a boca! - comandou com um meio sorriso divertido e continuou a arrastá-lo pela mata.


Encolheu-se mais ainda sobre a pequena cama de seu antigo quarto, deixando as lágrimas rolarem silenciosamente pelo seu rosto enquanto a mulher na sua frente a mirava com uma certa de pena em seus olhos chocolates. Pena e compreensão. Entendia pelo que a amiga estava passando e sabia que também se sentiria assim se o mesmo tivesse acontecido com ela, se Rony tivesse sido capturado.

Quase três semanas se passaram e a Ordem não tinha nenhum rastro de seus espiões sumidos. Draco, Dino e Lino pareciam ter desaparecido da face da Terra e nenhuma pista foi deixada para trás, nenhum vestígio, nada que indicasse se eles estavam vivos ou mortos, e era por isso que agora a ruiva encontrava-se encolhida em sua antiga cama, abraçada aos joelhos e chorando copiosamente, pois hoje era mais um dia em que Hermione aparecia na Toca sem notícias do marido de Gina.

-Eu falei para ele que era perigoso. – murmurou Gina depois de quase uma hora de silêncio. – Mas ele não quis me ouvir.

-Gina – Hermione sussurrou – ele sabia disso, ele sabia disso e mesmo assim quis se arriscar. Deveria estar orgulhosa dele. Foi um ato de coragem e eu que pensei que nunca veria o dia em que Draco Malfoy arriscaria a sua vida pelo próximo, ou pela causa, mas confesso que já conseguia imaginá-lo arriscando a sua vida pela família.

-Quando começamos a namorar eu também pensava assim, achava que ele sempre seria o garoto frio e indiferente e que não importava o quanto ele gostasse de mim, isso não mudaria nada. Mas tudo começou a ficar diferente quando eu percebi como os olhos dele brilhavam cada vez que via a nossa filha, como ele ostentava um ar tão orgulhoso quando nos via, e isso me fazia me sentir tão bem.

-Deve ser porque ele, pela primeira vez, fez algo certo na vida. Ele realmente amava vocês duas e arriscou a vida por isso. – comentou Hermione em um tom brando e Gina a olhou rispidamente.

-Não fale como se ele já estivesse morto. – retrucou ácida, não querendo nem pensar na possibilidade de jamais ver aqueles olhos cinza tempestade de novo ou ouvir os comentários sarcásticos do marido.

-Gina… depois de quase três semanas em poder dos Comensais e de Voldemort você ainda acha…

-Sim… eu sinto que sim. Por isso que não quero sentir orgulho dele, é como se eu já o desse como morto e ele não pode morrer. – inspirou profundamente para conseguir encontrar forças para continuar falando, mas as lágrimas quase a calavam. – Ele me prometeu que sempre estaria comigo… Conosco. – e deu uma olhada de relance para o berço perto da janela onde Angela dormia pacificamente. – E se ele ousar quebrar essa promessa eu desço até o inferno e o mato novamente com as minhas próprias mãos. – Hermione viu os olhos de Gina brilharem, mas ela não sabia se era por causa das lágrimas ou da determinação em cumprir o que acabara de dizer. Resoluta a morena recostou-se na cabeceira da cama da ruiva e suspirou, também tentando buscar dentro da amiga um pouco de esperanças para si mesma.

-Bem, por mais surreal que isto possa parecer eu também não quero que ele morra. Ele tem sido de grande ajuda para nós e está se mostrando um homem em quem nós podemos confiar. E você sabe o que eles dizem. – Gina olhou para a amiga com uma sobrancelha erguida.

-Não, o que eles dizem? – perguntou com uma expressão indagadora e Hermione sorriu um pouco.

-Um ditado trouxa que diz que vaso ruim não quebra.

-Hei! – a ruiva exclamou indignada, mas ocultando um pequeno sorriso. – Meu marido não é ruim. Certo que ele é a prepotência e o egocentrismo em pessoa, mas não é ruim.

-Se você diz, é você que dorme com ele não eu.

-Graças a Merlin! Sou muito possessiva e não divido o meu Draco com ninguém. – a duas mulheres riram, o que afastou um pouco o clima pesado que estava no quarto. Logo depois este ficou num certo silêncio confortável até que Hermione ergueu-se num sobressalto, assustando Gina.

-O que foi? – perguntou a ruiva e a outra mulher apenas lançou um olhar a ela e depois tirou algo do bolso interno das suas vestes.

-Mione? – Gina pôde ouvir a voz de Harry soar no comunicador de Hermione e uma ponta de esperança brotou em seu coração.

-Sim?

-Achamos o bastardo! – a jovem Weasley ouviu Harry dizer e depois soltar uma risada divertida. – Eu sabia que ele não se deixaria ser pego assim com facilidade. Avise a Gina que estamos na área restrita da ala hospitalar de Hogwarts. – encerrou e o comunicador desligou-se automaticamente e Hermione prontamente virou-se para a amiga.

-Gina… – ela não conseguiu terminar de falar, pois logo a mulher mais nova já envolvia uma capa em seus ombros e pegava na mão de Hermione, a arrastando para fora do quarto.

-Mamãe, – a ruiva chamou quando chegou à sala de estar da Toca, trazendo a outra ex-grifinória consigo. – cuide da Angela pra mim, eu já volto.

-O que houve querida? – Molly perguntou.

-Acharam Draco. – a jovem sorriu abertamente e logo depois desapareceu pelas chamas da lareira.


-Eu estou perfeitamente bem, obrigado! – Harry e Rony rolaram os olhos quando ouviram o homem resmungar pela enésima vez nas última duas horas. Enquanto isso, Madame Pomfrey apenas lançava um olhar reprovador ao loiro e forçava a poção pela sua boca, como se estivesse tratando de uma criança.

-Agora o senhor vai descansar Sr. Malfoy. – advertiu a enfermeira, saindo logo depois da sala especialmente reservada dentro da ala hospitalar para tratar dos Agentes feridos da Ordem, resmungando uma coisa ou outra sobre pacientes complicados que achavam que sabiam mais sobre medicina do que ela.

-Eu atravessei uma floresta inteira sendo perseguidos por Comensais da Morte, carregando o corpo ferido de um homem e ela ainda acha que eu sou feito de porcelana. Draco cruzou os braços sobre o tórax e soltou um muxoxo, recostando-se na cama.

-Não reclame Malfoy, ao menos vocês saíram de lá vivos. – comentou Rony – Bem, parte de vocês. – o local ficou em silêncio em consideração ao companheiro perdido. Dino e Draco conseguiram resistir às torturas dos Comensais da Morte, mas, infelizmente, Lino não teve tanta sorte. Talvez por fazer parte da Ordem por mais tempo os inimigos acharam que ele continha mais informações do que os outros dois agentes, o que foi inútil, nenhum dos três abriram a boca para dizer nada e por isso foram quase mortos. E Jordan, infelizmente, não resistiu as três semanas diretas de tortura. Quando Draco e Dino conseguiram fugir de suas prisões o rapaz já estava morto.

-Mas onde ele está! – o grito quebrou o minuto de silêncio dos três aurores e Draco sorriu um pouco quando uma jovem ruiva irrompeu dentro do quarto. Empertigou-se mais um pouco na cama, esperando o que com certeza seria um grande abraço e beijo de boas vindas, mas foi extremamente decepcionado. O que ele recebeu não foi nenhum desses gestos de boas vindas, mas sim um belo tapa no meio do rosto.

O loiro abriu a boca, mas nenhum som dela, e seus olhos cinzentos miravam, estupefatos, a mulher a sua frente que fumegava de raiva. Quase morreu e era assim que ele era recebido de volta? Onde estavam as lágrimas de saudades e os abraços carinhosos? E as juras de amor, onde foram parar?

-Mas que diabos mulher! – praguejou saindo do estado de choque. – Isso doeu! – resmungou, soltando um palavrão ou outra enquanto acariciava a bochecha que estava ficando rosada e mostrando a marca dos cinco dedos afilados de Gina.

-Mas era para doer! – a jovem apontou um dedo furiosamente na direção do rosto do marido. – Você faz idéia da preocupação que eu tive? Faz idéia de o quanto eu chorei? Acho que nem tenho mais lágrimas para derramar. Eu deveria te esganar! Nunca mais se atreva a me dar este ataque do coração! – rugiu com o rosto vermelho de fúria e mais lágrimas começando a rolar dos seus olhos inchados.

-Oras! Eu salvei a sua vida! – retrucou irritado e as expressões furiosas de sua esposa amaciaram um pouco e ela deu um pequeno sorriso para o homem emburrado sobre a cama.

-Draco – aproximou-se da cama e sentou-se ao seu lado. – minha vida é você. – murmurou suavemente, acariciando a bochecha que havia recebido o tapa e Rony fez uma careta desgostosa diante da cena romântica que estava começando a surgir. Hermione sorriu para o casal que parecia não ter problemas em demonstrar seu afeto em público, ainda mais quando sentimentos e Draco Malfoy eram palavras não relacionadas, e Harry quase estava tendo um ataque de risos diante das caras e bocas que Ron estava fazendo.

-Melhor deixá-los sozinhos. – Mione segurou o braço do marido e começou a puxá-lo para fora da ala hospitalar. Harry resolveu os seguir bem no momento em que Draco e Gina compartilhavam um beijo. Rapidamente, após sair da enfermaria, cada um seguiu o seu caminho.

Harry estava percorrendo os corredores de Hogwarts, submerso em seus pensamentos, quando uma visão o fez parar. Dallas havia acabado de entrar no corredor, carregada de livros, como na primeira vez que tinham se encontrado na escola, e parado no meio deste, mirando o moreno a alguns passos a sua frente. Ficaram assim por um longo tempo, olhando um para o outro sem saber o que dizer ou o que fazer. Desde o Baile de Halloween que eles não se viam, mas, mesmo assim, as lembranças daquele dia ainda estavam vívidas em suas mentes. Principalmente na mente de Harry que depois de semanas empenhado na busca de Draco e seus companheiros desaparecidos finalmente deixou um espaço livre em sua cabeça para trazer de volta a lembrança do Dia das Bruxas. O dia em que ele quase beijou a garota a sua frente.

Balançou a cabeça de um lado para o outro em sinal de negação. Não queria lembrar daquele dia, era inconcebível para ele saber que quase beijou a garota que tinha como uma irmã. Não deveria estar em seu estado normal de espírito, a guerra deveria, finalmente, estava afetando a sua saúde mental.

-Harry. – Dallas sussurrou, quebrando o silêncio.

-Dallas. – retrucou com uma certa indiferença. Não queria esses pensamentos o atormentando, não queria ter que imaginar que a garota naquele corredor o atraía. Queria, na verdade, poder negar tudo e continuar negando até a morte se fosse preciso. Voltou a caminhar e passou por ela sem lhe dirigir um segundo olhar. Se antes ficar em sua presença era algo agradável e pacificador, agora estava se transformando em uma tormenta, pois coisas começavam a reverberar em sua alma e desejos proibidos surgiam em seu corpo.

-Me desculpe. – sussurrou a jovem e o homem parou em seus rastros, mas sem olhar para trás. Dallas apertou mais os seus livros entre os braços, como se eles fossem lhe dar alguma força ou proteção.

-Pelo quê? – Harry respondeu em um tom mínimo, sem se virar para poder encará-la e mirando o chão intensamente.

-Eu não sei, mas alguma coisa eu fiz de errado para você estar chateado comigo. – a garota virou-se para poder olhá-lo e constatar que ele ainda estava de costas para ela. – É o Davon? – Harry rangeu os dentes ao ouvir tal nome. – Está chateado porque eu estou namorando ele? Porque não contei a você?

-Não. – respondeu em um tom contido, sabendo que cada sílaba que saía da sua boca era uma mentira. Na verdade ele não sabia direito o que sentir em relação a esse namoro da jovem, só sabia que não gostava, e antes o que era associado a um ciúme de irmão mais velho agora estava começando a ganhar novos atributos nos quais ele não gostaria nem de pensar. – Eu tenho que ir Dallas, nos falamos outro dia. – completou, novamente com a mesma indiferença e seguiu o seu caminho.

-Harry. – sussurrou quando ele sumiu pelo corredor e tentou refrear as lágrimas. Fazia tempos que não chorava por ele e não seria agora que recomeçaria com isso. Com uma inspirada profunda de ar rapidamente recuperou o controle de seus sentimentos, continuando o seu caminho pela escola com a cabeça erguida, como se nada, nem ninguém, pudesse afetá-la no momento.


Destrancou a porta do apartamento e entrou vagarosamente na sala escurecida, alheio a qualquer coisa a sua volta. Jogou as chaves da casa sobre a cômoda perto da porta e mal tinha entrado totalmente na sala quando sentiu um par de braços envolverem a sua cintura. Em um movimento rápido desvencilhou-se das mãos e virou-se bruscamente para a pessoa que o prendia, apontando a sua varinha para ela. Lentamente, sem deixar de apontar o objeto, ele inclinou-se até o interruptor na parede e o ligou. A luz invadiu o local e vagarosamente Harry abaixou a varinha ao ver quem era a pessoa que o tinha atacado.

-Lilá. – suspirou guardando a varinha no bolso de sua calça.

-Minha nossa Harry que violência é essa!

-Uma pessoa me agarra por trás no escuro. Como você espera que eu reaja?

-Com um pouco mais de carinho talvez. – a mulher lhe sorriu e começou a se aproximar dele, o envolvendo novamente pela cintura, Harry tencionou um pouco o corpo diante do contato.

-Em tempos de guerra não dá para ser carinhoso. – soltou-se dos braços dela e começou a caminhar pelo apartamento, acendendo as luzes dos outros aposentos. – Poderia ser um Comensal da Morte que estivesse aqui. Aliás, como você entrou aqui? Não me lembro de ter lhe dado chave alguma.

-Pela lareira, oras. Esqueceu que você me disse uma vez que somente pessoas bem intencionadas conseguem entrar aqui pelas vias mágicas? E eu sou uma pessoa bem intencionada. – um sorriso maroto cruzou o rosto dela. – Ou quase. – finalizou, caminhando até ele e lhe dando um beijo que Harry rapidamente retribuiu, mas logo se afastou.

-Quando foi que você voltou? – perguntou, tentando se esquivar da morena que estava prestes a abraçá-lo novamente.

-Voltei hoje e vim logo te visitar. – respondeu com as sobrancelhas franzidas ao notar que o namorado estava distante e visivelmente incomodado com a sua presença. Harry estava recusando os seus gestos de carinho e fazia de tudo para não olhá-la nos olhos. Com certeza alguma coisa tinha acontecido, algo o estava perturbando. – Harry algo errado? Não gostou da minha surpresa? Ou será que é outra coisa? É sobre o desaparecimento do Malfoy e dos outros, é isso?

-Não! Quero dizer, eu adorei a sua surpresa. E quanto ao desaparecimento do Draco lhe informo que já o encontramos. – respondeu o homem, tentando quebrar um pouco a tensão que estava sentindo na presença da namorada, e Lilá suspirou aliviada com a sua resposta. – Mas, infelizmente, perdemos o Jordan. Os gêmeos Weasley estão arrasados, era o melhor amigo deles.

-Imagino. – disse longamente, ainda reparando que algo parecia estar incomodando o auror. – É só isso o que está te perturbando? – Harry deu um pequeno sorriso a ela para assegurar que nada o incomodava.

-Por que você acha que tem algo me chateando além dos problemas usuais? – tentou arrumar um modo de desviar o assunto.

-Bem… nada. Só supus. – continuou e ficou surpresa ao ver que, dessa vez, foi o rapaz que a abraçou.

-Eu estou ótimo, melhor ainda com você aqui. – disse depositando um beijo no topo da cabeça dela. Porém, a imagem de outra jovem com olhos violetas, que estava martelando em sua mente há tempos, voltou a sua cabeça e novamente ele se sentiu incomodado com o turbilhão de sentimentos confusos que estava dentro de seu peito e eram associados a jovem sonserina. Afinal, ele gostava da Dallas como uma irmã, certo? Ou errado?