Capítulo 22

Do Céu ao Inferno

O carro balançava de um lado para o outro enquanto cruzava a rua de pedras,onde raras eram as casas e as poucas que tinham geralmente eram dentro de enormes propriedades.O motorista olhava vez ou outra para os dois passageiros no banco detrás enquanto guiava o carro por aquele local estranho,até que chegou ao seu destino.Uma casa,não chegava a ser uma mansão mas era grande,onde várias pessoas andavam de um lado para o outro,em trajes escuros ou negros.Mas a questão não era a movimentação,mas sim as roupas que elas usavam.Roupas estranhas,assim como tudo naquele lugar.

Dallas abriu a porta do táxi e desceu,sem nem ao menos esperar pelo seu acompanhante.Harry fez o mesmo e retirou algum dinheiro do bolso para poder pagar ao motorista.

-Lugarzinho estranho esse.-Comentou o homem cheio de malícia por detrás do volante.

-Calado.-Comandou Harry,entregando a ele algumas libras.O homem apenas assentiu com a cabeça e deu a partida no carro,saindo dali.Quando o moreno olhou a sua volta,percebeu que a garota já havia entrado na casa.

A jovem passou por entre os bruxos e bruxas na sala de estar,mas não se atreveu a chegar perto do caixão no centro dessa,apenas o circundou e caminhou em direção aos pais de Patrick,que recebiam as condolências das pessoas que lá estavam.Postou-se em frente ao sr.Gordon,que a encarou longamente,em silêncio.

-Eu sinto muito.-Murmurou a garota em um sussurro,tentando impedir as lágrimas de caírem de seus olhos vermelhos.Sr.Gordon fungou e a puxou pelo ombro,a envolvendo em um abraço.

-Eu é que sinto muito.-Disse,apoiando o queixo no topo da cabeça dela,afastando-se um pouco para poder mirá-la nos olhos.-Ah Dallas,ele te amava muito,sabia disso?Nunca o vi tão feliz desde que ele conheceu você.Você era uma grande amiga e ele te adorava.

-Eu sei.Ele também era um grande amigo.Meu melhor amigo,o primeiro que eu fiz em toda a minha vida.Vou sentir falta dele…-Os ombros dela tremeram um pouco.-…Com quem eu irei conversar agora que ele se foi?-E finalmente rendeu-se as lágrimas,abraçando o homem que estava em sua frente.

-Ah,querida,shhhh…seja forte.Temos que ser fortes.

-Isso não é justo.Ele era tão jovem.Ele queria ser Auror,sabia disso?Era tão cheio de vida e inteligente.Por que ele?Por que logo ele?

-Eu sei que dói.Mas sabe o que me consola?O que me consola é que ele morreu lutando por aquilo que acreditava.Pela liberdade,pela igualdade.Lutando contra um monstro que está destruindo a paz de nosso mundo.Não posso dizer que estou 100% feliz com o ato de coragem dele,pois não estou.Às vezes eu sinto raiva,raiva pela impulsividade dele que o levou a morte,sem pensar em como a mãe dele e eu ficaríamos.Mas também sinto orgulho.Ele salvou uma vida.

-Seria um grande Auror,não acha?-Dallas afastou-se do homem e o encarou.

-Seria.

-Eu…eu prometo que eu vou me empenhar sr.Gordon.Eu prometo que eu vou fazer eles pagarem por isso.

-Se vai lutar nessa guerra,não lute com ódio no coração.Apenas a tornará um deles.

-Então eu luto com o quê?

-Lute com esperança.Foi isso que Patrick fez.Lutou com a esperança de que um dia tudo vai acabar bem.

-Eu…vou tentar.-Ela virou-se e olhou para sra.Gordon,que segurava a mão de uma menininha de mais ou menos seis anos de idade.Ela nunca tinha visto aquela menininha na casa.E olha que ela conhecia a família Gordon inteira.-Quem é aquela com a sra.Gordon?

-Aquela é Emma.Foi a vida dela que o Patrick salvou.Depois do ataque descobrimos que a garota não tinha família.Que a única família dela era a sua mãe.Iria para um orfanato e sabe-se lá o que aconteceria com ela.Por isso,decidimos ficar com ela.

-Por quê?

-Não queríamos que o esforço do nosso filho fosse em vão.Ela é uma vítima de guerra e viu a mãe morrer em frente aos seus olhos.Está em choque,está sozinha,falta uma parte de sua alma assim como falta da nossa.Achamos que poderíamos nos completar.-Ah!Vou falar com a sra.Gordon.-Dallas deu um último abraço no homem e foi em direção a mulher,que falava com alguém,mas virou-se ao vê-la se aproximando.-Dally,anjo.-Disse chorosa.-Como você está?-Indo.-Olhe para ele.-Voltou-se para o caixão que estava perto delas.-Parece tão em paz.O invejo um pouco.Conseguiu fugir dos horrores que está no nosso mundo.-Eu sinto muito sra.Gordon.-Ah,eu também sinto.Ele era o meu único filho homem e o que partiu primeiro.E…-Virou-se e a encarou com olhos tristes mas com uma expressão maternal no rosto.-…eu vejo tanto dele em você.Tão jovem,tão cheia de vida e sonhos,planos,esperanças.Mantenha isso,querida,era o que ele mais adorava em você.Talvez por isso vocês se entendiam tão bem.-Vou sentir falta dele.-Eu sei que vai.Todos nós vamos.-A mulher esticou um braço e acariciou a cabeça dele.-Eu te adoro,sabia?Fosse sempre será como mais uma filha para mim.

-O…o…obrigada.-Dallas deu um pequeno aceno com a cabeça e afastou-se.Ainda não queria olhar direito para o caixão.Seria como dizer um adeus definitivo e isso ela não queria.Recostou-se na lareira e cruzou os braços,soltando um suspiro e tentando evitar cair em lágrimas novamente,isso quando alguém depositou uma mão em seu ombro.Ergueu os olhos e encontrou a expressão consoladora de Davon.Sem pensar duas vezes ela o abraçou e enterrou o rosto no peito dele.Davon retornou a abraço e começou a acariciar a cabeça dela.

-Eu sinto muito,Dally.

-Ele deveria ter entrado para o treinamento da Resistência.Assim ele saberia se defender melhor.

-Não iria adiantar de nada.Eram muitos Comensais,nem que ele fosse um grande Auror…poucas seriam as chances de ele sair ileso.

-Como você sabe?

-Eu estava no grupo de resgate que foi ao shopping…fui eu que o encontrei.Sinto muito…não pude salvá-lo.

-Não se culpe.Não é culpa sua.Apenas…apenas me abrace,porque dói,dói muito.

-Eu sei que dói minha querida.Mas vai passar,eu prometo.-Longos minutos se passaram até que:

-Ele está olhando para cá,não está?

-Quem?

-Harry.-Davon levantou os olhos e viu que Harry realmente olhava intensamente para eles.Ergueu uma sobrancelha em desafio,indagando a ele o que ele queria,e o homem apenas deu como resposta um bufo e voltou a sua atenção ao professor Dumbledore.

-Como você sabia?

-Eu posso sentir.É como um maldito bip que me alerta quando ele está presente ou me olhando.-Continuou,com a sua voz sendo abafada pelo tecido do robe dele.

-É ele,não é?

-Ele o quê?

-O dono do seu coração.-A jovem não negou,mas também não afirmou nada e essa reação era o suficiente para Davon já ter a sua resposta.-De todos os homens no mundo por que logo aquele idiota?-O moreno arreliou e Dallas emitiu um pequeno sorriso.Do outro lado do salão Harry observou ela sorrir para Davon e isso não o agradou muito.Dallas não estava falando com ele direito desde a noite anterior e ele não a culpava por isso.Queria que a bebida tivesse apagado de sua memória o que havia ocorrido,mas era um pouco difícil tentar esquecer algo que estava entranhado em sua alma.Foi a melhor sensação que ele já teve.Nunca nenhuma mulher o havia feito se sentir de tal maneira e agora ele estava mais confuso ainda.

Uma hora depois,sr e sra Gordon indicou a todos o caminho dos jardins dos fundos,para onde o caixão havia sido levado e colocado em cima de quatro apoios ao centro do jardim.Com um discurso dirigido por Dumbledore,o velório terminou com o sr.Gordon colocando fogo no caixão que foi assistido por vários pares de olhos se consumir em cinzas.Dallas virou-se e escondeu novamente o rosto no peito de Davon,que a abraçou quase o velório inteiro.O moreno viu o fogo consumir a madeira e virou-se para a garota em seus braços.

-Quer sair daqui?Ir para qualquer lugar?Depois eu te levo para Hogwarts.-Ela assentiu com a cabeça e foram saindo em silêncio.Harry observou o moreno cochichar algo no ouvido de Dallas e viu ele a levando para fora dos jardins.Instintivamente ele fechou as mãos em um punho e os mirou severamente,mas nada disse.Apenas ficou lá,parado,observando Davon levar a garota embora.

-Ah Harry,eu vi você crescer e se tornar um grande bruxo.-Dumbledore falou ao seu lado e ele virou-se para encará-lo.-Mas parece que certas coisas dentro de você não mudaram.

-Do que está falando professor?

-Descubra por si mesmo meu jovem.Descubra antes que seja muito tarde.Sei que pode estar tudo confuso no momento aí dentro de você,mas a resposta está aí do mesmo jeito.Você só precisa achá-la.-O moreno piscou,parte entendendo e parte não entendendo o que o professor estava dizendo.Porém,uma coisa ele havia compreendido naquela tarde,quando viu Dallas partir com outro.Havia compreendido que estava com ciúmes.Com ciúmes dela.E havia compreendido que era mais que um ciúme fraterno.O problema agora era descobrir quando foi que tudo começou a mudar.Quando foi que ele parou de ver uma menina para ver uma mulher?

* * * * *

-Como você está?-Davon perguntou pela enésima vez enquanto observavam as ondas do mar baterem no fim do penhasco abaixo deles.Dallas apenas virou-se para ele e o mirou com olhos furiosos.

-Quer,por favor,parar de me fazer essa pergunta imbecil?Como você acha que eu estou?Feliz,exultante?Meu melhor amigo acabou de ser incinerado,como você espera que eu esteja?

-Me desculpe.Mas perguntar não ofende.Ainda mais por causa de onde estamos.-O rapaz inclinou-se um pouco e observou as ondas quebraram nas pedras bem abaixo de seus pés que estavam pendurados para fora do penhasco.-Vai que te dá a louca e você resolve se jogar daqui de cima?

-Não se preocupe,não lhe darei esse trabalho.Primeiro eu pego Voldemort,depois eu me mato.-Riu sarcástica e bebeu mais um gole da cerveja amanteigada que Davon havia arrumado para eles.

-Então pegue o número e entre na fila,pois você não é a primeira que quer pegar Voldemort.E também não é a primeira que perde alguém querido nas mãos dele.-Davon também tomou um gole de cerveja e observou o sol que começara a se pôr no horizonte.

-O que você quer dizer?

-Eu quero dizer que é para você não fazer algo estúpido ou impensado no meio de sua raiva,para não se arrepender depois.

-Me dá um tempo Yale.Eu estou irada,eu estou com a minha cabeça rodando por causa de uma maldita cerveja amanteigada…-Davon olhou em volta deles.Não era a toa que a cerveja amanteigada estava começando a fazer efeito em ambos,embora o teor alcoólico seja baixo havia várias garrafas empilhadas perto deles.

-Também depois de beber tanto.-Zombou.Ficar bêbado com cerveja amanteigada era humilhante.Para não dizer patético.Bem,no momento era isso o que eles pareciam,dois patéticos.

-…e eu estou frustrada.

-Com o quê?Não me diga que é só a morte do Patrick,porque eu sinto que não.

-Estou frustrada com a vida.Às vezes eu desejo nunca ter descoberto que era uma bruxa.-O moreno engasgou-se com a sua bebida.

-Está louca?Você sempre me falou que descobrir que era uma bruxa lhe salvou de ter que agüentar a sua avó.Agora está arrependida disso?

-Não estou arrependida.Não por completo.

-Então?…Ah percebi.O problema é o Potter.

-O quê?

-O que ele fez dessa vez?Pensei que vocês fossem amigos?

-Hah!É esse o grande problema…-Dallas jogou a garrafa em suas mãos com raiva contra o oceano.-Amigos…somos apenas dois bons amigos.E isso me irrita!Por que ele não vê que eu gosto dele?Ele é mais cego do que já é?Com aqueles malditos olhos verdes escondidos por aqueles óculos que o deixa tão sexy…e aquele cabelo rebelde…Argh!Quanto mais eu tento odiá-lo mais eu o amo.-Davon riu com gosto do estado miserável da garota.Não deveria rir,mas era a primeira vez que a via liberar as suas frustrações de tal maneira.

-Não ria,não é engraçado.-Dallas protestou com um muxoxo,parecendo uma criança mimada.

-Sinto muito.Mas parece que ele realmente nunca vai te ver mais que um amigo.

-Não foi o que me pareceu ontem à noite.

-O que aconteceu ontem à noite?-Perguntou,extremamente curioso.

-Ele me levou para jantar fora.Bebemos um pouco,paramos em um parque e ele me beijou.Por uma boa hora.E não era o tipo de beijo que eu chamaria de beijo entre amigos.

-E depois?

-Depois ele me levou de volta para Hogwarts agindo como se nada tivesse acontecido.Argh…como eu o odeio.OUVIU ISSO?!EU TE ODEIO HARRY POTTER!

-Hahahahahaha!Gritar para os quatro ventos não vai mudar o fato de que você o ama.

-Não pode me culpar por tentar.

-Me diz uma coisa,Dally,você já disse a ele?

-Disse o quê?

-Como você se sente?

-Já.

-E ele?

-Não entendeu.Eu falei em francês e ele não sabe francês.-Inesperadamente Davon deu um tapa na cabeça de Dallas.

-Ai!Por que disso?

-Como você espera que ele ao menos retribua seus sentimentos se você não lhe diz nada?

-Perdeu a cabeça?Dizer a ele como eu me sinto?Ele vai rir de mim,ou nunca mais falar comigo.

-Bem,você nunca vai saber qual será a reação dele se não lhe disser nada.

-Pois eu tenho certeza de que será essa.E além do mais,o que você entende do assunto?-Davon,que antes estava sorridente,ficou subitamente sério e Dallas arrependeu-se rapidamente do que havia dito.-Ah,me desculpe Davon.Eu esqueci…

-Não estressa.Por isso que eu lhe digo para falar com ele.Eu realmente tirei um grande peso das costas quando me declarei a você.Também imaginei que a sua reação seria de graça ou espanto,mas no fim não foi o que eu imaginei.Não consegui que você me amasse,mas isso não muda o fato de que,de certo modo,ao menos eu tenho certeza dos seus sentimentos para comigo e isso me basta.

-Eu sinto muito se eu não pude retribuir o seu amor.

-Pois é.-Davon bebeu mais um gole de sua cerveja,com um sorriso maroto nos lábios.-Ninguém resiste ao charme do Garoto de Ouro da Grifinória.-Escarneceu.-Além do mais eu supero isso.Pode soar ridículo vindo de mim,mas a sua amizade já me basta.

-Isso é tão irônico.Tempos atrás estávamos tentando arrancar a cabeça um do outro e agora olhe para nós,conversando como velhos e bons amigos.

-Às vezes é preciso uma grande tristeza para juntar duas pessoas.

-Pois é.-Dallas suspirou,observando o pôr-do-sol.-Perdi um amigo e ganhei outro.Triste,mas proveitoso.

-E como o seu novo amigo lhe digo que você pode vir a mim sempre que precisar.E como amigo lhe digo para mexer logo o seu lindo traseiro e falar com o Potter.Não quero você mais choramingando no meu ombro por causa dele.

-Vai pro inferno Yale.-Rebateu a morena,com um sorriso dançando nos lábios.

-Vai na frente amor.-Retrucou Davon,sorrindo de volta para ela.

* * * * *

Rony jogou sua capa sobre o sofá e soltou um suspiro,sentando-se nele e esfregando os olhos lentamente com a ponta dos dedos.Inclinou a cabeça e recostou-se no sofá,fechando os olhos e tentando relaxar.Havia sido um dia exaustivo.Os ataque dos Comensais no shopping,o funeral do filho dos Gordon e mais uma série de coisas.E com isso,fazia dois dias que não dava as caras em casa e estava morrendo de saudades de sua esposa.Por falar em esposa,onde estava ela?

-Mione?!-Chamou em meio a casa parcialmente escurecida.-Hermione?-Levantou-se do sofá e começou a caminhar pela casa,verificando em quartos e aposentos.Quando teve todo o andar inferior da casa inspecionado,resolveu ir para o lugar mais óbvio onde ela estaria.Subiu as escadas e entrou no quarto principal,sendo cumprimentado pelo barulho de água rolando no chuveiro que tinha no banheiro anexo ao quarto.Sorriu maliciosamente a isso,começando a desabotoar sua camisa e a retirar os sapatos.Estava precisando de um bom banho mesmo,e nada melhor do que na companhia de alguém.Ainda mais se esse alguém era a Mione.Abriu a porta do banheiro,agora usando apenas um par de calças,e divisou dentro do boxe a forma esguia de sua esposa.Sorriu mais ainda.Eram esses pequenos momentos que o fazia esquecer momentaneamente da guerra.Terminou de despir-se e entrou no boxe,envolvendo a cintura da morena em seus braços.Hermione deu um pulo de susto e virou-se para mirar quem estava atrás de si,mesmo que já soubesse quem era,e abriu um sorriso ao ver o ruivo a sua frente.

-Quando foi que você voltou?-Murmurou a ele.

-Agora mesmo.Percebi que precisava de um banho,mas o banheiro já estava ocupado.Se importa se tiver uma companhia?

-De jeito nenhum.-Disse,erguendo-se um pouco para beijá-lo.-Ron…-Murmurou,ainda de olhos fechados e perto dos lábios dele,quando o beijo cessou.

-Hum?-Rony rebateu,enterrando o rosto na curva do pescoço da morena,apreciando a maciez da pele molhada.

-Eu preciso lhe dizer algo.

-Diga.Eu estou ouvindo.

-Mas não aqui.-A mulher afastou-se dele,com um sorriso no rosto.-Termine o seu banho.Eu te espero no quarto.

-Mas…

-Eu te espero no quarto.-Falou e recolheu uma toalha,saindo do boxe.

Minutos depois Rony entrou no quarto com uma toalha envolta na cintura e os cabelos ruivos pingando sobre os ombros,e encontrou Hermione andando de um lado para o outro,vestida apenas com um robe,e murmurando algo para si mesma.

-O que você queria me dizer?-A voz dele a fez dar um pulo no lugar e virar-se para ele com um olhar assustado.A mulher ficou minutos em silêncio,apenas encarando o marido,que cada vez mais não estava gostando nada daquela situação.-Mione?

-Er…Ron…sente-se aqui.-Disse,sentando-se na cama e indicando um lugar ao lado dela.Rony caminhou a passos lentos até a cama e sentou-se ao seu lado,ainda a olhando desconfiado.-Bem,veja bem…

-Mione…não gosto quando você começa a hesitar tanto para falar.Coisa boa com certeza não deve ser.

-Ah!Mas é uma coisa boa.Ao menos ao meu ver sim.Não sei quanto a você…mas eu acho uma coisa boa,mas a minha opinião nunca foi igual a sua e…

-Mione!-Rony a interrompeu bruscamente,começando a ficar irritado com as voltas que ela estava dando.-O que houve?Aconteceu alguma coisa?Alguma coisa com a minha família?Com o Harry?…Não foi com o Harry,estive com ele há minutos atrás.Então…Algo com a Ordem?

-Nada com nenhum conhecido ou a ver com a guerra.É com nós dois.

-Nós dois?Não estou gostando disso,Mione…Não vai me dizer que quer a separação?

-NÃO!Não seja idiota!Não pule as conclusões.De onde você tirou isso?

-Eu tenho que pensar em alguma coisa,já que você não me fala nada.O que há de errado para você ficar dando tantas voltas assim?-Gênios estavam começando a se exaltar naquele momento.

-Eu estou grávida,Ronald,esse é o problema!-Gritou Hermione e de repente tudo caiu em silêncio.

-Ah…oh!-Rony pronunciou minutos depois.-Ah…era isso então?O que foi?Vai me dizer que o filho não é meu?É isso?Por isso desse nervosismo?!

-Mas como você é imbecil!É claro que o filho é seu!

-Então porque dessa enrolação toda apenas para me dizer que está grávida?

-Bem…-Hermione abaixou a cabeça e começou a mirar as suas mãos que torciam o tecido do robe,em seu colo.-…eu pensei que você não fosse gostar da idéia.Quero dizer,você reclamou tanto da sua irmã quando ela ficou grávida,dizendo que ela deveria ter mais cuidado,que estamos no meio de uma guerra e que não era o momento para se ter filhos.

-Você queria que eu dissesse o que a eles Mione?Era da minha irmãzinha que estávamos falando.A caçula da família.E ela estava grávida...e o pior de tudo,de um Malfoy!Você não esperava que eu sorrisse a isso,esperava?

-Er…não.Por isso eu pensei…

-Esse é o seu grande problema Mione…-O famoso tom que ele sempre usava para divertir-se com ela estava começando a atenuar-se em sua voz.-…você pensa muito.

-O quê?

-Claro que eu fui pego de surpresa…-O ruivo envolveu a cintura dela com um braço e a deslizou pela cama para mais perto dele,lhe dando um beijo no ombro que ele despia com a mão livre.-…mas isso não significa que eu não esteja feliz com a notícia.

-Verdade?-Hermione virou-se e mirou seus olhos chocolates nos de Rony,quando esse encarou.

-Verdade.-Sorriu a ela e a beijou.Eram,realmente,esses pequenos momentos que o fazia esquecer da guerra.