Título: A farsa
Autora: Bélier
E-mail: belier.aries@bol.com.br
Categoria: Romance Yaoi
Retratação: Eu não possuo Saint Seiya/Cavaleiros do Zodíaco. Infelizmente (ou felizmente) eu não os possuo, pois do contrário eles teriam namorado mais do que lutado... De qualquer forma, eles são propriedade de Kurumada, Toei e Bandai.
Resumo: Para se livrar de um admirador fervoroso, Shaka pede ajuda ao seu melhor amigo.
Capítulo 3
Mu e Shaka chegaram à festa quando esta já estava bem animada. Milo e Camus haviam se superado, transformando a escura casa de Escorpião num ambiente agradável.
Várias tochas iluminavam o salão principal, suas chamas se refletindo nas colunas, dando à festa um clima gótico. Enormes cortinas pretas desciam do teto, e espalhadas pelo chão, ao redor do salão, grandes almofadas, também pretas, completavam a decoração e serviam para aqueles que queriam só conversar ou namorar. Uma música alta e contagiante levava alguns convidados a dançar. Em uma mesa, estavam sendo servidos alguns petiscos (provavelmente preparados pelas mulheres que serviam Saori), e, é claro, muita bebida.
Os dois cavaleiros olharam para tudo com surpresa. Shaka foi o primeiro a se manifestar. - Acho que este Santuário já não é mais como antigamente...
- Conseqüências da modernidade, meu caro amigo... - Mu deu de ombros, tentando encarar tudo normalmente. Shaka ainda continuava com uma cara de "isso-aqui-está-parecendo-um-bordel", quando os anfitriões Milo e Camus vieram recebê-los.
- Que bom que vieram! - Milo exclamou animado. - Por favor, sintam-se à vontade! Vocês não gostariam de tomar alguma coisa?
- Acho bom aceitarem, antes que ele acabe com tudo por conta própria! - Camus reclamou, mas não estava de mau humor, pelo contrário, estava bem animado.
- O que você quer beber, amor? - Mu perguntou sorridente a Shaka, só para deixá-lo irritado. Ganhou imediatamente um olhar de recriminação do loiro.
Mu se surpreendeu ao notar que Milo havia conseguido todo tipo de bebida, desde vinhos importados até saquê, para agradar Saori, Seiya e os demais cavaleiros de procedência japonesa. O ouzo, bebida típica da Grécia, também era encontrado com fartura. Serviu-se de uma taça de vinho, enquanto Shaka aceitava de Camus um martini com direito a duas azeitonas.
Os dois cavaleiros se retiraram para um lugar menos movimentado, e ficaram observando a festa. Todos os convidados estavam vestidos com roupas comuns, deixando de lado pelo menos por aquela noite suas tradicionais roupas de treinamento e armaduras.
- Você acreditaria se alguém lhe dissesse, há algum tempo atrás, que Seiya conseguiria conquistar Atena? - Mu perguntou, vendo o casal dançar alegremente.
Shaka riu. - Cabeça dura como ele é, acredito que o que aconteceu foi o contrário... Tenho certeza, ali quem manda é Saori, e não tem nada a ver com o fato dela ser uma deusa e ele, um cavaleiro...
Mu concordou, sorrindo. Olhando para os anfitriões, observou que estavam de mãos dadas, e sempre que podiam, trocavam pequenos beijos cheios de afeto. - Você acha que eles estão felizes? - Comentou mais para ouvir a opinião do amigo, por que era visível o sentimento entre Escorpião e Aquário.
- Claro! - Shaka olhou discretamente para os dois cavaleiros. - Veja como Camus sorri... Isso é muito raro. Acho que o Milo o completa, com a sua irreverência. Apesar de tão diferentes um do outro, eles são... almas gêmeas. - Shaka concluiu, sentindo uma certa melancolia.
- É verdade. Eles têm muita sorte. - Mu procurou mudar de assunto - Têm bastante gente aqui, não? Acho que todos foram convidados...
- Com exceção dos aprendizes, é claro! Imagine se eles descobrissem que seus ídolos não são tão sérios quanto aparentam! Aí sim seria o fim do Santuário. Esqueça totalmente o respeito...
- Não é tão ruim assim, não somos tão depravados... - Mu tentou argumentar.
- Ah, não? Imagine como o Kiki reagiria, se soubesse que seu mestre anda agarrando o homem mais próximo de Deus atrás das colunas da casa de Áries...
Mu ficou vermelho, e Shaka riu, sentindo prazer em deixar o outro com vergonha.
- Vamos deixar isso de lado e aproveitar a festa? Não é sempre que temos isso por aqui! - Mu desconversou.
O tempo voou, e a festa transcorria tranqüilamente. Depois que a novidade passou, ninguém mais parecia se importar com a situação amorosa de Áries e Virgem, e os dois amigos relaxaram. Conversaram com os demais convidados e tomaram seus drinques sossegados. Procuravam apenas evitar Saga, que, apesar de estar na sua, observava o casal atentamente.
Milo e Camus estavam deixando o melhor para o final, e já de madrugada, atacaram com uma seleção de músicas lentas. Foi a deixa para os casais se reunirem na improvisada pista de dança, agarradinhos.
Como Mu e Shaka não eram efetivamente um casal, mas também não estavam teoricamente solteiros, ficaram meio sem jeito.
- E agora, o que fazemos? - Shaka sussurrou no ouvido do amigo.
- Sinceramente, não sei... - Mu olhou ao redor procurando uma saída. Seu olhar recaiu sobre algumas almofadas desocupadas, num canto do salão. - Vamos sentar um pouco, esperamos algumas músicas, e depois vamos embora, o que acha?
- Por mim, tudo bem. Só vou pegar mais uma bebida, você quer mais vinho?
Mu assentiu com a cabeça e Shaka foi em direção a mesa. Para o seu azar, foi abordado por Saga, que segurou seu braço sem muita delicadeza.
- Estava esperando uma chance para conversar com você, docinho... - Shaka puxou o braço rudemente, se livrando do toque insuportável de Gêmeos. - Mas pelo visto, o seu guarda costas não te deixa sozinho, assim fica difícil...
- Mu não é meu guarda costas, ele é meu namorado! - O próprio Shaka se surpreendeu com a veemência com que suas palavras foram ditas. - E não encoste suas mãos em mim! - Pegou rapidamente as bebidas e já ia voltando, quando ouviu o riso debochado de Saga.
- Namorado nada, essa farsa de vocês não me engana! Conseguiram me iludir aquele dia, eu admito, mas hoje parece que o fogo de vocês esfriou bastante... Mal se tocaram durante a festa toda!
Nesse momento, Mu apareceu, seus olhos verdes faiscando de raiva. Nem mesmo Shaka tinha visto o amigo furioso dessa maneira. Enlaçando o loiro pela cintura, ameaçou Saga, que deu um passo atrás, com medo. - Se você encostar em um fio de cabelo dele, vai morrer!
Ikki e Aldebaran, que estavam por perto, presenciaram a cena, e já se preparavam para separar uma possível briga. O cosmo de Mu estava terrivelmente hostil, e eles não conseguiam acreditar que vinha realmente do pacato cavaleiro de Áries. Notando que vários convidados observavam o desfecho da situação, Saga se afastou, meio constrangido, deixando os dois em paz.
Ainda com os braços em torno do amigo, Mu conduziu-o até as almofadas, tirando os copos de sua mão para que ele pudesse se acomodar. Shaka sentou- se com as pernas cruzadas e costas eretas, como se fosse meditar, mas na verdade estava assustado demais para relaxar. Nunca imaginou que fosse presenciar uma cena destas! Será que realmente era verdadeira a história do lobo em pele de cordeiro?
Mu sentou-se ao seu lado, recostando-se sobre as almofadas, tentando relaxar. Ficara totalmente fora de si ao ver Saga importunando Shaka, e não sabia como se explicar com o amigo, quando nem mesmo ele conseguia entender por que agira daquela maneira.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos, até que Mu, instintivamente, ergueu sua mão, tocando o ombro de Shaka. - Perdoe-me... - Foi tudo que conseguiu dizer, seus dedos esfregando levemente a pele alva do loiro.
- Tudo bem, sei que estava preocupado comigo. - Shaka relaxou as costas, se deixando acariciar, sem perceber. - Mas ele sabe que estamos fingindo...
- O que ele te disse? - Mu alcançou a nuca do amigo, enroscando os dedos em seus cabelos sedosos.
Shaka tombou o corpo, até encostar-se no ombro do cavaleiro de Áries. - Ele disse que não viu hoje a mesma paixão que demonstramos aquele dia... - Aconchegando-se mais, ouvindo as batidas descompassadas do coração do amigo, que aos poucos ia se acalmando.
- Você me pediu para não fazer nenhuma gracinha, e eu obedeci. - Mu abraçou- o, e assim ficaram por algum tempo.
Shaka quebrou o silêncio. - Talvez devêssemos acabar com essa farsa de uma vez. Já que ele não acredita mesmo, não tem porque manter isso. - Mesmo sem abrir os olhos, Shaka sentiu que Mu inclinou a cabeça, sua respiração quente pairando sobre sua boca.
- Ou talvez pudéssemos fazer com que ele acreditasse... - Sem se importar com o que os outros fossem pensar dos dois, Mu tocou os lábios de Virgem com os seus, num breve selinho. Afastou-se ligeiramente para observar a reação do loiro.
- Acho que isso não foi muito convincente... - Shaka disse, deixando seus lábios entreabertos, num convite mudo.
Fechando os olhos, Mu tornou a beijá-lo. Sua intenção era realmente dar-lhe um beijo leve, apenas um toque, mas há muito seu corpo não o obedecia mais. Cobriu os lábios de Shaka com os seus, e não conseguindo se controlar, invadiu a boca do amigo com a língua, sentindo um calor se espalhar pelo seu corpo. Shaka não o ajudou, pois correspondeu ardentemente ao beijo, sua língua se empurrando contra a dele, brigando por espaço. Mu segurou firmemente Shaka pelo queixo, aprofundando mais ainda o beijo, se embriagando com o gosto bom de Virgem, não dando espaço a ele nem para respirar. Shaka não se intimidou, e segurou Mu pela nuca, enquanto sugava sua língua com habilidade, fazendo-o gemer dentro de sua boca.
Ali perto, Milo e Camus observavam os dois, pasmos, parando até de dançar.
- Noooossa... - Milo foi o primeiro a se manifestar. - Você acredita nisso?
- Acredito porque estou vendo. - Camus respondeu, meio envergonhado.
- Que fogo... Você acha que devemos pará-los? - Milo perguntou, desconfiado.
- É lógico que não, eles sabem o que estão fazendo... eu acho.
- Isso não te sugere nada, não? - Milo escorregou sua mão disfarçadamente até o traseiro de Camus, que imediatamente lhe chamou a atenção.
- Aqui não, seu pervertido! - Mas não resistiu e começou a rir, quando Milo lhe deu um beijo estalado no pescoço, fazendo vários olhares se voltarem para eles. Continuaram a dançar, se rendendo um ao outro, sem se importar com os curiosos.
Não repararam um Saga enfurecido cruzar o salão, quase empurrando alguns casais, abandonando a festa.
Enquanto isso, Mu e Shaka já estavam ofegantes, mas não arredavam pé do beijo. Shaka começou a acariciar o peito de Mu sobre a camisa que este usava, mas Áries foi mais longe, deslizando a mão por baixo da barra da blusa do loiro para tocar seu abdômen definido. Aquilo estava se tornando uma loucura, e Shaka só se deu conta do perigo quando Mu esbarrou de leve a mão em sua ereção. Mesmo por cima da calça, Shaka sentiu um choque percorrer seu corpo, e interrompeu o beijo, empurrando o amigo.
- Shaka... - Mu estava tão excitado que mal conseguia falar. - Por favor...
- Não! - Shaka se desvencilhou do abraço de Áries, sentando-se novamente, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego. Por Zeus, a quem eles estavam tentando enganar? Saga era que não. Olhou para o amigo ainda debruçado nas almofadas, seus olhos apertados firmemente, numa tentativa de acalmar seu corpo. Notou que Mu tentava esconder que também estava excitado, mas o volume em suas calças o traía.
- Mu, vamos embora. - Shaka disse decididamente, se levantando. - Acho que agora fomos longe demais com isso...
Mu não disse nada, apenas se levantou, acompanhando Shaka até onde estavam Milo e Camus, para se despedirem.
A verdade era uma só: nenhum dos dois estava se dando conta de que o feitiço havia se voltado contra o feiticeiro, e que os únicos que estavam sendo enganados nesta história toda eram eles mesmos...
Continua
Autora: Bélier
E-mail: belier.aries@bol.com.br
Categoria: Romance Yaoi
Retratação: Eu não possuo Saint Seiya/Cavaleiros do Zodíaco. Infelizmente (ou felizmente) eu não os possuo, pois do contrário eles teriam namorado mais do que lutado... De qualquer forma, eles são propriedade de Kurumada, Toei e Bandai.
Resumo: Para se livrar de um admirador fervoroso, Shaka pede ajuda ao seu melhor amigo.
Capítulo 3
Mu e Shaka chegaram à festa quando esta já estava bem animada. Milo e Camus haviam se superado, transformando a escura casa de Escorpião num ambiente agradável.
Várias tochas iluminavam o salão principal, suas chamas se refletindo nas colunas, dando à festa um clima gótico. Enormes cortinas pretas desciam do teto, e espalhadas pelo chão, ao redor do salão, grandes almofadas, também pretas, completavam a decoração e serviam para aqueles que queriam só conversar ou namorar. Uma música alta e contagiante levava alguns convidados a dançar. Em uma mesa, estavam sendo servidos alguns petiscos (provavelmente preparados pelas mulheres que serviam Saori), e, é claro, muita bebida.
Os dois cavaleiros olharam para tudo com surpresa. Shaka foi o primeiro a se manifestar. - Acho que este Santuário já não é mais como antigamente...
- Conseqüências da modernidade, meu caro amigo... - Mu deu de ombros, tentando encarar tudo normalmente. Shaka ainda continuava com uma cara de "isso-aqui-está-parecendo-um-bordel", quando os anfitriões Milo e Camus vieram recebê-los.
- Que bom que vieram! - Milo exclamou animado. - Por favor, sintam-se à vontade! Vocês não gostariam de tomar alguma coisa?
- Acho bom aceitarem, antes que ele acabe com tudo por conta própria! - Camus reclamou, mas não estava de mau humor, pelo contrário, estava bem animado.
- O que você quer beber, amor? - Mu perguntou sorridente a Shaka, só para deixá-lo irritado. Ganhou imediatamente um olhar de recriminação do loiro.
Mu se surpreendeu ao notar que Milo havia conseguido todo tipo de bebida, desde vinhos importados até saquê, para agradar Saori, Seiya e os demais cavaleiros de procedência japonesa. O ouzo, bebida típica da Grécia, também era encontrado com fartura. Serviu-se de uma taça de vinho, enquanto Shaka aceitava de Camus um martini com direito a duas azeitonas.
Os dois cavaleiros se retiraram para um lugar menos movimentado, e ficaram observando a festa. Todos os convidados estavam vestidos com roupas comuns, deixando de lado pelo menos por aquela noite suas tradicionais roupas de treinamento e armaduras.
- Você acreditaria se alguém lhe dissesse, há algum tempo atrás, que Seiya conseguiria conquistar Atena? - Mu perguntou, vendo o casal dançar alegremente.
Shaka riu. - Cabeça dura como ele é, acredito que o que aconteceu foi o contrário... Tenho certeza, ali quem manda é Saori, e não tem nada a ver com o fato dela ser uma deusa e ele, um cavaleiro...
Mu concordou, sorrindo. Olhando para os anfitriões, observou que estavam de mãos dadas, e sempre que podiam, trocavam pequenos beijos cheios de afeto. - Você acha que eles estão felizes? - Comentou mais para ouvir a opinião do amigo, por que era visível o sentimento entre Escorpião e Aquário.
- Claro! - Shaka olhou discretamente para os dois cavaleiros. - Veja como Camus sorri... Isso é muito raro. Acho que o Milo o completa, com a sua irreverência. Apesar de tão diferentes um do outro, eles são... almas gêmeas. - Shaka concluiu, sentindo uma certa melancolia.
- É verdade. Eles têm muita sorte. - Mu procurou mudar de assunto - Têm bastante gente aqui, não? Acho que todos foram convidados...
- Com exceção dos aprendizes, é claro! Imagine se eles descobrissem que seus ídolos não são tão sérios quanto aparentam! Aí sim seria o fim do Santuário. Esqueça totalmente o respeito...
- Não é tão ruim assim, não somos tão depravados... - Mu tentou argumentar.
- Ah, não? Imagine como o Kiki reagiria, se soubesse que seu mestre anda agarrando o homem mais próximo de Deus atrás das colunas da casa de Áries...
Mu ficou vermelho, e Shaka riu, sentindo prazer em deixar o outro com vergonha.
- Vamos deixar isso de lado e aproveitar a festa? Não é sempre que temos isso por aqui! - Mu desconversou.
O tempo voou, e a festa transcorria tranqüilamente. Depois que a novidade passou, ninguém mais parecia se importar com a situação amorosa de Áries e Virgem, e os dois amigos relaxaram. Conversaram com os demais convidados e tomaram seus drinques sossegados. Procuravam apenas evitar Saga, que, apesar de estar na sua, observava o casal atentamente.
Milo e Camus estavam deixando o melhor para o final, e já de madrugada, atacaram com uma seleção de músicas lentas. Foi a deixa para os casais se reunirem na improvisada pista de dança, agarradinhos.
Como Mu e Shaka não eram efetivamente um casal, mas também não estavam teoricamente solteiros, ficaram meio sem jeito.
- E agora, o que fazemos? - Shaka sussurrou no ouvido do amigo.
- Sinceramente, não sei... - Mu olhou ao redor procurando uma saída. Seu olhar recaiu sobre algumas almofadas desocupadas, num canto do salão. - Vamos sentar um pouco, esperamos algumas músicas, e depois vamos embora, o que acha?
- Por mim, tudo bem. Só vou pegar mais uma bebida, você quer mais vinho?
Mu assentiu com a cabeça e Shaka foi em direção a mesa. Para o seu azar, foi abordado por Saga, que segurou seu braço sem muita delicadeza.
- Estava esperando uma chance para conversar com você, docinho... - Shaka puxou o braço rudemente, se livrando do toque insuportável de Gêmeos. - Mas pelo visto, o seu guarda costas não te deixa sozinho, assim fica difícil...
- Mu não é meu guarda costas, ele é meu namorado! - O próprio Shaka se surpreendeu com a veemência com que suas palavras foram ditas. - E não encoste suas mãos em mim! - Pegou rapidamente as bebidas e já ia voltando, quando ouviu o riso debochado de Saga.
- Namorado nada, essa farsa de vocês não me engana! Conseguiram me iludir aquele dia, eu admito, mas hoje parece que o fogo de vocês esfriou bastante... Mal se tocaram durante a festa toda!
Nesse momento, Mu apareceu, seus olhos verdes faiscando de raiva. Nem mesmo Shaka tinha visto o amigo furioso dessa maneira. Enlaçando o loiro pela cintura, ameaçou Saga, que deu um passo atrás, com medo. - Se você encostar em um fio de cabelo dele, vai morrer!
Ikki e Aldebaran, que estavam por perto, presenciaram a cena, e já se preparavam para separar uma possível briga. O cosmo de Mu estava terrivelmente hostil, e eles não conseguiam acreditar que vinha realmente do pacato cavaleiro de Áries. Notando que vários convidados observavam o desfecho da situação, Saga se afastou, meio constrangido, deixando os dois em paz.
Ainda com os braços em torno do amigo, Mu conduziu-o até as almofadas, tirando os copos de sua mão para que ele pudesse se acomodar. Shaka sentou- se com as pernas cruzadas e costas eretas, como se fosse meditar, mas na verdade estava assustado demais para relaxar. Nunca imaginou que fosse presenciar uma cena destas! Será que realmente era verdadeira a história do lobo em pele de cordeiro?
Mu sentou-se ao seu lado, recostando-se sobre as almofadas, tentando relaxar. Ficara totalmente fora de si ao ver Saga importunando Shaka, e não sabia como se explicar com o amigo, quando nem mesmo ele conseguia entender por que agira daquela maneira.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos, até que Mu, instintivamente, ergueu sua mão, tocando o ombro de Shaka. - Perdoe-me... - Foi tudo que conseguiu dizer, seus dedos esfregando levemente a pele alva do loiro.
- Tudo bem, sei que estava preocupado comigo. - Shaka relaxou as costas, se deixando acariciar, sem perceber. - Mas ele sabe que estamos fingindo...
- O que ele te disse? - Mu alcançou a nuca do amigo, enroscando os dedos em seus cabelos sedosos.
Shaka tombou o corpo, até encostar-se no ombro do cavaleiro de Áries. - Ele disse que não viu hoje a mesma paixão que demonstramos aquele dia... - Aconchegando-se mais, ouvindo as batidas descompassadas do coração do amigo, que aos poucos ia se acalmando.
- Você me pediu para não fazer nenhuma gracinha, e eu obedeci. - Mu abraçou- o, e assim ficaram por algum tempo.
Shaka quebrou o silêncio. - Talvez devêssemos acabar com essa farsa de uma vez. Já que ele não acredita mesmo, não tem porque manter isso. - Mesmo sem abrir os olhos, Shaka sentiu que Mu inclinou a cabeça, sua respiração quente pairando sobre sua boca.
- Ou talvez pudéssemos fazer com que ele acreditasse... - Sem se importar com o que os outros fossem pensar dos dois, Mu tocou os lábios de Virgem com os seus, num breve selinho. Afastou-se ligeiramente para observar a reação do loiro.
- Acho que isso não foi muito convincente... - Shaka disse, deixando seus lábios entreabertos, num convite mudo.
Fechando os olhos, Mu tornou a beijá-lo. Sua intenção era realmente dar-lhe um beijo leve, apenas um toque, mas há muito seu corpo não o obedecia mais. Cobriu os lábios de Shaka com os seus, e não conseguindo se controlar, invadiu a boca do amigo com a língua, sentindo um calor se espalhar pelo seu corpo. Shaka não o ajudou, pois correspondeu ardentemente ao beijo, sua língua se empurrando contra a dele, brigando por espaço. Mu segurou firmemente Shaka pelo queixo, aprofundando mais ainda o beijo, se embriagando com o gosto bom de Virgem, não dando espaço a ele nem para respirar. Shaka não se intimidou, e segurou Mu pela nuca, enquanto sugava sua língua com habilidade, fazendo-o gemer dentro de sua boca.
Ali perto, Milo e Camus observavam os dois, pasmos, parando até de dançar.
- Noooossa... - Milo foi o primeiro a se manifestar. - Você acredita nisso?
- Acredito porque estou vendo. - Camus respondeu, meio envergonhado.
- Que fogo... Você acha que devemos pará-los? - Milo perguntou, desconfiado.
- É lógico que não, eles sabem o que estão fazendo... eu acho.
- Isso não te sugere nada, não? - Milo escorregou sua mão disfarçadamente até o traseiro de Camus, que imediatamente lhe chamou a atenção.
- Aqui não, seu pervertido! - Mas não resistiu e começou a rir, quando Milo lhe deu um beijo estalado no pescoço, fazendo vários olhares se voltarem para eles. Continuaram a dançar, se rendendo um ao outro, sem se importar com os curiosos.
Não repararam um Saga enfurecido cruzar o salão, quase empurrando alguns casais, abandonando a festa.
Enquanto isso, Mu e Shaka já estavam ofegantes, mas não arredavam pé do beijo. Shaka começou a acariciar o peito de Mu sobre a camisa que este usava, mas Áries foi mais longe, deslizando a mão por baixo da barra da blusa do loiro para tocar seu abdômen definido. Aquilo estava se tornando uma loucura, e Shaka só se deu conta do perigo quando Mu esbarrou de leve a mão em sua ereção. Mesmo por cima da calça, Shaka sentiu um choque percorrer seu corpo, e interrompeu o beijo, empurrando o amigo.
- Shaka... - Mu estava tão excitado que mal conseguia falar. - Por favor...
- Não! - Shaka se desvencilhou do abraço de Áries, sentando-se novamente, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego. Por Zeus, a quem eles estavam tentando enganar? Saga era que não. Olhou para o amigo ainda debruçado nas almofadas, seus olhos apertados firmemente, numa tentativa de acalmar seu corpo. Notou que Mu tentava esconder que também estava excitado, mas o volume em suas calças o traía.
- Mu, vamos embora. - Shaka disse decididamente, se levantando. - Acho que agora fomos longe demais com isso...
Mu não disse nada, apenas se levantou, acompanhando Shaka até onde estavam Milo e Camus, para se despedirem.
A verdade era uma só: nenhum dos dois estava se dando conta de que o feitiço havia se voltado contra o feiticeiro, e que os únicos que estavam sendo enganados nesta história toda eram eles mesmos...
Continua
